terça-feira, 30 de novembro de 2021

Agricultura da crise

IMG_20211127_172111.jpg


Estão feitas as primeiras sementeiras e plantações de inverno. Dali brotarão, nomeadamente, vegetais. Espera-se. Se sair outra cena qualquer será, para além de assaz estranho, motivo para equacionar a ocorrência de um fenómeno de difícil explicação. Coisa que, de resto, caracteriza quase todos os fenómenos. Se isso acontecer a culpa terá de ser imputada ao gajo que me vendeu as sementes. Ou, até mesmo, a essas multinacionais do grande capital que, alegadamente, andarão a fazer umas manigâncias quaisquer com as sementes. Por mim, desde que vejo ervilhas cor-de-rosa, já acredito em tudo.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Não gostam do deserto...preferem a selva!

Diz que o programa engendrado pelo governo para atrair novos moradores para o interior não teve procura. Nem um, ao que parece. Pouco me admira. Nem, a bem dizer, acho que tal programa faça sentido. Eles que fiquem lá pelo litoral e venham cá só ao fim de semana deixar os euros. Somos todos muito mais felizes assim. Até porque, quando se junta por aqui muita dessa malta, sou o primeiro a achar que ainda não existe desertificação suficiente.


Se o governo pretende povoar o interior – e não estou convencido que queira – podia, em primeiro lugar, tentar manter os que cá vivem. Nomeadamente através de uma fiscalidade mais favorável para cidadãos e empresas. Caso as taxas de IRS e IRC, para sempre e para todos, fossem metade ou um terço do que se paga no litoral era capaz de haver que colocasse a hipótese de vir viver para cá ou, os que cá estão, não abalarem. Como há tão pouca gente, o impacto fiscal seguramente não seria de grande relevância.


Depois uma política de imigração à séria. Que traga para cá muita gente. Nomeadamente daquela cheia de dinheiro e da outra que o quer ganhar a trabalhar. Mas isso, está quieto. Nenhum desses interessa. O que interessa trazer é malta para viver do subsidio e que, também ela, fica no litoral.

domingo, 28 de novembro de 2021

Deixem-se de pieguices, sejam resilientes

O que têm em comum Marta Temido e Passos Coelho? Pouca coisa, aparentemente. A não ser a capacidade de irritar, cada um deles, uma parte significativa dos portugueses.


Ainda me lembro do tempo em que Passos Coelho sugeriu aos portugueses que procurassem trabalho noutro lado. Que emigrassem, já que por cá não encontravam o emprego e a remuneração que pretendiam. A sugestão provocou um verdadeiro escândalo – um rasgar de vestes, diria – entre uma certa esquerda que, por acaso, até mostra um especial carinho pela mobilidade humana e nutre uma indisfarçável simpatia pelos movimentos migratórios em direcção a ocidente de gente que, garantem, apenas pretende uma vida melhor. Pessoas que, no fundo, seguem os conselhos dos “Passos” do respectivo país. Nada que a mim, habituado desde pequeno a apreciar a coerência da esquerda, me surpreenda por aí além.


Marta Temido, um dia destes, sugeriu o contrário do então primeiro-ministro. Criticou quem procura um ordenado melhor e sugeriu até que o SNS devia recrutar pessoas que se contentem em ganhar menos do que aquilo que, muito legitimamente, podem auferir noutro lado. Da canhota – sinistra, como dizem os italianos e eles lá saberão porquê – nem um pio. Nem admira. Eles gostam é de salários mínimos. Preferem um país onde todos ganhem e vivam de acordo com aquilo que o Estado determinar.


São dois conceitos de sociedade diametralmente opostos. Os portugueses, parece inequívoco, revêem-se maioritariamente no modelo defendido pela doutora Temido. Em resultado disso seremos, não tarda, o país mais pobre da União Europeia. Mas, ao menos, poderemos dizer todos ufanos que somos pobretes mas resilientes.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

É preciso ter lata!

IMG_20211124_191547.jpg


Esta coisa da luta climática, da protecção do  planeta, do combate ao desperdício e de outras causas aparentadas faz-me espécie. Percebo que se encerre uma central a carvão e se opte por comprar electricidade produzida noutra central a carvão se esta última estiver lá longe. Também compreendo que o preço dos combustíveis tenha de reflectir o seu impacto no ambiente enquanto, ao mesmo tempo, se admite que uma viagem de avião de Lisboa para outra capital europeia custe quinze ou vinte euros. Mais ou menos o mesmo do que um bilhete de autocarro entre Estremoz e Lisboa. Deve ser porque os “aeroplanos” de agora são muito económicos. Ou desengatam nas descidas, se calhar. Até o fim dos sacos, das palhinhas e dos talheres de plástico não se me afigura de todo desapropriado. Tratei atempadamente de constituir um stock apreciável destes itens que me permitirá continuar a usufruir deles durante muito tempo.


