domingo, 18 de maio de 2014

A versão socialista das gorduras do Estado


Ouvir o mais que provável futuro primeiro ministro garantir que a despesa não constitui um problema é motivo para alarme social. No mínimo. Uma revolta popular, quase. Pelo menos para aqueles que têm estado a pagar as consequências desse alegado não problema.
Admito que o homem tenha dito umas coisas simpáticas. Daquelas que qualquer eleitor gosta de ouvir. Até eu gostei. Nomeadamente aquela parte do vender património “não necessário”, apresentada como medida para conseguir mais receita que compense o fim da chamada “TSU dos pensionistas”. Deve ser uma espécie de gorduras do Estado em versão socialista. Ou seja, algo que ninguém sabe ao certo o que é mas que fica bem anunciar por ser do agrado geral.
Sugiro desde já que entre o património desnecessário, a vender pelos socialistas, se inclua este imóvel abandonado situado bem no centro de Estremoz. Ou seja demolido, caso nenhuma entidade PRIVADA manifeste interesse na sua aquisição. 

sábado, 17 de maio de 2014

Não é um adeus. É um até já.

Em consequência das loucuras que se seguiram ao 25 de Abril, nomeadamente com o governo do companheiro Vasco, o país teve de ser salvo da bancarrota em 1977. Como pouco ou nada se aprendeu com isso meia-dúzia de anos depois, em 1983, nova intervenção do FMI. Nos anos seguintes, com a adesão em 1986 à então CEE, chegaram ao país recursos financeiros nunca antes vistos. Os milhões foram tantos que nos anos seguintes não foi necessário pedir ajuda ao estrangeiro para pagar as contas. Até 2011. Quando a coisa rebentou pela terceira vez em trinta e sete anos. É obra.
Hoje a troika vai-se embora. Ou, pelo menos, acaba oficialmente o prazo estabelecido no memorando de entendimento que estabeleceu o plano de ajuda financeira. Mas, mais uma vez, nada aprendemos. Daí não serem precisos grandes dotes adivinhatórios para prever que mais uns cinco ou seis anitos temo-los cá outra vez. Só que, ao contrário de agora, vai ser à séria. Porque, por mais que o pessoal se queixe, isto não passou de um ajustamento insignificante em que os sacrifícios dos que mantiveram o emprego foram praticamente irrelevantes. Duvido que então, no final da próxima intervenção, uma reformada de setenta anos possa ir de férias para Punta Cana...Como vai agora, apesar do que para aí se diz que têm feito aos idosos.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Depois vão chorar para o aeroporto...

À segunda investida do governo Cavaco não resistiu e promulgou a lei que rouba mais um por cento ao vencimento dos funcionários públicos. Assim, a partir do próximo mês, centenas de milhares de portugueses vão ver o seu poder de compra e, consequentemente a sua qualidade de vida, ainda mais reduzidos. O irónico da coisa é que isso acontece enquanto o governo festeja a partida da troika e anuncia as maravilhas que aí vêm com a suposta recuperação da soberania nacional.
O aumento da contribuição dos trabalhadores do Estado para os sistemas de saúde terá sido das medidas mais fáceis de tomar pelo executivo. É popular. Tudo o que prejudique os funcionários públicos agrada à população em geral, mas no caso da ADSE é assim tipo a cereja em cima do bolo. A populaça delira. O pior é se os funcionários mais jovens, os que se achem mais saudáveis e os que ganham mais, resolverem deixar de descontar para aquele sistema de saúde. Afinal sempre têm o SNS como todos os outros portugueses. Claro que depois hão-de surgir os piegas do costume a chorar baba e ranho pela partida dos jovens profissionais de saúde altamente qualificados. Mas disso – as chamadas lágrimas de crocodilo – já estou mais que farto. 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Remate kruzado

