sexta-feira, 21 de junho de 2013

Os manifestantes brasileiros são uns perigosos reaccionários


A Esquerda não nutre particular apreço pelas manifestações que estão a levar para a rua milhares de brasileiros. Logo agora que estava tudo a correr tão bem lá pelo país dos dilmos. Investimento público de muitíssimos milhões, nomeadamente em estádios de futebol e infraestruturas para os jogos olímpicos, com a consequente criação de postos de trabalho no sector da construção, e, mesmo assim, o povo não está satisfeito?! Uns mal-agradecidos! Ou então são todos de direita e deviam ser severamente punidos. Que isto a democracia é muito bonita, as reivindicações populares também, mas apenas quando são os movimentos e os partidos de esquerda a organizar a coisa quando, como cá, se trata de pagar a conta da festança. 

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Cavaco, o apressado.


Não percebo porque se surpreendem com a rapidez estonteante do presidente na promulgação da lei relativa ao pagamento dos subsídios de férias. A sério. Cavaco estará, apenas, a ser coerente. Ele terá querido acautelar que o subsidio de férias a que tem direito enquanto pensionista não lhe vai ser pago em Julho. Estará a guardá-lo para Novembro. E, do seu ponto de vista, faz bem. Não vá faltar-lhe o dinheiro para as compras de natal como, coitado, terá acontecido da outra vez.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Ele disse "trabalhar"?!


Deve ter sido impressão minha. Só pode. Algo assim do tipo andar a ouvir coisas. Mas, verdade verdadinha, que estava capaz de jurar que ouvi o Cavaco dizer, num local qualquer onde se deslocou para plantar uma árvore, que o que é preciso é trabalhar. Uma receita apenas para aplicar aos outros, pelos vistos. Porque quando toca a mandarem-no trabalhar a ele a coisa muda de figura.
De salientar, a propósito da presidencial plantação, que o buraco  foi previamente cavado. O senhor só teve de chegar lá e pespegar com a arvorezita no sitio. Grande coisa. Assim também eu, olha. 

terça-feira, 18 de junho de 2013

Histórias da carochinha

Há quem acredite que em Abril de 1974 andávamos quase todos descalços. Assumem-no como um facto indesmentível. E que ninguém se atreva a contradizê-los. Só falta, mas tenho esperança de ainda encontrar uma dessas pérolas, garantirem que foi o companheiro Vasco que forneceu o primeiro par de sapatos a oito milhões de portugueses. Ou mais.

P.S - Esta estimativa é baseada nos portugueses descalços que, segundo o autor da resposta ao meu comentário, circulavam por essa altura na Avenida de Roma..

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Inquietações

Não faço juízos de valor acerca da greve dos professores. Primeiro porque não tenho nada que os fazer, segundo porque quem perde o seu o tempo a ler o que por aqui vou escrevendo sabe o que penso em relação a algumas das questões que conduziram a esta luta e, por último mas mais importante, porque não me apetece.
Há, no entanto, algo que me inquieta. Muito deve ter mudado no sindicalismo nacional desde o tempo em que eu ligava a essas coisas. Recordo-me de, nessa altura, por ocasião de uma greve da função pública que se realizou praticamente nas vésperas de umas eleições quaisquer, um sindicato ter recomendado aos grevistas que, apesar da greve, fosse garantido que a realização do acto eleitoral não sairia prejudicada.
Pouco me importa se eram os sindicatos de antanho que estavam certos e os de agora que estão errados. Ou o contrário. Ou se ambos estão certos. Ou ambos errados. Mas tenho a certeza quanto a uma coisa. Alunos, funcionários públicos e professores são muito mais importantes do que políticos ou sindicalistas. O passado não deixa dúvidas quanto a isso. E o presente também não.  

domingo, 16 de junho de 2013

A fé está pela hora da morte

O Estado é laico. Mas isso é o que está escrito na Constituição. A realidade, nessa como noutras temáticas, nem sempre tem grande aderência à lei fundamental do país. Certamente estribado em leis que garantem a legalidade do procedimento, na tradição secular que importará assegurar e, se necessário for, em vários pareceres que garantirão a regularidade da acção, o poder politico não hesita em promover manifestações de carácter religioso. Veja-se o exemplo de uma empresa municipal que entendeu contratar à paróquia da terra a organização de uma procissão. Pagando para isso, naturalmente.
Julgava eu – vejam lá a minha ignorância - que isso de organizar procissões era coisa da competência, em rigoroso exclusivo, da igreja. E que ninguém lhe pagava para as fazer. Até porque - mas lá está, eu não percebo nada disso - não hão-de ser eventos especialmente caros. Tinham mesmo a impressão que se faziam de borla. Esta não foi o caso. Custou(-nos) dezoito mil euros.

sábado, 15 de junho de 2013

Será algo relacionado com o nome?


