Quando ainda estamos a cerca de um ano para as próximas eleições autárquicas não falta quem já se ande a afiambrar à cadeira do poder. Não tem mal nenhum, isso. Pelo contrário. Constitui a garantia da existência de pessoas extremamente interessadas em contribuir para o bem estar dos seus concidadãos, em promover a qualidade de vida nos respectivos concelhos e, em suma, tornar o mundo um lugar melhor através do seu contributo à escala local. Mais valorizável ainda por, quase sempre, todo esforço que altruisticamente estão dispostos a fazer custar-lhes horas de lazer ou privá-los da companhia dos seus familiares. Tudo desinteressadamente, claro. E merece mais apreço quando é feito durante décadas a fio. Assim de repente pode haver quem considere que se trata de apego ao poder ou outra necessidade, de uma qualquer natureza, que os faz alcandorar-se aos cargos autárquicos. Populismos, está bem de ver. Não me surpreende, há muita gente que não sabe reconhecer o mérito. Por mim, admiro o empenho e a dedicação de pessoas assim. Tanto, mas tanto, que até sugiro que se deixe de usar o termo “dinossauros” para os identificar. É demasiado pejorativo. Prefiro algo mais elogioso. Pintossauros, por exemplo. Numa especie de homenagem a Pinto da Costa, o decano dos presidentes de qualquer coisa, que lhes assentaria como uma luva. Ou mais.
quinta-feira, 26 de setembro de 2024
terça-feira, 24 de setembro de 2024
Agricultura da crise


A agricultura da crise está agora limitada ao quintal cá de casa. Nem, a bem-dizer, lhe devia chamar quintal. É demasiado pretensioso. Dá ares de uma grandeza que não corresponde à sua real dimensão. É mais um pequeno conjunto de pequenos canteiros onde uma ou outra planta da categoria das hortícolas luta pela sobrevivência. O que, como amplamente demonstram as fotografias, não constitui tarefa fácil. Para além de serem obrigadas a sobreviver num meio notoriamente hostil, ainda são vitimas do ataque de hordas de predadores. Desde pássaros esfaimados a lagartas dotadas de uma capacidade inusitada para devorar tudo o que é verde. Ou quase tudo. Nestas pimentinhas – nasceram sem ser semeadas, vindas sei lá de onde – é que não há praga que lhes pegue. Se calhar não apreciam uma relação mais apimentada.
segunda-feira, 23 de setembro de 2024
Taxar todos, todos, todos...
Para o Papa Francisco “deve haver mais impostos sobre os milionários e a sua riqueza deve ser dividida pelos mais pobres”. Por mais aplausos e simpatia que esta tirada provoque entre a maioria da população mundial, dificilmente não se reconhece nela um populismo absolutamente repugnante. Mesmo que se ache que os super milionários devem pagar mais impostos – o que pode, até, ser adequado em algumas circunstâncias – dividir, não me parece a palavra certa. Multiplicar, digo eu, era capaz de ser mais eficaz. Nomeadamente multiplicar o investimento dos mais ricos em negócios que multiplicassem a riqueza e que multiplicassem o número de ricos. E não, mais ricos não significa mais pobres como alguns ignorantes gostam de proclamar do alto da sua burrice. Nunca, como nas últimas dezenas de anos, tanta gente saiu da pobreza em todo o mundo.
Em vez de impostos podia o Papa ter escolhido falar dos recursos que muitos mega milionários árabes, muçulmanos, chineses e outros usam para financiar guerras e promoção de actividades anti-ocidentais. Um bom exemplo disso é a fortuna que o maluco da Coreia do Norte gasta em armamento. Aquilo dividido devia dar para matar a fome aos desgraçados que tiveram o azar de nascer naquele país comunista e miserável, passe o pleonasmo.
Esta ideia de taxar os milionários – apesar de, reitero, não a achar de todo descabida - suscita-me uma questão inquietante para a qual, espero, os seus entusiastas terão uma resposta pronta, esclarecedora e convincente. Como é que se iriam cobrar – já nem digo distribuir pelos pobres locais – os impostos sobre as fortunas dos ricaços árabes, russos, indianos ou chineses pelo menos na parte que estiver sediada nos seus países? Sim, que – surpresa! – nem todos os super ricos são americanos ou europeus...
domingo, 22 de setembro de 2024
Malas, machismos e maluquices
As senhoras – ou seja lá o que for com o que elas se identifiquem hoje – não gostaram de ouvir um ministro confessar publicamente que a sua mala de viagem tinha sido preparada pela esposa. Machismo, incompetência e sei lá que mais berraram as criaturas. Por mim pouco me interessa quem faz a mala a quem. Menos ainda me importa a competência do ministro no âmbito da arrumação dos apetrechos de viagem. Para a esquerda não é bem assim. O que, diga-se, não constituiu novidade. O Estado, do ponto de vista dessa malta, deve imiscuir-se em todos os aspectos da vida privada do cidadão. Nomeadamente naquilo que cada um faz dentro da sua própria casa. Coisas próprias de ditadores. O surpreendente, no entanto, não é que o pessoal do BE e outros doidos pensem assim. O que é verdadeiramente espantoso é que seja com gente desta que o Pedro Nuno Santos conte – outra vez – para governar o país. E, pior, que haja dentro do PS quem não se importe.
