A
Esquerda não nutre particular apreço pelas manifestações que
estão a levar para a rua milhares de brasileiros. Logo agora que
estava tudo a correr tão bem lá pelo país dos dilmos. Investimento
público de muitíssimos milhões, nomeadamente em estádios de
futebol e infraestruturas para os jogos olímpicos, com a consequente
criação de postos de trabalho no sector da construção, e, mesmo
assim, o povo não está satisfeito?! Uns mal-agradecidos! Ou então
são todos de direita e deviam ser severamente punidos. Que isto a
democracia é muito bonita, as reivindicações populares também,
mas apenas quando são os movimentos e os partidos de esquerda a
organizar a coisa quando, como cá, se trata de pagar a conta da
festança.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Cavaco, o apressado.
Não
percebo porque se surpreendem com a rapidez estonteante do presidente
na promulgação da lei relativa ao pagamento dos subsídios de
férias. A sério. Cavaco estará, apenas, a ser coerente. Ele terá
querido acautelar que o subsidio de férias a que tem direito
enquanto pensionista não lhe vai ser pago em Julho. Estará a
guardá-lo para Novembro. E, do seu ponto de vista, faz bem. Não vá
faltar-lhe o dinheiro para as compras de natal como, coitado, terá
acontecido da outra vez.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Ele disse "trabalhar"?!
Deve
ter sido impressão minha. Só pode. Algo assim do tipo andar a ouvir
coisas. Mas, verdade verdadinha, que estava capaz de jurar que ouvi o
Cavaco dizer, num local qualquer onde se deslocou para plantar uma
árvore, que o que é preciso é trabalhar. Uma receita apenas para
aplicar aos outros, pelos vistos. Porque quando toca a mandarem-no
trabalhar a ele a coisa muda de figura.
De salientar, a propósito da presidencial plantação, que o buraco foi previamente cavado. O senhor só teve de chegar lá e pespegar com a arvorezita no sitio. Grande coisa. Assim também eu, olha.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Histórias da carochinha
Há
quem acredite que em Abril de 1974 andávamos quase todos descalços.
Assumem-no como um facto indesmentível. E que ninguém se atreva a
contradizê-los. Só falta, mas tenho esperança de ainda encontrar
uma dessas pérolas, garantirem que foi o companheiro Vasco que
forneceu o primeiro par de sapatos a oito milhões de portugueses. Ou
mais.
P.S
- Esta estimativa é baseada nos portugueses descalços que, segundo
o autor da resposta ao meu comentário, circulavam por essa altura na
Avenida de Roma..
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Inquietações
Não
faço juízos de valor acerca da greve dos professores. Primeiro
porque não tenho nada que os fazer, segundo porque quem perde o seu
o tempo a ler o que por aqui vou escrevendo sabe o que penso em
relação a algumas das questões que conduziram a esta luta e, por
último mas mais importante, porque não me apetece.
Há,
no entanto, algo que me inquieta. Muito deve ter mudado no
sindicalismo nacional desde o tempo em que eu ligava a essas coisas.
Recordo-me de, nessa altura, por ocasião de uma greve da função
pública que se realizou praticamente nas vésperas de umas eleições
quaisquer, um sindicato ter recomendado aos
grevistas que, apesar da greve, fosse garantido que a realização do
acto eleitoral não sairia prejudicada.
Pouco
me importa se eram os sindicatos de antanho que estavam certos e os
de agora que estão errados. Ou o contrário. Ou se ambos estão
certos. Ou ambos errados. Mas tenho a certeza quanto a uma coisa.
Alunos, funcionários públicos e professores são muito mais
importantes do que políticos ou sindicalistas. O passado não deixa
dúvidas quanto a isso. E o presente também não.
domingo, 16 de junho de 2013
A fé está pela hora da morte
O
Estado é laico. Mas isso é o que está escrito na Constituição. A
realidade, nessa como noutras temáticas, nem sempre tem grande
aderência à lei fundamental do país. Certamente estribado em leis
que garantem a legalidade do procedimento, na tradição secular que
importará assegurar e, se necessário for, em vários pareceres que
garantirão a regularidade da acção, o poder politico não hesita
em promover manifestações de carácter religioso. Veja-se o exemplo
de uma empresa municipal que entendeu contratar à paróquia da terra
a organização de uma procissão. Pagando para isso, naturalmente.
Julgava
eu – vejam lá a minha ignorância - que isso de organizar
procissões era coisa da competência, em rigoroso exclusivo, da
igreja. E que ninguém lhe pagava para as fazer. Até porque - mas lá
está, eu não percebo nada disso - não hão-de ser eventos
especialmente caros. Tinham mesmo a impressão que se faziam de
borla. Esta não foi o caso. Custou(-nos) dezoito mil euros.
sábado, 15 de junho de 2013
Será algo relacionado com o nome?
Há,
diz-se, quem seja capaz de vender a própria mãe. De vender a dos
outros – ou qualquer outra coisa - todos somos capazes. É, pelo
menos, o que parece deduzir-se do significado desta expressão. Se
calhar será mesmo assim. Vem isto a propósito de um poeta
colombiano que pretenderá vender os testículos. Provavelmente não
lhe farão falta nenhuma. Já o dinheiro que espera obter com a
insólita venda vai dar-lhe muito jeito. Para viajar pela Europa. Diz
ele. O Brochero, assim se chama a criatura.
