quarta-feira, 11 de junho de 2014

Eleições ou reciclagem?

Acho um piadão à malta que anda por aí a berrar por eleições antecipadas. Aos do PS ainda percebo. Sentem falta dos “lugares” e estão desejosos de voltar a meter a mão no pote. Já quanto aos outros - os cidadãos anónimos que revelam essa vontade seja em manifestações, à mesa do café, nos blogues, no fuçasbook ou nos mais variados espaços onde podem exprimir opinião – tenho, confesso, manifesta dificuldade em perceber esse desejo. Querem eleições para quê? Para se abster violentamente? Para voltar a colocar no poder aqueles que antes era maus, não serviam para governar, que queriam pôr na rua, mas que agora já são bons e que desta vez é que vão governar mesmo, mas mesmo, muito bem? Sim, por que outros, que não os que estiveram lá antes e nos conduziram a esta estratégia, não estou a ver que possam ir para o governo. Os mesmos que já reafirmaram estar orgulhosos do que fizeram antes e que, portanto, irão fazer o mesmo. De novo.
Esta foto foi obtida em Évora. Num dia em que o Sócrates e um batalhão de ministros do seu governo ali se deslocou. Não me recordo se António Costa, aquele que agora parece ser uma espécie de D. Sebastião, fazia ou não parte da comitiva. Tem, portanto, já uns anitos. Mas podia ter sido tirada ontem. E daqui por mais um tempo, após as tão ansiadas eleições, continuará a estar actual. Tão certo como, também nessa altura, não faltar quem continue a reclamar por eleições antecipadas.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Gozar com as doenças dos outros é coisa de gente mal-educada. Pelo menos era, dantes, quando éramos todos umas bestas.


A propósito do desfalecimento do Presidente da República não tardaram a surgir piadolas e frases mais ou menos ordinárias acerca da ocorrência. Apeteceu-me seleccionar uma. Que nem é das piores, diga-se. Mas que ainda assim fica mal a quem a escreve. Militante do partido comunista e, pelo menos era até há pouco tempo, dirigente regional daquela agremiação. Não é verdade senhor ex-presidente da câmara? Ou devo dizer ex-múmia?

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Um país de borboletas

Receio não ter ouvido bem. Algures neste país uma aldeia esteve sem uma estrada que encurtasse em treze quilómetros a distância até à sede do concelho por causa de uma espécie de borboleta?! Ainda sim, agora que finalmente se vai fazer a dita via de comunicação, a mesma apenas vai poder ser utilizada pelos moradores?! E a obra apenas avançou, após anos de vetos por parte de associações ambientalistas, porque se dignaram a ceder com a condição de por lá apenas circularem os residentes na aldeia?!
Está tudo parvo. Só pode. Como é que um país que deposita na mão de alegadas associações de defesa do ambiente a possibilidade de chumbarem a realização de obras que claramente beneficiam as pessoas se pode admirar que um Tribunal chumbe normas que as prejudicam?! Já estou como diz o outro. Há que escolher melhor as pessoas que vão para essas associações ambientalistas. Ou, talvez, mudar a lei. 

domingo, 8 de junho de 2014

Uma chatice isso de pedir factura e dar dinheiro a esses malandros...

Quando ouço, ou leio, alguém a lamentar-se dos impostos elevados que somos obrigados a pagar e, logo a seguir, menosprezar - e mesmo criticar - quem exige a factura nos serviços de restauração, constitui motivo para, de imediato, lhe reconhecer um elevado grau de indigência mental. O beneficio fiscal atribuído por pedir factura com NIF é, de facto, muito limitado. Ainda assim não dá trabalho nenhum a obter ou se paga mais por isso. Nem, sequer, é preciso guardar os papeis.
Para mim, que ainda continuo a ter a noção do valor do dinheiro, um euro é um euro. Duzentos escudos, para os mais desatentos. Foi assim que no ano passado, à conta da minha insistência em pedir factura, paguei menos nove euros e noventa e três cêntimos de IRS. Quase dois contos, portanto. Isto apesar de, confesso com alguma vergonha, apenas ter começado a exigir – literalmente, em alguns sítios – a facturazinha apenas na parte final do ano.

