Nunca gostei de lugares donde não possa sair rapidamente se isso for coisa que me apeteça. Não podia, caso tivesse nascido palestiniano, dedicar-me à tão nobre missão de aterrorizar. Andar metido em túneis não é para mim. No entanto, a malta de lá tem um fraquinho por essas actividades. Diz que gostam tanto ou tão pouco daquilo que apesar da guerra ter acabado – mais ou menos, pronto – preferem manter-se nos subterrâneos apesar das IDF insistirem que isso não é uma grande ideia. Nomeadamente porque, para além da humidade e da falta da luz solar, aquilo está a ser inundado com água do mar e selado com toneladas – muitas, segundo os relatos conhecidos – de cimento. Cento e cinquenta terroristas terão ficado lá dentro. Não se sabe ao certo em que condições. Nem, sequer, se entre o material armazenado, destinado à prática do terrorismo, restam ainda escafandros, escopros, martelos ou, vá, uma bomba que lhes acalente uma vaga esperança de evacuar a área.
Apesar das noticias acerca do assunto serem contraditórias, há quem acredite que os israelitas sabiam da forte probabilidade de existirem criaturas – ainda que desprezíveis - no interior. Por mim, prefiro pensar que taparam o buraco errado com as pessoas certas lá dentro.
sexta-feira, 7 de novembro de 2025
Operação betoneira
quarta-feira, 5 de novembro de 2025
Borlas, borlas e mais borlas...
Parece que o Partido Socialista terá apresentado uma proposta de alteração ao Orçamento de Estado para 2026 visando a criação de um regime de isenção de portagens, nos troços da A2 e da A6 que atravessam o Alentejo, aplicável a residentes e empresas com sede na região. Trata-se, ao que julgo saber, da única via que atravessa o país em que se paga portagem. Uma discriminação contra a qual me manifestei em diversos posts neste blogue ao longo dos últimos anos. Assim que me recorde, o PS terá estado – em geringonça e sozinho – cerca de nove anos no poder. Torna-se evidente que, para bem do país, é imperioso que fique muitíssimos mais fora dele. É que governa muito melhor quando está na oposição.
A esquerda portuguesa rejubila com a eleição do socialista/esquerdalho/muçulmano – um tipo cheio de defeitos, portanto – para presidente daquela cidade que, há vinte e quatro anos, sofreu o maior atentado terrorista de que há memória. Cometido, convém nunca esquecer por uma quadrilha de muçulmanos. Fica-lhes bem esta alegria. Até porque o homem promete implementar uma quantidade de medidas muito do agrado da malta da canhota. Algumas, confesso, também as considero bastante aprazíveis. Nomeadamente aquelas que envolvem congelar rendas e criar uma rede de mercearias municipais. De certeza que vai correr bem…
terça-feira, 4 de novembro de 2025
Não se metam com o mercado...perdem sempre!
Diz um estudo qualquer — muito citado por cá nos últimos dias — que Portugal é o nono país da Europa com mais trabalhadores em risco de pobreza. Talvez seja. Apesar disso, haverá certamente outros indicadores em que estaremos ainda piores. No fundo, tudo em linha com o nosso honroso lugar no ranking do PIB per capita.
Deve ser a pensar nisso que o PCP propõe, no âmbito da discussão do Orçamento do Estado, um aumento do salário mínimo para mil e cinquenta euros mensais. Por mim, parece-me bem. Até podia ser mais. O mercado, que é um gajo esperto, depressa se ajustará a esse novo valor e o salário mínimo continuará a valer tanto como agora. As pastelarias e os restaurantes aumentarão os preços para compensar os custos, os senhorios darão mais um esticão nas rendas e, em geral, tudo subirá para refletir o novo “poder de compra” dos bolsos do consumidor. Ou seja, ficará tudo na mesma. Talvez um bocadinho pior. Sobretudo para todos aqueles que ganham apenas um pouco mais, os deserdados do regime. Uma imensa maioria que, com os seus impostos, sustenta estes devaneios e que, a cada demagógico e populista aumento do salário mínimo, vai ficando um pouco mais pobre.
domingo, 2 de novembro de 2025
Malucos...
