Hesito quanto a isso da fiscalidade verde. Ainda que me agrade a ideia de aumentar os impostos onde a possibilidade de fuga seja menor, visando – supostamente, é claro – reduzir o IRS. Que, como se sabe, é aquele imposto que apenas é pago pelos que a ele não podem fugir. E hesito porque duvido que à criação de novas taxas e ao aumento das que já existem – para proteger o ambiente, dizem eles – corresponda uma redução de qualquer outro imposto.
Daquilo que se tem dito e escrito sobre o assunto retive, essencialmente, a ideia de cobrar, a título de imposto verde, dez cêntimos por cada saco plástico. Compreendo a intenção. Pelo menos faço um esforço nesse sentido. Se não aplaudo a iniciativa é, apenas, porque de fora ficarão, a julgar por aquilo que foi noticiado, uma série de situações que, em minha opinião, deviam ser igualmente taxadas. Porquê os sacos e não os copos, as garrafas ou as “pancartas” que, tanto ou mais que os sacos de plástico, poluem as nossas cidades? Ou, ainda no âmbito de coisas poluentes que demorarão uma eternidade a decompor-se, porque não taxar igualmente os pensos higiénicos, as fraldas e os preservativos?
Mas o que mais lamento e me decepciona nesta deriva ambiento-fiscal-esverdeada, é a ausência de referência à poluição causada pelos canídeos na via pública. São muitas as toneladas de merda de cão espalhadas por aí, cuja remoção custa muito dinheiro e que colocam em causa a saúde pública. Contudo ninguém se lembrou de agravar substancialmente as taxas sobre a posse de cães. Pelo contrário. O parlamento está até, por estes dias, a discutir uma petição visando tornar dedutível em sede de IRS as despesas de saúde dos bichos de estimação!!! Coisas de gente doida, é o que é. Ou, então, o louco sou eu. Mas se for, perante uma realidade destas, tanto melhor.










