sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Poluidor



O negócio dos frangos assados já deve ter conhecido melhores dias. Ou, então, é o cavalheiro que se faz transportar por este chasso fumegante que não revela grande queda para a arte de bem assar gallus domesticus. Será, provavelmente, uma dessas a justificação para que o senhor se desloque nesta velha carcaça poluidora que, digo eu olhando para a fumarada de que a imagem mal dá conta, só por um milagre daqueles antigos merecerá a aprovação de qualquer centro de inspecções. Isso e o facto de, felizmente, a raspadinha que deixei esquecida no tasco da esquina e que este individuo poderá ter “achado”, não estar premiada.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

E a segurança dos bichos, pá?!



Há quem não se consiga separar dos seus animais de estimação e que os leva consigo para todo o lado. Deve ser o caso deste ciclista. Ainda que o seu amor pelos companheiros de quatro patas não o leve a ter para com eles o cuidado que tem relativamente à sua segurança. Atendendo ao modo precário como os transporta - em notório equilíbrio instável - bem que podia ter-lhes, também, arranjado um capacete. É que, ao contrário dos gatos, os cachorros não caiem de pé nem têm sete vidas.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Mezinhas


Diz que é bom para a tosse. Deve ser, deve. Tão bom, mas tão bom, que ela gosta tanto que não se vai embora…

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

E você, não se esqueceu da licença do seu cão?

Cães, merda de cão e donos javardolas são coisas que abundam por aí. Em demasia, até. E, como já escrevi em inúmeras ocasiões, deviam constituir uma apreciável fonte de financiamento das autarquias locais. Nomeadamente das freguesias. Principalmente daquelas em que os seus presidentes passam a vida a lamentar a ausência de recursos e a chatear o respectivo presidente da câmara para lhes ir dando uns trocos.
Não será, admito, uma tarefa fácil. Mas há que começar por algum lado. Avisar os proprietários mais esquecidos que devem tratar da licença do seu amiguinho de quatro patas pode ser um bom principio. Como estes de memória aparentemente mais fraca...

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A Stephanie também passou por aqui

A Stephanie, essa tempestade que os portugueses fizeram questão de receber condignamente, fez uns quantos estragos. Menos, felizmente, do que se temia. Mas, ainda assim, avultados.
Quando invadiu o meu quintal já não era mais do que uma borrasca. Daí que os estragos tenham sido limitados. Um vaso tombado e uma cadeira da esplanada de pernas para o ar foram as consequências da invasão. Pouco nefastas, portanto.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Totó, não te esqueceste de ninguém?

Totó Inseguro, que é como quem diz o pouco carismático líder do PS, prometeu, mal se apanhe no poleiro, acabar com os cortes nas reformas voltando estas ao valor que tinham anteriormente.
Ontem, o mesmo senhor, garantiu que logo que seja eleito o seu governo tratará de reabrir todos os tribunais que o actual governo vier a encerrar.
Há uns tempos tinha igualmente prometido, assim que o ponham ao comando dos destinos do país, revogar a lei que extinguiu umas quantas freguesias e repor o quadro vigente antes da pseudo-reforma administrativa de 2013.
Do que não me lembro – mas, admito, pode ter-me escapado – é deste coninhas com aspirações a primeiro ministro ter sequer colocado a hipótese de, quando o seu partido tornar à gamela do poder, eliminar os cortes nos vencimentos dos funcionários públicos voltando a pagar-lhes o ordenado por inteiro.
São opções. E cada um toma as que entende. Mas é bom que estas coisas não vão caindo no esquecimento. Até porque no próximo ano todos temos que fazer opções eleitorais. Funcionários públicos incluídos...



sábado, 8 de fevereiro de 2014

Deixem a porra do sinal em paz!