Tudo o que ontem podia correr mal ao Benfica, correu. A equipa terá feito, muito provavelmente, a pior exibição da época, o árbitro errou que nem o Pedro Proença quando apita o SLB, o Jorge Jesus parecia o Paulo Fonseca e alguns jogadores do Glorioso exibiram-se ao nível do que fizeram esta temporada a maioria dos seus congéneres do FC Porto. Foi essa estranha conjugação de factores que permitiu ao Sevilha - uma equipa sem classe onde são titulares jogadores que nem para o Sporting serviam - levar a taça para casa.
Foi apenas um jogo de futebol. Nada, convenhamos, de muito relevante. Coisa que pouco tem a ver com maldições, também. E que, sobretudo, dispensa hipocrisias. Daí achar deplorável e um atentado à inteligência as sucessivas e constantes referências a uma alegada maldição supostamente lançada, há mais de cinquenta anos, por um treinador que há muito tempo está a fazer tijolo. O mesmo que, recorde-se, afiançava que o Benfica não tinha cú para duas cadeiras, pretendendo justificar a incapacidade da equipa que liderava em lutar simultaneamente por uma prova europeia e pelo campeonato. Parece que afinal não é bem assim e as duas últimas épocas demonstraram-no. Assim como outras já muito depois do tal húngaro ter deixado o Glorioso. Mas isso parece importar pouco a quem tem por obrigação de, até por razões profissionais, contar a história toda e não apenas a parte que dá jeito.
Compreendo todos os que exultam com a derrota do Benfica. As muitas derrotas do Sporting e os recentes desaires do Porto também me deixam profundamente agradado. Tenho até, nesse âmbito, tido muitas alegrias. E para justificar a satisfação que me dão nem preciso de argumentar – como alguns totós andam por aí a fazer – com os portugueses que integram a equipa adversária. Gosto apenas que percam. Porque sim.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Um escândalo isso de entregar as terras aos donos...

Os populares são aqueles seres que as televisões descobrem, normalmente em ajuntamentos, e a quem gostam de estender o microfone para nos proporcionarem momentos de diversão. Emitem, por norma, opiniões que não interessam a ninguém mas a hilaridade que provocam compensa o desinteresse das mesmas.
Hoje, num telejornal qualquer, foi um popular já velhote a ter o seu momento de fama. Durante a acção de campanha do Bloco de Esquerda realizada em Évora manifestou, junto da jovem candidata, a sua indignação por “esses malandros”, entre os quais o Cavaco ao que me pareceu, terem “entregue as terras aos donos”.
Ora a intervenção deste popular contraria o que antes escrevi acerca da falta de interesse das conversas dos populares que se gostam de juntar aos magotes. Nomeadamente na parte em que lastima que tenham “entregue as terras aos donos”. Esta declaração, dita assim na televisão por um popular indignado, constitui, diria, um documento histórico que devia ser exibido sempre que se exaltam os tempos que se seguiram ao 25 de Abril. Só para alguns ficarem a saber que nem tudo foram cravos e que agora nem tudo são espinhos. 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Um dia destes ainda vão oferecer o cú...



Há muitas maneiras de fazer politica e cada um pratica a que lhe parece que rende mais votos. A distribuição de coisas pelo eleitorado – electrodomésticos, tijolos, subsídios ou empregos – costuma resultar. Contudo o povo, apesar de continuar a ser parvo, é cada vez mais exigente e já não se contenta apenas com as ofertas próprias dos períodos eleitorais. Quer mais. Daí a prática continuada de distribuir presentes aos eleitores durante todo o mandato. Por mais irrelevantes e bacocas que se revelem as ofertas. 

domingo, 11 de maio de 2014

O BE regressou ao passado. Bom, se calhar nunca de lá saiu...

Provavelmente com saudades do PREC o Bloco de Esquerda resolveu fazer uma espécie de viagem no tempo ocupando um edifício devoluto em Lisboa. Este regresso a um dos períodos mais trágicos da história recente portuguesa mereceu, sabe-se lá porquê, o entusiasmo de uns quantos ignorantes que, por diversas formas, têm manifestado o seu regozijo por esta acção ilegal e, talvez, até passível de ser considerada como criminosa.
As casas, por mais difícil que este conceito seja de entender para certa malta, são propriedade de pessoas. Que podem fazer delas o que entenderem. Desde que isso, como é óbvio, não colida com a lei. Acredito, no entanto, que manter um prédio devoluto não será uma opção comum entre os proprietários dado que manter um activo sem produzir riqueza é uma escolha manifestamente parva. Quase tão parva como a opinião que reproduzo acima e que recolhi entre as muitas que hoje se podem ler no facecoiso e nas caixas de comentários de alguns jornais onde o assunto é comentado.
Toda a gente concordará que a existência de inúmeros prédios vazios, nas cidades e não só, é hoje um dos maiores problemas que se coloca em termos urbanos. Mas, por muito que isso custe a aceitar a alguns, os proprietários são as maiores vitimas dessa situação.

