Abstenho-me
de especular acerca dos malabarismos que terão sido necessários
para fazer com que o canito arreasse o calhau em cima do pilarete.
Prefiro, antes, realçar a imaginação do artista javardola.
Artista, reitero, porque pôr o cão a cagar em locais improváveis
pode constituir uma nova tendência de arte urbana e, quiçá,
revelar-se como um factor de atracção turística. Fica a sugestão.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
O fim das promoções
Há
quem tenha o topete de catalogar este governo de neo-liberal, liberal
ou, até mesmo, como ultra-liberal. Não estou a ver porquê. E a lei
anti-promoções, de que hoje se fala, está aí para o demonstrar.
De facto não lembra a ninguém, muito menos devia lembrar a gente
que alega defender a economia de mercado, que se condicionem desta
forma os negócios entre particulares. Com a agravante, no caso, de
prejudicar os consumidores no imediato e os produtores nacionais, que
alegadamente se pretende proteger e que terão estado na origem da
legislação, num prazo não muito distante.
Quem
esteja atento e aguarde que os produtos - aqueles que habitualmente
consome, naturalmente - estejam em promoção numa das muitas
superfícies comerciais pode poupar mensalmente algumas dezenas de
euros. Pelo menos até agora. O que, presumo, não agrade a quem nos
governa. De facto eles têm-se esforçado tanto por nos limitar o
poder de compra, reduzir o consumo, deixar-nos com menos dinheiro na
algibeira e, depois, o pagode troca-lhes as voltas, poupa uns trocos
e minimiza as medidas que deram tanto trabalho a engendrar?!
Estava-se mesmo a ver que tinha de sair uma leizinha qualquer a
acabar com o regabofe.
Como
habitual cliente das promoções espero que também esta lei não
seja para cumprir. Ou que lhe dêem a volta, como habilmente os
portugueses fazem em quase todas as circunstâncias.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Não sejam piegas!
Não compreendo a indignação causada pelas declarações de vários fulanos ligados ao PSD sustentando que, apesar de os portugueses viverem hoje pior do que viviam antes da vinda da troika, o país está melhor do que estava. Obviamente que está melhor. E podia estar ainda muito melhor. Bastava para isso que os velhos não insistissem em não falecer, que os doentes fossem menos mariquinhas e deixassem de acorrer aos hospitais e que os funcionários públicos se suicidassem. Também ajudava um bocadinho se os jovens e os desempregados que ainda por cá estão, saíssem da sua zona de conforto e se fizessem à life. Para a Alemanha, para a China ou para outro sitio qualquer onde não aborreçam. Mas não. Toda esta cambada insiste em não colaborar com o esforço patriótico do governo. Com um povo destes é, convenhamos, difícil fazer melhor.
Já a outra parte, a de que os portugueses estão pior, não sei se concorde. Talvez não. Se estão não se nota muito. O popó – refiro-me, naturalmente, aos pequenos percursos - ainda não foi trocado pela bicicleta ou pela deslocação a pé, os hábitos de consumo não aparentam uma mudança significativa e os gastos, públicos e privados, em itens não essenciais continuam a iguais ao que eram antes. Até mesmo a poupança – veja-se o caso das facturas e a sua dedução em IRS – é desprezada. Isto para não falar dos concertos, das festarolas ou dos carnavais que continuam como se nada fosse. E, se calhar, ainda bem. Mas depois não sejam piegas...
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Coisas que me fazem espécie
Faz-me confusão – espécie, como diria a minha avó – a maneira como os portugueses devoram toda a qualidade de palha que lhe põem na gamela. Que é como quem diz, não questionam as parvoíces que são veiculadas pela comunicação social ou por aqueles que têm interesse em levar as pessoas a acreditar em determinadas narrativas.
Vejam-se dois exemplos recentes. Os Tordos, primeiro. O Tordo mais velho levantou voo em direcção a paragens mais quentes e prósperas, fez questão que toda a gente soubesse e tentou fazer disso um caso politico. O mais novo tratou de escrever uma carta de despedida e, talvez ultrapassado pelas circunstâncias, quando deu por ele havia uma legião de parolos a partilhar a dita missiva. Gente que, motivada pelos alegados factos que não se deram ao trabalho de confirmar se eram ou não verdadeiros, desatou a vomitar disparates.
