quarta-feira, 3 de junho de 2026

A greve do costume



Mais uma greve geral. Outra vez mesmo a jeito de um fim de semana prolongado. Nada a que não estejamos habituados. A adesão, por isso e pelo que mais calhar, deve ter sido enorme.

Pelo que se vê, aderiram os do costume. Ou seja, aqueles a quem o pacote laboral não se aplica, impedindo os demais – os restantes, a quem realmente se aplica – de ir trabalhar. Tudo muito legitimo, que isto de fazer greve é um direito. Nem que seja na defesa dos seus privilégios. Ou, igualmente carregadinho de legitimidade, na exigência de mais privilégios.

De resto tudo normal. Como de costume passa a imagem de um país parado. Segundo os dados propagandeados, a paralisação superará os noventa por cento. Ou mais. Lá para o final do mês as folhas de vencimento darão a resposta mais exacta. Ou não.

terça-feira, 2 de junho de 2026

Os dramas que os deixam tragicamente horrorizados



São muitos e graves os problemas que afectam o país e os portugueses. Alguns deles – dos problemas – são, até, ambas as coisas. Muito graves. Nos últimos dias surgiram mais dois. Qualquer um de extrema gravidade e ambos capazes de infernizar a vida a muita gente.

Primeiro foi aquilo das sombrinhas na praia. Acabar com a proibição, imposta pelo concessionários, de espetar o chapéu de sol no areal entre a beira-mar e as espreguiçadeiras de uma zona concessionada, tornou-se quase num desígnio nacional. Ou, a bem-dizer, das televisões que aquilo é gente que sabe muito bem o que desinteressa aos portugueses. Deve ser por isso que, não fossem os nossos impostos, estariam todas falidas.

Outro drama recente é a intenção do governo reunir uma quantidade de prestações sociais numa só. O que já de si era péssimo, como consideram aquelas criaturas de que ninguém faz caso, mas que sabem o que é melhor para nós. Pior ainda é haver a intenção de que os beneficiários de uma ou duas delas terem de prestar trabalho social, quinze longas horas semanais, para as poderem receber. Coisa que, naturalmente, deixou à beira de um ataque de nervos todos aqueles que ficam horrorizados sempre que ouvem a palavra trabalho. Não é para menos, que isto só trabalha quem não sabe fazer outra coisa e muita dessa malta sabe-a toda.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Dar a volta ao Volta


Diz que aquilo do “Volta” está a correr bem. A adesão por parte dos consumidores tem superado todas as expectativas e o número de embalagens devolvidas – garrafas e latas, por enquanto – são para lá de muitos. Muitíssimos, mesmo. Coisa que deixou o manda chuva que administra a organização manifestamente surpreendido, ao que confessou publicamente quando divulgou os resultados do primeiro mês de existência deste novo sistema de extorsão aos consumidores.

Por mim, que me fartei de reclamar desta ideia, dou a mão à palmatória. Até porque, ao que me garante quem vê, haverá famílias – ou grupos, a doutrina linguística divide-se quanto a isso – que passarão o dia junto às maquinetas dos supermercados a reciclar aqueles recipientes. Bebem muito, eles. Foi, assim de repente, o que me ocorreu. Mas não. Garantiu-me quem assiste a estas cenas que terão engendrado um esquema que lhes permite meter, tirar e voltar a introduzir na traquitana, vezes sem conta, a mesma embalagem até se aborrecerem. Ou, quiçá, considerarem que o valor do vale já valeu o esforço.

A ser verdade – e não tenho razão nenhuma para duvidar dos relatos que tenho ouvido – acho genial. Um exemplo de empreendedorismo a ser replicado, diria. Ou, parafraseando a minha sábia avó, para esperto, esperto e meio. Afinal, isto é tudo uma questão de guito. E de guita, também.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Cães de luxo, passeios de terceiro mundo




Não vale a pena. Podem fazer o que quiserem. Cartazes, campanhas, colocar disponibilizadores de sacos em cada esquina ou o que mais calhar. Nada vai resultar. As pessoinhas interiorizaram que o seu canito pode arrear o calhau onde a natureza o exigir e que os demais têm obrigação de aceitar isso.

