O Natal é uma época lixada para os perus. Por essa altura do ano são dizimados aos milhares. Bêbados, alguns. Outros, coitados, nem isso.
A Pascoa não traz melhor sorte aos borregos. Os desgraçados são chacinados em larga escala e, ao contrário das aves que devoramos na quadra natalícia, nem sequer têm direito a apanhar uma bebedeira de caixão à cova.
Os porcos têm mais sorte. Não por estarem a salvo da gula dos humanos mas apenas porque as eleições autárquicas são apenas de quatro em quatro anos. Digamos que elas estão para os suínos como o natal e a pascoa estão para os perus e os borregos.
Mas se o peru e o borrego estão associados a festas de cariz religioso o porco, aparentemente, não está. Ou melhor, não estava. Agora já não sei ao certo. Diz que por esta altura do ano, a par de ter disparado o número de porcos sacrificados para satisfação do potencial eleitorado, as excursões a Fátima são mais que muitas. O que se compreende. Há que tratar adequadamente do estômago e do espírito ao eleitor. Isto, como diz o outro, anda mesmo tudo ligado.