sexta-feira, 20 de setembro de 2024
Alarvidades intelectualmente irrelevantes
Uma conhecida senhora com opiniões muito apreciadas pelo pagode de esquerda, presença assídua nas rádios e televisões, que já terá calcorreado meio mundo e com auto proclamado conhecimento acerca da melhor maneira de gerir o país publicou um longo texto no seu perfil de uma rede social dissertando acerca dos incêndios e sobre a melhor maneira de organizar o território de forma a, no futuro, minimizar os danos causados pelos fogos. Não tem nada de extraordinário, isso de dar opinião sobre todas as coisas. Eu próprio não me coíbo, tal como a dita senhora, de postar alarvidades e não é por causa disso que o mundo piora. Nem melhora.
Do dito texto, um conjunto bem alinhavado de lugares comuns, retive apenas a seguinte passagem: “Queremos falar de um país com cidades pequenas, ligadas por comboio, redes de bicicleta ao longo de rios…” Comovente, não é? Quer ela e quero eu. Até já me estou a ver, quando me reformar, a apanhar a meio da manhã o comboio em Estremoz, juntamente com dois desempregados que vão para Borba fazer as onze e uma velhinha que vai a Vila Viçosa pagar uma promessa. Quanto a mim sigo até ao Alandroal onde vou tratar de um assunto burocrático que não posso resolver em qualquer outra cidade pequena da região. Enquanto isso, aproveitando a tranquilidade da carruagem onde viajam estes quatro passageiros – um dia muito movimentado, confidencia o revisor, vou contando os ciclistas que pedalam na ciclovia paralela à linha e aproveito para me deliciar com a beleza do rio que corre ali mesmo à beira. Está bonito. Ligaram as pedreiras entre si e fizeram um rio fantástico por onde a água corre livremente. Depois acordei.
quinta-feira, 19 de setembro de 2024
Obsolescências...

Há anos que não ouvia falar em paggers. Calhou ontem. E hoje. Parece que andam a explodir lá para o oriente médio. E os walkie-talkies, também. É no que dá usar tecnologia obsoleta. Também terão rebentado uns quantos painéis-solares, ao que parece. Embora, quanto a estes últimos, não se perceba bem o objectivo. A menos que a ideia seja impedir os terroristas de tomar banho e, assim, por causa do cheiro identificá-los mais facilmente.
Entretanto por cá tem ardido um número inusitado de automóveis. Mais que muitos. Aparentemente de combustão espontânea, que outro motivo não salta à vista. Deve ser a Mossad que anda por aí a treinar…
quarta-feira, 18 de setembro de 2024
Segurança máxima

A ocasião faz o ladrão. Daí que seja importante dificultar a vida ao amigo do alheio. Mesmo que isso complique igualmente o acesso ao utilizador que apenas pretende aceder ao próprio dinheiro. E, convenhamos, pôr a mão na massa é, nesta situação ligeiramente mais complicado para patifes, gente séria e outros palhaços que precisem de guito. Para já não falar da câmara de vigilância estrategicamente colocada sem respeitar a privacidade de quem utiliza a máquina, de quem passa na rua ou de qualquer meliante que ande por ali com intenções menos honestas. Tudo coisas do grande capital, camaradas. Ou, então, trata-se de uma enorme alegoria sobre a necessidade de manter a banca na ordem, debaixo de olho e de sugerir a quem levante graveto que o gaste com juizinho.
terça-feira, 17 de setembro de 2024
Tremeliques premonitórios
Esta segunda-feira um jornal diário escreveu, na primeira página, que "corrida a certificados cria pressão sobre reembolso da divida pública em 2033”. Já hoje, terça-feira, numa perspetiva muito mais optimista, igualmente na sua capa, garantia que "ganhos com taxas de juro colocam famílias a poupar”. Isto porque, esclarecia no segundo artigo, “está a compensar investir em depósitos”.
Longe de mim estar para aqui a perorar sobre as intenções destas publicações jornalísticas. Nem ao de leve me ocorre que se pretenda instalar a desconfiança relativamente à capacidade do Estado reembolsar os aforradores que optaram por investir em certificados, levando-os a desviar as poupanças para os bancos. Ná. Até porque, também eu, escrevi num post datado de 23 de Fevereiro de 2023, "Há por enquanto, dinheiro para quase tudo e quase todos. Veremos é se chega para devolver todo o aforro, acrescido dos juros prometidos, investido nos tais certificados. Com a vontade de ir buscar dinheiro a quem o tem, já manifestada em tempos por uma mais que provável futura ministra, começo a desconfiar que, na altura da liquidação da coisa, o dinheiro tenha tido um destino mais solidário, chamemos-lhe assim. Leram primeiro aqui...”