O segundo tem a ver com a capa de ontem do Correio da Manhã. Escreve o tablóide, em letras garrafais, que serão cinquenta e seis os reformados que auferem mais de dezasseis mil euros de pensão por mês. Levando-nos querer que isso constituiria um grande problema para a segurança social. Logo abaixo, em letras muitíssimo mais pequenas, escreve que dois milhões de pensionistas receberão a pensão mínima. Trezentos e sessenta e quatro euros cada um. Logo, como seria de esperar, os ânimos se exaltaram. Há que acabar com as pensões milionárias e aumentar as mínimas, proclamava-se enquanto se ia partilhando a indignação.
Em ambos os casos, os jornalistas e os indignados, esqueceram-se de fazer contas. Daquelas fáceis. De multiplicar. De merceeiro, vá. Se o fizerem vão ver, no tema das reformas, de que lado é que está o problema. Ou, quanto ao cantante, que a historieta está muito mal contada. É muito mais fácil engolir a palha toda, mandar umas bacoradas e voltar à vidinha como se nada fosse. O tuga no seu melhor, portanto, para quem pensar e fazer contas são coisas que ultrapassam o limite do aborrecimento.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Este inverno vai sair-nos caro...
Todos se queixam dos altos preços da electricidade. As culpas de tamanha carestia são distribuídas por uns quantos, desde o Mexia aos chineses, passando por outros capitalistas igualmente nojentos. Por mim hesito quanto ao leque de culpados. Atente-se na imagem acima. Os valores retratados foram recebidos, durante o ano de 2012, por um pequeno município do norte do país. Ventoso e simultaneamente solarengo, presumo. Façam-se umas contas de multiplicar – tendo em conta a pequenez do exemplo – e talvez se perceba melhor a razão porque a conta da luz nos custa os olhos da cara. Mas não digam nada. Que não convém saber-se que andamos todos a pagar o vento que sopra.
Entretanto os autarcas dos municipios destinatários de verbas desta grandeza podem ir esturrando milhões enquanto proclamam aos seus eleitores – como faz o da terrinha em questão - que “a troika não manda aqui!”. E a malta, em êxtase, aplaude a genialidade do homem.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
A ver se eu percebo. Pedir factura é coisa de bufo, a menos que quem a peça seja comerciante, é isso?! Se for assim corram já para o hospital mais próximo porque está tudo doido...
Tenho
manifesta dificuldade em entender as reservas de uns e as criticas de
outros relativamente ao sorteio do fisco. Posso, até, entender a
ignorância evidenciada nas ruas por parte da população. A
iliteracia financeira é transversal a todas as faixas sociais e
etárias, pelo que não surpreendem as parvoíces que se vão ouvindo
a este respeito.
Percebo,
igualmente, a relutância dos comerciantes. É que isto de pagar
impostos é uma coisa muito chata. Nomeadamente para quem se
habituou, ao longo de toda a vida, a passar à
margem desse sacrifício. Colocados
perante esta nova realidade não
escondem – às vezes fazem até questão de exibir - o desagrado e
o incomodo sempre que lhes é solicitada a emissão de uma factura.
Por
mim, estou como o outro. Habituem-se.
Acredito
que o tempo perdido a tratar dessas burocracias fosse mais útil se
aplicado noutras coisas. Como, alguns, gostam de referir. Argumento
que, curiosamente, não aplicam quando são eles a comprar. É
frequente – pelo menos por cá, que nos conhecemos todos uns aos
outros – encontrar um ou outro renitente à emissão de factura, na
caça às promoções das superfícies comerciais. Com o carrinho
cheio de compras, por norma. Para ele, enquanto particular, e para a
sua actividade comercial, provavelmente. Fazendo, chegado à caixa,
todos os outros clientes “perder o tempo que podiam estar a fazer
algo de útil” porque o senhor não abdica da facturazinha – una
e indivisível - das compras para casa e para o boteco. Com número
de contribuinte, evidentemente.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Mais um esquema manhoso!
“Bom
dia mor, puz o nosso vídeo aqui (link..) saca e dame um toque para
tirar dai. Vai ao face quando poderes. bj”
Hoje
pela manhã recebi esta sugestiva mensagem no meu telemóvel. Assim
de imediato pensei tratar-se de um engano. Todos os indícios
apontavam nesse sentido. Primeiro porque as actividades que
desenvolvi na véspera não envolveram nada relacionado com vídeos.