O sinal que este poste sustenta será, provavelmente, o mais odiado da cidade. O desgraçado já foi mandado a baixo pelo menos três vezes. E a próxima, a julgar pelo aspecto do cimento que o prende ao chão, não deve tardar. Trata-se de um “stop” pelo qual algum vizinho – sim, isto é aqui para os meus lados – mais apressado não nutre especial simpatia. Compreendo o aborrecimento de ter que parar durante uns segundos. É chato. Se fossem os outros a fazê-lo, tivessem ou não pressa, seria muito melhor. Mas caro leitor – a julgar pelo comentário deixado no post que escrevi da outra ocasião em que o sinal foi derrubado, o autor da proeza deve dar uma olhadela pelo Kruzes de vez em quando – indigne-se antes com a profusão de “sentidos proibidos” que espalharam nesta zona da cidade. É que graças aos burros que decidiram que devíamos andar às voltinhas pelo bairro, já devemos, cada um dos moradores, ter percorrido, nestes seis ou sete anos, uns largos milhares de quilómetros. Para ir ter ao mesmo sitio.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Custa assim tanto arranjar um ditador? Daqueles sanguinários, de preferência.


Este país é impossível de governar. Não vale a pena. Ou se arranja depressa um ditador que ponha ordem nisto ou o melhor é nomear uma comissão liquidatária. Como se não fossem suficientes os acórdãos do Tribunal Constitucional e as suas divagações, as providências cautelares a propósito de tudo e nada, lançadas apenas para adiar qualquer decisão, temos agora a procuradora geral a declarar a sua mais firme intenção de contrariar a politica governativa. A senhora acha que lhe compete decidir quanto aos destinos dos quadros do tal Miró.
Curiosamente, ou talvez não, nunca nenhum destes seres iluminados pela inteligência e banhados pelo bom gosto em matéria cultural, teve a preocupação de questionar a legalidade das decisões ruinosas dos governos de Guterres e Sócrates. Ou, pelo menos, declarar a inconstitucionalidade e opor-se firmemente à nacionalização do BPN.
Tanto quanto se sabe, os portugueses votaram livremente e escolheram, por sua expressa vontade, um parlamento de onde saiu um governo maioritário. Não votaram em juízes. A estes cabem, num país de gente normal, outras funções que não as de governar. E ainda bem. Porque se governassem, a julgar pelas decisões judiciais que se vão conhecendo, estaríamos a viver uma tragédia de proporções ainda mais épicas.



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Dia do figurão

O autarca de Toronto é sobejamente conhecido em todo o planeta. Resultado não da excelência do seu trabalho mas, sobretudo, das suas diabruras. Agora, num momento de rara sagacidade, lembrou-se de promover o “dia de Bob Marley”. Vá lá saber-se porquê. Embora, atendendo ao histórico de vida do senhor, o facto da ideia lhe ter ocorrido até possa fazer algum sentido.
Receio que a decisão possa fazer escola. Nomeadamente cá pelo rectângulo. Sabendo-se como os autarcas portugueses gostam de copiar as ideias uns dos outros e estão sempre prontos a inventar pretextos para novos eventos, temo que em breve sejamos surpreendidos por presidentes de câmara a anunciar, para as suas cidades,  “dias” dedicados a um figurão qualquer. Assim, de repente, não me estou a lembrar de muita gente merecedora desta honra mas, tenho a certeza, alguém lhes ocorrerá. Talvez Al Capone, Bernard Madoff ou Dominique Strauss-Kahn... 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Queria ser optimista mas o meu país não deixou

