Ontem, por volta da uma da tarde, um determinado estabelecimento comercial da área da restauração estava cheio. Repleto de clientes que, um a um, iam pagando os morfes que devorariam uns minutos depois no recesso de seus lares. O décimo freguês – o único chato que por ali se encontrava – pede factura com número de contribuinte. A funcionária arregala os olhos, engana-se sucessivas vezes, justifica a falta de prática por ninguém pedir factura com número de contribuinte e os restantes clientes impacientam-se com a demora. Culpa-se a máquina, a burocracia, as finanças mais essa parvoíce do carro e, mal o gajo que pediu a factura cruze a porta em direcção à rua, o paspalhão armado em bufo que tem a mania de se armar em fiscal. Ou pide. Ou outra coisa qualquer igualmente reprovável do ponto de vista dos labregos que se ufanam de não alinhar nessa coisa das facturas.
Por esta altura já quem me lê terá identificado o gajo que pediu a factura. Eu, obviamente. Que pouco me importo com os incómodos dos outros. Principalmente daqueles que enchem a boca de “cidadania” e outros conceitos manhosos, mas que, quando toca a exercê-la naquilo que realmente importa, preferem ficar do lado de quem se esquiva ao cumprimento dos deveres de cidadão.
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