Como escrevi
anteriormente poucas coisas me podiam interessar menos do quer que
seja que tenha para dizer o suposto engenheiro e ex-dirigente
politico que ontem foi entrevistado na televisão. O estado do país
fala por ele. Retenho apenas uma frase que, segundo os muitos
rescaldos que têm sido feitos e a que estou com manifestas
dificuldades em fugir, o homem terá proferido: “Quando deixei
de ser primeiro-ministro pedi um empréstimo ao meu banco para,
durante um ano, ir estudar para Paris”. Ora, a ser verdade –
e quem somos nós simples mortais para duvidar do honestíssimo
cidadão – estaremos perante mais um caso de alguém que,
manifestamente, viverá acima das suas possibilidades. Um endividado, portanto. Mais uma ou
duas entrevistas e ainda há-de jurar que as fatiotas eram alugadas
e que teve de pedir um crédito à Cofidis para equipar a cozinha.
quinta-feira, 28 de março de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
Vamos lá registar a facturazinha...
Nem é preciso procurar
muito para encontrar – na Internet e no mundo real – gente
indignada com aquilo a que chamam novas regras de facturação. Ainda
estou, confesso a minha ignorância, para saber porquê. Parece-me, a
menos que ande distraído, que pouco ou quase nada mudou na lei que
suscite tanta irritação ou que implique uma alteração radical no
dia a dia do cidadão comum. Quem vende um bem ou presta um serviço
tem de passar factura e quem o compra, caso o vendedor ou prestador
de serviços não o faça, tem obrigação de pedi-la. Nada que não
fosse já assim nem que constitua motivo para dúvidas.
Há quem se orgulhe,
até, de recusar liminarmente que lhe seja passada factura. Se calhar
será gajo para, também, se lamentar da elevada carga fiscal que lhe
incide sobre o magro ordenado. Ou mesmo refilar dos comerciantes que,
lá no colégio do filho, pagam uma mensalidade muito menor do que
ele. Está, agora, nas mãos de todos evitar que esse Estado de
coisas, embora não acabe, seja combatido. Todos, ainda que pensemos
que não, ganhamos alguma coisa com isso. Se mais não for, termos
pelo menos a certeza que o dinheiro que pagámos de imposto sobre o
consumo não fica no bolso do comerciante.
Segundo os últimos
dados são mais que muitas as “empresas” que nunca tinham emitido
uma factura. Serão também algumas as que, passando, não incluem no
respectivo ficheiro - o tal SAF-T – a totalidade da facturação. É
para isso que existe a possibilidade, de uma forma simples e
intuitiva, ser o próprio contribuinte a fazê-lo. Tal como acabei
de fazer relativamente a uma factura em que suportei mais de
cinquenta euros de iva e que, apesar do comerciante já ter carregado
o ficheiro do mês em que efectuei a compra, não constava na lista
das minhas aquisições registadas no e-fatura. Temos pena. Contas
são contas e se o valor do IVA não era para entregar ao Estado
então tivesse-me feito o desconto correspondente.
terça-feira, 26 de março de 2013
...E orgulham-se disso!
Nos últimos dias
têm-se sucedido as noticias de Câmaras Municipais e Juntas de
Freguesia que, de forma gratuita, disponibilizam os seus serviços
para preenchimento da declaração de IRS aos eleitores
residentes na sua área de circunscrição. Das duas uma: Ou não
sabem o que hão-de dar a fazer ao pessoal que têm ao serviço ou,
razão tão plausível como a primeira, ainda não ouviram falar de
crise, desemprego, falta de oportunidades ou concorrência desleal.
Embora uma terceira hipótese não seja igualmente de descartar:
Agradar ao eleitorado mais velhote para ir garantindo a reeleição.
Discordo em absoluto
que as autarquias prestem este e outro tipo de serviço. Ainda sou do
tempo em que era exigido, para tudo e para nada, o execrável “papel
selado”. Nessa altura, com uma taxa de analfabetismo muito superior
à actual, os funcionários estavam terminantemente proibidos de
fazer qualquer requerimento aos contribuintes. Ainda que estes não
soubessem ler nem escrever. Para isso existiam por perto de
repartições de finanças, tribunais ou câmaras municipais, pessoas
que ganhavam a vida a tratar destas burocracias.
Era aquilo a que hoje
se chama iniciativa. Empreendedorismo, vá. Em escala
nano-mini-micro, admito. Que, dizem, é necessário estimular.
Conversa fiada, como se vê. Se algum jovem quiser, por estes dias
“montar barraca” a preencher declarações de IRS a quem não
sabe ou não tem paciência para papeladas estará condenado ao
insucesso. Verdade que não ganharia muito mas, para quem não tem
emprego e lhe sobra o tempo, uma centenas de euros dariam algum
jeito. Mas isso é coisa que um caçador de votos não entende.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Que o Sporting nos continue a dar muitas alegrias...
