sábado, 19 de março de 2011

Más contas

As opiniões acerca da actuação do governo deste – sublinho deste – Partido Socialista e dos políticos em geral que tenho aqui publicado, ao longo dos cinco anos de existência que já leva o Kruzes, são quase sempre cáusticas, corrosivas e bem reveladoras da má conta em que tenho a classe politica. No entanto, como é obvio não é coisa que desconheça, “eles” estão “lá” em primeiro lugar porque são portugueses e, em segundo, porque nós, seja de que forma for, contribuímos para a sua eleição. Portanto, por mais que me esforce, não encontro grandes diferenças entre nós e “eles”. 
O comportamento cívico de uns e outros, infelizmente, não difere por aí além. Veja-se, por exemplo, o caso de uma conhecida figura pública do mundo do espectáculo que, ao que tem sido noticiado, terá uma divida às Finanças na ordem dos muitos milhares de euros mas que, ainda assim, encara isso como um facto perfeitamente natural. Até porque, não se coibiu de afirmar, que todos devemos uns aos outros e que, um dia, se Deus quiser, há-de pagar. Tenho as mais sérias reservas que qualquer entidade divina dedique algum do seu tempo às questões fiscais ou, sequer, queira saber de caloteiros. Do que não tenho grandes dúvidas é que têm sido comportamentos destes que nos conduziram até este estado. Tal como não duvido que, caso se tratasse de um qualquer politico, seria uma escandaleira nacional. Assim, como anda por aí a dizer uma larachas, batem-lhe palmas.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Presidente do Municipio?! Valha-me eu....

A propósito de um assunto que não vem ao caso tenho lido em vários locais a expressão “Presidente do Município”. Nem desconfio quem seja o autor de tão grande patacoada mas, sem pretender ferir susceptibilidades, manda o rigor terminológico que me debruce acerca do assunto e conteste tão disparatada afirmação. Esse é um cargo que não existe. Os orgãos do município são a Assembleia e a Câmara Municipal. O primeiro, com funções deliberativas, composto pelos presidentes de junta de freguesia e por um determinado número de membros eleitos directamente que elegem entre si aquele que lhe presidirá e o segundo, com funções executivas, composto pelos vereadores e pelo presidente que será o cabeça da lista mais votada pelos eleitores inscritos nos cadernos eleitorais lá do sitio. 
Não há, portanto, ninguém que seja “Presidente do Município”. O mais grave é que quem utilizou esta expressão no local onde a li será, presumo mas posso estar enganado, funcionário de uma autarquia. Posso, também quanto a isso, estar equivocado mas é o que dá terem acabado – já nem me lembro qual foi o governo – com os concursos em que era necessário estudar alguma legislação para ser admitido numa autarquia e, em vez disso, baste agora fazer parte da lista certa. Ou seja da que ganhou. Ainda sou do tempo em que até para coveiro se tinha de ter umas noções, rudimentares é certo, da Lei das autarquias locais. Mesmo que no fim fosse seleccionado na mesma, tal como agora, o filho do amante da amiga da vizinha. Pelo menos esse, por mais burro que se revelasse, não chamava uma coisa dessas a ninguém.

quinta-feira, 17 de março de 2011

A tacada

Incompreensivelmente reina uma imensa estupefacção por à pratica do golfe ser aplicada a taxa de reduzida de iva. Uma cambada de invejosos é o que é. E de insensíveis às causas sociais, também. Principalmente quando se sabe que a maior parte do pessoal que se dedica a essa actividade desportiva são reformados, pessoas que levaram uma vida inteira a pagar impostos ou a fugir deles. O que, como se sabe, dá igualmente muito trabalho. 
Ignoro como irão reagir os mercados – sabe-se como é importante a sua reacção - quando souberem da boa noticia, mas, calculo, exultarão com tamanha generosidade. Tal como eu, aliás, que entendo na perfeição o objectivo que se pretende atingir ao aplicar a mais reduzida das taxas à pratica deste popular e gratificante desporto. Estou, portanto, radiante. 
Até parece que já estou a ver aviões repletos de velhotes, oriundos da Europa do norte, aterrar no aeroporto de Beja – os mais medrosos virão de TGV – e a invadir os campos de golfe que, em breve, se multiplicarão pelas planícies alentejanas. Com todas as vantagens que daí advirão para a economia local. Desde o vinho, que inevitavelmente vão beberricar entre duas tacadas e que por sinal também tem uma taxa de iva simpática quando comparada com os bens essenciais, até às unidades hoteleiras que irão ver as suas taxas de ocupação aumentar significativamente.Vai, enfim, ser a salvação da economia do país. Assim a modos como o nosso petróleo.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Que parvos que eles são!

