quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Uma animação aquele resort...

Fiquei hoje a saber, pelo jornal local, que a noite da passagem de ano foi especialmente animada ali para os lados do resort. Diz que os habitantes – a quem a crise pouco parece afectar – se despediram do ano velho e receberam o novo com a dignidade que ambos merecem. Diversão à grande, festa rija e música a preceito até às tantas.
Isto segundo os macambúzios moradores das redondezas que, vá lá saber-se porquê, não demonstram grande apreço pelas comemorações da vizinhança. Já segundo a PSP a coisa terá terminado muito antes. Às três manhã. Ainda a noite era uma criança e o ano novo mal abrira os olhos, portanto. Até porque mal foram avisados pela policia puseram de imediato fim aos festejos e o silêncio reinou de então em diante.
Ainda segundo o “Brados”, na sequência da algazarra, terá sido aplicada uma coima de quatrocentos euros a cada uma das duas famílias envolvidas. Coitados. Não é pelo valor, obviamente. Que isso para aquele pagode não é nada. É pelo trabalho. E pelo tempo. De todos os envolvidos na elaboração dos autos e demais documentos relacionados com o caso. Para os autuados é como dizia uma popular figura estremocense de há trinta anos atrás: “Uma barrigada de rir, para quem não tem vergonha”. O jornal que indague daqui por seis meses – um ano, vá – se a dita coima foi paga. Fica o desafio. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Mais um acto multiculturalista...

Surpreende-me a surpresa que por aí vai relativamente ao crime cometido pelos porcos islâmicos em Paris. Era mais do que previsível. Assim como é absolutamente normal que muitas outras situações do tipo surjam um pouco por toda a Europa. É, apenas, uma questão de tempo.
Não tenho os muçulmanos – de uma maneira geral - em grande conta. Não gosto deles, da sua filosofia de vida e a presença de algum deles incomoda-me. É, parece-me, um direito que me assiste. Mas, garanto, gosto muito menos de todos os que manifestam compreensão por aquela malta. Esses, de verdade, detesto-os ainda mais. Pena que no lugar dos doze inocentes que tombaram em Paris não estejam todos os que esta semana se manifestaram na Alemanha contra a manifestação anti-islâmica das segundas feiras e todos os que acham aqueles animais bem vindos ao mundo civilizado. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Por mim, com os fundos comunitários, construia um centro de acolhimento a visitantes de outros planetas. Nem sei como é que nenhum autarca ainda se lembrou disso...

Somos um povo de viciados em obras públicas. Por nós o país seria um estaleiro gigantesco, as nossas terras estariam permanentemente viradas do avesso e a maior parte de nós julga a competência dos autarcas pelo betão que espalharam no seu concelho. Mesmo que, como acontece na maioria das situações, a dita obra não sirva para outra coisa senão acrescentar encargos ao erário público e - dizem – rechear algumas contas bancárias. Ou malas de viagem.
A euforia eleva-se a patamares ainda mais elevados se em causa estiverem fundos comunitários. Não interessa para quê, o importante é sacar. Nem mesmo importa que o concelho esteja financeiramente nas lonas, sem dinheiro para fazer face, sequer, às despesas próprias do seu funcionamento. Há dinheiro, logo vamos gastar. Não temos? Não faz mal, a esmola que nos deram para sobreviver vamos, afinal, usá-la para coisas iguais aquelas que nos levaram à miséria. Nem que seja fazer buracos e voltar a tapá-los.
Deve ser mais ou menos isso que pensa o maluco que fez o comentário que acima reproduzo num blogue de uma terra onde autarcas desvairados fizeram dividas que todos nós, portugueses, seremos chamados a pagar. A criatura até sugere à actual sra presidenta lá do sitio – ao que consta de boas contas e à rasca com a calamidade deixada pelo antecessores – que use o dinheiro do FAM (uma espécie de FMI para os municípios) para as obras, sejam elas quais forem, que exige que a sua Câmara candidate a fundos comunitários. Mais ou menos a mesma coisa que o governo agarrar no dinheiro da troika e avançar com o TVG, o aeroporto da capital, a terceira autoestrada Lisboa-Porto, mais uma ponte sobre o Tejo e outras obras igualmente necessárias... 

