quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Reciclagem tradicional

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Há tradições, sólidas como as muralhas que as inspiram, que atravessam gerações. Costumes ancestrais, transmitidos de forma quase ritual. A fotografia que aqui se vê documenta uma delas. O  nobilíssimo hábito de atirar lixo muralha abaixo. Trata-se de uma prática antiquíssima, cujas origens se perdem no nevoeiro da história. Os primeiros registos remontam, ao que consta, ao primeiro cerco à urbe. Um episódio ocorrido numa época tão remota que ainda eu tinha cabelo. O que ajuda a situar cronologicamente o evento no dealbar da humanidade. Nessa altura, os atacantes terão sido rechaçados com recurso a pedradas e a todo o tipo de objectos disponíveis à mão, inaugurando assim uma escola de defesa urbana baseada no improviso e no desperdício doméstico.

A tradição manteve-se viva ao longo dos séculos. Sempre que os castelhanos se lembravam de entrar por aqui adentro com intenções menos amistosas, lá choviam detritos, móveis e utensílios vários, garantindo uma retirada célere e pouco digna. Diz-se que muitos invasores regressaram a casa não só derrotados, mas também com uma profunda aversão a cerâmica partida. Daí aquela tradição manhosa que os espanhóis hoje têm de ir à feira de Elvas comprar louça.

É reconfortante verificar que, apesar da modernidade, há quem continue a honrar os costumes dos antepassados. Verdade que, nos últimos anos, ninguém tentou invadir a povoação. Mas com o estado em que anda o mundo, nunca fiando. Nada como manter o treino em dia e assegurar que, se o pior acontecer, não falte munição. À vista desarmada o arsenal parece modesto. Garrafas de plástico, caixas de cartão e um ou outro electrodoméstico fora de prazo. Mas não nos iludamos. Em caso de necessidade extrema, haverá sempre recurso a armamento pesado. Seguramente nos "paióis" existirão frigoríficos, máquinas de lavar, fornos e um velho sofá de três lugares em fim de vida prontos a serem arremessados. Tudo em nome da defesa civil e da pátria gloriosa. Que o Putin, ou qualquer outro pateta com ambições expansionistas, se ponha a pau. Aqui não passará. Os bravos patriotas do local estão preparados para pôr a milhas qualquer atacante. Com eficácia, convicção e um profundo desprezo pela recolha selectiva de resíduos. Um grande bem-haja a quem não deixa morrer as tradições.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Especialistas em tudo ou mestres do nada

 

Há pessoas que sabem tudo sobre tudo. Não se limitam a ser especialistas nisto ou naquilo. Não. São especialistas em tudo o que alguma vez foi, é ou poderá vir a ser uma especialidade. É precisamente por isso que adoro ler o que escrevem e ouvir as suas opiniões sábias, profundas e, sobretudo, muito especialmente especializadas, que fazem o especial favor de nos oferecer, quase sempre sem que ninguém lhas tenha pedido. O tempo, esse mal-educado, costuma depois encarregar-se de os desmentir. Ou de pôr as suas certezas em modo de dúvida permanente. Em quase tudo, curiosamente.

Garantem estas eminências que os imigrantes — que, diga-se desde já para evitar ataques de nervos, fazem cá falta e a questão nem é essa — estão a salvar a Segurança Social. Vai-se a ver, porém, e a idade da reforma continua a subir, enquanto o valor das pensões, em comparação com o último vencimento, continua a descer. Quanto aos estrangeiros que cá vivem e trabalham, não se sabe ao certo quantos são, onde moram ou o que faz a maioria. Parece até que é mais simples contar javalis. Esses, segundo dados oficiais, são quatrocentos mil. E, arrisco dizer, mais facilmente localizáveis.

Em matérias legislativas, então, a especialização atinge níveis olímpicos. Garantem, com ar grave e tom doutoral, que aquela coisa dos cartazes do Ventura é manifestamente ilegal por discriminar toda uma comunidade. Talvez seja. Sou tentado a concordar. Aliás, já achava o mesmo quando muita dessa gentinha, que agora rasga as vestes em defesa da não discriminação, se deliciava a contar anedotas e graçolas onde os alentejanos surgiam invariavelmente como criaturas alérgicas ao trabalho. Alguns chegaram mesmo a aborrecer-se por eu não lhes achar piada e acusaram-me de uma “incapacidade de rir de mim próprio”, prova inequívoca — segundo eles — da minha falta de inteligência. Pois. De discriminação percebem eles. Nisso, reconheço, são mesmo especialistas. Têm anos de prática, currículo sólido e uma notável capacidade de só identificar a que dá jeito.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

O passado, em politica, é muito imprevisivel

Tempos houve em que se garantia que um tipo perigoso é aquele que nos olha nos olhos e mente. Hoje mente-se com a maior das naturalidades enquanto nos olham de frente. Sem sequer pestanejar, se preciso for. Os políticos aperfeiçoaram essa prática e a mentira faz parte integrante das suas estratégias. Digamos que a mentira deixou de ser um desvio moral para se tornar numa competência transversal, especialmente apreciada na carreira política. 


Mas, convenhamos, há mentiras e mentiras. Uma coisa é prometer mundos e fundos para o futuro, esse território sempre elástico onde tudo cabe e nada se confirma. Outra, bastante mais grave e com muito menos margem para ginástica verbal, é mentir sobre o que se fez no passado. Foi nesse campeonato que decidiram alinhar António Filipe e André Ventura. Pelos menos, assim que me lembre, mais à descarada.


O primeiro garante, com ar ofendido, que o PCP nunca, jamais, em tempo algum, defendeu a saída do euro e da União Europeia. Ideia que, aparentemente, brotou espontaneamente da imaginação coletiva de décadas de militantes, dirigentes e documentos oficiais. O segundo jura a pés juntos que é uma falsidade pegada ter dito que votou em José Sócrates. Tudo invenções, como se sabe.


Cada qual é livre de defender as ideias que bem entender. Os comunistas, por exemplo, sonham com um país que seria uma espécie de Cuba em versão europeia, com clima menos tropical e economia igualmente exótica. É lá com eles. O problema não é a ideia, mas sim a negação histérica de a ter tido. Assumir posições exige coluna vertebral e, como temos visto no caso da Ucrânia, isso é um acessório que o PCP tende a dispensar sempre que em causa está a mãe-Rússia.


Quanto a ter votado em José Sócrates, obviamente, não tem nada de mal. Especialmente se, como diz André Ventura — embora nunca saibamos quando está a falar verdade — se arrependeu por se sentir enganado. Acontece aos melhores e ele até está muito longe de integrar esse grupo. O incómodo começa quando não se assume e evolui para o patético quando se jura que é mentira. Ainda assim, vindo de alguém que votou no candidato do PS enquanto militava no PSD, não é exatamente motivo para espanto. Aliás, não me surpreenderá minimamente se, nas próximas presidenciais, André Ventura acabar por não votar no candidato André Ventura. Afinal, coerência é um conceito raramente usado na politica. Por ele e por todos.

domingo, 21 de dezembro de 2025

A última carta

Há quem não se canse de estar do lado errado da história. Nem, qual D. Quixote, de lutar contra moinhos de vento e contra as mudanças que, gostemos ou não, vão acontecendo todos os dias na sociedade.


Ainda são muitos os que rasgam as vestes contra as privatizações. Como se o Estado, que somos nós e apenas dispõe do dinheiro que nos tira do bolso, tivesse obrigação de nos prestar todos os serviços e vender todos os bens de que precisamos. A privatização dos CTT, ainda no tempo do Passos, é daquelas que mais irrita os que desejam viver sob a tutela do Estado paizinho.


Vender aquela empresa foi uma boa solução. Distribuir cartas, já então se percebia, é um negócio sem futuro. Cá e em todo o mundo mais ou menos desenvolvido. Na Dinamarca, que em muita coisa nos devia servir de exemplo, o serviço postal vai entregar a última carta no próximo dia trinta de dezembro, pondo fim a uma tradição com mais de quatrocentos anos. Decisão justificada pela digitalização e a acentuada quebra no envio de correspondência. Por cá, mais cedo do que tarde, terá de acontecer o mesmo. Já ninguém escreve cartas de amor.


O mundo é o que é. Mas há quem prefira continuar a lutar contra o moinho, espada em riste, convencido de que o carteiro ainda vem a cavalo.

sábado, 20 de dezembro de 2025

Agricultura da crise

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O meu quintal constitui um ecossistema habitado por uma fauna abundante e indecifrável. Bichos esquisitos, rastejantes diversos, lagartas e passarada de todas as marcas. Todos com um apetite verdadeiramente obsceno. Comem tudo e não deixam nada, estes abutres aproveitadores do trabalho alheio e desconhecedores do conceito de propriedade privada. Como outros, igualmente detestáveis, que por aí cirandam.


Por alguma razão que os meus conhecimentos agrícolas não alcançam, mas a ciência explicará, os morangueiros estão agora a frutificar. Não produziram nada na época certa, mas agora há por ali uns quantos a dar fruto. Obviamente não como nenhum. Mal começam a ganhar cor, são de imediato integrados na cadeia alimentar da bicheza que adoptou este recanto como habitat. Daí esta opção mais ou menos drástica. Sempre quero ver agora como vão ripostar os rastejantes. Cá os aguardo, seus vermes!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Vão roubar para a estrada!

Se há coisa que aprecio nos carros híbridos é aquela maravilha mística chamada travagem regenerativa. Um sistema tão virtuoso que permite conduzir sem gastar um cêntimo em combustível. Zero. Bola. Nadinha. E, cereja no topo do bolo, sem pagar imposto. Népia, Rien. Nicles. Um verdadeiro crime perfeito, só que legal. Claro que há um pequeno detalhe. Uma coisinha de nada, quase. Para alcançar esta espécie de nirvana automóvel é preciso circular a uma velocidade que faz inveja a um caracol asmático. Mas não faz mal. A sensação de não estar a ser rapinado pelo Estado compensa largamente o facto de a viagem parecer uma peregrinação medieval. Afinal, o tédio passa, o prazer de não ser roubado fica.