Há, diz-se, quem seja capaz de vender a própria mãe. De vender a dos outros – ou qualquer outra coisa - todos somos capazes. É, pelo menos, o que parece deduzir-se do significado desta expressão. Se calhar será mesmo assim. Vem isto a propósito de um poeta colombiano que pretenderá vender os testículos. Provavelmente não lhe farão falta nenhuma. Já o dinheiro que espera obter com a insólita venda vai dar-lhe muito jeito. Para viajar pela Europa. Diz ele. O Brochero, assim se chama a criatura.

Lamentavelmente não havia outra...


Depois de aqui ter manifestado o meu desencanto pela ausência de produtividade da cerejeira que ornamenta o quintal cá de casa, que parece não servir para mais nada do que fazer sombra e crescer para o lado dos vizinhos, constatei que estava a ser injusto. Afinal havia uma. Ou melhor, havia “a” cereja. Lamentavelmente, de outra nem sinal. O pior vai ser dividi-la por quatro...

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Sem projecto, sem licença e sem alvará...

Há noticias que me deixam com os poucos cabelos em pé e  com as restantes pilosidades igualmente eriçadas. Hoje foi a de um casal de reformados que após a aposentação resolveu dedicar-se à agricultura. Nada de mais. Se lá chegar sou capaz de fazer o mesmo. O pior é que, para fazerem as refeições de forma mais confortável, construíram  na propriedade uma mesa e uma churrasqueira em cimento. Grave erro. Agora têm a Câmara lá do sitio à perna.  Diz que se não apresentarem um projecto, daqueles todos catitas assinado por um arquitecto, vão ser multados. Talvez até a obra venha a ser demolida, digo eu. 
Presumo que a “obra” seja um mamarracho. Talvez constitua mesmo um daqueles atentados urbanísticos que por aí se vão vendo. Fará, portanto, a autarquia muitíssimo bem em zelar pela qualidade de vida dos outros munícipes afectados pela construção. Exigir um estudo de impacto ambiental, um arranjo paisagístico da zona envolvente e, quiçá, a reversão para a Câmara de uma parcela do terreno circundante, não me parece de todo descabido. Isto, claro, para além do parecer da CCDR da região, do IGESPAR, da Direcção regional de agricultura, dos bombeiros e de mais umas quantas entidades com responsabilidade nestas matérias. Sem isso nada de licenciar o parque de merendas. 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Deixem-me lá levar a "bicicleta"!

Nada percebo de economia. Sou, igualmente, um ignorante em ciências ocultas. Não foi, no entanto, a ausência de conhecimento nestas áreas que, em pleno consolado socretino, me inibiu de publicar a minha opinião acerca do que seriam as consequências das politicas do governo socialista. Fui, à conta disso, alvo de comentários jocosos onde a minha ignorância relativamente ao que escrevia – aqui e noutros locais por onde espalhei os meus bitaites – foi amplamente salientada.
Recordo, também, a satisfação que vi em alguns rostos quando, já no reinado do Coelho, os funcionários públicos ficaram sem subsídios de férias e natal. Reforcei nessa altura a convicção que isso de nada serviria para equilibrar as contas nacionais e, pelo contrário, contribuiria para afundar ainda a economia do país.
Lamentavelmente nem a tralha socrática, que antes apreciavam os cortes e agora os abominam, nem os laranjas podres, que antes achavam pouco os cortes do Sócrates e até queriam cortar mais que a troika mas agora quase têm vergonha de dizer que são do PSD, têm a honestidade intelectual de reconhecer que estavam errados. 
Pela minha parte preferia não o fazer. Teria sido melhor para todos. Mas a verdade é que tive razão em tudo o que escrevi. Nem era, reconheça-se, difícil de calcular que o resultado ia ser este. Portanto, na impossibilidade de o fazer individualmente, devolvo a todos os comentadores – daqui, doutros blogues e foruns e também da “rua” - todos os nomes que me chamaram sempre que previ esta desgraça. Ah, e não precisam de agradecer. 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Os enraivecidos do facebook