Segundo, mesmo que tivessem envolvido e já não me lembrasse, o meu
“mor” estava mesmo ali ao lado. Terceiro, o meu “mor” escreve
correctamente e não dá pontapés deste calibre na gramática.
Mas
não. Não era nenhum lamentável equivoco. O sms era mesmo para mim.
Como bom tuga não resisti a ir bisbilhotar o link. Trata-se de um
esquema que faz o download de um ficheiro rar que traz lá dentro um
executável que, calculo, instalará um vírus ou outro malware
qualquer no computador do pacóvio que cair na esparrela. Que até
podia ser eu. Podia, se não usasse Linux. Assim gosto sempre de
abrir estas coisas para depois mandar um mail aos espertinhos a
desfazer-me em elogios à maezinha deles.
Fica,
portanto, o alerta para os mais desprevenidos. Eles andam aí. São
inteligentes, simultaneamente espertos - o que os torna pessoas
perigosas - e querem saber coisas acerca de nós. Se por e-email esta
é uma prática corrente e todos os dias a caixa de correio é
invadida por mensagens deste género foi, para mim, uma novidade o
recurso a sms por parte de quem se dedica a este tipo de crime.
Atenção, pois!
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Poluidor
O
negócio dos frangos assados já deve ter conhecido melhores dias.
Ou, então, é o cavalheiro que se faz transportar por este chasso
fumegante que não revela grande queda para a arte de bem assar
gallus domesticus. Será, provavelmente, uma dessas a
justificação para que o senhor se desloque nesta velha carcaça
poluidora que, digo eu olhando para a fumarada de que a imagem mal dá
conta, só por um milagre daqueles antigos merecerá a aprovação
de qualquer centro de inspecções. Isso e o facto de, felizmente, a
raspadinha que deixei esquecida no tasco da esquina e que este
individuo poderá ter “achado”, não estar premiada.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
E a segurança dos bichos, pá?!
Há
quem não se consiga separar dos seus animais de estimação e que os leva consigo para todo o lado. Deve ser o caso deste ciclista.
Ainda que o seu amor pelos companheiros de quatro patas não o leve a
ter para com eles o cuidado que tem relativamente à sua segurança.
Atendendo ao modo precário como os transporta - em notório
equilíbrio instável - bem que podia ter-lhes, também, arranjado um
capacete. É que, ao contrário dos gatos, os cachorros não caiem de
pé nem têm sete vidas.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Mezinhas
Diz
que é bom para a tosse. Deve ser, deve. Tão bom, mas tão bom, que ela gosta
tanto que não se vai embora…
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
E você, não se esqueceu da licença do seu cão?
Cães,
merda de cão e donos javardolas são coisas que abundam por aí. Em
demasia, até. E, como já escrevi em inúmeras ocasiões, deviam
constituir uma apreciável fonte de financiamento das autarquias
locais. Nomeadamente das freguesias. Principalmente daquelas em que
os seus presidentes passam a vida a lamentar a ausência de recursos
e a chatear o respectivo presidente da câmara para lhes ir dando uns
trocos.
Não
será, admito, uma tarefa fácil. Mas há que começar por algum
lado. Avisar os proprietários mais esquecidos que devem tratar da
licença do seu amiguinho de quatro patas pode ser um bom principio.
Como estes de memória aparentemente mais fraca...
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
A Stephanie também passou por aqui
A Stephanie, essa tempestade que os portugueses fizeram questão de receber condignamente, fez uns quantos estragos. Menos, felizmente, do que se temia. Mas, ainda assim, avultados.
Quando invadiu o meu quintal já não era mais do que uma borrasca. Daí que os estragos tenham sido limitados. Um vaso tombado e uma cadeira da esplanada de pernas para o ar foram as consequências da invasão. Pouco nefastas, portanto.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Totó, não te esqueceste de ninguém?
Totó Inseguro, que é como quem diz o pouco carismático líder do PS, prometeu, mal se apanhe no poleiro, acabar com os cortes nas reformas voltando estas ao valor que tinham anteriormente.
Ontem, o mesmo senhor, garantiu que logo que seja eleito o seu governo tratará de reabrir todos os tribunais que o actual governo vier a encerrar.