Quem, surpreendentemente, não acha graça nenhuma a isto são os governos europeus. Andaram anos a incentivar carros eléctricos, a distribuir subsídios como quem atira arroz num casamento, a anunciar o fim iminente dos motores a combustão e agora estão pasmados, boquiabertos, estupefactos, porque as receitas fiscais do sector automóvel estão a cair. Quem diria. Incentivam as pessoas a não gastar combustível e depois ficam chocados porque deixam de cobrar impostos sobre o combustível. Em consequência há que inventar uma nova forma de gamar o automobilista. Daí que mais uma ideia brilhante tenha surgido dessas mentes iluminadas. Uma taxa por quilómetro percorrido. Sim, senhor. Taxar o simples acto de existir em movimento. Consta que o Reino Unido será pioneiro, já em 2028, com três cêntimos por milha. Porque três parece um número simpático e ninguém desconfia de números simpáticos.


Estou escandalizado com tamanha falta de vergonha. Desconfio que qualquer reles bandido tem mais ética do que esta gente. Nem vou estar a desfiar um enorme rol de alternativas que esses cabrões têm para equilibrar as contas. Há muita despesa, desde aquela de atirar dinheiro janela fora até outra que recheia os bolsos de muita gente, que pode ser eliminada. Mas, para essa gentalha, isso não é sequer opção. Mais depressa, se taxar o km percorrido de carro não gerar receita suficiente, lhes ocorrerá lançar um imposto sobre quem anda a pé. Diz que desgasta a calçada. E, se calhar, não é assim tão bom para o ambiente. Por causa do chulé e isso. E das contas do estado, também.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

IRS: fazer as contas antes que seja tarde

Há quem garanta que existem apenas duas inevitabilidades na vida. A morte e os impostos. Quanto à primeira, convém empurrá-la para o mais longe possível. Na  segunda, ainda que não incumprindo descaradamente a lei, é imperativo fazer de tudo para pagar o menos que se puder. Daí que, no que toca ao IRS, os últimos dias do ano sejam o momento ideal para quem não se precaveu antes sacar da calculadora, fazer contas e tentar aproveitar todas as oportunidades legais para emagrecer a factura. Haverá várias ferramentas, mas deixo a sugestão deste simulador de IRS para rendimentos de 2025 a pagar em 2026. Muito completo, fácil de usar e com a enorme vantagem de permitir, com antecedência, avaliar a dimensão do “estrago”. E, se for caso disso, tentar minimizar, mesmo que modestamente, a escala do assalto.

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

A televisão como última trincheira

A presença assídua — para não dizer quase permanente, como aquelas manchas de humidade que voltam sempre — de representantes do Bloco de Esquerda nos painéis televisivos de comentário político é um fenómeno digno de estudo. Não tanto pela sua relevância política, que é escassa, mas pela devoção quase litúrgica que a comunicação social lhes presta. Só assim se explica que um partido com a expressão parlamentar de um suspiro continue a ser tratado como se fosse indispensável à saúde da democracia.


Claro que há explicações. A mais caridosa aponta para a falta de profissionalismo de muitas redacções, incapazes de disfarçar preferências partidárias e, sobretudo, de exercer aquele velho hábito ultrapassado chamado imparcialidade. Outra pode ser a vassalagem. Opção impossível de deixar de equacionar quando se observa a reverência com que aquele grupelho, pouco recomendável até do ponto de vista estético, é convidado a opinar sobre tudo e mais um par de botas.


Esta quase omnipresença mediática contrasta, de forma cómica, com o seu quase desaparecimento do mapa político. O Bloco de Esquerda tem, recorde-se, um deputado. Um. Exatamente o mesmo número que o JPP. A diferença é que este último parece sofrer de uma estranha alergia aos estúdios de televisão, nunca aparecendo em debates ou fóruns onde se discute o país. Mistérios da democracia, dirão uns. Escolhas editoriais isentas, dirão outros. Depois aparecem a distribuir lições de democracia e o camandro, com a seriedade de quem confunde tempo de antena com votos.


E já que falamos em democracia e afins, não posso deixar de mencionar o Tribunal Constitucional que, a pedido do PS, declarou inconstitucional a lei da nacionalidade. Eles lá sabem. Eles é que leram os livros, eles é que são doutores. “Da mula ruça”, como acrescentava a minha avó quando sentia que a doutoral conversa estava a resvalar perigosamente para o parvo. Quanto a mim, acho que fizeram muito mal. Porque, a continuar assim, ao Chega basta fingir-se de morto — e nem precisa de o fazer muito bem — para que o poder lhe caia no colo. Depois não se queixem.

domingo, 14 de dezembro de 2025

Ou há moralidade...

Há, no Ocidente em geral e em Portugal em particular, uma devoção quase religiosa às proibições. Proibir tudo, de preferência aquilo de que não se gosta. As redes sociais são o exemplo do momento. Andam muitos a salivar pela sua interdição aos jovens e outros — os mais criativos no autoritarismo, diria — defendem mesmo a sua extinção. Percebe-se o entusiasmo. Informação é poder e a velha máxima de que “um homem informado vale por dois” constitui uma chatice para quem detém o poder e para aqueles que pretendem controlar a informação.


Um dos argumentos favoritos dos defensores das limitações — ou do abate sanitário — das redes sociais é a desinformação que por lá circula e o perigo que isso representa para a democracia. Um excelente argumento, reconheço. Seguindo essa lógica imaculada, o mais sensato seria começar a fechar tudo o que permita comunicação entre seres humanos. Ou, se a tarefa se revelar demasiado ciclópica, partir para a solução alternativa. Distribuir martelos e desatar à pancada em todo e qualquer dispositivo tecnológico. Algo ao estilo daquele visionário que decidiu escavacar televisões na Worten, numa espécie de performance pedagógica contra o mal.


Quando uma televisão pública, num programa supostamente educativo, afirma com ar doutoral que uma menina pode ter pilinha, não me parece que esteja a prestar um serviço exemplar à verdade. Está apenas a fazer o mesmo que qualquer borra-botas faz no seu mural do Trombasbook. Com a pequena diferença de ser paga por todos nós e de usar um cenário com melhor iluminação.


Cada um faz da sua vida o que muito bem entende. Agora, um meio de comunicação — do Estado, ainda por cima — não pode andar a propagandear bacoradas destas e, logo a seguir, discursar solenemente contra as fake news, a manipulação dos factos e a desinformação enquanto arma da extrema-direita. Por mim nada tenho contra quem se identifique, se isso o fizer sentir melhor, com um Tesla a combustão. A felicidade da criatura é legítima. No entanto a legitima felicidade da criatura jamais transformará odisparate em verdade.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

De zero a três milhões vai uma greve de distância...

No país não sei, mas na pacatez da minha cidade não dei por essa coisa da greve geral. Nem, tão pouco, da parcial se é que a houve. Cafés, restaurantes, bancos, superfícies comerciais e comércio em geral, serviços públicos e toda a espécie de actividades económicas funcionaram normalmente. Pode, eventualmente, ter havido um ou outro trabalhador da área do ensino que tenha aderido, mas isso já ninguém repara. Naquele sector nem se pode dizer que é greve. Já faz parte integrante da rotina profissional daquele pessoal.


Nas televisões, pelo contrário, a greve teve um sucesso estrondoso. Nomeadamente ao nível do material que produziu para os humoristas. Aquilo dá para horas e horas de programas humorísticos e para piadolas sem conta. Uma espécie de gozar com quem faz greve, que certamente o bobo da corte não deixará de aproveitar no Domingo à noite. “Não faço absolutamente nada na vida”, declarava orgulhosamente uma manifestante aos microfones da CNN. Outra, uma matulona com vinte e muitos anos, garantia que a mãe precisava de quatro empregos para a poder sustentar a ela e à irmã. Uma injustiça, acrescentava. E com razão. Ter bom corpo para trabalhar e viver á custa da mãe não me parece lá muito justo.


Enquanto isso o país consumia mais 6,3% de energia eléctrica do que no dia anterior. Das duas uma. Ou os grevistas ficaram todos em casa de aquecedor ligado no máximo ou aproveitaram o dia para se dedicarem à bricolage e pôr o carro a carregar.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Pelo direito à habitacão!

Soube hoje que um infeliz qualquer, aqui das redondezas, foi denunciado e prontamente notificado pelas autoridades por um crime de extrema gravidade. Daqueles que fazem tremer os alicerces do Estado de Direito. O monstro mantinha o seu canito numa casota  húmida. Coisa que, como é do conhecimento geral, constitui um atentado gravissimo aos direitos fundamentais do animal.


Após minuciosa vistoria ao local, provavelmente com recurso  a sofisticado material de investigação, as autoridades competentes terão concluído, segundo fontes geralmente bem informadas mas que não posso revelar sob pena de não me contarem mais nada, que o pobre bicho apresentava as “mãos molhadas”. Um choque. Um verdadeiro horror. Aquele cão esteve a segundos de entrar em hipotermia, de apanhar  uma pneumonia, ou, no mínimo, uma constipação.


Constitui, de facto, uma vergonha a maneira como certas pessoas tratam os animais. Em pleno século vinte e um não se justifica que um cão resida numa barraca instalada no quintal do tutor. Sem TV cabo, agua corrente, luz, Internet e todas as demais condições que lhe proporcionem uma vida digna. Obviamente que o lugar deles é no sofá. E na cama, também, a dormir com os seus pais e irmãos de duas pernas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Penas e tomates

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Acho graça à obsessão da comunicação social com o Chega. Por um lado percebo que as noticias vindas daquele lado deem audiência. É disso, pelo menos em grande parte, que as empresas desse ramo de negócio sobrevivem e que muitos figurões, que de outra forma passariam despercebidos, acham que fazem figura. De parvo, em muitas circunstâncias, diga-se.


