Afinal parece que essa coisa da fixação de preços pelo Estado não funciona. Contribuirá, pasme-se, pelo contrário para a sua escassez, crescimento do mercado paralelo, consequente fuga aos impostos e, ao invés do pretendido, maiores custos para os consumidores. Quem, finalmente, reconheceu esta evidencia foram os comunistas cubanos. Pessoas, recorde-se, com setenta anos de experiência na matéria.
Já a minha avó, que não conhecia uma letra do tamanho de um burro nem percebia nada de economia, sabia que quando o preço do ovos descia era altura de fazer bolos e quando o preço subia não havia cá guloseimas para ninguém. Uma opção um bocado especulativa, porque retirava ovos ao mercado e consequentemente contribuía para o aumento do seu preço. Contrariar este comportamento nem, como se vê, uma ditadura é capaz.
Por cá, contra toda a lógica racional, existe muita gente a defender a intervenção do Estado no preço dos mais variados bens. Nomeadamente daqueles mais expostos à pressão inflacionária. Desde esquerdalhos inconscientes e comunistas empedernidos a pessoas relativamente esclarecidas acerca do funcionamento da economia. Mesmo eu, reconheço, às vezes sinto vontade que o Estado fixe o preço das beldroegas no mercado cá da terra. Depois passa-me. Lembro-me que afinal estou numa cena “cinco estrelas” - ou lá o que é – o que justifica a exorbitância dos preços praticados face aos mercados congéneres das outras terriolas que não têm estrela nenhuma.
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