Por mim, que não sou de intrigas, mais do que da capacidade do Estado para – tal como garantiu - devolver o dinheiro de quem poupou, desconfio da vontade política de o fazer se, então, o poder estiver ocupado pela esquerda. Mas aí, se ainda por cá andar, vai ser divertido ver a reação daqueles que defendem o não pagamento da divida quando for o dinheiro deles a arder. Sim, porque acredito que muita dessa malta também deve ter investido em certificados. Aposto que até as perninhas lhes vão tremer...
terça-feira, 10 de setembro de 2024
Orquestrações
Para espanto, horror e consternação geral ficámos agora a saber que a fuga de cinco patifes do piorio do estabelecimento prisional de Vale de Judeus se tratou de uma manobra orquestrada. Ninguém diria. Eu sei que parece estranho que, neste país, alguém planeie ou orquestre coisas. É tão raro, mas tão raro que poucos arriscariam imaginar, mesmo depois de se conhecerem os contornos da evasão, que aquilo foi devidamente orquestrado, superiormente dirigido e magnificamente interpretado. De tal maneira que até ficava mal aos serviços responsáveis pela vigilância da prisão interromperem tão brilhante orquestração. Quando muito aplaudiam de pé, no final da escapadela. E, suponho, só não o fizeram porque não deram por nada. Devem ter adormecido. Não me admiro, acontece-me sempre quando vejo actuações de orquestras magistralmente manobradas. Não fosse um recluso ter avisado que cinco outros presos tinham escapulido e se calhar ainda hoje ninguém sabia de nada. Mas, lá está, há em todo o lado quem goste de ser o primeiro a dar as novidades.
domingo, 8 de setembro de 2024
Matemáticas eleitorais

Reza a lenda que um meliante apelidado de Robin andava, nos tempos de antanho, pelos bosques a roubar aos ricos para dar aos pobres. Não passará, provavelmente, de uma história mal amanhada, com um pouco de verdade e muito de imaginação. Na altura não seria difícil distinguir entre uns e outros. Seriam, ambas, condições que se topavam à distância. Hoje tudo é diferente. O papel de justiceiro antes desempenhado pelos “Robins dos bosques” da época é agora atribuído aos Estados que, face à elasticidade dos conceitos de “rico” e de “pobre”, o vão aplicando de acordo com os ciclos eleitorais e os interesses dos políticos circunstancialmente no poder. Daí que o pensamento expresso na imagem acima apenas seja parcialmente correcto. A última frase está a mais. Até porque no socialismo só os camaradas dirigentes teriam os tais mil euros. Que, como é óbvio, não distribuiriam por ninguém.
Infelizmente esta forma de governar não é exclusiva de alegados comunistas nem, sequer, da esquerda ligeiramente mais ajuizada. Veja-se o caso do actual governo. Dá tudo a todos. De tal modo que, pasme-me, até os socialistas já estão preocupados com as consequências deste desvario. Com razão. É que estes malucos, em vez de mil, podem só tirar oitocentos, mas não se limitam a distribuir duzentos e cinquenta por quatro. Vão mais longe e dão trezentos a dez. Um dia alguém irá pagar a diferença, mas entretanto há umas eleições para ganhar.
sexta-feira, 6 de setembro de 2024
Koisas do grande Kapital, kamaradas...(2)
Os meus conhecimentos no âmbito da economia, gestão, finanças e outras ciências ocultas são quase nulos. Esta minha manifesta ignorância impede-me de entender coisas simples e que, ao que leio e ouço, toda a gente percebe. Como, por exemplo, os negócios resultantes dos processos da privatização/nacionalização/reprivatização da TAP e do apoio do Estado à Caixa Geral de Depósitos. No caso da companhia aérea, se for como garantem os críticos do negócio, não deixa de ser admirável que uma empresa que não tinha dinheiro nem para mandar cantar um cego consiga num curto período de tempo encontrar fundos que lhe permitiram comprar-se a si própria por um balúrdio. Deve ser um milagre. Se calhar devíamos chamar o gestor milagreiro para governar o país. Se não foi nada disto e a nacionalização da TAP, para além de negociatas privadas, apenas serviu para aconchegar alguns egos que acham normal os portugueses pagarem os seu devaneios ideológicos, então a culpa é de quem a nacionalizou. Agora e, principalmente, da outra vez, em 16 de Abril de 1975.
Também nisto da finanças gerou um inusitado entusiasmo, entre os defensores da banca pública, o facto da CGD ter devolvido integralmente ao Estado o dinheiro que os contribuintes lá injectaram. Gente de boas contas. Refiro-me, naturalmente, a quem lá as tem. Às contas. Sem eles e as avultadas comissões que pagam o desiderato teria sido muito mais difícil de conseguir. Mas, certamente, foi com agrado que contribuíram. Quem paga por gosto ao Estado não acha que está a ser roubado.
quinta-feira, 5 de setembro de 2024
Koisas do grande kapital, kamaradas...