Toda esta malta descobriu agora um novo filão. Ou, melhor, novas vitimas das atrocidades dos cheganitos. A bicharada. Já devem ter concluído que com pedofilia, malas roubadas ou encomendas postais desviadas – ah, espera, esse é doutra coudelaria – não vão lá e, então, resolveram apostar nos bichos. Primeiro foi o gato capado, em pleno parlamento, por um deputado e agora, na falta de melhor, um ex-membro de uma assembleia municipal que matou a tiro uma gaivota. Esta última criatura – o chegano, não o pássaro - também malhou um fulano qualquer, mas esse como é apenas uma pessoa não interessa nada. Ainda se tivesse capado, roubado a mala e assaltado o desgraçado – lá estou eu, porra, quem assaltava era um do PS – podia ser que a ocorrência merecesse uma nota de rodapé. Ou, vá, uma piadola do palhaço do regime.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

As mentiras da extrema-direita são um perigo para a democracia

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Mensagens falsas haverá mais que muitas. Culpa da extrema-direita, como é amplamente reconhecido por quem sabe destas coisas. Ou seja, por quem é de esquerda, que as topa logo à distância. A imagem mostra um cartaz, colocado por uns patifes direitolas numa universidade brasileira, onde se denunciava o suposto massacre de que estariam a ser vitimas os jovens negros naquele país. Aquilo, a ser verdade, foi uma matança generalizada. Mas, felizmente, foi apenas mais uma mentira da extrema-direita. Lá, como em todo o lado, aquela malta é tão burra, mas tão burra, que nem sabe fazer contas. Atendendo a que o cartaz remonta a dois mil e dezoito, por esta altura toda a população do Brasil – não chegava chacinar só os negros, todos os restantes teriam se ser também abatidos - já teria sido exterminada. Genocídio pior, só em Gaza.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

O melhor jámon do mundo

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Talvez esta fotografia de um supermercado espanhol, apesar de publicada em inúmeras páginas, não seja real. Isto, com essa modernice da inteligência artificial, nunca se sabe. Mas, a ser verdadeira, parece-me uma boa ideia. Colocar esta “montra” de um produto típico do país à entrada da loja, por onde todos os clientes terão de passar, constitui uma excelente promoção do artigo. Não será, ao que garantem os detratores da iniciativa, uma coisa inclusiva. Que é o que eles agora chamam às cenas esquisitas que pretendem normalizar. Paciência. Quem se sentir incomodado procure outro sitio para ir às compras. Ou, se for o caso, para viver.  

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Pescaria bombastica

A bolha mediática e os tontinhos que por ela se deixam influenciar convivem muito mal com o combate ao crime. Ainda me lembro do coro de indignados que se insurgiram por, há uns anos atrás, um atirador de elite ter abatido o assaltante de um banco que, na sequência do assalto, tinha sequestrado os clientes. No entender daquela gente os criminosos devem ser tratados como espécie protegida e, quando interpelados pela policia, apenas apresentados à justiça se, depois de convidados, a isso estiverem dispostos. Se não tiverem mais nada para fazer e a deslocação não lhes causar demasiado incomodo, está bem de ver.


É toda esta gente – toda é uma força de expressão, são apenas os bacocos acima mencionados – que está a ficar possessa com os ataques americanos no Mar das Caraíbas aos barcos que transportam droga. Eles lá sabem. Se calhar estão com receio que o mercado reaja e o produto encareça. Alegam, para alem do que consideram ser a falta de legitimidade da acção norte-americana, que podem nem sequer ser traficantes. Uma dúvida legitima, concedo. Vão ver aqueles barcos ultra-rápidos, com não sei quantos motores, são de pescadores que andam na faina. Faz sentido. Diz que naquelas águas abunda o carapau de corrida.

sábado, 29 de novembro de 2025

O Chega e toda a esquerda têm muito em comum.

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Tenho pouca paciência para aquelas conversetas onde se fala de “opções de classe”, “luta de classes”, “burguesia”, “desfavorecidos” ou, como agora se diz, “vulneráveis”. Não dou para esse peditório e, a bem-dizer, nem sei como “classificar” os patetas que enchem a boca dessas idiotices. A hipocrisia desta gente, por vezes, vai muito para lá dos meus limites de tolerância. Mesmo naqueles dias em que, por razões que me escapam, essa limitação se encontra excepcionalmente elevada.


Como estou farto de por aqui escrever que não gosto de impostos. É dinheiro que nos é retirado e, por isso, quem está mandatado para governar deve cobrar apenas o mínimo necessário para assegurar as necessidades básicas das funções essenciais do Estado e usá-lo com a mesma parcimónia com que usa o que lhe pertence. Para além disso, esse financiamento do Estado deve ser preferencialmente feito à custa do luxo, da ostentação, do vicio, dos lucros ou ganhos injustificados e o menos possível sobre os rendimentos do trabalho, das poupanças e do investimento. Não é nada disso que pensa a esquerda portuguesa. Nem, igualmente, parte da direita. É gente que gosta de penalizar o trabalho e de castigar quem tem alguma coisa de seu. Em contrapartida faz questão de beneficiar os seus e aqueles que lhes podem estragar os arranjinhos que os sustentam no poder. Os artistas e a malta da cultura, nomeadamente. E, de caminho, aqueles que têm dinheiro suficiente para gastar em arte. Nem que seja para comprar uma banana colada a uma parede. Depois venham para cá chatear por os ciganos não passarem factura dos trapos vendem nas feiras.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Ligeiramente menos discriminados...

Já escrevi noutras ocasiões, aqui ou em outro sitio qualquer, que o Partido Socialista governa muito melhor quando está na oposição. É, por estas e outras coisas, imperativo que lá fique durante muito tempo. Para nosso bem. Já assim foi no “Verão quente” de 1975 e no processo que culminou no 25 de Novembro, quando o PS liderou a oposição aos que pretendiam levar o país para o abismo comunista. De lá para cá deve ter contribuído com uma ou outra cena, igualmente jeitosa, para o bem estar dos portugueses. Assim de repente não me lembro de nenhuma, mas calculo que haja.


Agora, que é o terceiro maior partido e o vice-lider da oposição, lembrou-se que seria boa ideia acabar com as portagens na A6 para as empresas e residentes na região. Coisa que, vá lá saber-se porquê, nunca lhe ocorreu nos muitos – demasiados, diria – anos em que governou. Isto depois de ter isentado tudo e todos nas restantes autoestradas que cruzam transversalmente o país. Mais vale tarde, mas se vêm à procura de votos desconfio que esperaram demasiado para mudar de ideias. Mais ano menos ano os velhinhos que ainda votam PS perdem as carta de condução e depois nem São Cristóvão lhes vale.


Curiosamente os comentários que leio sobre este assunto parece-me pouco simpáticos relativamente ao fim da portagem exclusivamente para residentes. Ou, talvez seja mais apropriado, bastante discriminatórios em relação a nós, alentejanos, e muito pouco inclusivos. Para já não falar de uma notória falta de empatia para connosco, todos os que habitamos esta região. Recordo aos invejosos, que por cá não temos passes a quarenta euros para uma panóplia de transportes nem, ao contrário do que acontece com outras regiões, acesso a um infindável conjunto de serviços públicos. Apesar de pagarmos os mesmos impostos.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Equilibrio rigidamente precário

Tem havido ultimamente uma enorme discussão em torno das alterações que o governo pretende introduzir no chamado pacote laboral. Não é coisa, confesso, que me interesse muito. Até porque faço hoje, precisamente hoje, quarenta e cinco anos de trabalho e, com sorte, dentro de alguns meses tudo o que envolva trabalho deixa de me interessar. Ou, pelo menos, de me dizer respeito.


Por agora, relativamente aos desaguisados que a matéria tem suscitado, foco-me apenas em dois dados. Ambos, aos que julgo saber, bastante fiáveis por virem de fontes credíveis amplamente citadas por gente reconhecidamente sabedora do tema. Um é que Portugal é o segundo país da União Europeia com mais trabalhadores precários. O outro é que o país ocupa a terceira posição, também na UE, entre as legislações laborais mais rígidas. Assim de repente, parece-me, é capaz de uma coisa estar relacionada com a outra. E o melhor, provavelmente, é deixar estar assim. Quando grande parte dos patrões são broncos e quase todos os sindicatos são marionetas de um partido que luta pela sobrevivência política, o mais ajuizado é não mexer. Desequilibrar, seja para que lado for, só vai piorar.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Retorcer a história

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Vai-me faltando a paciência para aturar malucos. Até porque, já garantia a minha sábia avó, um bêbado e um maluco nunca se contrariam. Nem, acrescento eu, um drogado. Isto a propósito das interpretações manhosas que muitos andam por aí a fazer dos acontecimentos que tiveram lugar faz agora cinquenta anos. Que sob o efeito de substancias de diversas estirpes, licitas ou não, devido a problemas que a psiquiatria pode, eventualmente, explicar ou por dificuldades provocadas pela cegueira ideológica há criaturas empenhadas em reescrever a história. Podem fazê-lo à vontadinha. Espaço público e tempo de antena têm-no de sobra. Infelizmente para eles o 25 de Novembro foi o que foi. Por mais contorcionismo narrativo que façam, nada altera o que aconteceu naqueles dias. Os derrotados foram o PCP e todos os outros que se situavam à sua esquerda. Foi assim. Os tipos que faziam manchetes com a da imagem, se ainda forem vivos e mantiverem a lucidez, concordarão comigo.


Obviamente que pretender equiparar a importância desta data com o 25 de Abril é simplesmente parvo. São incomparáveis e quem o pretende fazer também não percebe nada do que se passou naquela época. Mas, como escrevi, não tenho paciência para discutir com badalhocos. Limito-me a sorrir com condescendência perante aqueles que, apesar de apenas terem nascido décadas depois, me querem convencer que verdadeira é a história que eles contam e não aquela que eu vi acontecer à minha porta.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Pagagaios

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“É preciso uma visão global para a saúde”, proclamou aquele indivíduo que ocupa o palácio de Belém e que, há quem assegure, é o presidente – propositadamente com letra minúscula – de todos os portugueses. Trata-se de um diagnóstico brilhante. Tão brilhante que até eu era gajo para fazer. Alarvidades dessas digo eu a toda a hora e ganho bastante menos. De resto, quase toda a gente tem a visão que globalmente a saúde está com os pés para a cova.