domingo, 4 de janeiro de 2015

Recluso endividado

Gostei da entrevista daquele recluso da prisão de Évora. Pareceu-me honesto. Foi, até agora, o único português que confessou perante o país que viveu acima das suas possibilidades. Como se sabe, este argumento é veementemente negado pela generalidade da esquerda portuguesa e em particular pelo partido socialista. Todos terão, de ora em diante, de conviver com esta verdade.
O preso em questão reconheceu que fez um modo de vida que os seus rendimentos, só por si, não podiam suportar. Um rasgo de honestidade que importa realçar pois a generalidade dos seus compatriotas não admitem ter feito mais ou menos a mesma coisa. Isto apesar de terem pedido crédito a tudo e a todos manter um estilo de vida pouco compatível com o rendimento disponível.
O enclausurado alega em sua defesa que terá pedido dinheiro emprestado para viajar, estudar e viver no estrangeiro. Embora este não pareça ser um procedimento muito recomendável do ponto de vista da prudência financeira, não constituirá nenhum crime. Nem será um caso de policia ou que suscite a atenção da justiça. Parece-me, antes, uma situação em que a DECO pode ajudar dada a larga experiência dessa associação no apoio aos portugueses sobre-endividados.
Acredito por isso que, mais dia menos dia, o recluso deixe de o ser. Para pena já chega ser prisioneiro das próprias dividas. 

sábado, 3 de janeiro de 2015

Quando tiver insónia vou passar a contar corruptos...

Pessoas que falam da corrupção e trabalham e descontam para Portugal que nem carneirinhos. Foi, com esta pesquisa, que um leitor chegou até ao Kruzes.
O conteúdo pesquisado suscita-me sobejos motivos de inquietação. Para além de me permitir fazer diversos juízos de valores sobre a criatura que pretendia obter mais informação sobre pessoas que falam acerca da corrupção e que, apesar disso, continuam a trabalhar que nem uns carneiros pequeninos.
Posso, entre outras coisas, concluir que se trata de um corrupto. De alguém que não trabalha, muito menos desconta e que se está nas tintas para o país. Um espertalhão, ao contrário dos outros – os tais carneirinhos – que trabalham para Portugal e para os gajos que, como ele, vivem da corrupção.
São, também, mentalidades destas que nos trouxeram até aqui. Gente que tem como bom fugir do trabalho e dos impostos como Maomé do toucinho e que estão sempre prontos a argumentar com BPN's e outros que tais para justificar o seu comportamento delinquente. Não percebem, coitados, que isso representa oito ou dez mil milhões uma vez e que a economia paralela, que tanto defendem, rouba-nos vinte e cinco mil milhões TODOS OS ANOS. Parece-me que é capaz de haver aqui uma pequenina diferença...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Penalizar fiscalmento o trabalho e a poupança é coisa de parvos. Acho eu.

A quase totalidade dos especialistas em assuntos fiscais advoga a tributação dos contribuintes em função do rendimento. O bom senso e a sensibilidade social também. Estou-me nas tintas para os três. Não sou especialista em coisa nenhuma, o conceito de bom senso é muito relativo e quanto à sensibilidade social, isso, tem dias.
Isto para dizer que não gosto da taxação que incide sobre os rendimentos do trabalho, das pensões e do capital. Trata-se de um roubo à descarada a um grupo restrito de pessoas, constitui um desincentivo à poupança e deixa nas margens do sistema uma imensidão de gente a rir-se dos parvos que pagam por todos. A tributação devia ser feita, preferencialmente, sobre o consumo. Quem mais ganha mais consome, por norma adquire produtos mais caros, pelo que não estou a ver onde residiria a alegada injustiça social – um papão que muitos gostam de agitar - que tal sistema criaria.
Daí que, num sistema fiscal como o que prefiro, não me chocasse essa coisa da fiscalidade verde. Taxar sacos plásticos - nesse contexto, reitero - até seria uma medida razoável. Só os paga quem quer. E, no actual estado de coisas, eu não quero. Significa isso que, quando o stock acabar, o balde do lixo volta a ser forrado com o jornal. A “Dica da semana”, de preferência. O ambiente agradece. Ou não.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Bom 2015!


É costume, quando se está prestes a entrar em qualquer coisa nova, desejar que o putativo penetrante o faça com o pé direito. Ora, quando estamos quase a chegar a um novo ano, é algo parecido que desejo a todos os leitores e visitantes ocasionais do Kruzes. Que entrem com a mão direita em 2015 e lhe dêem muito uso para aquilo que mais lhes aprouver. 

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Presumir, cada um presume o que quer e eu presumo o contrário do que vocês presumem. E, por mais que presumam outra coisa, a minha presunção é tão boa como a vossa.

