Acho piada à aversão que a generalidade da populaça tem aos funcionários públicos. A sério. Diverte-me ler os comentários que uns quantos javardotes se dão ao trabalho de escrever sempre que no centro da noticia está alguma coisa relacionada com a função pública. Inveja, ódio, parvoíce e estupidez destilada em dose industrial por gente que, na maior parte das circunstâncias, não sabe nada acerca do que escreve. Nem de outras coisas, muitos deles.
A julgar pelo entusiasmo com que são acolhidas as medidas governativas relativamente aos trabalhadores do Estado, é licito acreditar que o Parvus Coelho só vai perder as próximas eleições por não ter castigado ainda mais severamente os funcionários públicos. Não deixa de ser curioso que qualquer declaração da criatura, por mais inócua que se revele, suscita um coro de indignação. Mesmo decisões governamentais sem importância de maior – coisas corriqueiras, por vezes – são capazes de despertar no mais pacato dos cidadãos uma ira contra o governo, a Merkel, o Cavaco ou a troika, passível de rebentar com o mais potente dos irritómetros. Já se a coisa for no sentido de prejudicar a função pública, então, o aplauso é garantido.
Deve ser, digo eu que não sou de intrigas, por não terem conseguido um lugarzinho para si ou para os seus na administração pública. Se calhar foi por não se terem esforçado o suficiente. A estudar, como era nos tempos de antanho, ou, nos mais recentes, a lamber os tomates ao gajo certo.





