A
produção das figueiras lá da propriedade é, este ano, bastante
razoável. A juntar a isso há igualmente a salientar a aparente
diminuição das investidas das forças terrestres que, por norma
nesta altura do ano, se encontravam particularmente activas na zona.
Já no que respeita aos ataques aéreos está tudo na mesma. Os
patifes dos pássaros gostam mesmo de figos!
terça-feira, 16 de julho de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Semáforo stressado
Qualquer
equipamento é susceptível de avariar. Hoje calhou a este. Deu-lhe o
amok e ficou assim. Com o laranja e o verde sempre ligados. Se isto
fosse uma daquelas cidades com muito movimento seria imprescindível
um policia sinaleiro. Ou, se por aqui houvesse gente com espírito
empreendedor, um gajo a controlar a sinalização alternada no
interior das “portas”. A troco de uma moedinha, claro.
domingo, 14 de julho de 2013
Boas contas
Dados
recentemente divulgados revelam que, no espaço de apenas um ano, os
municípios nacionais reduziram o total da divida autárquica em mais
de mil milhões de euros. Ainda que neste número possam
eventualmente estar contidos alguns esquemas contabilísticos
destinados a mascarar as contas, a verdade é que este resultado,
mesmo assim, é digno de registo e merecedor de uma palavra de apreço
relativamente aos autarcas. Convém lembrar que no mesmo período as
receitas municipais tiveram uma quebra bastante acentuada, o que
valoriza ainda mais os resultados obtidos. De realçar, também, que
esta diminuição do endividamento, apesar das circunstâncias, não
prejudicou os serviços que são prestados às populações nem pôs
em causa, que se saiba, o funcionamento de nenhuma autarquia.
Pode
argumentar-se que o facto de muitos funcionários municipais não
terem recebido os subsídios de férias e natal contribuiu para esta
diminuição da divida. Verdade que sim. Mas isso não foi o factor
decisivo. A melhoria das contas deve-se, no essencial, a dois
factores: Por um lado uma gestão bastante mais rigorosa do que vinha
acontecendo motivada pela pressão dos credores através da
generalização do recurso a meios de cobrança muito mais
persuasivos, chamemos-lhe assim. O segundo factor, não menos
importante, foi a implementação da Lei dos compromissos e
pagamentos em atraso. Terá sido, também, graças a esta lei,
apenas ignorada por 26 dos 308 municípios, que responsabiliza
criminal, civil e financeira dos eleitos e dirigentes municipais, que se conseguiu operar este pequeno milagre. Deve ser por isso que o Totó Inseguro já prometeu acabar com ela mal chegue ao poder...
sábado, 13 de julho de 2013
Que bonita está a minha rua!
Testemunhas
oculares garantem que o mastim que adoptou este sitio como espaço de
eleição para largar as suas monumentais cagadas – os vestígios
do anterior alivio ainda são bem visíveis - tem como dono um
militar da GNR na situação de reforma. Mas há também quem garanta
que é propriedade de uma professora primária aposentada. Ou de
ambos, sabe-se lá. Por mim, que não presenciei a ocorrência, não posso afiançar que assim seja. Desconfio é que
isto tem tudo para correr mal. Os populares ouvidos no local parecem
estar furiosos e, até, capazes de fazer...coisas.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Eles não sabem...nem sonham!
É
costume olhar-se, especialmente em altura de eleições, para as
promessas dos autarcas ou para a maneira como estes esturraram o
dinheiro ao longo do(s) mandato(s). Esta perspectiva, ainda que também
usada aqui no Kruzes, parece manifestamente redutora. Embora sejam
eles que administram os recursos e tomam as decisões, afinal foi
para isso que foram eleitos, também se afigura de todo o interesse
analisar as críticas que vão sendo tecidas por aqueles que se vão
candidatar e pelos que não se candidatam mas que gostavam de ser
candidatos se houvesse alguém que se arriscasse a candidatá-los.
