sábado, 18 de julho de 2026

MAI nada


 

A esquerda adora o actual Ministro da Administração Interna. Mesmo sendo ele membro de um governo que odeia. A direita, por seu lado, odeia-o. Ainda que o homem integre um executivo que é suposto apoiar. Ou, pelo menos para a direita mais à direita, tolerar.

E o que fez o homem, em termos de política governativa, para suscitar estes sentimentos aparentemente contraditórios? Nada. Em bom rigor, não fez absolutamente nada. Não se lhe conhece uma ideia para o país, não é conhecida nenhuma proposta de reforma que mude o rumo seja do que for e nem sequer desfez nada que os antecessores tenham feito.

Assim sendo, qual a razão para a adoração de uns e o ódio de outros tantos? Pergunta parva, obviamente. Toda a gente conhece aquelas declarações do antigo chefe da Judiciária, em que a criatura garantia a inexistência de relação entre imigração e criminalidade, atribuía elevada perigosidade à extrema-direita e proclamava a insegurança como mera e injustificada percepção.

As tropelias que o homem possa eventualmente ter cometido e das quais venha ou não a ser formalmente acusado, são de outro campeonato. Não podem, nem devem, ser exacerbadas nem desvalorizadas em função da nossa concordância ou reprovação com as declarações da criatura sobre a criminalidade ou a imigração. Fazê-lo, como está a acontecer com toda a gente que opina acerca do assunto, diz muito sobre quem o faz. Uns e outros.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Poupar é caro

Poupança é um conceito que, vá lá saber-se porquê, irrita os portugueses. Muito, a julgar pelas reacções a que se assiste sempre que alguém ousa sugerir a sua despenalização fiscal. Admito que muita gente não tenha condições, por todas as razões e mais alguma, para colocar de parte algum dinheiro. Também não me aflige por aí além que outros, ainda que o pudessem fazer, optem por esturrar tudo o que ganham sem qualquer preocupação em constituir um mealheiro para uma eventual situação de aperto financeiro.

O que me aborrece mesmo é a reacção de toda esta gente – e de outra – quando alguém propõe a isenção ou a diminuição da taxa de imposto que incide sobre a remuneração da poupança. A indignação que a ideia suscita deixa-me, de cada vez que ela surge, mais convencido que vivo num país de invejosos. Pior. Num país onde os invejosos ditam lei. Têm tanto poder que o Estado abotoar-se com 28% do rendimento de um depósito a prazo é das poucas medidas da Troika que até hoje não foram revogadas.

Como um destes dias mencionou um deputado, um prémio até cinco mil euros ganho num jogo de sorte ou azar está isento de imposto. Ainda que seja o jackpot do Euro milhões, o saque fiscal ficará nos vinte por cento de Imposto do Selo. Já os juros de um depósito a prazo ou de certificados de aforro, independentemente do valor, são confiscados em vinte e oito. Há quem ache isto justo. Quase sempre os mesmos que ainda hoje espumam de raiva quando ouvem o nome do Passos Coelho. O que, vendo bem, até faz sentido.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Uns pintam a manta... outros o caracol.


 

O muro que parcialmente aparece na foto está junto a uma antiga entrada da cidade. Antiga porque, entretanto, a cidade cresceu e a entrada acabou por ficar dentro da urbe. Como no Alentejo se prima pela limpeza, o dono da parede – um hotel que fica nas imediações – resolveu mandar pintar aquilo. E muito bem. Muito bem a intenção. Muito mal o serviço.

É que, como quase toda a gente reconhece, já não há quem trabalhe. Nem, pior ainda, quem queira trabalhar. Daí a importação massiva de gente de paragens distantes, com hábitos e costumes ainda mais distantes dos nossos. Nomeadamente ao nível da higiene, da limpeza e do saber-fazer. Embora, admito, possam ser bons nalguma coisa. Um dia, eventualmente, descobriremos em quê.

O trabalho que aqui fizeram fala por si. E por eles. A seu favor terão o facto de, se calhar, nunca terem feito nada parecido com pintar. Talvez por desconhecimento empírico da arte de manusear um pincel, não lhes tenha ocorrido a elevadíssima possibilidade de parte considerável da tinta ir parar ao pavimento e, preventivamente, cobrirem o chão com uma proteção qualquer.