Para quem, do ponto de vista das emoções, se está absolutamente nas tintas para a politica partidária, chega a ser enternecedora a forma como algumas almas – muitas até, reconheço – defendem o cidadão José Sousa. Dá mesmo a ideia que existe entre elas uma espécie de competição para definir quem é mais amigo do homem, quem acredita mais que o senhor é quase santo e que as leis que são aplicadas a milhares de cidadãos não se lhes devem aplicar. Devia, na opinião dessa maralha, estar fora da alçada da lei e, em suma, gozar de total impunidade.
Há, também, os que levam a vida a comparar com outros processos. Ou com outros figurões da politica e da finança. Como se os alegados crimes de uns atenuassem os de outros. Faz-me lembrar os tempos da escola primária em que, para tentar salvar o coiro, quando dava erros no ditado argumentava em casa que o Sicrano e o Beltrano tinham dado muitos mais.
Isto para além dos auto proclamados ilustres que vão visitando o senhor Sousa. Não se coíbem de, quase à descarada, dar a entender que essa coisa de cumprir a lei é, sim senhor, muito bonita mas digam lá aos senhores juízes que tenham tino porque isso não é para aplicar a toda a gente.
Acreditar na inocência da criatura parece ser mais uma questão de fé do que outra coisa qualquer. A mim, por mais respeito que tenha por algumas opiniões e por aquilo que, eventualmente, a justiça venha ou não a apurar, é mais fácil acreditar que os pastorinhos viram uma senhora a pairar sobre uma azinheira do que na presumível inocência do sujeito. 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A faixa já durou mais do que certos casamentos...


Calculo que o evento anunciado nesta faixa publicitária tenha sido um êxito. Pelo menos publicidade ao certame foi coisa que não faltou. O que, imagino, deve ter custado uma pipa de massa só em taxas. E, quase de certeza, muito mais em coimas aplicadas pelas autarquias por o reclame ao acontecimento, mais de um mês depois, ainda não ter sido removido. Sim, isto paga-se – também era o que mais faltava não se pagar – muito caro. Até porque, como se sabe, o espaço e o dinheiro público são dos contribuintes.  

domingo, 28 de dezembro de 2014

Um gato às direitas. Um bom bichano, portanto.

Não é que eu seja de acusar ninguém sem as devidas evidências apontarem para a culpabilidade do alegado praticante do acto. Muito menos tratando-se de um gato. Mas, no caso, tudo me leva a desconfiar que é este o bichano que fez do meu quintal o local de eleição para aliviar a tripa. Habita na vizinhança e, a julgar pelas aparências, trata-se de um gato à antiga. É visto com frequência nos telhados e não faz amizades contra-natura com ratos ou com a diversa passarada que por aqui abunda, como já vai acontecendo com alguns maricas da sua espécie. Pelo contrário. Persegue-os e caça os que pode. Um gato como deve ser, portanto.
Só isso me leva a tolerar as pegadas que deixa no pavimento do quintal, as escavações que faz nos canteiros ou a merda que larga na relva e que, pacientemente, trato de recolher. Embora, confesso, de seguida a deposite num local onde, quero acreditar, possa causar algum incomodo aos donos. 

sábado, 27 de dezembro de 2014

Serviço público vs serviço ao público...

A privatização da TAP tem motivado um frenesim difícil de entender para um leigo como eu nestas coisas. É que, assim de repente, não estou a ver motivos para preocupações de maior. Nem no caso da transportadora aérea nem nas restantes privatizações que desde há trinta anos os sucessivos governos têm vindo, e bem, a fazer.
Sou do tempo em que o Estado não era dono de bancos, seguradoras, empresas de transporte, imobiliárias ou estaleiros navais. E, por mais estranho que isso possa parecer a quem não viveu nesse tempo ou já se esqueceu como era, o país funcionava. Melhor até, em muitas circunstâncias, do que funciona hoje. Convém, também, não esquecer que o Estado não criou nenhuma empresa dos sectores acima referidos. Tratou-se, isso sim, num período de absoluta loucura colectiva de as roubar aos legítimos donos.
Compreendo que algumas elites hoje se sintam preocupadas com o desmantelar do sector empresarial do Estado. A empregabilidade dos desempregados da politica é capaz de, no futuro, ser substancialmente afectada. Já no que respeita ao cidadão comum não estou a ver motivo para preocupação. A não ser, num cenário pós-privatização, já não termos quem em nome da defesa dos nossos interesses não nos preste o serviço que antecipadamente pagámos. Coisa que, obviamente, nos é cara. E muito.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Maus tratos psicológicos




Esta mania de vestir os animais, nomeadamente os cães, é das mais parvas que conheço. Argumentam que, coitadinhos, também têm frio. Presumo, digo eu, que tenham defesas naturais para isso ou não teriam sobrevivido ao longo dos últimos cem mil anos. Não é que, dada a proliferação destas fatiotas, me espante muito de cada vez que vejo estas figuras ridículas. Até porque depois de um dia destes ver, em plena baixa lisboeta, uma gaja toda regalada a fazer um bruto “linguado” com um cão, já pouca coisa me pode surpreender. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Trinta e cinco azarados... e muitos mais otários!