O que verdadeiramente me aborrece é o tamanho desmesurado das embalagens face ao conteúdo das mesmas. Um gajo compra uma “lata” de não sei quê e vai daí aquilo vem meio. Agora imagine-se isto em milhões de latas. Um atentado à mãe-natureza e um esbanjamento inqualificável dos recursos do planeta, é o que é. Está mal, pá. Isto, digo eu, é coisa para roubar a infância a qualquer catraio. Até eu me sinto roubado!

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Deixem o desgraçado em paz, pá!

IMG_20211122_202835.jpg


 


Serei dos poucos portugueses que não dizem do ex-banqueiro Rendeiro aquilo que Maomé não diz do toucinho. Nem, sequer, ainda disse ou escrevi umas pretensas graçolas mais ou menos jocosas acerca do seu rocambolesco sumiço. Nem pretendo fazê-lo. O homem, coitado, não merece. Pode, até, ter praticado umas quantas patifarias, ludibriado uma quantidade apreciável de gente e levado a efeito um determinado número de manigâncias. Os tribunais, diz, já terão concluído que sim pelo menos relativamente a umas tantas dessas proezas.


Não é que nutra qualquer estima ou apreço pela criatura. Mas, convenhamos, o agora fugitivo à justiça e auto candidato a indulto presidencial também foi bem enganado. Isto a ser verdade aquilo que as tv´s um destes dias nos mostraram. O que aparece na imagem acima será, ao que noticiaram, um quadro. Tratar-se-á de uma pintura – uma obra de arte, alegam - de um artista qualquer que o tal Rendeiro terá adquirido por umas centenas de milhares de euros. Nem é preciso ser crítico de arte para topar que o senhor foi burlado. Aquilo toda a gente vê logo que são uns rabiscos manhosos, feitos por um espertalhão qualquer, para sacar graveto aos desgraçados que querem parecer cultos. E se aquele é assim o que serão os outros. Não admira pois que a Maria não saiba onde os pôs. A mim acontece-me o mesmo. Nunca me lembro onde arrumo a tralha.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

O vento não foi, certamente...

IMG_20211122_084644.jpg


Ao que dei conta a noite passada não terá sido particularmente ventosa ao ponto de derrubar o quer que seja nem, aqui pelas redondezas, os meliantes se dedicam a práticas que envolvam um esforço físico significativo. Daí que o facto de o contentor do lixo estar de pantanas esta manhã se deverá a um qualquer acidente envolvendo, provavelmente, algum dos muitos “recicladores” que por aí cirandam. Aquilo é malta que revolve tudo. Inclusivamente chegam a meter-se lá dentro à procura de algo que, para eles, tenha algum valor. Não é que condene a prática mas, ao menos, podiam arrumar tudo outra vez. Tempo para isso é coisa que não lhes deve faltar.

domingo, 21 de novembro de 2021

Baixar os impostos aos que não pagam impostos é que era uma grande ideia...

IRS.jpg


Estamos naquela época do ano em que, por todo o país, os municípios fixam, dentre os cinco por cento que lhes pertencem, a parte do IRS que pretendem receber. Ou, vendo a coisa pelo lado mais prático, a percentagem do referido imposto de que abdicam a favor dos respectivos munícipes. Significa isso que o nosso rendimento é tributado consoante a vontade da autarquia a que pertencemos. Que é como quem diz, dos autarcas que elegemos.


Há muitos eleitos locais e fiscalistas de pacotilha que não concordam com este alivio fiscal. Estão, obviamente, no seu direito. Não devem é utilizar argumentos intelectualmente desonestos nem, depois, encher a boca em defesa de melhores salários ou passar o tempo a garantir que estão ao lado dos trabalhadores e do povo. Têm, reitero, todo o direito de achar que os impostos sobre os rendimentos estão bem como estão ou, até, deviam ser mais elevados. Assim de repente nada me ocorre que os impeça de defender isso mesmo. Ficava-lhes bem que o fizessem, em lugar de debitarem baboseiras acerca do nenhum beneficio que isso traz a quem não paga IRS. Seguindo esta lógica absolutamente parva, interrogo-me se também defendem a devolução dos dez cêntimos por litro de combustivel aos que não têm carro...