Por falar em alarves. Amanhã temos mais uma greve da função pública. Ou não fosse sexta-feira. Estava com esperança que, desta vez, a luta envolvesse a diminuição da carga fiscal sobre os salários, nomeadamente o IRS, ou a diminuição da quotização da ADSE de 3,5% sobre catorze meses para 1,5% sobre doze. Mas não. Apesar de essa ter sido uma promessa da lista vencedora das eleições para os corpos directivos daquele sistema de saúde, que integrava representantes dos sindicatos, o silêncio acerca do tema tem sido sepulcral. Nem reivindicam, sequer, que o valor descontado possa ser deduzido em sede de irs, como acontece com os seguros de saúde dos trabalhadores do sector privado.
Obviamente que os tipos dos sindicatos, coitados, não têm grande culpa. Afinal, limitam-se a papaguear o que os seus mentores lá do partido mandam dizer. Que eles falam, falam, mas eu não os vejo a fazer nada.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A liberdade dos outros é uma chatice

Impressionante a quantidade de criaturas incomodadas com as declarações de Cristiano Ronaldo em que este confessa a sua admiração por Donald Trump. Pior ficaram com o anuncio que o futebolista seria recebido na Casa Branca pelo Presidente Americano. Uma parvoíce. Como se o homem não tivesse o direito a ser admirador de quem muito bem entender. Gostam muito de apregoar liberdade, berrar contra o fascismo e proclamar solidariedade com os oprimidos, mas rasgam as vestes quando os outros não seguem a cartilha que a esquerda quer impor ao mundo.


Por mim, como democrata, amante da liberdade e nem por isso grande fã do CR7, acho muito bem que o melhor futebolista português de todos os tempos ou qualquer outra criatura à face da Terra, faça uso pleno dos seus direitos. Cívicos ou outros. Gosta do Trump? É lá com ele. No Benfica, já tivemos um jogador — Fabrizio Miccoli — tão devoto do Che Guevara que até se tatuou com a imagem do revolucionário e não me lembro de ninguém, benfiquista ou não, se ter importado com isso.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

(De)bater no ceguinho

A longuíssima maratona de debates entre candidatos presidenciais, a menos que resolvam incluir o Vieira, será um não menos desmesurado bocejo. Do debate de ontem retenho apenas aquilo dos estrangeiros que vêm para Portugal tratar da saúde à borla. À borla para eles, que os custos ficam por nossa conta. Que não, garante o Seguro e os gajos que fazem a “verificação dos factos” corroboram. Os estrangeiros pagam e os que ficam a dever é problema do funcionamento do sistema. Claro que sim. A gente acredita. Até porque, já dizia o outro, para a mentira ser segura e atingir profundidade tem de trazer à mistura qualquer coisa de verdade. O caso das gémeas brasileiras, transformadas em portuguesas de gema da noite para o dia, é por demais elucidativo. Por mais que se esforcem em dourar a pílula.


Quanto ao resto foi mais do mesmo. Um candidato choninhas, um fala barato e comentadores que antes de abrirem a boca já sabemos o que vão dizer. Se debatentes fazem o seu papel e cada um escolhe, legitimamente, as suas estratégias, de quem comenta espera-se outra atitude. Desejavelmente mais séria. Mas não. Estas criaturas, como sempre, parecem os pastorinhos de Fátima. Ou os árbitros do futebol português. Vêm coisas que mais ninguém vê. Tem corrido bem, como sabemos. E por falar em futebol. Aquilo ontem foi um empate de zero a zero. Total inoperância do ataque, a defesa só deu porrada e o meio campo passou o tempo a vê-las passar. A continuar assim descem ambos de divisão.

domingo, 16 de novembro de 2025

“Aos olhos da inveja todo o sucesso é crime.”

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O Correio da Manhã chama hoje para a primeira página a “fortuna” dos ministros. Conclui, presumo que com muito espanto e bastante horror, que os dezassete ministros acumulam no seu conjunto um património total de quase vinte e um milhões de euros. Toda esta riqueza, entre outras coisas, incluirá prédios, terrenos, automóveis, acções ou depósitos bancários. Se, como informa o dito pasquim, apenas três ministras acumulam quase doze milhões restam apenas pouco mais de nove milhões para os restantes catorze. O que dará, em média, pouco mais de seiscentos e sessenta e quatro mil euros por cada um. Realmente um escândalo, como a noticia parece pretender dar a entender e como a mesma é comentada nas redes sociais por uma multidão de invejosos. Gente que, certamente, preferia ser governada por indivíduos com a conta-ordenado no vermelho, vivessem num Tê zero na Rinchoa e se alimentasse à base de latas de atum compradas em promoção.
A falta de noção é mesmo tramada. Como se alguém com um património dessa dimensão pudesse, mesmo em Portugal, ser considerado rico. Tanto assim é que, ainda não há muitos anos a segurança social pagava RSI a uma família de feirantes que tinha um milhão e setecentos mil euros no banco. Ou – uma história mais antiga - a uma outra que ganhou uma maquia choruda no Totoloto, mas que ainda assim continuava a receber o RSI “por não ter liquidez”, como justificavam as entidades “competentes” nessa coisa de distribuir o dinheiro que nos custa a ganhar.
Se há sentimento que me aflige é a inveja. Nomeadamente quando a mesquinhez envolve os pertences ou o sucesso dos outros. Neste caso nem sequer parece haver muito para invejar. A esmagadora maioria dos invejosos que hoje invectivaram os membros do governo, esturrariam todo esse património enquanto o Diabo esfrega um olho. E quando o Belzebu esfregasse o segundo já estariam endividados.

sábado, 15 de novembro de 2025

É só fumaça...

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Tenho dificuldade em perceber o alarido que por aí anda por causa da greve, supostamente geral, que o Partido Comunista resolveu promover na sequência de mais uma hecatombe eleitoral. Não será a última. Hecatombe, greve geral patrocinada pelos comunistas logo se verá. Mas, escrevia, não se justifica tamanho basqueiro. O país não vai parar e tudo aquilo que ainda vai funcionando nos outros dias também funcionará nesse. Quando muito meia dúzia dos poucos comunas que ainda restam poderão paralisar as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, impedindo muita gente, nomeadamente os mais pobres, de ir trabalhar. Ou seja, os do costume a prejudicar, como sempre, os que mais precisam. Nada que incomode os mentores destas iniciativas, que têm tanto apreço por quem trabalha como o Ventura pelos ciganos. No restante país a vida continuará, como sempre, indiferente aos entusiasmos revolucionários. Na instituição onde trabalho o único sinal de greve será, quando muito, a presença pela manhã de dois ou três sindicalistas à porta do edifício. E, mesmo assim, por pouco tempo que eles não são parvos e o sindicalismo não lhes põe o pão na mesa. Como dizia o outro: “a luta é muito bonita, mas convém ser só até à bucha. Depois tenho mais que fazer”.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Em estando pago, pago está!

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O pagode queixa-se de tudo. Agora, lá porque o governo anunciou a intenção de alterar a data de pagamento do IUC para o mês de Fevereiro de cada ano, surgiu um coro de lamentações, protestos e divagações várias. Pagar duas vezes em três meses é uma violência, vi eu escrito e ouvi, algo parecido, na televisão. Pagar impostos, sejam eles quais forem, é sempre uma violência. Mas, se o raio do imposto é anual, qual é a diferença? E depois é destas coisas, quem paga em Dezembro há já um ano que não paga. Daí que não tenha muito para se queixar.
O problema será, alegadamente, a falta de graveto. O que é pior. O “selo do carro” é uma parte ínfima, diria que até  a menor, dos custos que qualquer um tem de suportar com o automóvel. Reclamar da proximidade dos pagamentos é mais lamuria do que outra coisa. Não acredito que quem tem carro, por mais velho que seja, não tenha dinheiro para essa minudência.
Quando ouço estas queixinhas lembro-me sempre do tempo em que ganhava vinte e poucos contos por mês e me cobraram trinta e cinco de seguro. Uma quantia mais elevada do que aquela que recebi quando, um ou dois anos depois, vendi o carro. Perante os meus protestos o tipo da seguradora, provavelmente farto de me ouvir, atirou: “Não tem dinheiro para pagar o seguro?! Ná, você não tem é dinheiro para ter carro!”. Ficou-me cá.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Era um muro muito engraçado...

Fez no Domingo passado trinta e seis anos que caiu o Muro de Berlim. Por incrível que pareça, o acontecimento passou despercebido nas nossas televisões, sempre tão zelosas em assinalar efemérides de gloriosa irrelevância. É natural, pois para as redacções actuais a queda do muro continua a ser um trauma mal resolvido. Um daqueles episódios infelizes em que a realidade insistiu em destruir mais um “paraíso na Terra”.


Seja pelo silêncio em torno deste tema, por burrice ou por ser o que lhe ensinam em casa ou no partido, uma jovencita comunista partilhou um texto sobre a queda do muro onde, a linhas tantas, considerava que “o muro foi construido para impedir que os alemães migrassem em massa de Berlim Ocidental para Berlim Leste. Goste-se ou não foi assim.” Numa primeira leitura, até pela falta da virgula, acreditei que se tratava de uma conta paródia a escrever piadolas. Só que não. A menina está convicta da sua verdade e, por mais que inúmeros comentadores a chamem à razão, não se “desmonta da burra”. Nem o facto de as pessoas terem corrido para o lado de cá a demove. 


É neste caldo de estupidez mascarada de inteligência que se revela o papel miserável da comunicação social actual. Um jornalismo que já não informa, catequiza. Que não questiona, lambe. Que vê na miséria planificada da RDA um modelo de justiça social. É chato que o povo prefira o “inferno capitalista” à alegria cinzenta das filas para comprar manteiga, mas, c'um catano, se tanto apreciam o encanto da RDA, façam o favor de a reconstruir no vosso quintal. Um muro, uma cancela, ração mensal e vigilância da vizinhança. A experiência será educativa. E, melhor ainda, não incomodam ninguém.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

Ah e tal...fake news e isso....