Tenho manifesta dificuldade em perceber os economistas. O problema será, obviamente, meu. Longe de mim questionar as teorias económicas fantásticas que desenvolvem e que, supõe-se, um dia produzirão os efeitos desejados. Sejam eles – os desejos – quais forem. Isto, se calhar, tem mais a ver com a indómita vontade de dizer mal “de tudo e de todos apenas por dizer”, com que presenteio os leitores que têm o azar de aqui vir parar. 
Mas escrevia eu, não entendo os gajos que se dedicam a estudar essas coisas da economia. Em tempos não muito distantes, argumentava essa gente que para reduzir o défice era imprescindível, entre outras coisas, reduzir salários e aumentar impostos. Se assim não fosse os mercados, esses papões dos tempos modernos, exigiriam um preço cada vez mais alto pelo dinheiro que nos vendem e as agências de notação financeira baixariam o nosso rating. Ou seja, desceríamos na consideração deles. Coisa que, como se sabe, não deixou de acontecer apesar dos cortes nos vencimentos, da subida de quase todos os impostos e da retirada de apoios sociais instituídos ainda no tempo da outra senhora. A tal que, recorde-se, explorava e mal tratava o povo. 
Apesar de parecer evidente a gente – menos aos economistas, claro – que as consequências das medidas tomadas iam ser as que estão à vista, ainda há quem se surpreenda por, mais uma vez, a consideração que as tais agência têm por nós voltar a descer. O argumento para mais esta quebra de confiança, terá a ver com o facto de as medidas de contenção da despesa estarem a inviabilizar o crescimento da economia. 
Estou, confesso, sem palavras. Curvo-me, até, perante tão brilhante e inesperada conclusão. Acho que, só para chatear, vou ponderar a hipótese de ora em diante passar - lá muito de vez em quando que isto não convém exagerar – a dizer bem de alguma coisa. E talvez comece pelos economistas.

terça-feira, 15 de março de 2011

Homem da luta

Ao ouvir o cavalheiro que hoje foi entrevistado na SIC fiquei com a sensação - se calhar é apenas impressão minha - que, caso tivesse tido ocasião, o senhor em questão era gajo para ter ido à manifestação de sábado passado em Lisboa. Compreende-se. Afinal, também ele não passa de um precário. Notoriamente à rasca.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Já se iam embora...

Ao saber da sua comunicação ao país admito que, por breves instantes, acreditei que aquele cujo nome não será aqui mencionado porque isto é um blogue sério ia, num raro momento de lucidez, reconhecer a própria inépcia e apresentar a demissão. Foi, reconheço, uma ideia parva. Mas também igualmente fugaz, porque depressa regressei à realidade e à convicção que a criatura fará de tudo para se manter no lugar de tão convencido que está da sua genialidade. 
No discurso desta camarilha aborrece-me profundamente que tenham a ousadia de pensar que são eles os únicos defensores do interesse nacional e que todos os outros, os que não concordam com as medidas que têm vindo a conduzir o país ao colapso, querem o pior para Portugal. Quando, o que salta à vista é precisamente o contrário. São mais que notórios os efeitos devastadores do que esta gente tem andado a fazer. Ainda assim acredito que não o façam por mal ou por detestar a maioria dos seus concidadãos. Será antes por incompetência. E também por gostarem muito de um reduzido número de portugueses. Daqueles que usam cartão rosa.

domingo, 13 de março de 2011

Broncos

O país poderá estar a horas de assistir a mais um bloqueio levado a efeito por uma dúzia de broncos que, por terem um veiculo de grandes dimensões e capaz de sozinho bloquear uma estrada, se arrogam no direito de achar que os restantes portugueses têm o dever de suportar parte dos custos de exploração da sua actividade empresarial. 
Apesar das suas pretensões não fazerem qualquer sentido, serem altamente lesivas para todos e poderem constituir um gravíssimo precedente que pode - deve, aliás - ser seguido por outros sectores igualmente afectados pela subida de preço das matérias primas, acredito que o governo acabará por lhes fazer a vontade e ceder às suas reivindicações. Tal como aconteceu da última vez que bloquearam o país e tornaram os portugueses reféns da sua causa. Recorde-se que então, durante os dias em que durou o acto criminoso que praticaram, o executivo do alegado engenheiro não deu sinais de vida. Esteve calado, escondido e com medo. O que não admira. Ser arrogante com os fracos e submisso com quem ostenta alguma espécie de poder é próprio dos cobardes. 
Não se pode confundir este tipo de acções com outras "lutas" agora - de novo - tão em voga. Nem, perante elas, reagir da mesma maneira. Impedir a circulação de pessoas e bens é ilegal, ilegítimo e merece ser punido severamente. Aquilo que espero é que o governo aja em conformidade e que mobilize a guarda, a policia e o exercito para desimpedir estradas enquanto, simultaneamente, ordene às Finanças fiscalizações aos escritórios das "empresas" que participem nos bloqueios. Se assim não fizer, então que se vá embora.