Tampouco lhes importou o que estava no muro. Levou tudo com tinta em cima. Até o desgraçado do caracol que dali faz morada. Nem se deram ao trabalho de o retirar. Pintaram por cima e pronto! Obviamente ninguém nasce ensinado, mas coisas destas não se aprendem. É por estas e por outras que, pior do que importar gente sem qualificações, é importar gente desqualificada.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Inquietações inquietantes

Uma chatice essa coisa dos exames e respectiva correção. Pelo menos a julgar pelas reacções a que estamos a assistir. Confesso o meu espanto. Não, obviamente, pelas preocupações manifestadas com o transtorno causado aos envolvidos. Apenas me admiro por não ver ao longo do ano idênticas aflições perante os danos provocados pelas inúmeras greves dos professores e do restante pessoal da educação. “Ah e tal, o governo é o responsável”...Pois, nem vale a pena acabar a frase. Já sabemos que quem durante o resto do ano lectivo boicota o funcionamento do sistema de ensino, por causa de valores altamente questionáveis, é irresponsável.

Outra inquietação é aquela ideia maléfica do governo de mexer na lei das rendas. Diz que, de ora em diante, vai ser mais difícil a um inquilino ficar num imóvel sem pagar. Segundo a esquerda a nova lei do arrendamento constitui um enorme retrocesso. Portanto, ficar a dever vários meses – ou mesmo anos – de renda ao dono da casa é, para aquela gente, ser progressista.

Também o coisinho ex-grande líder do Livre se indignou com esta lei por causa do montante da caução, que passa a ficar ao livre arbítrio do locador. O que, segundo o senhor, pode levar a valores muito distintos em função da cor, da etnia ou de outra qualquer característica do candidato a inquilino. Assim de repente não estou ver qual é o problema do sonso. A mim parece-me uma boa ideia, afinal o Estado não tem de meter o bedelho nos negócios entre particulares. Nem ele, feito racista, a sugerir que as pessoas por serem assim ou assado têm necessariamente de ser pobres. Andar por aí fazia-lhe bem…

domingo, 12 de julho de 2026

É preciso um desenho?

 



“Imobiliário enche os cofres das Câmaras” proclamava um destes dias a capa de um jornal diário. Olha a novidade. Pouco importa, no entanto. A culpa do actual panorama do sector da habitação não pode ser dos municípios. Era o que mais faltava. Para os sectores que têm voz e, principalmente, formam opinião é muito mais interessante apontar outros culpados.

A actual situação do imobiliário tem muito padrinhos. Quase todos identificados, embora uns mais negados do que outros conforme a camisola partidária do especialista na especialidade. E há muitos, cada um mais especializado do que os outros todos. Ainda assim parece abusivo dizer que estamos no meio de uma enorme crise nesta área. Não estamos. Que o diga quem está a ganhar dinheiro.

Mesmo aqueles que, seja no que for, gostam sempre de acusar quem está a lucrar com um problema, nunca incluem as autarquias entre o rol de culpados. São, no entanto, os municípios os principais beneficiários do actual estado de coisas. As receitas provenientes do imobiliário, nomeadamente o IMI e o IMT, têm aumentado a um ritmo alucinante nos últimos anos e, em alguns casos, já atingem valores estratosféricos absolutamente inimagináveis há meia de dúzia de ano atrás. Com tendência para crescer, mesmo que o balão rebente e venha para aí uma crise. Quem esteve atento à nota de cobrança do IMI deve ter notado.

Aos municípios interessa manter a actual situação de valorização dos imóveis. Daí, por exemplo, não se facilitar a instalação de casas modulares, moveis e toda uma imensa panóplia de soluções que já existem. Como são mais baratas, pagariam menos e isso seria uma chatice. Alguém tem de pagar a “cultura” e as festas, festinhas e festarolas.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Seca


 

Sendo a água um bem essencial é natural que a sua falta suscite as mais inusitadas reações. Todas, ou quase, envolvendo aborrecimento, desagrado e alguma ira por parte dos afectados. Já os responsáveis pelas redes de distribuição costumam evidenciar incomodo e um manifesto agastamento por haver quem os questione. É a vida e a vida de autarca, por mais que isso os irrite, não são apenas festas. Envolve também aquela parte de governar, ou lá o que se chama aquilo que devem fazer as pessoas eleitas para um cargo político.