As imagens de um grupo de cães a atacar um boi estão a causar um nível de irritabilidade de proporções épicas entre os amigos da bicharada. E não só, sejamos justos. Que a crueldade, principalmente contra os animais, deixa muita gente em choque. A ira sobe de tom quando, como é o caso, envolve figuras mais ou menos conhecidas. Isto, claro, a confirmarem-se a alegada origem das fotos e o não menos alegado local onde terão sido recolhidas. 
As imagens, a serem verídicas, retratam uma malvadez sem limites. Convém, contudo, recordar que nem tudo o que parece é. Não vou sugerir que a cena foi adulterada, as fotos foram objecto de intervenção artística ou que foram obtidas do outro lado do mundo. Acho apenas que a esmagadora maioria dos que as tem comentado podia ser ligeiramente mais comedido nas opiniões.
É por estas, e também por outras parecidas, que considero o “pisco” no “mostrar no feed de noticias”  uma das melhores ferramentas do facebook. Nomeadamente para quem, como eu, não aprecia vídeos de gatinhos fofinhos, não tem interesse em saber o que é o almoço ou o jantar de ninguém, se está nas tintas para que Jesus ou ou santo qualquer nutra por si um grande amor, nem, principalmente,aprecie piadolas de anti-benfiquistas. Ou, como no caso presente, acha  um tudo nada exageradas certas reacções de pessoas aparentemente normais. Mas, se calhar, só aparentemente. 

terça-feira, 11 de junho de 2013

Os alhos da crise


Ainda que atacados pela alforra – diz que é assim que se chama a doença que ataca esta espécie – os alhos da crise deram uma produção dentro dos limites expectáveis. Presumo, por isso, que a colheita torne a cozinha cá de casa auto suficiente quanto a este ingrediente. Mas não sei ao certo. Nessas artes sou um verdadeiro artola. Talvez, mas continuo igualmente sem certezas, constituam guarnição suficiente para afastar um ou outro vampiro. Se os houver, claro. 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Andarilho artilhado



A qualidade das fotos não é a melhor – pronto, estão uma merda – mas para o caso não interessa muito. O que importa realçar é o espírito do idoso que conduz este andarilho. Preocupado, talvez, com uma eventual concentração de velhotes nas deslocações até à casa de banho ou ao refeitório, capaz de provocar algum acidente – assim do tipo pisar os calcanhares ao parceiro da frente – resolveu instalar uma buzina no seu auxiliar de locomoção. Ou então foi mesmo na brincadeira, apenas para reinar com os seus companheiros e companheiras do lar de idosos. 

domingo, 9 de junho de 2013

O tempo, esse malandro.

Está tudo explicado. Afinal a retoma só não acontece por causa do tempo. É o que garante o sábio Gaspar e, se ele o diz, tem de certeza toda a razão. Por mim, devo dizer, já andava desconfiado que a culpa era disso do tempo. Faz, até, algum tempo que o ando a escrever. O tempo que esta gente – e a outra que lá esteve antes – perdeu a tomar as opções que tomou e que, estava-se mesmo a ver à muito tempo, iam dar nisto. 
Apetece-me também incriminar o tempo em que se construíram estádios, auto-estradas, multiusos, piscinas, centros culturais, escolas onde não há crianças, parques desportivos onde só moram velhos, distribuiu subsídios, arregimentou gente para a função pública e, em resumo, se esturrou dinheiro como se não houvesse amanhã. Nem, tão pouco, um tempo em que teríamos de pagar a conta. 
Sobra-me, igualmente, vontade de responsabilizar o tempo que ninguém teve para se manifestar estridentemente, como fazem agora, contra o rumo que o país estava a seguir. O tempo que agora lhes sobra para protestar contra os tempos que vivemos. Mas o pior - e que verdadeiramente me atormenta -  é que, a esmagadora maioria, ainda não tiveram tempo de perceber que vivemos noutro tempo.  



sábado, 8 de junho de 2013

Vendam essa a outro!

“A divida dos países não se paga, gere-se”. Ainda que pareça desculpa de mau pagador, esta frase é absolutamente verdadeira. Mas, lamento discordar de muitos que a estão a usar na tentativa de justificar erros do passado e do presente, não se aplica no caso português. A divida do Estado – onde, naturalmente, se incluem o estado central, regional, local e as empresas públicas – é impossível de gerir se continuarmos a viver pelos mesmos padrões de há meia dúzia de anos atrás. Essa história do “isto não pode parar”, “os nossos filhos pagam as nossas dividas tal como nós pagamos as dos nossos pais e estes já pagaram as dos nossos avós” ou “quem vier que pague as dividas que eu deixar porque eu já paguei as que encontrei”, é conversa de tolinho. Por mais escola que ainda faça entre gestores tão aptos a gerir a coisa pública como eu a dizer missa. 
Este, estou em crer, será um debate que não vai acontecer na próxima campanha autárquica nem na que, provavelmente, se seguirá para eleger o novo parlamento. Até porque não interessa a ninguém. Nem, sequer, aos que são esmifrados para pagar todas as tropelias que, em nome de uma alegada melhoria da sua qualidade de vida, se vão fazendo de lés a lés. É deprimente, mas é o que temos.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Menos uma hora para consumir