Afinal, contrariando as previsões mais pessimistas, os automóveis do fisco foram mesmo entregues. Todos. E não consta que nenhum dos trinta e cinco contemplados tenha, ao contrário do que por aí se profetizava, visto a sua vida arruinada pelos encargos exorbitantes que, segundo os muitos especialistas na matéria, teria de enfrentar só por ter o azar de lhe sair o carrinho.
Já quanto aos números divulgados pela Autoridade Tributária, seja das facturas emitidas com NIF ou da cobrança de IVA, considero-os um verdadeiro fracasso. A esmagadora maioria dos contribuintes continuam a não exigir factura das suas despesas. Nem, sequer, daquelas que lhes permitem pagar menos IRS. Por outro lado, são mais que muitos os comerciantes que continuam a manter uma relação pouco estreita com a honestidade. Daí achar que os valores agora anunciados deveriam ser, em muito, superiores aos alcançados e dos quais alarvemente a AT tanto se ufana.
Tenho alguma expectativa acerca do comportamento de todos os que blasfemam contra isto de pedir factura. É que com as novas regras do IRS, só quem gostar muito, mas mesmo muito, de pagar impostos é que vai dispensar a facturazinha. Ou então quem for parvo. 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

As luzes na ribalta...

Tenho alguma dificuldade em perceber a fixação que algumas pessoas têm pelas iluminações de Natal. Ou, principalmente, pela sua falta. As mesmas, se calhar, que acham uma piroseira os pais natais pendurados de paredes, portas ou chaminés, quando comprados pelos donos das casas, mas que acham lindo se for constituído por um conjunto de lâmpadas coloridas e encavalitado no topo de um poste a expensas de uma autarquia qualquer.
Admito que luzinhas espalhadas pelas ruas possam constituir um regalo para a vista. Mas só isso. Em cidades como a que vivo – ou nas outras aqui à volta – em que o comércio tradicional está para lá de moribundo, não são as iluminações natalícias que contribuem para o aumento do volume de vendas. Nem, sequer, para atrair visitantes. Ao que consta os portugueses preferem outros destinos e um eventual roteiro turístico que envolvesse uma volta ao Rossio a olhar para lâmpadas acesas estaria, inevitavelmente, condenado ao fracasso.
Ainda assim acho curioso que sejam alegados defensores do rigor, da austeridade e da teoria de que vivemos acima das nossas possibilidades os principais defensores do esbanjamento de recursos públicos em ornamentações de natal. Como se, assim de repente, o dinheiro que antes não havia agora já brotasse das pedras. O mesmo graveto que, recorde-se, continua a não haver para, por exemplo, reduzir a carga fiscal. Prioridades. Nas quais, como salta à vista, as boas contas não entram. Aliás, isso das contas é coisa que aos apreciadores de luzinhas interessa muito pouco...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Alguém que interne esta gente...e depressa!

Anda por aí muita gente a salivar por causa da pipa de massa que, via fundos comunitários, vai entrar no país durante os próximos anos. Percebe-se porquê. É preciso garantir aconchegos de vária ordem, difíceis de concretizar sem o dinheiro vindo de Bruxelas.
O que tenho mais dificuldade em perceber é o entusiasmo da populaça. Nomeadamente quando vejo munícipes de concelhos híper endividados, daqueles a precisar de socorro do Estado central para acudir às necessidades de funcionamento mais básicas, a exigirem aos seus autarcas que candidatem obras a este novo quadro de financiamento. Não entende esta gente que o seu município não tem dinheiro, só tem dívidas e fornecedores desesperados por as receber. Nem percebe, o que ainda é mais estanho, que foi, na maior parte dos casos, a pretensa ajuda comunitária que arruinou os seus concelhos e que nos obriga agora, a todos, a pagar as consequências.
Não coloco, como é óbvio, em causa a importância dos fundos comunitários para o desenvolvimento do país. Desde que, não menos óbvio, não constituam encargos incomportáveis no futuro, não contribuam para criar divida e sejam aplicados em investimentos realmente úteis. Nem, já agora, que sirvam para coisas de que ultimamente muito se tem ouvido falar. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O peidorreiro esteve bem...