Pouco ou nada sei daquilo que se passa em Almada relativamente ao abastecimento de água. Ou da falta dela. Sei é que, mesmo em situações como esta, há sempre quem aproveite para endrominar os demais. Ontem, na televisão pública, uma gaiata, comentadeira habitual, atribuiu as culpas pela situação ao governo. A coitada desconhecia que esta é uma atribuição das autarquias locais e não do governo. Deste ou doutro. E pensar que é para isto que pago a taxa do audiovisual…

Outra coisa que me causa uma brotoeja imensa é o permanente recurso aos tribunais por causa de situações como esta. Querem o quê? Que o município transforme pedras em água?! Se calhar podia ter direccionado os dinheiros municipais para investimentos nesse âmbito, mas se assim fosse teria feito mais sentido recorrer à justiça quando esses mesmos meios financeiros foram investidos em espectáculos ou noutras parvoíces em detrimento daquilo que realmente é essencial. Agora não se queixem.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

É cultura, estúpido!

 


Nestes tempos em que os doidos varridos dominam o mundo e nos subjugam à sua vontade, arte será tudo aquilo que os malucos quiserem. Se eles dizem que um doido a rebolar-se no chão constitui uma expressão artística, ou que uma banana colada numa parede se trata de um conceito artístico do mais alto recorte, não serei eu, simples e ignorante mortal, a questionar a sapiência desses tresloucados. Como diz o povo, na sua imensa sabedoria, malucos e bêbados nunca se contrariam.

Acredito que, de acordo com os critérios vigentes entre o pessoal da cultura, a fotografia que encima este texto retrate uma obra de arte. Urbana, já que foi executada com elevada mestria numa parede de uma qualquer cidade. O traço do artista revela-nos, de forma provocatória, a nova forma de vivenciar a urbe. Evidencia a diferença, a desigualdade e questiona os valores de uma sociedade que julga os seres humanos pela maneira como cagam.

Por mim, se fosse eu que mandasse, tentava identificar o artista. Não, obviamente, com intenções opressoras que eventualmente colocassem limites ou barreiras à sua criatividade. Pelo contrário. Reconheceria o mérito artístico da obra e trataria de garantir as condições necessárias para que a inspiração nunca lhe faltasse. Nomeadamente, a atribuição de um subsídio destinado à aquisição, em momentos mais duros, de comprimidos para a obstipação. Quiçá, até, ordenasse a preservação das mais icónicas criações, proibindo os donos de os remover sob pena de agravamento do IMI. Desde que a parede não fosse minha, claro.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Jornalismo de 4 patas ( e não estou a falar de cães)

 


O que pode fazer quando o seu filho tem quatro patas?” é a inquietante pergunta da SIC Notícias. Depende, é a resposta que me ocorre. Quando isso acontece, há que reconhecer, o problema é de extrema gravidade. Ir ao médico talvez seja a melhor opção.

Partindo do princípio que o rebento não padece de nenhuma malformação congénita, o problema centrar-se-á no progenitor ou progenitora que o pariu. Assim sendo, deverá procurar um especialista em oftalmologia. A visão dupla, na maior parte das circunstâncias, é reversível. Se não resultar e continuar a ver um quadrúpede, pedir ao médico assistente um ajuste na medicação pode solucionar o problema. Se a maleita persistir, o melhor mesmo será consultar um psiquiatra. Ou, se calhar, talvez seja melhor começar logo por esta última opção.

Numa outra publicação na mesma rede social, o mesmo canal de televisão gabava-se de, no mês findo, ter sido o mais visto dos canais de notícias. Não admira. O mundo está um lugar estranho, Portugal não foge a esta tendência e, com jornalismo deste, a coisa só piora.