Notáveis algumas ideias que tenho lido cerca do aumento do horário de trabalho na função pública. Que é para aproximar do que se pratica no sector privado, diz quem acredita na versão oficial. O que, acrescenta, se trata de uma questão  da mais elementar justiça relativamente aos restantes trabalhadores. Talvez seja. Ainda que, mas isso deve ser defeito meu, me pareça que esta posição evidencia mais um sentimento de vingança do que de qualquer outra coisa.   
Que assim, há quem defenda esta tese, graças ao prolongamento de horário dos funcionários públicos – esses malandros, convém acrescentar – o cidadão comum, que se farta de trabalhar para manter essa cambada de gabirús, tem mais tempo tratar dos seus assuntos nas repartições públicas. Embora, saliente-se, hoje em dia quase tudo se possa fazer a partir de casa. Ou de qualquer outro local, com um desses aparelhos ultra modernos que os tugas compram mal são lançados no mercado. É que essas traquitanas, não sei se a generalidade do pessoal sabe, dão para fazer mais coisas do que estar ligado ao facebook. 
Por mim, já escrevi em diversos posts, não me aquece nem arrefece. É-me indiferente. O mesmo não sei se poderão dizer muitos dos que agora se regozijam por ver aplicado mais um “castigo” aos vizinhos, conterrâneos ou compatriotas. É que ainda estamos para ver o impacto que este prolongamento de horário vai ter nos sectores privados da economia. Desconfio, mas isso sou eu que tenho a mania de fazer contas, que é capaz de não ser lá muito positivo. Que o Estado vai gastar mais, disso não tenho dúvidas. Que os funcionários ficam com menos uma hora para gastar dinheiro, também não...

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Quem tem medo da transparência?

Acho piada ao conceito de privacidade, bom nome ou seja lá o que for, actualmente em vigor. Qualquer boa mãe de família – ou mesmo que não seja assim tão boa – expõe à vista de todos, livre e espontaneamente, em qualquer rede social fotografias suas, da sua família ou do último pitéu que acabou de cozinhar. Todos – bom, pelo menos muitos – compartilham imagens das férias em Cuba, Porto Galinhas ou outro  destino exótico. Não falta quem exiba de forma ostensiva, pelos mais diversos meios, sinais exteriores de riqueza que, por muito legítimos que sejam, não tinham necessidade de ser exibidos. Tudo coisas que, na sua maioria, não necessitávamos de ver nem de saber.
A coisa muda radicalmente de figura quando se trata de dinheiro. Do que têm ou, principalmente, do que não têm e deviam ter para pagar aquilo que exibem ou de que desfrutam. Muitas vezes de forma legitima, diga-se. A ideia de privacidade parece ganhar outros contornos quando em causa estão o cumprimento de obrigações. Ou seja, apenas se defende intransigentemente quanto aos deveres. Nunca ou raramente do lado dos direitos.
Vem isto a propósito da intenção do governo de tornar obrigatória a divulgação dos beneficiários dos apoios sociais. O que faz todo o sentido. A sociedade tem o direito a saber quem beneficia do dinheiro dos seus impostos. Mas, como era de esperar, não pode ser. A oposição, CDS incluído, não quer e a comissão de protecção de dados também não. Seria uma medida da mais elementar justiça. Nomeadamente para com aqueles que realmente necessitam desses apoios. 

terça-feira, 4 de junho de 2013

A piada negra



É, também, por coisas destas que gosto do meu bairro. Convenhamos que ir a pé para o trabalho e pelo caminho deparar com uma cena bucólica de ovelhas a pastar num recanto da cidade é algo pouco comum. Pena o vizinho chato, mais as suas piadas secas. “Olha, olha”, dizia o gajo, “o Passos Coelho já começou a despedir funcionários públicos”. Não percebi. “E os primeiros foram os jardineiros”. Ah, estou a começar a ver o sentido da coisa...”substituiu-os por ovelhas!”. Pois. Tá bem, tá. Tens piada,tu. 

