terça-feira, 17 de setembro de 2013

Todos os animais são iguais. Uns têm é mais sorte.

O Natal é uma época lixada para os perus. Por essa altura do ano são dizimados aos milhares. Bêbados, alguns. Outros, coitados, nem isso.
A Pascoa não traz melhor sorte aos borregos. Os desgraçados são chacinados em larga escala e, ao contrário das aves que devoramos na quadra natalícia, nem sequer têm direito a apanhar uma bebedeira de caixão à cova.
Os porcos têm mais sorte. Não por estarem a salvo da gula dos humanos mas apenas porque as eleições autárquicas são apenas de quatro em quatro anos. Digamos que elas estão para os suínos como o natal e a pascoa estão para os perus e os borregos.
Mas se o peru e o borrego estão associados a festas de cariz religioso o porco, aparentemente, não está. Ou melhor, não estava. Agora já não sei ao certo. Diz que por esta altura do ano, a par de ter disparado o número de porcos sacrificados para satisfação do potencial eleitorado, as excursões a Fátima são mais que muitas. O que se compreende. Há que tratar adequadamente do estômago e do espírito ao eleitor. Isto, como diz o outro, anda mesmo tudo ligado.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Taxas para pagar tachos

As eleições autárquicas são, dada a sua natureza, propicias ao aparecimento de propostas parvas. O que tirando aquela parte de, caso postas em prática, nos arruinarem a carteira não teria nada de mal. Pelo contrário, podiam até contribuir para melhorar os índices de boa disposição dos eleitores.
Desta vez não é o caso. Até porque a proposta parva do dia não se parece com uma promessa. Afigura-se antes uma ameaça e chegou pela voz de um dos cabecilhas do bloco de esquerda, simultaneamente candidato à Câmara de Lisboa. O homem considera necessário que a autarquia crie uma taxa que penalize os proprietários de prédios devolutos que não sejam colocados no mercado, seja para venda ou arrendamento. Quero acreditar que as restantes forças politicas terão o bom senso de ignorar liminarmente esta ideia. Embora, no ponto a que as coisas chegaram, não tenha assim tanta certeza.
A voracidade da máquina parece não conhecer limites quando se trata de sacar dinheiro. Não lhes chega o IMI, que pode ser agravado em determinadas circunstâncias, como querem esmifrar mais ainda os bolsos dos cidadãos. Alguém avise o cabeçudo que estamos no meio de uma crise, casas à venda é o que não falta – a menos que as placas das imobiliárias sejam só a fingir – e que a maioria dos proprietários com as casas devolutas gostaria de, por um ou outro meio, se livrar delas. Presumo que seja tarefa difícil convence-lo. É que para um gajo alegadamente de esquerda não deve ser fácil perceber que proprietário não é sinónimo de rico. 

domingo, 15 de setembro de 2013

Eles prometem esturrar ainda mais...

Continuamos a não perceber o que nos está a acontecer. Parece que ainda não entendemos que estamos a viver uma tragédia e que ou mudamos radicalmente de rumo ou isto ainda vai piorar mais. Muito mais. Olhar para os cartazes que se vão vendo por esse país fora, assistir aos poucos debates que se vão realizando ou ler as propostas eleitorais dos candidatos a governar as autarquias não nos permite concluir outra coisa.
De facto, praticamente todas as propostas apresentadas ao eleitorado – ou melhor, aos trezentos e oito eleitorados – envolvem aumento da despesa pública. Gastar mais do nosso dinheiro, portanto. Construir coisas, sejam elas quais forem e que utilidade tenham, continua na vanguarda em matéria de prometimento. Segue-se - está muito em moda, diga-se – essa coisa do social. A ideia será apoiar os mais desfavorecidos, ao que garantem.
Ainda que uma ou outra ideia até possa aparentar um nível de coerência vagamente aceitável falta, quase sempre, um pequeno dado. Uma minudência, a bem dizer. Esquecem-se invariavelmente de nos esclarecer onde vão desencantar o dinheiro para assegurar a realização dessas propostas. Isto porque, para lá dos chavões habituais a envolver os automóveis ao serviço das presidências, nunca é feita qualquer referência a eventuais cortes na despesa que permitam enquadrar no orçamento autárquico o valor daquilo que se pretenderá gastar a mais.
Mais preocupante ainda é que, por norma, a estas intenções seguem-se mais umas quantas no sentido de reduzir o IMI, a participação municipal no IRS, a Derrama, as taxas municipais ou o preço dos bens e serviços fornecidos pelas autarquias. Quer isto dizer que os candidatos autárquicos conseguem fazer a quadratura do circulo. Ou não sabem do que estão a falar. Ou, mais provável, querem enganar-nos. A menos que achem que isto da crise, das dividas e da necessidade de ter as contas equilibradas é tudo conversa fiada e que as dividas não são para pagar, como dizia o outro. Os que chegarem ao poder com este pensamento e graças a este tipo de promessas pode ser que, mais cedo do que tarde, tenham uma surpresa... 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Vão vender velhinhos, é?