Lamentavelmente não havia outra...
Depois
de aqui ter manifestado o meu desencanto pela ausência de
produtividade da cerejeira que ornamenta o quintal cá de casa, que
parece não servir para mais nada do que fazer sombra e crescer para
o lado dos vizinhos, constatei que estava a ser injusto. Afinal havia
uma. Ou melhor, havia “a” cereja. Lamentavelmente, de outra nem
sinal. O pior vai ser dividi-la por quatro...
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Sem projecto, sem licença e sem alvará...
Há noticias que me deixam com os poucos cabelos em pé e com as restantes pilosidades igualmente eriçadas. Hoje foi a de um casal de reformados que após a aposentação resolveu dedicar-se à agricultura. Nada de mais. Se lá chegar sou capaz de fazer o mesmo. O pior é que, para fazerem as refeições de forma mais confortável, construíram na propriedade uma mesa e uma churrasqueira em cimento. Grave erro. Agora têm a Câmara lá do sitio à perna. Diz que se não apresentarem um projecto, daqueles todos catitas assinado por um arquitecto, vão ser multados. Talvez até a obra venha a ser demolida, digo eu.
Presumo que a “obra” seja um mamarracho. Talvez constitua mesmo um daqueles atentados urbanísticos que por aí se vão vendo. Fará, portanto, a autarquia muitíssimo bem em zelar pela qualidade de vida dos outros munícipes afectados pela construção. Exigir um estudo de impacto ambiental, um arranjo paisagístico da zona envolvente e, quiçá, a reversão para a Câmara de uma parcela do terreno circundante, não me parece de todo descabido. Isto, claro, para além do parecer da CCDR da região, do IGESPAR, da Direcção regional de agricultura, dos bombeiros e de mais umas quantas entidades com responsabilidade nestas matérias. Sem isso nada de licenciar o parque de merendas.
Presumo que a “obra” seja um mamarracho. Talvez constitua mesmo um daqueles atentados urbanísticos que por aí se vão vendo. Fará, portanto, a autarquia muitíssimo bem em zelar pela qualidade de vida dos outros munícipes afectados pela construção. Exigir um estudo de impacto ambiental, um arranjo paisagístico da zona envolvente e, quiçá, a reversão para a Câmara de uma parcela do terreno circundante, não me parece de todo descabido. Isto, claro, para além do parecer da CCDR da região, do IGESPAR, da Direcção regional de agricultura, dos bombeiros e de mais umas quantas entidades com responsabilidade nestas matérias. Sem isso nada de licenciar o parque de merendas.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Deixem-me lá levar a "bicicleta"!
Nada percebo de economia. Sou, igualmente, um ignorante em ciências ocultas. Não foi, no entanto, a ausência de conhecimento nestas áreas que, em pleno consolado socretino, me inibiu de publicar a minha opinião acerca do que seriam as consequências das politicas do governo socialista. Fui, à conta disso, alvo de comentários jocosos onde a minha ignorância relativamente ao que escrevia – aqui e noutros locais por onde espalhei os meus bitaites – foi amplamente salientada.
Recordo, também, a satisfação que vi em alguns rostos quando, já no reinado do Coelho, os funcionários públicos ficaram sem subsídios de férias e natal. Reforcei nessa altura a convicção que isso de nada serviria para equilibrar as contas nacionais e, pelo contrário, contribuiria para afundar ainda a economia do país.
Lamentavelmente nem a tralha socrática, que antes apreciavam os cortes e agora os abominam, nem os laranjas podres, que antes achavam pouco os cortes do Sócrates e até queriam cortar mais que a troika mas agora quase têm vergonha de dizer que são do PSD, têm a honestidade intelectual de reconhecer que estavam errados.
Pela minha parte preferia não o fazer. Teria sido melhor para todos. Mas a verdade é que tive razão em tudo o que escrevi. Nem era, reconheça-se, difícil de calcular que o resultado ia ser este. Portanto, na impossibilidade de o fazer individualmente, devolvo a todos os comentadores – daqui, doutros blogues e foruns e também da “rua” - todos os nomes que me chamaram sempre que previ esta desgraça. Ah, e não precisam de agradecer.
Recordo, também, a satisfação que vi em alguns rostos quando, já no reinado do Coelho, os funcionários públicos ficaram sem subsídios de férias e natal. Reforcei nessa altura a convicção que isso de nada serviria para equilibrar as contas nacionais e, pelo contrário, contribuiria para afundar ainda a economia do país.
Lamentavelmente nem a tralha socrática, que antes apreciavam os cortes e agora os abominam, nem os laranjas podres, que antes achavam pouco os cortes do Sócrates e até queriam cortar mais que a troika mas agora quase têm vergonha de dizer que são do PSD, têm a honestidade intelectual de reconhecer que estavam errados.
Pela minha parte preferia não o fazer. Teria sido melhor para todos. Mas a verdade é que tive razão em tudo o que escrevi. Nem era, reconheça-se, difícil de calcular que o resultado ia ser este. Portanto, na impossibilidade de o fazer individualmente, devolvo a todos os comentadores – daqui, doutros blogues e foruns e também da “rua” - todos os nomes que me chamaram sempre que previ esta desgraça. Ah, e não precisam de agradecer.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Os enraivecidos do facebook
As imagens de um grupo de cães a atacar um boi estão a causar um nível de irritabilidade de proporções épicas entre os amigos da bicharada. E não só, sejamos justos. Que a crueldade, principalmente contra os animais, deixa muita gente em choque. A ira sobe de tom quando, como é o caso, envolve figuras mais ou menos conhecidas. Isto, claro, a confirmarem-se a alegada origem das fotos e o não menos alegado local onde terão sido recolhidas.