O Sporting tem um novo
presidente. Será, provavelmente, mais um dos muitos a cair em
desgraça pouco tempo depois de a sua eleição ser celebrada de
forma apoteótica. A instituição estará praticamente falida, fruto
de décadas de péssima gestão desportiva e de desvalorização
continua de activos, pelo que apenas um milagre pode colocar de novo
o clube em condições de, nos próximos anos, chegar perto dos
lugares cimeiros da Liga portuguesa. Inverter esta situação será
uma tarefa ciclópica na qual o novo lagarto-mor dificilmente, este
ou qualquer outro, terá sucesso.
Reconheça-se no
entanto que o homem agora eleito parece revelar uma visão para a coisa
bastante superior à dos seus antecessores. Integrar na sua lista o
treinador do Moreirense é uma jogada ao nível de génio.
Enfraquecer os adversários, indo buscar o treinador de um rival
directo na luta pela manutenção - que para mais ainda terá de se
deslocar a Alvalade – afigura-se uma boa estratégia que não
lembrava a todos. Comparado com isto, contratar jogadores dos
adversários em véspera de jogo é coisa de meninos.
domingo, 24 de março de 2013
Venham de lá mentiras novas!
Poucos assuntos me
podiam deixar mais indiferente do que a anunciada contratação de
José Sócrates para comentador politico na RTP. Não compreendo o
entusiasmo de alguns, os muitos que ainda o veneram, nem a indignação
de outros, os que o responsabilizam por todo o mal que aconteceu ao
país. Menos ainda percebo a existência de petições – essa moda
parva e inútil – a favor e contra a presença do ex-primeiro
ministro, a mandar bitaites, na televisão pública. Deixem lá o
homem falar. Ou, os que não gostam da criatura, que mudem de canal. É, de resto, para isso que serve aquela coisa com botões a que chamamos comando.
Comentadores há muitos. Ex-políticos a botar opinião também não faltam em nenhum dos canais principais. Não vejo, portanto, motivo para tanto alarido. Neste caso até me parece que fizeram a escolha acertada, pois este é o gajo indicado para explicar aos portugueses
os motivos porque estamos nesta situação. O que, caso ele mantenha
a performance que o caracterizava antes de bazar para Paris,
contribuirá seguramente para o enriquecimento do anedotário
nacional. Valha-vos isso. Por mim dispenso. Quando quiser ver
palhaços vou ao circo.
sábado, 23 de março de 2013
A dama e o Lulu vieram ao mercado
Embora
incomparavelmente menos do que noutros tempos, o mercado de sábado de
manhã em Estremoz continua a atrair muita gente das redondezas. Mas
se as pessoas, as galinhas ou os coelhos são cada vez menos, os cães
que os visitantes passeiam são cada vez mais. Mas antigamente os
animais, excepto os destinados a venda, ficavam no “monte”. Hoje
trazem-nos à cidade. Para nos cagar as ruas.
sexta-feira, 22 de março de 2013
Kruzes Kupido
O
amor é uma coisa muito linda. Não me canso de repetir. Seja
declarado na forma de um poema manhoso pintado numa parede igualmente
manhosa, com gatinhos fofinhos à mistura, ou em letras garrafais
pintadas à porta da amada. O jovem apaixonado, seja ele quem for,
merece uma oportunidade. Se é, digo eu fazendo votos para que sim,
que não a tem já.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Não era preciso ofender os varredores...
Nunca
liguei a comentários supostamente ofensivos que, de vez em quando, por aqui vão deixando. Mas, embora este nem tenha nada que me
ofenda, confesso que estava à espera de algo parecido. Foi feito às 9 horas e 54 minutos num computador, alegadamente, ligado ao servidor de uma Câmara
Municipal. Provavelmente por alguém que é pago com o dinheiro dos
contribuintes para trabalhar. Coisa que, aparentemente, não lhe
assiste. Em vez disso, por razões que só ele – ou ela - sabe
optou por utilizar o seu tempo a tentar marrar contra o autor deste
blogue. Que, pelos vistos, até sabe quem é e o cargo que
desempenha.
Está,
em relação a mim, claramente em vantagem. Não sei quem é o comentador nem o
cargo que ocupa na suposta autarquia. Se é que desempenha algum. Nem,
diga-se, é coisa que me interesse por aí além. Importa-me mais a
falta de profissionalismo. O não saber respeitar o lugar que ocupa.
A falta de respeito que demonstra pelos contribuintes. Que,
recorde-se, é também para pagar ordenados à malta que ocupa o seu
tempo a comentar blogues que serve o IMI que nos seca a carteira.