Somos um país de gente louca, que não se governa, não se deixa governar e que faz o que pode para impedir aqueles que – mal ou bem – tentam gerir esta piolheira consigam fazer algo a que se possa chamar governação. Todos os dias temos exemplos disso. Ontem tivemos mais dois.
Um deputado usa da palavra durante cinquenta e nove minutos consecutivos. Pouco depois tenta repetir a brincadeira e quando, volvidos mais quinze minutos de discursata, lhe é retirada a palavra, o homem e todos os restantes camaradas socialistas abandonam a reunião. Não o deixam falar, argumenta. E é gente desta que se afirma como alternativa de poder. Gente que fala, fala, não faz nada e fica chateada por os outros não têm paciências para ouvir as suas parvoíces.
Foi igualmente pessoal desta qualidade que tratou de impedir a venda de uns quantos quadros. Verdade que a receita obtida não seria nada de por aí além, quando comparada com a imensidão do buraco que se tenta tapar. Mas, ainda assim, não se afigura justo pôr os portugueses todos a pagar as suas maluquices. Para essa malta o dinheiro pouco importa. Para eles outros valores alegadamente mais altos se levantam. O pior é que não há dinheiro para os pagar. Coisa pouco relevante para quem tem a mania de viver das aparências. 
O meu optimismo ficou, há muito, lá atrás. Comportamentos como os descritos anteriormente já pouco – nada, a bem dizer – me surpreendem. São o retrato fiel do país e de um povo irresponsável, que premeia os alarves, os incapazes, aprecia quem não é de boas contas e que não quer mudar este estado de coisas. Excepto, claro, se a mudança for no sentido de lixar o vizinho. 

A canzoada, ao menos, paga a licença?



Esta foto foi obtida um destes dias numa movimentada rua da cidade. A Rua Brito Capelo. Poucos moradores, quase nenhum comércio, mas local de passagem para muita gente. Provavelmente também passearão por ali muitos cães. Daí que, de cima a baixo e vice-versa, sejam incontáveis os cagalhões com que os transeuntes se deparam. Uma verdadeira gincana diária para evitar tanta poia é o que tem de fazer quem por ali passa. O que nem sempre se consegue, como demonstra a fotografia. Um porcaria. Uma javardice. E, se calhar, os caezinhos nem estão devidamente registados na respectiva Junta de Freguesia, com a respectiva licença em dia. Digo eu, que dessas coisas nada sei. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Em busca da má-fama perdida


Sinto que este blogue tem vindo a perder a má-fama conquistada noutros tempos. O que me deixa profundamente desapontado. Esforço-me por ser desagradável, por aborrecer, por implicar e em, troca, não recebo o merecido reconhecimento. Há, portanto, que mudar de rumo. Rever a linha editorial, até. Regressar ao post da bosta de cão, porventura. Dai que vários textos sobre temas de actualidade tenham acabado de ir para a reciclagem. Posts sobre praxes, Miró e outros assuntos de relevante interesse nacional, coisas acerca dos quais dissertei alarvemente, não irão ser publicados. Por estes dias outros temas marcarão a agenda do Kruzes. Piores e ainda mais desinteressantes que os anteriores. Mas, de verdade, é isso mesmo que se pretende. Este blogue tem uma reputação – má, mas isso não interessa nada - a defender e é isso mesmo que vai fazer. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O pé-de-meia do Nelson


Diz que o testamento de Nelson Mandela foi, finalmente, revelado. Três milhões de euros que os agora conhecidos herdeiros vão dividir de acordo com a vontade do herói do povo sul-africano. Uma fortuna apreciável para quem passou a maior parte da vida fechado numa prisão. Às tantas, enquanto engendrava um plano para fazer da Africa do Sul um país melhor, era gajo para trabalhar num daqueles esquemas manhosos que envolvem aquela cena de trabalhar a partir de casa. Dobrar circulares e mete-las em envelopes ou coisa do género…

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Os Geninhos não conhecem a lei da vantagem...

Concordo com a exigência e o rigor e nutro especial simpatia por quem cumpre de forma zelosa as funções em que foi investido. Há, no entanto, um limite. O do bom-senso. Isto, mal comparado, é como os penaltis no futebol. O defesa nem sempre tem culpa que a bola lhe bata na mão. Caberá ao arbitro interpretar as circunstâncias do lance e agir em conformidade, assinalando ou não a grande penalidade.
É, mais ou menos isso, que se espera de uma força policial quando posta perante uma situação de eventual infracção à lei. O caso que motiva todo este paleio conta-se em poucas linhas. Um autocarro expresso sai de Lisboa, com destino ao Alentejo, ao final da tarde. O trânsito intenso de uma sexta-feira não permitem uma saída rápida da capital. Durante o trajecto a chuva e, consequentemente, o piso molhado não proporcionam ao motorista a possibilidade de recuperar o tempo perdido. À saída da autoestrada, já perto do final da viagem, uma brigada da GNR manda encostar a viatura. Mais de meia-hora depois a marcha é retomada e o condutor leva consigo um auto de transgressão. Ou lá como se chama isso. O motivo? Ia atrasado...
Obviamente que os transportes públicos tem obrigação de cumprir os horários e que as empresas devem ser penalizadas quando não o fazem. Mas há que ter sempre presente o interesse dos passageiros. Manifestamente não foi o caso. Primeiro não foram tidas em conta as razões que provocaram o atraso e, depois, a actuação das forças policiais acabou por provocar um atraso muito maior do que aquele que puniu. Próprio de gente, zelosa e apostada em cumprir a missão que lhe foi atribuída, portanto. Já quanto a essa coisa do bom senso...

