Somos um povo de viciados em obras públicas. Por nós o país seria um estaleiro gigantesco, as nossas terras estariam permanentemente viradas do avesso e a maior parte de nós julga a competência dos autarcas pelo betão que espalharam no seu concelho. Mesmo que, como acontece na maioria das situações, a dita obra não sirva para outra coisa senão acrescentar encargos ao erário público e - dizem – rechear algumas contas bancárias. Ou malas de viagem.
A euforia eleva-se a patamares ainda mais elevados se em causa estiverem fundos comunitários. Não interessa para quê, o importante é sacar. Nem mesmo importa que o concelho esteja financeiramente nas lonas, sem dinheiro para fazer face, sequer, às despesas próprias do seu funcionamento. Há dinheiro, logo vamos gastar. Não temos? Não faz mal, a esmola que nos deram para sobreviver vamos, afinal, usá-la para coisas iguais aquelas que nos levaram à miséria. Nem que seja fazer buracos e voltar a tapá-los.
Deve ser mais ou menos isso que pensa o maluco que fez o comentário que acima reproduzo num blogue de uma terra onde autarcas desvairados fizeram dividas que todos nós, portugueses, seremos chamados a pagar. A criatura até sugere à actual sra presidenta lá do sitio – ao que consta de boas contas e à rasca com a calamidade deixada pelo antecessores – que use o dinheiro do FAM (uma espécie de FMI para os municípios) para as obras, sejam elas quais forem, que exige que a sua Câmara candidate a fundos comunitários. Mais ou menos a mesma coisa que o governo agarrar no dinheiro da troika e avançar com o TVG, o aeroporto da capital, a terceira autoestrada Lisboa-Porto, mais uma ponte sobre o Tejo e outras obras igualmente necessárias...







