Os responsáveis de uma câmara municipal, por sinal aqui da região, terão ficado abismados quando descobriram que, entre os documentos de despesa justificativos de uma determinada actividade associativa, subsidiada pelo município, se encontravam facturas de aquisição de bens que nada teriam a ver com a finalidade para que foi atribuído o subsidio. Pensos higiénicos, toalhetes para bebé e frango fresco, entre outros artigos, terão sido alegadamente adquiridos pela associação e pagos com o dinheiro dos contribuintes.
Nada de muito surpreendente, diga-se. Atrevo-me mesmo a imaginar que poderá ser prática mais ou menos corrente um pouco por todo lado. Trata-se de uma actuação condenável mas que, no fundo, serve a todos. A uns porque conquistam votos e garantem a manutenção no poder e a outros porque são oportunistas, mal-formados, vigaristas e estão sempre dispostos a sacar algum. Em proveito próprio ou simplesmente para armarem ao pingarelho.
O dinheiro público desbaratado nestas brincadeiras não é, ao contrário do que muitas vezes se pretende fazer crer, tão pouco quanto isso. O conjunto dos trezentos e oito municípios portugueses tinha em 2012, segundo dados públicos, publicados e disponíveis no site da Direcção-Geral das Autarquias Locais, compromissos registados no valor de 1.055.938.078,01 euros destinados a transferências e subsídios. Mais de mil milhões de euros, portanto. Depois venham para cá esses badamecos das televisões vomitar teorias sobre a necessidade imperiosa de cortar nos vencimentos e pensões...