domingo, 2 de junho de 2013

Os piratas do Capitão Obvious

O líder do Partido Socialista disse, finalmente, o óbvio. Mas é importante que o tenha dito. Considerou – e muitíssimo bem – que um dos maiores problemas das empresas e da economia são os mais de 3,2 mil milhões de euros de pagamentos em atraso – as dividas por pagar a mais de noventa dias – que o Estado deve às empresas. Coisa com que muito pouca gente, se exceptuarmos os que estão a “arder”, se tem preocupado. Mesmo assim, salvo um ou outro caso, são poucos os que têm a coragem de afrontar as instituições públicas devedoras e exigir aos seus responsáveis o pagamento atempado do que lhes é devido. Nem uma manifestação, uma grandolada ou, sei lá, ondas de indignação no facebook, contra uma situação capaz de provocar em qualquer empresa sérios problemas de tesouraria e, até, o seu encerramento e consequente desemprego dos seus trabalhadores. Enfim, prioridadezinhas.
O pior, para António José Seguro e principalmente para os portugueses, é que até mesmo entre os seus correlegionários há quem não ligue peva a isso de pagar a tempo e horas. Presumo que tenham como lema de vida “o dever acima de tudo”. Coisa que, a julgar pelo que se vai vendo, o eleitorado parece apreciar.

sábado, 1 de junho de 2013

São uns "amourosos" é o que é...

A enternecedora história daquela comunidade islâmica que ofereceu chá e bolos aos manifestantes que demonstravam o seu desagrado pela morte de um soldado britânico, às mãos de um criminoso seguidor da dita religião, está a comover os corações mais sensíveis. E, como era de esperar, a servir de exemplo aos militantes do multi-culturalismo para nos fazerem crer que aquela malta barbuda e que reza de cú para o ar são uns fofinhos.
A mim não me convencem. Não gosto deles. Pelo menos até que, os que estão cá, adoptem os nossos hábitos e acatem as nossas leis ou, nos países islâmicos, permitam que os ocidentais mantenham os seus usos e costumes. Se as gajas deles podem andar, no ocidente, todas enroladas em panos pretos e só com os olhos de fora, porque raio não hão-de poder as ocidentais andar de mini-saia na terra da mourama?!
Este episódio do chazinho e dos bolinhos é, por mais que queiram demonstrar o contrário, mais uma evidência da intolerância religiosa daquela malta. Se queriam ser amiguinhos, e mostrar a sua vontade de se integrarem na sociedade que os acolheu, o que deviam ter feito era convidar os manifestantes para beber umas bejecas no bar mais próximo. Acompanhadas de uns coiratos, de preferência.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Da frase “não há dinheiro” qual a parte que não percebe?


Esta pergunta, consta, terá sido feita várias vezes, diz que até em reuniões do conselho de ministros, por Victor Gaspar a um ou outro colega de governo quando estes resistiam aos cortes de verbas que o titular da pasta das finanças tentava impor aos seus ministérios. Esta expressão, a par da sua confissão de benfiquista deprimido, foram, assim que me lembre, as únicas ocasiões em que senti uma pequena dose de simpatia pela criatura. Mas, garanto, passou-me depressa. Mesmo sabendo que governar esta pocilga e ser adepto do Glorioso são duas condições muito penosas nos dias que passam. 
O orçamento rectificativo divulgado hoje contribui, ainda mais, para me fazer desconfiar dessa coisa da falta de dinheiro. Ou melhor. Para, também eu, evidenciar uma notória falta de clarividência para descortinar o significado dessa sequência de três palavras tão do agrado do benfiquista Gaspar. É que se a minha compreensão para trabalhar mais uma hora por dia, mesmo ganhando menos, ou para mais um aumento de impostos, apenas para assegurar o nível de benefícios de saúde que já existem, não era muito elevada, agora bateu todos os recordes negativos. 
E isto porque, mais uma vez e como sempre, a falta de dinheiro não é para todos. Para uns, nomeadamente em ano de eleições, vai-se sempre arranjando qualquer coisinha. Não tenho nada contra os autarcas - ou candidatos a isso  - do PSD. Desejo apenas que tenham, nestas e apenas nestas autárquicas, um resultado abaixo de miserável. Ao nível deste governo, portanto. 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Isto não pode parar?! Pois não, deve é cumprir o limite de velocidade.