Algumas Câmaras Municipais parecem verdadeiras agências de organização de eventos e os seus presidentes autênticos mestres de cerimónias. A identificada na imagem e o seu autarca-mor, a julgar pelo que se vai vendo, encaixam na perfeição nesse estereótipo. A terra, a acreditar nos relatos que nos vão chegando, estará quase permanentemente em festa. Cabe, desta vez, aos velhotes aguentarem a fúria festiva do mestre-sala lá do sitio. Haja coragem. E paciência. E já agora dinheiro nos bolsos dos portugueses para pagarem todo este dinamismo lúdico-festivo.
Em terra de velhos um evento dedicado aos idosos até parece ter alguma lógica. Mas chamar-lhe “Feira” afigura-se assim um bocadinho esquisito. É que, no meu dicionário, “feira” é um grande mercado que se efectua em épocas determinadas. E mercado, ao que acredito saber, é um lugar público onde se compram mercadorias colocadas à venda. Por exemplo: Na feira de artesanato transacciona-se artesanato, na feira do gado compra-se e vende-se gado e assim por diante.
A julgar pela denominação será, portanto, um certame destinado a vender idosos. Percebo a ideia. Como têm muitos quererão ver se alguém lhes compra uns quantos. Para renovar o stock, provavelmente. E se o preço estiver em conta até pode ser que tenham saída. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Ora aí está uma mensagem que fará todo o sentido.


Grandes Cenas


Cá pela cidade e seus arredores estão a ser gravadas cenas de uma telenovela a exibir proximamente pela TVI. O que, diz-se, vai ser bom para o concelho. Talvez seja. Para já está a ser óptimo para jovens estudantes em férias, desempregados e reformados que foram escolhidos para figurantes. Mesmo que apanhem uma grande seca pelo tempo que aquilo demora a filmar, como o cachet é simpático a coisa compensa. E para aquele pessoal que tem a sorte de ter um patrão daqueles mesmo fixes é melhor ainda. Ir “figurar” na hora de serviço, não descontar no ordenado e receber vinte cinco euros é, só por si, um espectáculo! Isto, obviamente, se houver alguém entre os figurantes que tenha a sorte de ter um patrão tão espectacularmente porreiro.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Não importa sol ou sombra...


Estaciono em qualquer sitio. Desde que, claro, estejam reunidos determinados requisitos. Nomeadamente ser permitido, não haver arrumadores por perto, o acto de estacionar não envolva o pagamento de nenhuma tarifa à câmara ou outra entidade qualquer, não implique deixar o carro em cima do passeio e ao lado, atrás ou à frente não se encontrar já estacionada uma carrinha de caixa aberta ou um mata-velhos. Fora isso não sou esquisito. Não procuro sombras nem um local que me deixe a meia dúzia de passos do local onde me pretendo dirigir. Daí que, às vezes, quando dou à chave o termómetro assinale esta simpática temperatura. É o resultado de uma manhã inteirinha ao sol e encostado a uma parede branca... 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O país dos rosalinos