A BBC foi, durante décadas, um farol da informação credível. Um daqueles nomes que se dizia com respeito, quase com reverência. Hoje, a dúvida sobre se ainda o é tornou-se mais do que legítima, é inevitável. Se fazem aquilo com o Trump — que, convenhamos, é “apenas” o Presidente do país mais poderoso do mundo e aliado histórico do Reino Unido — imagine-se o que não farão com um Zé-Ninguém desta vida, o borra-botas do costume ou qualquer outro desafinado com a partitura ideológica da moda.
O pior nem é isso. O pior é que, se uma estação com os pergaminhos da BBC já torce a informação como quem espreme um limão seco, não se pode esperar que os seus congéneres pelo mundo fora façam diferente. É o festival da manipulação, cada qual a tentar impingir ao público as percepções mais convenientes. Aliás, só um ceguinho — daqueles que se esforçam mesmo muito para não ver — é que ainda acredita na independência e na imparcialidade da imprensa ocidental. E, muito menos, no profissionalismo dos jornalistas que a servem.
Por cá a comunicação social nem se dá ao trabalho de esconder o que a move. A isenção morreu e ninguém se deu ao trabalho de fazer o funeral. Basta abrir o jornal da minha terra. Deve ser por isso que não faltam figurões a clamar pelo controlo das redes sociais e, se possível, pelo seu fim. Eles lá sabem porquê. E nós também.

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Operação betoneira

Nunca gostei de lugares donde não possa sair rapidamente se isso for coisa que me apeteça. Não podia, caso tivesse nascido palestiniano, dedicar-me à tão nobre missão de aterrorizar. Andar metido em túneis não é para mim. No entanto, a malta de lá tem um fraquinho por essas actividades. Diz que gostam tanto ou tão pouco daquilo que apesar da guerra ter acabado – mais ou menos, pronto – preferem manter-se nos subterrâneos apesar das IDF insistirem que isso não é uma grande ideia. Nomeadamente porque, para além da humidade e da falta da luz solar, aquilo está a ser inundado com água do mar e selado com toneladas – muitas, segundo os relatos conhecidos – de cimento. Cento e cinquenta terroristas terão ficado lá dentro. Não se sabe ao certo em que condições. Nem, sequer, se entre o material armazenado, destinado à prática do terrorismo, restam ainda escafandros, escopros, martelos ou, vá, uma bomba que lhes acalente uma vaga esperança de evacuar a área.
Apesar das noticias acerca do assunto serem contraditórias, há quem acredite que os israelitas sabiam da forte probabilidade de existirem criaturas – ainda que desprezíveis - no interior. Por mim, prefiro pensar que taparam o buraco errado com as pessoas certas lá dentro.

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Borlas, borlas e mais borlas...

Parece que o Partido Socialista terá apresentado uma proposta de alteração ao Orçamento de Estado para 2026 visando a criação de um regime de isenção de portagens, nos troços da A2 e da A6 que atravessam o Alentejo, aplicável a residentes e empresas com sede na região. Trata-se, ao que julgo saber, da única via que atravessa o país em que se paga portagem. Uma discriminação contra a qual me manifestei em diversos posts neste blogue ao longo dos últimos anos. Assim que me recorde, o PS terá estado – em geringonça e sozinho – cerca de nove anos no poder. Torna-se evidente que, para bem do país, é imperioso que fique muitíssimos mais fora dele. É que governa muito melhor quando está na oposição.


A esquerda portuguesa rejubila com a eleição do socialista/esquerdalho/muçulmano – um tipo cheio de defeitos, portanto – para presidente daquela cidade que, há vinte e quatro anos, sofreu o maior atentado terrorista de que há memória. Cometido, convém nunca esquecer por uma quadrilha de muçulmanos. Fica-lhes bem esta alegria. Até porque o homem promete implementar uma quantidade de medidas muito do agrado da malta da canhota. Algumas, confesso, também as considero bastante aprazíveis. Nomeadamente aquelas que envolvem congelar rendas e criar uma rede de mercearias municipais. De certeza que vai correr bem…

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Não se metam com o mercado...perdem sempre!

Diz um estudo qualquer — muito citado por cá nos últimos dias — que Portugal é o nono país da Europa com mais trabalhadores em risco de pobreza. Talvez seja. Apesar disso, haverá certamente outros indicadores em que estaremos ainda piores. No fundo, tudo em linha com o nosso honroso lugar no ranking do PIB per capita.


Deve ser a pensar nisso que o PCP propõe, no âmbito da discussão do Orçamento do Estado, um aumento do salário mínimo para mil e cinquenta euros mensais. Por mim, parece-me bem. Até podia ser mais. O mercado, que é um gajo esperto, depressa se ajustará a esse novo valor e o salário mínimo continuará a valer tanto como agora. As pastelarias e os restaurantes aumentarão os preços para compensar os custos, os senhorios darão mais um esticão nas rendas e, em geral, tudo subirá para refletir o novo “poder de compra” dos bolsos do consumidor. Ou seja, ficará tudo na mesma. Talvez um bocadinho pior. Sobretudo para todos aqueles que ganham apenas um pouco mais, os deserdados do regime. Uma imensa maioria que, com os seus impostos, sustenta estes devaneios e que, a cada demagógico e populista aumento do salário mínimo, vai ficando um pouco mais pobre.

domingo, 2 de novembro de 2025

Malucos...

Pela Europa os esfaqueamentos seguem a bom ritmo. É a vida. Os europeus têm de se habituar. Mais do que isso. Têm de respeitar as civilizações – há quem insista em considerar esse modo de vida uma civilização – onde esfaquear quem não segue a mesma ideologia religiosa é uma cena comummente aceite. Há, apesar dessa ideologia ser incompatível com o nosso modo de vida, que respeitar o sagrado direito a esfaquear pessoas. Mas nada temeis, os governos locais reagem sempre com firmeza e condenam veementemente o sucedido. Seja lá o que for que isso queira dizer. No entretanto garantem, invariavelmente, que se trata de um acto isolado perpetrado por um maluco qualquer. Tal como foram todos os outros cinquenta e quatro mil cometidos no ano passado em território europeu. Isto enquanto prossegue a bom ritmo a caça a todos os que incitam ao ódio contra os esfaqueadores sugerindo, nas redes sociais ou de viva voz, que vão esfaquear para a terra deles.


Por falar em malucos. Ontem estavam quatro a debater – sendo que um é jornalista e devia abster-se dessas lides – quando um deles resolveu abandonar o cenário. Sinto-me dividido acerca da opinião a adoptar perante o sucedido. Se siga a doutrina Prata Roque, segundo a qual sair é acto de coragem e contribui para a elevação do debate político ou a doutrina Rodrigo Taxa que, garante, abandonar é cobardia. Mesmo não sendo adepto da violência estou indeciso e quase inclinado para uma terceira via. Partir-lhes os cornos. Há quem esteja mesmo a pedi-las.

sábado, 1 de novembro de 2025

Limpem o cocó dos vossos filhos, pá!

 


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Noutros tempos — quando eu vivia no campo e a sanidade mental ainda não era artigo de luxo — os meus cães passavam largas horas do dia sem que eu soubesse do seu paradeiro. Os meus e os da restante vizinhança. Faziam a vidinha deles e ninguém se ralava com isso. 


Hoje, graças à epidemia de maluqueira que tomou conta das pessoinhas, um pobre cão já não pode ir dar uma volta — nem que seja até ao fundo da rua para esticar as patas — sem que um palerma qualquer decida que o bicho está perdido, abandonado ou em risco de depressão. Segue-se, invariavelmente, o alerta dramático para o Facebook, a que se sucede uma procissão de almas caridosas que partilham a preocupação. Centenas de malucos em desespero por causa de um rafeiro que só queria cheirar uma árvore.


Curiosamente, os mesmos anjinhos que entram em histeria com o cão alegadamente abandonado não se impressionam com os cagalhões que os seus próprios bichos vão deixando nos passeios. Estão habituados a conviver com isso, lá em casa. E o mais giro é que estas oferendas fecais são deixadas sob o olhar atento e complacente dos donos. Gente que se indigna com um penico deixado ao lado do contentor, mas acha perfeitamente natural não apanhar a merda que o seu filho peludo largou no espaço público. Ora, se o animal é mesmo um membro da família ou, segundo alguns, o rebento de quatro patas então cumpram o vosso dever de pais e limpem. Tal como limparam - espero eu - a do irmão pelado.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Diz que és um bandido sem dizeres que és um bandido.

Ao que tem sido noticiado, a ONU — mais precisamente o seu secretário-geral, aquele senhor que conseguiu a proeza de ser o pior primeiro-ministro que Portugal já teve — ficou horrorizada com uma operação policial no Rio de Janeiro. A polícia, imagine-se, ousou intervir contra um grupo de bandidos que, por mera coincidência, se dedica a atividades criminosas que aterrorizam a população local.  O historial da casa já fazia adivinhar esta reação. O que seria mesmo de espantar era ver aquelas alminhas sensíveis manifestarem horror pelas execuções sumárias de palestinianos às mãos do Hamas. Mas não, isso é coisa que não os impressiona. O que lhes causa verdadeiro pavor são umas quantas dezenas de malfeitores abatidos . Isso sim, é o fim da civilização.


Por cá,  muita gente de esquerda também não quis ficar atrás e apressou-se a manifestar a sua indignação nas redes sociais. Não que me surpreenda . Afinal, há muito que se sabe que boa parte dessas criaturas têm um fraquinho especial por marginais. Ou vitimas vítimas do sistema capitalista, como gostam de dizer. Já as verdadeiras vítimas, as que sofrem nas mãos dos tais marginais, essas raramente contam.


Estas reacções pouco me espantam. Estou cada vez mais convencido da fragilidade da saúde mental e da elasticidade moral dessa gente. Defendem o Estado metido em tudo — da economia às tabernas — mas, curiosamente, tornam-se liberais ferrenhos quando o assunto é criminalidade. Nesse campo, o lema parece ser “menos Estado, mais bandidos”. Se calhar, é porque têm algum investimento sentimental — ou talvez financeiro — no setor. 

terça-feira, 28 de outubro de 2025

É mais o cabaré da coxa...

