terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Especulações

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Diz que existe uma crise qualquer no sector da habitação. Parece que não há casas disponíveis para arrendar, ou lá o que é. A culpa, como não podia deixar de ser, é do Passos. Consta que foi na sequência da chamada “Lei Cristas” que a desgraça se instalou. Daí para cá arrendar uma casa num sitio jeitoso constitui um suplicio financeiro, garantem os entendidos no assunto.


Por mim, que não percebo nada de imobiliário, limito-me a citar a minha avó. Nem todos podem morar na praça, dizia a velhota. Ou então, acrescento eu, há que fazer opções. Sacrifícios, como se dizia noutros tempos. Mas isso, receio, é um conceito desconhecido para a esmagadora maioria. Do que lhes sobeja conhecimento é acerca das soluções para o alegado problema habitacional. Passam todas por “proibir”, “limitar”, “impedir” ou “penalizar” os legítimos proprietários e por o Estado facilitar tudo e mais alguma aos aspirantes a inquilino.


Soluções como a da imagem que acompanha este post agradarão a muitos. Mas isso ainda que com outro nome, não sei se o pagode se lembra, era mais ou menos o que existia antes da tal lei do tempo do Passos. Provavelmente também já ninguém se recordará que, até então, os centros das cidades estavam a cair aos pedaços. Como, de resto, ainda estão na generalidade das localidades do interior, onde não há gente que possa rentabilizar a recuperação desses imóveis. Nem gente, nem Robles. Mas isto, claro, sou só eu a especular.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Os amanhãs que cantam da Bloca

Nem sei por que me dou a esse exercício, mas na falta de outra ocupação deu-me para ler as propostas eleitorais do Bloco de Esquerda. Que aquilo é um conjunto de alucinados, não constitui novidade nenhuma. Que apenas gente igualmente desprovida de bom senso vota naquela organização de malucos, também não. Daí que o arrazoado que aquele bando enjorcou para levar meia dúzia de papalvos a votar neles não passe de “tiradas” bacocas e, simultaneamente, confirme o ódio que aquelas criaturas têm pela liberdade.


No âmbito das bacoquice destacaria a intenção de “transformar Portugal num país feminista”. Não sei se tal propósito violará ou não algum preceito constitucional, que dessas coisas não percebo nada, ou se será apenas mais uma idiotice da Bloca. Também aquela cena de pretenderem “salvar o Serviço Nacional de Saúde” se afigura assim a modos que estranha e, quiçá até, reveladora de uma preocupante falta de memória da malta que redigiu o programa. É que nos últimos seis anos (seis, porra, seis anos!!!) foram eles que apoiaram o governo que, pelos vistos, andou a destruir o SNS.


O resto da lista não é melhor. Inclui, entre outras propostas, tirar os velhinhos dos lares e colocá-los em casa onde seriam cuidados por funcionários do Estado (ia ser uma coisa linda de ser ver, ia), limitar os valores das rendas e estabelecer um período mínimo de cinco anos para um contrato de arrendamento. Mesmo que o inquilino só queira ficar um ano terá de pagar os cinco, presumo.


E é nisto que uns quantos milhares – poucos, espero - de portugueses irão votar daqui por um mês. O voto de um demente valer o mesmo dos outros é, talvez, maior custo da democracia.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

Existe "contentor B"...

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Se há coisa que me aborrece é gente preguiçosa, desmazelada ou que se está nas tintas para respeitar regras básicas. Daquelas que até um animal minimamente treinado consegue cumprir. É por isso que deparar-me com cenas destas faz subir uma coisa por mim acima e descer outra por mim abaixo que, ao encontrarem-se a meio caminho, me deixa completamente possesso. Estes burgessos nem estão para andar uns míseros dez passos e deixar o papelão no sitio certo. Fica logo ali. E depois são finos, defendem o ambiente e o camandro. Andar até ao “contentor B” é que tá quieto...

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

A ocasião faz o ladrão e a oportunidade faz o oportunista...

O tal Rendeiro pode até ser um patifório da pior espécie. Terá - alegada ou comprovadamente, – tratado de se abotoar com cenas que não seriam suas. Pode, em suma, tratar-se de um meliante que merece apodrecer na choça. Disso, reitero o que escrevi noutro post aqui há atrasado, nada sei. O que sei é que não conheço ninguém que tivesse tido conta no BPP, o banco onde o cavalheiro em causa terá praticado as alegadas manigâncias. O que também julgo saber, na sequência da premissa anterior, é que os clientes daquela instituição seriam todos gente cheia de graveto. O que eu e toda a gente igualmente sabe é que outros patifórios que terão igualmente gamado muito dinheiro, seja ao Estado ou a criaturas menos endinheiradas, continuam a pavonear-se por aí. Se calhar, mas isso devo ser eu a divagar, às tantas o homem teve azar com as vitimas.


É provável que tenha igualmente tido falta de sorte com a data das eleições, como sugere o Rio. Não sou de intrigas nem, muito menos, adepto de teorias da conspiração, mas ouvir a reacção entusiástica da pequena líder do Bloco de Esquerda às noticias da prisão do ex-banqueiro deixou-me com a pulga atrás da orelha. Aquilo, a menos que ela tivesse bebido ou fumado qualquer cena marada, não foi normal. Não reagiu assim quando detiveram o Sócrates, o Berardo ou o Vieira. Pessoas pelas quais, presumo, nutrirá igual desprezo. Afinal, entre este e os outros, a diferença traduz-se em quê, mesmo? Na oportunidade. Que, por norma, faz o oportunista.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Se não é arte...bem que podia ser!

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O 4L foi um dos mais icónicos modelos produzidos pela Renault. Aquilo tinha uma durabilidade que nunca mais acabava. Tanta que, inclusivamente, chegou a participar no Paris-Dakar. Era um carrito resiliente usado por gente igualmente resiliente, dirão os letrados em matéria automobilística que apreciem o linguarejar moderno.


Foram muitíssimos – ainda são alguns – os que circularam pelas estradas e campos do Alentejo. Daí que me pareça extremamente bem esgalhada a ideia de, em jeito de homenagem ao automóvel e aos seu utilizadores, enquadrar um exemplar daquele modelo neste espaço urbano. Não sei se a coisa envolve ou não algum conceito de arte. Pouco me importa. Gosto de o ver ali e isso chega-me. Só receio é que aquilo ainda fique conhecido pelo parque “Fór éle”. Detesto estrangeirismos...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Iluminações de Natal

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O país está outra vez cheio de luzinhas de Natal. Não é que ache mal. Antes pelo contrário. Acho até uma coisa catita. Só não sei é se vale a pena. Nomeadamente numa altura em que tanto se fala, escreve e protesta contra o preço da eletricidade e se reclama dos recursos usados para a produzir. Depois há, também, a questão da desertificação dos centros urbanos - onde todas essas luzes são colocadas – e que na esmagadora maioria das localidades são zonas praticamente desertas durante quase todo o tempo em que a iluminação está ligada. Já é tempo de alguém inventar um sistema em que aquela parafernália de lâmpadas só acende quando alguém for a passar. Poupava-se uma fortuna. 

sábado, 4 de dezembro de 2021

Já lançavam um imposto, uma taxa ou o que fosse...