A subserviência é das características do ser humano que mais me aborrece. Nomeadamente aquela que acontece em contexto laboral. Daí que as palavras pouco simpáticas de Pinto da Costa, à entrada da prisão de Évora, não me causem espanto nem motivem qualquer sentimento de solidariedade para com os jornalistas atingidos pela boçalidade do velho peidolas. A comunicação social, no seu conjunto, merece este tratamento.
Ao longo das últimas décadas o chefe do clube do Porto tem sido tratado reverentemente, como poucos, em Portugal. Todos se curvam, desde políticos a jornalistas, perante a criatura. A forma agressiva como outras figuras públicas são confrontadas pela comunicação social não é usada perante este fulano e, mesmo noutro tipo de trabalhos jornalísticos que não a entrevista, as menções ao gajo são sempre cerimoniosas. Daí que não surpreenda esta reacção. Já a minha avó – essa sábia senhora que muito me ensinou – garantia que quanto mais nos agachássemos mais nos aparecia o cú. Foi o caso. E muito bem feito, acrescento eu.
Ainda assim, mesmo perante a baixeza das declarações do fulano, não houve ninguém que tivesse tido a coragem – ou o descaramento, vá – de lhe perguntar qual o nível de afinidades entre ele e o prisioneiro 44. Ou, por exemplo, se tinham negócios em comum. Nem, já que a coisa estava a azedar, se devia algum favor ao ex-governante. Critérios.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Muito se "contracepta" em Lisboa...

Nem me vou alongar muito a dissertar sobre o que leva um país falido, sem gente e à beira de pedir um resgate financeiro porque nem dinheiro tinha para pagar vencimentos e reformas, a esturrar quase quatro milhões de euros em contraceptivos. Só pode ser falta de juízo. Ou de vergonha. O mesmo juízo e a mesma vergonha que faltam a quem agora se pavoneia por aí como salvador da pátria e aos que se preparam para os recolocar no poder.
Igualmente fantástico o pormenor de um fornecimento deste valor ser feito por ajuste directo. Haverá, quase de certeza, uma boa razão para ter sido este o procedimento escolhido pela ARS de Lisboa e Vale do Tejo. Seja ela, a razão, qual for. Até porque, como sabemos, há certas coisas que não podem aguardar determinadas burocracias. E a que se relaciona com o produto em questão será uma delas...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Não roubem o futuro...por mais curto que seja!

A diferença de tratamento que é dispensada aos reformados e aos trabalhadores a recibo verde é, para ser simpático, absolutamente revoltante. Isto perante a passividade geral da sociedade. Se, quanto  aos primeiros, qualquer tentativa de redução do valor da reforma provoca um imenso movimento de protesto, declarações de incontitucionalidade e uma histeria quase geral, já quando os rendimentos dos segundos são brutalmente reduzidos  a indiferença é, excepção feita aos visados, praticamente total.
Obviamente que as pensões mais baixas devem ser protegidas. Ninguém, acredito, colocará isso em causa. Mas o mesmo tratamento deveria ser adoptado relativamente às centenas de milhares de chamados trabalhadores independentes. Muitos dos quais, talvez a maioria, a ganhar bastante menos do que os reformados que toda a gente acha devem ser protegidos. Deve ser essa coisa dos direitos adquiridos, ou lá o que é. Ou, se calhar, da solidariedade  inter-geracional, em que os cortes nos baixos salários dos mais novos evitam a redução das elevadas pensões dos mais velhos.
Sou, por principio, contra todo e qualquer tipo de cortes nos vencimentos e pensões. Todos. Incluindo por aumento de impostos sobre o rendimento ou contribuições para a segurança social.  Está amplamente demonstrado que nada resolvem.  O que considero intolerável é a discriminação com que se tratam uns e outros.

sábado, 13 de dezembro de 2014

A culpa é dos outros, obviamente...

Culpar a fuga aos impostos - a par da ausência de rigor nos gastos do Estado – como a causa de todos os males que nos afectam, não constitui nenhuma descoberta cientifica merecedora de um prémio Nobel. É, apenas, constatar uma realidade que só não vê quem não quer ver. Algo que, apesar de tudo o que tem sido feito – e não é pouco, convenhamos – pela administração fiscal, parece não parar de crescer. Muito por culpa dos portugueses, diga-se. Que, neste como noutros casos, têm o que a sua ignorância os faz merecer.
Há muito que não abordo aqui a questão das facturas com NIF. As mesmas que já terão levado muitos a insultarem-me mentalmente, uns quantos a escarnecer da minha insistência na facturazinha com número de contribuinte sempre que beberrico o café e, por essa blogosfera fora, uma infinidade de gente a considerar esta minha mania de pedir factura absolutamente desprezível e a atirar para o pidesco. Pois graças a essa teimosia terei este ano uma dedução que rondará os trinta euros. Para todos os que me insultaram ou menosprezaram a minha atitude pode, acredito, não significar nada. Ainda bem para eles, mas a mim dão-me jeito.
Estou curioso acerca do comportamento que estes críticos vão adoptar de Janeiro em diante. Com a reforma do IRS vão perder a dedução pessoal que, como calculo que saibam, será substituída pelas “despesas gerais”. Ou seja as tais facturas com NIF que juraram não querer ver nem pintadas. Podem, para manter a coerência e ajudar os que fogem ao fisco, continuar a optar por não as pedir. Mas isso, assim por alto, é capaz de garantir um aumento no IRS a pagar em perto de duzentos euros por contribuinte. Mais um motivo para culpar o Passos, o Portas, a troika, a Merkel e, já agora,o Rato Mickey.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