O secretário Rosalino é um arauto da defesa daquilo a que muita gente chama igualdade entre trabalhadores do sector público e privado. Isso da igualdade é uma coisa bonita. Daquelas de que toda a gente gosta de ouvir falar. Ainda que essa alegada igualdade não seja para melhorar a vida dos que estão pior mas sim e apenas para piorar a dos que, alegadamente, estarão melhor.
Mas o Rosalino é, na vida real, bancário. No Banco de Portugal, ao que parece. Ora a instituição onde o nosso Rosalino trabalha quando não está na politica será, segundo se diz, das que mais direitos - provavelmente privilégios, na perspectiva dos Rosalinos e seus admiradores – concede aos seus funcionários. De tal maneira que o Rosalino terá, segundo a imprensa, dois créditos à habitação. Daqueles a juros módicos a que apenas os bancários têm acesso. O que não tem nada de mal, diga-se. A menos que mentes perversas – como a minha, admito – se comecem a questionar acerca de um tal conceito esquisito nem sempre visto de maneira igual. Igualdade, ou lá o que é.
Não consta que relativamente a matérias desta – e de outra – natureza, os Rosalinos que andam lá pelo governo evidenciem especial preocupação. Nem que os habituais defensores da equidade, convergência, igualdade e outros conceitos todos jeitosos, manifestem a mais leve indignação. São coisas que não interessam ao pagode. A esse basta que lhe vão alimentado o ódio aos funcionários públicos.

domingo, 8 de setembro de 2013

Cagarras falantes


Não faltaram alarves a ironizar acerca da deslocação do Presidente da República às Ilhas Selvagens. Gente sábia e geralmente bem informada, quase sempre. A mesma que irá debitar baboseiras sem conta, de índole patrioteira ou de natureza pacifista conforme os gostos, quando, numa qualquer manhã, a bandeira espanhola estiver içada naquele – por enquanto – território português. Mas isso será depois. Por agora nem um pio a lamentar a figura deplorável que fizeram quando se fartaram de gozar com as cagarras. Deve ser porque ainda não perceberam o motivo da deslocação do homem àquelas paragens. O que não deixa de ser estranho para gente tão esperta.

sábado, 7 de setembro de 2013

Férias


Os textos publicados entre 31 de Agosto e hoje foram, tal como este post, escritos e agendada a sua publicação antes daquela data. O que significa que, desde então, o blogue tem estado em "piloto automático". Os comentários que entretanto por aqui tenham sido deixados pelos frequentadores deste espaço serão, se tudo tiver corrido dentro da normalidade, publicados logo mais para a noite. À hora da publicação desta prosa ainda estarei pelos Algarves a gozar as últimas horas de férias...

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Às tantas alguns deviam ir mesmo para a rua...

A construção como "motor do desenvolvimento" acabou. É passado. E o futuro, pelo menos o mais imediato, não passará pela reabilitação urbana. Pelo menos enquanto o governo não tiver a coragem de extinguir uma quantidade de organismos públicos intervenientes nos processos relacionados com esta área que, para justificar a sua existência, emperram sistematicamente qualquer tentativa de investir neste sector.
Quase toda a gente conhece histórias mais ou menos rocambolescas sobre a actuação deste ou daquele “instituto”, neste ou naquele processo. Basta alguém tentar substituir um telhado em ruínas de uma qualquer casa, num qualquer centro histórico de uma qualquer vila ou cidade, para perceber o imenso sarilho onde se meteu. A menos que tenha uma sorte do caraças e apanhe alguém bem disposto. Nesse caso pode ser que até autorizem buracos numa qualquer muralha.
Questiono-me acerca do motivo por que os esparveirados que estão no governo, já que têm tanta vontade de despedir gente e fechar serviços, não começam por aqueles que, sem razão aparente, apenas servem de entrave a quem pretende investir, criar postos de trabalho ou recuperar património. Deve ser por envolver “cultura”, ou lá o que é.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Será que temos assunto fracturante?!

Os partidos são importantes. Essenciais para a democracia, mesmo. Sem eles viveríamos numa ditadura e isso, por mais que alguns afiancem que era a única forma de endireitar o país, é coisa que poucos apreciam. Pelo menos quando aplicada a nós. Já se for noutras paragens – Coreia do Norte, Cuba ou Arábia Saudita – não faz mal nenhum e até algo muito valorizável.