Vergonhoso, acho eu.
quarta-feira, 20 de março de 2013
De pantanas
Isto
de trabalhar para o Estado, ainda que nunca tenha sido grande coisa,
já nem sequer é o que era. Os funcionário públicos são, de uma
forma geral, mal-vistos e vitimas de uma inveja mal justificada
promovida, principalmente nos últimos anos, pelos sucessivos
governos. Nisto, tal como em muitas outras coisas, Passos não é
diferente de Sócrates. E é bom que disso se tenha memória.
Para
os agentes da forças de autoridade os tempos são ainda piores. Ao
ódio governamental e aos invejosos dos seus privilégios – sejam
lá eles quais forem – soma-se uma estranha doença que, de há uns
anos a esta parte, se espalhou de forma pandémica na sociedade
portuguesa: O politicamente correcto. De tal forma que hoje o policia
ou militar da GNR que tenha o azar de pontapear um porco, sacudir as
moscas das trombas de um meliante ou, sequer, tentar salvar a vida a
um qualquer maluco que circule de mota sem capacete, está feito ao
bife. Lixado, mesmo.
O
país está de pantanas. E não é apenas no que diz respeito à
economia ou às finanças. No plano moral não está melhor. Quando
numa sociedade a palavra de um badameco – ou mesmo de dez badamecos
- mais dado aos negócios pouco claros que ao trabalho, vale o mesmo
que a palavra de um agente da autoridade é porque está tudo virado
do avesso. O pior é que até expressar esta opinião, não tarda,
há-de ser proibido.
terça-feira, 19 de março de 2013
No gastar é que está o ganho...
O
país está a esfrangalhar-se e, ainda assim, há quem continue sem
perceber o que está acontecer à sua volta. Já nem falo dessa gente
estranha da “cultura”. Que mantém, como se sabe, uma
incompatibilidade militante com os números e nem consegue assimilar,
ainda que vagamente, a ideia de isto estar tudo falido e que não há
guito nem para mandar cantar um ceguinho. Quanto mais para pagar
programações milionárias das “casas da música” ou, em menor
escala, aos “Tóinos Carreiras” desta vida. Já não há dinheiro
para o pão mas, mesmo assim, estes desmiolados continuam a insistir
que o Estado tem obrigação de lhes de pagar o circo.
Mas,
voltando à vaca fria – que é uma bela expressão, embora
lamentavelmente caída em desuso – mais preocupante é a existência
de decisores, no âmbito politico e se calhar não só, que aparentam
não demonstrar qualquer preocupação em poupar os recursos
públicos. Não existe na administração pública a cultura da
poupança. Veja-se, por exemplo, a quase inexistente utilização de
software livre nos serviços públicos e, olhando apenas para estes
três exemplos, perceba-se a grandeza dos montantes que estão em
causa. Apenas em três municípios portugueses esturraram-se mais de
seiscentos mil euros em licenciamento de software. A Microsoft
agradece. Nós não. Pelo menos os chatos que não gostam de pagar
caro aquilo que podem ter mais barato. Ou, até, de borla.
domingo, 17 de março de 2013
Aos bancos!
Causa-me
uma certa confusão que Chipre tenha necessitado de pedir apoio
internacional. Teve até há cerca de dois meses um governo de
esquerda – daqueles patrióticos e progressistas, como se reclama
por cá, que sabem o que é bom para o povo – pelo que seria
suposto estar ao abrigo destas contingências e a salvo das
manigâncias do grande capital, especuladores estrangeiros e chulos
em geral. Não escapou, pelos vistos, a nenhuma delas.
Em
consequência disso os cipriotas foram assaltados. Pela calada da
noite, enquanto dormiam, foram vitimas de um assalto em larga escala
– um arrastão, digamos - que lhes levou uma fatia significativa
das suas poupanças. O crime foi perpetrado pelo governo local, sob
indicações da troika lá do sitio e, começo a desconfiar, é um
modus operandis que pode começar a fazer escola entre os criminosos
do ramo. Um roubo com contornos semelhantes foi, como certamente
alguns se recordarão, sugerido igualmente quando do primeiro resgate
a Portugal. Escapámos. Se calhar para a próxima não teremos a
mesma sorte.
De
resto esta é uma opção que recolherá algumas simpatias – em
alternativa a outros cortes – em alguns sectores políticos
nacionais. Excepto, talvez, no CDS os principais partidos estão
contaminados pelo vírus maoísta-blochevique transportado por muitos
que, na ânsia de encontrar tacho, procuraram nos partidos do sistema
o que não conseguiram obter com o PREC. E, assim sendo, não me
surpreenderá muito se, em desespero de causa, o vírus desperte e a opção seja sacar
umas massas a esses malandros que têm uma poupançazitas. Até
porque o deles, o mais provável, é estar ao “largo”.
sábado, 16 de março de 2013
Cagaram nos meus poejos!!!!