As imagens, a serem verídicas, retratam uma malvadez sem limites. Convém, contudo, recordar que nem tudo o que parece é. Não vou sugerir que a cena foi adulterada, as fotos foram objecto de intervenção artística ou que foram obtidas do outro lado do mundo. Acho apenas que a esmagadora maioria dos que as tem comentado podia ser ligeiramente mais comedido nas opiniões.
É por estas, e também por outras parecidas, que considero o “pisco” no “mostrar no feed de noticias” uma das melhores ferramentas do facebook. Nomeadamente para quem, como eu, não aprecia vídeos de gatinhos fofinhos, não tem interesse em saber o que é o almoço ou o jantar de ninguém, se está nas tintas para que Jesus ou ou santo qualquer nutra por si um grande amor, nem, principalmente,aprecie piadolas de anti-benfiquistas. Ou, como no caso presente, acha um tudo nada exageradas certas reacções de pessoas aparentemente normais. Mas, se calhar, só aparentemente.
As imagens, a serem verídicas, retratam uma malvadez sem limites. Convém, contudo, recordar que nem tudo o que parece é. Não vou sugerir que a cena foi adulterada, as fotos foram objecto de intervenção artística ou que foram obtidas do outro lado do mundo. Acho apenas que a esmagadora maioria dos que as tem comentado podia ser ligeiramente mais comedido nas opiniões.
É por estas, e também por outras parecidas, que considero o “pisco” no “mostrar no feed de noticias” uma das melhores ferramentas do facebook. Nomeadamente para quem, como eu, não aprecia vídeos de gatinhos fofinhos, não tem interesse em saber o que é o almoço ou o jantar de ninguém, se está nas tintas para que Jesus ou ou santo qualquer nutra por si um grande amor, nem, principalmente,aprecie piadolas de anti-benfiquistas. Ou, como no caso presente, acha um tudo nada exageradas certas reacções de pessoas aparentemente normais. Mas, se calhar, só aparentemente.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Os alhos da crise
Ainda que
atacados pela alforra – diz que é assim que se chama a doença que
ataca esta espécie – os alhos da crise deram uma produção dentro
dos limites expectáveis. Presumo, por isso, que a colheita torne a
cozinha cá de casa auto suficiente quanto a este ingrediente. Mas
não sei ao certo. Nessas artes sou um verdadeiro artola. Talvez, mas
continuo igualmente sem certezas, constituam guarnição suficiente
para afastar um ou outro vampiro. Se os houver, claro.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Andarilho artilhado
A qualidade das
fotos não é a melhor – pronto, estão uma merda – mas para o
caso não interessa muito. O que importa realçar é o espírito do
idoso que conduz este andarilho. Preocupado, talvez, com uma eventual
concentração de velhotes nas deslocações até à casa de banho ou ao refeitório, capaz de provocar algum acidente – assim
do tipo pisar os calcanhares ao parceiro da frente – resolveu
instalar uma buzina no seu auxiliar de locomoção. Ou então foi
mesmo na brincadeira, apenas para reinar com os seus companheiros e
companheiras do lar de idosos.
domingo, 9 de junho de 2013
O tempo, esse malandro.
Está tudo explicado. Afinal a retoma só não acontece por causa do tempo. É o que garante o sábio Gaspar e, se ele o diz, tem de certeza toda a razão. Por mim, devo dizer, já andava desconfiado que a culpa era disso do tempo. Faz, até, algum tempo que o ando a escrever. O tempo que esta gente – e a outra que lá esteve antes – perdeu a tomar as opções que tomou e que, estava-se mesmo a ver à muito tempo, iam dar nisto.
Apetece-me também incriminar o tempo em que se construíram estádios, auto-estradas, multiusos, piscinas, centros culturais, escolas onde não há crianças, parques desportivos onde só moram velhos, distribuiu subsídios, arregimentou gente para a função pública e, em resumo, se esturrou dinheiro como se não houvesse amanhã. Nem, tão pouco, um tempo em que teríamos de pagar a conta.
Sobra-me, igualmente, vontade de responsabilizar o tempo que ninguém teve para se manifestar estridentemente, como fazem agora, contra o rumo que o país estava a seguir. O tempo que agora lhes sobra para protestar contra os tempos que vivemos. Mas o pior - e que verdadeiramente me atormenta - é que, a esmagadora maioria, ainda não tiveram tempo de perceber que vivemos noutro tempo.
Apetece-me também incriminar o tempo em que se construíram estádios, auto-estradas, multiusos, piscinas, centros culturais, escolas onde não há crianças, parques desportivos onde só moram velhos, distribuiu subsídios, arregimentou gente para a função pública e, em resumo, se esturrou dinheiro como se não houvesse amanhã. Nem, tão pouco, um tempo em que teríamos de pagar a conta.