"Gaia não pode parar". É o que escreve no facebook, de forma entusiástica, o candidato do PSD aquela autarquia. O mesmo que exortou os magrebinos, termo depreciativo que a bimbalhada usa para se referir aos portugueses que vivem a sul do Mondego, a curvarem-se perante a vitória do clube de futebol do Porto no campeonato nacional do pontapé na bola. Obtida sem saber ler nem escrever e, inequivocamente, oferecida pelo adversário directo quando já ninguém esperava. Nem eles. Mas isso agora não interessa nada. Nem vem ao caso.
Este tipo de discurso não é novo. Pelo contrário. É coisa recorrente. Mesmo em tempo de crise, quando estamos todos fartos de saber – ainda que alguns se esforcem por ignorar - que não há dinheiro para pagar tanto movimento e que estamos a pagar pelo excesso de velocidade. São muitos os que acham que “isto não pode parar”. Como acontece com o cavalheiro candidato. Mas só quando está em campanha lá pelo norte. Os ares do Magrebe fazem-no mudar radicalmente de opinião e defender exactamente o contrário. Deve ser porque é só no conforto do palácio magrebino que tem tempo de ler o relatório e contas da Câmara a que se candidata e concluir que dois anos inteiros de receita mal chegam para pagar os quase duzentos e dezoito milhões de euros de divida da autarquia a que se propõe presidir.

domingo, 26 de maio de 2013

O Benfica é como o ordenado...


Com esta mania do politicamente correcto quase não se pode, hoje em dia, contar uma anedota, dizer uma piada ou mandar umas larachas sem correr o risco de ofender meio mundo. Nem, pior, de no retorno ser valentemente ofendido, ameaçado ou – o mal menor - alvo da promessa de apresentação de queixa na justiça. A menos que a anedota, a piadola ou o dichote tenha como protagonista um alentejano. Aí a coisa passa a ser encarada como obra do mais fino recorte e o seu autor considerado possuidor de um refinado sentido de humor.
Livre-se alguém de se meter com paneleiros ou fufas. É, de imediato, considerado homofóbico. Seja lá o que for que isso signifique. Com pretos ou ciganos nem pensar. Será logo apelidado de racista. Piadas sobre religião, excepto se for para implicar com padres e freiras, é melhor pensar duas vezes e olhar outras tantas para o lado não vá alguém rebentar com o candidato a piadista. Ou, se sobreviver, não se escapa da acusação de fomentar o ódio religioso. Restam as piadolas sobre futebol. Mas, também nesse campo, é melhor não ir por aí. Despertam uma ira cega e irracional no adepto adversário, pouco compatível com o comportamento de uma pessoa civilizada.
Toda esta gente é incapaz de ter a mesma reacção dos alentejanos perante as anedotas que a toda a hora têm de aturar. Somos, como poucos, capazes de nos rirmos de nós próprios. Isto quando as piadas envolvem apenas a nossa condição de nascidos no Alentejo, porque no resto somos iguais aos outros. É lamentável que seja sobre politica, religião, futebol ou outra coisa qualquer não consigamos todos reagir com o mesmo distanciamento e sentido de humor.
Termino com uma piada do Pinto da Costa. Um individuo que eu, enquanto benfiquista ferrenho, não suporto. Contudo, por mais que as suas indirectas me custem a engolir, a verdade é que o homem às vezes tem piada. A última do gajo é genial. Diz ele que “o Benfica é como o ordenado. Vai-se tudo nos descontos.” Brilhante. Mesmo vindo de onde vem. Mas que, aposto, já deve ter indignado muitos milhões de benfiquistas.

PS - O Benfica perdeu mais um troféu. Mas hoje o problema não foram os descontos. Foi a sobretaxa.

sábado, 25 de maio de 2013

Inevitabilidades


A propósito do post anterior, questiona-me o único visitante que o comentou – o “Jony” -  se eu “ia”. Concluindo de imediato que “ia mas era o tanas”. Referindo-se, presumo, à minha apetência para aceitar um desses trabalhos que não há quem queira fazer. Isto se estivesse no lugar dos desempregados que não aceitam trabalhar na agricultura.
Ainda que ache preferível ganhar pouco e trabalhar muito a não ganhar nada e nada fazer, digo-lhe que, assim de repente, nem desconfio se “ia” ou ficava. Isto apesar de viver numa região onde até há pouco tempo – para aí uns quarenta anos, o que praticamente foi ontem – as pessoas se deslocavam, sazonalmente, para trabalhar fora da sua zona de residência quando por cá não havia trabalho. Recordo-me de famílias inteiras – meus vizinhos, à época – que iam durante semanas para o Ribatejo fazer a apanha do tomate. Ou em sentido inverso, mas disso lembrar-se-à o meu pai, os beirões que vinham para o Alentejo na altura de ceifar as searas.
Isto para dizer que esta realidade que pensávamos ultrapassada não constitui, pelo menos para muitos de nós, uma grande novidade. Convivemos com ela e, quase de certeza, vamos voltar a encontrá-la por aí um destes dias. Se fico satisfeito com esse reencontro? Obviamente que não. E quem me lê com regularidade fará a justiça de o reconhecer. Agora que é uma inevitabilidade para que nos devemos preparar, disso nem vale a pena ter dúvidas.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Não há trabalhadores?! Experimentem pedir colaboradores, pode ser que resulte.