sábado, 7 de junho de 2014

Via canina


A imagem acima foi obtida na suposta ciclovia. Que é como quem diz, zona reservada a quem se desloca de bicicleta na avenida Rainha Santa Isabel. Cá no burgo, para quem não saiba. Ou seja: a quase totalidade dos leitores do Kruzes, porque os de cá preferem o facecoiso. Mas isso, para o caso, não interessa nada. O que importa agora é referir que a alegada ciclovia serve para tudo menos para os ciclistas. Por tudo entenda-se gente a correr, a caminhar, estacionada a conversar ou a passear os cães. E também para gente a olhar embevecida enquanto os seus canitos arreiam o calhau. Já isso das bicicletas que vão pelo passeio ou pelo alcatrão. Mai nada. 

Selfies...


Gosto de selfies. De algumas. De outras nem tanto. Esta, se tivesse de a classificar, classificá-la-ia como inquietante. Não pelo facto de o auto-fotografado ter escolhido um cenário envolvendo um cadáver. Quanto a isso nada de estranho. Está sempre a acontecer as pessoas tirarem selfies em funerais. Agora perturbador, mas perturbador mesmo a sério, é a morta estar de óculos...

quinta-feira, 5 de junho de 2014

A mutualização da queca. Perdão, da dívida.

Foi hoje aprovado pelo Conselho de Ministros o tal FAM – Fundo de Apoio Municipal – ansiosamente esperado por uns quantos municípios em notórias dificuldades para continuar a fazer a vidinha de sempre. Segundo o comunicado divulgado o O fundo terá uma dotação inicial de 650 milhões de euros, capital que deverá ser realizado pelo Estado e pelos municípios ao longo de cinco anos, a partir de 2015. Garante-se assim a solidariedade entre Estado e municípios e de todos eles entre si”.
Quer isto dizer que todos os portugueses vão ser chamados a pagar as maluqueiras, de toda a espécie, que se andaram por aí a fazer. Mais aquelas que ainda, apesar de não terem um cêntimo furado, insistem em continuar a praticar. Significa, igualmente, que mesmo os municípios bem geridos irão ficar privados de receitas próprias que serão transferidas para aqueles que estariam à beira da falência caso pudessem falir. Na prática o IMI que pagamos pelas nossas casas vai servir para algumas Câmaras, entre outras coisas igualmente parvas, pagarem as quecas que, alegadamente, os autarcas de outros concelhos terão andado a dar pelo país e por esse mundo fora. Bonito! E de constitucionalidade duvidosa, talvez.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

E viva o nosso "Presedente" que nos leva a passear e nos enche a "barreguinha"!


Diz que há por aí uma espécie de crise. Gritam os autarcas que não têm dinheiro e que, mais dia menos dia, não vão conseguir pagar salários. Acusa-se o governo de asfixiar financeiramente as autarquias locais em consequência das sucessivas diminuições das transferências do Orçamento do Estado. Dinheiro, contudo, parece não ser problema quando em causa estão os reformados e os idosos. Atente-se o caso da imagem que acompanha esta publicação. Se necessário for até se freta um autocarro para levar os eleitores a passear. E depois há crise... e há passeios, sardinhas e porco no espeto!

terça-feira, 3 de junho de 2014

Ah, ganda Xico!

Sou pouco dado aos mistérios da fé. Não sei rezar, raramente entro numa igreja e se sou católico é apenas para efeitos estatísticos. No entanto gramo à brava este novo Papa. O Xico. Por muitas razões. Nomeadamente por ter a coragem de ser politicamente incorrecto. E sabe-se o quanto isso é difícil a uma figura pública.
Não vão faltar criticas às declarações que hoje proferiu relativamente à necessidade de os casais terem filhos em lugar de cães e gatos. Nem interpretações manhosas de gente com comportamentos desviantes. Mas, por mais argumentos que se procurem, toda a gente de bom senso reconhecerá facilmente que o homem tem razão. Nem o que disse constitui qualquer espécie de novidade. Até eu estou farto de o dizer!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Na DGES não há nada para fazer?!