Que
levem os cães a cagar ao jardim ou ao relvado mais próximo, os
passeiem pelo bairro onde moram para que os gajos caguem na rua, na
calçada ou onde os filhos da puta dos donos entendam por bem, ainda,
apesar de bastante javardo, vá que não vá. Agora que um desses
animais me invada o quintal e trate de largar um monte de cagalhões
em cima dos meus poejos é que, convenhamos, já é demais.
A
plantação está, portanto, arruinada. Usar estas plantas para, por
exemplo, confeccionar uma açorda está fora de causa. Equacionava
dar-lhes uso para produzir um licor mas, depois disto, o melhor é
esquecer o assunto. Tudo graças a uma besta qualquer que não sabe
educar os seus bichinhos a cagarem naquilo que é seu. Ou, o mais
provável, que os ponha no olho da rua – e lhes feche o portão,
como já por aqui vi fazer – para que não voltem a casa sem antes
terem arreado o calhau.
sexta-feira, 15 de março de 2013
Cumprir a austeridade gastando mais
Hoje,
confirmadas as noticias que já se adivinhavam, o país está ainda
mais indignado do que habitualmente. Compreende-se porquê. O que já
não se entende muito bem é – reitero o que ando a escrever desde
tempos imemoriais – a selectividade da indignação que por aí vou
vendo espalhada.
O
país está abespinhado. Não gosta da austeridade. Daí que faça
tudo o que pode para contrariar as medidas austeras que o governo vai
decretando. E se a coisa não revela particular importância se for
um qualquer cidadão a tentar, por si, furar o esquema, o mesmo não
se pode dizer quando se trata de grupos organizados. Ou, pior ainda,
detentores de cargos políticos.
No
âmbito do memorando da troika o número de funcionários públicos
teria de ser reduzido em, pelo menos, dois por cento ao ano. Não
consta que haja, por parte dos diversos organismos obrigados a
aplicar esta redução, grandes violações à regra. Mas
desenganem-se os que pensam que do religioso cumprimento desta norma
resultou uma significativa poupança para os cofres públicos. Pelo
contrário. A despesa será agora bastante maior. È que, de
imediato, as mentes brilhantes que nos representam lembraram-se de
uma forma simples, expedita e bastante cara de dar a volta à lei,
aos cortes e à impossibilidade de arranjar emprego ao séquito.
Como? Recorrendo ao maravilhoso e transparente mundo das aquisições
de serviços. Seja de trabalho temporário ou de consultadoria. E
serve para tudo. Desde a limpeza de edifícios até à observação
do atum rabilho.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Estacionamento tuga
Este
chasso está à venda. Pelo menos a acreditar no papel colado no
vidro da porta. Isto apesar de coxo. Porque, como se pode atestar
(atestar?! Isto anda tudo ligado..) tem apenas três rodas. Deve ser
por isso que não vai a lado nenhum. Ou então é para não estragar
o eventual negócio!
quarta-feira, 13 de março de 2013
Apagão blogosferico
Escrevia
um destes dias o autor de um blogue que costumo visitar
frequentemente, daqueles que estão ali na barra lateral, que os
blogues duram sete anos. Alguns, acrescento eu. Outros acabam mal
começam. Há, depois, as excepções. Os bons que pela qualidade da
matéria publicada se tornaram uma referência e aqueles que, por uma
qualquer razão ou mesmo sem ela, insistem em permanecer na
blogosfera. É a este último segmento que o Kruzes se orgulha de
pertencer. Anda por aqui a aborrecer vai para oito anos e não
estará, salvo algum imponderável, perto do fim.
Lamentavelmente
– na minha opinião, porque outros pensarão o inverso – o
universo bloguistico de Estremoz desapareceu. Sumiu-se. Finou-se,
salvo raríssimas excepções, quase tão depressa como apareceu. E
ninguém ficou a ganhar com isso. Nem mesmo aqueles que respiraram de
alivio perante a ausência de critica. Alguns terão migrado para o
Facebook. Mas não é a mesma coisa. Ainda que com perfis falsos. Uma
espécie de anonimato que parece ser muito mais tolerada mas – e
vamos ver se o futuro não me dará razão – igualmente perigosa.
terça-feira, 12 de março de 2013
Privatize-se, porra!
Dizer
que as sucessivas greves nos transportes já aborrecem é,
manifestamente, pouco. Pelo menos quando comparado com a ausência de
medidas para combater a situação por parte da tutela. Que é como
quem diz, do governo. Talvez por isso surgiu agora – um destes
dias, não sei ao certo quando – um movimento de utentes do
metropolitano de Lisboa contestando a rebaldaria que se vive no
sector. Nomeadamente o facto de serem os utilizadores os únicos
prejudicados pelas inúmeras greves.