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Já me faltam as palavras para adjectivar o comportamento das pessoinhas que, mesmo habitando em zonas urbanas, insistem em ter um canito. Como se o bicho fosse um brinquedo ou a sua posse constituísse uma espécie de necessidade qualquer. Depois dá nisto. Merda por todo o lado.


Agora que tanto se fala da transição energética e dos muitos milhões que vão ser precisos para a financiar, seria uma boa altura para acabar com os benefícios fiscais concedidos aos donos da bicharada. Mais do que isso, se este é o momento em que se apela ao reforço da tributação sobre as fontes poluidoras então, por maioria de razão, quem possui animais domésticos devia ser chamado a contribuir para o esforço fiscal que vai ser preciso fazer para manter o planeta o mais saudável possível. É que isto, já dizia a minha avó, quem quer ter gostos que os pague. Taxar o luxo, o supérfluo e o desnecessário parece-me da mais elementar justiça.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Agricultura da crise

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Estão feitas as primeiras sementeiras e plantações de inverno. Dali brotarão, nomeadamente, vegetais. Espera-se. Se sair outra cena qualquer será, para além de assaz estranho, motivo para equacionar a ocorrência de um fenómeno de difícil explicação. Coisa que, de resto, caracteriza quase todos os fenómenos. Se isso acontecer a culpa terá de ser imputada ao gajo que me vendeu as sementes. Ou, até mesmo, a essas multinacionais do grande capital que, alegadamente, andarão a fazer umas manigâncias quaisquer com as sementes. Por mim, desde que vejo ervilhas cor-de-rosa, já acredito em tudo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Não gostam do deserto...preferem a selva!

Diz que o programa engendrado pelo governo para atrair novos moradores para o interior não teve procura. Nem um, ao que parece. Pouco me admira. Nem, a bem dizer, acho que tal programa faça sentido. Eles que fiquem lá pelo litoral e venham cá só ao fim de semana deixar os euros. Somos todos muito mais felizes assim. Até porque, quando se junta por aqui muita dessa malta, sou o primeiro a achar que ainda não existe desertificação suficiente.


Se o governo pretende povoar o interior – e não estou convencido que queira – podia, em primeiro lugar, tentar manter os que cá vivem. Nomeadamente através de uma fiscalidade mais favorável para cidadãos e empresas. Caso as taxas de IRS e IRC, para sempre e para todos, fossem metade ou um terço do que se paga no litoral era capaz de haver que colocasse a hipótese de vir viver para cá ou, os que cá estão, não abalarem. Como há tão pouca gente, o impacto fiscal seguramente não seria de grande relevância.


Depois uma política de imigração à séria. Que traga para cá muita gente. Nomeadamente daquela cheia de dinheiro e da outra que o quer ganhar a trabalhar. Mas isso, está quieto. Nenhum desses interessa. O que interessa trazer é malta para viver do subsidio e que, também ela, fica no litoral.

domingo, 28 de novembro de 2021

Deixem-se de pieguices, sejam resilientes

O que têm em comum Marta Temido e Passos Coelho? Pouca coisa, aparentemente. A não ser a capacidade de irritar, cada um deles, uma parte significativa dos portugueses.


Ainda me lembro do tempo em que Passos Coelho sugeriu aos portugueses que procurassem trabalho noutro lado. Que emigrassem, já que por cá não encontravam o emprego e a remuneração que pretendiam. A sugestão provocou um verdadeiro escândalo – um rasgar de vestes, diria – entre uma certa esquerda que, por acaso, até mostra um especial carinho pela mobilidade humana e nutre uma indisfarçável simpatia pelos movimentos migratórios em direcção a ocidente de gente que, garantem, apenas pretende uma vida melhor. Pessoas que, no fundo, seguem os conselhos dos “Passos” do respectivo país. Nada que a mim, habituado desde pequeno a apreciar a coerência da esquerda, me surpreenda por aí além.


Marta Temido, um dia destes, sugeriu o contrário do então primeiro-ministro. Criticou quem procura um ordenado melhor e sugeriu até que o SNS devia recrutar pessoas que se contentem em ganhar menos do que aquilo que, muito legitimamente, podem auferir noutro lado. Da canhota – sinistra, como dizem os italianos e eles lá saberão porquê – nem um pio. Nem admira. Eles gostam é de salários mínimos. Preferem um país onde todos ganhem e vivam de acordo com aquilo que o Estado determinar.


São dois conceitos de sociedade diametralmente opostos. Os portugueses, parece inequívoco, revêem-se maioritariamente no modelo defendido pela doutora Temido. Em resultado disso seremos, não tarda, o país mais pobre da União Europeia. Mas, ao menos, poderemos dizer todos ufanos que somos pobretes mas resilientes.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

É preciso ter lata!

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Esta coisa da luta climática, da protecção do  planeta, do combate ao desperdício e de outras causas aparentadas faz-me espécie. Percebo que se encerre uma central a carvão e se opte por comprar electricidade produzida noutra central a carvão se esta última estiver lá longe. Também compreendo que o preço dos combustíveis tenha de reflectir o seu impacto no ambiente enquanto, ao mesmo tempo, se admite que uma viagem de avião de Lisboa para outra capital europeia custe quinze ou vinte euros. Mais ou menos o mesmo do que um bilhete de autocarro entre Estremoz e Lisboa. Deve ser porque os “aeroplanos” de agora são muito económicos. Ou desengatam nas descidas, se calhar. Até o fim dos sacos, das palhinhas e dos talheres de plástico não se me afigura de todo desapropriado. Tratei atempadamente de constituir um stock apreciável destes itens que me permitirá continuar a usufruir deles durante muito tempo.


O que verdadeiramente me aborrece é o tamanho desmesurado das embalagens face ao conteúdo das mesmas. Um gajo compra uma “lata” de não sei quê e vai daí aquilo vem meio. Agora imagine-se isto em milhões de latas. Um atentado à mãe-natureza e um esbanjamento inqualificável dos recursos do planeta, é o que é. Está mal, pá. Isto, digo eu, é coisa para roubar a infância a qualquer catraio. Até eu me sinto roubado!

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Deixem o desgraçado em paz, pá!

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Serei dos poucos portugueses que não dizem do ex-banqueiro Rendeiro aquilo que Maomé não diz do toucinho. Nem, sequer, ainda disse ou escrevi umas pretensas graçolas mais ou menos jocosas acerca do seu rocambolesco sumiço. Nem pretendo fazê-lo. O homem, coitado, não merece. Pode, até, ter praticado umas quantas patifarias, ludibriado uma quantidade apreciável de gente e levado a efeito um determinado número de manigâncias. Os tribunais, diz, já terão concluído que sim pelo menos relativamente a umas tantas dessas proezas.