Diz que haverá por aí uma manigância qualquer que envolve ananases virados ao contrário, carrinhos de compras e idas a determinado supermercado a horas especificas do dia. O objectivo será, ao que se garante, promover o acasalamento dos que se predispuserem a fazer esta figura de parvo. Manifesto o meu cepticismo quanto ao sucesso desta iniciativa, chamemos-lhe assim. Pelo menos quanto a essa parte que mete a cena de acasalar com alguém que não se conhece de lado nenhum e se passeia numa grande superfície com um fruto a fazer o pino. Ná. Camaradas, companheiros, amigos, leitores habituais e outros palhaços que circunstancialmente leem o Kruzes, a mim ninguém me tira da ideia que isso é coisa do grande capital. Deve ser ideia de um marketer tarado - um juntacús, como lhe chamaria a minha avó - a soldo de um qualquer porco capitalista ganacioso que pretende encher, ainda mais, os bolsos à conta do pessoal que anda desesperado por por dar uma queca. Ou, vá, encontrar a sua alma gémea, para aqueles que ainda têm esperança na humanidade. Um bom começo é terem algo em comum. E, neste cenário, obviamente devem ter mesmo muito.
terça-feira, 3 de setembro de 2024
Ca(u)sas estimulantes
Surpreende-se a comunicação social por as medidas do governo – deste e do anterior, pouco importa – para apoio à compra de casa pelos jovens terem provocado um aumento do preço da habitação. Olha que surpresa. É mesmo daquelas coisas que ninguém estava à espera que acontecesse. Nunca, jamais, em tempo algum tal consequência seria imaginável por alguém de bom senso, pois não? Agora a sério. Toda a gente sabe que, por norma, tudo o que é devidamente estimulado tende a aumentar. E, no caso da procura, qualquer estimulo que provoque o seu crescimento tem a inevitável consequência de originar também o aumento do preço do produto procurado. Se calhar, digo eu que gosto muito de dizer coisas, seria melhor adoptar outras soluções igualmente estimulantes, mas, desta vez, para enrijar a oferta. Tipo murchar a fiscalidade e a burocracia que incidem sobre a construção. Ou, vejam lá do que eu me fui lembrar, retirar aos talibans da cultura o poder de chumbar a recuperação de edifícios degradados nos centros das cidades. São uns empatas. Não reconstroem nem deixam reconstruir.
sábado, 31 de agosto de 2024
Desmotivações
Apesar de não serem divulgadas noticias acerca do assunto, os ataques isolados esporádicos, perpetrados por dementes, bêbados e outros loucos sem motivação conhecida sucedem-se quase diariamente por essa Europa fora. À facada, principalmente, que os objectos cortantes em geral e as facas em particular, constituem um dos objectos preferidos daquela malta que, apesar de não saber ao certo porquê, sai para a rua e desata a tentar matar pessoas. Mas não se pode noticiar, não vá o europeu comum chatear-se e começar a achar que não chega a gozar a reforma que o tipo que o esfaqueia sem motivação lhe há-de pagar.
Por falar em gente esquisita e desmotivada. O que é frequentemente noticiado é a falta de motivação para regularizar as contas por parte de gente alegadamente famosa. Li hoje, já não sei onde, que há para aí mais um alegado famoso que, entre outras coisas, não paga a renda há uns anitos. Estranhamente ainda não foi posto na rua. O desgraçado alega que não tem dinheiro. Acontece a muita gente. Nomeadamente a quem gasta mais do que aquilo que ganha. Não tem mal nenhum, essa parte de esturrar tudo e mais alguma coisa. Errado é fazê-lo e pretender que os outros o sustentem. Ou, alberguem. A falta que faz por cá um Desokupa...
quinta-feira, 29 de agosto de 2024
Mentir até que se torne verdade
Maria Luís Albuquerque o rosto da Troika?! A sério? Uma das vantagens de um gajo ser velho é ter vivido os acontecimentos que políticos e jornalistas, que à data dos factos ainda andavam de cueiros, pretendem agora adulterar e reescrever da forma que lhes dá mais jeito. A chatice, para além da memória dos que ainda se lembram daquilo que se passou há treze anos, é essa coisa das redes sociais e da IA. As tais invenções que é preciso controlar porque destroem a democracia, topam?
“Eu só sei compor em liberdade” é o nome de um Podcast – seja lá isso o que for – onde vai muita gente que se dedica a actividades, alegadamente, artísticas. Nunca saberemos o que tipos como Ary dos Santos e outros grandíssimos nomes do meio artístico, que souberam compor no tempo da ditadura, pensariam disso. Por mim penso o óbvio. É a diferença entre os bons e os outros. Uma espécie de meritocracia artística, no caso.