Há uns tempos tinha igualmente prometido, assim que o ponham ao comando dos destinos do país, revogar a lei que extinguiu umas quantas freguesias e repor o quadro vigente antes da pseudo-reforma administrativa de 2013.
Do que não me lembro – mas, admito, pode ter-me escapado – é deste coninhas com aspirações a primeiro ministro ter sequer colocado a hipótese de, quando o seu partido tornar à gamela do poder, eliminar os cortes nos vencimentos dos funcionários públicos voltando a pagar-lhes o ordenado por inteiro.
São opções. E cada um toma as que entende. Mas é bom que estas coisas não vão caindo no esquecimento. Até porque no próximo ano todos temos que fazer opções eleitorais. Funcionários públicos incluídos...
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Deixem a porra do sinal em paz!
O
sinal que este poste sustenta será, provavelmente, o mais odiado da
cidade. O desgraçado já foi mandado a baixo pelo menos três vezes.
E a próxima, a julgar pelo aspecto do cimento que o prende ao chão,
não deve tardar. Trata-se de um “stop” pelo qual algum vizinho –
sim, isto é aqui para os meus lados – mais apressado não nutre
especial simpatia. Compreendo o aborrecimento de ter que parar
durante uns segundos. É chato. Se fossem os outros a fazê-lo,
tivessem ou não pressa, seria muito melhor. Mas caro leitor – a
julgar pelo comentário deixado no post que escrevi da outra ocasião
em que o sinal foi derrubado, o autor da proeza deve dar uma olhadela
pelo Kruzes de vez em quando – indigne-se antes com a profusão de
“sentidos proibidos” que espalharam nesta zona da cidade. É que
graças aos burros que decidiram que
devíamos andar às voltinhas pelo bairro, já devemos, cada um dos
moradores, ter percorrido, nestes seis ou sete anos, uns largos
milhares de quilómetros. Para ir ter ao mesmo sitio.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Custa assim tanto arranjar um ditador? Daqueles sanguinários, de preferência.
Este país é impossível de governar. Não vale a pena. Ou se arranja depressa um ditador que ponha ordem nisto ou o melhor é nomear uma comissão liquidatária. Como se não fossem suficientes os acórdãos do Tribunal Constitucional e as suas divagações, as providências cautelares a propósito de tudo e nada, lançadas apenas para adiar qualquer decisão, temos agora a procuradora geral a declarar a sua mais firme intenção de contrariar a politica governativa. A senhora acha que lhe compete decidir quanto aos destinos dos quadros do tal Miró.
Curiosamente, ou talvez não, nunca nenhum destes seres iluminados pela inteligência e banhados pelo bom gosto em matéria cultural, teve a preocupação de questionar a legalidade das decisões ruinosas dos governos de Guterres e Sócrates. Ou, pelo menos, declarar a inconstitucionalidade e opor-se firmemente à nacionalização do BPN.
Tanto quanto se sabe, os portugueses votaram livremente e escolheram, por sua expressa vontade, um parlamento de onde saiu um governo maioritário. Não votaram em juízes. A estes cabem, num país de gente normal, outras funções que não as de governar. E ainda bem. Porque se governassem, a julgar pelas decisões judiciais que se vão conhecendo, estaríamos a viver uma tragédia de proporções ainda mais épicas.
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Dia do figurão
O autarca de Toronto é sobejamente conhecido em todo o planeta. Resultado não da excelência do seu trabalho mas, sobretudo, das suas diabruras. Agora, num momento de rara sagacidade, lembrou-se de promover o “dia de Bob Marley”. Vá lá saber-se porquê. Embora, atendendo ao histórico de vida do senhor, o facto da ideia lhe ter ocorrido até possa fazer algum sentido.
Receio que a decisão possa fazer escola. Nomeadamente cá pelo rectângulo. Sabendo-se como os autarcas portugueses gostam de copiar as ideias uns dos outros e estão sempre prontos a inventar pretextos para novos eventos, temo que em breve sejamos surpreendidos por presidentes de câmara a anunciar, para as suas cidades, “dias” dedicados a um figurão qualquer. Assim, de repente, não me estou a lembrar de muita gente merecedora desta honra mas, tenho a certeza, alguém lhes ocorrerá. Talvez Al Capone, Bernard Madoff ou Dominique Strauss-Kahn...