Sobra-me, igualmente, vontade de responsabilizar o tempo que ninguém teve para se manifestar estridentemente, como fazem agora, contra o rumo que o país estava a seguir. O tempo que agora lhes sobra para protestar contra os tempos que vivemos. Mas o pior - e que verdadeiramente me atormenta - é que, a esmagadora maioria, ainda não tiveram tempo de perceber que vivemos noutro tempo.
sábado, 8 de junho de 2013
Vendam essa a outro!
“A divida dos países não se paga, gere-se”. Ainda que pareça desculpa de mau pagador, esta frase é absolutamente verdadeira. Mas, lamento discordar de muitos que a estão a usar na tentativa de justificar erros do passado e do presente, não se aplica no caso português. A divida do Estado – onde, naturalmente, se incluem o estado central, regional, local e as empresas públicas – é impossível de gerir se continuarmos a viver pelos mesmos padrões de há meia dúzia de anos atrás. Essa história do “isto não pode parar”, “os nossos filhos pagam as nossas dividas tal como nós pagamos as dos nossos pais e estes já pagaram as dos nossos avós” ou “quem vier que pague as dividas que eu deixar porque eu já paguei as que encontrei”, é conversa de tolinho. Por mais escola que ainda faça entre gestores tão aptos a gerir a coisa pública como eu a dizer missa.
Este, estou em crer, será um debate que não vai acontecer na próxima campanha autárquica nem na que, provavelmente, se seguirá para eleger o novo parlamento. Até porque não interessa a ninguém. Nem, sequer, aos que são esmifrados para pagar todas as tropelias que, em nome de uma alegada melhoria da sua qualidade de vida, se vão fazendo de lés a lés. É deprimente, mas é o que temos.
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Menos uma hora para consumir
Notáveis algumas ideias que tenho lido cerca do aumento do horário de trabalho na função pública. Que é para aproximar do que se pratica no sector privado, diz quem acredita na versão oficial. O que, acrescenta, se trata de uma questão da mais elementar justiça relativamente aos restantes trabalhadores. Talvez seja. Ainda que, mas isso deve ser defeito meu, me pareça que esta posição evidencia mais um sentimento de vingança do que de qualquer outra coisa.
Que assim, há quem defenda esta tese, graças ao prolongamento de horário dos funcionários públicos – esses malandros, convém acrescentar – o cidadão comum, que se farta de trabalhar para manter essa cambada de gabirús, tem mais tempo tratar dos seus assuntos nas repartições públicas. Embora, saliente-se, hoje em dia quase tudo se possa fazer a partir de casa. Ou de qualquer outro local, com um desses aparelhos ultra modernos que os tugas compram mal são lançados no mercado. É que essas traquitanas, não sei se a generalidade do pessoal sabe, dão para fazer mais coisas do que estar ligado ao facebook.
Por mim, já escrevi em diversos posts, não me aquece nem arrefece. É-me indiferente. O mesmo não sei se poderão dizer muitos dos que agora se regozijam por ver aplicado mais um “castigo” aos vizinhos, conterrâneos ou compatriotas. É que ainda estamos para ver o impacto que este prolongamento de horário vai ter nos sectores privados da economia. Desconfio, mas isso sou eu que tenho a mania de fazer contas, que é capaz de não ser lá muito positivo. Que o Estado vai gastar mais, disso não tenho dúvidas. Que os funcionários ficam com menos uma hora para gastar dinheiro, também não...
Que assim, há quem defenda esta tese, graças ao prolongamento de horário dos funcionários públicos – esses malandros, convém acrescentar – o cidadão comum, que se farta de trabalhar para manter essa cambada de gabirús, tem mais tempo tratar dos seus assuntos nas repartições públicas. Embora, saliente-se, hoje em dia quase tudo se possa fazer a partir de casa. Ou de qualquer outro local, com um desses aparelhos ultra modernos que os tugas compram mal são lançados no mercado. É que essas traquitanas, não sei se a generalidade do pessoal sabe, dão para fazer mais coisas do que estar ligado ao facebook.
Por mim, já escrevi em diversos posts, não me aquece nem arrefece. É-me indiferente. O mesmo não sei se poderão dizer muitos dos que agora se regozijam por ver aplicado mais um “castigo” aos vizinhos, conterrâneos ou compatriotas. É que ainda estamos para ver o impacto que este prolongamento de horário vai ter nos sectores privados da economia. Desconfio, mas isso sou eu que tenho a mania de fazer contas, que é capaz de não ser lá muito positivo. Que o Estado vai gastar mais, disso não tenho dúvidas. Que os funcionários ficam com menos uma hora para gastar dinheiro, também não...
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Quem tem medo da transparência?
Acho piada ao conceito de privacidade, bom nome ou seja lá o que for, actualmente em vigor. Qualquer boa mãe de família – ou mesmo que não seja assim tão boa – expõe à vista de todos, livre e espontaneamente, em qualquer rede social fotografias suas, da sua família ou do último pitéu que acabou de cozinhar. Todos – bom, pelo menos muitos – compartilham imagens das férias em Cuba, Porto Galinhas ou outro destino exótico. Não falta quem exiba de forma ostensiva, pelos mais diversos meios, sinais exteriores de riqueza que, por muito legítimos que sejam, não tinham necessidade de ser exibidos. Tudo coisas que, na sua maioria, não necessitávamos de ver nem de saber.
