
Tenho dificuldade em perceber o alarido que por aí anda por causa da greve, supostamente geral, que o Partido Comunista resolveu promover na sequência de mais uma hecatombe eleitoral. Não será a última. Hecatombe, greve geral patrocinada pelos comunistas logo se verá. Mas, escrevia, não se justifica tamanho basqueiro. O país não vai parar e tudo aquilo que ainda vai funcionando nos outros dias também funcionará nesse. Quando muito meia dúzia dos poucos comunas que ainda restam poderão paralisar as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, impedindo muita gente, nomeadamente os mais pobres, de ir trabalhar. Ou seja, os do costume a prejudicar, como sempre, os que mais precisam. Nada que incomode os mentores destas iniciativas, que têm tanto apreço por quem trabalha como o Ventura pelos ciganos. No restante país a vida continuará, como sempre, indiferente aos entusiasmos revolucionários. Na instituição onde trabalho o único sinal de greve será, quando muito, a presença pela manhã de dois ou três sindicalistas à porta do edifício. E, mesmo assim, por pouco tempo que eles não são parvos e o sindicalismo não lhes põe o pão na mesa. Como dizia o outro: “a luta é muito bonita, mas convém ser só até à bucha. Depois tenho mais que fazer”.