A
esmagadora maioria dos reparos à actuação dos executivos em
funções – vindas da parte de potenciais ou putativos candidatos –
envolvem a falta de investimento. Por mais que se gaste, parece que
não falta quem ache que ainda é pouco. Atente-se nalguns exemplos.
O país vive numa permanente overdose de cultura, basta ver os sites
dos municípios ou a publicidade a eventos de toda a espécie em que
se tropeça permanentemente, mas, ainda assim, acham que é pouco.
Constroem-se escolas por todo o lado, mesmo onde não existem
crianças – é uma festa, como dizia a outra – mas, apesar disso,
querem mais. Ainda que se tenham construído piscinas, pavilhões,
parques de feiras e exposições, casas de cultura, multiusos,
rotundas e estradas nos lugares mais inóspitos, para esta gente tudo
isso continua a ser pouco. E o rol podia continuar...
Ao
ler as declarações de muitos candidatos - ou candidatos a
candidatos ou não candidatos desgostosos por não serem candidatos –
fico com a sensação que se trata de pessoas que chegaram
recentemente a Portugal vindas directamente de um local qualquer onde
não chega informação sobre o país. Ou, então, são gastadores
compulsivos a divagar acerca do que fariam se pusessem as mãos no
pote. Seja num ou noutro caso eles parecem não saber – nem sonhar
– que, tal dizia o gajo que estuda em Paris, o mundo mudou e que
isso do gastar hoje e pagar quando calhar já não é coisa deste
mundo. A menos que estejam ansiosos por ir fazer companhia ao
Isaltino.
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Patifarias
Que
Portugal é um país de corruptos, vigaristas e
trafulhas será apenas novidade para – e mesmo
assim não tenho certezas absolutas quanto a isso – um ou outro
habitante das profundezas da selva ou de qualquer outro lugar remoto
onde não cheguem as noticias cá da pocilga. Neste
âmbito temos, alegadamente, de tudo. Desde casos que movimentam
milhões aos montes, como o BPN e outros parecidos, até aos que, por
comparação, envolvem apenas uns trocos. Assim
tipo baixas por doença, subsidio de desemprego ou rendimento mínimo.
Diria que neste campo da trafulhice em geral, e
da fraude em particular, somos uns verdadeiros
especialistas. Nós e os que, vindos de outros
países, assimilam num ápice os nossos vastos conhecimentos nestas
matérias e aproveitam as fragilidades, sempre muito convenientes,
dos nossos serviços públicos.
Um
dos domínios em que nos especializamos desde há muitos anos foram
os chamados casamentos brancos. Aqueles em que, a troco de dinheiro,
alguém casa com um estrangeiro para que este tenha acesso a certos
direitos apenas reservados a cidadãos nacionais. A marosca teve
alguma notoriedade quando envolvia futebolistas. Hoje estará
mais direccionada para
desenrascar – outra coisa em que somos especialmente bons – a
rapaziada oriunda do espaço extra-comunitário.
Nomeadamente a mourama. Os tais que odeiam
a sociedade ocidental mas que sabem tirar partido dos apoios sociais
que esta distribui de forma generosa e indiscriminada.
Uma
das fraudes que aparenta revelar um crescimento acentuado é o
casamento de velhotes com mulheres substancialmente mais novas. De
nacionalidade brasileira, muitas deles. A ideia será, para
além de enquanto o gajo for vivo viverem à conta dele, beneficiarem
da pensão de sobrevivência quando o idoso bater a bota. O que
significa que o Estado poderá suportar os encargos referentes a um
beneficiário - entre o tempo que esteve reformado mais o tempo de
vida da beneficiária da pensão de sobrevivência – durante
cinquenta, setenta ou mesmo mais anos. Isto se não estiver muito
enganado na idade de certos “casais” que encontro nos
supermercados da cidade a abastecer a despensa.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
O fogaréu do costume
Domingo,
pelas onze da manhã, esta fumarada erguia-se sobre a cidade. Vinha,
claro está, do sitio do costume. Sinal de que o almoço no resort deve ter metido
grelhados.