E depois há os que nem deviam ser levados a sério...

Não conheço nenhum politico que não seja sério. Agora que há muitos que não o parecem, lá isso há. Nomeadamente aqueles, seja na Europa ou cá pelo rectângulo, que andam por aí a defender que algumas dividas sejam excluídas do apuramento do défice do Estado. Ainda que – ao menos isso – não ponham de parte a obrigação de as pagar. Num dia muito distante, provavelmente.
Os defensores desta causa são, na sua maioria, as pessoas que foram responsáveis pelo estado a que isto chegou e que, dentro de pouco tempo, estarão de novo no poder a continuar a obra de demolição do país. A ideia que agora tentam vender não é nova. Antes da chegada da troika havia estratagemas, coincidentemente, parecidos. Como aquela coisa fantástica dos empréstimos bancários que não contavam para o apuramento da divida. Medida que, poucos saberão, se aplicava aos estádios de futebol construídos por ocasião do Euro 2004 e a obras financiadas por fundos comunitários. Graças a esta habilidade contabilistico-financeira muitas Câmaras, nomeadamente aquelas que são noticia todos os dias por estarem à beira da falência, gozavam de uma larguíssima margem para continuarem a fazer obra à custa da obtenção de empréstimos para financiar a contrapartida nacional dos financiamentos europeus. Com o resultado fantástico que se conhece. E é disto que uns quantos bem instalados na vida, secundados por uma imensa mole de ignorantes, têm saudades... 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Engordar gulosos...

Se o Natal é quando o homem quiser, as festas tendo como público alvo os eleitores mais idosos são sempre que dêem jeito aos autarcas. Muitas e espalhadas ao correr do calendário, não vão os velhinhos esquecerem-se de quem os passeia, diverte e paga comezainas. Tudo, evidentemente, à conta dos que pagam impostos.
Embora o interesse público destes acontecimentos apenas possa ser justificado com base em interpretações mirabolantes da lei e de nula consistência com o rigor a que deve presidir toda a despesa pública, a verdade é que, com a chegada de Dezembro, multiplicam-se, de norte a sul, os eventos destinados à chamada terceira idade. Pior. Já não chega empanturrá-los de comida. Agora há que agasalha-los. Como é o caso de uma Câmara do norte do país que resolveu esturrar quase vinte e dois mil euros – com iva rondará os vinte sete mil - em casacos corta-vento para oferecer aos idosos que participem no "Natal do idoso" promovido pela dita autarquia. Deve ser por causa das correntes de ar...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Desigualdadezinha com que ninguém se importa...

Como não li, nem ouvi, nada acerca do assunto presumo que seja a minha imaginação doentia a pregar-me mais uma partida. Ou, hipótese igualmente bastante provável, que se trate da minha ignorância a revelar-se em todo o seu esplendor. Isto a propósito da chamada reforma do IRS recentemente aprovada e da, a confirmarem-se as suspeitas, discriminação de que continuam a ser vitimas os trabalhadores da função pública.
Parece que vai continuar a ser possível deduzir, em sede de irs, as despesas efectuadas com seguros de saúde. O mesmo beneficio continua a não ser extensível aos 3,5% do vencimento que os funcionários públicos descontam para a ADSE. Trata-se de uma manifesta dualidade de critérios de difícil explicação e que violará, estou em crer, uns quantos princípios constitucionais nessa coisa de tratar todos os contribuintes por igual.
Neste caso já nem colhe o argumento de que só descontam para o subsistema de saúde dos funcionários do Estado aqueles que querem. Os seguros de saúde, obviamente,também são voluntários e só os faz quem quer e pode. Daí que o tratamento fiscal deveria ser igual. Até porque hoje, como tem sido amplamente divulgado, a ADSE já é sustentada pelas contribuições dos beneficiários e não constitui nenhum encargo para os cofres públicos. 

domingo, 7 de dezembro de 2014

Venham, mas levem o lixo!


