Os portugueses, diz-se, são o povo mais simpático do mundo a menos que tenham um volante nas mãos. Ou, acrescento eu, tenham as unhas em cima de um teclado. Em ambos os casos desaparecem todos os sinais de simpatia, some-se a tolerância perante o erro ou a opinião alheia e transfiguram-se em verdadeiras bestas.
É assim, por exemplo, nos blogues. Gente aparentemente normal, de espírito aberto, tolerante, respeitadora da diversidade de opiniões, adepta da multiculturalidade e, em suma, intelectualmente muito avançada, é incapaz de aceitar uma critica ou uma opinião divergente da sua. Não que isso me surpreenda. Ou, ainda menos, me incomode. Pelo contrário. Na maior parte das ocasiões, para não dizer sempre, até me diverte.
Como, por exemplo, no caso do blogueiro – jovem, presumo – que me chamou uns quantos nomes por eu o ter contrariado quando, num post alusivo ao 25 de Abril por ele publicado, garantia que por alturas da Abrilada os miúdos do campo, na sua maioria, iam à escola descalços. Ou, também a propósito da mesma temática, uma senhora que se ofendeu por eu achar, num comentário que fiz a um texto do seu blogue, que em 1974 o facto de as portuguesas não se poderem ausentar do país sem a autorização dos maridos não era, para a generalidade das mulheres, aquilo que mais as preocupava. Vejam lá que me atrevi a sugerir que a guerra colonial era bem capaz de estar uns furos acima na escala das preocupações... Parvoíce minha, estava-se mesmo a ver.