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Uns cartazes do Chega — ou do Ventura, não sei ao certo, mas vá, é praticamente a mesma entidade — a proclamar que “isto não é o Bangladesh”, estão a deixar algumas almas à beira de um ataque de nervos. Ao ponto, pasme-se, de já haver quem apresente queixas por xenofobia, discurso de ódio e sabe-se lá mais o quê. Esquisito, este frenesim. É melhor decidirem-se. Acusam o homem — e o partido — de mentir constantemente e quando por uma vez dizem a verdade, queixam-se também. Deve ser gente que faltou às aulas de Geografia, certamente.


Claro que, em alternativa, o cartaz podia ter dito “isto não é a Suíça”. Geraria indignação na mesma, mas pelo menos levaria os eleitores a pensar: “Pois não… mas é pena.” O que, convenhamos, seria uma jogada de marketing bem mais inteligente. Assim, o comum dos mortais limita-se ao “pois não”. O que é, manifestamente, pena. Mas isso sou eu a divagar, que onde uns veem xenofobia e racismo eu vejo apenas um erro de publicidade mal direcionada.


Calculo que, com tanta lamúria sobre a alegada bandalheira em que o país vive, não tardará a surgir outro cartaz com os dizeres “isto não é o da Joana”. Se assim for, vai ser o bom e o bonito. Desde a choramingas do Livre, passando pelos zelosos da Comissão Nacional de Proteção de Dados até às feministas militantes e aos papagaios que debitam como verdades absolutas o que ouviram na televisão, todos descobrirão crimes de vária ordem na expressão tão tipica do linguajar português. Afinal, isto não é nenhum dos outros países do mundo. É Portugal. Uma espécie de "cabaré da coxa". 

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Ri-te deles Argentina...

Pouco se tem falado e escrito na comunicação social portuguesa acerca da Argentina nos últimos anos. O que quererá dizer que aquilo por lá deve estar a correr bem. As poucas noticias que vão aparecendo é sobre velhinhos com reformas cortadas e vulneráveis diversos que, com o fim dos inúmeros subsídios que lhes permitiam viver sem trabalhar, tiveram de procurar outra vida. O que, nomeadamente a estes últimos, tem provocado um sofrimento atroz. Compreendo-os. Trabalhar, a mim, também me aborrece. Apesar disso o partido do Presidente Milei, ganhou as eleições legislativas de 26 de Outubro e reforçou a sua posição no Parlamento lá do sitio. Quem diria que as previsões e, sobretudo, a opinião da malta do jornalismo activista não tinha nenhuma correspondência com a vontade popular. Uma chatice, isso de lá como cá o povo não lhes ligar nenhuma. 

sábado, 25 de outubro de 2025

Agricultura da crise

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Isto aqui pela agricultura da crise está do piorio. Vai uma crise que só visto. Os citrinos foram atacados por diversas pragas e estão todos, de todas as árvores, a cair de podres. Nem uma peça para amostra deverá sobrar. O pior é que a situação, ao que sei, é generalizada. O mais provável é a fruta nacional que chegar ao mercado estar carregadinha de produtos químicos e a um preço bastante simpático na perspetiva de quem vende.
Tudo o resto, cá no quintal - desde as couves às alfaces, da salsa aos coentros e das nabiças à hortelã - está infestado de lagartas. Muitas iguais às da foto, que é possível localizar, e de outras tantas completamente verdes. Tão verdes, mas tão verdes que são praticamente indetectáveis por quase não se distinguirem das plantas. Do que sobra tratam as lesmas, caracóis e passarada de várias marcas.
Salva-se, por enquanto, a abóbora. A única que até agora dá mostras de querer resistir. Todas as outras - já foram umas quantas - faleceram muito antes de atingir um tamanho sequer comparável a esta.


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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Justiça poetica

Sócrates, o José, queixou-se da conta exorbitante que o fisco lhe apresentou para pagar de IRS. Quarenta e tal mil euros, segundo se lamentou e que qualificou como um roubo perpetrado pelo Estado. O homem sabe do que fala. Até porque ele foi dos que contribuiu para o aumento desmesurado desse saque. Por um lado apetece-me parabeniza-lo pela autocrítica, quiçá pelo arrependimento implicitamente revelado, mas não o faço. Pelo contrário, até vou abrir uma excepção e congratular-me pela violência fiscal que se abateu sobre a criatura. Bem-feito. Ter sido vitima do próprio veneno deve ter doído.


O CDS, esse micro-partido que pode comprar ou alugar um Smart para transportar confortavelmente o grupo parlamentar, esta semana desiludiu-me profundamente. Diz que apresentou um projecto de lei visando impedir que nos edifícios públicos sejam hasteadas outras bandeiras para além das institucionais. Acho mal. Muito mal. Então querem lá ver que a bandeira do Benfica não vai poder ser hasteada na Assembleia da República quando o glorioso ganhar a Champions?

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Reivindicar a intimidade...

Aquela snob armada ao pingarelho, que debitava alarvidades em catadupa na televisão paga com os nossos impostos, foi finalmente despedida da estação pública. Já não era sem tempo. Anda agora dedicada ao “activismo”. Diz que vai organizar uma manifestação para o próximo fim de semana — onde, ao que parece, ela e os três gatos pingados que aparecerem irão reivindicar coisas. 


A primeira reivindicação, pelo menos numa das “convocatórias” (no meu tempo de manifestante chamava-se assim), é “uma casa para todos com espaço para ter intimidade e construir memórias”. Muito bonito. Sendo apenas uma casa, é difícil que caibam lá todos… mas presumo que, ainda que apertados e com a intimidade um bocadinho comprometida, memórias — disso não faltariam. Daquelas verdadeiramente, digamos, memoráveis.


Isto, claro, sou eu a divagar — que é, passe a gabarolice, uma das coisas que faço melhor. O que ela, na verdade, quer dizer é que cada português — ou vá, uma família, ou o que calhar — deve ter direito a uma casa onde possa dar uma queca descansado, sem a vizinha do lado dar por isso. Providenciada — a casa, entenda-se — pelo Estado, naturalmente.


Mas a dita manifestação não se fica por aqui. É muito mais “abrangente”. Também se insurge contra o milhão e meio de portugueses que ousaram votar num determinado partido e, veja-se a coincidência, contra a lei anti-burka. Ou seja, uns quantos — poucos, previsivelmente — milhares vão manifestar-se contra um problema (a burka) que segundo eles não existe, enquanto gritam que milhão e meio de pessoas estão erradas. Faz todo o sentido.


Como vou estar por perto, sou gajo para dar lá um saltinho. Já sinto saudades de me manifestar.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Marradas de carneiro mal morto

Depois de jurar a pés juntos que se ia abster na votação do Orçamento do Estado para o ano que vem — qual monge em jejum de decisões — o Carneiro do PS afinal decidiu que já não gosta assim tanto do documento do Governo. Mudou de ideias, o homem. Deve ter olhado para as verbas e pensado: “eh pá, esturrar o dinheiro também é uma arte — e eu quero o meu quadro pendurado noutro museu”.


Nada contra. Até porque o plano dele é esturrar o dinheiro de forma mais caridosa distribuindo o bodo pelos reformados com pensões mais baixas, e ainda por cima de forma permanente. É bonito. É justo. É quase poético. Assim de repente, lembro-me de alguns ex-colegas que se reformaram aos trinta e seis anos de serviço — quando ainda se podia ir para casa enquanto o corpo aguentava o dominó — e que ficaram com a pensão mínima. Uns quinhentos e poucos euros. Uma tragédia, se não fosse o apartamento no Algarve e o T2 em Lisboa arrendado a estudantes. Mas pronto, esses merecem este mimo do Carneiro socialista, tal como merecem os outros — os que nunca descontaram um cêntimo, ou descontaram só o que não passava por baixo da mesa. Tadinhos. Há que cuidar deles, não vão  um dia destes votar nos fascistas.


Os restantes, os que trabalham e descontam tudo, podem continuar a pagar e a sorrir. Quando chegar a vez deles, logo se vê. Talvez ainda consigam uma pensão que dê para pagar a luz e um pastel de nata ao fim de semana. Mas que não se queixem, que o Carneiro está a marrar com toda a força por um país mais justo. Desde que a conta venha em nome dos mesmos.

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

O cu e a feira de Borba

A chamada “lei da burka” está a suscitar reacções inusitadas. Mesmo pessoas que se assumem como uma espécie de vanguarda da sociedade, uma linha avançada contra o obscurantismo, criaturas que se acham dotadas de mentes intelectualmente superiores, feministas militantes em particular e defensores dos direitos das mulheres em geral estão todos contra esta lei. O argumentário usado gira em torno de dois pontos. Um deles a comparação ridícula com trajes e vestimentas que por cá se usavam há cinquenta anos atrás ou, ainda mais ridículo, com gorros, cachecóis ou véus de noivas. Ou, mais aceitável, criticando a intromissão do Estado na forma como as mulheres se devem vestir quando saem à rua. Quanto ao primeiro argumento, parafraseando os próprios autores, se não percebem a diferença, o problema não está na fatiota, mas sim neles. Nomeadamente ao nível da cabecinha, coitados. Quanto ao segundo, o do Estado não ter nada de se meter na maneira de vestir das mulheres, estarei completamente de acordo quando se revoltarem, com igual indignação, contra aquela lei que proíbe as mulheres de andar na rua - ou, vá, pelo menos na praia - com as mamas ao léu.

domingo, 19 de outubro de 2025

Greves públicas, trabalhos privados

Um sindicato qualquer – da função pública, quem mais – já anunciou a realização de uma greve – à sexta-feira, claro – contra, entre outras coisas, o orçamento de estado para 2026. Aguardo, com pouca ansiedade, a presença dos sindicalistas de serviço para me explicarem qual o ponto em concreto – ou pontos, igualmente em concreto - que suscitam a sua discordância, ao ponto – lá está, aqui é que bate o ponto – de se sentirem na obrigação de convocar uma greve. Que é, ao que se dizia nos tempos em que eu ia a reuniões promovidas pelo sindicato, a última arma dos trabalhadores. Desde então já passaram quarenta e tal anos e de há muitos a esta parte parece-me que é mais a primeira arma do Partido Comunista.