Funcionários públicos sem fazerem a ponta de um corno são aos pontapés. Gente inútil que, em lugar de cortes de vencimentos que apanham todos por tabela, devia ser despedida. É o caso de um visitante assíduo deste blogue. Tão assíduo quanto impertinente. A criatura trabalha – bom, trabalha é uma maneira de dizer – na Direcção-Geral do Ensino Superior e passa grande parte do seu dia, em horário de serviço, a visitar e a comentar nos blogues.
Por estranho que possa parecer não são os temas relacionados com a função pública que o preocupam. Nada disso. Para o zeloso funcionário o que importa são as criticas aos donos dos cães. Presumo que seja um deles. Dono, talvez. Porco, quase de certeza.
Palhaços como este vão aparecendo por aqui de vez em quando à procura de protagonismo. Escolheram o gajo errado. Não dou palco a imbecis armados em espertos que pensam que “fazem acontecer”. Seja lá o que for que querem dizer com isso. Claro que este parvo e outros que ciclicamente me visitam são sempre bem-vindos, mas as polémicas em que me envolvo sou eu que as escolho. Portanto, pá, trata mas é de trabalhar e de justificar minimamente o ordenado que os portugueses te pagam!

Finalmente alguém de acordo!

Quando dos primeiros cortes de vencimentos – ainda no tempo do Sócrates, só para recordar os mais esquecidos e os manifestamente eufóricos com a perspectiva do regresso dos socialistas ao poder – argumentei vezes sem conta que o produto liquido das reduções salariais seria meramente residual. Isto porque, como era óbvio, a menor vencimento corresponderiam menos impostos. Provenientes do consumo e, sobretudo, dos descontos. Daí que, apesar dos cortes, os impostos e os descontos não tenham parado de aumentado. Porque seria?!
Este meu argumento foi, entre os que se dignaram retorquir, quase sem excepção liminarmente recusado. Alguns interlocutores fizeram mesmo questão de mostrar, quase fazendo um desenho, que a minha posição estava profundamente errada. Outros limitaram-se a chamar-me asno. Houve até um brilhante blogueiro - escreve num dos blogues mais lidos da blogosfera nacional - que me alertou para um facto deveras perturbador: “Os funcionários públicos não pagam impostos!”. Proclamou, então, a besta.
A questão dos cortes dos vencimentos na função pública nada tem a ver com o défice, com o equilíbrio orçamental nem com a redução da despesa pública. É, apenas e só, uma questão ideológica. Daí que, tal como argumentei para a redução o inverso também é verdadeiro, a agora decretada reposição salarial em muito pouco vá beneficiar os trabalhadores atingidos pelo roubo. Vai ser como o Benfica do outro ano. Perde-se tudo nos descontos...

domingo, 1 de junho de 2014

O que é que este gajo anda a fumar?!


Eu cá não sou de intrigas mas, ocorreu-me agora se o descalabro financeiro da Câmara de Gaia também será culpa do Tribunal Constitucional. Eu, reitero, não sou de intrigas. Mas não consigo levar a sério um ex-vice presidente daquela autarquia – uma das mais endividadas do país – quando este se pronuncia sobre o rigor das contas públicas. Principalmente quando o faz sem se rir. 

Taxa sobre os animais de companhia em estudo no Parlamento Europeu


Querem uma alternativa ao chumbo do Constitucional? Aqui têm uma. E mais do que justa, parece-me. 

sábado, 31 de maio de 2014

Decidam-se, porra!

Até quase às vinte horas de ontem, a julgar por aquilo que se escrevia nas diversas redes sociais e se dizia na rua, o governo não passava de um grupo de bandalhos. Daqueles mesmo do piorio. Roubava ordenados, aumentava impostos e impunha austeridade sem demonstrar um pingo de sensibilidade social.
De ontem para hoje tudo mudou. Agora os malandros da pior espécie são os juízes do Constitucional. O governo esse, coitado, não tem outro remédio senão aumentar o IVA para poder pagar os brutos ordenados aos malandros dos funcionários públicos. Uma vergonha, portanto, essa decisão do Tribunal. Coisa, até, para colocar de novo em perigo o equilíbrio orçamental que o Passos Coelho - um santo homem, só falta acrescentar - tanto se esforçou para conseguir.
É bom que os portugueses se decidam acerca do que querem. Se é que conseguem. O mais provável é nem saberem ao certo o que desejam. Tirando aquela parte de acharem que devem ser os outros a pagar a crise.