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Queria ser optimista mas o meu país não deixou
Somos um país de gente louca, que não se governa, não se deixa governar e que faz o que pode para impedir aqueles que – mal ou bem – tentam gerir esta piolheira consigam fazer algo a que se possa chamar governação. Todos os dias temos exemplos disso. Ontem tivemos mais dois.
Um deputado usa da palavra durante cinquenta e nove minutos consecutivos. Pouco depois tenta repetir a brincadeira e quando, volvidos mais quinze minutos de discursata, lhe é retirada a palavra, o homem e todos os restantes camaradas socialistas abandonam a reunião. Não o deixam falar, argumenta. E é gente desta que se afirma como alternativa de poder. Gente que fala, fala, não faz nada e fica chateada por os outros não têm paciências para ouvir as suas parvoíces.
Foi igualmente pessoal desta qualidade que tratou de impedir a venda de uns quantos quadros. Verdade que a receita obtida não seria nada de por aí além, quando comparada com a imensidão do buraco que se tenta tapar. Mas, ainda assim, não se afigura justo pôr os portugueses todos a pagar as suas maluquices. Para essa malta o dinheiro pouco importa. Para eles outros valores alegadamente mais altos se levantam. O pior é que não há dinheiro para os pagar. Coisa pouco relevante para quem tem a mania de viver das aparências.
O meu optimismo ficou, há muito, lá atrás. Comportamentos como os descritos anteriormente já pouco – nada, a bem dizer – me surpreendem. São o retrato fiel do país e de um povo irresponsável, que premeia os alarves, os incapazes, aprecia quem não é de boas contas e que não quer mudar este estado de coisas. Excepto, claro, se a mudança for no sentido de lixar o vizinho.
A canzoada, ao menos, paga a licença?
Esta
foto foi obtida um destes dias numa movimentada rua da cidade. A Rua
Brito Capelo. Poucos moradores, quase nenhum comércio, mas local de
passagem para muita gente. Provavelmente também passearão por ali
muitos cães. Daí que, de cima a baixo e vice-versa, sejam
incontáveis os cagalhões com que os transeuntes se deparam. Uma
verdadeira gincana diária para evitar tanta poia é o que tem de
fazer quem por ali passa. O que nem sempre se consegue, como
demonstra a fotografia. Um porcaria. Uma javardice. E, se calhar, os
caezinhos nem estão devidamente registados na respectiva Junta de
Freguesia, com a respectiva licença em dia. Digo eu, que dessas
coisas nada sei.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Em busca da má-fama perdida
Sinto
que este blogue tem vindo a perder a má-fama conquistada noutros
tempos. O que me deixa profundamente desapontado. Esforço-me por ser
desagradável, por aborrecer, por implicar e em, troca, não recebo o
merecido reconhecimento. Há, portanto, que mudar de rumo. Rever a
linha editorial, até. Regressar ao post da bosta de cão,
porventura. Dai que vários textos sobre temas de actualidade tenham
acabado de ir para a reciclagem. Posts sobre praxes, Miró e outros
assuntos de relevante interesse nacional, coisas acerca dos quais
dissertei alarvemente, não irão ser publicados. Por estes dias
outros temas marcarão a agenda do Kruzes. Piores e ainda mais
desinteressantes que os anteriores. Mas, de verdade, é isso mesmo
que se pretende. Este blogue tem uma reputação – má, mas isso
não interessa nada - a defender e é isso mesmo que vai fazer.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
O pé-de-meia do Nelson
Diz
que o testamento de Nelson Mandela foi, finalmente, revelado. Três
milhões de euros que os agora conhecidos herdeiros vão dividir de
acordo com a vontade do herói do povo sul-africano. Uma fortuna
apreciável para quem passou a maior parte da vida fechado numa
prisão. Às tantas, enquanto engendrava um plano para fazer da
Africa do Sul um país melhor, era gajo para trabalhar num daqueles
esquemas manhosos que envolvem aquela cena de trabalhar a partir de
casa. Dobrar circulares e mete-las em envelopes ou coisa do género…
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Os Geninhos não conhecem a lei da vantagem...
Concordo
com a exigência e o rigor e nutro especial simpatia por quem cumpre
de forma zelosa as funções em que foi investido. Há, no entanto,
um limite. O do bom-senso. Isto, mal comparado, é como os penaltis
no futebol. O defesa nem sempre tem culpa que a bola lhe bata na mão.