Toda a gente se acha no direito de ter um cão. Mesmo que habite num T1 sem varanda e o bicho seja um pastor alemão. Noutros tempos, alguém que fizesse essa opção de vida teria de pagar uma taxa de um valor relativamente simpático. Hoje, se pagar, paga uma ridicularia. Daí que, actualmente, a quantidade de cães – e, também, de gatos – assuma proporções bíblicas. Já falta pouco para o país atingir a proporção de um animal doméstico por contribuinte líquido, o que talvez explique muita coisa sobre o estado das contas públicas e o cheiro de certos passeios.

Tudo isto tem um custo. A limpeza do espaço público não se faz de borla e a manutenção dos canis municipais, lotados de cães abandonados e que têm de ser alimentados até desviverem, também não. Mais uma consequência, para os contribuintes, da fantástica governação da geringonça de que uma minoria ainda tem saudades. Parece-me óbvio que, não fossem os tais prostitutos políticos de que fala o outro, há muito teria sido lançado um imposto a sério sobre a posse de animais domésticos em meio urbano. É que fazer alojamento para a canzoada custa entre trezentos mil e quase dois milhões de euros. Ou seja, muito IMI. Até de quem não tem cão.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Isto está quentinho, está...




Assim que a temperatura sobe um pouco mais do que habitual começa a romaria de repórteres em direcção ao Alentejo. Já é hábito. Isso e a deslocação em massa de enviados especiais a Badajoz e Ayamonte, de cada vez que o preço dos combustíveis em Portugal aumenta e a diferença para Espanha justifica passar a fronteira para encher o depósito.

Por estes dias voltámos ao mesmo. O calor como tema para largos minutos de informação. Conselhos acerca da melhor maneira de escapar à canícula são mais que muitos. Garantias que nunca se viu nada assim também não faltam e previsões que o futuro será ainda pior vão sendo deixadas quase em tom de ameaça. Se eles o dizem não vou ser eu, pobre alentejano que anda por cá há uma porrada de anos a aturar este “calor d’um cabrão”, que os vou contrariar. Pelo contrário. Acrescentarei até, baseado em vozes na minha cabeça – uma fonte tão boa como muitas outras que vejo nas Tv’s - que se este estio continuar, em breve as vacas irão dar leite em pó.

Entretanto ninguém das televisões aproveitou para ir a Espanha. Diz que por lá as coisas estão igualmente escaldantes. Tanto que a policia terá entrado na sede do Partido Socialista lá do sitio. Deve ter sido para se refrescar...

terça-feira, 26 de maio de 2026

Morfes e outras manias



Cada qual come o que gosta. Ou o que pode. Pouco me importa que haja criaturas a preferirem tornar-se herbívoros. É lá com eles. Desde que não me aborreçam, convivo bem com as opções dos outros. Não precisam é de me tentar influenciar no sentido de mudar os meus comportamentos e de levar a adoptar os deles.

Há animais que são criados para serem comidos. Se não tivessem essa finalidade nem sequer existiam. Muitos consideram que a sua criação tem custos ambientais e, por isso, urgirá diminuir drasticamente ou mesmo eliminar a sua produção. É uma opinião e, nisso das opiniões, cada maluco tem a sua.

Existe, igualmente, quem entenda ser necessário poupar água. Coisa que, diga-se, parece do mais elementar bom senso. Ainda assim não andam por aí a escrever nas paredes nem, que eu saiba, a sugerir que não puxemos o autoclismo ou não tomemos banho. Embora, desconfio quanto à última parte, que se trata de uma prática ambiental muito popular.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

O activismo é o ópio do jornalismo

 

Uma revista de publicação semanal aborda na sua mais recente edição, com chamada de primeira página, “o poder da religião na política”. Ao contrário do que pensei ao ler a parangona, o articulista não se debruça sobre o poder da religião em ascensão e em dramática expansão na Europa. Pelos vistos o financiamento promovido pelas teocracias islâmicas - o Irão, nomeadamente – dos movimentos terroristas como o Hamas, o Hezbollah e os Houthis, só para citar os principais destabilizadores directos de todo o médio oriente e do mundo restante serão coisa de somenos.