sábado, 10 de maio de 2014

Couve da crise



Esta couve nasceu por acaso entre as pedras do meu quintal. Um local pouco provável, inapropriado até, para qualquer vegetal medrar. Apesar disso cresceu e ficou com o aspecto que a imagem mostra. Mas isso foi um dia destes. Poucas horas depois estava na panela a fazer companhia a outras couves suas irmãs. 

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Meninos birrentos

A ameaça de novo aumento de impostos caso o Constitucional declare inconstitucionais os cortes nos vencimentos dos funcionários públicos, feita hoje pelo Parvus Coelho, está a merecer um imenso coro de criticas. Por mim sinto-me dividido. Em várias partes, até. Por um lado aprecio a atitude do primeiro ministro, mesmo em vésperas de eleições, em deixar claro o que tenciona fazer caso veja a sua medida chumbada. Por outro considero deplorável que não se lembre de mais nada. Ele que esteja atento – como, aliás, lhe compete - ao que os diversos serviços públicos andam a esturrar e talvez lhe ocorra qualquer coisa. Por último desagrada-me a chantagem que se pretende exercer sobre o Tribunal. Coisa quase do tipo de uma birra de criança mimada.
Também os críticos – outras crianças igualmente mimadas - me merecem um reparo. Apresentem alternativas, porra. Insurjam-se contra os palhaços que não pedem factura e que, com esse comportamento, contribuem para que os impostos não parem de subir e que os vencimentos e reformas não deixem de cair. Ou então vão bardamerda.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Sem vocês, grandes javardos, este blogue não era a mesma coisa.

Pouco – nada, a bem dizer – tenho para acrescentar a tudo o que ao longo de todos estes anos de blogosfera publiquei acerca da javardice da malta que se acha no direito de, através do seu bichinho de estimação, conspurcar o espaço comum. No entanto o bando de javardolas não me dá descanso. Parece, até, que me perseguem. Para onde quer que vá o que não falta é merda de cão e gente porca a atravessar-se no meu caminho.
Por tudo isso é da mais elementar justiça deixar aqui um grande bem-haja aos que insistem em contribuir para arranjar matéria para este blogue. Considerem-se, todos, colaboradores do Kruzes Kanhoto.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

LCPA - Uma lei que só serve para aborrecer.


A Lei dos Compromissos e dos Pagamentos em Atraso visava, no essencial, impedir que as entidades públicas – municípios incluídos – não assumissem encargos para os quais não tivessem fundos disponíveis. Que é como quem diz, meios financeiros para regularizar esses encargos no prazo máximo de noventa dias.
Dois anos depois ainda há instituições – autarquias, empresas publicas e administração central – que não cumprem a lei. Sem que, pelo menos de forma conhecida, nenhuma das sanções mais ou menos rigorosas nela prevista seja aplicada aos infractores. Até parece que essa coisa do rigor orçamental e do equilíbrio das contas públicas não é para todos.
O cumprimento rigoroso desta lei impediria, tenho a certeza, o esbanjamento de muitos milhões de euros. Os suficientes, talvez, para evitar o não aumento de impostos que nos vai entrar na algibeira já em Janeiro de 2015. Isto porque o mapa divulgado apenas se refere aos valores iniciais. Se, pelo contrário, fossem tidos em conta os resultados no fim do mês o número de incumpridores seria muito, mas mesmo muito, superior.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Os órfãos do comunismo acham que vão ser adoptados...