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Selvagens urbanos

IMG-20211118-WA0000.jpg


A canzoada está cada vez mais esquisita. Deve ser efeito da convivência cada vez mais intima com gente maluca que partilha casa e mais o que calha com os animais de estimação. Criaturas que, a bem dizer, vivem com os bichos e como os bichos. Deve ser por isso que, uns e outros, ostentam comportamentos cada vez mais estranhos. Os cães, por exemplo, cagam nos locais mais inusitados. A um deles deu-lhe para arrear o calhau no para-choques de um automóvel. Uma obra de arte, quase, que não escapou ao perspicaz olhar do repórter “Kruzes” no local nem, de certeza, passará despercebida ao azarado automobilista. Uma merda, isto de sermos obrigados a aturar pessoas que deviam viver na selva, é o que é. 

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

As piadas sobre os portugueses são tão giras, não são?

Um bocado parva aquela lei do governo que proíbe o contacto entre empregador e empregado - e vice versa, se calhar - para lá do horário de trabalho. Verdade que o tempo de descanso de cada um deve ser respeitado, mas chegar ao ponto de fazer uma lei nestes termos parece-me igualmente abusivo. É que, a continuar assim, um dia destes acordamos e temos todos os aspectos da nossa vida laboral e social regulamentados pelo governo. Desde o temos que podemos estar no wc até à obrigatoriedade de apanhar sol um período mínimo do dia.


Como seria de esperar esta proibição motivou a risota de muita gente além-fronteiras. E, como também não podia deixar de ser, levou a que fossem proferidos comentários jocosos acerca de Portugal e dos portugueses. Coisa que – vá lá saber-se porquê – deixou os tugas extremamente irritados. Sinceramente não vejo razão para tanta indignação com as piadolas dos estrangeiros a nosso respeito. É que eu ainda sou do tempo em que dizer graçolas acerca de alentejanos e da nossa alegada pouca apetência para o trabalho, constituía uma espécie de desporto nacional. Aceitar ser alvo de chacota era, até, visto como um sinal de inteligência e reclamar desses dichotes – como fiz em inúmeras ocasiões – um sintoma de ausência dela. E de sentido de humor também, esclareceram-me outros mais benevolentes com a minha azia em relação às anedotas de alentejanos.


Por isso, caros compatriotas, encaixem o gozo da estrangeirada. Sejam inteligentes, tenham sentido de humor e saibam rir de vós próprios. É, afinal, apenas colocar em prática aquilo que durante tantos anos aconselharam outros a fazer.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Novos ricos, novas modas.

IMG_20211031_124639.jpg


 


Por acaso não. Tornar-me vegetariano foi coisa que nunca me ocorreu. Já tive, reconheço, muitas ideias parvas, mas equacionar a possibilidade de deixar de comer carne não está entre elas. Isto é mais uma cena que assiste a meninos mimados e a gente que da vida, como diria a minha avó, não sabe o que é peixe-agulha.


Quando leio ou ouço mensagens deste tipo recordo-me sempre de, em criança, apenas comer carne por altura da matança do porco ou frango aos domingos. E outros nem isso. Chegou-me esse tempo em que fui semi-vegetariano à força. Daí que nutra por gentinha desta estirpe um profundo desprezo. Eles que façam a alimentação que quiserem, mas não aborreçam. É que isto fazer opções, mesmo as mais idiotas, é sempre mais fácil de carteira cheia do que de barriga vazia.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

E para limpar, não se mobilizam?

IMG_20211029_135406.jpg


Felizmente não é frequente o aparecimento de animais errantes aqui pelo bairro. Daqueles que os donos – tutores, na novilíngua dos malucos que mandam nisto tudo, agora são isso – abandonam à sua sorte quando deles se enfastiam. Mas basta aparecer um, seja cão ou gato, para o mulherio se mobilizar com o intuito de proporcionar o conforto possível ao bicho. O que, apesar de pouco conforme com normas, regulamentos e bom senso em geral, não me parece mal de todo. Há coisas piores. Até porque um animal a viver em condições desumanas devia-nos envergonhar a todos, como dizia um dias destes uma jornalistazeca da televisão.


Mas - isto há sempre um mas - as diligentes protectoras da bicharada deixada ao Deus dará podiam evidenciar um pouco mais o seu sentido cívico. Nomeadamente limpando a porcaria que os seus protegidos vão deixando na área circundante. Era bonito.

