Como alguém disse – se calhar até fui eu e se não fui podia ter sido - o Facebook é a parede da casa de banho pública dos tempos modernos. Serve para tudo e mais um par de botas. Vem isto a propósito de comentários à noticia de mais um acidente numa passadeira cá da cidade.
A culpa desta vez, ao que deduzo da apreciação dos comentadores, terá a ver com a lentidão com que, alegadamente se conduz por cá. Não sei se assim foi nem isso, para o caso, importa grande coisa. Prefiro centrar a questão nos lamentos de uns quantos que querem andar mais depressa e o automobilista da frente não anda nem desanda. E pior, queixam-se, ninguém dá uso à buzina.
É, de facto, exasperante a velocidade – nem sei se lhe deva chamar assim – a que muita gente circula. Cá, em Lisboa, Vladivostok ou Nova Deli. Sítios onde, presumo, se buzinará à farta, para gáudio e inveja de alguns residentes aqui do burgo. Há, no entanto, um pequeno pormenor – uma coisa de nada, digamos – que esta gente parece olvidar. A utilização de sinais sonoros só pode ser feita estando reunidas as condições previstas no artigo 21º do Código da Estrada. Ide, ide ver e pode ser que poupeis no mínimo sessenta euros, que é o valor da coima aplicável.
Há, ainda, aquilo do civismo ou lá o que é. Acreditava eu, mas isso deve ser a minha falta de mundo como agora se diz, que o coro de buzinadelas era uma característica do trânsito nos países que consideramos atrasados. Mas, lá está, ninguém tem culpa que a minhas viagens não vão além do Vimieiro.