sábado, 12 de março de 2011

A nossa terrinha

A imagem que acompanha este texto, retirada do blogue "A nossa terrinha", representa a evolução da população residente no concelho de Estremoz. Enquadra-se numa exaustiva análise, que pode ser lida no espaço mencionado, acerca da rede portuguesa de auto-estradas onde se questiona a bondade do investimento que o país fez nestas infraestruturas rodoviárias. 
Não se pode depreender - nem é isso que a autora conclui - que a construção da A6, esteja a contribuir para a quebra populacional que se verifica no concelho desde o ano de dois mil e cinco. As causas são outras, muitas têm de se procurar noutro lado, mas não devemos excluir desta responsabilidade quem continua a insistir em morar por cá. Principalmente quando se assiste a um egoísmo nunca visto, em que as pessoas optam por não ter filhos apenas para não ter chatices. Um descendente custa muito dinheiro, que pode, por exemplo, ser gasto em viagens ou num carro novo. E, se afinal um cachorro sai muito mais barato e pode ser posto no olho da rua quando aborrece, para quê complicar?! 
Também as politicas de investimento público no concelho e na região têm contribuído de maneira fundamental para o êxodo da população. Dos muitos milhões de euros, provenientes da União Europeia e do bolso dos contribuintes, que já foram enterrados no concelho, terão sido poucos os que contribuíram para a criação de postos de trabalho. E, pelos vistos, assim vai continuar a ser. Por mais que custe a muita gente, na apreciação de qualquer projecto, para além da legalidade, devia igualmente ser tido em conta o principio da utilidade ou rentabilidade do mesmo. Podendo ser chumbado caso determinados critérios não fossem preenchidos. Se calhar, digo eu assim de repente,  talvez não tivéssemos - pelo menos a este nível - alguns problemas como aqueles que hoje nos afectam. Como défices, corrupção, desemprego e outras coisas aborrecidas. 
Quanto à auto-estrada, apesar de estar ali ao virar da curva, continuo a preferir a velhinha nacional quatro para as minhas deslocações. Como diz o outro, não estou para engordar gulosos.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Afinal ainda há margem para mais sacrificios...

Mais um PEC. Nem sei se este é o quarto ou o quinto. Também não é coisa que tenha importância por aí além. Até porque importa a cada vez menos gente. De tantos que são a malta já nem lhes liga. 
Calculo que, desta como das outras vezes, entre o leque de objectivos que se pretende atingir se volte a incluir a tentativa de acalmar os mercados. Seja lá isso, de mercados, o que for. Diz que esses chatos andam particularmente irritados desde o fim de semana. Motivos para isso não faltam, coitados. Primeiro porque não terá ganho o festival a canção da sua preferência e, em vez disso, vão ter que levar com uns irritantes "Homens da Luta". A seguir a derrota do Benfica e o consequente adeus definitivo à hipótese de chegar ao título que, como toda a gente sabe, constitui sempre um fortíssimo incentivo à economia. Finalmente o Cavaco com aquela conversa fiada a dizer que o pessoal já não aguentava mais e tal quando, afinal, já o outro cujo nome não será aqui mencionado, tinha no bolso mais um Peczinho. Não são coisas que se façam aos mercados, pá! 
Não sei se, como sempre tem acontecido, me incluo no reduzido número de vitimas de mais este plano. Provavelmente sim. Mas que se lixe. Estou-me cagando para isso. Na verdade estou farto dos javardolas que nos governam. Ou desgovernam, sei lá. Quase tanto como dos pedantes que os apoiam e dos bajuladores que se curvam perante a genialidade de cada uma das suas sábias decisões. E só não digo para irem levar no cú porque, se calhar, ainda eram fulanos para gostar da ideia.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Puxar é preciso

O outro - aquele cujo nome não será aqui mencionado, porque isto é um blogue sério - manifestou em diversas ocasiões o seu cansaço por, sozinho, puxar pelas energias do país. Ontem, mais uma vez, após o discurso contundente do Presidente da República, voltou a referir que se sente pouco acompanhado nessa tarefa. Pena que ainda não tenha pensado em descansar... 
À semelhança de muitas outras coisas, também em matéria de desenvolver esforços no sentido de mover alguma coisa de um lugar para o outro, a criatura demonstra estar completamente desfasado da realidade quotidiana do país que o atura. Como se pode ver pela imagem junta quando toca a puxar, seja lá por aquilo que for, não são muitos os que colaboram.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Cortar na conversa