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Parcerias

Captura de ecrã de 2021-11-07 17-57-02.jpg


O turismo constitui um sector importantíssimo para o país. Convém, portanto, que recupere rapidamente. Será, de certeza, bom para todos. E, ao que se vê, os empresários do sector estão a apostar tudo e mais um par de botas na retoma. Ele são descontos, promoções e ofertas variadas. Tudo, está bem de ver, para conquistar mais clientes. Há até quem promova a oferta de outro parceiro aos hospedes. O que, assim de repente, não me parece mal. Nisto dos negócios as parcerias costumam contribuir para a dinamização dos mesmos. Principalmente quando satisfazem todos os parceiros.

domingo, 7 de novembro de 2021

Não há?! Não os procuram...

Captura de ecrã de 2021-11-07 17-03-44.png


Leio no semanário Sol desta semana que a pousada de Estremoz não reabre portas por escassez de mão de obra. Leio também, nos muitos comentários a esta noticia, que a culpa de não encontrarem pessoal para trabalhar terá a ver com os baixos salários praticados. Todos - não tenho motivo nenhum para pensar o contrário – terão razão. Há apenas um graozinho nesta engrenagem de causas e consequências que me está a atazanar. É que a autarquia cá da terra não teve problema nenhum em, nos últimos anos, recrutar mais de cem pessoas a ganhar o salário mínimo, nem nenhuma dessa centena de pessoas teve qualquer espécie de problema em aceitar um emprego a auferir a retribuição mínima. Das duas uma. Ou foram todos para a Câmara e agora não sobeja ninguém para trabalhar nas empresas, que é onde se produz a riqueza que permite pagar os vencimentos da função pública, ou, então, os donos daquela chafarica não estarão muito interessados em voltar à actividade. Aliás, se estivessem já teriam trazido brasileiros, asiáticos ou africanos. E só não digo europeus de leste, como faziam há vinte anos atrás, porque quase todos esses países já nos ultrapassaram em termos de riqueza.


Um dos comentários que li acerca desta noticia alguém sugeria que o município tomasse conta daquilo. Uma boa ideia, essa. Pelo menos candidatos a ir para lá de certeza que não iam faltar. E se assim fosse, a julgar por amostras públicas e visíveis, aquilo era coisa para gerar para aí uns duzentos empregos. Ou mais.

sábado, 6 de novembro de 2021

Miúfa da direita

Uma deputada afirmar em pleno debate parlamentar que todas as mulheres têm medo físico da direita, podia constituir apenas um pretexto para fazer uma quantidade de piadolas brejeiras de gosto duvidoso. Ou, no caso da família, recorrer a serviço medico especializado no sentido de, se ainda for a tempo, lhe recuperar a saúde. Tratando-se de uma destacada deputada da maioria que apoia o governo o caso suscita alguma inquietação. Não tanto pela declaração destrabelhada da senhora. A isso já estamos habituados. Mas, isso sim, pela “qualidade” das pessoas que decidem sobre as nossas vidas. Afirmações deste tipo dizem muito acerca do estado a que chegámos. Voltar a integra-la na lista de candidatos a deputados e, pior ainda, reelegê-la dirá também muito acerca de quem a candidatar e de quem contribuir para a sua reeleição.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Apanhados do clima

Longe de mim pretender negar seja o que for em matéria de alterações climáticas. Apesar de, também entre os cientistas, isso não ser assunto consensual. Essas coisas eles é que estudaram, leram os livros e, portanto, eles que opinem. Mas lá que não gosto dos activistas dessas causas, isso não gosto. Nem, tão pouco, consigo aceitar como boas as ideias de criaturas que – maneira geral – têm mau aspecto, berram nas ruas, ameaçam partir tudo e reivindicam opções que nos levariam num ápice à miséria e à fome generalizada.