A política internacional não é assunto que se inclua no top 100 das minhas preocupações. Daí que, confesso, não esteja particularmente bem informado acerca do conflito que envolve a Ucrânia e a Rússia. Mas, presumo, deve ser coisa importante. Isto a creditar no que se tem escrito em alguns blogues situados mais à esquerda do panorama blogosférico nacional. Nesses espaços é latente o entusiasmo com as actividades, alegadamente heróicas e anti-fascistas, das forças pró-russas e, simultaneamente, um ódio visceral para com o lado ucraniano. Nazis da pior espécie, ao que relatam.
Por mais que me esforce não consigo descortinar motivos para qualquer destes sentimentos. Nomeadamente no que se refere ao apreço demonstrado perante o novo expansionismo russo. Acredito que queiram ver ali uma espécie de renascimento dos ideais comunistas de outros tempos. Esqueçam lá isso. A União Soviética não volta. Por mais difícil de aceitar que tal facto seja para uns quantos saudosistas do império do mal. O Putin pode estar ansioso por alargar as suas fronteiras, mas gosta tanto de comunistas como eu do Sócrates ou do Passos Coelho. Provavelmente um pouco menos, até. E os russos que habitam as ex-repúblicas soviéticas apenas querem uma vida - daquela ao estilo ocidental e capitalista - melhor do que a que os países onde vivem têm para lhes oferecer. De comunismo ficou a imensa maioria mais que farta.

domingo, 4 de maio de 2014

Prazo médio de pagamento dos municípios portugueses



A entidade governamental responsável pela área autárquica acaba de divulgar o prazo médio de pagamento, em 31 de Dezembro de 2013, dos municípios portugueses. Esta informação vale o que vale e, em minha opinião, vale pouco. Ainda assim a persistente permanência, em trimestres sucessivos, de alguns municípios nos lugares cimeiros da tabela quererá, forçosamente, dizer alguma coisa acerca da gestão que por lá se pratica. A lista completa pode ser consultada aqui.

sábado, 3 de maio de 2014

Melões há muitos. E de todas as cores.

Sou benfiquista e isso me envaidece. No entanto apenas muito raramente por aqui deixo uma ou outra manifestação da alegria ou da tristeza que me invade a alma por causa das vitórias ou das derrotas do glorioso. Isto porque falar ou escrever de forma racional sobre futebol está ao alcance de poucos. E eu, reconheço, não estou incluído nesse número.
Seria, porém, de esperar que quem não gosta do desporto-rei usasse de mais alguma racionalidade quando disserta sobre ele. Coisa que, frequentemente, não acontece. Veja-se tudo o que tem sido escrito e dito a propósito das comemorações do titulo de campeão pelos adeptos do Benfica. Nomeadamente os lamentos de certa malta pela massiva adesão popular a estes festejos quando, alegam, as pessoas que nelas participam se revelam incapazes de se juntar às manifestações de protesto contra o governo.
Parece difícil de perceber a essa gentinha – que discursa do alto da sua auto-proclamada superioridade intelectual - que uma coisa nada tem a ver com a outra. Daí ser, para mim, difícil de entender o incomodo. Até porque no Marquês, uma praça pequenita, não estariam mais, segundo as televisões, de vinte mil pessoas. Já no gigantesco largo frente à escadaria da Assembleia da Republica é costume a CGTP e o Partido Comunista contarem, pelo menos, sessenta mil manifestantes. Perante uma disparidade destas nem sei do que se queixam...

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Mais esquemas manhosos. Alegadamente, como é óbvio.


Os esquemas da restauração não se ficarão - alegadamente, claro – pela questão fiscal. Haverá, ao que soa, igualmente alguns estratagemas manhosos destinados a reduzir custos. Para um deles chamaram-me recentemente a atenção e terá ver com as garrafas de água vendidas e consumidas nos restaurantes. Embora tenha a mania que sou bom a observar coisas nunca tinha reparado que quando pedimos uma agua, na esmagadora maioria das ocasiões, o empregado abre de imediato a garrafa. Isto para - alegadamente, porque eu nunca dei por nada - não nos darmos conta que o recipiente não estará devidamente selado. Ao que se diz, o “negócio” será comprar embalagens de cinco litros - substancialmente mais baratas - e depois encher as garrafitas que se vão vender ao cliente. Tudo isto alegadamente, reitero. Até porque destas hipotéticas falcatruas nunca dei conta. Mas se com a água poderá ser assim, nem quero imaginar o resto...

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Mais um javardola!