Estamos em maré de encolhas. De cortar. Vai daí parece que algum decisor com poder para o efeito se lembrou de cortar na despesa com telemóveis. O que nem se afigura como algo despropositado ou merecedor de criticas. Mesmo que o utilizador seja um conhecido e atarefado juiz. Acho até que o exemplo devia ser seguido por outras - senão mesmo por todas - instituições onde seja o dinheiro dos portugueses a financiar as conversas. Ainda que importantes. 
O que já não me convence da bondade da opção em causa - que terá levado o magistrado em questão a entregar o aparelho que lhe estava atribuído - é o valor do planfond que, alegadamente, foi estabelecido para o senhor comunicar. Que, segundo o noticiado, será inferior ao dos seguranças que estão encarregados de lhe guardar as costas e, segundo rezam as crónicas, não ultrapassará a dezena de euros mensais. É manifestamente pouco, convenhamos. 
Nem desconfio quanto se gasta, no conjunto de todos os organismos oficiais, em comunicações. Imagino que muito. Plafonar o seu uso será, portanto, uma medida do mais elementar bom-senso mas que deve ser posta em prática com regras que respeitem, pelo menos, o mais comum dos sensos. Ou então, um dia destes, ainda um alto dirigente de um qualquer instituto, terá de pedir o telemóvel à senhora da limpeza para telefonar à esposa a inquirir acerca da ementa para o jantar. Ou de outra coisa igualmente importante.

terça-feira, 8 de março de 2011

Azia...

Se a internet constituir uma amostra representativa, pode dizer-se que anda meio país indisposto - nos casos mais graves a coisa roça a indignação - com a vitória dos "Homens da luta" naquilo a que chamam "Festival da canção" e que mais não é do que um espectáculo televisivo. Aborrecido, diga-se. 
Ao que parece, a acreditar nas opiniões emitidas pela maioria dos que ainda tem paciência para aturar estopadas daquelas, todas as cantigas a concurso eram más. Como, aliás, acontece desde tempos imemoriais. Assim sendo não vislumbro motivo para indisposições nem, menos ainda, indignações. 
A menos que - e aí quem fica indignado e indisposto sou eu - as razões para o estado de alma daqueles que não gostaram tenham alguma coisa a ver com a maneira como foi escolhida a canção vencedora. No caso, ao que consta, a votação dos telespectadores terá tido um peso determinante no desfecho. E isso é que é uma chatice. Essa coisa de dar voz à populaça é mesmo aborrecida. Principalmente quando esta é dissonante do politicamente correcto tão do agrado de uns quantos que se têm na conta de inteligentes e detentores da verdade absoluta. 
Por mim, que nada percebo de notas musicais, gostei da cançoneta e fiquei satisfeito que tenha sido escolhido o duo de humoristas - de quem sou fã há muito tempo - para representar a estação de televisão pública no festival que se há-de realizar no país da Merkel. Nomeadamente porque, signifique aquilo o que significar, ver uma certa malta chateada só porque desconfia que há por ali um cheirinho a contestação já me dá algum gozo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Estacionamento tuga

Este é o cenário habitual nesta rua. Carros estacionados onde não devem e quem pretende passar a ter que trepar ao passeio. Ou então que espere. São assim os tugas - ou, neste local, as tugas - que, coitadas, não podem deixar o tugamóbil no Rossio, que fica a uns escassos cem metros, enquanto compram uma peça de roupa no pronto-a-vestir da rua ou fazem a depilação no centro de estética ali ao lado. Coisas contra as quais, diga-se, não tenho absolutamente nada a opor. Antes pelo contrário. Comprar no comércio local é uma opção que aplaudo. Da mesma forma manifesto o meu apreço por quem resolve tirar os pêlos do buço, das axilas ou das partes pudibundas. Agora quem estaciona assim merece toda a reprovação. Principalmente quando tem, bem no centro da cidade, muitos locais alternativos para deixar o carrito.

domingo, 6 de março de 2011

E gajas nuas, pá?! Porque é que não há gajas nuas?

Provavelmente já a precaver-se para o que se adivinhava, este folião muniu-se de um disfarce mais ou menos adequado para se proteger da chuva que acabaria por ditar o fim prematuro do desfile de hoje do Carnaval de Estremoz. Nestas condições climatéricas, nem eu, que lamento todos os anos a sua ausência, me atrevo a reclamar de não haver gajas nuas. Afinal sobrou em chuva o que faltou em moçoilas desnudadas!

sábado, 5 de março de 2011

Prioridadezinhas

Não conheço os argumentos que motivaram o voto contra do Partido Comunista ou a abstenção do Partido Socialista e do Bloco de Esquerda, relativamente a uma proposta do PSD que recomendava ao governo a criação de uma disciplina de "Educação Financeira" a integrar nos cursos do ensino secundário. Verdade se diga também não estou para procurar inteirar-me dos seus motivos. Até porque não me interessam. Saber que alguém coloca reservas a uma iniciativa deste género é, para mim, já bastante para aquilatar quanto aos seus desígnios. 
A politica portuguesa é, de facto, sui generis. Quanto da introdução no sistema de ensino da "Educação sexual" os comunistas não tiveram - e muito bem - qualquer objecção. Pelo contrário, foram uns verdadeiros entusiastas da causa. Mas educação financeira isso é que não. Prioridades.

sexta-feira, 4 de março de 2011

"Ganda lata"!