Garrafões muito irrequietos

Ao contrário do que alguns preconceitos pretendem fazer crer, cá pelo Alentejo nada é mais lento do que em qualquer outro lugar, nem os seus habitantes revelam menor vontade de se mexer do que os restantes compatriotas. Quem disser o contrário é parvo e não conhece o Alentejo nem os alentejanos.
O mercado semanal de Estremoz - realiza-se todas as manhãs de Sábado - é disso um bom exemplo. Tanto assim é que chega a haver necessidade de acorrentar alguns produtos às bancas. Presumo que o procedimento se deverá à estonteante velocidade a que os ditos serão capazes de desaparecer. Ou de mudar de sitio.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Se querem ficar mesmo com azia sigam o link do final do post...

Vai por essa Internet fora uma chinfrineira desgraçada por causa das decisões do Tribunal Constitucional. A azia de uns, a maioria, é mais que muita e o regozijo dos restantes, muitos menos, não se fica atrás. Aos aziados, há que dizê-lo com toda a frontalidade, não passam de um bando de imbecis. Quanto aos que hoje estão felizes deixo um alerta. Esperem pela pancada.
Não dou para este peditório. Não vale a pena. Mas isso não me impede de ler as bacoradas que se vão escrevendo nos blogues, nas caixas de comentários dos jornais on-line ou no facecoiso. Entre outros. É um exercício interessante. Nomeadamente para quem quiser publicar uma enciclopédia de disparates. Já relativamente ao dinheiro que se vai esturrando em distribuição de empregos disfarçados de aquisições de serviços, em coisas tão importantes como centros de interpretação do mundo rural e outras obras faraónicas de interesse mais que duvidoso, disso, ninguém reclama. Por muitíssimos milhões que isso custe. A todos. Até aos que por esta altura destilam fel sobre as decisões do Tribunal Constitucional.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Aumentozinho de impostos?!

Voltar a aumentar a taxa máxima de IVA, agora para vinte cinco por cento, parece ser a carta que o governo tem na manga para minorar os estragos orçamentais causados pelo chumbo do Tribunal Constitucional aos cortes nos vencimentos da função pública.
Uma péssima ideia, vão achar a generalidade dos que trabalham no sector privado, os desempregados, os reformados com pensões de miséria e todos os que trabalham para o Estado mas que, por ganharem abaixo dos seiscentos e setenta e cinco euros, não viram os seus vencimentos sofrer qualquer quebra. Os funcionários públicos, por seu lado, vão ficar radiantes. Momentaneamente, pelo menos. Assim, argumentarão, os sacrifícios são distribuídos por todos.
Por mim desagrada-me tudo. Os cortes e o aumento de impostos. Não havia necessidade. Bastava pôr a pagar quem foge aos impostos e combater à séria a economia paralela. Mas isso, como está amplamente demonstrado, os portugueses não querem. Preferem andar, feitos parolos, a atirar culpas uns aos outros.
Uma sugestão que já deixei no email de vários deputados – ainda mais pertinente se o IVA subir de novo – seria tornar dedutível na sua totalidade, em sede de IRS, todo o IVA suportado na restauração. Teria duas inegáveis vantagens. Acabava-se a lamuria dos taberneiros e o rendimento por eles declarado subia em flecha...Com todas as consequências daí decorrentes.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Coisas que m'atormentam

Não é bem atormentar. É mais ter manifesta dificuldade em perceber. Problema meu, de certeza, mas não consigo vislumbrar a razão dos motivos de preocupação que por aí vão com o crescimento da votação nos partidos da extrema-direita. Principalmente quando, vá lá saber-se porquê, não existe idêntica inquietação quanto aos votos, que também aumentaram em alguns países, nas forças politicas identificadas com a extrema-esquerda. Deve ser por a esquerda ser uma coisa chique ou algo parecido. Assim tipo aquilo da superioridade moral. Só pode.
O entusiasmo suscitado pelo anúncio da disponibilidade de António Costa para se candidatar a líder do Partido Socialista, também me atormenta um bocadinho. Comove-me ligeiramente, até. Embora, de certa forma, me divirta ver tanta gente ingénua a depositar tanta esperança na criatura. Parece que já ninguém se recorda que o homem é um ex-ministro de Sócrates. Pior. Só deixou de o ser para ir para Presidente de Câmara. Características pouco conciliáveis com alguém que deve governar com rigor, convenhamos. Apesar disso não falta quem veja no fulano uma espécie de salvador da pátria. Um D. Sebastião dos tempos modernos, provavelmente. Ou, mas isso sou eu armado em velho do Restelo, alguém capaz de nos trazer a troika de volta mais depressa do que o diabo esfrega um olho.  

terça-feira, 27 de maio de 2014

Brigada do croquete.