Apesar da pouca sensatez desta greve – que, obviamente, não passa de uma prova de vida do PCP – ainda não chegámos, por cá, à maluqueira que assola outros países. Em Itália e Espanha, por exemplo, fizeram um dia de greve geral em solidariedade com a Palestina. Chamar-lhes malucos é capaz de ser pouco. Aquilo é mais uma alucinação colectiva. Algumas noticias dão conta de uma adesão, no país vizinho, de 40% entre os professores e pouco mais de 5% na saúde. Normal. São conhecidas as maleitas de que padecem os primeiros – lá como cá - e os segundos, se calhar, aproveitaram a greve pública para ganhar uns cobres no privado.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Um "Yukk" atrás de cada burka

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Por que raio há-de alguém, em seu perfeito juízo ou até mesmo fora dele, querer andar de cara tapada na rua? Fazê-lo não me parece uma opção muito inteligente. A não ser que se trate de uma criatura para lá de feia e que para preservar a paz e a tranquilidade pública se veja na necessidade de ocultar o rosto. Uma cena assim como a daquele cão - o Yukk - personagem de uns desenhos animados dos finais dos anos setenta, que era tão feio, mas tão feio, que apenas podia sair à rua com a cabeça enfiada dentro de uma casota. O canito era uma espécie de ajudante do super-herói seu dono e caçava os bandidos com o simples movimento de levantar a casota exibindo o focinho. Os patifes, coitados, desmaiavam de imediato perante a visão de tamanha fealdade. Episódios houve em que até os prédios desabavam.


Obviamente ninguém de bom senso deseja que uma coisa destas um dia se torne realidade. Mas isto, como o mundo está, nunca se sabe. Previdente, como sempre, a esquerda votou contra aquela ideia manhosa de não permitir caras tapadas no espaço público. Muito bem, camaradas. É esse o espírito. Nunca se sabe que camafeu se esconde atrás de uma burka.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Autárquicas – Os derrotados

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Derrotados houve muitos nas autárquicas de Domingo. Poucos o assumem, mas nem é preciso. Todos os partidos fazem questão de garantir que os adversários perderam. E os números, vitimas da mais atroz tortura, estão lá para confirmar o que calhar a ser a vontade de quem os usa. Vejamos a extensa lista de perdedores. O PS sofreu uma pesada derrota. Ou várias. A pior foi em Loures. O PSD também perdeu. Precisou de muletas para ganhar um número significativo de autarquias e noutras, por exemplo em Setúbal, ficámos sem saber se ganhou ou não. Se sim, se calhar melhor seria ter perdido. O Chega, alarvemente, anunciou que pretendia vencer em trinta municípios. Ganhou em três. É o que dá ter mais olhos que barriga. Mesmo assim, veremos se daqui por um ano ainda alguma se mantém em seu poder ou se os respectivos autarcas já foram pregar para outra freguesia. A IL e o Livre não contam para este campeonato. São mais uma espécie de empatas. O BE nem isso. Aquilo é pior do que a peçonha. Onde aparecem é derrota garantida.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Autárquicas - Os vencedores.

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Os números foram as principais vitimas das recentes eleições autárquicas. Coitados, foram torturados até à exaustão. De tal maneira que dizem o que todos querem que eles digam. Não há partido que não garanta que os números demonstram a sua vitória e, simultaneamente, evidenciam a derrota dos adversários. E é, mais ou menos, verdade. Se não vejamos. O PS ganhou porque foi o partido que, sozinho, teve mais votos e mais mandatos. O PSD ganhou porque obteve, sozinho ou em coligação, o maior número de presidência de Câmaras e, ao que alegam, as mais importantes. O Chega canta vitória porque antes não tinha nenhuma presidência e agora tem três, faltou pouco para ganhar mais meia-dúzia e aumentou em não sei quantos o número de mandatos. O PCP teve uma estrondosa vitória porque duplicou o número de votos face às legislativas de Maio. A IL multiplicou por três a quantidade de eleitos nos diversos órgãos autárquicos e tem agora um total de 275 eleitos. O Livre, não sei ao certo porquê, também consta que ganhou qualquer coisa. Se eles dizem não os vou contrariar. Não é coisa que se faça a pessoas com aquelas características. Aos do BE, justiça lhes seja feita não ouvi dizer que ganharam seja o que fosse. Era, também, o que mais faltava. Aquilo é uma espécie de barcaça a afundar. Não admira. Tem metido muita água ultimamente. Desconfio, até, que nem com ajuda humanitária lá vai.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Eles estão a gozar connosco, não estão?

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Noutros tempos cada aldeia tinha o seu maluquinho. Hoje os maluquinhos migraram para as cidades e tomaram conta do poder. Estão por todo o lado, mandam em tudo e ai de quem ousar discordar das suas ideias. Há, entre os maluquinhos que mandam nisto tudo, diversas variantes de maluquice. Uma delas é a climática. Primeiro convenceram-nos que teríamos de mudar para carros menos poluentes. Passámos a usar automóveis híbridos ou elétricos e dessa maneira reduzimos substancialmente o consumo de combustíveis fósseis. Situação que, obviamente, é muito desagradável para os maluquinhos dos impostos. Daí que a solução seja criar novos impostos que substituam os impostos que deixámos de pagar por termos seguido as ideias dos maluquinhos. Daqueles impostos que, dizem os maluquinhos, servem para proteger o ambiente. Assim nós não ousamos questionar as ideias dos maluquinhos para não passarmos por fascistas e gente sem preocupações com o futuro do planeta, da humanidade em geral e da Gretta em particular. Iremos, mais dia menos dia, pagar imposto por causa das partículas originadas pelo desgaste dos pneus e pelo uso dos travões dos automóveis. Dizem os maluquinhos que os pneus e as travagens mandam partículas até mais não para a atmosfera. E eu acredito, que não quero cá ser facho, ou lá o que chamam agora a quem não gosta de maluquinhos.


Suponho que a seguir virá um imposto sobre as pantufas, os xanatos e o calçado geral. Desgastam-se muito e, por isso, também devem mandar partículas com fartura. O que me espanta é que ainda não se tenham lembrado de criar um imposto sobre a flatulência. Isso também liberta partículas. Como não há cú que não largue traque, a felicidade dos maluquinhos dos impostos estaria garantida. Já os maluquinhos do clima pensariam na obrigação de cada um usar um filtro de partículas. Cuja utilização estaria, naturalmente, sujeita a imposto.

domingo, 12 de outubro de 2025

Gajas das causas e outros malucos

Ver alguém, no ocidente, defender seja o que for que se relacione com a ideologia islâmica – sim, é uma ideologia – é algo que está muito para além da minha compreensão. Pior ainda quando são mulheres a fazê-lo. E há muitas. Por mim, apesar de me causar repulsa, nojo e em menor escala alguma pena por quem evidencia um estado de saúde mental tão degradado pouco me importo que se entusiasmem com aquela doutrina. Não aceito é que a pretendem impor aos demais ou que façam daquilo em que acreditam verdades oficiais. Pratiquem o que quiserem dentro dos respectivos quintais. No espaço público manda a maioria e a maioria, por enquanto, ainda é gente decente.


Por falar em decência – e, também, na falta dela – continuo a aguardar que as feministas e todos os que enchem a boca com os direitos da mulher, a discriminação contra as mesmas e toda a restante retórica da moda se congratulem pela atribuição do Nobel da Paz a Maria Corina Machado. Se calhar é esperar demasiado destes mentecaptos. Mais depressa se congratulariam se tivesse sido atribuído ao líder terrorista que organizou o 7-10.


Diz que aquilo do genocídio já acabou. Esquisito, isso. É que continuam a chegar noticias de palestinianos exterminados sumaria e publicamente em Gaza. Como desta vez os genocidas são outros palestinianos, não deve ter importância nenhuma. Também quanto a este caso continuo a aguardar que os “frifri palestina” se congratulem pelo acordo de paz alcançado. Para eles constitui um aborrecimento, mas podiam disfarçar e fingir que estavam contentes. Nunca quiseram a paz, isso não lhe interessava nada, pelo que se o acordo se concretizar ficam sem motivo para continuar a guinchar, a partir coisas e a ofender quem não segue a manada. Arranjarão outros, rapidamente. O ódio cego que têm à nossa civilização e a vontade que manifestam da destruir – para substituir por outra onde eles serão as primeiras vitimas – depressa encontrará outro pretexto para continuarem a ser aquilo que são. Uns idiotas.


 


PS: A sério que houve alguém que justificou a necessidade de ir votar por causa do PRR?! Eh pá, internem o homem!

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Rata noitibó

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Esta ratazana passeava-se alegremente, ainda há escassos minutos, aqui pelas imediações. Cruzámo-nos durante a minha caminhada nocturna. Agora deu-me para isso. Para caminhar antes de ir para a caminha. Pelos vistos a ela também, à ratazana. Há quem não aprecie a sua presença. Por mim é como o outro, desde que não me incomode também não as aborreço. Têm tanto direito a viver neste planeta como a demais bicharada. E, diga-se, vivem bem. Morfes não lhes faltam, pois as maluquinhas dos gatos distribuem comida em proporções industriais por todo o lado. Aquilo dá para tudo o que tenha quatro patas assentes no chão. Ou mesmo menos. Só surpreende que, apesar da profusão de ração para gatos espalhada pela cidade, a população desta bicheza não seja muito superior. Por enquanto.

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Quando a falta de empatia estraga a narrativa

Detesto algumas palavras que se banalizaram no vocabulário político nos últimos anos. “Narrativa” e “empatia” são duas delas. Ambas, curiosamente, popularizadas por dois antigos líderes do Partido Socialista. Deve ser por isso que lhes tenho aversão. Mas, seja como for, admito que nas últimas duas semanas tem havido muito disso. De empatia na narrativa. Ou narrativa com muita empatia. Que é o mesmo, mas dito ao contrário.


