Ainda me lembro daquele tempo, quando a direita bafienta governou e como consequência disso as trevas se abateram sobre a terra, em que as mulheres tinham a mania de dar à luz em ambulâncias, as criancinhas desmaiavam de fome nas escolas e os adultos nas filas dos centros de emprego, o SNS estava à beira da rotura, os serviços públicos prestes a sucumbir e os transportes incapazes de satisfazer as necessidades da população. Gritámos, então, que queríamos as nossas vidas de volta, criámos comissões de utentes e cantámos a “Grândola”. Felizmente fez-se luz. O céu azul paira sobre as nossas cabeças e pelas narinas entra-nos o fresco aroma do pinho. As comissões de utentes levaram sumiço e as grandoladas passaram à história. O que mudou, entretanto? Nada. Mas fizeram-nos acreditar que sim. Foi o suficiente para nos convencermos que o sol brilhará para todos nós. Já acreditámos nisso em 1975. Com o resultado que se viu.
terça-feira, 27 de novembro de 2018
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018
E uma Grandolada, não vai?!

Desde ontem que anda para aí uma chinfrineira do camandro por causa da Caixa Geral de Depósitos ir aumentar, outra vez, as comissões bancárias que cobra aos seus clientes. Mas não passa disso. De chinfrineira. De basqueiro, vá. Daquele inconsequente. Noutros tempos teríamos grandoladas à porta das agências com melhor enquadramento televisivo e declarações acesas contra aquela mania – coisa de antanho, como sabemos – de pôr o povo a pagar os prejuízos da banca.
Hoje, como sociedade menos crispada que nos orgulhamos de ser, os indignados de serviço apenas lamentam a penalização que estas taxas representam para os jovens e para os idosos. Nomeadamente quando tiverem de pagar um euro por cada levantamento de dinheiro efectuado ao balcão. Até parece que todos os outros clientes não vão pagar. Uma tristeza, estes indignados. Não cantam, indignam-se selectivamente e agora até lhes dá para a discriminação em função da idade.