A coisa muda radicalmente de figura quando se trata de dinheiro. Do que têm ou, principalmente, do que não têm e deviam ter para pagar aquilo que exibem ou de que desfrutam. Muitas vezes de forma legitima, diga-se. A ideia de privacidade parece ganhar outros contornos quando em causa estão o cumprimento de obrigações. Ou seja, apenas se defende intransigentemente quanto aos deveres. Nunca ou raramente do lado dos direitos.
Vem isto a propósito da intenção do governo de tornar obrigatória a divulgação dos beneficiários dos apoios sociais. O que faz todo o sentido. A sociedade tem o direito a saber quem beneficia do dinheiro dos seus impostos. Mas, como era de esperar, não pode ser. A oposição, CDS incluído, não quer e a comissão de protecção de dados também não. Seria uma medida da mais elementar justiça. Nomeadamente para com aqueles que realmente necessitam desses apoios.
A coisa muda radicalmente de figura quando se trata de dinheiro. Do que têm ou, principalmente, do que não têm e deviam ter para pagar aquilo que exibem ou de que desfrutam. Muitas vezes de forma legitima, diga-se. A ideia de privacidade parece ganhar outros contornos quando em causa estão o cumprimento de obrigações. Ou seja, apenas se defende intransigentemente quanto aos deveres. Nunca ou raramente do lado dos direitos.
Vem isto a propósito da intenção do governo de tornar obrigatória a divulgação dos beneficiários dos apoios sociais. O que faz todo o sentido. A sociedade tem o direito a saber quem beneficia do dinheiro dos seus impostos. Mas, como era de esperar, não pode ser. A oposição, CDS incluído, não quer e a comissão de protecção de dados também não. Seria uma medida da mais elementar justiça. Nomeadamente para com aqueles que realmente necessitam desses apoios.
terça-feira, 4 de junho de 2013
A piada negra
É, também,
por coisas destas que gosto do meu bairro. Convenhamos que ir a pé
para o trabalho e pelo caminho deparar com uma cena bucólica de
ovelhas a pastar num recanto da cidade é algo pouco comum. Pena o
vizinho chato, mais as suas piadas secas. “Olha, olha”,
dizia o gajo, “o Passos Coelho já começou a despedir
funcionários públicos”. Não percebi. “E os primeiros
foram os jardineiros”. Ah, estou a começar a ver o sentido da
coisa...”substituiu-os por ovelhas!”. Pois. Tá bem, tá.
Tens piada,tu.
domingo, 2 de junho de 2013
Os piratas do Capitão Obvious
O líder do Partido Socialista disse, finalmente, o óbvio. Mas é importante que o tenha dito. Considerou – e muitíssimo bem – que um dos maiores problemas das empresas e da economia são os mais de 3,2 mil milhões de euros de pagamentos em atraso – as dividas por pagar a mais de noventa dias – que o Estado deve às empresas. Coisa com que muito pouca gente, se exceptuarmos os que estão a “arder”, se tem preocupado. Mesmo assim, salvo um ou outro caso, são poucos os que têm a coragem de afrontar as instituições públicas devedoras e exigir aos seus responsáveis o pagamento atempado do que lhes é devido. Nem uma manifestação, uma grandolada ou, sei lá, ondas de indignação no facebook, contra uma situação capaz de provocar em qualquer empresa sérios problemas de tesouraria e, até, o seu encerramento e consequente desemprego dos seus trabalhadores. Enfim, prioridadezinhas.
O pior, para António José Seguro e principalmente para os portugueses, é que até mesmo entre os seus correlegionários há quem não ligue peva a isso de pagar a tempo e horas. Presumo que tenham como lema de vida “o dever acima de tudo”. Coisa que, a julgar pelo que se vai vendo, o eleitorado parece apreciar.
O pior, para António José Seguro e principalmente para os portugueses, é que até mesmo entre os seus correlegionários há quem não ligue peva a isso de pagar a tempo e horas. Presumo que tenham como lema de vida “o dever acima de tudo”. Coisa que, a julgar pelo que se vai vendo, o eleitorado parece apreciar.
sábado, 1 de junho de 2013
São uns "amourosos" é o que é...
A
enternecedora história daquela comunidade islâmica que ofereceu chá
e bolos aos manifestantes que demonstravam o seu desagrado pela morte
de um soldado britânico, às mãos de um criminoso seguidor da dita
religião, está a comover os corações mais sensíveis. E, como era
de esperar, a servir de exemplo aos militantes do multi-culturalismo
para nos fazerem crer que aquela malta barbuda e que reza de cú para
o ar são uns fofinhos.
A
mim não me convencem. Não gosto deles. Pelo menos até que, os que
estão cá, adoptem os nossos hábitos e acatem as nossas leis ou,
nos países islâmicos, permitam que os ocidentais mantenham os seus
usos e costumes. Se as gajas deles podem andar, no ocidente, todas
enroladas em panos pretos e só com os olhos de fora, porque raio não
hão-de poder as ocidentais andar de mini-saia na terra da mourama?!
Este
episódio do chazinho e dos bolinhos é,
por mais que queiram demonstrar o contrário, mais uma evidência da
intolerância religiosa daquela malta. Se queriam ser amiguinhos, e
mostrar a sua vontade de se integrarem na sociedade que os acolheu, o
que deviam ter feito era convidar os manifestantes para beber umas
bejecas no bar mais próximo. Acompanhadas
de uns coiratos, de preferência.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Da frase “não há dinheiro” qual a parte que não percebe?