Tão pouco importa que diversas seitas, fundações e o que mais calhar de origem muçulmana financie com o evidente propósito de destabilizar a Europa todo um conjunto de activismos. Nada disso preocupa o jornalismo. Preocupante é apenas que os decisores se deixem influenciar pelo catolicismo. O problema é o primeiro ministro ir a Fátima em dia de peregrinação. Como se, por um lado, Portugal não fosse ainda um país maioritariamente católico e, por outro, o primeiro ministro não pudesse ir onde lhe dê na realíssima gana.

Com gente desta o futuro não será um lugar onde nos agrade viver. Felizmente, para mim, está suficientemente longínquo. Aos muitos dos que hoje procuram esse destino, faço votos para que consigam lá chegar a tempo de usufruir daquilo que agora desejam.

domingo, 24 de maio de 2026

Segunda habitação

A minha relação com o Blogger não é pacifica. Nunca foi. Tal como já aconteceu na anterior passagem por aqui, continuo a ter dificuldade com a edição dos textos. Outra questão que igualmente me desagrada são as actualizações – os posts novos – não surgirem ou aparecerem com muito atraso nos blogs que têm links para o Kruzes.

Pode, admito, ter a ver com o template ou com as definições que utilizo. É uma explicação. Estranha, no entanto. Nunca tal aconteceu no Sapo onde, ao contrário daqui e salvo um ou outro raríssimo problema técnico momentâneo, existiu qualquer problema desta natureza.

É por estas – e por outras, também – que de ora em diante o “Kruzes” estará igualmente disponível em https://kruzeskanhoto.blix.pt/ Por enquanto esta segunda versão está em fase de construção, nomeadamente no que diz respeito à importação de todo o conteúdo editado ao longo destes dezanove anos de escrita.

Por aqui nada mudará. Se, como espero, a outra plataforma se mostrar mais amiga dos utilizadores com pouca paciência – como, reconheço, é o meu caso – a única diferença será que os textos serão primeiro publicados lá e só depois aqui. De resto, os conteúdos serão os mesmos. Ou não. A menos que mude de ideias. Que é coisa que me acontece muitas vezes...

sábado, 23 de maio de 2026

Arte suspeita


De certeza que, aos olhos dos especialistas na especialidade, isto não se trata de uma obra artística. Arte será outra coisa qualquer. Pior, este trabalho representa uma cena tradicional protagonizada por um povo que urge substituir. E não sou eu que estou a inventar ou a papaguear teorias mais ou menos conspirativas. A intenção foi assumida, proclamada publicamente e nunca contrariada pelos sequazes e aliados, por uma dirigente de um partido representado no governo. Admira-me, por tudo isso, que ainda esteja de pé. Alguém, um dia destes, se há-de sentir ofendido. Num país onde exibir a bandeira nacional já chega a ser considerado um acto provocatório, homenagear uma tradição local não tarda constituirá um crime de ódio.

Mas, como escrevi no inicio, arte não é certamente. Arte seria se fosse um ferro velho retorcido encimado por um trapo palestiniano.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Excursionistas maritimos e outros figurões

 

Uns quantos figurões têm manifestado a sua indignação por causa da maneira como os badalhocos da mais recente flotilha que tentou chegar a Gaza foram tratados pelos israelitas. Nada com que, parece-me, um governante se deva preocupar. Se calhar seria melhor que Luís Montenegro se preocupasse mais com a segurança dos portugueses, do que com as actividades que os meliantes desenvolver lá longe e com as quais nada temos a ver. Ou, vá, governar talvez não fosse má ideia. Também Costa e Gueterres exprimiram o seu horror perante as imagens divulgadas daquela vadiagem a ser devidamente educada pela tropa israelita. Eu, confesso, estou igualmente horrorizado. Ainda não me esqueci do que um e outro fizeram ao país. Nem tal é possível. Mesmo que quisesse, basta sair à rua para a realidade com que me deparo mo recordar.

