Há, no Ocidente em geral e em Portugal em particular, uma devoção quase religiosa às proibições. Proibir tudo, de preferência aquilo de que não se gosta. As redes sociais são o exemplo do momento. Andam muitos a salivar pela sua interdição aos jovens e outros — os mais criativos no autoritarismo, diria — defendem mesmo a sua extinção. Percebe-se o entusiasmo. Informação é poder e a velha máxima de que “um homem informado vale por dois” constitui uma chatice para quem detém o poder e para aqueles que pretendem controlar a informação.
Um dos argumentos favoritos dos defensores das limitações — ou do abate sanitário — das redes sociais é a desinformação que por lá circula e o perigo que isso representa para a democracia. Um excelente argumento, reconheço. Seguindo essa lógica imaculada, o mais sensato seria começar a fechar tudo o que permita comunicação entre seres humanos. Ou, se a tarefa se revelar demasiado ciclópica, partir para a solução alternativa. Distribuir martelos e desatar à pancada em todo e qualquer dispositivo tecnológico. Algo ao estilo daquele visionário que decidiu escavacar televisões na Worten, numa espécie de performance pedagógica contra o mal.
Quando uma televisão pública, num programa supostamente educativo, afirma com ar doutoral que uma menina pode ter pilinha, não me parece que esteja a prestar um serviço exemplar à verdade. Está apenas a fazer o mesmo que qualquer borra-botas faz no seu mural do Trombasbook. Com a pequena diferença de ser paga por todos nós e de usar um cenário com melhor iluminação.
Cada um faz da sua vida o que muito bem entende. Agora, um meio de comunicação — do Estado, ainda por cima — não pode andar a propagandear bacoradas destas e, logo a seguir, discursar solenemente contra as fake news, a manipulação dos factos e a desinformação enquanto arma da extrema-direita. Por mim nada tenho contra quem se identifique, se isso o fizer sentir melhor, com um Tesla a combustão. A felicidade da criatura é legítima. No entanto a legitima felicidade da criatura jamais transformará odisparate em verdade.
Tens toda a razão e digo-te que a informação ou os comentadores muitas vezes é de espantar qualquer pessoa!
ResponderEliminarAs redes sociais podem, admito, ter dado o poder a alguns figurões, mas de certeza que já o tiraram a muits mais. E é isso que lhes dói...
ResponderEliminarCumprimentos