Mas, discorria eu, os partidos são importantes. Nomeadamente para tratar de assuntos importantes. Como, a titulo de exemplo, o piropo. A sua importância está claramente desvalorizada, a sociedade tolera-o e isso, na opinião de duas activistas da causa feminista por acaso militantes do Bloco de Esquerda, é algo intolerável. Do mais intolerável que há. Será, portanto, altura de começar a pensar em controlar o piropo. Como, ainda não sabem. Para já o assunto está em discussão no partido e depois, lá mais para a frente, logo se vê o que se pode fazer. Mas, seja o for, será importante.  

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Incêndios

Todos os anos há fogos. É inevitável. Por uma ou outra razão. Todos os anos também se repetem as mesmas lengalengas da falta de limpeza, da ausência de meios, da insuficiente aposta na prevenção, de interesses instalados e muito mais consoante a imaginação de quem disserta sobre a matéria. Todos, admito, terão razão. E, também acredito, todos gostariam que a realidade fosse diferente e, muito principalmente, que não houvesse perda de vidas a lamentar.
Discordo, em parte, na proporção da culpa que se pretende atribuir aos proprietários de terrenos por não limparem as suas propriedades. Logo porque, tratando-se de mato, não fará grande mal que arda. Depois porque essa coisa da combustão espontânea não é das mais frequentes e raramente acontecerá durante a madrugada. Finalmente, ainda que poucos a mencionem, a desertificação do país contribui decisivamente para estas ocorrências. O abandono dos campos, com tudo o que isso acarreta, será um dos principais factores para as dimensões que muitos incêndios atingem.
Bêbados, malucos e maridos encornados com tendências pirómanas são, igualmente, um perigo para a floresta. Desses devia ser a justiça a tratar. A popular, porque a outra...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

No segurar é que está o ganho

Por preguiça, mais do que por qualquer outro motivo, raramente dou uso à bicicleta. O percurso para o trabalho é feito a pé e como não sou muito dado à actividade física a título de lazer, o velocípede acaba por quase não sair da garagem. Menos sairá se uma proposta que anda por aí a circular, no sentido de obrigar as bicicletas a ter um seguro, vier a ser concretizada. Estava-se mesmo a ver que, dado o seu exponencial crescimento nos últimos anos, este seria um mercado extremamente apetecível para as seguradoras. Não admira por isso que, um destes dias, o governo faça a vontade a essa malta e obrigue quem quiser andar de bicicleta na via pública a contribuir para encher os bolsos às empresas do ramo segurador. E não só, digo eu, que isto acaba sempre por escorrer qualquer coisinha para fora do pote.
Os argumentos para tal decisão têm, se vistos isoladamente, alguma coerência. Os ciclistas podem, de facto, causar danos a outros utentes do espaço público. Tal como os carrinhos de bebé. Ou aqueles carrinhos, com duas rodas, que as velhotas usam para ir às compras e – parece que fazem de propósito, o raio das velhas - chocam com os nossos tornozelos. Os andarilhos, usados pelos mais idosos e com dificuldade de locomoção, constituem outro perigo escondido. Sabe-se lá os danos que podem causar se uma das rodas atropelar a unha do dedo grande de um transeunte em chanatos. Isto para não ir mais longe. Porque, bem visto, ainda se arranjam uma meia-dúzia de razões que justifiquem a obrigatoriedade de um seguro de peão. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Mais do mesmo

Há anos que nos tentam convencer que a solução para todos os nossos males está na alteração das leis laborais. Facilitar os despedimentos, garantem-nos, estimula a criação de emprego. Pois. Deve ser, deve. O resultado de dez anos – ou mais – desta conversa está à vista. Nem o aumento brutal do desemprego tem a ver com as leis em vigor, nem a alteração do quadro legislativo criará emprego. Mas vá lá alguém convencer disso os iluminados que nos governam ou os génios, alegadamente especialistas em coisas, que os apoiam nas televisões e jornais.
A par de uma ainda maior liberalização dos despedimentos pretendem agora reduzir o salário mínimo nacional. Já de si bastante... competitivo, digamos, para usar um termo todo modernaço. É difícil imaginar que gente pretensamente letrada equacione sequer a adopção de tal medida. A ir em frente será, tal como a maioria das tomadas até agora, mais um desastre e causará uma devastação a nível social com contornos fáceis de imaginar. Mas, se calhar, é mesmo isso que eles querem.   

domingo, 1 de setembro de 2013

A sombra. Ou a falta dela.