Não é que nutra qualquer estima ou apreço pela criatura. Mas, convenhamos, o agora fugitivo à justiça e auto candidato a indulto presidencial também foi bem enganado. Isto a ser verdade aquilo que as tv´s um destes dias nos mostraram. O que aparece na imagem acima será, ao que noticiaram, um quadro. Tratar-se-á de uma pintura – uma obra de arte, alegam - de um artista qualquer que o tal Rendeiro terá adquirido por umas centenas de milhares de euros. Nem é preciso ser crítico de arte para topar que o senhor foi burlado. Aquilo toda a gente vê logo que são uns rabiscos manhosos, feitos por um espertalhão qualquer, para sacar graveto aos desgraçados que querem parecer cultos. E se aquele é assim o que serão os outros. Não admira pois que a Maria não saiba onde os pôs. A mim acontece-me o mesmo. Nunca me lembro onde arrumo a tralha.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

O vento não foi, certamente...

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Ao que dei conta a noite passada não terá sido particularmente ventosa ao ponto de derrubar o quer que seja nem, aqui pelas redondezas, os meliantes se dedicam a práticas que envolvam um esforço físico significativo. Daí que o facto de o contentor do lixo estar de pantanas esta manhã se deverá a um qualquer acidente envolvendo, provavelmente, algum dos muitos “recicladores” que por aí cirandam. Aquilo é malta que revolve tudo. Inclusivamente chegam a meter-se lá dentro à procura de algo que, para eles, tenha algum valor. Não é que condene a prática mas, ao menos, podiam arrumar tudo outra vez. Tempo para isso é coisa que não lhes deve faltar.

domingo, 21 de novembro de 2021

Baixar os impostos aos que não pagam impostos é que era uma grande ideia...

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Estamos naquela época do ano em que, por todo o país, os municípios fixam, dentre os cinco por cento que lhes pertencem, a parte do IRS que pretendem receber. Ou, vendo a coisa pelo lado mais prático, a percentagem do referido imposto de que abdicam a favor dos respectivos munícipes. Significa isso que o nosso rendimento é tributado consoante a vontade da autarquia a que pertencemos. Que é como quem diz, dos autarcas que elegemos.


Há muitos eleitos locais e fiscalistas de pacotilha que não concordam com este alivio fiscal. Estão, obviamente, no seu direito. Não devem é utilizar argumentos intelectualmente desonestos nem, depois, encher a boca em defesa de melhores salários ou passar o tempo a garantir que estão ao lado dos trabalhadores e do povo. Têm, reitero, todo o direito de achar que os impostos sobre os rendimentos estão bem como estão ou, até, deviam ser mais elevados. Assim de repente nada me ocorre que os impeça de defender isso mesmo. Ficava-lhes bem que o fizessem, em lugar de debitarem baboseiras acerca do nenhum beneficio que isso traz a quem não paga IRS. Seguindo esta lógica absolutamente parva, interrogo-me se também defendem a devolução dos dez cêntimos por litro de combustivel aos que não têm carro...

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Selvagens urbanos

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A canzoada está cada vez mais esquisita. Deve ser efeito da convivência cada vez mais intima com gente maluca que partilha casa e mais o que calha com os animais de estimação. Criaturas que, a bem dizer, vivem com os bichos e como os bichos. Deve ser por isso que, uns e outros, ostentam comportamentos cada vez mais estranhos. Os cães, por exemplo, cagam nos locais mais inusitados. A um deles deu-lhe para arrear o calhau no para-choques de um automóvel. Uma obra de arte, quase, que não escapou ao perspicaz olhar do repórter “Kruzes” no local nem, de certeza, passará despercebida ao azarado automobilista. Uma merda, isto de sermos obrigados a aturar pessoas que deviam viver na selva, é o que é. 

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

As piadas sobre os portugueses são tão giras, não são?

Um bocado parva aquela lei do governo que proíbe o contacto entre empregador e empregado - e vice versa, se calhar - para lá do horário de trabalho. Verdade que o tempo de descanso de cada um deve ser respeitado, mas chegar ao ponto de fazer uma lei nestes termos parece-me igualmente abusivo. É que, a continuar assim, um dia destes acordamos e temos todos os aspectos da nossa vida laboral e social regulamentados pelo governo. Desde o temos que podemos estar no wc até à obrigatoriedade de apanhar sol um período mínimo do dia.


Como seria de esperar esta proibição motivou a risota de muita gente além-fronteiras. E, como também não podia deixar de ser, levou a que fossem proferidos comentários jocosos acerca de Portugal e dos portugueses. Coisa que – vá lá saber-se porquê – deixou os tugas extremamente irritados. Sinceramente não vejo razão para tanta indignação com as piadolas dos estrangeiros a nosso respeito. É que eu ainda sou do tempo em que dizer graçolas acerca de alentejanos e da nossa alegada pouca apetência para o trabalho, constituía uma espécie de desporto nacional. Aceitar ser alvo de chacota era, até, visto como um sinal de inteligência e reclamar desses dichotes – como fiz em inúmeras ocasiões – um sintoma de ausência dela. E de sentido de humor também, esclareceram-me outros mais benevolentes com a minha azia em relação às anedotas de alentejanos.


Por isso, caros compatriotas, encaixem o gozo da estrangeirada. Sejam inteligentes, tenham sentido de humor e saibam rir de vós próprios. É, afinal, apenas colocar em prática aquilo que durante tantos anos aconselharam outros a fazer.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Novos ricos, novas modas.

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Por acaso não. Tornar-me vegetariano foi coisa que nunca me ocorreu. Já tive, reconheço, muitas ideias parvas, mas equacionar a possibilidade de deixar de comer carne não está entre elas. Isto é mais uma cena que assiste a meninos mimados e a gente que da vida, como diria a minha avó, não sabe o que é peixe-agulha.


Quando leio ou ouço mensagens deste tipo recordo-me sempre de, em criança, apenas comer carne por altura da matança do porco ou frango aos domingos. E outros nem isso. Chegou-me esse tempo em que fui semi-vegetariano à força. Daí que nutra por gentinha desta estirpe um profundo desprezo. Eles que façam a alimentação que quiserem, mas não aborreçam. É que isto fazer opções, mesmo as mais idiotas, é sempre mais fácil de carteira cheia do que de barriga vazia.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

E para limpar, não se mobilizam?

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Felizmente não é frequente o aparecimento de animais errantes aqui pelo bairro. Daqueles que os donos – tutores, na novilíngua dos malucos que mandam nisto tudo, agora são isso – abandonam à sua sorte quando deles se enfastiam. Mas basta aparecer um, seja cão ou gato, para o mulherio se mobilizar com o intuito de proporcionar o conforto possível ao bicho. O que, apesar de pouco conforme com normas, regulamentos e bom senso em geral, não me parece mal de todo. Há coisas piores. Até porque um animal a viver em condições desumanas devia-nos envergonhar a todos, como dizia um dias destes uma jornalistazeca da televisão.


Mas - isto há sempre um mas - as diligentes protectoras da bicharada deixada ao Deus dará podiam evidenciar um pouco mais o seu sentido cívico. Nomeadamente limpando a porcaria que os seus protegidos vão deixando na área circundante. Era bonito.