A suprema ironia disto é que neste canal – e nos outros também – levam o tempo a condenar as “fake news”, a desinformação e o perigo das redes sociais. Das duas, três: estão a dar o exemplo dos perigos que assinalam nas suas emissões, assim tipo “estão a ver o que queremos dizer quando alertamos para a perigosidade da Internet?” ou são indigentes ao nível do intelecto. Malucos, portanto.

domingo, 5 de julho de 2026

Ondas

Nunca gostei muito de ondas. Menos ainda desde que andei enrolado com uma – há coisa de uns trezentos anos, quando tinha idade para essas aventuras – que, mesmo sem me ter mandado para fora de pé, obrigou a fazer figuras tristes e deixou com as costas arranhadas. Menos mal que aquilo só durou uns segundos. O tempo estritamente necessário para ser cuspido de volta à areia.

Deve ser por não gostar de ir na onda que não mergulho no histerismo que costuma envolver essa cena das ondas. Sejam elas de que tipo forem. Agora são as de calor. Outra vez. Não sei se os tipos que costumam surfar estas paranóias mais ou menos colectivas sabem, mas estamos naquilo que se convencionou chamar Verão e, pasme-se, no Verão as temperaturas tendem a subir. É assim agora, como era há sessenta anos. Excepto na ideia de algum iluminado que, desconfio, ainda me há-de querer esclarecer que nesses tempos longínquos, em Julho era habitual as pessoas acenderem a lareira para se aquecerem.

Outra onda muito popular – ou, neste caso, apenas uma ligeira ondulação – que me deixa atónito é a constante necessidade que alguns evidenciam de comentar, em tom de endeusamento, todas as publicações dos eleitos locais nas redes sociais. Sempre que um deles coloca um post a publicitar um evento ou a dar conta de uma qualquer realização, aquilo são às dezenas a puxar lustro. Elogiar uma ou outra vez um trabalho bem feito, parece-me normal. Já uma maré de comentadores – quase sempre os mesmos - a abençoar tudo e mais um par de botas, exala um cheiro a graxa que não se pode. Deixem as pessoas fazer o trabalho delas – é para isso que lá estão, afinal - e parem de as lamber. O mais provável é que tanta lambedela cause incómodo. Ou, quiçá, alergia.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Enganem-me, que eu gosto.

 


Andaram durante anos a vender-nos que essa coisa da globalização era uma cena espectacular. Nós – principalmente os que são mais “poucochinho” – acreditámos. Mas, de facto, globalizar tem corrido bem. Nomeadamente, entre outros, para os chineses. Demasiado bem, até. Daí que a União Europeia tenha decidido lançar uma taxa sobre o bens adquiridos online às plataformas de comércio electrónico. Regulamentar e taxar é, diga-se, das poucas actividades que a Europa sabe fazer. E convencer-nos da bondade das suas loucuras, também.

Sou cliente ocasional destas plataformas. Apenas bugigangas baratas. Daquelas que na loja do chinês custam três ou quatro vezes mais. Como, por exemplo, um teclado autocolante para portátil que comprei num desses sites por noventa cêntimos. Segundo a Comissão Europeia, se bem percebo o que está escrito, eu continuarei a pagar noventa cêntimos e os vendedores pagarão três euros de taxa à UE.

Desconfio que desta vez estão a ir longe demais. Ou, então, estão a testar os limites da nossa inteligência. Só isso ou a percepção que os políticos europeus terão de que somos demasiado estúpidos, justifica o conteúdo da publicação acima reproduzida. É preciso um descaramento descomunal para escrever esta pantominice, mas se alguém acreditar merece ser aldrabado e vigarizado todos os dias.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Procriações

 


Assim de repente, não estou a ver de que forma se pode relacionar a bolsa com o ato de procriar. A mensagem, de tão sucinta, deixa pouca margem para conclusões sérias e abre um amplo campo para deduções especulativas. O que, associando isso da seriedade com a especulação, poderá levar quem pretender interpretar o escrito a pensar que se trata de um incentivo a investir na bolsa de valores, tendo em vista a multiplicação do graveto.

Levando em conta que nas imediações existe uma igreja, afigura-se como altamente provável — digo eu, que não sou de acusar ninguém — que aquilo tenha sido rabiscado por alguém ligado ao clero. Algo inspirado no "ide e multiplicai-vos", uma das orientações do patrão que o homem de fé terá adaptado. Mais um que terá caído em tentação e se deixou seduzir pela serpente do grande capital, é o que é.