Percebo as dificuldades que os presidentes de junta de freguesia sentem no desempenho do seu cargo. Nomeadamente daquelas terras onde os eleitores são quase todos idosos. Deve ser uma coisa lixada. Isto porque os velhos são uns chatos e as velhas umas gaiteiras. Querem é comezainas e passeatas. Tudo à borla. Os pobres autarcas não têm outro remédio, mesmo sem dinheiro, senão fazer-lhes a vontade. Ainda que tenham outras ideias – geralmente melhores – para dar uso aos parcos recursos de que dispõem. Ai deles que não os passeiem e lhes encham a pança. Caso não o façam da próxima não são eleitos. E é assim que vamos cantando, pulando, comendo e passeando. Mesmo com isso da crise, ou lá o que é.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Não votam, não pedem factura...e depois queixam-se!

Estas facturas têm apenas um dia de intervalo. Sensivelmente vinte e quatro horas de diferença. Foram emitidas por um espaço de restauração numa movimentada zona comercial, situada no centro de Albufeira, mas onde os clientes são, maioritariamente, portugueses. E muitos.
Como se pode constatar pela numeração dos documentos retratados na imagem acima, para além de mim apenas outro consumidor pediu factura com número de contribuinte.
Somos um povo que se abstém de votar, que colabora com a fuga aos impostos e que, ainda assim, passa a vida a lamentar-se. De tudo. Temos o que merecemos. Ou quase. Porque, se calhar, ainda merecíamos pior. 

domingo, 25 de maio de 2014

Realidade, ficção ou publicidade enganosa?!


Não é que se trate de uma questão particularmente inquietante. Nada disso. Será, quando muito, mais um daqueles casos em que a ficção se confunde com a realidade. Ou nos confunde. Fica, no entanto, a dúvida. Que, se calhar, pode nem ter razão de existir. Às tantas esta publicidade é tão real e paga os mesmos impostos a que estão sujeitos os papéis com o “vende-se”, nos automóveis, ou “dão-se explicações”, nas montras das lojas. 

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Estamos inteiramente de acordo e somos simultaneamente de opinião contrária

Nem vale a pena continuar a bater no ceguinho. Tudo, desde o primeiro dia, revela que nada aprendemos com os erros cometidos. Pelo contrário. Continuamos a achar que fizemos tudo certo, que estávamos no bom caminho e que, quanto antes, devemos voltar ao velho e bom modo de governação que nos desgraçou.
No entanto, simultaneamente, achamos muitíssimo bem que se cortem os vencimentos aos funcionários públicos. Esses malandros com mais privilégios que o resto da população. Também nos parece relativamente justo que se diminuam as reformas. Isso de haver velhos a auferirem milhares de euros de pensão à custa dos novos que nunca irão saber o que é a condição de reformado tem de acabar. É o que garantem os trabalhadores mais novos. E os sucessivos aumentos dos descontos para a ADSE? Bom, disso nem é bom falar… A tal ADSE que um destacado socialista já garantiu ser para extinguir.
Defendemos – enquanto povo, obviamente – a austeridade e o seu contrário. Que é como quem diz: Não sabemos o que queremos. Só isso pode explicar que nos preparemos para voltar a eleger aqueles que se orgulham de ter rebentado com o país e com as nossas vidas. As tais que pretendemos ter de volta.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