Obviamente
que os grevistas têm todo o direito de protestarem. Principalmente
quando entendam estar em causa aquilo que consideram ser os seus
direitos há muito adquiridos. Tal como os utentes de se manifestarem
contra o fraco – ou inexistente, em caso de greve – serviço pelo
qual pagaram antecipadamente. O governo, por sua vez, tem a obrigação
de assegurar o regular funcionamento da rede de transportes. Se não
está em condições de satisfazer as exigências de uns, nem de
indemnizar os prejuízos de outros, então que obrigue os primeiros a
trabalhar ou que arranje quem o queira fazer.
Não
é que me pareça boa ideia, mas, aproveitando esta onda de simpatia
póstuma para com Hugo Chavez, podiam copiar algumas das suas medidas
enquanto presidente da Venezuela. Como, por exemplo, aquela em que
ele despediu cerca de vinte mil grevistas da companhia de petróleos
lá do sitio. A julgar pela admiração que as redes sociais dedicam
ao falecido, seria coisa para recolher um aplauso quase unânime. E
com melhor resultado do que ir cantar a “Grândola” para as
estações de metro em dia de greve...
segunda-feira, 11 de março de 2013
Sacadores ou saqueadores?
O
resultado de vinte e tal anos a sacar dinheiro a Bruxelas – como
disse em certa ocasião um ex-Presidente da República e da Câmara
de Lisboa - para fazer obras, está à vista de todos que o queiram
ver. Poucos, apesar de tudo o que estamos a passar, porque a maioria
ainda acha que é uma boa ideia gastar o que não tem com obras
desnecessárias e arranjar encargos que não vai poder pagar só
porque alguém lhe dá uma ajudinha.
Despejar
dinheiro em cima dos problemas tem sido também uma prática
corrente. Mesmo daquele dinheiro que não temos, que tivemos de pedir
emprestado e que agora alguns acham que não temos nada de pagar. As
consequências são, tal como em relação ao que sacámos à Europa,
as que podemos apreciar.
Diz
que agora o governo, que politicamente tanto diabolizou esta prática
enquanto os organismos públicos de si dependentes a continuavam a
incentivar, vai lançar umas quantas obras públicas e criar uns
quantos programas para esturrar mais umas massas e, alegadamente,
criar emprego. Para gente vinda de leste e de África, presumo.
Haverá,
ao que parece, a intenção de avançar com projectos na área da
recuperação de centros urbanos degradados. Pode ser, admito, uma
ideia razoável. Os jardins suspensos em que os telhados de muitos
prédios, em todas as cidades e vilas, se estão a transformar
deviam, digo eu, constituir motivo de preocupação. Embora, em
muitos casos, já não haja nada para recuperar. Nem, sequer, razão
para o fazer. É deitar abaixo, limpar o entulho e pronto. Ou, quando
muito, alargar a rua.
domingo, 10 de março de 2013
Eleições antecipadas
A
eleição do sucessor de Bento XVI está a suscitar teorias deveras
curiosas acerca do perfil que deve ser tido em conta quando chegar a
hora do colégio eleitoral nomeado para o efeito tomar a sua decisão.
O novo Papa, alegam uns quantos, deve ser alguém do “sul do
mundo”. Presumo que tenham em mente algum candidato australiano ou
neozelandês com especiais aptidões para o cargo. Outros preferiam
ver no Vaticano um Papa negro. Não se sabe ao certo porquê mas,
sendo escuro que breu, ficariam satisfeitos.
Por
mim - que não sou dado a essas coisas das beatices e que não podia
estar menos interessado no assunto – tanto se me dá. Só não
percebo é porque a escolha parece ter de obedecer a critérios de
proveniência geográfica, cor da pele, idade ou de outra baboseira
qualquer. Pensava eu, pelos vistos mal, que quando se trata de eleger
alguém para funções com alguma relevância, a única condição
era a competência para o desempenho do lugar. Já que não é assim,
se querem algo revolucionário e a atirar para o modernaço, escolham
um Papa muçulmano e transexual e não se fala mais no assunto.
sábado, 9 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
Javardolas
Verdade que o contentor está mesmo ali. Mas isso, quando se quer sujar deliberadamente o que outros acabaram de limpar, não interessa nada. Deve dar, calculo, um gozo do caraças atirar lixo para o chão, ver tudo sujo, armar-se em alarve e, às tantas, reclamar que “esta malandragem não quer é trabalhar, vejam lá que nem o lixo recolhem, os patifes”. São javardolas desta estirpe que não faltam por aqui. Nem, se calhar, noutros lados.
quarta-feira, 6 de março de 2013
Das outras não resultou...Mas desta é que vai ser!
