Uma criatura conhecida por mandar bitaites nas televisões terá feito, segundo a própria, um escarcéu numa padaria por lhe terem exigido o pagamento por via eletrónica de uma conta de cinquenta cêntimos, não aceitando que a cliente pagasse em metálico. A situação tem constituído motivo de chacota nas redes sociais, não faltando quem pretenda ridicularizar a senhora e todos aqueles que, veja-se o desplante, ainda insistem em usar essa coisa do dinheiro vivo quando têm ao seu dispor tantos outros meios de pagamento muito mais modernos. E também higiénicos, como alguns sublinham.
Terão todos muita razão. O combate à corrupção, à criminalidade, à fuga ao fisco e mais o que se queira pode, até, justificar muita coisa. O dinheiro digital, pela pegada que deixa atrás de si, será uma arma de extrema importância nessas lutas. Mal estaremos é se em nome disso acabarmos com o dinheiro físico. Nesse dia é a liberdade que está em causa. Os governos ficam com a possibilidade de fazerem o que quiserem com o dinheiro dos cidadãos e, no limite, de determinarem onde, quando e quanto podemos gastar o que é nosso.
Não faltam, ainda assim, adeptos da abolição do papel-moeda. Gente modernaça e com muitas preocupações sociais, fiscais e outras que tais. Provavelmente como pouca experiência de vida ou muito guito digital para gastar, também. Experimentem, então, chamar um canalizador para substituir aquela torneira que irritantemente não para de pingar, um electricista para trocar o interruptor que deixou de funcionar, um carpinteiro para trocar o puxador que se partiu ou outro especialista de outra especialidade qualquer. Quando chegar a hora do pagamento ele conta-lhes uma história. Se gostam de histórias, tudo bem. Eu, destas, dispenso-as.
