Um cão a cagar na praia constitui um óptimo cartaz turístico. Nem entendo por que raio a entidade que tem a seu cargo a promoção do turismo nacional não a usa. Seria, de certeza, um sucesso e constituiria mais um motivo para trazer até nós turistas aos milhões. Deve ser isso que pensam alguns habitantes javardolas da localidade onde tirei esta fotografia. Ainda não devem ter percebido que o seu modo de vida só será sustentável se souberem preservar o que de bom por lá existe. Será que custa assim tanto?!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

N-ã-o h-á d-i-n-h-e-i-r-o. Percebem agora?!

Por em 2012 ter excedido o limite de endividamento, o Município de Vila Viçosa vai perder mais de 20.000 euros todos os meses até perfazer 188.485 euros. O valor que o executivo de então se endividou a mais do que legalmente lhe era permitido. Não é caso único. Outros municípios foram colocados na mesma situação por autarcas que pouco ligam a essa coisa das leis. Nomeadamente àquelas que os obrigam a gerir ajuizadamente o dinheiro que, ao contrário daquilo que pensam, não é deles.
O mundo mudou. Mas, infelizmente, poucos parecem perceber isso. Hoje não há no país recursos financeiros para continuar o desvario em que vivemos durante muitos anos. Por mais que autarcas, funcionários e habituais clientes dos cofres municipais se esforcem por não entender.

terça-feira, 29 de abril de 2014

E depois disto vai continuar a não pedir factura com NIF?

Tal como um comentador deste blogue aqui tinha escrito, a restauração – e outros sectores, provavelmente, também - está a dar a volta aos programas de facturação. O esquema será, alegadamente, simples. É tudo registado e facturado mas ao final do dia, quando se fecha a caixa, corre-se um software que permite excluir as facturas que entretanto foram emitidas.
Este procedimento – criminoso, diga-se - evita que o iva pago pelos clientes seja entregue ao Estado. Um café, por exemplo, que custa sessenta cêntimos tem incorporado no preço onze cêntimos de IVA que, naturalmente, não é dinheiro do comerciante mas sim um imposto pago pelo cliente e que terá de ser entregue à Autoridade Tributária. Não sendo é evidente que estamos perante uma apropriação indevida do dinheiro pago pelo consumidor.
Claro que os taberneiros apenas apagam as facturas sem NIF. Não são parvos e, obviamente, não vão arriscar apagar as outras. É que quem pediu factura com número de contribuinte pode sempre regista-las se estas não aparecerem no seu espaço pessoal do e-factura. Mas isso, a julgar pelos comentários que vou lendo e ouvindo, para muitos portugueses ainda parece constituir um reprovável acto de delação.
Não me surpreende que, quem pode, faça tudo para fugir ao fisco. Está no ADN dos povos atrasados do sul da Europa. O que me espanta é a condescendência com que nós, os que pagamos impostos e os que são vitimas dos cortes do Estado, encaramos o facto. Temos uma estranha dificuldade em perceber que somos nós que estamos a ser roubados.
Exigir factura com NIF é a única maneira de não ser cúmplice de um crime. Por mim peço sempre. É que, no meu modesto entender, só assim terei “boca para falar” quando reclamo das malfeitorias dos governos e das troikas desta vida. E chamem-me o que quiserem. Bufo, pide, fiscal e o que mais se lembrarem. Otário, não serei de certeza. 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

O melhor é fechar dois terços do país e deitar a chave fora.

Vem aí mais uma leva de encerramentos de serviços públicos. Escolas, repartições de finanças e serviços hospitalares. Entre outros. Vai tudo a eito.
No Alentejo não sobejam muitas mais escolas para fechar. Só resta uma ou outra aldeia que ainda mantém a sua escola primária com uma dúzia de alunos. Às vezes nem isso.
Finanças fecham quase todas. Provavelmente, nos três distritos alentejanos, vão chegar os dedos das mãos para contar todas as que irão manter as portas abertas.
Maternidades, parece, vão encerrar as dos hospitais de Portalegre e Beja. Quem quiser parir terá de o fazer em Évora. Ou então que faça em casa, assistida pela comadre como acontecia noutros tempos.
Obviamente que os serviços públicos custam dinheiro. Muito. Verdade também que os contribuintes terão pouca disponibilidade para pagar mais impostos que permitam manter toda a estrutura do aparelho do Estado tal como a conhecíamos. Mas não é menos verdade que portugueses que ficam mais distantes de serviços essenciais deviam pagar menos impostos. Até porque, se são tão poucos que não se justifica a manutenção desses serviços, a quebra da receita fiscal também não será assim tão significativa.
Ah, pois, mas é capaz de haver um problema. Dois, quase de certeza. O governo não quer e a constituição não permite um tratamento fiscal diferenciado entre cidadãos em função de critérios como o local de residência. É que isto de sermos todos iguais – quer perante quem nos governa quer perante a chamada lei fundamental - é uma grande treta.