Quando às criaturas que embarcaram no cruzeiro pelo Mediterrâneo, já sabiam ao que iam. A ideia sempre foi, nesta e nas outras expedições marítimas, dar nas vistas e ter uma passeata à borla. A contrapartida era passarem por aquela provação. Mais ou menos como fazem algumas agências de viagem que organizam excursões gratuitas em que, para beneficiar da oferta, os excursionistas têm de assistir durante duas horas à apresentação de um produto qualquer. Só vai quem quer e quem vai é porque está disposto a aturar os palestrantes. Depois não se queixem. Até porque ninguém quer saber.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Agricultura da crise

 




Ontem foi dia da primeira colheita da única cerejeira cá do quintal que já produz. A outra ainda é demasiado jovem para isso. Lá para o fim de semana haverá mais. Outras tantas e, se calhar, as últimas. Ou quase. Se, claro, o Vinicius se mantiver afastado. O que é provável, dado que nos últimos dias não tenho posto a vista em cima daquele melro delinquente. Andará com certeza entretido nalgum quintal da vizinhança, já que no meu a rede em torno da árvore deve tê-lo persuadido a manter-se afastado.

Entretanto, já que estou com a mão na massa, a salada - que desde há meses é confeccionada com as alfaces da crise - ganhou hoje um novo ingrediente também de produção doméstica. A beterraba da crise. Tudo biológico, produzido de forma sustentável e com iva zero. Nem sei como não estou rico...

terça-feira, 19 de maio de 2026

Gente pouco séria

 

Sou pouco dado a essa cena dos euro-festivais. Nunca liguei peva. Mais ou menos como dizia o outro: “Não vejo e não gosto”. No entanto, nos últimos anos a polémica que os activistas criaram em torno daquele circo de aberrações, por causa da participação de Israel, tem tido o efeito de suscitar a minha curiosidade em relação aos resultados. Como seria de esperar, as votações dos diversos públicos nacionais são esmagadormente diferentes das escolhas dos júris das televisões participantes. Um hábito, essa coisa da opinião pública raramente coincidir com a opinião publicada. Gosto sempre de ver a azia que isto de as pessoas votarem provoca às criaturas que se acham donas da razão. Nisto dos festivais e em tudo o resto. Já deviam estar habituados.

Ficámos igualmente a saber que uns jovens, alegadamente membros de uma organização auto-denominada Climáximo, entraram num supermercado e tiraram coisas das prateleiras. Tendo, acto continuo, saindo do referido espaço sem passar pelas caixas. Ou seja, roubaram. Mas isto, claro, sou eu a concluir. Não sei se, para o indivíduo que escrevinhou a noticia, foi o que aconteceu. Anda um pai a criar um filho e os contribuintes a proporcionar educação à borla a uma criatura, para isto… depois admiram-se de ninguém os levar a sério.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Crise?! Qual crise?

 

Diz que os portugueses gastam seiscentos mil euros por dia em injeções para emagrecer. Ao que garante quem sabe destas coisas, são os mais pobres quem mais padece desta enfermidade. Sim, parece que agora ser gordo é uma maleita. Ainda bem. Não, obviamente, por o ser, mas apenas por assim não constituir motivo para chacota. Que, manda o bom senso, das doenças ninguém se atreve a zombar.

Costumo confiar nos números e se eles evidenciam estas realidades não vejo, também neste caso, motivo para duvidar. Parece-me óbvio, assim de repente, que quem compra estes medicamentos serão os obesos. Ricos, remediados e pobres. Prioridades que, naturalmente, não questiono. Até porque, em muitas circunstâncias, trata-se mesmo de um problema de saúde e preservá-la constitui uma prioridade que poucos ousarão negligenciar.