Desconheço se existe – muita gente afiança que sim – uma agenda oculta por detrás de todos estes movimentos alegadamente ambientalistas e de pessoas aparentemente preocupadas com o clima. Será, provavelmente, apenas uma teoria da conspiração, que é um peditório para o qual não dou. O certo é que à conta disso vão aparecendo novos impostos, vão sendo criadas proibições que até à alguns anos julgávamos impensáveis e vão-nos impingindo novos hábitos até agora apenas seguidos por meia-dúzia de malucos. Enquanto isso, por cá, generalizar o uso de painéis solares por parte do cidadão comum, transportes públicos de qualidade em todo o território ou plantação de árvores nas localidades – nomeadamente no Alentejo – é cena que não assiste a quem manda nem, sequer, a quem reivindica.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Escavacar o mensageiro

IMG_20211031_124202.jpg


As noticias nos últimos tempos não têm sido as melhores. Para alguns, que isto o que é mau para uns não é necessariamente ruim para outros. O dono deste aparelho estará, quase de certeza, incluído no primeiro grupo. Mas, como sempre acontece, matar o mensageiro constitui uma má opção. Ainda que alguns mensageiros mereçam tal sorte. Mas isto sou eu a imaginar que o triste fim do televisor se deveu a uma súbita irritação do proprietário pela queda da geringonça, pelo golo que deu o empate ao Estoril ou outro acontecimento igualmente inesperado. Se foi isso tratou-se de uma tonteria. Só um tonto se surpreenderia com o desfecho de um ou do outro cenário.


 

domingo, 24 de outubro de 2021

A Merkel agora é boazinha?!


 


Comovente a despedida que tem sido feita à Merkel. Hoje praticamente toda a gente elogia a senhora. Até aqueles que, ainda não há assim tanto tempo, apoiavam cartazes tão bonitos como estes.


Isto de um gajo se esquecer das coisas não é maleita que afecta apenas o Salgado. Políticos, comunicação social, comentadores, malta que manda postas de pescada nos blogues ou no Facebook e o povo em geral padecem do mesmo mal. Ou, se não perderam a memória, perderam a vergonha.


Ao que se sabe a governante alemã não alterou as suas opções políticas. Tanto quanto é público não mudou de partido e continua a defender o mesmo rumo para o seu país e para a Europa. Daí que esta mudança radical de opinião em relação à personagem se afigure absolutamente ridícula. Tanta adoração virá, presumo, da sua decisão de abrir as fronteiras alemãs aos refugiados. Independentemente da bondade - ou não - de tal decisão, julga-la apenas por isso, para além de ridículo, evidencia bem a inteligência de quem o faz.

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Os diabretes esquerdalhos do nosso contentamento

O governo tem andado numa roda viva para aprovar o orçamento. PCP, BE e PAN pedem e o Costa dá. Mais ou menos como aqueles putos irritantes a quem se dá a mão e os pirralhos querem tudo até ao ombro, assim são aqueles três pequenos partidos extremistas.


O pessoal, aparentemente, está a gostar. Não surpreende. É sempre assim o caminho para o socialismo. Mais tarde, quando chegar a conta, o saco de pancada – criminoso da pior espécie – será o “Passos” que na altura estiver do poder.


As medidas no sector laboral propostas por PCP e BE – excelentes do ponto de vista de quem tem emprego – fazem-me lembrar os tempos do PREC. Por essa altura eram os sindicatos que iam às herdades e impunham aos respectivos donos a contratação do número de trabalhadores que muito bem lhes dava na real gana. Mesmo que não fizessem falta nenhuma ou nem sequer houvesse qualquer trabalho para realizar, o agricultor, que até nem precisava de ser muito abastado, tinha de os aceitar e pagar o ordenado. Talvez num dos próximos orçamentos se lembrem de algo assim para combater o desemprego, integrar migrantes ou só por que sim. Isto, claro, se entretanto o diabo não aparecer por aí...

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Mas afinal somos ou não amiguinhos do ambiente?

1634852713595.jpg


Não percebo tanto alarido à volta dos preços dos combustíveis. Nem, menos ainda, a admiração que a carestia dos ditos está a provocar. Tudo isto era de esperar. Pior – ou melhor, dependendo do ponto de vista – não vai ficar por aqui. Os combustíveis e tudo o resto. É que esta coisa de salvar o planeta custa dinheiro. Muito. E isto, reitero, é apenas o principio. Um destes dias o mesmo se passará com a alimentação. A taxação e as restrições à produção de alimentos alegadamente causadores de danos ao ambiente – que é como quem diz, aqueles que os pseudo-ambientalistas da treta não consomem – farão o resto.


Mas, escrevia eu, causa-me algum espanto a indignação que por aí ouço relativamente ao preço do gasóleo e da gasolina. A julgar pela minha vizinhança não deve fazer grande diferença. Poucos, para além de mim, são os que percorrem a pé os setecentos metros que nos separam do centro da cidade. Das duas uma. Ou ambas, vá. Ou não está assim tão cara ou aquilo é malta que gosta de pagar impostos. Podia acrescentar uma terceira, que seria não se preocuparem com o ambiente. Mas não. Até porque essa aplica-se mais a mim, o gajo que desdenha de ambientalistas e das causas ambientais.