Um certo e determinado individuo, com responsabilidades acrescidas em relação ao comum dos papalvos dado os cargos relevantes que já desempenhou, manifestou numa recente intervenção proferida no âmbito de uma conferência qualquer das muitas por onde se vai entretendo, a sua convicção que o país está em apuros. Que estamos lixados, portanto. 
Curiosamente é o mesmo senhor que, no exercício das suas altas funções, proferiu a célebre frase "há mais vida para além do orçamento", menosprezando na altura os esforços que o governo da época fazia para, na ressaca da loucura guterrista, controlar as contas públicas. Convém também não esquecer que foi a mesma criatura que demitiu um executivo com maioria parlamentar - com uma argumentação risível se pensarmos nas trapalhadas actuais - e que permitiu a este Partido Socialista chegar ao poleiro. Com as consequências desastrosas que se conhecem e sobejamente se reconhecem. 
O homem não é, ao que se sabe, dado a religiosidades. O que é pena. Porque se fosse, para se penitenciar do mal que fez ao país, devia ir todos os anos a Fátima ao pé coxinho, com as mãos atadas atrás das costas, transportando um ovo numa colher que segurava com a boca. E sempre que o deixava cair voltava ao local de partida. Assim, o mínimo que devia fazer era andar de porta em porta a pedir desculpa aos portugueses pela desgraça colectiva em que nos atolou. Ou então calar-se.

quinta-feira, 3 de março de 2011

E não se pode chumbá-los?!

Quem tem filhos a frequentar o ensino básico, ou que passaram por este nível de escolaridade nos últimos anos, sabe para que servem disciplinas como "Estudo acompanhado" ou "Área Projecto". O governo, esse, descobriu agora. Deve ter sido por isso que, num saudável momento de rara sagacidade, resolveu extinguir a segunda e reservar a primeira para aqueles alunos que realmente necessitam de apoio. 
Ora pensava eu, pai de alunos que já passaram por essa aberração educativa de inutilidade comprovada, que a medida seria não só consensual, como merecedora do aplauso da generalidade das forças parlamentares e, principalmente, dos pais e encarregados de educação. Mas não. Parece que outros valores mais altos se levantam. Também ninguém me manda ser parvo e ter a ousadia de pensar que a escola deve servir para ensinar português, história, inglês ou matemática. Ou, já agora, para aprender a ler e a escrever. Que é coisa que, por vezes, no nono ano alguns ainda não sabem. Vão ver é anti-pedagógico e não estimula as capacidades criativas do aluno. 
Exceptuando aos professores - por motivos óbvios - não estou a ver a quem interessa manter esta situação. Aos pais não será, até porque a esmagadora maioria se está positivamente cagando para o assunto, e aos estudantes ainda menos. Embora, relativamente aos últimos, isso não releve para o caso. Toda a gente sabe que o sistema público de ensino não foi feito a pensar nos alunos.

terça-feira, 1 de março de 2011

Praxes

Esta foto foi obtida um destes dias em Évora. Trata-se, possivelmente, de um grupo de alunos de enfermagem a integrar os caloiros que acabaram de chegar à universidade para iniciar o seu curso. Acredito que no meio universitário a humilhação e a violência constituam a melhor maneira de proceder à integração de quem vem de novo. Isso e andar pelas ruas da cidade a gritar obscenidades e a fazer figuras tristes. Deve ser, também por isto, que esta geração se considera parva. Pelo menos são bons na auto-critica.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Isto anda tudo ligado

Pois anda. A prova são as pesquisas verdadeiramente fantásticas - ruinzinhas, vá - que têm trazido, nos últimos dias, alguns leitores até ao Kruzes. 
Tomemos como o exemplo o termo "galpinante". Seja isso o quer for. Embora parta do principio que se trate daquele que galpina, coisa que obviamente também não sei o que é. Repare-se como a pesquisa dessa palavra apontou para a página onde disserto sobre a feira de velharias. Ou como, por coincidência, pouco antes alguém tenha procurado inteirar-se acerca de ajustes directos e, outro alguém, pesquisado informação relativa ao Quim Barreiros. Tudo factos que poderão servir, eventual e alegadamente, para esclarecer melhor o significado de galpinante. Ou não. Porque eu fiquei na mesma. 
"Gajas nuas" continua a ser a expressão mais pesquisada. No entanto "preservativos" tem sido também um termo a motivar alguma procura. Pela análise de uma das imagens que acompanha este texto depreendo que há quem esteja com vontade de ver gajas nuas no Carnaval de Estremoz e, quiçá, tenha esperança de participar na "festa do preservativo". Se é que vai acontecer algo do género, claro. 
O último exemplo de que isto anda tudo ligado, pode ser doloroso. Principalmente para os meus amigos ou leitores sportinguistas. A mim, confesso, deixa-me sem palavras. "Sporting a levar no cú"?! Francamente. Não havia necessidade...