Não,
não se trata do novo tema de estimação do Kruzes. A sucessão de
posts envolvendo incêndios ou coisas potencialmente incendiáveis é
apenas mera coincidência. Nada mais do que isso.
domingo, 7 de julho de 2013
"Eles" são sempre os mesmos. Mas alguns não sabem.
A
propósito do post de ontem – ainda que vagamente, porque a relação
não é grande – lembrei-me de uma entrevista a um popular
transmitida durante uma reportagem televisiva acerca de um incêndio
qualquer que estava a ocorrer na altura. Saliente-se, a talhe de
foice, que nesta altura do ano os populares fartam-se de opinar. Ele
é sobre os fogos, o calor ou o bem que se está na praia.
Mas,
voltando à vaca fria, dizia o popular da tal entrevista que tinha
ardido uma enorme extensão de terreno. Lamentava o acontecido mas,
acrescentou, um pinhal ali da zona até devia era ter ido todo à
vida. Ter ficado todo queimado, portanto. Pensei de imediato que o
espaço em causa fosse de algum inimigo do nosso popular. Ou, pior,
que a casa da sogra ficasse lá no meio. Mas não. De imediato o
homem esclareceu que o dono era o Estado e que devia ter ardido tudo
para “eles” aprenderem.
Aguardo
com alguma expectativa a próxima entrevista a Paulo Portas.
Nomeadamente o que terá para dizer acerca dos 1,2 mil milhões
euros, só em aumento de juros da divida, que custou a sua mais
recente birra. Não dirá, com toda a certeza o óbvio, que “eles”
pagam isso. Mas lá que mostra o mesmo desprezo por “eles” que o
tal popular, lá isso mostra.
sábado, 6 de julho de 2013
Corta, corta!
Fui
um destes dias alertado pela GNR – de forma simpática, sublinhe-se
- para a necessidade de proceder ao corte dos pastos lá na
propriedade, de forma a precaver a ocorrência de incêndios. E
muitíssimo bem. Porque, apesar de se tratar de um descampado no meio
de nenhures, nada como prevenir as chatices antes que aconteçam.
Pena
é que a jurisdição daquela força militar não se estenda a todo o
território e fique, ao que parece, do lado de fora dos perímetros
urbanos. Sim, porque estou em crer que se assim fosse o proprietário
deste olival, mesmo colado a um bairro residencial – o meu, só por
acaso - teria recebido idêntico aviso.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Quem foi o morador de Estremoz que perdeu estes objectos?
Este
monumental monte de merda de cão podia ser apreciado hoje manhã na
minha rua. O que causou, vá lá saber-se porquê, um elevado nível
de aborrecimento ao morador na casa junto à qual um dos mastins
residentes nas cercanias evacuou este vistoso conjunto de cagalhões.
Ficou, digamos, assim a atirar para o indignado. Com tudo e com
todos, dada a frequência com que a cena – as cagadas, portanto –
se repete. Num estado de evidente irritabilidade prometeu, não sei é
se terá coragem para isso, aparecer numa reunião de câmara para
protestar contra esta praga que assola o bairro. Não sei se será
grande ideia. Mas, enfim, cada um lá sabe quanto do seu tempo está disposto a desperdiçar. Espero é que não leve as provas...
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Sapos e aviões. Não necessariamente por esta ordem.
Vá
lá entender-se esta gente. Antes refilavam porque passavam sobre as
nossas cabeças aviões americanos carregados de terroristas,
transportados à surrelfa depois de capturados ilegalmente. Era, pelo
menos, o que afiançavam uns quantos auto proclamados defensores dos
direitos humanos. Agora estão aborrecidos porque alguém, do governo
ou outra autoridade qualquer, não permitiu que o nosso espaço aéreo
fosse cruzado por um aeroplano suspeito de transportar um passageiro
clandestino. Bolas, que esta gente é chata!
