Ouvir certas alminhas discorrer acerca do tratamento dispensado pelo SNS a duas gémeas brasileiras, nomeadamente quando os argumentos usados defendem a não existência de qualquer ilicitude ou irregularidade, fico com a sensação que há quem pense que Portugal tem obrigação de tratar da saúde de toda a população mundial. Mesmo daquela, como foi o caso, que no seu país vê recusada as suas pretensões. Até um padrecas qualquer veio, um destes dias, com uma converseta a legitimar a cunha, o tráfico de influências ou lá o que tenha havido que permitiu a naturalização das crianças em tempo que pulverizou os anteriores recordes e que permitiu um tratamento efectuado contra a vontade dos médicos. Tudo alegadamente e ao que é publico.
Mesmo aquele argumento de “ah e tal, são portuguesas e têm o mesmo direito que qualquer outro cidadão” é demasiado parvo para ser levado a sério. Principalmente quando, em qualquer parte do mundo é mais fácil adquirir a nacionalidade portuguesa do que comprar um pastel de nata em Portugal. Teremos assim, segundo alguns, o dever de acolher todos os que se querem cá tratar das suas maleitas e de todas as estrangeiras que cá querem vir parir. Quem assim opina reclama também das dificuldades do SNS e da maldita direita ultra-liberal que o quer destruir. Pois. Gente inteligente, esta. Tanto que ouvi-los faz-me ter saudades do tempo em que os animais não falavam.



















