quarta-feira, 4 de março de 2026

O Alentejo segundo um especialista em coisa nenhuma

 


As anedotas e piadolas parvas sobre os alentejanos quase desapareceram do espaço público. Não porque quem as dizia tenha ficado subitamente mais inteligente ou empático, mas porque deve ter percebido que isso hoje dá direito a rótulo, processo e talvez um workshop obrigatório sobre sentimentos. Já não dizem que somos madriões ou estúpidos. Agora é mais sofisticado. Somos pobres, suicidas, racistas e radicais. Uma evolução notável, convenhamos.

Presumo — embora não tenha a certeza, porque não li o artigo — que tudo isto esteja solidamente sustentado em estatísticas. Daquelas elaboradas a partir de números recolhidos por verdadeiros especialistas, especialmente especializados nas mais especiais especialidades. Algo ao nível daquele “rapazinho especial” que assina o artigo, doutorado em generalizações apressadas e mestrado em desprezo regional.

Sou alentejano, quase toda a vida vivi no Alentejo e lamento desapontar este coisinho, mas não possuo nenhum dos defeitos que o infeliz escriba aponta aos alentejanos. Nem eu, nem a esmagadora maioria de quem aqui mora. Embora, reconheço facilmente, que antes do café até eu posso parecer radical. Gente como a que a criatura descreve existe em todo o lado. Aqui, onde ele vive e, com grande probabilidade, pelo caminho que faz todos os dias até ao espelho.

Dizer que os alentejanos são pobres e suicidas é de uma indigência mental comparável a afirmar que os lisboetas são todos ricos e criminosos. É simples, é preguiçoso e dá muito pouco trabalho a quem escreve. Mas se ele quer insistir nisso, é lá com ele. Cada um lida com as suas limitações como pode.

Quanto à parte do racista e radical, aquela velha máxima do “quem diz é quem é” assenta aqui que nem uma luva. Esta meia dúzia de linhas não deixa muitas dúvidas. A única que fica é o que raio lhe terá acontecido na vida para carregar tamanho ressentimento contra o Alentejo e os alentejanos.

4 comentários:

  1. Anónimo3:46 p.m.

    Quem escreve estas barbaridades só pode ser um deprimente e um triste, que nasceu e vive numa terra sem " Sol" nem liberdade de vaguear em campos infinitos! e com a mania de intelectual.

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  2. Esse Henrique Raposo nunca pôs os pés no Alentejo, só assim se justifica as alarvidades ditas. Palerma!

    Saudações alentejanas, com muito gosto.

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    1. A proliferação de gente desta a comentar e a escrever na comunicação social explica em grande parte o estado de falência da mesma. Uns miseráveis, a maior parte deles. E este não passa de um badalhoco.

      Cumprimentos

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