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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Amigos da onça

Kadhafi tem azar com os amigos. De líder carismático o homem passou, quase num ápice, a louco varrido e a constituir uma séria ameaça à paz, à estabilidade, à democracia e a não sei que mais conceitos deveras interessantes. Pelos menos nas palavras daqueles que, durante décadas, encontraram sempre justificações para as tropelias em que foi envolvendo o país que, possivelmente por pouco tempo, ainda governa. 
Poderá, acredito piamente, ser isso tudo. Mas parvo é que o excêntrico ditador líbio não é de certeza. Não deve ser por acaso que Kadhafi aponta o dedo à Al Qaeda como estando na origem destes movimentos, alegadamente espontâneos e populares, que têm ocorridos por todo o mundo árabe. Até porque em matéria de terrorismo o gajo é um perito. A agitação a que temos assistido é perfeitamente organizada e tem uma estratégia bem definida. Colocar no poder regimes islâmicos. Só um anjinho, daqueles mesmo anjolas, não vê. 
Trata-se de uma estratégia perfeita. Qualquer que seja o resultado destas movimentações, tenham ou não sucesso, cheguem ou não ao poder, o objectivo dos islamistas será sempre atingido. Se os "movimentos populares" falharem ou por alguma estranhíssima razão a islamização demorar mais tempo do que o previsto, haverá sempre - já está em curso - mais uma vaga de emigrantes desses países que se deslocarão para a Europa, fazendo crescer ainda mais a influência da politica islamico-fascista no velho continente.
No fundo o azar de Kadhafi é também o nosso. Os amigos que agora o abandonam e apelidam de maluco estão também a lixar-nos a nós. Contrariamente a outras guerras, agora esses amigos não mencionam o petróleo, o poder, a ingerência e mais uma quantas alarvidades que estiveram em voga na deposição de outros ditadores por paragens não muito distantes. A ironia da coisa é que esses amigos vão também, num futuro não muito distante, ser vitimas das suas novas amizades.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Spam pretensamente mobilizador.

Corre pela internet uma missiva, que já devo ter recebido pelo menos umas vinte vezes, apelando a uma gigantesca manifestação - um milhão de manifestantes, propõem os supostos organizadores - em que se pretenderá apelar à demissão de toda a classe politica. Do manifesto que, qual vírus, se tem propagado pelas caixas de correio electrónico constam um conjunto de trinta pretensas medidas que, no dizer do seu - ou seus - autores, salvariam a pátria da tragédia que se avizinha. E, também, adivinha. Ou o contrário. 
Convém que quem nos pretende mobilizar saiba do que está a falar e não cometa erros por completo desconhecimento da realidade. Vejamos algumas "propostas" que revelam a ignorância de quem redigiu o conjunto de alarvidades que me anda a encher as caixas de correio. "Acabar com o pagamento de 200 euros por presença de cada pessoa nas reuniões de Câmara." Ora sabendo que os vereadores têm direito a uma senha de presença no valor de 2% do ordenado do respectivo Presidente e que este aufere, conforme a dimensão da autarquia, entre 40 a 55% do vencimento do Presidente da República, é só fazer a conta... 
Outra ideia brilhante é "reduzir drasticamente o número de câmaras e assembleias municipais". Suponho, mas isto sou eu a especular, que o autor terá em mente propor que sejam extintas igual número de cada. Sinceramente não entendo a obsessão desta gente com o número de autarquias a extinguir em vez de optar antes pela necessidade da sua existência ou pelo que representam para as respectivas populações. De certeza que será muito mais doloroso, terá consequências bastante mais funestas e representará muito menos em termos financeiros acabar com Municípios como Barrancos, Alandroal ou Castro Marim, do que fechar a Câmara da Amadora, Odivelas ou qualquer umas das muitas que existem na chamada margem sul. Mas disto e doutras coisas não quer esta gente saber. Afinal fazer contas dá muito trabalho.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Estacionamento tuga



Mais um estacionamento tuga. Desta vez em cima de uma passadeira, numa das artérias que circundam o Rossio Marquês de Pombal. Uma zona lindíssima, manchada apenas pelo inenarrável conjunto de barracas onde, inexplicavelmente, a ASAE ainda permite que vendam fruta, hortaliças e outros produtos usados na alimentação humana. 
Como sabem todos os que conhecem Estremoz, a escassos trinta ou quarenta metros existe um imenso largo onde cabe sempre mais um carro. Coisa que, para um tuga desenrascado, constituirá uma distância imensa e que exigirá um dispêndio de energia pouco compatível com a sua noção de conforto. Assim é, sem dúvida, muito mais prático. 
Não é que deseje mal à criatura que tão despreocupadamente arruma a viatura. Mas, há que dizê-lo com toda a frontalidade, era muitíssimo bem multado. Até porque se o país precisa de dinheiro, obtê-lo através de quem não cumpre as leis nem respeita os outros parece-me muito mais justo do que roubá-lo ao ordenado de quem trabalha.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Campo ou cidade?