O meu ponto é que, a fazer fé nos valores divulgados na noticia do Público, cada embalagem custará mais de duzentos euros. Sem comparticipação, acrescenta o jornal. A ser verdade, a crise de que tanto se fala não passa de uma falácia. Nada de que eu não ande desconfiado…

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Família: Essa organização estruturalmente qualquer coisa fóbica e ocasionalmente violenta

 

Começo seriamente a dar razão aos gaiatos da organização juvenil do SPD – o equivalente alemão ao PS – que pretendem acabar com a família tal como a conhecemos. Na moção apresentada ao recente congresso do partido, os pequenos Lenines defendem a abolição do casamento civil e o fim dos privilégios legais e fiscais a ele associados. Segundo os prodígios sociológicos da Juventude Social-Democrata alemã, o casamento tradicional aprofunda estruturas patriarcais, limita a liberdade individual e discrimina pessoas que preferem modelos relacionais mais criativos, fluidos e, imagino eu, logisticamente caóticos. Os benefícios fiscais atribuídos aos casais constituem, dizem eles, uma violência fiscal contra quem opta por não viver em relações monogâmicas. O texto vai ainda mais longe e classifica o casamento como um instrumento ao serviço do Estado capitalista para impor políticas “misóginas, queerfóbicas, classicistas e racistas”. Talvez por não frequentarem a catequese, faltou apenas acusarem Santo António de branqueamento heteronormativo.

Pensando bem, talvez tenham razão. Afinal, basta abrir um jornal ou ligar uma televisão para perceber o flagelo civilizacional que a família representa. São famílias que agridem médicos, enfermeiros, polícias e qualquer infeliz que tenha a ousadia de lhes pedir um mínimo de civismo. São famílias que roubam lojas, assaltam idosos, vivem da burla MbWay e outras, traficam droga, exploram mão-de-obra, protagonizam rixas campais e transformam urgências hospitalares em ringues de MMA. Quase sempre famílias. Nunca, curiosamente, “colectivos afectivos de responsabilidade partilhada”. Perante semelhante evidência, torna-se difícil contestar os jovens camaradas alemães. A extinção da família surge não apenas como uma opção política, mas como um imperativo higiénico. Uma espécie de desinfecção social em nome de um futuro melhor, mais inclusivo e, sobretudo, terminologicamente mais sofisticado.

Em alternativa, os Jusos – assim se chama a JS lá do sítio – propõem a criação de uma “comunidade de responsabilidade”. Um modelo contratual mais flexível, garantem, centrado em cuidados de saúde, heranças e apoio mútuo. Um novo modelo social que podia ter como lema “onde vai um, vão todos”, “mexeu com um, mexeu com todos” ou “um por todos e todos por um”. Evidentemente que onde se lê “um”, também se pode ler “uma” ou “ume”, que eu não sou de discriminar ninguém nem quero ser acusado de violência fonética.

Uma ideia magnífica, esta. Qualquer pessoa percebe imediatamente a superioridade moral de uma “comunidade de responsabilidade” face a uma mera família. Desde logo porque ninguém imagina uma comunidade de responsabilidade a invadir urgências hospitalares aos gritos ou a resolver divergências sacando da pistola. Isso são comportamentos retrógrados, próprios da família tradicional. No fundo, talvez esteja aqui o futuro. Acabam-se as famílias, acabam-se automaticamente os crimes cometidos por famílias. É ciência social de vanguarda. Depois disso, suponho que bastará abolir “grupos de jovens” para acabar com a delinquência juvenil e extinguir “comunidades criminosas” para eliminar o crime organizado. A realidade, como se sabe, resolve-se sempre mudando os nomes às coisas.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Xenofobia imobiliária

 

Segundo dados recentemente divulgados, os estrangeiros estão a comprar cada vez menos casas em Portugal. Actualmente apenas cinco por cento das transações realizadas envolvem a compra por não nacionais. Trata-se do valor mais baixo desde dois mil e dezassete e significa, por exclusão de partes, que noventa e cinco por cento é mercado nacional.

Ainda assim os preços continuam a subir como se não houvesse amanhã. Se calhar, digo eu que gosto muito de dizer coisas, seria boa altura para muitos repensarem os argumentos mais usados para justificar a vertiginosa subida dos preços no mercado da habitação. Seja na venda ou no arrendamento. Quando as casas acabam vendidas, a portugueses, por um valor superior ao inicialmente pedido ou, no mercado de arrendamento, surgem ofertas de empresas com propostas do tipo “diga lá quanto é que quer porque temos de arranjar alojamento para uns trabalhadores e não nos importamos de pagar mais do que está a pedir”, não me parece que a culpa, num e noutro caso, seja dos estrangeiros endinheirados.