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Parcerias

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O turismo constitui um sector importantíssimo para o país. Convém, portanto, que recupere rapidamente. Será, de certeza, bom para todos. E, ao que se vê, os empresários do sector estão a apostar tudo e mais um par de botas na retoma. Ele são descontos, promoções e ofertas variadas. Tudo, está bem de ver, para conquistar mais clientes. Há até quem promova a oferta de outro parceiro aos hospedes. O que, assim de repente, não me parece mal. Nisto dos negócios as parcerias costumam contribuir para a dinamização dos mesmos. Principalmente quando satisfazem todos os parceiros.

domingo, 7 de novembro de 2021

Não há?! Não os procuram...

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Leio no semanário Sol desta semana que a pousada de Estremoz não reabre portas por escassez de mão de obra. Leio também, nos muitos comentários a esta noticia, que a culpa de não encontrarem pessoal para trabalhar terá a ver com os baixos salários praticados. Todos - não tenho motivo nenhum para pensar o contrário – terão razão. Há apenas um graozinho nesta engrenagem de causas e consequências que me está a atazanar. É que a autarquia cá da terra não teve problema nenhum em, nos últimos anos, recrutar mais de cem pessoas a ganhar o salário mínimo, nem nenhuma dessa centena de pessoas teve qualquer espécie de problema em aceitar um emprego a auferir a retribuição mínima. Das duas uma. Ou foram todos para a Câmara e agora não sobeja ninguém para trabalhar nas empresas, que é onde se produz a riqueza que permite pagar os vencimentos da função pública, ou, então, os donos daquela chafarica não estarão muito interessados em voltar à actividade. Aliás, se estivessem já teriam trazido brasileiros, asiáticos ou africanos. E só não digo europeus de leste, como faziam há vinte anos atrás, porque quase todos esses países já nos ultrapassaram em termos de riqueza.


Um dos comentários que li acerca desta noticia alguém sugeria que o município tomasse conta daquilo. Uma boa ideia, essa. Pelo menos candidatos a ir para lá de certeza que não iam faltar. E se assim fosse, a julgar por amostras públicas e visíveis, aquilo era coisa para gerar para aí uns duzentos empregos. Ou mais.

sábado, 6 de novembro de 2021

Miúfa da direita

Uma deputada afirmar em pleno debate parlamentar que todas as mulheres têm medo físico da direita, podia constituir apenas um pretexto para fazer uma quantidade de piadolas brejeiras de gosto duvidoso. Ou, no caso da família, recorrer a serviço medico especializado no sentido de, se ainda for a tempo, lhe recuperar a saúde. Tratando-se de uma destacada deputada da maioria que apoia o governo o caso suscita alguma inquietação. Não tanto pela declaração destrabelhada da senhora. A isso já estamos habituados. Mas, isso sim, pela “qualidade” das pessoas que decidem sobre as nossas vidas. Afirmações deste tipo dizem muito acerca do estado a que chegámos. Voltar a integra-la na lista de candidatos a deputados e, pior ainda, reelegê-la dirá também muito acerca de quem a candidatar e de quem contribuir para a sua reeleição.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Apanhados do clima

Longe de mim pretender negar seja o que for em matéria de alterações climáticas. Apesar de, também entre os cientistas, isso não ser assunto consensual. Essas coisas eles é que estudaram, leram os livros e, portanto, eles que opinem. Mas lá que não gosto dos activistas dessas causas, isso não gosto. Nem, tão pouco, consigo aceitar como boas as ideias de criaturas que – maneira geral – têm mau aspecto, berram nas ruas, ameaçam partir tudo e reivindicam opções que nos levariam num ápice à miséria e à fome generalizada.


Desconheço se existe – muita gente afiança que sim – uma agenda oculta por detrás de todos estes movimentos alegadamente ambientalistas e de pessoas aparentemente preocupadas com o clima. Será, provavelmente, apenas uma teoria da conspiração, que é um peditório para o qual não dou. O certo é que à conta disso vão aparecendo novos impostos, vão sendo criadas proibições que até à alguns anos julgávamos impensáveis e vão-nos impingindo novos hábitos até agora apenas seguidos por meia-dúzia de malucos. Enquanto isso, por cá, generalizar o uso de painéis solares por parte do cidadão comum, transportes públicos de qualidade em todo o território ou plantação de árvores nas localidades – nomeadamente no Alentejo – é cena que não assiste a quem manda nem, sequer, a quem reivindica.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Escavacar o mensageiro

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As noticias nos últimos tempos não têm sido as melhores. Para alguns, que isto o que é mau para uns não é necessariamente ruim para outros. O dono deste aparelho estará, quase de certeza, incluído no primeiro grupo. Mas, como sempre acontece, matar o mensageiro constitui uma má opção. Ainda que alguns mensageiros mereçam tal sorte. Mas isto sou eu a imaginar que o triste fim do televisor se deveu a uma súbita irritação do proprietário pela queda da geringonça, pelo golo que deu o empate ao Estoril ou outro acontecimento igualmente inesperado. Se foi isso tratou-se de uma tonteria. Só um tonto se surpreenderia com o desfecho de um ou do outro cenário.


 

domingo, 24 de outubro de 2021

A Merkel agora é boazinha?!


 


Comovente a despedida que tem sido feita à Merkel. Hoje praticamente toda a gente elogia a senhora. Até aqueles que, ainda não há assim tanto tempo, apoiavam cartazes tão bonitos como estes.


Isto de um gajo se esquecer das coisas não é maleita que afecta apenas o Salgado. Políticos, comunicação social, comentadores, malta que manda postas de pescada nos blogues ou no Facebook e o povo em geral padecem do mesmo mal. Ou, se não perderam a memória, perderam a vergonha.


Ao que se sabe a governante alemã não alterou as suas opções políticas. Tanto quanto é público não mudou de partido e continua a defender o mesmo rumo para o seu país e para a Europa. Daí que esta mudança radical de opinião em relação à personagem se afigure absolutamente ridícula. Tanta adoração virá, presumo, da sua decisão de abrir as fronteiras alemãs aos refugiados. Independentemente da bondade - ou não - de tal decisão, julga-la apenas por isso, para além de ridículo, evidencia bem a inteligência de quem o faz.

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Os diabretes esquerdalhos do nosso contentamento

O governo tem andado numa roda viva para aprovar o orçamento. PCP, BE e PAN pedem e o Costa dá. Mais ou menos como aqueles putos irritantes a quem se dá a mão e os pirralhos querem tudo até ao ombro, assim são aqueles três pequenos partidos extremistas.


O pessoal, aparentemente, está a gostar. Não surpreende. É sempre assim o caminho para o socialismo. Mais tarde, quando chegar a conta, o saco de pancada – criminoso da pior espécie – será o “Passos” que na altura estiver do poder.