E, por falar em serpente, que isto anda mesmo tudo ligado, tentei visitar a dita igreja. Em vão. À porta estava uma mulher — uma velha, vá — a impedir a entrada. Era hora de missa e a beata não queria cá distrações para os crentes. Ainda lhe garanti que era minha intenção assistir ao santo sacrifício, mas ela não me levou a sério. Só faltou recordar-me que de boas intenções está o inferno cheio. E de gente que pensou procriar na bolsa, também.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Miséria engravatada



São já mais de cem mil os contribuintes vitimas do chamado imposto Mortágua. É sempre assim. Quando se cria um novo imposto, taxa ou o que for argumenta-se que é apenas para os ricos. A malta do grande capital, como eles gostam de vender o saque. Depois a coisa democratiza-se, segue o seu curso natural e acaba por chegar ao bolso da maioria.

Claro que isto dá imenso gozo aos do costume. Nomeadamente dos que vivem sem bulir, à conta dinheiro dos outros. Aqueles que, apesar de verem o valor do seu património artificialmente aumentado, continuam com a mesma capacidade aquisitiva que tinham antes de serem ricos. Capitalistas e parasitas da pior espécie, no dizer dos indigentes mentais para quem o Estado tem obrigação de alimentar os seus devaneios ideológicos.

Hoje metade de um ordenado mediano desaparece em impostos, taxas e contribuições. Num futuro não muito distante, com as constantes exigências para o Estado financiar tudo e mais um par de botas, tenderá a ser ainda pior. É o regresso da escravatura. Sim, porque se quem trabalha sem receber nada é escravo, quem trabalha e apenas fica com metade do que recebe é o quê? Meio escravo? Presumo que alguns considerarão que será um meio rico mas, como diria a minha avó, é mais miséria engravatada.

sábado, 27 de junho de 2026

Coincidências coincidentemente coincidentes.

Parece que a Policia Judiciária descobriu uma marosca, planeada por um grupo de nazis, que visava matar uma quantidade pessoas. Figuras públicas, no caso. Entre as quais o actual primeiro-ministro, ex-governantes e outros políticos. Nada de surpreendente. Afinal os nazis têm esse hábito. É uma cena, digamos, assim quase cultural e que eles muito prezam.

Surpreendente é, entre outras coisas, a suposta lista de alvos a abater. Moedas, Montenegro e Cavaco estariam, ao que foi divulgado, entre as criaturas a mandar desta para melhor. Assim de repente não estou a ver por que raio haveria um nazi, só pelo facto de ser nazi, pretender matar qualquer uma daquelas criaturas. Só se, às tantas, se tratar de um nazi de esquerda. Espécime que, diga-se, existe em cada vez maior abundância. Basta ver as manifestações de alegado apoio à Palestina ou o que escrevem sobre os israelitas. E acerca de outras pessoas, também.

O mais extraordinário de tudo é que o SIS não sabia de nada. A razão oficial para os serviços responsáveis pela investigação e segurança do Estado estarem neste estado de ignorância terá sido a PJ e o Ministério Público não terem achado pertinente partilhar esta informação. O outro motivo, digo eu que gosto muito de dizer coisas, é não existir nada para saber.

Também não há muito tempo terá ficado a desconfiança, no caso do meliante abatido na Cova da Moura pela PSP, que terão sido “plantadas” provas no local do alegado homicídio. Desta vez a policia na qual o agora ministro Neves mandava, descobre uma organização criminosa da pior espécie dando razão aos alertas que o homem tem andado a fazer desde que tomou posse. Ele há cada coincidência...

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Dois desastres e uma hipocrisia

Como se décadas de regime esquerdista não constituíssem por si só um drama suficiente, a Venezuela foi agora assolada por um desastre natural de proporções épicas. Ninguém merece. Nenhum deles, quanto mais os dois em simultâneo. Durante estes anos os governantes locais, por quem o PS nutre especial admiração, ter-se-ão entretido a financiar partidos e organizações de esquerda um pouco por todo o lado. Nomeada e alegadamente na Europa. Terão também servido para esconder negócios de outros países alvo de sanções internacionais. Tudo isto enquanto o povo venezuelano vivia na pobreza e os recursos do país eram esbanjados de forma caritativa pelos amigos do regime. É, portanto, chegada a hora de todos esses camaradas se chegarem à frente. Vamos ver quantos o fazem.