Por
falar em chatos. Continuam alguns a pedir eleições antecipadas. Que
o Tótó Inseguro o faça até compreendo. O lugar dá-lhe jeito, não
se ganha mal e ainda pode arranjar colocação para os amigos,
companheiros, camaradas e outros palhaços. Mas que o Partido
Comunista e o Bloco de Esquerda também o façam é que já me parece
uma coisa assim a atirar para o parvo. Para que querem eles a porra
das eleições?! Só se for para voltarem a colocar no poder os
mesmos que derrubaram há dois anos atrás. Devem estar arrependidos,
eles. Tenho esperança de ainda os ver a tapar a cara do Sócrates no
boletim de voto e a pôr a cruz no quadradinho em frente. Depois de
engolido o sapo da ordem, claro.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Revolução?! É pá não chateiem...
Estranhamente
nas últimas semanas – meses, talvez – tem-se falado muito e
escrito ainda mais, acerca de uma tal revolução que o povo
desejará. Basta estar atento a algumas palavras de ordem berradas
por manifestantes mal apessoados, ouvir opiniões proferidas na
televisão ou na rádio e ler os muitos artigos de opinião escritos
em blogues considerados de referência. E já nem digo essa parede de
casa de banho pública dos tempos modernos que dá pelo nome de
facebook. Aí, então, é bacorada atrás de bacorada.
Não
sei ao certo – nem ao incerto, como me apraz dizer – é que
revolução têm em mente. Nem a que povo, o que estará mortinho por
tal desiderato revolucionário, se referem eles. Nah...O povo não
quer revolução nenhuma. Quer é dinheiro pró carro novo, para
férias na estranja, para umas petiscaradas ou, pelo menos, para a
bucha. Ah, e isso, de trabalho ou lá o que é. Revolução?! São
tretas de intelectuais merdosos que, como dizia o camarada Jerónimo
e muito bem embora noutro contexto, sabem lá o que é a vida!
terça-feira, 2 de julho de 2013
Festejam o quê?!
Admito
que seja eu que esteja a ver mal a coisa. Ou então algo me está a
escapar. A verdade é que não consigo ver nada de positivo na queda
do governo. Não que tenha aquela malta em especial conta. Aliás,
quem tem a pachorra de me ler fará a justiça de reconhecer que
aprecio tanto a politica dos que ainda lá estão como a dos que por
lá passaram antes. Acontece é que não vejo alternativas credíveis.
Tenho
manifestas dificuldades em perceber os comportamentos eufóricos que
muitos exibem por aí. Mas que é que esta gente espera? Eleições,
para começar. Por mim, que até gosto de votar, não me parece mal.
Mas, e a seguir? Provavelmente ganha o PS. Os mesmos, não sei se se
recordam, que rebentaram com esta merda toda e que levaram o país à
bancarrota. Mas, e a seguir? Esturrar o dinheiro que continuamos a
não ter, certamente. Ou não. Porque os credores chateiam-se e não
põem cá mais pilim. Mas, sejamos e optimistas e consideremos que
nos autorizam a voltar à nossa antiga vidinha, e a seguir?
Nomeadamente quando chegar a altura de pagar o que devemos agora mais
aquilo que o PS – partindo do principio que cumpre o que anda a
prometer – vai gastar? Voltam as manifestações, as greves e uma
troika qualquer. Ou acham que não?!
São
estas e outras inquietações que não me deixam tranquilo. Isto
porque, mas se calhar sou eu que sou um gajo de pouca fé, não
acredito que o Partido Comunista ganhe as eleições. Se assim fosse
o sol brilharia para todos nós e teríamos amanhãs para cantar. E,
já agora, emprego para todos. Nem que fosse a fazer Trabants.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Parem lá com isso de querer derrubar o sinal, pá!
Este
sinal de transito é um chato. Um impertinente, vá. Sempre ali, ao
virar da curva, a aborrecer quem tem pressa. A impor – bom, isso de
impor é uma força de expressão – a paragem a quem com ele dá
de trombas. Está mesmo a pedi-las, em suma. É por isso muito bem
feito que de vez em quando o queiram deitar abaixo. Desconfio que um
destes dias ainda vai fazer companhia à parabólica que está do
outro lado do muro...