A esquerda portuguesa e restantes “wokistas” em geral andam entusiasmados com a perspectiva da tal Kamala vencer as eleições americanas. De tal maneira que quem não se declara inequívoco apoiante da senhora é de imediato rotulado de fascista ou o que calhe a ocorrer no momento a esses desmiolados. Por mim, apesar de não ligar peva à política interna americana e mudar de canal quando o tema é abordado nas televisões, também prefiro que vença a candidata ligeiramente menos escura do que eu. É que, como garantia a minha avó, burro velho não aprende linguagem e a mim não me apetece aprender russo.
quarta-feira, 28 de agosto de 2024
Liberalidades
O líder do PS está manifestamente desagradado com as novas tabelas de retenção na fonte, publicadas pelo ministério das finanças, na sequência da baixa de IRS engendrada no parlamento por socialistas e cheganos. Terá o governo, segundo o opositor-mor, ido longe demais. O que, argumenta, levará a que para o ano o reembolso seja menor ou, no limite, resulte imposto a pagar para alguns contribuintes.
Não sendo eu especialista da especialidade desconheço se o governo se terá esticado com o intuito de, momentaneamente, colocar mais dinheiro no bolso de quem trabalha por conta de outrem. Acredito que sim. Mas, se assim for, ainda bem. Continuo a achar que não tenho nada de começar em janeiro a adiantar ao fisco o dinheiro que apenas lhe tenho de pagar em Agosto do ano seguinte. Mas isso sou eu que tenho a veleidade de achar que devo ser eu e não o Estado a gerir o meu dinheiro.
Outra vantagem que resulta destas tabelas de retenção é que durante dois meses vamos todos poder viver, em termos de imposto sobre o trabalho, uma realidade próxima daquilo que defendem os perigosos liberais. Coisa que, para alguns, constituirá quase uma afronta. Onde é que já se viu colocar no bolso das pessoas o que dinheiro que lhes pertence?! Um horror, isso.
sábado, 24 de agosto de 2024
E você, tem a certeza que não é um super-rico?
Anda muita gente embevecida, a começar pela comunicação social, com a ideia de se avançar com um imposto sobre os muito ricos. Como já está a fazer o governo socialista de Espanha, repete-se com ênfase sempre que se fala do assunto. Por cá, segundo as contas dessa malta, o fisco teria um encaixe a rondar os 3,6 mil milhões de euros. O que daria, ainda segundo os entusiastas da ideia, para gastar em imensas coisas. Em tudo menos para reduzir a carga fiscal sobre o trabalho ou a poupança. O que diz muito acerca dos que veem com agrado esta possibilidade.
Há, no entanto, qualquer coisa que está a falhar nestas contas. É que em Espanha esperavam obter com este imposto uma receita de três mil milhões, mas cobraram apenas 623 milhões. Ora, desconfio eu, o país vizinho terá mais mega-milionários e, quase de certeza, ainda com mais graveto que os nossos mega-milionários. Assim sendo como é que as criaturas que propõem este imposto estimam que a receita fiscal a obter seja cinco vezes superior à arrecadada em Espanha?! Das duas uma. Ou não sabem fazer contas ou, pior, o conceito de super-rico a aplicar por cá será muito mais abrangente. Se calhar é como aquilo dos prémios do Euromilhões ou de qualquer outra lotaria. Em ambos os países a taxa de imposto é de 20%, mas lá só são tributados acima de 40000 euros enquanto cá qualquer prémio superior a 5000 é logo taxado. Querem mesmo taxar os ricaços? Força nisso, mas depois não se queixem se receberem também a respectiva nota de cobrança...
sexta-feira, 23 de agosto de 2024
Taxe-se...

As campanhas publicitárias que promoveram o turismo constituíram um sucesso. De tal maneira que agora, diz, temos turistas a mais. As hordas de estrangeiros que invadem as nossas cidades – só os ricos ou os que vêm com fins turísticos, os outros não fazem mal nenhum – trazem desassossego, desgastam as nossas infraestruturas, incomodam os cidadãos locais e contribuem para poluir o nosso estimado meio ambiente. Daí que o governo esteja a colocar entraves à sua vinda e grande quantidade de autarquias tenha resolvido cobrar taxas, algumas de valor completamente absurdo, a quem visita as respectivas localidades. Para compensar o que desgastam e sujam, justificam.
Este curioso principio de utilizador pagador ou de quem suja e incomoda paga por isso, revela no entanto um nível de incoerência assinalável. Não se aplica, por exemplo, aos donos dos cães. As esquinas e os passeios de qualquer cidade têm hoje este aspecto. No entanto ninguém considera apropriado criar uma taxa, de montante suficientemente desmotivador, sobre a posse de animais por parte de residentes em meio urbano. Se o argumento para a taxa turística é a conservação do espaço público e o transtorno que causam aos residentes, por maioria de razão um tributo idêntico deveria incidir sobre aqueles que contribuem para imagens degradantes como a da foto que acompanha este post. Não gosto de impostos, mas taxar o supérfluo – e os cães são uma coisa supérflua – seria do mais elementar bom senso. Mesmo que os portugueses, sempre invejosos dos proveitos alheios, achem que tributar os rendimentos é que é bom.
