Todos os canais televisivos têm levado o dia de hoje a passar um vídeo onde, supostamente, militares da GNR malham um fulano que acabaram de deter. Supostamente porque, ao contrário do que é afirmado até à exaustão, não se descortina violência absolutamente nenhuma. E ainda que fosse visível seria impossível determinar a intensidade com que o bastão, a mão, o pé ou seja o que for, atinge o meliante. Nada garante que, a ter-se verificado contacto, ele tenha sido intencional ou, mesmo que tenha ocorrido, tivesse sido suficientemente forte para poder ser considerado agressão. Pode – e nada garante o contrário – ter-se tratado apenas de uma carícia. Mais intempestiva, mas ainda assim uma carícia.
Mas, confesso, seja o que for que tenha acontecido, pouco me importa. Se bateram, ainda bem. Se não bateram, tivessem batido. Num meliante bate-se sempre. Mesmo que não se saiba porque se lhe bate, ele sabe de certeza porque apanha. Estranho, no entanto, o nebuloso critério jornalístico que leva os canais televisivos a repetir vezes sem conta estas imagens. Filmes desta natureza, captados por câmaras de vigilância ou filmados por cidadãos em que as vitimas de ataques são pessoas comuns e os agressores são os milhões de invasores que já estão em solo europeu, são publicados diariamente às centenas na Internet e nenhuma televisão os mostra sequer uma vez. Vá lá saber-se porquê. Ou melhor, todos sabemos porquê.