Eles "andem" aí...
Ficou
por estes dias a saber-se que os americanos andam a espiar o que
fazemos cá pela Europa. Ele é ler-nos o e-mail, escutarem o que
dizemos ao telefone, bisbilhotarem o que fazemos na Internet e
sabe-se lá que mais. Diz até que esconderam uns microfones para
ouvirem o que dizem os lideres europeus. Coitados. Deve ser um
aborrecimento para os gajos que têm de escutar as conversas dessa
malta...
De
inicio ainda pensei que fosse invenção de um tal Edward Snowden.
Uma coisa assim tipo vingança por ter sido um trabalhador precário.
Uma forma de protesto contra as leis cada vez mais selvagens que
vigoram no mundo laboral, digamos. Mas não. É mesmo verdade. Eles
andam por aí a meter o nariz nas nossas vidas. E não se pense que é
só nos lugares importantes lá da Europa. Nada disso. Estão por
todo o lado. Se não, o que faz esta antena parabólica, camuflada
entre as ervas secas, mesmo junto às muralhas cá do burgo? Ah, pois
é...
domingo, 30 de junho de 2013
Dividas das autarquias do distrito de Évora
Nos
sites dos municípios a divulgação de eventos culturais, festas,
espectáculos de toda a ordem ou as actividades em prol da população
em que o respectivo presidente está envolvido, são tudo matérias
merecedoras de especial destaque. Já a informação relativa à
maneira como é aplicado o dinheiro dos munícipes e contribuintes em
geral, é outra conversa. Apesar de ser de publicação obrigatória,
a informação disponível é, quase sempre, difícil de descobrir, em muitos casos desactualizada e, não raras vezes, nem
sequer é disponibilizada.
Apesar
das dificuldades descritas pode constatar-se que os catorze municípios
do distrito de Évora tinham em 31 de Dezembro de 2011, no seu
conjunto, uma divida total – banca e fornecedores – de 193,9
milhões de euros. Pode, até, nem parecer muito. A menos que
comecemos a pensar em dividir este valor pelos 167.434 habitantes...
Os
dados referentes a 2012 não são, por enquanto, conhecidos na sua
totalidade. Cinco municípios, apesar de terem as contas apreciadas
desde Abril, não tiveram até hoje tempo para as publicitar no
respectivo sitio da Internet. Ou então esconderam-nas tão bem que
não as consigo localizar. Os valores em divida, ao que tudo indica,
ainda que se mantenham demasiado elevados, irão ficar abaixo dos
apurados em 2011. O que, no seu conjunto, é de louvar.
Dos
municípios que já divulgaram os resultados o destaque, pela
positiva, para Estremoz, com uma redução da divida em 22,4% e, pela
negativa, para o Alandroal que viu, no espaço de um ano, o valor da
divida subir de 19,6 para 20,2 milhões de euros.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Não suporto piquetes de greve. Seja lá isso o que for.
Nunca
percebi muito bem a legitimidade – e sublinho legitimidade - de um
piquete de greve. Que é o que chamam a um grupo de gajos - por
vezes também há gajas – estrategicamente colocados à entrada de
uma fábrica, estaleiro ou seja lá o que for. Nem, sequer, entendo a
permissividade e a tolerância com que são tratados por quem tem
como obrigação manter a ordem e assegurar a liberdade de circulação
daqueles que, mesmo em dia de greve, pretendem trabalhar.
Tem
esta malta – a dos tais piquetes – a intenção de intimidar
aqueles que escolheram outra opção. Coisa que a mim, mas se calhar
é algum problema meu, parece muito pouco coincidente com o conceito
de democracia e nada respeitadora dos princípios da livre escolha em
que assenta a sociedade em que todos – ou, pelo menos, a esmagadora
maioria – pretende viver. Verdade que o pessoal dos piquetes é,
também ele, livre de escolher as suas opções. Mas, que é que
querem, faz-me
espécie que não optem por aproveitar o dia de greve
para ficar na cama até mais tarde em lugar de ir aborrecer quem
apenas quer trabalhar.