Não será propriamente bonito ter a sala onde se recebem as visitas neste estado. Mas, convenhamos, também é de muito má educação deixar a sala de quem se visita nestas condições. Fácil é culpar quem não limpou. Por mim prefiro culpar quem sujou. Mas isso sou eu, que acho que se é para virem para cá aborrecer mais vale ficarem nas suas terrinhas. 

sábado, 6 de dezembro de 2014

Ainda há tempo para essa extravagância do poupar...

Deitar contas à vida não constitui, infelizmente, um hábito para a generalidade dos portugueses. Os resultados da ausência desse exercício, que de forma continuada devíamos fazer, estão bem à vista. A todos os níveis. Seja na gestão da coisa pública, para os que têm essa responsabilidade, seja a nível individual com as nossas finanças domésticas.
Veja-se o caso dos impostos. Um saque feito à descarada à nossa carteira. Mas, ainda assim, poucos se preocupam em planear alguma poupança fiscal. Não terão, provavelmente, tempo para isso de tão ocupados que estão em criticar quem o faz. Embora quase a queimar o prazo para “minimizar os estragos” fica a sugestão deste simulador que permite, de forma fácil e intuitiva, calcular o irs de 2014 a pagar em 2015.
Uma dica para quem tem depósitos prazo ou outras aplicações financeiras. Verifiquem se vale a pena optar pelo englobamento de rendimentos. Pode, em determinadas circunstâncias, fazer toda a diferença entre pagar ainda mais ou receber algum do que já se descontou...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Eu é mais aerofagia...

Longe de mim pretender questionar as opções jornalísticas seja de quem for. Era o que mais me faltava. Por todas as razões que vão desde o facto de não perceber nada de jornalismo até não me apetecer. Muito menos questiono o interesse do assunto que é puxado para a primeira página de um dos dois jornais locais. Que será, do ponto de vista editorial, certamente o bastante para constituir motivo de destaque na edição da semana. Nada, reitero, tenho a ver com isso.
Preocupante – isto, claro, do meu ponto de vista que, como é óbvio, vale o que vale e apenas a mim importa – será a ausência de acontecimentos, cá pela terra, que mereçam uma parangona capaz de me fazer comprar um exemplar do jornal. Com noticias boas, de preferência. Ou, em alternativa, com boas nas noticias.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Terroristas de trazer por casa. Umas fadas do lar, quase.

Diz que muitos dos meninos mimados do ocidente que foram combater para as fileiras do Estado Islâmico estão desapontados e com vontade de voltar. Afinal, aquilo por lá não é grande coisa. Parece que a vida que encontraram não corresponde às expectativas que tinham quando decidiram fazer a trouxa e rumar às inóspitas paragens do deserto.
Queixam-se de tudo, os decepcionados aspirantes a terrorista. O corte de cabeças é actividade que não lhes está destinada, combater revela-se mais perigoso do que parece na televisão ou no ecran do computador e principalmente – drama, horror, tragédia, tudo em simultâneo - nem o telemóvel funciona de jeito. Para estragar o resto os jihadistas puseram-nos a trabalhar e nem sequer lhes dão oportunidade para aterrorizar um camelo.
Por cá, as mamãs tratavam-lhes de tudo. Desde a roupa à comidinha. Lá, imagine-se, são eles que têm de fazer isso para os terroristas verdadeiros. Coisa para desanimar qualquer um, realmente. Capaz, mesmo, de fazer perder a cabeça. A própria. Coragem rapazes. Façam-no!

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Não havia um perú negro para indultar?!


Parece que serão já umas quantas as cidades norte americanas mais ou menos em pé de guerra por causa da morte de jovens negros alegadamente abatidos pela polícia. Argumentam os críticos das forças da ordem que existirá da parte destas um manifesto sentimento racista relativamente às comunidades não brancas. Devem ter razão, devem. E isso do racismo começará logo nas mais altas instâncias lá do sítio. Ou terá sido por acaso que no Dia de Acção de graças, em que tradicionalmente são sacrificados perus aos milhões, o indulto presidencial foi para um peru branco?! Mas, curiosamente, ainda não ouvi reclamar da Obamica decisão...


domingo, 30 de novembro de 2014

Sócrates, Oliveira e Lima. Tudo bons rapazes. Uns gajos porreiros, até.