Caberá ao arbitro interpretar as circunstâncias do lance e agir em
conformidade, assinalando ou não a grande penalidade.
É,
mais ou menos isso, que se espera de uma força policial quando posta
perante uma situação de eventual infracção à lei. O caso que
motiva todo este paleio conta-se em poucas linhas. Um autocarro
expresso sai de Lisboa, com destino ao Alentejo, ao final da tarde.
O trânsito intenso de uma sexta-feira não permitem uma saída
rápida da capital. Durante o trajecto a chuva e, consequentemente, o
piso molhado não proporcionam ao motorista a possibilidade de
recuperar o tempo perdido. À saída da autoestrada, já perto do
final da viagem, uma brigada da GNR manda encostar a viatura. Mais de
meia-hora depois a marcha é retomada e o condutor leva consigo um
auto de transgressão. Ou lá como se chama isso. O motivo? Ia
atrasado...
Obviamente
que os transportes públicos tem obrigação de cumprir os horários
e que as empresas devem ser penalizadas quando não o fazem. Mas há
que ter sempre presente o interesse dos passageiros. Manifestamente
não foi o caso. Primeiro não foram tidas em conta as razões que
provocaram o atraso e, depois, a actuação das forças policiais
acabou por provocar um atraso muito maior do que aquele que puniu.
Próprio de gente, zelosa e apostada em cumprir a missão que lhe foi
atribuída, portanto. Já quanto a essa coisa do bom senso...
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Revolução?! Agora não me dava jeito nenhum. Talvez lá mais para o Verão...
É, de certeza, culpa minha e da manifesta incapacidade que evidencio para perceber a postura dos portugueses perante a situação que vivemos. Os apelos a uma revolução, como frequentemente o fazem algumas figuras de relativo relevo na sociedade, são de entre as coisas parvas que todos os dias se dizem as que me deixam mais perplexo. Sim, façamos a tal revolução. Seja lá o que for que isso quer dizer. E a seguir? Os nossos problemas ficam resolvidos? Se calhar não. O dinheiro não brotará das pedras, os empregos não vão aparecer do nada e os corruptos vão continuar a andar por aí.
Este tipo de mentalidade vem, essencialmente, daqueles que viveram o 25 do A. Principalmente tudo o que se seguiu. São, na sua maioria, pessoas com idade para ter juízo e que deviam possuir a clarividência necessária para fazer uma análise critica ao que foram as consequências desse período catastrófico. Rebentaram com o incipiente tecido produtivo, estoiraram as finanças públicas e puseram o país à beira da guerra civil. Mas, pelos vistos, não lhes bastou. Querem fazê-lo de novo. Alguém que os interne, se faz favor!
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Ou é cão ou cadela. Não há cá menino ou menina. Certo, suas bestas?!
Este
canito, a quem desde há muito - por desconhecer a sua graça - chamo
Obama, estava hoje com este penteado todo janota. O que contribuiu
para me suscitar a inquietante questão se ele, afinal, não é ela.
Talvez um destes dias tire a coisa a limpo e indague a dona acerca do sexo do bicho. Sim, sexo, porque isso do género é tão
estúpido como aquela malta idiota que, referindo-se a um cachorro,
pergunta se é menino ou menina.
Nota:
O cão é todo preto. A zona pintada a branco destina-se, obviamente,
a proteger a identidade do animal.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
A inveja é uma coisa muito feia...
A
decisão do Município de Tomar no sentido de conceder um dia por
mês de tolerância de ponto aos seus funcionários está a motivar,
como seria de esperar, um chorrilho de comentários, na sua maioria
disparatados, em tudo quanto é sitio onde se pode expressar opinião.
Por algum motivo que me escapa esta medida está a deixar irritada
uma imensidão de gente. Gente que, diga-se, em nada é afectada com
esta opção do município nabantino. O atendimento ao público
estará assegurado, os serviços essenciais estarão a funcionar e,
daqui, não resultará mais despesa para a autarquia. Assim sendo não
parece que isto prejudique seja quem for, nomeadamente os muitos
ofendidos que por aí pululam. A esmagadora maioria dos quais, se
calhar, nem nunca pôs as patas naquela cidade.