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Revolução?! Agora não me dava jeito nenhum. Talvez lá mais para o Verão...

É, de certeza, culpa minha e da manifesta incapacidade que evidencio para perceber a postura dos portugueses perante a situação que vivemos. Os apelos a uma revolução, como frequentemente o fazem algumas figuras de relativo relevo na sociedade, são de entre as coisas parvas que todos os dias se dizem as que me deixam mais perplexo. Sim, façamos a tal revolução. Seja lá o que for que isso quer dizer. E a seguir? Os nossos problemas ficam resolvidos? Se calhar não. O dinheiro não brotará das pedras, os empregos não vão aparecer do nada e os corruptos vão continuar a andar por aí.
Este tipo de mentalidade vem, essencialmente, daqueles que viveram o 25 do A. Principalmente tudo o que se seguiu. São, na sua maioria, pessoas com idade para ter juízo e que deviam possuir a clarividência necessária para fazer uma análise critica ao que foram as consequências desse período catastrófico. Rebentaram com o incipiente tecido produtivo, estoiraram as finanças públicas e puseram o país à beira da guerra civil. Mas, pelos vistos, não lhes bastou. Querem fazê-lo de novo. Alguém que os interne, se faz favor!

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Ou é cão ou cadela. Não há cá menino ou menina. Certo, suas bestas?!

Este canito, a quem desde há muito - por desconhecer a sua graça - chamo Obama, estava hoje com este penteado todo janota. O que contribuiu para me suscitar a inquietante questão se ele, afinal, não é ela. Talvez um destes dias tire a coisa a limpo e indague a dona acerca do sexo do bicho. Sim, sexo, porque isso do género é tão estúpido como aquela malta idiota que, referindo-se a um cachorro, pergunta se é menino ou menina.


Nota: O cão é todo preto. A zona pintada a branco destina-se, obviamente, a proteger a identidade do animal.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A inveja é uma coisa muito feia...

A decisão do Município de Tomar no sentido de conceder um dia por mês de tolerância de ponto aos seus funcionários está a motivar, como seria de esperar, um chorrilho de comentários, na sua maioria disparatados, em tudo quanto é sitio onde se pode expressar opinião. Por algum motivo que me escapa esta medida está a deixar irritada uma imensidão de gente. Gente que, diga-se, em nada é afectada com esta opção do município nabantino. O atendimento ao público estará assegurado, os serviços essenciais estarão a funcionar e, daqui, não resultará mais despesa para a autarquia. Assim sendo não parece que isto prejudique seja quem for, nomeadamente os muitos ofendidos que por aí pululam. A esmagadora maioria dos quais, se calhar, nem nunca pôs as patas naquela cidade.
Curiosamente, ou talvez não, uma outra noticia que refere a contratação – essa sim geradora despesa pública - de dezoito psicólogos e dois terapeutas da fala, por uma autarquia do norte do país, merece uma inusitada quantidade de elogios. Não que a ideia de ter todos os miúdos, de todas as escolas primárias do concelho, a ser acompanhados por estes técnicos não seja meritória. Ao nível, acredito, a que poucos países desenvolvidos e que não passam por problemas sequer comparáveis aos nossos se poderão dar ao luxo.
Quero, com esta comparação, sublinhar que por cá continuamos a não nos preocupar com isso da crise, da falta de dinheiro e do esbanjamento. Pouco nos importa que o nosso dinheiro seja esturrado por políticos lunáticos. O que não admitimos é que outros tenham melhor qualidade de vida que nós. Mesmo que isso em nada prejudique a nossa. Tal coisa, no meu dicionário, chama-se inveja.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Os javardões que paguem a crise!