domingo, 27 de abril de 2014

O 25 de Abril de 1974 foi uma coisa muito linda. Merecia era um bocadinho de mais respeito e de menos baboseiras

Ainda bem que esta quadra festiva do 25 de Abril já passou. A pachorra para ler e ouvir tanta baboseira acerca desta data estava mais que esgotada. Principalmente quando os autores das tiradas, como sucedeu relativamente à maior parte das alarvidades, têm tanto conhecimento do que foram aqueles tempos como eu de cozinha tchetchena.
Sucederam-se durante estes dias as comparações entre o que é o país agora e o que era em 1974. É, obviamente, muito diferente. Teria, forçosamente, de ser. Fossem quais fossem as circunstâncias. Até porque há muito, com golpe de Estado ou com uma transição à espanhola, que nos teríamos livrado do regime anterior.
Uma das comparações mais idiotas entre o antes e o agora foram as vias de comunicação. Nomeadamente a magnifica rede de estradas e auto-estradas de que, hoje, o país está dotado em contraste com o que havia naquele tempo. Culpar os capitães de Abril por isso acho manifestamente injusto. Prefiro responsabilizar o Ferreira do Amaral, o Cravinho, o Guterres, o Cavaco e o Sócrates por essa desgraça que agora estamos a pagar. Entre outros. Senão também terei de atribuir culpas ao 25 de Abril por na minha terra já não existir, como antes, um hospital. Com, inclusivamente, maternidade. Ou por o comboio já não passar por aqui. Ou por ter perdido metade da população.
Naturalmente que tudo é comparável. Atribuir a razão de todas as diferenças a um acontecimento como o 25 de Abril é que é parvo. Ou, então, simplesmente fruto da ignorância.

sábado, 26 de abril de 2014

Gajas nuas na praia?! Nem pensar. Já cães não faz mal nenhum.


Que as pessoas – o javardo da camisola branca na foto, por exemplo - queiram ser iguais aos seus cães ou que os cães sejam iguais a eles é coisa que me importa pouco. Nada, até. Agora que pretendam impor esse parvo conceito de vida aos outros – a mim, nomeadamente – já é outra conversa. Levar a canzoada para a praia é, para além de proibido, algo que alguém dotado do mínimo de senso comum não devia fazer. Nem é preciso explicar porquê. Mas vá lá fazer entender isso a certos cabeçudos. Ou aquilo a que convencionámos chamar autoridades. Se estivesse ali alguém todo nú, isso sim, é que era motivo para aplicação de uma coima. Aliás, toda a gente sabe que gajas nuas numa praia representam um perigo muito maior para os restantes utilizadores do que qualquer saco de pulgas que por ali seja passeado. 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Calimeros de Abril

Este comentário a um post publicado aqui no Kruzes, acerca do incomodo revelado por alguns comerciantes na hora de passar factura com NIF, é de deveras pertinente e suscita uma questão para a qual a generalidade dos portugueses não está devidamente atenta. É que isso da cidadania não é, ao contrário dos que enchem a boca com “Abril” pretendem fazer crer, apenas para os direitos mas, em idêntica proporção, também para os deveres.
Gozem, ignorem e continuem a choramingar os cortes nas reformas, nos vencimentos, do IRS demasiado elevado e a lamentar a ganancia dos mercados. Esses malandros. Que por acaso até são, em grande parte, a segurança social que paga as vossas reformas ou o banco que gere a vossa poupança. Enquanto formos condescendentes com os que vivem nas margens da legalidade e nos recusarmos a exercer, de facto, a cidadania apenas teremos o que merecemos. Apesar de Abril e de Novembro.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Trambalazanas Free