As medidas no sector laboral propostas por PCP e BE – excelentes do ponto de vista de quem tem emprego – fazem-me lembrar os tempos do PREC. Por essa altura eram os sindicatos que iam às herdades e impunham aos respectivos donos a contratação do número de trabalhadores que muito bem lhes dava na real gana. Mesmo que não fizessem falta nenhuma ou nem sequer houvesse qualquer trabalho para realizar, o agricultor, que até nem precisava de ser muito abastado, tinha de os aceitar e pagar o ordenado. Talvez num dos próximos orçamentos se lembrem de algo assim para combater o desemprego, integrar migrantes ou só por que sim. Isto, claro, se entretanto o diabo não aparecer por aí...

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Mas afinal somos ou não amiguinhos do ambiente?

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Não percebo tanto alarido à volta dos preços dos combustíveis. Nem, menos ainda, a admiração que a carestia dos ditos está a provocar. Tudo isto era de esperar. Pior – ou melhor, dependendo do ponto de vista – não vai ficar por aqui. Os combustíveis e tudo o resto. É que esta coisa de salvar o planeta custa dinheiro. Muito. E isto, reitero, é apenas o principio. Um destes dias o mesmo se passará com a alimentação. A taxação e as restrições à produção de alimentos alegadamente causadores de danos ao ambiente – que é como quem diz, aqueles que os pseudo-ambientalistas da treta não consomem – farão o resto.


Mas, escrevia eu, causa-me algum espanto a indignação que por aí ouço relativamente ao preço do gasóleo e da gasolina. A julgar pela minha vizinhança não deve fazer grande diferença. Poucos, para além de mim, são os que percorrem a pé os setecentos metros que nos separam do centro da cidade. Das duas uma. Ou ambas, vá. Ou não está assim tão cara ou aquilo é malta que gosta de pagar impostos. Podia acrescentar uma terceira, que seria não se preocuparem com o ambiente. Mas não. Até porque essa aplica-se mais a mim, o gajo que desdenha de ambientalistas e das causas ambientais.

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Fake coima

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Isto do “pesado” é um conceito muito relativo. Mesmo no âmbito da coima. Depende de quem paga. Cem euros para mim seria pesadíssima. Coisa, até, para me tirar o sono durante umas semanas. Para gente endinheirada, os mesmos cem euros, não passariam de uns trocos e tal penalidade não constituiria inquietação de maior.


Deve ser por isso e, também, pelo medo de desagradar aos eleitores que a generalidade das autarquias não aplicam coimas a ninguém. Muito menos das pesadas. A uns, coitados, ainda os atirava para a ruína financeira e a outros não aquecia nem arrefecia. Daí que, farto de ver lixo à porta, haja quem recorra a estas ameaças na tentativa de desmotivar os potenciais prevaricadores. Aparentemente resulta. Ainda que, para dar credibilidade à coisa, falte o brasão da Freguesia ou do Município. Fica a intenção. Boa, no caso.

domingo, 17 de outubro de 2021

Altos, louros...e pobres!

Cresci a ouvir citar a Suécia como um exemplo. Nomeadamente no que toca às condições de vida que proporcionava aos seus cidadãos. Ainda hoje muitos garantem que assim continua a ser. Mas, se calhar, essa conclusão é capaz se revelar manifestamente exagerada. Ou, como diz a camaradagem sempre que a conversa não lhes agrada, isso não é bem assim. Tanto que alguns habitantes daquele país escandinavo demandam Portugal – e até o Alentejo, uma zona pobre e onde o emprego escasseia – para se instalarem e obterem aquilo que a sua pátria não lhe dá. Sim que, por norma, são essas as principais causas que levam alguém a procurar uma vida melhor, para si e para os seus, noutro país.


Por mim, estou cansado de me repetir, toda esta gente é bem-vinda. Somos poucos, velhos e, muitos de nós, com pouca vontade de trabalhar. Precisamos desesperadamente de sangue novo. De quem trabalhe, financie a segurança social e, em suma, garanta o futuro do nosso Estado-social. Daí que me pareça muito mal que os corramos a chumbo, como fez aquele fulano ali para a Póvoa de São Miguel. Um crime de ódio racial contra uns suecos, ao que dizem as noticias. Vão ver o gajo não gosta de ter ao pé da porta pessoas altas e louras, com muitos filhos e cheias de ganas para vergar a mola. Manias.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Aquilo do holodomor foi apenas larica...

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Dizer que o capitalismo mata à fome vinte cinco mil pessoas por dia enquanto se nega a mortandade, agora e em diversas fases da história da humanidade, provocada pela falta de alimentos em diversos regimes comunistas, não tem importância de maior. Cada um, baseado em teorias mais ou menos rebuscadas construidas por si ou por outros da mesma súcia, diz o que quer e sobra-lhe tempo para mais. Por mim, limito-me a olha-los com pena e a desejar-lhes as melhoras. Preocupante é quando afirmações destas vêm de gente que se senta na mesa onde se discute o destino do país. Quem é como quem diz, o nosso. Afinal, ao contrário do que para os nossos antepassados era um dado adquirido, agora as vozes de burro chegam ao céu.

domingo, 10 de outubro de 2021

Praga de moralistas fiscais

Aquela cena dos “Pandora papers” e offshores em geral tem suscitado uma animada discussão. Seja na Internet ou fora dela. É sem surpresa que constato a existência de um inusitado número de especialistas na especialidade a debitar os mais deliciosos bitaites como se fossem verdades absolutamente indesmentíveis. Como aquele conceito extraordinário que – confesso a minha ignorância - me era completamente desconhecido e que envolve uma “obrigação moral de pagar impostos”. Deixemo-nos de tretas. Pagamos porque, tal como o nome indica, isso nos é imposto. Claro que os impostos são inevitáveis, mas quando os ditos ultrapassam o limite do razoável a obrigação moral será, quando muito, a de resistir ao seu pagamento. 


Admito que gosto de ouvir os moralistas de serviço acerca deste assunto. Nomeadamente alguns cá da terra. É ver as suas redes sociais ou ouvi-los por onde calha a barafustar contra esses malandros que tratam de colocar o seu dinheiro fora do alcance das garras do fisco. Atitude que condenam veementemente, como é óbvio. Claro que eles não são desses. É malta detentora de um elevado espírito patriótico e de uma moralidade a toda a prova. Especialmente no âmbito da fiscalidade. Só abrem uma excepção para ir ali a Badajoz comprar botijas de gás, abastecer o carro ou adquirir uma fatiota nova no “El Faro”...

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Quê...

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Não acredito! Pode lá ser! Vão ver é como diz o outro: “Isso não é bem assim...” Então o Estado, ainda mais nos últimos anos em que é governado à esquerda, ia lá fazer uma coisa dessas?! Tal como não o faria nenhuma daquelas autarquias onde este figurão tem uns “investimentos”. Decerto nenhum autarca terá tido o topete de conceder benefícios fiscais, ou criar as condições objectivas, subjectivas ou outras para o sujeito beneficiar de isenções no âmbito do IMI, IMT ou seja do que for. Se não o fazem para o IRS do comum dos cidadãos iam lá fazer para este gajo?! Mas tá tudo parvo ou o quê?! Podemos não gostar deles, mas temos de confiar na coerência e no sentido de justiça - e também do ridiculo, já agora - dos nossos politicos.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

T'arrenego, satanás! Vade retro, cenário macro-económico!