Nesta viela quase não entra o sol. Ou, a entrar, os seus raios não impedirão que a rua tenha sombra durante quase todo o dia. Mas o quase não chega ao automobilista extremoso e cioso com o conforto do seu carrinho. Desconfio que um dias destes, se é que não o fez já, ainda arranja maneira de mesmo em viagem continuar a manter o popó ao abrigo da inclemência do astro-rei. Com uma sombrinha daquelas grandes acoplada ao tejadilho, por exemplo. Ou de outra forma igualmente parva...

sábado, 31 de agosto de 2013

O contributo dos portugueses para o senhor Carreira já irá em mais de um milhão de euros

A contratação de espectáculos com o Tony Carreira surge sempre, aqui pelo Kruzes e não só, como mau exemplo do esbanjamento de dinheiros públicos. De tal maneira que já por aqui tive leitores – no caso foram mais leitoras – a insurgirem-se contra aquilo que classificaram de obsessão da minha parte relativamente aos gastos com a criatura em questão. Contra os quais nada tenho, como também já tive ocasião de referir, se forem feitos por agentes privados.
Outros, nomeadamente gente que se preocupa com isso do esturrar dinheiro público de forma inglória, têm a mesma opinião. Nada que interesse muito a quem procura angariar votos entre as fêmeas lusas das classes D e E”. Quem quiser seguir os links pode confirmá-lo. 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

40 horas e um feriado. Pelo menos.

A vontade de voltar ao assunto não era grande mas a recente publicação da lei que prolonga o horário de trabalho na função pública para as oito horas diárias reacendeu a minha indignação acerca do tema. Continuo a achar esta medida inútil, geradora de maior despesas de funcionamento e que em nada beneficiará os contribuintes. Mas disso já dei conta noutros posts pelo que não vou maçar que me lê com a repetição dos meus argumentos.

Prefiro, desta vez, dedicar uma palavra para aqueles que rejubilam com a imposição deste horário aos funcionários públicos. Rejubilem enquanto podem. Porque também rejubilaram quando perdemos os subsídios de férias e de Natal, lembram-se? E não se esqueçam que, adaptando à ocasião o que dizia o outro, nenhum trabalhador é uma ilha. Não se admirem, por isso, que as consequências do que agora aplaudem se repercutam, mais cedo do que tarde, em vossemecêses.

A propósito e como isto anda tudo ligado, ainda que ninguém – pelo menos que me tenha apercebido - falasse no assunto mas, se é que estou a ler bem, a lei agora publicada pode também ter acabado com o feriado de terça-feira de Carnaval. Diz lá, a páginas tantas, que “ A observância dos feriados facultativos previstos no Código do Trabalho, quando não correspondam a feriados municipais de localidades estabelecidos nos termos da lei aplicável, depende de decisão do Conselho de Ministros, sendo nulas as disposições de contrato ou de instrumento de regulamentação coletiva de trabalho que disponham em contrário”. Ora se isto não se destina a colocar um ponto final nas manigâncias que, um pouco por todo o lado, iam permitindo contornar a decisão do governo de não conceder tolerância de ponto pelo Carnaval, então não sei para que serve.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Chumbo qualificado


A reacção do PSD, pela voz de um ex-lider e ex-primeiro ministro, ao chumbo da lei dos despedimentos dos funcionários públicos pelo Tribunal Constitucional é assaz curiosa. Diz o cavalheiro que “é preferível despedir funcionários a reduzir prestações sociais”. Hesito quanto a isso. Dependerá dos funcionários a mandar para o olho da rua e de quem recebe os apoios do Estado. Mas para o PSD não será assim. Para os laranjas é melhor correr com trabalhadores, mandriões ou não, do quer deixar de pagar prestações sociais a reformados ricos que pouco ou nada contribuíram para a segurança social, a ciganos e a drogados. Escolhas. Cada um fará a sua. E o PSD, pelos vistos, já escolheu a sua base social de apoio.