Tal como era expectável o tal negócio de que há mais de dois anos se falava na Internet deu o berro. A bem dizer a coisa nem era bem um negócio. Era mais um esquema. Manhoso, por sinal. Como geralmente acontece nestas actividades terá sido óptimo para os primeiros, bom para os espertos e tramado para a maioria. Os parvos. Os que pensam que a vida se ganha facilmente. Quanto a estes recuso-me a manifestar qualquer espécie de solidariedade ou compreensão para com o momento difícil que, acredito, estejam a passar em termos financeiros em consequência da aposta que fizeram neste esquema. Tenham paciência mas é preciso ser um grande trambalazanas para, além de gastar todas as economias, recorrer ao crédito para se meter nesta coisa dos não sei quantos free. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Não gostam de porco? Comam as batatas...


Tal como temiam todos os democratas – os de cá e os de lá - as nefastas consequências da conquista de algumas câmaras municipais, pela Frente Nacional já se começam a fazer sentir. Nomeadamente no que toca aos menus servidos nos refeitórios das escolas públicas. Parece que, para agradar aos muçulmanos, a carne de porco estava excluída das refeições fornecidas aos alunos. De ora em diante, diz, vai deixar de ser assim. Há que garantir a laicidade do ensino. E isso da laicidade não se aplica apenas aos crucifixos, cuja retirada das escolas portuguesas foi muito – e bem – defendida pelos partidos de esquerda. Também serve para os morfes. Afinal, bem vistas as coisas, as diferenças entre a Frente Nacional lá da França e as nossas esquerdas não são assim tão grandes. 

domingo, 20 de abril de 2014

Estacionamento tuga

Lugar para estacionar é coisa que não falta na zona da estação dos autocarros cá do sitio. É uma área moderna, com parques por todo o lado e passeios largos. Arejada, como diria o outro que tinha a mania que era comentador desportivo.
Ainda assim, para o tuga que se preza, parece não chegar. Daí a necessidade de aparcar o carro mesmo, mas mesmo, à porta do do tasco. Nem, de certeza, a mine que foi emborcar lhe saberia tão bem se tivesse deixado a porra do chaço no sitio devido.
Para os que não conhecem, o bar fica na esquina e a viatura está, no máximo, a dois metros da esplanada.

sábado, 19 de abril de 2014

Oferece-se cão?!

Não tenho por hábito andar por aí a surripiar coisas. Nem, sequer, textos de outros bloggers. Prática que, diga-se, acho condenável. Mas a este não resisto. E se não coloco o link é porque a gaja que tem a mania, assim se auto-denominava a autora da prosa, há muito tempo que fechou o blogue. Onde, lamentavelmente, apenas escreveu três posts. A julgar pela amostra, a coisa prometia.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

"Liberdade é também... quando uma gaja se vem!"

Todos os anos por esta altura se fazem nas televisões, nas rádios, nos jornais e nos blogues grandes e pequenas dissertações sobre o antes e o depois do 25 de Abril. Por norma enaltece-se a liberdade que antes não havia, reafirma-se a infelicidade, a tristeza e o cinzentismo com que então se vivia e, no meio de uns quantos lugares comuns, salienta-se a beleza de uma “revolução” que, da noite para o dia tudo alterou. Pelo meio, como se fossem verdades absolutas, dizem-se e escrevem-se uns quantos disparates. Vindos, principalmente, daqueles que à época ainda não eram nascidos mas que por terem lido umas coisas sobre o assunto se acham donos da verdade histórica.
Pena que, por norma, se esqueçam dois temas marcantes. A guerra colonial, antes do 25 de Abril, e a tentativa de implementação de uma ditadura comunista logo a seguir ao golpe de Estado. O primeiro porque era, mais do que tudo o resto, a preocupação da esmagadora maioria das pessoas. Praticamente não havia ninguém que não tivesse um familiar ou amigo nas colónias. Por muito que isso custe a muita gente, na altura, qualquer mãe estava muito mais preocupada com a guerra do que por não poder ir a Badajoz comprar caramelos sem autorização do marido. Não admira, por isso, que o fim do conflito militar tenha sido considerado por quase todos como a principal conquista de Abril.
Não deixa, também, de ser estranho que ainda hoje se procure branquear a sucessão de acontecimentos, vulgarmente conhecida por PREC, que se seguiram à revolução dos cravos. Houve quem quisesse impor outra ditadura aos portugueses mas, vá lá saber-se porquê, parece que existe medo de tocar no assunto. Prenderam-se pessoas, roubaram-se bens, destruiu-se o tecido produtivo e descapitalizou-se o país. Se nos escapámos de pior podemos agradecer ao Mário Soares e ao Partido Socialista. Foi, ao que me lembro, a última coisa de jeito que fizeram pelos portugueses.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Factura da sorte