Desconheço se entre os poucos leitores deste blogue se encontra algum autarca. Provavelmente não. Têm todos coisas mais interessantes para fazer. Sejam elas – as coisas – quais forem e por mais difíceis de identificar que se revelem. Mas isso, para o caso, interessa pouco. Deixo a mensagem na mesma, na expectativa que algum politico de uma qualquer autarquia um dia por aqui passe. Pois que, em lugar de se lamuriarem com a falta de verbas e dos cortes nas transferências do Estado, ponham os olhos na imagem que documenta este post e verão que têm um manancial de recursos quase ilimitado. Isto enquanto, simultaneamente, zelam pela saúde dos seus eleitores e poupam dinheiro com a limpeza urbana. Não precisam de ter medo de perder as eleições. Os cães – ainda – não votam e a maioria dos eleitores não gosta de pisar dejectos. É que, não sei se sabem, quando por azar isso acontece não é ao Passos Coelho que chamam nomes... 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

O perigo é uma coisa muita fixe. Radical, até.

Muito se tem dito e escrito a propósito das praxes académicas na sequência das trágicas mortes ocorridas na praia do Meco. Até demais, diria. Trata-se, afinal, de um grupo de pessoas maiores de idade e no pleno uso de todas as suas faculdades mentais, que numa noite em que era esperada a maior agitação marítima dos últimos anos entendeu por bem ir fazer coisas parvas para a beira-mar. Numa zona que, aquela hora, estava sob alerta vermelho da meteorologia, recorde-se.
Este tipo de comportamento de risco e o especial apreço que os portugueses demonstram por actividades estúpidas é um legado que sabiamente é transmitido de geração em geração. Basta estar atento à comunicação social para constatar que, às primeiras noticias de mau tempo, uma legião de papás trata de enfiar os fedelhos no automóvel e, indiferentes ao risco e aos avisos das autoridades, enfrentam um conjunto de perigos para chegar ao topo da serra da Estrela. Tudo para que o Martim, o Tomás, a Carlota ou a Vanessa Marisa vejam uma porção de terreno coberta de neve onde podem dar uns trambolhões. Depois admiram-se que, uns anitos mais tarde, a rapaziada se queira divertir na praia em noites de temporal e com ondas de dez metros.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Goste-se ou não essa coisa do paradigma é mesmo para levar a sério

Muitos autarcas têm vindo publicamente – assim como a ANMP, a sua associação representativa – lamentar que a receita cobrada do Imposto Municipal sobre Imóveis tenha ficado substancialmente aquém das expectativas. Nalguns casos, ao que garantem, terá mesmo ficado abaixo daquilo que receberam em anos anteriores. Reclamam, por isso, que o governo lhes dê uma mãozinha porque, afiançam, estavam à espera que a recente reavaliação dos prédios proporcionasse às autarquias uma receita bastante mais avultada o que, por não se concretizar, colocará muitos municípios numa situação complicada em termos financeiros.
Ou autarcas viam neste imposto uma espécie de galinha dos ovos de ouro. O pior é que, para ganhar eleições, optaram por baixar as taxas do IMI que vinham cobrando e de reduzir, ou mesmo abdicar, de outras receitas que legalmente cabem às autarquias locais. Vir agora com estas lamurias mais não é do que chorar lágrimas de crocodilo. É que isto não se pode querer ter o melhor de dois mundos. Não cobrar dinheiro ao eleitores, por um lado, e dar-lhes muitos apoios sociais, divertimentos e obras com fartura, por outro, é uma equação impossível. Mas vá lá alguém convencer os autarcas que este é o nosso novo e irremediável paradigma...

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Antes a morte que tal sorte...