Não
vou gastar as pontas dos dedos, nem desgastar ainda mais as minhas
quase imperceptíveis impressões digitais, a escrever o que penso
acerca das cada vez mais previsíveis reduções de vencimentos na
função pública. Já o fiz em inúmeras ocasiões e, não o digo
com grande satisfação, tudo o que tem sucedido na sequência dos
cortes já efectuados tem vindo de encontro ao que por aqui tenho
escrito.
Parece
que desta vez a coisa vai ser ainda pior. Os ordenados da
generalidade dos funcionários públicos estarão, mais uma vez, sob
a ameaça de novos cortes e, consta, agora a titulo definitivo. Será,
tudo indica, por aí que o governo vai encolher a despesa pública
nos tais quatro mil milhões de que tanto se tem falado ultimamente.
Trata-se da opção mais fácil e com menos custos em termos de
popularidade mas, ainda assim, tão inútil como as tesouradas
anteriores.
Digamos
que, pelo menos nesta fase, não estou especialmente preocupado com
esta eventualidade. Ou quase certeza. Nunca gastei mais do que aquilo
que ganho e é assim que tenciono continuar a agir. Por isso se
ganhar menos, gastarei menos. E se tivermos em conta que na economia
os meus gastos são os teus ingressos, alguém é capaz de se
lixar. Mais ainda.
terça-feira, 5 de março de 2013
Sei o que fizeram no governo passado...
Gosto
da democracia. Não sei porquê, mas gosto. E em democracia as
pessoas – o povo, portanto – escolhem quem os vai governar, nas
urnas de voto através dessa coisa a que chamamos eleições. Por mim
prefiro que continue assim. Mesmo que não ganhem aqueles em quem
voto e ainda que os escolhidos para governar o façam ao arrepio das
minhas convicções.
Quero
acreditar que foi por isso que muita gente terá lutado durante o
regime salazarento. Nem me passa pela cabeça que a generalidade dos
que deram o corpo ao manifesto antes do 25A tivessem em mente algo de
diferente. Que idealizassem um país onde os governantes não fossem
eleitos em sufrágio livre e universal, mas antes nomeados por um
grupo de “esclarecidos”, iluminados e auto-nomeados
representantes do povo. Como antes, afinal.
Obviamente
que em democracia também é legitimo pretender a queda de um
governo. Que a acontecer nada terá de dramático. Elege-se outro e o
assunto fica resolvido. Ou não. Porque não me parece que seja isso
que muitos manifestantes – profissionais ou gente legitimamente
indignada – desejam para o país. Se é que sabem o que desejam.
Nem, menos ainda, representam ninguém. A não ser a eles próprios,
quando muito.
Insiste-se
agora que se deve ouvir o povo. Creio que a referência envolverá
eleições antecipadas e não outra coisa qualquer. O que, a
acontecer, levaria o PS de novo ao governo e que é bem revelador da
fraca memória dos portugueses e da pouca inclinação que têm para
os números. Preferem o regresso da festa. Esquecem apenas um
pormenor. Já não há quem queira financiar os festejos.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Indignação com os indignados
Há
quem se escandalize por uns quantos reformados manifestarem a sua
indignação pelo roubo de que estão a ser vitimas e, para
manifestarem o seu aborrecimento, terem criado um movimento a que
deram o sugestivo nome de reformados indignados. O escândalo, em vez
da esperada solidariedade, deriva somente do facto de alguns destes
reformados auferirem uma pensão para lá de generosa. Que, segundo
os próprios, é praticamente toda recolhida de volta pelo Estado.
Seja sob a forma de cortes ou impostos.
Por
mim estou solidário com estes reformados. Faço, até, minha a
indignação deles. Verdade que o valor da pensão que lhes tem sido
paga é mais que obsceno. Igualmente verdadeiro que, por mais cortes
que sofram ou impostos que paguem, nenhum destes aposentados vai
morrer de fome, de falta de assistência médica ou de qualquer outra
coisa relacionada com falta de dinheiro. O que me indigna é que
estas pensões não sejam cortadas por serem imorais, mas apenas
porque, circunstancialmente, o Estado não tem dinheiro para as
pagar. O mesmo Estado – em todos os seus níveis de poder - a quem
parece não faltar o guito para esturrar em despesas absolutamente
parvas, inúteis e que deviam cobrir de vergonha aqueles que as
fazem. E, também, todos os que as aplaudem.
domingo, 3 de março de 2013
Bichano esfomeado
Diz
que a curiosidade matou o gato. Alegadamente, claro, que eu não sou
de acusar ninguém. E se algum bichano morreu por causa da sua
bisbilhotice não foi de certeza este que, quando deu pela minha
presença, se revelou muito mais assustado do que curioso.