Está quase aí o primeiro sorteio “Factura da sorte”. Lamentavelmente apenas tenho 25 cupões. Comprei pouco e barato, que sou pouco dado a essas coisas do consumismo.
Com um número tão reduzido de cupões e o azar que tenho ao jogo, o Audi há-de sair a outro que não a mim. Mas, desde já, manifesto toda a disponibilidade para socorrer o desgraçado a quem sair. O infeliz que tenha a pouca sorte de lhe sair o carro pode – e deve – contactar-me. Estou cá para o ajudar. Pode entregar-me a viatura que, em sinal de reconhecimento, pago-lhe um cafézinho. 

terça-feira, 15 de abril de 2014

Cidadão exemplar

Isto do Estado Social e dos apoios sociais tem muito que se lhe diga. Há-os de todas as espécies, para todas as circunstâncias. Até para as mais inusitadas. Só um individuo, segundo noticia o Diário de Noticias, estará a beneficiar de apoio judiciário por parte de cento e quarenta advogados. Pagos Segurança Social porque o dito cujo não terá condições económicas para contratar quem o defenda.
Não vou defender o abate sumário do espécime em questão. Nem, sequer, considerar que se trata de um parasita que há muito devia ter sido erradicado. Longe de mim pensar em fazê-lo. Se ousasse ir por esse caminho ao ser em questão depressa seria disponibilizado o centésimo quadragésimo primeiro causidico que, certamente, trataria de me processar por difamação, intolerância ou qualquer outro desses crimes modernaços paridos pela ditadura do politicamente correcto.
Duas coisas, apenas duas, me atormentam. A primeira é que ninguém ainda se tenha lembrado de pôr cobro a isto. Principalmente quando tanto se fala em gorduras do Estado. Isto, não há como discordar, é do mais gorduroso que há. A outra é a dificuldade que certa intelectualidade tem em aceitar que estes casos existem, que são muitos mais do que aquilo se se vai conhecendo e que não têm um peso assim tão negligenciável como querem fazer crer. 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Desculpem qualquer coisinha...mas o que é que querem, eu também não gosto de pagar impostos!

Ontem, por volta da uma da tarde, um determinado estabelecimento comercial da área da restauração estava cheio. Repleto de clientes que, um a um, iam pagando os morfes que devorariam uns minutos depois no recesso de seus lares. O décimo freguês – o único chato que por ali se encontrava – pede factura com número de contribuinte. A funcionária arregala os olhos, engana-se sucessivas vezes, justifica a falta de prática por ninguém pedir factura com número de contribuinte e os restantes clientes impacientam-se com a demora. Culpa-se a máquina, a burocracia, as finanças mais essa parvoíce do carro e, mal o gajo que pediu a factura cruze a porta em direcção à rua, o paspalhão armado em bufo que tem a mania de se armar em fiscal. Ou pide. Ou outra coisa qualquer igualmente reprovável do ponto de vista dos labregos que se ufanam de não alinhar nessa coisa das facturas.
Por esta altura já quem me lê terá identificado o gajo que pediu a factura. Eu, obviamente. Que pouco me importo com os incómodos dos outros. Principalmente daqueles que enchem a boca de “cidadania” e outros conceitos manhosos, mas que, quando toca a exercê-la naquilo que realmente importa, preferem ficar do lado de quem se esquiva ao cumprimento dos deveres de cidadão.