Convinha que quem elabora os programas eleitorais fosse politicamente honesto. Era igualmente de bom tom, antes de prometer fosse o que fosse, tentar perceber quanto custaria o cumprimento das suas promessas. Melhor ainda seria perceber se o Município a que se candidata tem ou não margem financeira que permita, uma vez eleito, realizar, no todo ou em parte, o programa com que se apresenta aos eleitores. Ou, em alternativa, anunciar onde pensa arranjar o dinheiro para financiar a implantação das suas ideias. Convir, convinha. O pior é que poucos - e, se calhar, estou a ser optimista - o farão.
É por isso que, por melhores e mais merecedoras de aplausos que sejam as intenções dos candidatos, propostas deste tipo não podem ser levadas a sério. No caso em apreço, de acordo com os documentos de prestação de contas de 2012, este município arrecada uma receita anual que não atinge os dezanove milhões de euros. Ostenta, no mesmo período, uma divida a fornecedores que vai para lá dos vinte e dois milhões e empréstimos que quase chegam aos dezoito milhões de euros.
Perante este números parece difícil alguém acreditar na concretização daquelas propostas. Dá mesmo para desconfiar que aqueles que as fazem não conhecem a realidade financeira da instituição que pretendem governar. Ou então acham que podem, impunemente, não pagar a divida. Mas se acham isso é por que são ignorantes. É que o mundo mudou, ainda que alguns não tenham dado conta.   

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Confusões que ninguém acha útil explicar

A noticia que ontem ocupou grande parte dos noticiários e esteve em destaque em toda a imprensa é mais um exemplo da forma enviesada de comunicar do executivo, da ainda pior qualidade da informação que por cá se pratica e do oportunismo politico que se faz em torno de um qualquer não assunto. Tudo junto.
Dizia-se que o governo teria impedido as universidades de se financiarem com receitas próprias. O que, está bem de ver, seria uma estupidez que a ninguém ocorreria por mais desmiolado que seja. E nesse âmbito estamos bem servidos em termos governativos.
Afinal o que estava em causa era que previsão da receita própria a inscrever no orçamento para 2014 não podia ser superior à receita cobrada em 2012. O que indiscutivelmente é uma medida do mais elementar bom senso e uma regra fundamental para evitar que a sobre orçamentação conduza ao aumento do endividamento. Podiam ter explicado, nem sei por que ninguém o fez, que uma coisa é o que se prevê cobrar e outra, raramente coincidente, o que efectivamente se cobra. Um previsão de 100 nada impede uma cobrança de 200. Ou o contrário. Parece, até para um jornalista, não ser uma coisa muito difícil de entender.
Quanto a mim – mas isso deve ser da minha visão distorcida destas matérias – o que estará em causa será algo completamente diferente. O governo pretende, com este tipo de restrição orçamental, forçar as entidades públicas a despedir funcionários. Obrigar, do lado da receita, a um orçamento igual a 2012 quando, na despesa, é necessário acomodar mais dois meses de vencimentos e o aumento de 18,75% nas contribuições para a CGA é um exercício de quase impossível resolução que outro objectivo não pode ter que a redução de efectivos. Mas isso não convém que se saiba. Principalmente em vésperas de eleições. 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Que nem uns nem outros cheguem ao céu...


Ao que consta esta magnifica avenida, recentemente construída onde antes passava a linha do caminho de ferro, será o paraíso dos aceleras locais. Diz que se faz por ali, de quando em vez, um ou outro teste à potência dos motores e à sua capacidade de aceleração. Coisas de malta extremamente inteligente que, aproveitando os mais de mil metros do percurso, gosta de pôr à prova a sua viatura e a capacidade de a conduzir a elevada velocidade. Dizem, repito, porque  dessas aventuras nada sei. O que sei, relativamente a este espaço, é que será uma pena se algumas vozes que “exigem” a colocação de bandas sonoras ao longo da via “chegarem ao céu”.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Quando dar a cara não significa ter coragem