A
patética tentativa de evitar a saída de autocarros da carris, que
pode ser apreciado num vídeo amplamente divulgado na net, é por
demais evidente que era na caminha que deviam estar os elementos do
piquete de greve. Uns quantos deitaram-se no chão, provavelmente
cheios de sono, e necessitaram mesmo da ajuda dos agentes da
autoridade para se levantar. Outros perguntavam insistentemente,
enquanto a policia os afastava para abrir caminho à passagem dos
autocarros, porque é que os estavam a empurrar. Era, digo eu, para
não serem atropelados. Ou então porque não saíram quando os
agentes amavelmente lhes solicitaram que evacuassem a área.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
O pantomineiro, afinal, devo ser eu.
Parece-me
ter ouvido dizer que existem funcionários públicos em excesso.
Seria, ao que me pareceu ouvir, na área administrativa que o número
de empregados do Estado estaria especialmente inflacionado face às
necessidades da administração e à capacidade desta em suportar os
custos salariais com tão elevada quantidade de gente. Ao que suponho
ter ouvido, o governo estará a preparar-se para colocar no olho da
rua – requalificação, mobilidade, ou lá o que é que agora
chamam ao acto de despedir – umas quantas dezenas de milhares de
funcionários. De que, como faz questão de salientar, não precisa
para assegurar o regular funcionamento dos serviços.
Mas
tudo isto, presumo, devo ter sido eu a sonhar. Ou então por, a maior
parte dos dias, apenas ouvir as noticias de manhã. Quando estou
naquela fase em não tenho a certeza se ainda estou a dormir ou já
estou acordado. Isto porque, depois, ao longo do dia, a realidade
encarrega-se de provar o contrário. Neste caso mostra-me claramente
que ando a ouvir mal, a deturpar as noticias e, quiçá, a pregar
pantominices a quem me quer ouvir ou ler. O governo não pretende,
afinal, despedir ninguém. Como, igualmente, não existem
funcionários a mais. Bem pelo contrário, precisamos é de mais
pessoal. Veja-se o caso de um organismo público que, na ausência de
recursos próprios, tem recorrer a uma empresa de trabalho temporário
para dar conta do recado. Ou do serviço.
Situações
desta natureza ocorrem com inusitada frequência nos mais insuspeitos
organismos da administração pública. Contratam-se empresas de
trabalho temporário a preços exorbitantes que, por sua vez, pagam
uma miséria aos trabalhadores que recrutam. Podia perguntar-me o que
é feito da diferença entre o muito que o Estado paga a mais do que
pagava antes e o que o novo trabalhador recebe a menos do que aquele
que lá estava. Poder, podia. Mas era uma pergunta desnecessária.
terça-feira, 25 de junho de 2013
"Cão do presidente da Câmara vai ao cabeleireiro no carro oficial"
Estou
que nem posso. Faltam-me as palavras para formular considerações
jocosas, ou mesmo de outra natureza, acerca de uma revelação como
esta. Isto, claro, partindo do principio que a noticia é verdadeira.
É que até a mim me custa a acreditar!
domingo, 23 de junho de 2013
A culpa não é de quem não paga. É de quem não compra...Ou a teoria socialista para o crescimento.
O
secretário geral do partido socialista garantiu aos autarcas
socialistas que, logo que chegue ao poder, tratará de revogar a lei
dos compromissos. Presumo que a audiência tenha exultado. Para os
portugueses essa é, ainda que a maioria nem saiba do que se trata,
uma péssima noticia.
A
lei em causa pretende, no essencial, limitar os gastos das
administrações públicas obrigando-as a só comprar quando têm
dinheiro para pagar nos noventa dias seguintes. A ideia é que os
pagamentos em atraso não cresçam e que o Estado passe a cumprir os
seus compromissos dentro de um prazo aceitável. E, em determinadas
circunstâncias, mesmo os três meses previstos ainda parecem
constituir um espaço de tempo demasiado dilatado.