Manuela Ferreira Leite tem sido, nos últimos tempos, abundantemente citada a propósito das suas posições de frontal oposição às medidas de austeridade decretadas pelo governo. Ou melhor. Contra os cortes nas pensões. Porque, bem vistas as coisas, é só e apenas com isso que a senhora se preocupa. Tirando o facto – irrelevante, quase – de se tratar de uma aposentada, auferindo uma pensão de valor, presumo, razoável, até era capaz de pensar que a senhora vai para a televisão defender os seus interesses e que, de resto, se estará nas tintas para todos os outros reformados e velhotes.
Longe vai o tempo – isto a espuma dos dias tudo leva – em que o país se indignou com as declarações da agora comentadeira por esta ter defendido que os cuidados de saúde, no caso a hemodiálise, só devia ser feita a pessoas com mais de oitenta anos caso estas a pudessem pagar. À época, recorde-se, os cortes ainda não chegavam às reformas. Isso era coisa que então apenas afectava outros, que não os reformados. Daí que as preocupações da senhora não abarcassem essa faixa etária. Ao contrário de agora que, coitadinhos dos velhinhos mesmo que tenham mais de oitenta anos e façam hemodiálise, não podem ser afectados por este roubo generalizado de que todos somos vitimas.
Ou seja. Se bem percebo, até se pode deixá-los morrer caso não tenham dinheiro para pagar os tratamentos. O que não se pode é cortar-lhes reforma. Isto sem que ninguém relembre à ex-ministra as afirmações então proferidas. Deve ser inconveniente, talvez. Ou então ninguém se importa verdadeiramente com os mais velhos e todos querem é malhar no governo. Verdade que, nesse aspecto do malhar, só se perdem as que caem no chão mas, que diabo, um bocadinho de honestidade intelectual não ficava mal.



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Orgulham-se de quê?!

A evidente satisfação do governo e seus correlegionários com os resultados da execução orçamental de 2013, nomeadamente com a superação dos objectivos previstos para o défice, parece-me manifestamente desproporcionada. Não vejo - mas deve ser por ter o estranho hábito de olhar para o “outro lado” da questão – motivo nenhum para o bando de laranjas podres que nos governa estar notoriamente impressionado com os resultados agora divulgados.
Não é que queira ser sempre do contra. Nem, sequer, para poder dizer que tinha razão. Menos ainda por, como alguém escreveu não sei onde, neste blogue se dizer mal de tudo e de todos. É que espreitando o que está por detrás destes números, alegadamente bons e espectaculares, concluímos que o resultado se deve a um brutal corte sobre os rendimentos dos trabalhadores do Estado e reformados, e a um aumento sem precedentes da carga fiscal. Pior. Esse acréscimo de impostos foi obtido a partir de um universo de contribuintes bastante mais pequeno do que já aconteceu noutras ocasiões. Devido, nomeadamente, ao desemprego ou à emigração. O que dá bem a ideia da dimensão do esbulho a que estamos a ser sujeitos.
Aliando o saque fiscal à diminuição de vencimentos e pensões melhor seria que as contas não ficassem um pouco menos desequilibradas. Disso, nas nossas casas, todos somos capazes. Basta não comer, não pagar as contas e cortar todo o tipo de despesa para as finanças de qualquer cidadão darem notórios sinais de equilíbrio. Pode é acontecer-lhe o mesmo que ao cavalo do espanhol... 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

"Frasquinho" dixit


Acabo de ouvir um “Frasquinho” qualquer garantir, no parlamento, que já passámos o pior da crise e que daqui para a frente isto vai ser sempre a melhorar. Deve ser verdade, deve. 
Não sei em que dia pagam o ordenado lá pela Assembleia mas, desconfio, o homem ainda não viu o recibo do vencimento. Ou então é parvo. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

E que tal pagar a reforma em géneros?