A morte de António Borges suscitou, entre os amigos, correlegionários, compangnons de route e políticos em geral, as reacções habituais nestas circunstâncias. O elogio do carácter, competência, a inteligência e a frontalidade com que se exprimia, são realçados unanimemente.
Nunca gostei das ideias que o falecido não se cansava de considerar como imprescindíveis para solucionar os problemas do país. O que, obviamente, não exclui o reconhecimento pelas qualidades que eventualmente o senhor possa ter tido em vida. Até porque outros, de certeza tão inteligentes, competentes e de igual verticalidade de carácter têm, sobre os mesmos assuntos, ideias completamente diferentes.
O que acho de todo deplorável são os comentários abjectos, nojentos e reveladores do baixo nível intelectual de muitos utilizadores das redes sociais. Nomeadamente nas caixas de comentários de blogues e nessa parede de casa de banho pública dos tempos modernos que dá pelo nome de facebook.
Não apreciar as ideias do economista e manifestar o desacordo em relação a elas é legitimo, mas escrever o que muita gente com idade para ter juízo anda por aí a publicar acerca da morte do homem é para lá de lamentável. Alguns são os mesmos que não se coíbem de criticar “os que não têm coragem de dar a cara e se escondem cobardemente atrás do anonimato”. Por mim hesito na escolha. Não sei se é pior um anónimo cobarde se um cobarde sem vergonha de mostrar as suas ventas de javardo.  

domingo, 25 de agosto de 2013

Vespas enormes!


Não gosto do aspecto deste bicho que hoje aterrou no meu quintal. Verdade que nada percebo de entomologia mas, assim à primeira vista, o insecto que abati não parece uma vespula vulgaris. Não ouso afirmar que o ameaçador himenóptero é um exemplar da tão temida vespa assassina – até porque nunca vi nenhuma - mas que, enquanto viva, a sua presença era um pouco inquietante lá isso era.

Hoje, em Lisboa, é dia de brincar aos bombeiros


O país está a arder. Enquanto isso, em Lisboa, assinala-se mais um aniversário do incêndio do Chiado. Com mobilização de meios de combate a incêndios, bombeiros e tudo o mais que pareça relacionado com a efeméride. É a dinâmica do poder local no seu melhor. Entretanto a paisagem que vá ardendo...

sábado, 24 de agosto de 2013

O homem é um santo!

Luís Filipe Meneses terá dado dinheiro a uma velhinha. Nada de especial. A intenção terá sido, segundo os apaniguados que já vieram em defesa do homem, auxiliar a idosa a pagar as rendas em atraso. Um coração de manteiga, este LFM. Um poço de generosidade. Um filantropo incapaz de resistir às dificuldades evidenciadas pelos eleitores. Tudo o que um autarca deve ser, portanto.
Este tipo de atitude não é novo. É mesmo muito comum em período eleitoral. Tanto que não suscita entre a generalidade dos portugueses uma reacção demasiado crítica. Pelo contrário, não falta gente, dentro e fora da classe política, a considerar que o candidato não fez nada de mal e que se tratou apenas de um acto de carácter humanitário. Eu também manifesto a minha compreensão para com este comportamento. Ou para com outro qualquer. Em lugar da velhinha até podia ter investido o dinheiro a comprar o voto de uma prostituta auxiliado uma prestadora de serviços de carácter sexual com manifesta falta de clientes e notória dificuldade em regularizar as contas.  

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Já não há propaganda como havia antigamente...