Esta pergunta, consta, terá sido feita várias vezes, diz que até em reuniões do conselho de ministros, por Victor Gaspar a um ou outro colega de governo quando estes resistiam aos cortes de verbas que o titular da pasta das finanças tentava impor aos seus ministérios. Esta expressão, a par da sua confissão de benfiquista deprimido, foram, assim que me lembre, as únicas ocasiões em que senti uma pequena dose de simpatia pela criatura. Mas, garanto, passou-me depressa. Mesmo sabendo que governar esta pocilga e ser adepto do Glorioso são duas condições muito penosas nos dias que passam.
O orçamento rectificativo divulgado hoje contribui, ainda mais, para me fazer desconfiar dessa coisa da falta de dinheiro. Ou melhor. Para, também eu, evidenciar uma notória falta de clarividência para descortinar o significado dessa sequência de três palavras tão do agrado do benfiquista Gaspar. É que se a minha compreensão para trabalhar mais uma hora por dia, mesmo ganhando menos, ou para mais um aumento de impostos, apenas para assegurar o nível de benefícios de saúde que já existem, não era muito elevada, agora bateu todos os recordes negativos.
E isto porque, mais uma vez e como sempre, a falta de dinheiro não é para todos. Para uns, nomeadamente em ano de eleições, vai-se sempre arranjando qualquer coisinha. Não tenho nada contra os autarcas - ou candidatos a isso - do PSD. Desejo apenas que tenham, nestas e apenas nestas autárquicas, um resultado abaixo de miserável. Ao nível deste governo, portanto.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Isto não pode parar?! Pois não, deve é cumprir o limite de velocidade.
"Gaia não pode
parar". É o que escreve no facebook, de forma entusiástica, o
candidato do PSD aquela autarquia. O mesmo que exortou os magrebinos,
termo depreciativo que a bimbalhada usa para se referir aos
portugueses que vivem a sul do Mondego, a curvarem-se perante a
vitória do clube de futebol do Porto no campeonato nacional do
pontapé na bola. Obtida sem saber ler nem escrever e,
inequivocamente, oferecida pelo adversário directo quando já
ninguém esperava. Nem eles. Mas isso agora não interessa nada. Nem
vem ao caso.
Este
tipo de discurso não
é novo. Pelo contrário. É coisa
recorrente. Mesmo em
tempo de crise, quando estamos todos fartos de saber –
ainda que alguns se esforcem por ignorar -
que não há dinheiro para pagar
tanto movimento e que estamos a pagar pelo excesso de velocidade. São muitos os que acham que “isto não pode parar”.
Como acontece com o
cavalheiro candidato. Mas só quando está em campanha lá pelo
norte. Os ares do Magrebe fazem-no mudar radicalmente de opinião e
defender exactamente o contrário. Deve ser porque é só no conforto
do palácio magrebino que tem tempo de ler o relatório e contas da
Câmara a que se candidata e concluir que dois anos inteiros de
receita mal chegam para pagar os quase duzentos e dezoito milhões de euros de divida da autarquia a que se propõe presidir.
domingo, 26 de maio de 2013
O Benfica é como o ordenado...
Com esta mania
do politicamente correcto quase não se pode, hoje em dia, contar uma
anedota, dizer uma piada ou mandar umas larachas sem correr o risco
de ofender meio mundo. Nem, pior, de no retorno ser valentemente
ofendido, ameaçado ou – o mal menor - alvo da promessa de
apresentação de queixa na justiça. A menos que a anedota, a
piadola ou o dichote tenha como protagonista um alentejano. Aí a
coisa passa a ser encarada como obra do mais fino recorte e o seu
autor considerado possuidor de um refinado sentido de humor.
Livre-se alguém
de se meter com paneleiros ou fufas. É, de imediato, considerado
homofóbico. Seja lá o que for que isso signifique. Com pretos ou
ciganos nem pensar. Será logo apelidado de racista. Piadas sobre
religião, excepto se for para implicar com padres e freiras, é
melhor pensar duas vezes e olhar outras tantas para o lado não vá
alguém rebentar com o candidato a piadista. Ou, se sobreviver, não
se escapa da acusação de fomentar o ódio religioso. Restam as
piadolas sobre futebol. Mas, também nesse campo, é melhor não ir
por aí. Despertam uma ira cega e irracional no adepto adversário,
pouco compatível com o comportamento de uma pessoa civilizada.
Toda esta gente
é incapaz de ter a mesma reacção dos alentejanos perante as
anedotas que a toda a hora têm de aturar. Somos, como poucos,
capazes de nos rirmos de nós próprios. Isto quando as piadas
envolvem apenas a nossa condição de nascidos no Alentejo, porque no
resto somos iguais aos outros. É lamentável que seja sobre
politica, religião, futebol ou outra coisa qualquer não consigamos
todos reagir com o mesmo distanciamento e sentido de humor.
Termino com uma
piada do Pinto da Costa. Um individuo que eu, enquanto benfiquista
ferrenho, não suporto. Contudo, por mais que as suas indirectas me
custem a engolir, a verdade é que o homem às vezes tem piada. A
última do gajo é genial. Diz ele que “o Benfica é como o
ordenado. Vai-se tudo nos descontos.” Brilhante. Mesmo vindo de
onde vem. Mas que, aposto, já deve ter indignado muitos milhões de
benfiquistas.