Isto de pagar impostos é das coisas mais desagradáveis que há. Aborrecidas mesmo. Capazes, até, de tirar uma pessoa do sério. Principalmente a quem não está acostumado e, ao longo da vida, sempre se habituou a ouvir falar disso como um assunto que não lhe diz respeito. Claro que o pessoal se chateia quando, chegado a uma idade avançada – pelo menos relativamente avançada – pela primeira vez lhe é pedido um tributo que retirará uma parte dos seus rendimentos. Que, provavelmente, nem serão muito avultados, reconheça-se. Fica desagradado. Chama nomes à ministra, ao Coelho e a outros gatunos. O pior é que as reformas, as baixas médicas, as consultas e tudo o mais a que a malta que se recusa a pagar impostos tem direito, custam dinheiro que alguém tem de pôr lá. Sim, porque parece-me pouco provável que aqueles velhotes agricultores aceitem receber a reforma em géneros.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Mis gastos son tus ingresos, comprendes?


O recibo do vencimento está, por estes dias, a chegar à caixa de correio electrónico ou, se ainda não for o caso, às mãos de centenas de milhares de funcionários públicos. Sorte a deles, dirão uns quantos ranhosos, é sinal que têm emprego. Talvez. Por mim, na sequência do que já fiz aqui em inúmeras ocasiões, continuo a lamentar a desdita daqueles que, por causa desse mesmo recibo, vão perder o posto de trabalho nos próximos meses. É que isto, por mais difícil que seja de entender a certos cabeçudos, se não há dinheiro não há compras. E se não há compras não há vendas. E se não há vendas não entra dinheiro na caixa. E se não entra dinheiro saem os empregados...Muitos dos quais andam por aí a derramar o seu regozijo pela redução de vencimento dos funcionários públicos. Desconhecem, coitados, aquela velha máxima castelhana que, ajuizadamente, proclama que tus gastos son mis ingresos. Ou o contrário. 

sábado, 18 de janeiro de 2014

Garganeiros

Constitui para mim um inquietante mistério a necessidade evidenciada por algumas criaturas de debicar as uvas expostas para venda. As não embaladas, obviamente. Porque as outras já era um bocado de descaramento a mais. Seja numa banca do mercado, na frutaria ou nas grandes superfícies – e nas pequenas, também – é vê-los a “provar” os pequenos bagos e a expelir as grainhas em todas as direcções.
Trata-se de evidente má-educação. Ou de uma questão cultural, defenderão alguns. É uma prática, por norma, associada a pessoas de idade mais avançada, independentemente do estatuto social. Analfabetos ou com com alguma formação académica. Em comum apenas o facto de serem burgessos. Por mim reprovo em absoluto este comportamento. É que não gosto de comer os sobejos de ninguém e, neste caso, o que lá fica é isso mesmo. Sobras de um garganeiro qualquer.

Ora retoma!

Isso da retoma estar a dar sinais de vida faz-me confusão. Por mais que me esforce em não ser catastrofista, arauto da desgraça, velho do restelo e outros negativismos que me escuso de enunciar, não consigo perceber como é que tudo está melhor quando uns quantos milhões de pessoas estão a ver o seu rendimento mensal cada vez mais reduzido.
Dizia-se até à pouco tempo que a economia é feita com base nas expectativas. Presumo que o conceito tenha sido revisto e hoje a perspectiva seja diferente. Assim tipo, isto está tão mau que a coisa só pode melhorar ainda que a gente ganhe menos, não saiba se vai ter emprego e não veja razão nenhuma para estar optimista.
Lamento ser, mais uma vez, do contra. Mas não. Isto vai ficar ainda pior. Que o digam todos os que, em 2014, já viram o ordenado reduzido. A perder mais um mês de vencimento, durante o ano que agora teve inicio, afigura-se-me difícil evidenciar qualquer tipo de optimismo ou de manifestar a mais ténue intenção de contribuir para o dinamismo da economia. Antes pelo contrário. Como vou ter menos rendimento disponível e não me tenciono endividar, terei de gastar, forçosamente, ainda menos. Com as consequências conhecidas. E costumeiras. O que, ao contrário do amplamente anunciado, não augura nada de bom para a tal retoma.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Bi-horário?! Como é que alguém pode ter uma ideia tão parva?

