Chegou o calor a sério e, com ele, a época de incêndios. O que suscita, como habitualmente, o costumeiro rol de acusações contra os malvados proprietários que não limpam os seu terrenos. Uns malandros, esses campónios, que deviam ser severamente punidos, garante a malta das cidades.
Ora aí, nisso da punição, é que bate o ponto. Era competências das Câmaras Municipais aplicar a multazinha a quem não procedesse à limpeza dos terrenos de sua propriedade. Era, mas já não é. E deixou de ser porque – diz – nunca ninguém foi multado. Por causa disso – a inoperância municipal - vai agora ser outra entidade qualquer a apresentar a conta a quem não tiver o mato devidamente cortado.
Por mais diligente que a nova autoridade se revele, é capaz de ser problemático encontrar a quem apresentar a multa. Muito me engano eu se, num número astronómico de casos, os proprietários não tiverem já quinado. E, bem assim, os herdeiros. E, às tantas, até os herdeiros dos herdeiros já se lhes juntaram. “Ah, e tal, multa-se a herança”. Pois, Deve ser, deve... Mas, ainda que assim seja, cobrar a “respectiva” é capaz de constituir outra dor de cabeça. O melhor para todos, parece-me, seria nessas circunstâncias o Estado ficar com o terreno. Assim uma espécie de reforma agrária. Era um alivio para os actuais “donos” e passava a andar tudo num “brinquinho”. Era um gosto ver. Aposto.