Entretanto, por cá, o parlamento aprovou a concessão de incentivos fiscais, em sede de IRS, às famílias que tenham três ou mais filhos. Coisa que deixou a esquerda parlamentar visivelmente irritada. Porque, na opinião deles, a medida apenas beneficiará os ricos já que os pobres não pagam IRS. Quem ganha mil euros por mês – mais oitenta que o SMN – é, para a esquerda, um ricaço. Uma visão miserabilista que, infelizmente faz escola. Por mim, estou como o outro. Se o Estado não faz filhos, a não ser na AIMA, ao menos que saia de cima.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

A taxa da coerência continua por inventar...

 


Para criar taxas, taxinhas, impostos ou legalizar o roubo em beneficio do Estado qualquer pretexto é aceitável. Diria até que em muitas circunstâncias é vibrante e entusiasticamente aplaudido pelos seus putativos beneficiários e pelos maluquinhos que acham ser dever dos outros cidadãos – sempre os outros e nunca eles – a sustentar os mais inusitados devaneios.

A taxa turística, por exemplo, foi criada para cobrir custos adicionais gerados pelo turismo. São já alguns municípios a recorrer a este meio de financiamento, com a justificação que o acréscimo de visitantes provoca a sobrecarga das infraestruturas municipais. Reconheço, embora não concorde com a cobrança da taxinha, que a fundamentação faz sentido. Eu e, diga-se, quase toda a gente. Ao que me é dado observar são raríssimas as vozes dissonantes.

O mesmo não se pode dizer do efeito que a entrada de milhão e meio de novos residentes produziu nos serviços públicos. Bom, na verdade poder, pode, mas quem o faz é fascista, xenófobo e não percebe nada do que está a falar. Nem há dados absolutamente nenhuns que o demonstrem, contradiz alarvemente a minoria ruidosa que percebe destas cenas. Como estão a fazer, por estes dias, à Ministra da Saúde que, coitada, teve a ousadia de achar que tanta gente a mais teria de ter algum efeito no SNS. Uma ideia parva, obviamente. Está bem de ver que quem vem de fora não usa escolas nem serviços administrativos ou de saúde. Só a água e os esgotos dos municípios. Eles lá sabem…

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Afinal a culpa não era do bloqueio...

 


Afinal parece que essa coisa da fixação de preços pelo Estado não funciona. Contribuirá, pasme-se, pelo contrário para a sua escassez, crescimento do mercado paralelo, consequente fuga aos impostos e, ao invés do pretendido, maiores custos para os consumidores. Quem, finalmente, reconheceu esta evidencia foram os comunistas cubanos. Pessoas, recorde-se, com setenta anos de experiência na matéria.

Já a minha avó, que não conhecia uma letra do tamanho de um burro nem percebia nada de economia, sabia que quando o preço do ovos descia era altura de fazer bolos e quando o preço subia não havia cá guloseimas para ninguém. Uma opção um bocado especulativa, porque retirava ovos ao mercado e consequentemente contribuía para o aumento do seu preço. Contrariar este comportamento nem, como se vê, uma ditadura é capaz.

Por cá, contra toda a lógica racional, existe muita gente a defender a intervenção do Estado no preço dos mais variados bens. Nomeadamente daqueles mais expostos à pressão inflacionária. Desde esquerdalhos inconscientes e comunistas empedernidos a pessoas relativamente esclarecidas acerca do funcionamento da economia. Mesmo eu, reconheço, às vezes sinto vontade que o Estado fixe o preço das beldroegas no mercado cá da terra. Depois passa-me. Lembro-me que afinal estou numa cena “cinco estrelas” - ou lá o que é – o que justifica a exorbitância dos preços praticados face aos mercados congéneres das outras terriolas que não têm estrela nenhuma.

E modernizar o blogger, não?!

Este regresso forçado ao blogger, na sequência do assassinato dos blogs do Sapo pelo grande capital, não tem sido fácil. Desta vez, assim de repente e sem que voluntariamente contribuído para isso, desapareceu a coluna lateral. Aquela que estava ali do lado direito de onde constavam os seguidores, links e outros elementos. Constatei depois que, por alguma razão que o meu conhecimento desconhece, se mudou bem lá para o fundo do blogue. Por mais que tente não a consigo convencer a voltar para o lugar original. Já fiz de tudo, mas pelos vistos nada é suficiente para a convencer a voltar ao lugar onde pertence.