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Fake coima

IMG_20211013_102858.jpg


Isto do “pesado” é um conceito muito relativo. Mesmo no âmbito da coima. Depende de quem paga. Cem euros para mim seria pesadíssima. Coisa, até, para me tirar o sono durante umas semanas. Para gente endinheirada, os mesmos cem euros, não passariam de uns trocos e tal penalidade não constituiria inquietação de maior.


Deve ser por isso e, também, pelo medo de desagradar aos eleitores que a generalidade das autarquias não aplicam coimas a ninguém. Muito menos das pesadas. A uns, coitados, ainda os atirava para a ruína financeira e a outros não aquecia nem arrefecia. Daí que, farto de ver lixo à porta, haja quem recorra a estas ameaças na tentativa de desmotivar os potenciais prevaricadores. Aparentemente resulta. Ainda que, para dar credibilidade à coisa, falte o brasão da Freguesia ou do Município. Fica a intenção. Boa, no caso.

domingo, 17 de outubro de 2021

Altos, louros...e pobres!

Cresci a ouvir citar a Suécia como um exemplo. Nomeadamente no que toca às condições de vida que proporcionava aos seus cidadãos. Ainda hoje muitos garantem que assim continua a ser. Mas, se calhar, essa conclusão é capaz se revelar manifestamente exagerada. Ou, como diz a camaradagem sempre que a conversa não lhes agrada, isso não é bem assim. Tanto que alguns habitantes daquele país escandinavo demandam Portugal – e até o Alentejo, uma zona pobre e onde o emprego escasseia – para se instalarem e obterem aquilo que a sua pátria não lhe dá. Sim que, por norma, são essas as principais causas que levam alguém a procurar uma vida melhor, para si e para os seus, noutro país.


Por mim, estou cansado de me repetir, toda esta gente é bem-vinda. Somos poucos, velhos e, muitos de nós, com pouca vontade de trabalhar. Precisamos desesperadamente de sangue novo. De quem trabalhe, financie a segurança social e, em suma, garanta o futuro do nosso Estado-social. Daí que me pareça muito mal que os corramos a chumbo, como fez aquele fulano ali para a Póvoa de São Miguel. Um crime de ódio racial contra uns suecos, ao que dizem as noticias. Vão ver o gajo não gosta de ter ao pé da porta pessoas altas e louras, com muitos filhos e cheias de ganas para vergar a mola. Manias.

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Aquilo do holodomor foi apenas larica...

Captura de ecrã de 2021-10-10 15-59-53.png


Dizer que o capitalismo mata à fome vinte cinco mil pessoas por dia enquanto se nega a mortandade, agora e em diversas fases da história da humanidade, provocada pela falta de alimentos em diversos regimes comunistas, não tem importância de maior. Cada um, baseado em teorias mais ou menos rebuscadas construidas por si ou por outros da mesma súcia, diz o que quer e sobra-lhe tempo para mais. Por mim, limito-me a olha-los com pena e a desejar-lhes as melhoras. Preocupante é quando afirmações destas vêm de gente que se senta na mesa onde se discute o destino do país. Quem é como quem diz, o nosso. Afinal, ao contrário do que para os nossos antepassados era um dado adquirido, agora as vozes de burro chegam ao céu.

domingo, 10 de outubro de 2021

Praga de moralistas fiscais

Aquela cena dos “Pandora papers” e offshores em geral tem suscitado uma animada discussão. Seja na Internet ou fora dela. É sem surpresa que constato a existência de um inusitado número de especialistas na especialidade a debitar os mais deliciosos bitaites como se fossem verdades absolutamente indesmentíveis. Como aquele conceito extraordinário que – confesso a minha ignorância - me era completamente desconhecido e que envolve uma “obrigação moral de pagar impostos”. Deixemo-nos de tretas. Pagamos porque, tal como o nome indica, isso nos é imposto. Claro que os impostos são inevitáveis, mas quando os ditos ultrapassam o limite do razoável a obrigação moral será, quando muito, a de resistir ao seu pagamento. 