Afinal, contra todas as expectativas e ao contrário do que reiteradamente nos têm tentado convencer, o diabo continua a andar por aí. Agora, ao que parece, anda disfarçado de cenário macro-económico, ou não fosse o mafarrico um especialista na arte da dissimulação. É por causa dele, do belzebu, que este ano não há aumento de vencimento para a função pública. Tirando, claro, para aqueles que ganham o ordenado mínimo e para os desgraçados que o vão passar a auferir, engrossando assim o número cada vez maior de pobres. Aos outros, os que se vão aproximando cada vez mais da pobreza, ficam à espera que o SMN os apanhe para, então sim, terem direito a aumento.


Por mim não acho mal isso da ausência de crescimento salarial. Nem eu, nem a malta que noutras ocasiões reclamava até da pouca valorização do subsidio de refeição. Quando nesses tempos, para além do vencimento, o dito subsidio era actualizado em meia dúzia de cêntimos, não faltavam os defensores dos trabalhadores e do povo a bufar contra um aumento que nem dava para uma carcaça. Agora estão calados que nem ratos. Pior. Exultam por o funcionário que limpa a retrete já ganhar mais do que o colega que lhe processa o vencimento. Coisas do tinhoso. Ou do cenário macro-económico, que é mais democrático.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Cerejas, caroços e afins

Infame, a ser verdadeiro o vídeo que por aí circula, o comportamento daquela senhora forte que exerce o cargo de presidente de junta de freguesia. Aquilo incomoda qualquer um que se incomode com a falta de vergonha dos que escolhemos para nos representar. Mas, de uma ou de outra forma, é um “modus operandi” que, não constituindo regra entre os autarcas, se repete em demasia. Seja com cerejas ou com outra coisa qualquer. Só falta, naquele vídeo, a rechonchuda criatura afiançar que a culpa não é dela mas dos patifes dos funcionários que lhe estavam a enfiar a fruta pelo carro adentro e, por consequência, deviam ser eles a pagar a conta. Não constituiria, se o tivesse feito, nenhuma originalidade. Já outro tentou que lhe pagassem as “cerejas”. Parece é que se engasgou com os caroços...

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

No fim pagam os mesmos...

A ideia de tornar obrigatório o englobamento de todos os rendimentos para efeitos de IRS, defendida pela esquerda, não me parece descabida. Tem, pelo contrário, toda a lógica. É, de resto, uma opção que os contribuintes já hoje podem usar, caso isso lhes seja mais favorável. O problema está nas taxas do imposto. São um roubo. E o pior é que ninguém parece incomodado com isso. Está tudo anestesiado pela propaganda, gostam de ser roubados ou estão convencidos que isso apenas afecta os ricos. Que são, como se sabe, uns patifes que merecem ser exterminados. O que, a acontecer, tornará os pobres muito menos pobres e, simultaneamente, bastante mais felizes. Embora, para a nossa bitola, o rico seja o gajo que tem – ainda que só na aparência – um pouco mais do que nós.


O debate tem-se centrado, essencialmente, nos rendimentos prediais. Que, face à fraquissima remuneração do capital, serão o objectivo desta eventual alteração legislativa. Por mim, reitero, não se afigura despropositada. Rendimento é rendimento, seja lá qual for a proveniência. Desconfio é que as vitimas vão ser as do costume. Nomeadamente quem precisa de arrendar casa. É que não estou a ver alguém a prescindir do seu dinheiro para o entregar de mão beijada ao Estado. Será, como é óbvio, o inquilino a pagar a “factura”. Ele que agradeça à esquerda!

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Miséria engravatada

Tenho alguma dificuldade em perceber este frenesim esquerdista à volta do salário mínimo. É que, assim de repente, para além de aumentar o leque de subsidio-dependentes – o que é bom para os objectivos eleitorais da dita esquerda – não estou a ver em que medida o crescimento do SMN vai melhorar a vida seja de quem for. O dinheiro na carteira até pode ser mais, vai valer é bastante menos. Só um tolo acreditará que o aumento dos custos não terá, quase no imediato, reflexo nos preços nos bens de consumo o que, só por si, engolirá o generoso aumento oferecido pelo governo.


O objectivo, presumo, será encostar ainda mais a retribuição mínima ao salário médio e por esta via continuar a empobrecer o país. No caso os trabalhadores e povo, como diz o outro. Embora, como garantia um sindicalista, essa cena do salário médio não passe apenas de um conceito. Auferido por gente preconceituosa, calculo que tivesse vontade de acrescentar. Já quanto à intolerável carga fiscal que temos de suportar – quem trabalha, saliente-se – o homem nada disse. Nem precisava. Sei desde há muito que para os sindicatos existem trabalhadores de primeira e trabalhadores de segunda e os que, por enquanto, ainda estão acima do SMN não lhes interessam nada. É por isso que para mim os sindicalistas são todos iguais. Todos de terceira.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Autárquicas 2021

Surpreendentes, os resultados das autárquicas. Isto porque contrariaram, no que diz respeito a alguns municípios de maior dimensão, as sondagens e as opiniões de todos os opinadores de serviço. Prova que opinião pública e opinião publicada só muito raramente coincidem. E se Lisboa foi a surpresa maior, as perdas do PCP – que muitos insistem em incluir no lote dos resultados pouco expectáveis – não me parece que mereçam o mais pequeno espanto. A estranheza, a existir, será apenas por, apesar de tudo, os comunistas ainda exercerem o poder em quase uma vintena de autarquias.


Nestas eleições intervieram, directa ou indirectamente, um inusitado número de dinossauros do poder local. Intriga-me esta indómita vontade de exercer o poder. Nomeadamente aqueles que ou já tem idade para ter juízo, ou gozam de uma saúde física e financeira que lhes permite viverem a vida sem os aborrecimentos do exercício de um cargo que, em muitas circunstâncias, dá mais chatices do que outra coisa. Gente que governou anos a fio – dezenas, às vezes – e que, por uma qualquer razão que foge à minha compreensão, insiste em perpetuar-se no poder. Desconheço o que os move mas, seguramente, não será apenas a nobre missão de bem servir o povo. Deve ser, se calhar, a vontade de morrer presidente. Como a que parece assistir ao agora eleito presidente de um município vizinho que, aos setenta e seis anos e após uma extensa carreira política, voltou a ocupar a cadeira do poder. Por cá, há quem garanta ser provável que alguém, num futuro próximo, lhe siga o exemplo. Talvez. Mas se isso acontecer, a vergonha – ou falta dela – não será só dele. Será, principalmente, nossa.