PS - O Benfica perdeu mais um troféu. Mas hoje o problema não foram os descontos. Foi a sobretaxa.
PS - O Benfica perdeu mais um troféu. Mas hoje o problema não foram os descontos. Foi a sobretaxa.
sábado, 25 de maio de 2013
Inevitabilidades
A propósito do
post anterior, questiona-me o único visitante que o comentou – o “Jony” - se eu “ia”. Concluindo de imediato que “ia mas
era o tanas”. Referindo-se, presumo, à minha apetência para
aceitar um desses trabalhos que não há quem queira fazer. Isto se
estivesse no lugar dos desempregados que não aceitam trabalhar na
agricultura.
Ainda que ache
preferível ganhar pouco e trabalhar muito a não ganhar nada e nada
fazer, digo-lhe que, assim de repente, nem desconfio se “ia” ou
ficava. Isto apesar de viver numa região onde até há pouco tempo –
para aí uns quarenta anos, o que praticamente foi ontem – as
pessoas se deslocavam, sazonalmente, para trabalhar fora da sua zona
de residência quando por cá não havia trabalho. Recordo-me de
famílias inteiras – meus vizinhos, à época – que iam durante
semanas para o Ribatejo fazer a apanha do tomate. Ou em sentido
inverso, mas disso lembrar-se-à o meu pai, os beirões que vinham
para o Alentejo na altura de ceifar as searas.
Isto para dizer
que esta realidade que pensávamos ultrapassada não constitui, pelo
menos para muitos de nós, uma grande novidade. Convivemos com ela e,
quase de certeza, vamos voltar a encontrá-la por aí um destes dias.
Se fico satisfeito com esse reencontro? Obviamente que não. E quem
me lê com regularidade fará a justiça de o reconhecer. Agora que é
uma inevitabilidade para que nos devemos preparar, disso nem vale a
pena ter dúvidas.
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Não há trabalhadores?! Experimentem pedir colaboradores, pode ser que resulte.
Nos tempos que
correm a noticia da falta de mão de obra para trabalhar só pode
constituir uma espécie de piada. De mau gosto, no caso. Nem
interessa saber onde é o trabalho ou no que consiste. Quando o
desemprego atinge os níveis dramáticos que se conhecem, parece
pouco razoável que um empregador tenha de recorrer a estrangeiros
para ver satisfeitas as suas necessidades laborais.
Trabalhar no
campo não é fácil. Ganha-se mal – miseravelmente, reconheço –
mas, ainda assim, será seguramente menos mau do que não ter emprego
nem dinheiro para sobreviver. Que, também reconheço facilmente, é
o máximo que se pode fazer com os ordenados que se praticam na
agricultura e noutro sectores pouco exigentes em matéria de
qualificações. Embora isso, vendo o que oferecem aos licenciados,
seja muito relativo.
Estamos,
nalguma parte do sistema, a cometer um erro qualquer. Identificá-lo
está, naturalmente, fora da minha órbita de conhecimento. Acabar com
todo o tipo de apoios sociais, para obrigar quem deles beneficia a
aceitar qualquer tipo de trabalho, não será a solução. Fazê-lo
seria criminoso. Mas, quando existem desempregados a “dar com um
pau” a mendigar empregos aos presidentes das câmaras e, mesmo ao
lado, um empregador não consegue arranjar quem queira trabalhar,
também não me parece um coisa muito séria. Por muito que isso
custe a uma elite bem pensante e que, como dizia o Jerónimo, sabe
“lá o que é vida”.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
1000 maneiras de esturrar o nosso dinheiro
Os disparates,
as loucuras ou a simples parvoíce em forma de promessa eleitoral
estão surgir por todo o lado, em ritmo cada vez mais acelerado, à
medida que as eleições autárquicas se aproximam. Complementando,
porque isto não pode parar, o muito que neste âmbito tem vindo a
ser feito por este país fora. Até 22 Setembro, a acreditar no
sempre bem informado professor Marcelo, iremos ficar a conhecer mil
novas maneiras – ou até mesmo mais - de esturrar o nosso
dinheiro.
Uma delas -
talvez a número um, mas isto nunca se sabe o que esta malta é capaz
de prometer – fez um dia destes noticia num jornal diário. Luís
Filipe Menezes, o homem que colocou Gaia num dos lugares do topo dos
municípios mais endividados e que agora se prepara para promover
igual proeza no Porto, teve uma ideia mirabolante. Campo em que,
faça-se justiça, o homem é um génio. Desta vez, o candidato à
invicta idealizou a construção de um túnel a ligar as duas margens
do Douro. Algo, assim por alto, para uns cinquenta e quatro milhões.
Uma bagatela, portanto. Para a qual, pasme-se, até já terá
realizado uns quantos estudos e elaborado uns esboços.
Tenho
aguardado, desde que a noticia foi publicada, por reacções mais ou
menos enfurecidas contra esta ideia. Nomeadamente manifestações de
protesto, buzinões ou, no mínimo, gente a cantar a “Grândola”
onde quer que LFM se desloque. Em vão. Ninguém pia. Devem estar a
guardar a indignação para quando chegar a hora de alguém ter de
pagar a conta de mais este investimento público.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Os javardolas do poleiro podiam, de vez em quando, ser sérios.