Admito que gosto de ouvir os moralistas de serviço acerca deste assunto. Nomeadamente alguns cá da terra. É ver as suas redes sociais ou ouvi-los por onde calha a barafustar contra esses malandros que tratam de colocar o seu dinheiro fora do alcance das garras do fisco. Atitude que condenam veementemente, como é óbvio. Claro que eles não são desses. É malta detentora de um elevado espírito patriótico e de uma moralidade a toda a prova. Especialmente no âmbito da fiscalidade. Só abrem uma excepção para ir ali a Badajoz comprar botijas de gás, abastecer o carro ou adquirir uma fatiota nova no “El Faro”...

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Quê...

Captura de ecrã de 2021-10-06 21-25-40.png


Não acredito! Pode lá ser! Vão ver é como diz o outro: “Isso não é bem assim...” Então o Estado, ainda mais nos últimos anos em que é governado à esquerda, ia lá fazer uma coisa dessas?! Tal como não o faria nenhuma daquelas autarquias onde este figurão tem uns “investimentos”. Decerto nenhum autarca terá tido o topete de conceder benefícios fiscais, ou criar as condições objectivas, subjectivas ou outras para o sujeito beneficiar de isenções no âmbito do IMI, IMT ou seja do que for. Se não o fazem para o IRS do comum dos cidadãos iam lá fazer para este gajo?! Mas tá tudo parvo ou o quê?! Podemos não gostar deles, mas temos de confiar na coerência e no sentido de justiça - e também do ridiculo, já agora - dos nossos politicos.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

T'arrenego, satanás! Vade retro, cenário macro-económico!

Afinal, contra todas as expectativas e ao contrário do que reiteradamente nos têm tentado convencer, o diabo continua a andar por aí. Agora, ao que parece, anda disfarçado de cenário macro-económico, ou não fosse o mafarrico um especialista na arte da dissimulação. É por causa dele, do belzebu, que este ano não há aumento de vencimento para a função pública. Tirando, claro, para aqueles que ganham o ordenado mínimo e para os desgraçados que o vão passar a auferir, engrossando assim o número cada vez maior de pobres. Aos outros, os que se vão aproximando cada vez mais da pobreza, ficam à espera que o SMN os apanhe para, então sim, terem direito a aumento.


Por mim não acho mal isso da ausência de crescimento salarial. Nem eu, nem a malta que noutras ocasiões reclamava até da pouca valorização do subsidio de refeição. Quando nesses tempos, para além do vencimento, o dito subsidio era actualizado em meia dúzia de cêntimos, não faltavam os defensores dos trabalhadores e do povo a bufar contra um aumento que nem dava para uma carcaça. Agora estão calados que nem ratos. Pior. Exultam por o funcionário que limpa a retrete já ganhar mais do que o colega que lhe processa o vencimento. Coisas do tinhoso. Ou do cenário macro-económico, que é mais democrático.

segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Cerejas, caroços e afins

Infame, a ser verdadeiro o vídeo que por aí circula, o comportamento daquela senhora forte que exerce o cargo de presidente de junta de freguesia. Aquilo incomoda qualquer um que se incomode com a falta de vergonha dos que escolhemos para nos representar. Mas, de uma ou de outra forma, é um “modus operandi” que, não constituindo regra entre os autarcas, se repete em demasia. Seja com cerejas ou com outra coisa qualquer. Só falta, naquele vídeo, a rechonchuda criatura afiançar que a culpa não é dela mas dos patifes dos funcionários que lhe estavam a enfiar a fruta pelo carro adentro e, por consequência, deviam ser eles a pagar a conta. Não constituiria, se o tivesse feito, nenhuma originalidade. Já outro tentou que lhe pagassem as “cerejas”. Parece é que se engasgou com os caroços...

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

No fim pagam os mesmos...

A ideia de tornar obrigatório o englobamento de todos os rendimentos para efeitos de IRS, defendida pela esquerda, não me parece descabida. Tem, pelo contrário, toda a lógica. É, de resto, uma opção que os contribuintes já hoje podem usar, caso isso lhes seja mais favorável. O problema está nas taxas do imposto. São um roubo. E o pior é que ninguém parece incomodado com isso. Está tudo anestesiado pela propaganda, gostam de ser roubados ou estão convencidos que isso apenas afecta os ricos. Que são, como se sabe, uns patifes que merecem ser exterminados. O que, a acontecer, tornará os pobres muito menos pobres e, simultaneamente, bastante mais felizes. Embora, para a nossa bitola, o rico seja o gajo que tem – ainda que só na aparência – um pouco mais do que nós.