É em circunstâncias como as que se podem observar nas fotografias que me surgem dúvidas se moro no campo ou na cidade. Afinal não é todos os dias que se pode observar - e fotografar - um rebanho a circular calmamente por uma rua de um qualquer bairro de um aglomerado urbano.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Cagada matinal

Este canito, propriedade de uma professora primária aposentada e de seu esposo igualmente a saborear os prazeres da reforma depois de longos anos a trabalhar numa seguradora, é um dos que diariamente faz o seu passeio higiénico, logo de manhãzinha, pela minha rua. Sozinho, já é suficientemente crescido para não se perder, vai cagando por onde muito bem lhe apetece. À minha porta, no meu quintal se o portão não estiver fechado ou noutro qualquer lugar. Hoje - menos mal - foi na espécie de espaço ajardinado que a junta de freguesia vai, ingloriamente, tentando manter limpo.
Desde que publico este blogue têm sido inúmeros os textos onde tenho abordado este tema. Não espero com isto, obviamente, mudar o comportamento de ninguém nem, ainda menos, influenciar qualquer decisão de quem tem algum poder para controlar a negligência dos donos. Nada disso. Mas, mesmo assim, continuarei a insistir e a reclamar contra aqueles que contribuem para sujar a minha terra. Por mais que custe a alguns. Tal como provam os comentários impublicáveis que recebo quando publico um post desta natureza.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Azedume diz ele...

Estou entre aqueles que evidenciam todo o seu azedume face aos números do défice. Não pelos resultados propriamente ditos, como pensa um certo e determinado pateta cujo nome não será aqui mencionado, mas antes por, para a substancial melhoria que se verificou, ter contribuído decisivamente a minha algibeira. A minha e a de muitas outras vitimas. 
É, convenhamos, preciso ser muito parvo para manifestar regozijo pelos valores apurados na execução orçamental de Janeiro. Face à subida brutal de impostos, aos cortes cegos naquilo que são obrigações básicas do Estado e aos artifícios contabilísticos de que se ouve falar, só mesmo um burro admitiria como possível que, mais milhão menos milhão, não se chegasse a valores parecidos com os anunciados. Manifestar satisfação por ver os seus concidadãos esbulhados de parte significativa dos seus rendimentos para pagar as asneiras que cometeu é, para ser simpático, próprio de um mentecapto. 
Não é para me gabar mas conseguia fazer ainda melhor. Eu ou outro idiota qualquer quase tão idiota quanto o idiota que não gosta de azedumes. Reduzia os vencimentos dos funcionários públicos para metade, cobrava-lhes cinquenta por cento de irs sobre a totalidade, aumentava o iva para noventa por cento e proibia as pessoas com mais de cinquenta anos de ir ao médico. Era um tratamento de choque? Sim mas obtinha exactamente os mesmos resultados que aquela gentinha pretende. Só que uns anos antes e poupava muita gente a uma morte lenta e dolorosa.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Vara, o dinâmico.

As noticias, ontem amplamente difundidas, que davam conta de uma intempestiva entrada de Armando Vara no gabinete de uma médica, num Centro de Saúde de Lisboa, com a finalidade de obter um atestado médico são, entre outras coisas, mais um ataque ao actual PS - quiçá, até, ao primeiro ministro - e indiciadoras de mais uma campanha negra visando caluniar e desprestigiar uma conceituada figura pública. Mesmo que o homem não tenha aguardado, como os outros pacientes, pacientemente a sua vez de ser atendido. O que, vendo a coisa pelo lado positivo, não revela má educação, como sugerem a peça jornalística e a directora do serviço, mas apenas impaciência. Ou, como preferem José Sócrates e os lambe-botas de serviço, um saudável dinamismo. 
Irromper hospitais e centros de saúde adentro, sem respeitar filas de espera e outras normas vigentes nesses locais, acontece todos os dias. Veja-se o caso dos ciganos. Quem não assistiu já a cenas semelhantes protagonizadas por esses cidadãos? Apenas quem nunca, para felicidade sua, necessitou de recorrer aos serviços públicos de saúde. Mas com isso, a TVI e outros orgãos de comunicação que criticam o comportamento do ex-ministro, nunca se preocuparam. Era, se calhar, politicamente pouco correcto relatar os constantes desacatos que essa malta provoca ou mencionar o tratamento vip de que gozam só para o pessoal hospitalar os ver pelas costas. 
O politico socialista em causa não terá, ao que se sabe, ameaçado bater ou dar tiros a ninguém, nem recorrer a outras formas de violência já vistas por sítios como aquele. Não foi agressivo para com os outros utentes, pelo contrário até os terá cumprimentado de forma cordata e pacifica, e não causou qualquer espécie de distúrbio. Não se percebe, por isso, o tratamento diferenciado, comparativamente aos ciganos, de que está a ser alvo por parte dos jornalistas. Questiono-me - com uma certa inquietação, diga-se - acerca do que haverá de diferente entre Armando Vara e um cidadão de etnia cigana. Nada, parece-me.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O dever acima de tudo