O
coitado do bicho mais não é do que um gato vadio que vagueia aqui
pelas redondezas. Procura comida no lixo e, em consequência
disso, um destes dias ainda é capaz de bater a bota. Basta alguém
fechar a tampa do contentor...E aí não vai ser a curiosidade a
matá-lo. Será a fome. Ou a vontade de comer.
sábado, 2 de março de 2013
25 de Abril ou uma espécie de D. Sebastião
É
preciso outro 25 de Abril, proclama-se. Com armas desta vez, garante-se convictamente, porque os militares têm de fazer qualquer
coisa. Se necessário for que haja uma guerra civil, profere alguém
num momento de exaltação de que mais tarde se envergonhará. Ainda
que as expectativas quanto ao discernimento da maioria dos
manifestantes não sejam elevadas, hesito quanto às capacidades
mentais de quem assim fala. Ou será que esta malta acha que os
militares, ainda que hipoteticamente possam fazer os 25 de Abril que
quiserem, têm dinheiro e empregos para distribuir por todos?!
Derrubar o governo é fácil. A parte complicada vem depois. Ou
talvez não. No caso da coisa dar para o torto faz-se outro 25 de
Abril...e outro...e outro...e outro...
E que tal exigir rigor?!
Tal
como escrevi por ocasião de manifestações anteriores todos, ou
quase todos, temos motivos de sobejo para nos manifestarmos contra o
estado a que chegámos. A trajectória que estamos insistentemente a
seguir já deu demasiadas provas que é a errada e que, a não se
arrepiar caminho, mais cedo do que tarde a coisa estoira de vez.
O
que me deixa mesmo lixado é ver muita gente que contribuiu para a
tragédia que estamos a viver ter agora a distinta lata de se
associar a este protesto. Estou a pensar, entre outros, em inúmeros
autarcas, nomeadamente vereadores e presidentes de câmara, que nas
suas páginas do fuçasbook apelam à contestação ao governo e
fazem questão de demonstrar o seu apoio e entusiasmo perante a
“revolta popular”. Esta criaturas, que contribuíram
decisivamente para rebentar com o país, são responsáveis em grande
medida pelo agravar da situação dos seus munícipes. Veja-se,
dentro de poucos dias, a continha do IMI, analise-se a factura da
água e olhe-se para as prestações de contas ou simplesmente para
as informações que divulgam on-line e é fácil perceber o que esta
malta tem andado a fazer. É só ir às respectivas páginas na
internet que está lá tudo.
O
mesmo se pode dizer de muitos dos que hoje vão manifestar a sua
indignação. Durante anos aplaudiram o esbanjamento e a delapidação
dos recursos que não tínhamos. Ainda agora não faltam os que
continuam a exigir e a congratular-se com obras faraónicas de
interesse duvidoso sem perceberem, ou sem quererem perceber, que não
há dinheiro e que tudo isso contribui para agravar a situação que
tanto criticam. Mesmo com o país falido são também bastantes os
que se acham no direito de reclamar subsídios e apoios para as suas
organizações ou iniciativazinhas. Muitas delas sem outro interesse
que não o gastronómico ou folclórico. Isto para não mencionar
todos aqueles que entendem que isso de exigir factura é coisa para
gajos com tiques pidescos.
É
preciso encontrar alternativas. Mas elas não passam, seguramente,
pela esmagadora maioria das palavras de ordem que hoje vão entoar
pelas ruas da capital. Por mim, insisto no que escrevo desde o tempo
em que ainda nem sequer se sonhava que ia haver crise. Não
precisamos de austeridade, apenas de rigor. O rigor, por parte de
todos, teria chegado e sobrado para evitar que tivéssemos chegado
até aqui.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Neve em Estremoz
Não
é que seja especial apreciador de neve. Seria mesmo incapaz de
assapar umas quantas dezenas de quilómetros apenas para a ver. A bem
dizer nem umas centenas de metros... mas pronto isso sou eu que
apenas gosto de ver neve através da janela. Prefiro o calor. Estou
como diz o outro:
“Ó
sol és a minha crença
nem
que eu morra queimado
ainda
assim não me compensa
dos
frios que tenho passado”
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Vem aí o IMI
Vamos,
dentro de poucos dias, começar a receber as notas de cobrança do
IMI. Abrir a caixa do correio e deparar com contas a pagar é algo
que aborrece qualquer um, mas esta missiva das finanças vai ser
coisa para deixar a maioria dos proprietários de imóveis com os
níveis de irritabilidade em alta. Dependendo do montante a pagar –
do tamanho do saque, por assim dizer – a conta será dividida até
três prestações. A última, curiosamente, será paga apenas lá
para Novembro. Depois da eleições autárquicas. Quando a malta já
votou, colocando assim a salvo os muitos candidatos que vão andar
por aí ao abrigo de algum percalço mais ou menos desagradável.