O debate tem-se centrado, essencialmente, nos rendimentos prediais. Que, face à fraquissima remuneração do capital, serão o objectivo desta eventual alteração legislativa. Por mim, reitero, não se afigura despropositada. Rendimento é rendimento, seja lá qual for a proveniência. Desconfio é que as vitimas vão ser as do costume. Nomeadamente quem precisa de arrendar casa. É que não estou a ver alguém a prescindir do seu dinheiro para o entregar de mão beijada ao Estado. Será, como é óbvio, o inquilino a pagar a “factura”. Ele que agradeça à esquerda!

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Miséria engravatada

Tenho alguma dificuldade em perceber este frenesim esquerdista à volta do salário mínimo. É que, assim de repente, para além de aumentar o leque de subsidio-dependentes – o que é bom para os objectivos eleitorais da dita esquerda – não estou a ver em que medida o crescimento do SMN vai melhorar a vida seja de quem for. O dinheiro na carteira até pode ser mais, vai valer é bastante menos. Só um tolo acreditará que o aumento dos custos não terá, quase no imediato, reflexo nos preços nos bens de consumo o que, só por si, engolirá o generoso aumento oferecido pelo governo.


O objectivo, presumo, será encostar ainda mais a retribuição mínima ao salário médio e por esta via continuar a empobrecer o país. No caso os trabalhadores e povo, como diz o outro. Embora, como garantia um sindicalista, essa cena do salário médio não passe apenas de um conceito. Auferido por gente preconceituosa, calculo que tivesse vontade de acrescentar. Já quanto à intolerável carga fiscal que temos de suportar – quem trabalha, saliente-se – o homem nada disse. Nem precisava. Sei desde há muito que para os sindicatos existem trabalhadores de primeira e trabalhadores de segunda e os que, por enquanto, ainda estão acima do SMN não lhes interessam nada. É por isso que para mim os sindicalistas são todos iguais. Todos de terceira.

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Autárquicas 2021

Surpreendentes, os resultados das autárquicas. Isto porque contrariaram, no que diz respeito a alguns municípios de maior dimensão, as sondagens e as opiniões de todos os opinadores de serviço. Prova que opinião pública e opinião publicada só muito raramente coincidem. E se Lisboa foi a surpresa maior, as perdas do PCP – que muitos insistem em incluir no lote dos resultados pouco expectáveis – não me parece que mereçam o mais pequeno espanto. A estranheza, a existir, será apenas por, apesar de tudo, os comunistas ainda exercerem o poder em quase uma vintena de autarquias.


Nestas eleições intervieram, directa ou indirectamente, um inusitado número de dinossauros do poder local. Intriga-me esta indómita vontade de exercer o poder. Nomeadamente aqueles que ou já tem idade para ter juízo, ou gozam de uma saúde física e financeira que lhes permite viverem a vida sem os aborrecimentos do exercício de um cargo que, em muitas circunstâncias, dá mais chatices do que outra coisa. Gente que governou anos a fio – dezenas, às vezes – e que, por uma qualquer razão que foge à minha compreensão, insiste em perpetuar-se no poder. Desconheço o que os move mas, seguramente, não será apenas a nobre missão de bem servir o povo. Deve ser, se calhar, a vontade de morrer presidente. Como a que parece assistir ao agora eleito presidente de um município vizinho que, aos setenta e seis anos e após uma extensa carreira política, voltou a ocupar a cadeira do poder. Por cá, há quem garanta ser provável que alguém, num futuro próximo, lhe siga o exemplo. Talvez. Mas se isso acontecer, a vergonha – ou falta dela – não será só dele. Será, principalmente, nossa.

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Santos e pecadores

Desta vez tenho seguido com especial atenção, como gajo atento a estas coisas da política, a propaganda eleitoral dos diversos candidatos aos órgãos autárquicos cá da terra. Nomeadamente ao que se vai publicando nas redes sociais. A julgar pelas muitas fotografias que o partido – movimento, ou lá o que é - no poder foi divulgando, parece que, nos últimos doze anos, foi feita obra até mais não. E, se calhar, foi mesmo. Se eles dizem, não sou eu que os vou contrariar. Do que tenho a certeza é que no meu bairro, nesta dúzia de anos, não fizeram coisíssima nenhuma. Nada. Népia. Nem sequer, assim que me lembre, plantaram uma árvore. Ou, ao menos, um arbusto, vá. Isto apesar do líder espiritual deles e de mais uns quantos discípulos habitarem aqui. Deve ter a ver com aquela reconhecida incapacidade dos santos de ao pé da porta...