Curiosamente,
ou talvez não, uma outra noticia que refere a contratação – essa
sim geradora despesa pública - de dezoito psicólogos e dois
terapeutas da fala, por uma autarquia do norte do país, merece uma
inusitada quantidade de elogios. Não que a ideia de ter todos os
miúdos, de todas as escolas primárias do concelho, a ser
acompanhados por estes técnicos não seja meritória. Ao nível,
acredito, a que poucos países desenvolvidos e que não passam por
problemas sequer comparáveis aos nossos se poderão dar ao luxo.
Quero,
com esta comparação, sublinhar que por cá continuamos a não nos
preocupar com isso da crise, da falta de dinheiro e do esbanjamento.
Pouco nos importa que o nosso dinheiro seja esturrado por políticos
lunáticos. O que não admitimos é que outros tenham melhor
qualidade de vida que nós. Mesmo que isso em nada prejudique a
nossa. Tal coisa, no meu dicionário, chama-se inveja.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Os javardões que paguem a crise!
Desconheço
se entre os poucos leitores deste blogue se encontra algum autarca.
Provavelmente não. Têm todos coisas mais interessantes para fazer.
Sejam elas – as coisas – quais forem e por mais difíceis de
identificar que se revelem. Mas isso, para o caso, interessa pouco.
Deixo a mensagem na mesma, na expectativa que algum politico de uma
qualquer autarquia um dia por aqui passe. Pois que, em lugar de se
lamuriarem com a falta de verbas e dos cortes nas transferências do
Estado, ponham os olhos na imagem que documenta este post e verão
que têm um manancial de recursos quase ilimitado. Isto enquanto,
simultaneamente, zelam pela saúde dos seus eleitores e poupam
dinheiro com a limpeza urbana. Não precisam de ter medo de perder as
eleições. Os cães – ainda – não votam e a maioria dos
eleitores não gosta de pisar dejectos. É que, não sei se sabem, quando por azar isso
acontece não é ao Passos Coelho que chamam nomes...
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
O perigo é uma coisa muita fixe. Radical, até.
Muito se tem dito e escrito a propósito das praxes académicas na sequência das trágicas mortes ocorridas na praia do Meco. Até demais, diria. Trata-se, afinal, de um grupo de pessoas maiores de idade e no pleno uso de todas as suas faculdades mentais, que numa noite em que era esperada a maior agitação marítima dos últimos anos entendeu por bem ir fazer coisas parvas para a beira-mar. Numa zona que, aquela hora, estava sob alerta vermelho da meteorologia, recorde-se.
Este tipo de comportamento de risco e o especial apreço que os portugueses demonstram por actividades estúpidas é um legado que sabiamente é transmitido de geração em geração. Basta estar atento à comunicação social para constatar que, às primeiras noticias de mau tempo, uma legião de papás trata de enfiar os fedelhos no automóvel e, indiferentes ao risco e aos avisos das autoridades, enfrentam um conjunto de perigos para chegar ao topo da serra da Estrela. Tudo para que o Martim, o Tomás, a Carlota ou a Vanessa Marisa vejam uma porção de terreno coberta de neve onde podem dar uns trambolhões. Depois admiram-se que, uns anitos mais tarde, a rapaziada se queira divertir na praia em noites de temporal e com ondas de dez metros.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Goste-se ou não essa coisa do paradigma é mesmo para levar a sério
Muitos
autarcas têm vindo publicamente – assim como a ANMP, a sua
associação representativa – lamentar que a receita cobrada do
Imposto Municipal sobre Imóveis tenha ficado substancialmente aquém
das expectativas. Nalguns casos, ao que garantem, terá mesmo ficado
abaixo daquilo que receberam em anos anteriores. Reclamam, por isso,
que o governo lhes dê uma mãozinha porque, afiançam, estavam à
espera que a recente reavaliação dos prédios proporcionasse às
autarquias uma receita bastante mais avultada o que, por não se
concretizar, colocará muitos municípios numa situação complicada
em termos financeiros.
Ou
autarcas viam neste imposto uma espécie de galinha dos ovos de ouro.