A Comissão Nacional de Eleições estará a colocar diversas restrições ao uso das novas formas de comunicação, para fins de divulgação de propaganda eleitoral. A ideia pode, até, consubstanciar um conjunto de boas intenções. O pior é que este organismo do Estado – que, se calhar, nem se justificará muito que continue a existir – parece não ter ainda reparado que o mundo mudou. Seja nos meios à disposição dos partidos para fazer chegar a sua mensagem junto do eleitorado ou na quantidade de dinheiro considerada aceitável para gastar nestas actividades.
Verdade que telefonemas, e-mail ou sms não constituem um meio especialmente eficaz para aproximar o candidato ao eleitor. Mas isso não é problema nosso. Nem da CNE. É lá com eles, os que propõem servir o povo. Até porque podem sempre fazer como, alegadamente, terá feito aquele candidato – eleito Presidente e desde há muitos anos a usufruir de uma generosa reforma – que segundo reza a lenda, porque isto já lá vai um quarto de século, terá calcorreado sozinho o concelho onde se candidatava. Não terá havido velhinha com quem não tivesse comido uma cachola ou umas migas – as eleições nessa altura eram no inverno – nem velhote com quem não tivesse apanhado um pifo. Isso sim é que eram campanhas à séria. 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Estratégia: Em grego: strategía, em latim: estrategia, em francês: stratégie, em inglês: strategy, em alemão: strategie, em italiano: strategia, em espanhol: estrategia…

Vêm aí mais milhões. Daqueles que a Europa nos envia para a malta fazer coisas. Desta vez a ideia, tão disparatada como qualquer outra onde já enterraram “charters” de euros, é esturrar o dinheiro a integrar os cidadãos de etnia cigana. Para isso conta-se realizar um investimento a rondar os trezentos e cinquenta milhões de euros, financiados em oitenta por cento pelos fundos comunitários. Os restantes vinte por cento – uns trocos, praticamente – são por conta do orçamento nacional.
A maior parte do dinheiro terá como destino a qualificação dos alojamentos. Que é como quem diz, dar-lhes uma casa. Nisto os municípios terão um papel preponderante. De tal forma que o programa tem como objectivo a sensibilização de 90% das autarquias com população cigana para as especificidades da sua cultura e para o seu realojamento.
Ora, em altura de preparação de programas eleitorais e de inicio de campanha, seria bom que quem se candidata às autarquias esclareça os eleitores acerca do que pretende fazer a este respeito. Nomeadamente que diga claramente se é sensível às especificidades da cultura cigana. Em todas as suas vertentes, de preferência. Se tolera os comportamentos anti-sociais que os elementos daquelas comunidades evidenciam nos espaços públicos, por exemplo. Ou que assuma perante os contribuintes e eleitores do respectivo concelho que vai construir casinhas para os ciganos. Os contribuintes e eleitores que já perderam as suas casas e os que estão vias de as perder por incapacidade de cumprir com os pagamentos ao banco vão, de certeza, perceber a estratégia. E aqueles que trabalham uma vida inteira para as pagar, também. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Esclareçam lá o Tozé sobre isso do IVA

Já por diversas ocasiões aqui expressei o quanto me aborrece a lengalenga em torno do iva da restauração. Posso, até, admitir que a taxa aplicável à restauração seja desajustada. Constato, como qualquer um que ande por aí, que as coisas não correm especialmente bem a este sector. Mas estou em total desacordo com os que culpam a elevada carga fiscal pelo encerramento de alguns estabelecimentos e o consequente aumento do desemprego no ramo.
A ganância de muitos empresários – se calhar a maioria – que os leva a praticar preços que mais se assemelham a um assalto ao consumidor terá, provavelmente, um efeito bastante mais nocivo do que a taxa de imposto. Até porque este, ao contrário do que é constantemente afirmado, é pago pelo cliente e não pelo comerciante. Daí que a expressão “não ganho para pagar o IVA” não faça, quando proferida pelos taberneiros e correlativos, qualquer sentido e não passe de um enorme disparate. O IVA já foi pago por quem consumiu. Previamente. Eles apenas têm de entregar ao fisco algo que já cobraram e que não lhes pertence.
Achava eu que quando as vendas caiem a solução, para voltar a vender mais, é diminuir a margem de lucro e praticar um preço mais baixo. A julgar pela amostra não é assim. Ou, então, crise é uma coisa que não assiste a todos. Já nem digo o resto, mas café a um euro numa espelunca manhosa pode não ser um roubo, mas um furto é de certeza absoluta.  

sábado, 17 de agosto de 2013

Tuga(i)mobil


Escritório, armazém ou pocilga. Isso ou outra coisa qualquer - contentor, por exemplo - é no que está transformado este carrinho. Triste fim para quem já conheceu melhores dias.