Nos tempos que correm a noticia da falta de mão de obra para trabalhar só pode constituir uma espécie de piada. De mau gosto, no caso. Nem interessa saber onde é o trabalho ou no que consiste. Quando o desemprego atinge os níveis dramáticos que se conhecem, parece pouco razoável que um empregador tenha de recorrer a estrangeiros para ver satisfeitas as suas necessidades laborais.
Trabalhar no campo não é fácil. Ganha-se mal – miseravelmente, reconheço – mas, ainda assim, será seguramente menos mau do que não ter emprego nem dinheiro para sobreviver. Que, também reconheço facilmente, é o máximo que se pode fazer com os ordenados que se praticam na agricultura e noutro sectores pouco exigentes em matéria de qualificações. Embora isso, vendo o que oferecem aos licenciados, seja muito relativo.
Estamos, nalguma parte do sistema, a cometer um erro qualquer. Identificá-lo está, naturalmente, fora da minha órbita de conhecimento. Acabar com todo o tipo de apoios sociais, para obrigar quem deles beneficia a aceitar qualquer tipo de trabalho, não será a solução. Fazê-lo seria criminoso. Mas, quando existem desempregados a “dar com um pau” a mendigar empregos aos presidentes das câmaras e, mesmo ao lado, um empregador não consegue arranjar quem queira trabalhar, também não me parece um coisa muito séria. Por muito que isso custe a uma elite bem pensante e que, como dizia o Jerónimo, sabe “lá o que é vida”.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

1000 maneiras de esturrar o nosso dinheiro


Os disparates, as loucuras ou a simples parvoíce em forma de promessa eleitoral estão surgir por todo o lado, em ritmo cada vez mais acelerado, à medida que as eleições autárquicas se aproximam. Complementando, porque isto não pode parar, o muito que neste âmbito tem vindo a ser feito por este país fora. Até 22 Setembro, a acreditar no sempre bem informado professor Marcelo, iremos ficar a conhecer mil novas maneiras – ou até mesmo mais - de esturrar o nosso dinheiro.
Uma delas - talvez a número um, mas isto nunca se sabe o que esta malta é capaz de prometer – fez um dia destes noticia num jornal diário. Luís Filipe Menezes, o homem que colocou Gaia num dos lugares do topo dos municípios mais endividados e que agora se prepara para promover igual proeza no Porto, teve uma ideia mirabolante. Campo em que, faça-se justiça, o homem é um génio. Desta vez, o candidato à invicta idealizou a construção de um túnel a ligar as duas margens do Douro. Algo, assim por alto, para uns cinquenta e quatro milhões. Uma bagatela, portanto. Para a qual, pasme-se, até já terá realizado uns quantos estudos e elaborado uns esboços.
Tenho aguardado, desde que a noticia foi publicada, por reacções mais ou menos enfurecidas contra esta ideia. Nomeadamente manifestações de protesto, buzinões ou, no mínimo, gente a cantar a “Grândola” onde quer que LFM se desloque. Em vão. Ninguém pia. Devem estar a guardar a indignação para quando chegar a hora de alguém ter de pagar a conta de mais este investimento público.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Os javardolas do poleiro podiam, de vez em quando, ser sérios.