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Santos e pecadores

Desta vez tenho seguido com especial atenção, como gajo atento a estas coisas da política, a propaganda eleitoral dos diversos candidatos aos órgãos autárquicos cá da terra. Nomeadamente ao que se vai publicando nas redes sociais. A julgar pelas muitas fotografias que o partido – movimento, ou lá o que é - no poder foi divulgando, parece que, nos últimos doze anos, foi feita obra até mais não. E, se calhar, foi mesmo. Se eles dizem, não sou eu que os vou contrariar. Do que tenho a certeza é que no meu bairro, nesta dúzia de anos, não fizeram coisíssima nenhuma. Nada. Népia. Nem sequer, assim que me lembre, plantaram uma árvore. Ou, ao menos, um arbusto, vá. Isto apesar do líder espiritual deles e de mais uns quantos discípulos habitarem aqui. Deve ter a ver com aquela reconhecida incapacidade dos santos de ao pé da porta...

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

E um dia europeu sem activistas, não se arranja?

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Simpatizo muito pouco com as causas ambientais. Principalmente quando a alegada luta dos chamados activistas se transforma numa espécie de palhaçada inconsequente. Como, por exemplo, o dia europeu sem carros. Data que, felizmente, de há uns anos a esta parte passa praticamente despercebida. Não sou, de forma nenhuma, um adepto do automóvel. Sempre que posso – e posso muita vez – ando a pé. A principal razão para o fazer é que não gosto de pagar impostos. É uma coisa que me aborrece e da qual fujo como o diabo da cruz.


Ora o automóvel constitui uma importante fonte de financiamento do país. Se todos seguissem o meu exemplo ou as exigências dos apanhados do clima fossem aplicadas, a receita pública teria uma quebra significativa e tudo aquilo que são as funções do Estado seria colocado em causa. Convinha, portanto, que houvesse juízo. Que isto o capitalismo não é verde mas os activismos bacocos, especialmente em matérias ambientais, põem as contas públicas no vermelho.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Uma questão de papel

Muito papel – de boa qualidade, diga-se – já me deram nestas autárquicas. Mais no que em eventos análogos realizados anteriormente, acho eu assim à primeira vista. Deve ser pela quantidade de candidatos. É que, sem ofensa para ninguém muito menos para os candidatos, são sete cães a um osso. Daqueles que apetece chupar até ao tutano, ao que parece. Tanto assim é que quem o tem abocanhado faz o que pode para o manter entre os dentes.


Mas, dizia eu, isto é papel até mais não. Sem necessidade. Excepto, quiçá, para os colecionadores. Se é que os há. Embora entre a vizinhança haja quem garanta que é material do bom para forrar o balde do lixo. Nomeadamente agora, que o plástico começa a rarear. De resto, quem lê um lê todos. É que isto nem promessas de jeito temos para apreciar. Eu já nem digo o teleférico do Rossio até ao Castelo, o centro de acolhimento a investidores de outros planetas ou mais um investimento chinês qualquer. Contentava-me que alguém se propusesse abdicar da totalidade do IRS que cabe à autarquia. Menos de quinhentos mil euros em mais de vinte milhões – dados oficiais publicados no site do município – não devem fazer assim tanta diferença. Um presidente ganha isso em dez anos...

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Ainda alguém se lembra das gorduras do Estado?

Muito se falou e escreveu, noutros tempos, acerca das gorduras do Estado. Hoje, pelo contrário, o que está em permanência na ordem do dia é a excessiva magreza do dito. Até parece que foram removidas todas as adiposidades e, fruto de um qualquer zeloso nutricionista, o Estado ficou apenas com a pele e o osso. Só que não. Por mais que a propaganda oficial da esquerda comunista, bloquista, estado-dependente e outros malucos diversos nos queiram fazer acreditar, o Estado português fica a cada dia mais gordo.


Uma dessas gorduras, por sinal daquelas perigosas, é aquela coisa a que deram o sugestivo nome de “comissão para a igualdade contra a discriminação racial”. O tal comité que resolveu implicar com um cartaz de um partido político por, na sua opinião, conter uma mensagem discriminatória relativamente aos cidadãos chineses. Só porque usava a expressão em “Mao Maria” e lamentava o facto de os habitantes do concelho andarem à quarenta e cinco anos a “comer arroz”. Um piadola eleitoral, evidentemente, que desagradou aos comissários.


Lamentavelmente os ditos comissários não serão apenas uns macambúzios com pouco apreço por graçolas que envolvam regimes políticos apreciados pela esquerda. Numa breve vista de olhos pelo seu site, na parte onde publicam as decisões, aparentam ser um pouco mais do que isso. Assim quase uma espécie de grandes educadores do povo, no âmbito da linguagem. Para além de diversas coimas aplicadas a expressões usadas por espectadores de jogos de futebol – curiosamente, ou talvez não, nenhuma dirigida aos árbitros – também alguém foi devidamente punido por numa “situação de atendimento ocorrida num supermercado, em que o funcionário referiu a palavra “sapo” na comunicação com uma cliente, expressão suscetível de ofender pessoas pertencentes à comunidade cigana, consubstanciando uma prática discriminatória em razão da origem étnica na forma de assédio”. Da próxima vez que me perguntarem o endereço do blogue ou pedirem o e-mail, vou ter de olhar ao redor não vá alguém ouvir e ficar ofendido e queixar-se a essa gordura do Estado. Gordura vegetal, vá. Só para evitar discriminações, ofensas e assédios.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Gente que nem f*** nem sai de cima...

No Alentejo não se pode fazer nada sem que isso suscite a indignação dos patetas de Lisboa. Ou de outros. Agora até uns bacocos de uns alemães se insurgem contra explorações agrícolas do sudoeste alentejano. Como se não chegassem os que se irritam com a culturas intensivas, a criação de gado, o turismo no Alqueva, a caça, a pesca desportiva, os painéis solares e mais sei lá o quê. Para esta gente o Alentejo devia ser um deserto, sem nada nem ninguém. Apesar da voz destas alimárias ser cada vez mais escutada, não terão essa sorte. A vida é feita de ciclos. Uns melhores, outros piores. Acredito que o pior do ciclo mau desta região já tenha ficado para trás e que no futuro, com tudo isto que os urbano depressivos odeiam e muito mais, o Alentejo deixará de ser o parente pobre do país. E, principalmente, nunca será a reserva de “índios” que tanto anseiam por ter ao pé da porta. Num fundo são uns tristes. Daqueles que nem f**** nem saiem de cima, como diria o meu avô.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Perguntas parvas

Um candidato de esquerda a uma autarquia chama panasca a um adversário político, no caso de direita, igualmente candidato à mesma autarquia. Um destacado deputado tece considerações pouco abonatórias sobre a orientação sexual, recentemente revelada, de um eurodeputado do PSD. Uma ministra vai para um serviço público berrar com os funcionários. Sobre estas ocorrências já passaram alguns dias mas, até agora, ainda ninguém de esquerda piou. Onde andam os “colectivos” de defesa da maricagem?! Onde pára o Bloco de Esquerda? E aquela comissão, paga pelos nossos impostos, para a igualdade e cidadania, ou lá o que é, já processou alguém? O PCP e a CGTP já se puseram ao lado dos trabalhadores, condenando veementemente a prepotência e os métodos salazaristas da ministra? Nem sei para que estou para aqui a fazer perguntas parvas...já tenho idade para saber que as bichas boas são as de esquerda e que ministros prepotentes só no tempo do Passos.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Onde vota um votam todos?! Tá tudo parvo, é o que é...