A conversa em torno do Sócrates já aborrece. Principalmente por haver da parte de quase toda a gente uma estranha comichão relativamente à maneira como o gajo foi detido, ao facto de ter ficado em preventiva, às duvidas acerca daquilo de que será suspeito, ao segredo de justiça alegadamente violado, à desconfiança que se tratará de mais uma cabala e, para muitos, a quase certeza da inocência do homem. Isto para além das inevitáveis menções aos perigos que a democracia estará a correr, às preocupações quanto às interferências da justiça na politica e mais uma porrada de coisas, todas em defesa do prisioneiro 44, que agora não me ocorrem.
Podem, os que assim divagam, estar absolutamente certos. Admito, até, que estejam carregadinhos de razão. Tenho apenas uma dúvida a inquietar-me o espírito. Por que razão não disseram, nem escreveram, o mesmo – ou, pelo menos, algo vagamente parecido – relativamente à detenção de outros políticos?! Um ex-secretário de Estado e um ex-líder parlamentar foram, num passado assim não muito distante, igualmente detidos sem que tenha havido uma expressão de estados de alma, sequer, comparável. E, assim de repente, não são conhecidas do grande público diferenças significativas entre os casos do Sócrates, do Oliveira e Costa ou do Duarte Lima.
Este quase consenso nacional, no que se refere ao tratamento à base de pinças do tema da detenção de José Sócrates, pode ter dois significados: O primeiro, o facto de o homem, pensam eles, ser de esquerda. Logo impoluto. Um ser genial e incapaz de ganancias como as que se soam e que, normalmente, são reservadas à execrável escumalha da direita. O segundo significado pode ter, quiçá, a ver com algo mais complicado. Assim do tipo, como escrevi há dias, com aquela coisa das labaredas a darem cabo das barbas do vizinho. É que quando o gajo do topo vai de cana, nem o fulano que se “engana” a contar as moedas da caixa das esmolas dorme tranquilo...

sábado, 29 de novembro de 2014

Emigrar à procura de um subsidio melhor

O facto de existirem uns quantos portugueses que foram para o Luxemburgo, ou para outros países europeus, viver à pala da generosidade das seguranças sociais respectivas não se me afigura, em nada, condenável. É, afinal, o que fazem outros povos oriundos de muitas outras paragens. Veja-se, por exemplo, o que está a acontecer no Mediterrâneo, diariamente atravessado por centenas de africanos e asiáticos, ansiosos por viver à custa dos fantásticos benefícios proporcionados pelo estado social europeu.
Toda esta gente está, apenas, a aproveitar a ingenuidade de quem criou um sistema que tem permitido, a consecutivas gerações, viver sem necessidade de trabalhar. Como era inevitável a coisa está a tornar-se insustentável e, mais dia menos dia, dará o berro. Só não deu ainda porque acabar com as inúmeras maroscas que contribuem para a sua falência não é politicamente correcto. Lá, tal como cá, é socialmente muito mais aceitável aumentar impostos...
Por isso, antes que a bolha rebente, é aproveitar. Nem sei por que raio a malta do governo não se lembrou deste esquema. Assim como aconselhou os jovens a emigrar podia, também, ter aconselhado os beneficiários do RSI a sair da sua zona e a procurar o conforto dos chorudos subsídios, luxemburgueses. Ficávamos todos a ganhar.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Free Sócrates! Libertem o novo Mandela, pá!

Com maior ou menor índice de jocosidade, as piadolas acerca da prisão do Sócrates são já mais do que muitas. Os momentos de pura diversão, proporcionados mais por protagonistas ridículos do que pela situação em si, têm-se sucedido a uma velocidade vertiginosa e, ou muito me engano, a comédia a puxar à risota ainda vai durar uns dias.
Hoje foi Mário Soares a contribuir para a hilaridade geral. Aquilo teve piada. Tanta que, por breves momentos, me arrependi dos nomes que lhe chamei – e, até, dos que ainda lhe hei-de chamar – quando pretendo estacionar na rua onde o gajo mora e a viatura oficial que lhe é destinada está estacionada “ao atravesso” a ocupar dois lugares de estacionamento em espinha. Isto perante o olhar condescendente – e de profundo aborrecimento, também – do policia que lhe guarda a porta.
Para além do anedotário nacional, a economia pode igualmente sair beneficiada com a detenção do individuo que governou – há quem insista em continuar a achar isso – o país durante sete anos. Para já é o senhor do café do outro lado da rua. Mas, ao fim de semana, se o tempo ajudar aquilo é capaz de animar. Auguro uma espécie de romaria. O que é bom. Nomeadamente para o gajo das castanhas ou para o dinâmico empresário que se lance no mercado das t-shirts. É que, confesso, estou um pouco desapontado por ainda não ter visto ninguém com uma camiseta a dizer “Free Sócrates! Libertem o novo Mandela.” Já foi feito com o Zico e resultou.