O Mau, o Vilão e o Palito

Apesar das dificuldades financeiras que afectarão o município de Gaia – pelo menos a fazer fé nas notícias veiculadas pela comunicação social – aquela autarquia continua a “colaborar” com o clube sediado na outra margem do Douro. Ontem terá sido assinado mais um protocolo visando a cooperação com a citada agremiação. O que, em linguagem comum, todos sabemos o que significa.
Curiosas e simultaneamente enigmáticas foram as declarações alegadamente proferidas pelos intervenientes no final na cerimónia. Ao que parece terão estado de acordo quando à necessidade da existência de ídolos a norte. E, também, contra o centralismo. Seja lá o que for que, na deles, isso queira dizer. Mas que, curiosamente, vem a terreiro sempre que a coisa corre mal ao nível do futebol.
Quando à parte dos ídolos, a solução poderá estar já encontrada. A julgar pela recepção que os populares nortenhos que se juntaram à porta do Tribunal dispensaram ao tal Palito. Aquele maroto que andou fugido depois de ter disparado uns tiros certeiros e outros nem tanto. O personagem poderá dar um óptimo candidato ao lugar de ídolo. Assim como assim é tão bom como outro qualquer. Até prova em contrário. 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Eu vi, eu vi...



Pronto. Vá lá isso. Não é merda de cão mas serve na mesma. Acredito que os dois figurantes do desfile em fatiotas medievais não me estavam a chamar a atenção para a cagadela de tamanho quase épico. Nem precisavam. Era lá coisa que se me escapasse...

domingo, 18 de maio de 2014

A versão socialista das gorduras do Estado


Ouvir o mais que provável futuro primeiro ministro garantir que a despesa não constitui um problema é motivo para alarme social. No mínimo. Uma revolta popular, quase. Pelo menos para aqueles que têm estado a pagar as consequências desse alegado não problema.
Admito que o homem tenha dito umas coisas simpáticas. Daquelas que qualquer eleitor gosta de ouvir. Até eu gostei. Nomeadamente aquela parte do vender património “não necessário”, apresentada como medida para conseguir mais receita que compense o fim da chamada “TSU dos pensionistas”. Deve ser uma espécie de gorduras do Estado em versão socialista. Ou seja, algo que ninguém sabe ao certo o que é mas que fica bem anunciar por ser do agrado geral.
Sugiro desde já que entre o património desnecessário, a vender pelos socialistas, se inclua este imóvel abandonado situado bem no centro de Estremoz. Ou seja demolido, caso nenhuma entidade PRIVADA manifeste interesse na sua aquisição. 

sábado, 17 de maio de 2014

Não é um adeus. É um até já.

Em consequência das loucuras que se seguiram ao 25 de Abril, nomeadamente com o governo do companheiro Vasco, o país teve de ser salvo da bancarrota em 1977. Como pouco ou nada se aprendeu com isso meia-dúzia de anos depois, em 1983, nova intervenção do FMI. Nos anos seguintes, com a adesão em 1986 à então CEE, chegaram ao país recursos financeiros nunca antes vistos. Os milhões foram tantos que nos anos seguintes não foi necessário pedir ajuda ao estrangeiro para pagar as contas. Até 2011. Quando a coisa rebentou pela terceira vez em trinta e sete anos. É obra.
Hoje a troika vai-se embora. Ou, pelo menos, acaba oficialmente o prazo estabelecido no memorando de entendimento que estabeleceu o plano de ajuda financeira. Mas, mais uma vez, nada aprendemos. Daí não serem precisos grandes dotes adivinhatórios para prever que mais uns cinco ou seis anitos temo-los cá outra vez. Só que, ao contrário de agora, vai ser à séria. Porque, por mais que o pessoal se queixe, isto não passou de um ajustamento insignificante em que os sacrifícios dos que mantiveram o emprego foram praticamente irrelevantes. Duvido que então, no final da próxima intervenção, uma reformada de setenta anos possa ir de férias para Punta Cana...Como vai agora, apesar do que para aí se diz que têm feito aos idosos.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Depois vão chorar para o aeroporto...