Ora
nada disto interessa a quem sempre se habitou a governar gastando o
que tem e o que não tem, a comprar hoje e a pagar quando calhar e,
em suma, a esturrar dinheiro como se não houvesse amanhã. O que,
qualquer parvo sabe, terá sempre como consequência num futuro mais
ou menos próximo a destruição de emprego e da economia.
Também
foi assim que nos habituamos a ser governados. Daí que nos
preparemos para trazer de volta ao governo a bandalheira socialista.
É disso que gostamos e é apenas assim que sabemos viver. Um dia,
quando tivermos mesmo a sério de pagar a conta, alguém o fará em
nosso lugar. Achamos nós.
sábado, 22 de junho de 2013
Bicha
Esta
jibóia – anaconda, quase – terá sido atropelada mortalmente
quando tentava atravessar a estrada. Ou então morreu de outra
maneira qualquer. O que não me tranquiliza é saber que estas bichas
se passeiam pelas redondezas.
Nem com passadeira lá vamos!
A
deposição em aterro do lixo que produzimos custa anualmente aos
cofres dos municípios muitos milhões de euros. Esta factura podia
ser significativamente reduzida se, em lugar de jogar tudo para o
contentor, fosse feita por cada um de nós uma adequada separação
dos resíduos domésticos. Ou seja, sempre que um material reciclável
não é depositado num ecoponto estamos todos a pagar por isso. Daí
a importância de estender a passadeira à reciclagem. Que é como
quem diz à poupança.
Mas
estas coisas interessam muito pouco a eleitos e eleitores. A uns não
dão votos e a outros – pensam eles – não custa dinheiro.
Importante mesmo é lamentar que não nos deixem continuar a fazer a
vidinha de sempre. Que, achamos nós, alguém há-de continuar a
pagar.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Os manifestantes brasileiros são uns perigosos reaccionários
A
Esquerda não nutre particular apreço pelas manifestações que
estão a levar para a rua milhares de brasileiros. Logo agora que
estava tudo a correr tão bem lá pelo país dos dilmos. Investimento
público de muitíssimos milhões, nomeadamente em estádios de
futebol e infraestruturas para os jogos olímpicos, com a consequente
criação de postos de trabalho no sector da construção, e, mesmo
assim, o povo não está satisfeito?! Uns mal-agradecidos! Ou então
são todos de direita e deviam ser severamente punidos. Que isto a
democracia é muito bonita, as reivindicações populares também,
mas apenas quando são os movimentos e os partidos de esquerda a
organizar a coisa quando, como cá, se trata de pagar a conta da
festança.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Cavaco, o apressado.
Não
percebo porque se surpreendem com a rapidez estonteante do presidente
na promulgação da lei relativa ao pagamento dos subsídios de
férias. A sério. Cavaco estará, apenas, a ser coerente. Ele terá
querido acautelar que o subsidio de férias a que tem direito
enquanto pensionista não lhe vai ser pago em Julho. Estará a
guardá-lo para Novembro. E, do seu ponto de vista, faz bem. Não vá
faltar-lhe o dinheiro para as compras de natal como, coitado, terá
acontecido da outra vez.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Ele disse "trabalhar"?!
Deve
ter sido impressão minha. Só pode. Algo assim do tipo andar a ouvir
coisas. Mas, verdade verdadinha, que estava capaz de jurar que ouvi o
Cavaco dizer, num local qualquer onde se deslocou para plantar uma
árvore, que o que é preciso é trabalhar. Uma receita apenas para
aplicar aos outros, pelos vistos. Porque quando toca a mandarem-no
trabalhar a ele a coisa muda de figura.