Como noutras coisas, pode sempre argumentar-se com a ganância de quem vende ou arrenda. Poder, até pode. Contudo, nas mesmas circunstâncias, a esmagadora maioria optará sempre por fazer negócio pelo valor mais elevado. Excepto, talvez, aquela senhora do Bloco de Esquerda que agora se dedicou aos negócios da restauração. Presumo que lá no estabelecimento dela as cervejas e as bifanas sejam a preços muito abaixo da concorrência, servidas com um generoso acompanhamento de coerência ideológica.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

O luxo e o lixo

 

A América – a, ainda, grande potência – ensandeceu. As consequências do wokismo e da resposta dos americanos a essa doença do âmbito mental dificilmente podiam ser outras. Adivinhavam-se há muito tempo. A radicalização política e social daí resultante conduziram à eleição de Trump e de Mamdani para presidente da Câmara de Nova York e, teme-se, não devem ter revelado o fundo poço. Desconfio que, para mal dos nativos e de todos nós, que ainda exista muito mais para escavar. As tropelias do Trump têm, como é óbvio, eco à escala planetária. Afectam toda a gente. As do Mamdani são localizadas. Não as sentimos no bolso e os efeitos de que nos podemos queixar limitam-se aos delírios que provocam nas mentes mais frágeis e nos esquerdistas, passe o pleonasmo.

Ao presidente islamo-comuna que os nova-iorquinos escolheram para lhes desgraçar a vida ocorreu-lhe, para financiar as suas ideias exóticas, criar um imposto sobre as segundas vivendas de luxo. Uma coisa popular, como convém. O BE, à nossa dimensão, defende uma cena parecida, mas tirando a parte do luxo. Podemos até, assim de repente, simpatizar com a medida. O pior é que, já dizia a minha avó, quem precisa nunca deixa de precisar. E, para acudir a todos será necessário ir baixando os padrõezinhos porque, ao contrário do que ensinava o camarada Mao, esta gente prefere dar o peixe do que ensinar a pescar. Aos entusiastas da ideia deixo uma sugestão. Esperem dois anos para ver os resultados…

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Não há almoços grátis

 

É inacreditável a quantidade de pessoas que julgam convictamente ser possível proporcionar todo o tipo de bens e serviços de forma gratuita a toda a gente. Ou, outros ligeiramente menos ingénuos, a uma enorme franja da população que caracterizam como vulnerável. O Estado, no entendimento dessas pessoas, terá essa obrigação.

Obviamente tal não é possível. E, mesmo que assim fosse, rapidamente constataríamos que o sistema, para além de não ser viável, não seria do nosso agrado. Todos os povos que viveram – ou ainda vivem, infelizmente para eles – sob as ditaduras comunistas, onde essas práticas foram experimentadas, sabem disso. Por mim, prefiro um país onde toda a gente tenha rendimentos – do trabalho, capitais ou outros desde que legítimos - que lhes permitam pagar todos os bens e serviços de que necessitem.

A última exigência de gratuitidade vem, outra vez, dos doidinhos do Bloco de Esquerda. Querem, no que estranhamente são secundados por pessoas aparentemente inteligentes, que as refeições escolares sejam inteiramente gratuitas até ao 12º ano. O mais provável é conseguirem levar a ideia avante. Alguém, obviamente, vai pagar que isto não há almoços grátis. Na parte que me toca, já estou habituado. Paguei as dos meus filhos, por que raio não hei-de pagar as dos outros?

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Dar-lhes o desconto...

 

Outra vez. Esta gente já aborrece com as teorias parvas acerca das desigualdades sociais. Andam por aí uns teóricos a teorizar sobre os malefícios das reduções introduzidas nos escalões e taxas do IRS. Tudo porque, argumentam, contribuíram para a diminuição da progressividade do imposto e, com isso, fizeram com que quem ganha mais fique com mais dinheiro. Ou, na verdade, seja ligeiramente menos espoliado pelo Estado. Esqueceram-se foi de dizer que quem ganha menos também beneficiou. Embora isso, por razões facilmente entendíveis, pouco importe para a história que se pretende impingir.