Em nome da alegada sustentabilidade do sistema, anuncia-se mais um ataque ao vencimento dos funcionários públicos e às pensões dos reformados da função pública. Um novo aumento do desconto de trabalhadores e aposentados para a ADSE. Só, e apenas, porque o governo sabe que com esta medida arrecada mais uns cobres enquanto, demagogicamente, vai mantendo vivo, entre a população, o sentimento de aversão a quem trabalha para o Estado. Isso e o espírito de vingança que está presente nas mentes tacanhas daquela gente, ainda com o acórdão do Constitucional por digerir.
Obviamente que não está em causa a viabilidade da ADSE. Como está amplamente demonstrado, este é um sub-sistema que permite ao Estado gastar muitíssimo menos com a saúde dos seus beneficiários do que gastaria se estes optassem pelo SNS. Mas, mesmo admitindo que aquele organismo tenha problemas de viabilidade financeira sem este aumento da contribuição de quem dele beneficia, então o governo que deite mão de outros recursos. Nomeadamente cobrar aquilo que os municípios devem a esta entidade. A titulo de exemplo, só para se ter a noção da dimensão do regabofe que por aí vai, uma Câmara alentejana deverá à ADSE – a acreditar na informação publicada no respectivo site - cerca de um milhão e quatrocentos mil euros. Que o governo, diga-se, não recupera porque não quer. Prefere ir aos bolsos dos do costume. Mas é disto que o povo gosta!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Cuidado com o que (com)prometes!


Desconheço se algum candidato, ou candidato a candidato, a um dos muitos lugares de autarca que vão estar em disputa nos trezentos e oito municípios e mais de três mil freguesias é leitor do Kruzes. Se o for ainda bem. Vou, em jeito de serviço público, lembrar um pequeno detalhe – uma insignificância, quase – que dá pelo nome de Lei dos Compromissos e Pagamentos em Atraso e que todos eles deverão ter em conta na altura, que deve estar quase a chegar, de preparar o programa eleitoral.
Diz a dita lei – a 8/2012, de 21 de Fevereiro – que as entidades públicas “não podem assumir compromissos que excedam os fundos disponíveis”. Ou seja, de forma resumida, que não possam pagar nos noventa dias seguintes. Titulares de cargos políticos ou dirigentes responsáveis pela contabilidade das organizações que o façam incorrem em “responsabilidade civil, criminal, disciplinar e financeira, sancionatória e ou reintegratória”. Estarão, portanto, a cometer um crime pelo qual, mais tarde ou mais cedo, serão chamados a prestar contas. Para os mais cépticos quanto à necessidade de dar cumprimento a estas normas recordo que o Isaltino continua preso e que o Tribunal de Contas vai, de vez em quando, aplicando umas multazitas.
Nestas circunstâncias mandará a prudência uma certa contenção acerca daquilo que se vai prometer. O mesmo se deve também dizer quanto ao que podemos e devemos – nós, os eleitores – exigir aos que se vão apresentar como candidatos a governar em nosso nome. Daí que era capaz de não ser má ideia revelar um pouco mais de contenção na hora de reclamar o subsidio, o passeio, as festarolas, o emprego para o filho ou a obra faraónica igual à do concelho vizinho. Para o bem de todos. Porque os compromissos deles somos nós que os pagamos.


segunda-feira, 20 de maio de 2013

FDP (Fidalgo, desleixado e poluidor)


Andava há meses para fotografar este chaço. Calhou hoje. Lamentável apenas o ângulo não ser o melhor e existir outro veículo pelo meio. Questiono-me acerca da possibilidade de uma viatura nestas circunstâncias passar na inspecção. Ou, se não tiver passado, dos motivos porque não foi ainda interceptado pelas autoridades com competências em matéria de trânsito e ambiente. Até porque, recorde-se, a GNR tem uma brigada especialmente dedicada – e, a julgar por outros casos, particularmente atenta – às questões ambientais.
Não me interessa se o individuo em questão tem ou não dinheiro para ter outro carro. Se não tiver que ande a pé. Ou a cavalo, como faz de vez em quando. Sempre polui menos. Agora andar impunemente a envenenar os transeuntes é que me parece muitíssimo mal. E NÃO HÁ NINGUÉM QUE TRATE DISTO, PORRA?! 


domingo, 19 de maio de 2013

Cagadela monumental


Este vistoso monte de merda, de proporções épicas de que a foto não transmite a real dimensão, podia ser contemplado hoje pela manhã na Urbanização do Monte da Razão, em Estremoz. O autor desta proeza será, presumo, este mastim preto propriedade de um morador na vizinha Quinta das Oliveiras, vulgarmente conhecida como Urbanização dos Currais. Trata-se de um cão de enorme porte, gordo como um texugo e com alguma dificuldade de locomoção, pelo que só é visto nas imediações quando se trata de arrear o calhau. Coisa que faz diariamente nas artérias circundantes mas sempre a uma razoável distância da casa da família. É esperto o bicho. Diria até que o que sobra em inteligência ao animal falta em civismo aos donos.