Quem não esteve para empatias foi aquela alegada cigana que interpelou o André Ventura numa terriola qualquer. “Não gosto de ti, meu maluco” podia ser o resumo da interpelação, não fosse ter-se seguido a revelação – bombástica, dada a imprevisibilidade da declaração – do estado civil da senhora. Ou deverei dizer menina? Bom, não interessa. O que interessa é que aos cinquenta e dois anos mal conservados, garante que é solteira. E é aqui que a narrativa tropeça. Tanto quanto se sabe todos os ciganos que “casam” entre si são, para efeitos legais, solteiros.


Independentemente da situação matrimonial da criatura, o encontro espontâneo e meramente fortuito entre a cidadã e político até parecia estar a cumprir os objectivos. Fossem eles os que fossem. Mas nisto cada um vai para seu lado e a alegada cigana, virando-se para as câmaras de televisão que captavam avidamente a cena, remata: “Aqui ninguém gosta dele. Votamos todos no PSD”. Bolas, pá. Porra, cum camandro. Logo agora que aquilo estava a correr tão bem é que o raio da mulher foi estragar a narrativa. Que falta de empatia, pá.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Investimento piramidal

Parece que a Alemanha quer aumentar a idade da reforma para os setenta e três anos. Por curiosidade – mera coincidência, diria – é um dos países que mais imigrantes e refugiados recebeu nos últimos dez anos. Aquela malta que, supostamente, vem salvar a Segurança Social e, segundo o discurso da moda, pagar as nossas reformas. Para os alemães, pelos vistos, não serviram de nada. A menos que os especialistas especialmente especializados na endrominação do povo venha agora garantir que sem eles a idade da reforma teria de passar para os cem anos.
Entretanto os marroquinos que deram à costa no Algarve vão poder continuar por cá e contribuir activamente para o bem estar da segurança social. Enquanto isso, a segurança social já está a contribuir, também activamente, para o bem estar deles. É um investimento, dirão alguns. A mim, que desconfio de contas feitas por activistas, parece-me mais um esquema de pirâmide.

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Fri-fri palestaine

Não assinei a petição para que Israel não devolvesse a Mortágua. Fazê-lo era, obviamente, apenas alinhar na parte piadista da coisa pois o seu efeito seria nulo. Mas não. Mesmo assim não subscrevi a ideia de deixar lá a criatura. Os israelitas, apesar de tudo não merecem. A bem dizer ninguém merece. Malucos, já dizia a minha avó, cada um que ature os seus. Eles aturam os deles, nós aturamos os nossos. Parece-me justo.


Por falar em malucos. “Os fri-fri palestaine” estiveram particularmente activos no fim de semana. Invadiram uma estação de comboios e impediram a circulação dos mesmos. Prejudicaram com os seus actos tresloucados quem nada tinha a ver com os protestos, sem que tenham contribuído para resolver seja o que for. Embora isso pouco lhes importe. Aquela gentalha nem interessa que o conflito acabe. Se acabar é mais uma causa que perdem e menos um motivo que têm para exibir a sua estupidez. Neste ataque a esta infraestrutura publica – um crime público que nem necessita de denúncia para a justiça intervir – a policia limitou-se a assistir. Não é para isso que lhes pagamos, é para manter a ordem e isso foi coisa que não fizeram. Ou não lhes deixaram fazer. Dá igual.


Salta à vista, nestes movimentos “fri-fri palestaine”, que as pessoas envolvidas nestes protestos – para além de um aspecto físico deplorável, mau gosto na indumentária e acentuada indigência mental - são praticamente todas brancas. Quase não existem, pelo menos em Portugal, cidadãos de origem africana envolvidos nestes protestos. Porque será?

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Prometer é preciso...

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A minha paciência para ler programas eleitorais é muito escassa. Nem mesmo cá os da terra me suscitam especial atenção. Aquilo é, basicamente, tudo igual. Verdade que não há grande margem para inventar – já está quase tudo inventado - nem os eleitores destas paragens nutrem uma simpatia por aí além pelas ideias mais arrojadas. Coisas quase banais, como um teleférico até ao castelo ou algo verdadeiramente inovador a nível mundial, como um centro de acolhimento a investidores de outros planetas, não há quem se atreva a propor. O eleitor local gosta mais de ter os pés bem assentes na terra. É mais pelo alcatrão, portanto.


O melhorzinho que vi, no âmbito no âmbito dos comes e bebes, foi a criação do “Festival do tremoço”. Uma belíssima ideia, diga-se. Pena não terem aproveitado para incluir, já no âmbito desportivo, um torneio que envolva cuspir as cascas dos tremoços. Era uma espécie de dois em um. Que podia, até, ter várias variantes. Desde a distância a que a casca fosse cuspida até à pontaria evidenciada pelo acerto num alvo predeterminado. Ainda na temática das festividades, confesso que tive esperança de ver incluída num qualquer programa eleitoral a realização de um “Festival da Cannabis”, já que na região existem empresas que se dedicam ao cultivo da planta. Bolos, licores e o que mais a imaginação providenciasse trariam de certeza muita gente à cidade. Mas não. Nem isso. É o que dá o Bloco de Esquerda não ter candidato.


É por tudo isso que ao invés da leitura dos programas, prefiro ver os nomes e as fotos de todos os que integram as listas de candidatos aos diferentes órgãos. Especialmente os que estão para lá dos lugares elegíveis. Para ficar a conhecer desde já os novos colegas.

Contas enviesadas

Tenho manifesta dificuldade em acompanhar as conclusões de diversos estudos que, ciclicamente, vão sendo divulgados acerca das cenas mais variadas. Deve ser problema meu, admito, mas aquilo que uns estudiosos concluem contradiz o que, noutros estudos, concluíram outros especialistas que também estudam coisas.


De um desses trabalhos conclui-se que sem imigrantes seria necessário aumentar a carga fiscal em oito por cento. Se os estudiosos assim concluíram, obviamente, não sou eu que os vou desmentir. Eles é que estudaram. O que me inquieta é que outros estudos garantem que a imensa maioria dos imigrantes apenas ganha o SMN e muitos, ao que afirmam outros especialistas, nem isso. Logo não pagam IRS. Não falta também quem, após aturados estudos, tenha concluído que esse pagode gasta uma parte significativa do salário a pagar a renda dos locais onde vivem amontoados e outra a saldar a divida às máfias que os trouxeram para cá. Por outro lado a bandidagem não entregará nenhum imposto relativo aos valores extorquidos e os senhorios, ao que se conclui doutros estudos, nem sequer passam recibo das instalações que os acomodam. Se calhar são aqueles imigrantes que nós cá não queremos, os patifes que vem para cá comprar as casas que nos fazem falta para habitar ou aqueles com as profissões a quem dão logo direito a autorização que residência, que andam a ser explorados pelo fisco. Uma boa maneira de os integrar, diga-se.

terça-feira, 30 de setembro de 2025

Uma maçada, essa coisa dos votos...

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De acordo com a capa da edição impressa do jornal Público, essa grande referência do activismo jornalístico, as próximas eleições autárquicas serão as “mais difíceis da história da democracia”. Não sendo assinante da versão on-line do referido pasquim e a minha natureza pouco dada a gastar dinheiro em inutilidades, fico sem saber quais são os motivos que fundamentam o dramatismo da noticia.


Para a dificuldade inerente a este acto eleitoral, assim de repente, só me ocorre a eventualidade dos quadrados onde os eleitores colocam a cruz correspondente à sua opção de voto sejam significativamente mais pequenos. O que, concordo, constituiria um problema para criaturas como eu que já evidenciam uma manifesta dificuldade em lobrigar a curta distância.


Eleições em democracia nunca são um problema. Os resultados que delas saírem, também não. Sejam eles quais forem. Até porque não correremos o risco de suceder, ao contrário do que acontece noutras partes do mundo muito apreciadas pelo Público, de os vencedores se recusarem a abandonar o poder no final dos respectivos mandatos. Os eleitos que saírem vencedores desta eleição não agradarão a todos. Inclusivé, eventualmente, a mim. É a vida. Quem é como quem diz a democracia, ou lá o que se chama aquele regime onde os habitantes de um país escolhem livremente quem os governa.

domingo, 28 de setembro de 2025

Habitação é investimento. Sempre foi e sempre será.

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Tenho a ousadia de pensar que percebo alguma coisa do tema “habitação”. Assumo também que tenho a pretensão de ter algum conhecimento – ainda que vago, admito – acerca de impostos. Nomeadamente daqueles que tenho de pagar. Manias, mas isto cada um tem as suas e pouco há a fazer. Também não me custa nada admitir que muitos outros sabem bastante mais do que eu acerca destes dois assuntos. Tenho, até, humildade suficiente para reconhecer o meu incipiente conhecimento relativamente a estas temáticas – e respectivas solucionáticas – quando comparado com muitos criadores de conteúdos digitais, frequentadores de cafés e tudólogos que tudo sabem destes e de outros problemas.


Ao contrário dos inúmeros especialistas especialmente especializados na especialidade, consigo vislumbrar algumas virtudes nas medidas para a habitação. Quer do actual, quer do anterior governo. Até, no caso das mais recentes, consegui perceber que o conceito de “até 2300€” inclui as rendas de 400, 800, 1000 ou 1500€. Mais, cheguei mesmo à conclusão – e, espantosamente, sem a ajuda de ninguém – que este é o limite proposto para aplicação da taxa de 10% de IRS. O que tenho mais dificuldade em perceber – e isso, confesso a minha burrice, nem com ajuda lá chego – é o que tem o salário mínimo a ver com isto. Mas, diga-se em abono da minha incapacidade para compreender o argumento, quem o usa também não o sabe relacionar de forma lógica.


O problema da habitação não tem apenas uma causa. Quem não anda cá a “comer gelados com a testa”, identifica mais uma neste titulo do “Jornal de Noticias” de hoje.