O pior é que, para ganhar eleições, optaram por baixar as taxas do
IMI que vinham cobrando e de reduzir, ou mesmo abdicar, de outras
receitas que legalmente cabem às autarquias locais. Vir agora com
estas lamurias mais não é do que chorar lágrimas de crocodilo. É
que isto não se pode querer ter o melhor de dois mundos. Não cobrar
dinheiro ao eleitores, por um lado, e dar-lhes muitos apoios sociais,
divertimentos e obras com fartura, por outro, é uma equação
impossível. Mas vá lá alguém convencer os autarcas que este é o
nosso novo e irremediável paradigma...
sexta-feira, 24 de janeiro de 2014
Antes a morte que tal sorte...
Manuela Ferreira Leite tem sido, nos últimos tempos, abundantemente citada a propósito das suas posições de frontal oposição às medidas de austeridade decretadas pelo governo. Ou melhor. Contra os cortes nas pensões. Porque, bem vistas as coisas, é só e apenas com isso que a senhora se preocupa. Tirando o facto – irrelevante, quase – de se tratar de uma aposentada, auferindo uma pensão de valor, presumo, razoável, até era capaz de pensar que a senhora vai para a televisão defender os seus interesses e que, de resto, se estará nas tintas para todos os outros reformados e velhotes.
Longe vai o tempo – isto a espuma dos dias tudo leva – em que o país se indignou com as declarações da agora comentadeira por esta ter defendido que os cuidados de saúde, no caso a hemodiálise, só devia ser feita a pessoas com mais de oitenta anos caso estas a pudessem pagar. À época, recorde-se, os cortes ainda não chegavam às reformas. Isso era coisa que então apenas afectava outros, que não os reformados. Daí que as preocupações da senhora não abarcassem essa faixa etária. Ao contrário de agora que, coitadinhos dos velhinhos mesmo que tenham mais de oitenta anos e façam hemodiálise, não podem ser afectados por este roubo generalizado de que todos somos vitimas.
Ou seja. Se bem percebo, até se pode deixá-los morrer caso não tenham dinheiro para pagar os tratamentos. O que não se pode é cortar-lhes reforma. Isto sem que ninguém relembre à ex-ministra as afirmações então proferidas. Deve ser inconveniente, talvez. Ou então ninguém se importa verdadeiramente com os mais velhos e todos querem é malhar no governo. Verdade que, nesse aspecto do malhar, só se perdem as que caem no chão mas, que diabo, um bocadinho de honestidade intelectual não ficava mal.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Orgulham-se de quê?!
A evidente satisfação do governo e seus correlegionários com os resultados da execução orçamental de 2013, nomeadamente com a superação dos objectivos previstos para o défice, parece-me manifestamente desproporcionada. Não vejo - mas deve ser por ter o estranho hábito de olhar para o “outro lado” da questão – motivo nenhum para o bando de laranjas podres que nos governa estar notoriamente impressionado com os resultados agora divulgados.
Não é que queira ser sempre do contra. Nem, sequer, para poder dizer que tinha razão. Menos ainda por, como alguém escreveu não sei onde, neste blogue se dizer mal de tudo e de todos. É que espreitando o que está por detrás destes números, alegadamente bons e espectaculares, concluímos que o resultado se deve a um brutal corte sobre os rendimentos dos trabalhadores do Estado e reformados, e a um aumento sem precedentes da carga fiscal. Pior. Esse acréscimo de impostos foi obtido a partir de um universo de contribuintes bastante mais pequeno do que já aconteceu noutras ocasiões. Devido, nomeadamente, ao desemprego ou à emigração. O que dá bem a ideia da dimensão do esbulho a que estamos a ser sujeitos.
Aliando o saque fiscal à diminuição de vencimentos e pensões melhor seria que as contas não ficassem um pouco menos desequilibradas. Disso, nas nossas casas, todos somos capazes. Basta não comer, não pagar as contas e cortar todo o tipo de despesa para as finanças de qualquer cidadão darem notórios sinais de equilíbrio. Pode é acontecer-lhe o mesmo que ao cavalo do espanhol...
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
"Frasquinho" dixit
Acabo de ouvir um “Frasquinho” qualquer garantir, no parlamento, que já passámos o pior da crise e que daqui para a frente isto vai ser sempre a melhorar. Deve ser verdade, deve.
Não sei em que dia pagam o ordenado lá pela Assembleia mas, desconfio, o homem ainda não viu o recibo do vencimento. Ou então é parvo.
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