De salientar, a propósito da presidencial plantação, que o buraco foi previamente cavado. O senhor só teve de chegar lá e pespegar com a arvorezita no sitio. Grande coisa. Assim também eu, olha.
terça-feira, 18 de junho de 2013
Histórias da carochinha
Há
quem acredite que em Abril de 1974 andávamos quase todos descalços.
Assumem-no como um facto indesmentível. E que ninguém se atreva a
contradizê-los. Só falta, mas tenho esperança de ainda encontrar
uma dessas pérolas, garantirem que foi o companheiro Vasco que
forneceu o primeiro par de sapatos a oito milhões de portugueses. Ou
mais.
P.S
- Esta estimativa é baseada nos portugueses descalços que, segundo
o autor da resposta ao meu comentário, circulavam por essa altura na
Avenida de Roma..
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Inquietações
Não
faço juízos de valor acerca da greve dos professores. Primeiro
porque não tenho nada que os fazer, segundo porque quem perde o seu
o tempo a ler o que por aqui vou escrevendo sabe o que penso em
relação a algumas das questões que conduziram a esta luta e, por
último mas mais importante, porque não me apetece.
Há,
no entanto, algo que me inquieta. Muito deve ter mudado no
sindicalismo nacional desde o tempo em que eu ligava a essas coisas.
Recordo-me de, nessa altura, por ocasião de uma greve da função
pública que se realizou praticamente nas vésperas de umas eleições
quaisquer, um sindicato ter recomendado aos
grevistas que, apesar da greve, fosse garantido que a realização do
acto eleitoral não sairia prejudicada.
Pouco
me importa se eram os sindicatos de antanho que estavam certos e os
de agora que estão errados. Ou o contrário. Ou se ambos estão
certos. Ou ambos errados. Mas tenho a certeza quanto a uma coisa.
Alunos, funcionários públicos e professores são muito mais
importantes do que políticos ou sindicalistas. O passado não deixa
dúvidas quanto a isso. E o presente também não.
domingo, 16 de junho de 2013
A fé está pela hora da morte
O
Estado é laico. Mas isso é o que está escrito na Constituição. A
realidade, nessa como noutras temáticas, nem sempre tem grande
aderência à lei fundamental do país. Certamente estribado em leis
que garantem a legalidade do procedimento, na tradição secular que
importará assegurar e, se necessário for, em vários pareceres que
garantirão a regularidade da acção, o poder politico não hesita
em promover manifestações de carácter religioso. Veja-se o exemplo
de uma empresa municipal que entendeu contratar à paróquia da terra
a organização de uma procissão. Pagando para isso, naturalmente.
Julgava
eu – vejam lá a minha ignorância - que isso de organizar
procissões era coisa da competência, em rigoroso exclusivo, da
igreja. E que ninguém lhe pagava para as fazer. Até porque - mas lá
está, eu não percebo nada disso - não hão-de ser eventos
especialmente caros. Tinham mesmo a impressão que se faziam de
borla. Esta não foi o caso. Custou(-nos) dezoito mil euros.
sábado, 15 de junho de 2013
Será algo relacionado com o nome?
Há,
diz-se, quem seja capaz de vender a própria mãe. De vender a dos
outros – ou qualquer outra coisa - todos somos capazes. É, pelo
menos, o que parece deduzir-se do significado desta expressão. Se
calhar será mesmo assim. Vem isto a propósito de um poeta
colombiano que pretenderá vender os testículos. Provavelmente não
lhe farão falta nenhuma. Já o dinheiro que espera obter com a
insólita venda vai dar-lhe muito jeito. Para viajar pela Europa. Diz
ele. O Brochero, assim se chama a criatura.
Lamentavelmente não havia outra...
Depois
de aqui ter manifestado o meu desencanto pela ausência de
produtividade da cerejeira que ornamenta o quintal cá de casa, que
parece não servir para mais nada do que fazer sombra e crescer para
o lado dos vizinhos, constatei que estava a ser injusto. Afinal havia
uma. Ou melhor, havia “a” cereja. Lamentavelmente, de outra nem
sinal. O pior vai ser dividi-la por quatro...
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