Em nome da
alegada sustentabilidade do sistema, anuncia-se mais um ataque ao
vencimento dos funcionários públicos e às pensões dos reformados
da função pública. Um novo aumento do desconto de trabalhadores e
aposentados para a ADSE. Só, e apenas, porque o governo sabe que
com esta medida arrecada mais uns cobres enquanto, demagogicamente,
vai mantendo vivo, entre a população, o sentimento de aversão a
quem trabalha para o Estado. Isso e o espírito de vingança que está
presente nas mentes tacanhas daquela gente, ainda com o acórdão do
Constitucional por digerir.
Obviamente que
não está em causa a viabilidade da ADSE. Como está amplamente
demonstrado, este é um sub-sistema que permite ao Estado
gastar muitíssimo menos com a saúde dos seus beneficiários do que
gastaria se estes optassem pelo SNS. Mas, mesmo admitindo que aquele
organismo tenha problemas de viabilidade financeira sem este aumento
da contribuição de quem dele beneficia, então o governo que deite
mão de outros recursos. Nomeadamente cobrar aquilo que os municípios
devem a esta entidade. A titulo de exemplo, só para se ter a noção da dimensão do regabofe que por aí vai, uma Câmara alentejana deverá
à ADSE – a acreditar na informação publicada no respectivo site
- cerca de um milhão e quatrocentos mil euros. Que o governo,
diga-se, não recupera porque não quer. Prefere ir aos bolsos dos do
costume. Mas é disto que o povo gosta!
terça-feira, 21 de maio de 2013
Cuidado com o que (com)prometes!
Desconheço se
algum candidato, ou candidato a candidato, a um dos muitos lugares de
autarca que vão estar em disputa nos trezentos e oito municípios e
mais de três mil freguesias é leitor do Kruzes. Se o for ainda bem.
Vou, em jeito de serviço público, lembrar um pequeno detalhe –
uma insignificância, quase – que dá pelo nome de Lei dos
Compromissos e Pagamentos em Atraso e que todos eles deverão ter em
conta na altura, que deve estar quase a chegar, de preparar o
programa eleitoral.
Diz a dita lei
– a 8/2012, de 21 de Fevereiro – que as entidades públicas “não
podem assumir compromissos que excedam os fundos disponíveis”. Ou
seja, de forma resumida, que não possam pagar nos noventa dias
seguintes. Titulares de cargos políticos ou dirigentes responsáveis
pela contabilidade das organizações que o façam incorrem em
“responsabilidade civil, criminal, disciplinar e financeira,
sancionatória e ou reintegratória”. Estarão, portanto, a cometer
um crime pelo qual, mais tarde ou mais cedo, serão chamados a
prestar contas. Para os mais cépticos quanto à necessidade de dar
cumprimento a estas normas recordo que o Isaltino continua preso e
que o Tribunal de Contas vai, de vez em quando, aplicando umas
multazitas.
Nestas
circunstâncias mandará a prudência uma certa contenção acerca
daquilo que se vai prometer. O mesmo se deve também dizer quanto ao
que podemos e devemos – nós, os eleitores – exigir aos que se
vão apresentar como candidatos a governar em nosso nome. Daí que
era capaz de não ser má ideia revelar um pouco mais de contenção
na hora de reclamar o subsidio, o passeio, as festarolas, o emprego
para o filho ou a obra faraónica igual à do concelho vizinho. Para
o bem de todos. Porque os compromissos deles somos nós que os
pagamos.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
FDP (Fidalgo, desleixado e poluidor)
Andava
há meses para fotografar este chaço. Calhou hoje. Lamentável
apenas o ângulo
não ser o melhor e existir outro veículo pelo meio. Questiono-me
acerca da possibilidade de uma viatura nestas circunstâncias passar
na inspecção.
Ou, se não tiver passado, dos motivos porque não foi ainda
interceptado pelas autoridades com competências em matéria de
trânsito e ambiente. Até porque, recorde-se, a GNR tem uma brigada
especialmente dedicada – e, a julgar por outros casos,
particularmente atenta – às questões ambientais.
Não
me interessa se o individuo em questão tem ou não dinheiro para ter
outro carro. Se não tiver que ande a pé. Ou a cavalo, como faz de
vez em quando. Sempre polui menos. Agora andar impunemente a
envenenar os transeuntes é que me parece muitíssimo mal. E NÃO HÁ
NINGUÉM QUE TRATE DISTO, PORRA?!
domingo, 19 de maio de 2013
Cagadela monumental
Este vistoso monte
de merda, de proporções épicas de que a foto não transmite a real dimensão, podia ser contemplado hoje pela
manhã na Urbanização do Monte da Razão, em Estremoz. O autor
desta proeza será, presumo, este mastim preto propriedade de um morador na vizinha Quinta das Oliveiras, vulgarmente conhecida
como Urbanização dos Currais. Trata-se de um cão de enorme porte,
gordo como um texugo e com alguma dificuldade de locomoção, pelo
que só é visto nas imediações quando se trata de arrear o calhau.
Coisa que faz diariamente nas artérias circundantes mas sempre a uma
razoável distância da casa da família. É esperto o bicho. Diria
até que o que sobra em inteligência ao animal falta em civismo aos
donos.
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