Obviamente que o dinheiro angariado com a tal taxa turística apenas servirá para encher os cofres das autarquias e esturra-lo da maneira da maneira que está à vista de todos. Os turistas, coitados, são apenas o pretexto. Já os cães continuarão a cagar livremente e a sujar paredes e passeios. É que, ao contrário dos turistas, os donos dos canitos votam nas respectivas terrinhas.
quarta-feira, 21 de agosto de 2024
Ei-los que chegam...

Ao que me é dado observar, quase todos os dias chegam novos residentes – temporários ou permanentes – cá ao burgo. Para mim, que ando há anos a lamentar a desertificação desta e das outras terras do interior, é uma situação que encaro com agrado. Vêm para trabalhar e tratar da sua vidinha honestamente, espero. Especialmente naqueles trabalhos que os portugueses finórios não querem fazer ou nos outros para os quais não há mesmo gente em quantidade suficiente. E nada como vir preparado. Nomeadamente com a ferramenta e o colchão. No limite, como dizia o outro, pode até nem ser nada disso. Se calhar, como está agora em voga afirmar, é apenas uma sensação.
segunda-feira, 19 de agosto de 2024
Nunca funcionou, mas...desta vez é que vai funcionar!
Um jornal de hoje reproduz em titulo a afirmação “É preciso construir mais habitação pública para o Estado controlar a habitação”. De uma penada parecem ser aqui identificados duas questões. A implícita, que haverá um problema de habitação, e a segunda que existirá uma situação especulativa a envolver o sector. Como isso não me afecta, se calhar é porque não há problema nenhum. Mas, admitindo que haja, a solução preconizada é mais do que parva. É que essa ideia, como maneira de resolver os problemas da habitação, apenas resultou uma vez e num único país. Quando e onde? Nunca e em lugar nenhum, é a data e o local dessa alegada intervenção miraculosa. Quando foi tentada deu os resultados que todos, durante dezenas de anos, pudemos constatar.
Noutra vertente da coisa, pelo país inteiro são muitas as autarquias que “investem” na construção de habitações de cariz social. Apesar dos preços praticados ultrapassarem o ridículo – cinco ou dez euros, não raramente – e de, nesses bairros, os moradores ostentarem sinais exteriores de riqueza incompatíveis com o estatuto de “vulnerável”, “carenciado” ou outro qualquer em voga os valores das renda em divida atingem montantes inimagináveis para a esmagadora maioria dos opinadores. Se calhar, num exercício de cidadania e de escrutínio acerca da forma como se esturram os impostos dos portugueses, ficava-lhes bem indagaram a respectiva Câmara Municipal acerca destas coisas antes de mandarem postas de pescada.
Obviamente que quando se reivindica “habitação pública” não se está apenas a pensar nos alegados pobres. Pretende-se, também, que sejam incluídos aqueles que se convencionou chamar classe média. Que são, diga-se, tão caloteiros como os outros. Mas isso pouca importa a essa malta. Haverá sempre mais um imposto ou uma taxa para pagar esses desvarios.
sábado, 17 de agosto de 2024
Não é problema meu, logo não há problema

Sei, desde que o Kruzes é Kruzes, que o tema “IRS” é dos que mais desinteressa aos leitores que por aqui vão passando. É natural. Trata-se de um assunto que pouco importa à esmagadora maioria dos portugueses. Os que ganham à volta de novecentos euros ou menos, porque não os afecta e outros, ainda que tenham rendimentos bastante superiores, porque vivem à margem do sistema fiscal. Ainda bem para eles. Percebo que, por isso, para todo esse pessoal seja um tema desinteressante e aborrecido. A conversa acerca do preço dos combustíveis, da habitação ou das bolas de Berlim também me deixa profundamente entediado. Mas esperem pela pancada. Com o aumento vertiginoso e absolutamente irracional a que está a aumentar o salário mínimo, não tardará o dia em que, inevitavelmente, o SMN e as reformas a rondar esse valor terão de estar sujeitos a IRS. Sob pena de, em vez de metade dos portugueses não pagarem, passar para oitenta por cento o número de contribuintes que deixarão de o ser. Com a agravante de, então, passarem a ter direito a todo o tipo de apoios que magnânimo Estado-ladrão-social vai generosamente distribuindo. E aí quero ver quem é que o vai sustentar o monstro…
sexta-feira, 16 de agosto de 2024
É pá, decidam-se!