O aumento do horário de trabalho na função pública para quarenta horas é, apesar de poucos partilharem a minha opinião, a menor das malfeitorias que os últimos governos têm feito a quem trabalha para o Estado. Foi uma medida inútil, desnecessária e que nada acrescenta às finanças públicas nem à economia nacional. Mas, ainda assim, muito menos gravosa do que quase todas as outras que nos têm levado parte significativa do vencimento. E os melões, ao que se sabe, compram-se é com dinheiro.
Para os sindicatos, contudo, o acréscimo de horas de trabalho é que parece ser o ponto determinante da sua actuação. Talvez por constituir aquele onde se afigura mais fácil obter uma vitória. Como, refira-se, já está a suceder um pouco por todo o país. Pelo menos ao nível das autarquias. Onde a maioria dos executivos tem sido sensível em relação a esta matéria e tem chegado a acordo com as estruturas sindicais, no sentido de manter as trinta e cinco horas de trabalho.
Fica, no entanto, um senão. O finca-pé que alguns sindicatos e sindicalistas, alegadamente, teriam feito para que os acordos celebrados se aplicassem apenas aos trabalhadores filiados nos respectivos sindicatos, tendo os restantes de trabalhar quarenta horas. A serem verdadeiros estes rumores não é coisa que lhes fique bem. É que a fazer escola esta posição, às tantas, os pré-avisos de greve também serão apenas válidos para quem é sindicalizado. Para além de, me parece, a consumar-se alguma situação do género estarmos perante a violação de uns quantos princípios constitucionais. Felizmente que, neste assunto, os autarcas estarão a ter o bom senso de não ligar patavina a esta alegada ideia. Que, a ter existido, é das mais estapafúrdias que conheço em mais de trinta anos “disto”. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Decidam lá isso e não aborreçam!


Referendo sobre a co-adopção - adopção plena ou seja lá o que for - por casais de pessoas do mesmo sexo?! Esta malta está doida. Ou não quer decidir. Ou ambas as coisas. Cuidava eu que o pessoal lá do parlamento era eleito para tomar decisões. Acreditava que era para evitar essas chatices de estar sempre a fazer leis que o povo tratava de arranjar uns quantos fulanos. Enganei-me, pelos vistos. Pena que relativamente aquilo que, de facto, é importante não tenham a mesma postura. Podiam ter referendado, sei lá, o aumento da idade da reforma ou a nacionalização do BPN. Mas isso sou eu, que acho estes temas muito mais pertinentes e que verdadeiramente têm importância na qualidade de vida dos portugueses. Quanto a isso da adopção pelos paneleiros e pelas fufas interessa a quem?! E a quantos? Se tamanha parvoíce for para a frente é que vão ver o que é abstenção...

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

ADN canino?! Olha que boa ideia.

A maioria dos municípios portugueses estão profundamente endividados e, mesmo os que não estão, não têm recursos financeiros para fazer face às suas atribuições ou respeitar de forma célere os compromissos que os seus autarcas assumem. Ainda assim, a imaginação que evidenciam na obtenção de receitas para os cofres autárquicos é quase nula e a preocupação em cobrar as poucas de que dispõem é ainda menor. Em suma, por cá, o lema parece ser não incomodar o eleitor.
Em Nápoles, Itália, é que as coisas não são bem assim. O município local vai criar uma base de dados com o ADN dos canitos lá do sitio, que permitirá identificar os autores dos dejectos deixados na via pública e, de seguida, apresentar a multa ao respectivo dono. Fácil, barato e, de certeza, muito lucrativo. E, diga-se, da mais elementar justiça.
Obviamente que em Portugal uma medida desta natureza seria ilegal. Inconstitucional, na certa. Violaria a privacidade dos bichos, dos donos e não haviam de faltar providências cautelares, petições, debates e todas as parvoíces a que já nos habituámos. Nenhum autarca, por mais enterrada em dividas que esteja a câmara que dirige, seria capaz de algo parecido. Para quê? É muito mais fácil aumentar o IMI ou ficar a dever aos fornecedores.