O que esta gente podia era, de uma vez, esclarecer o que pretende. Se, para eles, diminuir – ainda que em valores ridiculamente pequenos – os impostos sobre o trabalho conduz ao aumento das desigualdades, parece-me legitimo concluir, que defendem o seu aumento para as reduzir. Ou seja, quem trabalha tem de governar quem nada faz. E, por mais estranha que possa parecer esta ideia, há quem ache que devem trabalhar ainda mais para os que nada fazem possam ter uma vida o mais igual possível aqueles que têm de moer o coirão.

Mas não se ficam por aqui. Há cada vez mais malucos desses a achar que o Estado deve igualmente ser herdeiro de quem vai batendo a bota. Tudo porque, dizem os patetas, ninguém tem culpa de ter nascido pobre. Lotaria do berço, como lhe chamam os javardotes dos esquerdistas. Gente de bom coração, esta. Chega a ser comovente ver uma legião de alminhas generosas, muito solidárias, sensíveis e sempre prontas a redistribuir riqueza. Dos outros.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Alguns e os outros

Sou, enquanto munícipe, um critico da maneira como as autarquias esturram o dinheiro público. Acho inadmissível - enquanto contribuinte, reitero - que se distribuam subsídios apenas porque sim e que se delapidem os cofres municipais a fazer festas, espectáculos musicais, certames de interesse publico muito duvidoso ou a dar casinhas e outras benesses a quem não quer trabalhar.

Também não nutro especial admiração pelo jornalismo actual. Não se limita a transmitir a noticia e a deixar a sua apreciação para o ouvinte, ler ou telespectador. Insiste em opinar acerca do conteúdo noticioso, transmitindo quase sempre um ponto de vista enviesado e tendencialmente inquinado pelas opções políticas do jornalista. O que revela uma falta de profissionalismo notável.

Isto a propósito da cobertura noticiosa daquele evento “chiquérrimo” no parque Eduardo VII, financiado pela Câmara de Lisboa. Uma vergonha, como diria o outro, que se esturre dinheiro dos impostos numa coisa daquelas. Muito bem a comunicação social quando refere que se trata de usar o “dinheiro de todos em prol de apenas alguns”. É um facto e fez bem em referi-lo. Atendendo ao contexto percebe-se porque o fez. Lamentavelmente nunca o faz noutras circunstâncias. Aquelas, por exemplo, em que todos pagamos em prol dos “alguns” de que a esquerda gosta. O Presidente da Câmara de Loures, entre outros, que o diga.

domingo, 3 de maio de 2026

Guerra no quintal


 

O meu quintal quase parece o Egipto no tempo das sete pragas. São piolhos nas árvores, lagartas nas couves, formigas por todo o lado, pássaros de várias marcas a devorarem tudo o que podem, pulgões nos morangos e bicharocos que nem o Google identifica a alimentarem-se do que lhes estiver mais à mão. Boca ou seja lá o que for, no caso.

A batalha contra todos estes invasores tem sido épica. E prolongada, também. Os resultados, dado que não uso produtos químicos no espaço cultivado, são mais modestos e o extermínio dos inimigos difícil de conseguir. Ou, pelo menos, de os obrigar a bater em retirada.

Contra as lagartas a luta foi corpo a corpo através da técnica do esmagamento, primeiro dos ovos e depois dos bichos. Os pulgões dos morangos estão igualmente controlados. A água com sabão borrifada sobre as plantas tem o miraculoso poder de os eliminar. Ou, pelo menos, afastar durante um tempo. Depois voltam, provavelmente mais limpos e mais irrritados. Pior são os piolhos das árvores. Uma delas foi atacada por uma praga de proporções bíblicas. Não há nada, de base natural, que os mate. A solução foi mesmo cortar os ramos mais infestados para diminuir a dimensão do problema.

Finalmente o Vinicius. Não há nada que demova aquele melro chato de invadir o meu quintal como se isto fosse tudo dele. Anda feito com os mirtilos, as cerejas e os morangos, o patife. Para já a solução é barrar-lhe o caminho. E, antes que surjam teorias acerca da legalidade da coisa, estas redes não são proibidas. Não se destinam à captura dos pássaros, mas apenas à protecção dos frutos.