Diz que o Ventura é o cabeça de lista do Chega à Assembleia Municipal de Moura. Provavelmente não vai ganhar. Nem, mesmo que vença, a sua eleição alterará o quer que seja. As assembleias municipais são órgãos de relevância muito limitada - quase decorativos, diria - limitando-se a sua competência a pouco mais do que aprovar ou rejeitar as propostas da câmara.


Haverá nesta candidatura, quando muito, um simbolismo bacoco. Aplicando a bacoquice do simbolismo que lhe atribuem aos dois lados. Os “pró” e os “anti”. Daí que me pareça absolutamente parvo, quiçá até ligeiramente anti-democrático e eventualmente a merecer uma intervenção da Comissão Nacional de Eleições, que os ciganos lá do sitio se juntem para decidir em conjunto o partido em que – todos – vão votar. O lema, ao que leio, será “onde vota um votam todos”.


O comportamento de manada é perigoso. Seja qual for o objectivo ou a fauna envolvida. No caso, dentro da comunidade em questão, haverá gente com opiniões e interesses diversos que, só por idiotice alinhará neste esquema. Se a ideia – legitima, diga-se – é que o peso eleitoral do dito candidato seja o menor possível, basta-lhes ir votar ao invés de, como é hábito da maioria daqueles cidadãos, ficarem em casa. Se todos, cada um de acordo com a sua livre escolha, votar noutro partido que não o Chega o resultado percentual deste será exactamente o mesmo. E ganha a democracia.

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Vai ser cá um crescimento do PIB na freguesia...ui, ui!

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Admito que por razões válidas – embora, assim de repente, não esteja a ver nenhuma – os candidatos aos órgãos políticos locais assumam a vontade de manter os impostos e taxas sobre os quais incide o seu poder de decisão, nos valores actuais. Ou por acharem que sãos os adequados, apenas porque sim ou, até mesmo, por simples demagogia populista.


O que já não admito – ou melhor, admito, que outro remédio tenho eu se não admitir – que existam forças políticas que nada propõem em matéria de IRS, mas prometem, caso cheguem ao poder, isentar os fregueses do pagamento da licença do canito. Por mim, obviamente, estou absolutamente contra. Por várias razões. Mas fico-me por duas. Uma é que esta licença, até por questões ambientais, devia ser muitíssimo mais cara e ser objecto de uma fiscalização digna desse nome. A outra é que esta borla não beneficia quem não tem cão e, outro aspecto a ter em conta, pode comprometer o apoio que a Junta deve providenciar aos cães vadios.

sábado, 4 de setembro de 2021

É só fumaça...

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Descarto qualquer hipótese de incluir no rol das minhas preocupações a possibilidade do céu se abater sobre a minha cabeça. Nem, sequer, tenho nenhuma espécie de temor que algum avião se despenhe em cima de mim. Mas lá que o espaço aéreo cá da zona estava hoje especialmente congestionado, lá isso estava. E, garanto, a imagem mostra apenas uma pequena parte dos rastos que, logo pela manhã, ainda eram visíveis. Ao contrário do que aconteceu durante meses, em que nada disto se via nos nossos céus. Sinal, mais um, de que felizmente a vida, tal como a conhecemos, está de regresso.

terça-feira, 31 de agosto de 2021

A eficácia da bazuca

Segundo um dos muitos estudos que todos os dias se publicam, a maioria dos portugueses desconfia da eficácia da chamada bazuca. Acham que os fundos europeus aplicados no PRR vão deixar tudo na mesma. Não estou, assim de repente, a ver nenhum motivo razoável para tanto cepticismo. Vai mudar alguma coisa, sim senhor. Vidas haverá que vão melhorar muito. Atente-se ao que aconteceu com os anteriores quadros comunitários e veja-se o quanto a vida de alguns melhorou nesse espaço temporal. É só ver onde moravam antes e onde moram agora, que carros tinham então e que automóveis têm hoje, onde petiscavam noutros tempos e onde se repastam nos dias que correm. Nada disso deve constituir surpresa. Nem, de resto, a evolução destes espécimes representa qualquer indicio de marosca. É apenas a vida, como diria o outro. Ou, como se cá estivesse haveria de dizer a minha avó, para ficarem todos mal mais ficar só um bem.

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Impostos bons e impostos maus

Isto do IRS enerva-me. Ouvir argumentos a defender a manutenção das elevadas taxas a que vencimentos miseráveis estão sujeitos, só para que outros ainda mais miseráveis não se sintam prejudicados, dá-me cabo dos nervos. De acordo com este ponto de vista nunca nenhum imposto pode baixar. Desde o ISP ao IVA. O primeiro porque o pobres não têm carro ou fazem menos viagens e o segundo porque os ricos compram mais e se o IVA baixasse tirariam daí mais beneficio. Um pouco, convenhamos, o argumentário daqueles que são contra a taxa plana do imposto sobre o rendimento.


É uma ideia interessante, essa, a de fazer justiça social através do IRS. Lamentavelmente parece ser o único imposto com queda para justiceiro. O IMI e o IMT são uns mariquinhas. Verdadeiros cobardes, até. Pior. Esquivam-se a ajudar os pobres de uma maneira perfeitamente ignóbil. Basta um gajo, coitado, cheio de boas intenções declarar que um pardieiro qualquer é, afinal, um chalé todo catita e cheio de pedigree, que aquela dupla de tributos deserta de imediato da guerra contra a pobreza e nunca mais ninguém o vê a lutar pela justiça social. Mas não faz mal. Quem precisa de estrupícios como o IMI e o IMT quando tem o IRS?

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Um caso pouco sério

Nunca levei essa cena da religião muito a sério. Confesso até que, por vezes, acho-lhe uma piada dos diabos. Como agora, por causa dessa polémica que por aí anda, em resultado da leitura da epistola do tal Paulo que manda as mulheres baixar a bolinha e obedecer mas é aos respectivos consortes. Uma lengalenga velha como o caraças que eu me lembro de ter ouvido, pela primeira vez há mais ou menos quarenta anos, recitar a um padre na cerimonia religiosa de um casamento. Palavreado que, recordo-me como se tivesse sido hoje de manhã, nessa ocasião deu origem a uma animada troca de piadolas entre alguns convivas mais jovens.


Mas, reitero, acho piada a toda esta polémica. Isto porque, tal como eu, a esmagadora maioria dos indignados com a leitura do tal texto não leva a religião a sério. E, por outro lado, até a própria igreja vem agora esclarecer que a tal passagem da bíblia não é para levar a sério. Ou seja, se a igreja não se leva a sério e se os indignados de ocasião não levam a igreja a sério, por que raio estão a fazer disto um caso sério? A sério pá, não vale a pena.