Ao que parece, segundo os estudiosos do assunto, as últimas reformas do IRS têm agravado as desigualdades salariais quando aquilo que se pretendia era que os maiores ganhos fossem para os escalões mais baixos. Confesso a minha ignorância, mas não estou a ver como é possível atingir esse desiderato. Sempre que existir uma baixa de IRS, como quem ganha o salário mínimo não é vitima desse roubo, ficará sempre mais distante, em termos líquidos, daqueles que pagam o dito imposto. A mim, que não sou de intrigas nem especial adepto da teoria da conspiração, o que me parece é que aquilo que se pretende é não reformar a sério o IRS e trazer as taxas para valores minimamente justos e razoáveis. Do ponto de vista destes especialistas da especialidade nunca poderá haver uma redução do imposto sobre o rendimento pois, por mais pequena que seja, ela agravará sempre a desigualdade entre quem paga e quem não paga. Ou seja, para quem ganha pouco só há uma maneira de aumentar o salário. É aumentar o salário. Já dizia o outro. E só há uma maneira de baixar os impostos. É baixar os impostos. Digo eu.
quinta-feira, 15 de agosto de 2024
Chalupas

O Bloco de Esquerda – um partido ideologicamente aparentado aos regimes comunistas que vitimaram milhões de pessoas pelo mundo fora – quer saber o que pretende fazer o governo para desmantelar a milícia neonazi “Grupo 1143”. Que um pequeno partido, representando apenas quatro por cento dos portugueses, queira ver ilegalizado um grupelho de chalupas, do qual nem um por cento dos portugueses teriam antes ouvido falar, é coisa capaz de entrar para anedotário nacional. Já que um partido representado na Assembleia da República pretenda que sejam restauradas práticas usadas durante o regime que terminou com o 25A, parece-me extremamente preocupante. A resposta para situações desta natureza está na Constituição, que proíbe as organizações que perfilhem a ideologia fascista. Obviamente é ao poder Judicial que compete ilegalizar estas duas agremiações. Ambas, pelos vistos, nutrem admiração pelas práticas fascistas e uma ou outra fazem cá tanta falta como a fome.
terça-feira, 13 de agosto de 2024
Más companhias...
Segundo alguns especialistas especialmente especializados em turismo os portugueses estarão a evitar gozar as merecidas – ou nem por isso – férias no Algarve por, garantem, não ter dinheiro para pagar os seiscentos euros que custará uma diária por terras algarvias. Ainda que sejamos um povo com a mania das grandezas, propenso a extravagâncias e que aprecia demonstrar sinais exteriores de riqueza que o seu rendimento teima em contrariar não me parece que esse seja o motivo. Até porque, ainda que outros destinos possam proporcionar uma relação qualidade-preço mais atractiva, existem ofertas de qualidade muito abaixo desse valor que permitiriam aos menos abonados disfrutar de uns dias de remanso nos areais do sul. Digo eu, que sou um gajo de gostos simples e que vejo no Algarve a única região que encararia como alternativa numa hipotética e nada provável mudança de poiso.
Desconfio que a “fuga” de turistas das praias algarvias terá mais a ver com o temor de dar trombas – ou face a facínora, vá – com uma inusitada quantidade de políticos a banhos. Alguns de nós ainda têm amor à carteira. Ou, se não for por isso, é para escapar ao Marcelo.
domingo, 11 de agosto de 2024
Goodbye democracia, goodbye liberdade...
A Europa está a ficar um lugar estranho. E perigoso, também. As imagens que nos chegam do Reino Unido são especialmente perturbadoras. Não tanto pela pancadaria, manifestações, protestos de diversos sectores ou violência sobre pessoas e bens. Isso acontece por todo o lado e a toda a hora. O preocupante, neste caso em especifico, é a repressão que está a ser exercida em nome daquilo que resolveram chamar “discurso de ódio”. Alegadamente estarão a ser detidas pessoas que postaram – ou, simplesmente, partilharam – comentários, fotos e até, pasme-se, “memes” em que manifestam o seu desacordo com o comportamento anti-social daqueles que demandaram a Europa para fugir à miséria. Ou, não sejamos anjinhos, com outros fins muito menos lícitos. No entanto – e aí não estranho nada – quando o tal “discurso de ódio” é dirigido aos nativos europeus já não passa nada. Deve ser discurso do bem, esse.
A demografia vai, mais cedo do que tarde, fazer o seu papel e o continente europeu acabará por ficar sob o domínio muçulmano. Começo a pensar que, por este andar, tal ocorrerá ainda no meu tempo de vida. Confesso que, de certa forma, dar-me-ia algum gozo. Nomeadamente poder assistir ao tratamento que os governos constituídos por essa malta irão dar aos grupos de gente esquisita que tanto os apoiam. Lamento, apenas, pelas mulheres. Embora muitas que andam por aí a manifestar-se em defesa dessas causam, estejam mesmo a pedi-las. Depois não se queixem.
sábado, 10 de agosto de 2024
A paisagem chegou à cidade...