Pelo menos daqueles relacionados com este imposto desgraçado,
inútil e que, nos moldes actuais mais não é do que um roubo
descarado aos nossos bolsos.
De
positivo neste esbulho vejo apenas um aspecto. O de os portugueses
terem finalmente a oportunidade de perceber que é o seu dinheiro que
paga as festas de que tanto gostam, as obras que não se cansam de
exigir e tudo o mais que tanto apreciam no governo e nos governantes
da sua terra. Ou na parte do IMI resultante da reavaliação dos
prédios, como vai suceder neste e no próximo ano, para pagar os
empréstimos contraídos por estes junto da banca. É que isto não há almoços
grátis. Nem promessas “deles” que nós não paguemos.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Deve ser uma espécie de perseguição religiosa
Ainda
que baptizado e casado pela igreja não me considero católico. Nem
sequer, embora provavelmente as estatísticas me incluam nesse
número, católico não praticante. Digamos que as minhas relações
com a igreja serão muito mais circunstanciais do que movidas por
qualquer espécie de convicção.
Apesar
disso não aprecio muitos dos ataques que quase constantemente são
dirigidos à igreja, enquanto instituição ou à sua hierarquia,
nomeadamente quando as outras religiões não são postas no mesmo
patamar de exigência. Desagrada-me sobretudo que se critique de
forma despudorada a igreja católica e se deixe impune à critica,
seja por cobardia ou em nome do pensamento politicamente correcto
vigente, outras religiões que claramente oferecem mais motivos de
reprovação. Refiro-me, entre outras, ao islão. Crença acerca da
qual todos parecem ter um imenso receio de tecer o mais moderado dos
comentários.
A
foto que acompanha este post é um dos exemplos mais elucidativos do
que acabo de escrever. Tem sido partilhada no fuçasbook e divulgada
em sites e blogs como forma – se bem interpreto a mensagem – de
denunciar a alegada indiferença da igreja perante a fome de
milhares, quiçá milhões, de criancinhas africanas e de outras
paragens menos favorecidas. Terão os que partilham este tipo de
imagem alguma razão. Se calhar uns quantos indivíduos vestidos de
forma abichanada podiam fazer mais qualquer coisa para minorar o
sofrimento destas e de outras pessoas. Mas, se mal pergunto, os
ayatollahs de toalha na cabeça, que rezam de cú para o ar e a quem
também não faltam riquezas, não podiam fazer nada? Até porque
estão lá mais perto. E, mesmo sabendo que são estes fulanos que
muitas vezes impedem o auxilio a estas crianças, não há por aí
umas quantas fotos desses seguidores do profeta que se possam colar
às destas criancinhas?
Não
se pode exigir que quem partilha e divulga estas palermices pare
muito tempo para pensar. Ou que, em muitas circunstâncias, tenha
sequer grande capacidade para o fazer. É por isso que aquela rede
social substitui quase na perfeição a parede do WC. Sinal dos
tempos e da evolução tecnológica. Que não, necessariamente, do
utilizador.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Onde é que está a dúvida que andámos a viver acima do que podíamos?
São
muitos os que ficam com os cabelos em pé quando ouvem dizer que
vivemos – e se calhar continuamos a viver – acima das nossas
possibilidades. Isto enquanto país, obviamente. Não gostam e acham
que os problemas estão algures noutros pontos quaisquer da nossa
vivência em sociedade. Terão, sem dúvida, toda a razão
relativamente a muitos argumentos que evocam para rebater a tese, que
abominam , de termos andado a esbanjar o dinheiro que tínhamos, o
que não tínhamos e o que provavelmente nunca chegaremos a ter.
O
pior é que a razão deles não chega. O problema vai muito para além
dela. E o gráfico junto é por demais elucidativo. Os juros e
encargos com a divida representam a mais importante parcela da despesa financiada com os nossos impostos, superam até os gastos com a saúde, o que, somando
o BPN, torna o país praticamente ingovernável. Digamos que se fosse
uma empresa, ou mesmo um particular, um destes dias era declarado
falido.
Ora
estes encargos resultam de empréstimos que foram contraídos para
financiar investimentos e para irmos mantendo o nosso simpático
nível de vida. O mesmo que muitos portugueses fizeram, portanto.
Desgraçadamente todos os créditos têm aquela parte chata,
aborrecida e muito desagradável que envolve o seu reembolso e o
pagamento dos respectivos juros. Coisa para a qual não temos graveto
porque não geramos riqueza para isso. Se isto não foi viver acima
das possibilidades, então não sei o que lhe chame. Talvez mania das
grandezas, querer fazer figura com dinheiro alheio ou não ter onde
cair morto mas fazer vida de rico, é capaz de não ser, também,
desajustado de todo.
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