Pouco me surpreendem estas dificuldades. Já, quando por aqui tinha andado noutros tempos antes de migrar para o Sapo, não achava a plataforma especialmente intuitiva. Agora, por comparação com o abrigo anterior e a outra onde tenho a segunda casa, ainda a acho menos amiga do utilizador. É que nestes anos todos que estive ausente não melhorou nada. Fruto, provavelmente, da ausência de investimento neste produto. O que, de certa forma, se compreende dado o declínio e o praticamente residual número de utilizadores.

Entretanto, como tudo na vida, o que uns não querem aproveitam outros. E o Blix.pt está a aproveitar muitíssimo bem a oportunidade criada pelo fim do Sapo. Não sendo o pináculo da perfeição e havendo alguns aspectos a melhorar, está a oferecer um espaço extremamente simples de usar e amigo do utilizador. É por isso que cada vez mais – ainda que, reitero, me vá mantendo por aqui – vá ser a primeira e mais actualizada morada do Kruzeskanhoto.blix.pt

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Segurem a carteira!

Há investimentos e investimentos. Embora, só por si, o conceito de investimento já seja uma coisa muito abrangente. Com muita elasticidade, vá. Nomeadamente quando se trata de justificar onde o Estado, em todo o seu esplendor, esturra o dinheiro de quem trabalha.

O anterior primeiro ministro, de má memória, garantia que até se arrepiava quando ouvia falar em reformas. Não, bem entendido as que envolvem velhinhos como eu, mas aquela-outras que são necessárias para alterar o que está caduco ou ultrapassado. É mais ou menos o mesmo que eu sinto quando ouço falar em investimentos estratégicos. Instintivamente, embora não me sirva de nada, levo logo a mão à carteira.

Desta vez foi o Montenegro, numa ideia que será certamente muito aplaudida pela esquerda, a anunciar a criação de um fundo soberano para investir estrategicamente em empresas consideradas estratégicas. Por mim, não tenho grandes dúvidas – nem pequenas, sequer – acerca do resultado desta estratégia. Até porque os nossos bolsos já estão habituados a que o Estado invista contra eles.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Foi bonita a festa, pá!

A longuíssima discussão acerca do chamado pacote laboral, que se arrastou penosamente durante quase um ano, pouco ou nada me interessou. Primeiro porque, enquanto funcionário público, pouco me dizia respeito e, principalmente, por nesta fase da minha vida as questões relativas ao descanso terem prioridade absoluta sobre as laborais.

Tive, ainda assim, o privilégio de enquanto degustava calmamente o almoço, assistir ao seu chumbo no parlamento e à reação entusiástica que isso provocou aos deputados da ala esquerda. Quase me emocionei. Faltou pouco para deixar cair uma lágrima – ou mesmo mais – de tanta emoção. Não foi por eles, os esquerdalhos, foi por mim. Percebo muito bem a alegria daquela gente. Também eu, de tão poucas oportunidades que me são proporcionadas para isso, celebro assim quando o Benfica ganha. Revi-me neles, por uns momentos.

Há, igualmente, motivo para risota por causa desta cena do pacote. Sucedem-se as declarações a garantir que tal chumbo se deve à “luta dos trabalhadores”. Obrigado pela piadola. Lamento desapontá-los, mas não. Não sejam mal agradecidos, que isso é uma coisa muito feia. A ingratidão é, convenhamos, um dos piores defeitos do ser humano. Agradeçam mas é ao Ventura. O homem estava tão feliz que até se virou para chefe da CGTP de braço erguido e punho fechado.

Foi um desfecho bonito de ver. Com tudo isto, o almoço ainda me caiu melhor do que habitualmente. A harmonia é uma coisa muito linda.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Vidinha galáctica

 


Diz que por estes dias – e noites, principalmente – os astros andam por aí num alinhamento manhoso, os marotos. Uma coisa rara, parece. Ou seja, passa-lhes depressa e mais noite menos noite volta cada um à sua sua vidinha.