Isto do deficiente funcionamento do SNS, do fecho das urgências hospitalares e, ainda que em menor escala, da má qualidade do atendimento de muitos outros serviços públicos constitui uma maçada. Um realíssimo aborrecimento, na verdade. Não se trata de uma realidade nova. Não começou com este governo nem, sequer, com o anterior. É coisa que já vem de há muito tempo. Só que antes ninguém se importava. O encerramento, primeiro temporário e depois definitivo, dos serviços prestados pelo Estado era algo que apenas afectava o interior e daí que ninguém ligasse peva. Não mora lá ninguém, os poucos que restam são velhos e há que racionalizar os recursos públicos que isto não dá para tudo e o Estado não pode ter um hospital em cada terrinha eram argumentos que ouvi e li vezes sem conta. Tudo verdade, não há como negar. Daí que não perceba a indignação de tanta gente – que antes olhou com desdém para os que no interior do país se queixavam do mesmo - com o caos na saúde e, modo geral, restantes serviços públicos. Ou será só porque agora os afecta a eles? Nem vou estar a recordar exaustivamente o que já fechou, a nível de serviços à população, em Estremoz desde o 25 do A. Lembro apenas que um dos primeiros a encerrar foi a maternidade, mal o SNS foi criado. Racionalização de recursos, já então garantiam os especialistas da especialidade. Um argumento que, reitero, era encarado como perfeitamente aceitável fora das localidades onde estes serviços fechavam. Agora, como já os incomoda, é que é uma chatice...
terça-feira, 6 de agosto de 2024
Beneficios fecais



É disto por todo o lado, sem que ninguém se importe ou faça alguma coisa contra este despautério. Correndo o risco de me repetir, reitero que enquanto vivi no campo sempre tive um cão e um gato. Daqueles que cagam e mijam. Andavam por onde queriam e arreavam o calhau ou alçavam a pata onde e quando a natureza o exigia. No campo, recordo. Na cidade não havia destas coisas. Agora vejo merda e vestígios de mijadelas desde que saio de casa. E o mais espectacular é que o Estado até lhes concede beneficios fiscais por terem cão. Em vez de, como seria lógico, penalizá-los por toda a javardice que fazem. Deve ser coisa do progresso, ou lá o que é.
segunda-feira, 5 de agosto de 2024
Dizer que… não há necessidade
Há uma nova mania – nova é como quem diz, não é de hoje nem de ontem – de, no discurso oral, iniciar todas as frases com “dizer que”. Ou, caso o monologo se prolongue, com as variantes “dizer também” ou “dizer ainda”. Porquê?! Há necessidade de, no inicio de cada frase anunciar que a seguir se vai dizer qualquer coisa? Não chega simplesmente dizer o que se tem a dizer e esquecer essa parte de avisar que se vai dizer seja o que for? É para criar suspense? Independentemente do motivo, afigura-se-me despropositado. A mim – mas, se calhar, é só a mim – deixa-me logo sem vontade de continuar a ouvir o que o orador diz que tem para dizer.
domingo, 4 de agosto de 2024
Prioridades mais divertidas

Estamos habituados a que o provisório se torne definitivo. Tanto assim é que já nem damos conta de medidas que foram tomadas de forma a acautelar transitoriamente uma determinada situação, mas que acabaram por se perpetuar. Esta será uma delas. Na sequência da derrocada da estrada entre Borba e Vila Viçosa diversas vias, confinantes com pedreiras, sofreram condicionamentos à circulação automóvel. Neste caso a pedreira foi tapada há larguíssimos meses – quiçá, mesmo, anos – mas, ainda assim, as barreiras que condicionam o trânsito por lá continuam. Não deve haver pessoal disponível para as remover. É muito comum nos municípios, a falta de mão-de-obra. Ou, então, está todo alocado às verdadeiras prioridades autárquicas. As que importam. Aquelas que divertem a malta.
sexta-feira, 2 de agosto de 2024
Não será mais fácil chamar um urologista?
Aquela coisa das Olimpeidas começou mal - com uma espécie de circo das aberrações, logo na abertura – e parece que não pára de ficar pior. Agora é aquilo das gajas do boxe. Uma delas, ao que se diz, não cumprirá todos os requisitos para ser considerada mulher. É nestas alturas que me lembro de uma tirada de um saudoso colega e amigo durante uma acção de formação onde se discutia de forma bastante acessa uma questão que, afinal, se revelou de uma simplicidade de meter dó. Perante uma sala repleta de gente com canudo – excepto ele, eu e mais dois ou três colegas – e que não parava de tentar encontrar soluções para um problema que nem chegava a ser, sentenciou alto e bom som: “Isto é tudo muito simples, os doutores é que complicam”. Nisto de se saber se é homem ou mulher é tudo, igualmente, fácil de resolver. É chamar um especialista da especialidade para lhes meter o dedo no cú. Tem próstata é homem, não tem é mulher. Qual é a dúvida? Ah, e tal, cromossoma não sei quantos para aqui, testosterona para ali. Eh pá, azarinho. Ou sorte, conforme a situação.