À segunda investida do governo Cavaco não resistiu e promulgou a lei que rouba mais um por cento ao vencimento dos funcionários públicos. Assim, a partir do próximo mês, centenas de milhares de portugueses vão ver o seu poder de compra e, consequentemente a sua qualidade de vida, ainda mais reduzidos. O irónico da coisa é que isso acontece enquanto o governo festeja a partida da troika e anuncia as maravilhas que aí vêm com a suposta recuperação da soberania nacional.
O aumento da contribuição dos trabalhadores do Estado para os sistemas de saúde terá sido das medidas mais fáceis de tomar pelo executivo. É popular. Tudo o que prejudique os funcionários públicos agrada à população em geral, mas no caso da ADSE é assim tipo a cereja em cima do bolo. A populaça delira. O pior é se os funcionários mais jovens, os que se achem mais saudáveis e os que ganham mais, resolverem deixar de descontar para aquele sistema de saúde. Afinal sempre têm o SNS como todos os outros portugueses. Claro que depois hão-de surgir os piegas do costume a chorar baba e ranho pela partida dos jovens profissionais de saúde altamente qualificados. Mas disso – as chamadas lágrimas de crocodilo – já estou mais que farto. 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Remate kruzado

Tudo o que ontem podia correr mal ao Benfica, correu. A equipa terá feito, muito provavelmente, a pior exibição da época, o árbitro errou que nem o Pedro Proença quando apita o SLB, o Jorge Jesus parecia o Paulo Fonseca e alguns jogadores do Glorioso exibiram-se ao nível do que fizeram esta temporada a maioria dos seus congéneres do FC Porto. Foi essa estranha conjugação de factores que permitiu ao Sevilha - uma equipa sem classe onde são titulares jogadores que nem para o Sporting serviam - levar a taça para casa.
Foi apenas um jogo de futebol. Nada, convenhamos, de muito relevante. Coisa que pouco tem a ver com maldições, também. E que, sobretudo, dispensa hipocrisias. Daí achar deplorável e um atentado à inteligência as sucessivas e constantes referências a uma alegada maldição supostamente lançada, há mais de cinquenta anos, por um treinador que há muito tempo está a fazer tijolo. O mesmo que, recorde-se, afiançava que o Benfica não tinha cú para duas cadeiras, pretendendo justificar a incapacidade da equipa que liderava em lutar simultaneamente por uma prova europeia e pelo campeonato. Parece que afinal não é bem assim e as duas últimas épocas demonstraram-no. Assim como outras já muito depois do tal húngaro ter deixado o Glorioso. Mas isso parece importar pouco a quem tem por obrigação de, até por razões profissionais, contar a história toda e não apenas a parte que dá jeito.
Compreendo todos os que exultam com a derrota do Benfica. As muitas derrotas do Sporting e os recentes desaires do Porto também me deixam profundamente agradado. Tenho até, nesse âmbito, tido muitas alegrias. E para justificar a satisfação que me dão nem preciso de argumentar – como alguns totós andam por aí a fazer – com os portugueses que integram a equipa adversária. Gosto apenas que percam. Porque sim.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Um escândalo isso de entregar as terras aos donos...

Os populares são aqueles seres que as televisões descobrem, normalmente em ajuntamentos, e a quem gostam de estender o microfone para nos proporcionarem momentos de diversão. Emitem, por norma, opiniões que não interessam a ninguém mas a hilaridade que provocam compensa o desinteresse das mesmas.
Hoje, num telejornal qualquer, foi um popular já velhote a ter o seu momento de fama. Durante a acção de campanha do Bloco de Esquerda realizada em Évora manifestou, junto da jovem candidata, a sua indignação por “esses malandros”, entre os quais o Cavaco ao que me pareceu, terem “entregue as terras aos donos”.
Ora a intervenção deste popular contraria o que antes escrevi acerca da falta de interesse das conversas dos populares que se gostam de juntar aos magotes. Nomeadamente na parte em que lastima que tenham “entregue as terras aos donos”. Esta declaração, dita assim na televisão por um popular indignado, constitui, diria, um documento histórico que devia ser exibido sempre que se exaltam os tempos que se seguiram ao 25 de Abril. Só para alguns ficarem a saber que nem tudo foram cravos e que agora nem tudo são espinhos. 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Um dia destes ainda vão oferecer o cú...



Há muitas maneiras de fazer politica e cada um pratica a que lhe parece que rende mais votos. A distribuição de coisas pelo eleitorado – electrodomésticos, tijolos, subsídios ou empregos – costuma resultar. Contudo o povo, apesar de continuar a ser parvo, é cada vez mais exigente e já não se contenta apenas com as ofertas próprias dos períodos eleitorais. Quer mais. Daí a prática continuada de distribuir presentes aos eleitores durante todo o mandato. Por mais irrelevantes e bacocas que se revelem as ofertas.