Por aquilo que transparece das suas aparições nos orgãos de comunicação social, o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, não aparenta ser uma daquelas pessoas que cativa facilmente as audiências. O tom desabrido em que se expressa, o ar de "quem toda a gente lhe deve e ninguém lhe paga" e uma tendência incontrolável para a peixeirada, não farão dele alguém muito popular entre os que o ouvem. O homem tem, no entanto, um frontalidade a toda a prova e uma invulgar capacidade de transformar conversas de taberneiro ou taxista num discurso que as elites, por mais desagrado que lhes cause, são forçadas a ouvir. 
Para o bastonário, em declarações divulgadas hoje, os tribunais portugueses estão transformados num "paraíso para caloteiros e num inferno para os credores" e que essa circunstância constitui a causa principal para que os cidadãos se afastem da Justiça. Não será grande a novidade. Nem, tão pouco, seja coisa que motive o ministro do sector ou o governo no seu conjunto a tomar qualquer espécie de medida. Até porque todos os sinais, desde há largos anos a esta parte, tem sido no sentido de proteger quem não tenciona pagar as dividas contraídas. Instituiu-se uma cultura de impunidade para a qual não se vislumbra uma saída. Actualmente apenas quem é parvo paga aquilo que deve ou a que se compromete e, caso queira esquivar-se ao seu cumprimento, goza da protecção de todo o sistema legal. 
Trata-se de um fenómeno que atravessa transversalmente toda a sociedade e que já deixou de constituir vergonha e humilhação pública como acontecia há poucas décadas atrás. Veja-se o caso de certos figurões que nem sequer se coíbem de ameaçar processar aqueles a quem ferram o cão quando as vitimas da sua irresponsabilidade ganham coragem e têm a ousadia - gente de uma desfaçatez inqualificável - de reclamar aquilo que é seu. Não tardará que coisas destas venham a ser resolvidas de outra maneira. Muito mais rápida e, também, mas eficaz. Enquanto isso não acontece vão-se informando por aqui.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Corrida ao subsidio

O facto de existirem num só concelho cerca de quarenta associações de caracter desportivo pode constituir um sinal de vitalidade do movimento associativo e um assinalável entusiasmo dos seus habitantes pela prática desportiva. Mais extraordinário ainda se, nesse concelho, não residirem mais do que quinze mil pessoas. A maioria, para aí uns sessenta por cento, idosos. 
A que se deverá, então, a proliferação de "clubes" e "associações" alegadamente dedicadas à prática de actividades desportivas? Não se sabe ao certo mas, se excluirmos as instituições mais tradicionais e com um presente e um passado que falam por si, pode-se suspeitar de muita coisa. Nomeadamente que se tratam apenas de grupos de amigos, negócios de família e esquemas diversos para obter o subsidiozito da praxe. Todos desenvolverão, naturalmente, actividades meritórias e de elevado interesse público. Sejam elas quais forem. Mas lá que são muitos, isso são.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Indigentes, exigentes e outros pingentes

Recessão e desemprego a nível nunca visto por estas paragens são realidades incontornáveis num país à beira do colapso. Não constituem, no entanto, novidade face às medidas alegadamente de controlo da despesa com que o governo nos resolveu presentear. Surpresa seria se a situação apresentasse contornos significativamente diferentes. De resto nem se compreende a relutância de governo, apaniguados e dependentes do regime em aceitar estes factos. 
O que, pelo menos para mim, é mais difícil de compreender é o comportamento dos portugueses face ao momento que vivemos. Principalmente daqueles que têm a responsabilidade de gerir dinheiro que não lhes pertence e dos que, não a tendo, não exigem rigor redobrado aos que o gerem. Esforço-me por acreditar que não vivo num país de loucos, mas todos os que aplaudem, exigem ou simplesmente sugerem novas e cada vez mais rebuscadas formas de esbanjamento dos recursos que não temos, encarregam-se de me provar o contrário. 
Apesar da penúria em que vivem os cofres públicos, é impressionante a maneira como a sociedade em geral continua a insistir e a pressionar para que estes despendam cada vez mais e mais recursos a financiar tudo e mais alguma coisa. Desde que não seja para pagar ordenados a esses mandriões dos funcionários públicos, tudo parece ter justificação e merecer o aplauso de uma imensa mole de ignorantes, parvos e bestas diversas.