Pela Europa os esfaqueamentos seguem a bom ritmo. É a vida. Os europeus têm de se habituar. Mais do que isso. Têm de respeitar as civilizações – há quem insista em considerar esse modo de vida uma civilização – onde esfaquear quem não segue a mesma ideologia religiosa é uma cena comummente aceite. Há, apesar dessa ideologia ser incompatível com o nosso modo de vida, que respeitar o sagrado direito a esfaquear pessoas. Mas nada temeis, os governos locais reagem sempre com firmeza e condenam veementemente o sucedido. Seja lá o que for que isso queira dizer. No entretanto garantem, invariavelmente, que se trata de um acto isolado perpetrado por um maluco qualquer. Tal como foram todos os outros cinquenta e quatro mil cometidos no ano passado em território europeu. Isto enquanto prossegue a bom ritmo a caça a todos os que incitam ao ódio contra os esfaqueadores sugerindo, nas redes sociais ou de viva voz, que vão esfaquear para a terra deles.
Por falar em malucos. Ontem estavam quatro a debater – sendo que um é jornalista e devia abster-se dessas lides – quando um deles resolveu abandonar o cenário. Sinto-me dividido acerca da opinião a adoptar perante o sucedido. Se siga a doutrina Prata Roque, segundo a qual sair é acto de coragem e contribui para a elevação do debate político ou a doutrina Rodrigo Taxa que, garante, abandonar é cobardia. Mesmo não sendo adepto da violência estou indeciso e quase inclinado para uma terceira via. Partir-lhes os cornos. Há quem esteja mesmo a pedi-las.
sábado, 1 de novembro de 2025
Limpem o cocó dos vossos filhos, pá!

Noutros tempos — quando eu vivia no campo e a sanidade mental ainda não era artigo de luxo — os meus cães passavam largas horas do dia sem que eu soubesse do seu paradeiro. Os meus e os da restante vizinhança. Faziam a vidinha deles e ninguém se ralava com isso.
Hoje, graças à epidemia de maluqueira que tomou conta das pessoinhas, um pobre cão já não pode ir dar uma volta — nem que seja até ao fundo da rua para esticar as patas — sem que um palerma qualquer decida que o bicho está perdido, abandonado ou em risco de depressão. Segue-se, invariavelmente, o alerta dramático para o Facebook, a que se sucede uma procissão de almas caridosas que partilham a preocupação. Centenas de malucos em desespero por causa de um rafeiro que só queria cheirar uma árvore.
Curiosamente, os mesmos anjinhos que entram em histeria com o cão alegadamente abandonado não se impressionam com os cagalhões que os seus próprios bichos vão deixando nos passeios. Estão habituados a conviver com isso, lá em casa. E o mais giro é que estas oferendas fecais são deixadas sob o olhar atento e complacente dos donos. Gente que se indigna com um penico deixado ao lado do contentor, mas acha perfeitamente natural não apanhar a merda que o seu filho peludo largou no espaço público. Ora, se o animal é mesmo um membro da família ou, segundo alguns, o rebento de quatro patas então cumpram o vosso dever de pais e limpem. Tal como limparam - espero eu - a do irmão pelado.
quinta-feira, 30 de outubro de 2025
Diz que és um bandido sem dizeres que és um bandido.
Ao que tem sido noticiado, a ONU — mais precisamente o seu secretário-geral, aquele senhor que conseguiu a proeza de ser o pior primeiro-ministro que Portugal já teve — ficou horrorizada com uma operação policial no Rio de Janeiro. A polícia, imagine-se, ousou intervir contra um grupo de bandidos que, por mera coincidência, se dedica a atividades criminosas que aterrorizam a população local. O historial da casa já fazia adivinhar esta reação. O que seria mesmo de espantar era ver aquelas alminhas sensíveis manifestarem horror pelas execuções sumárias de palestinianos às mãos do Hamas. Mas não, isso é coisa que não os impressiona. O que lhes causa verdadeiro pavor são umas quantas dezenas de malfeitores abatidos . Isso sim, é o fim da civilização.
Por cá, muita gente de esquerda também não quis ficar atrás e apressou-se a manifestar a sua indignação nas redes sociais. Não que me surpreenda . Afinal, há muito que se sabe que boa parte dessas criaturas têm um fraquinho especial por marginais. Ou vitimas vítimas do sistema capitalista, como gostam de dizer. Já as verdadeiras vítimas, as que sofrem nas mãos dos tais marginais, essas raramente contam.
Estas reacções pouco me espantam. Estou cada vez mais convencido da fragilidade da saúde mental e da elasticidade moral dessa gente. Defendem o Estado metido em tudo — da economia às tabernas — mas, curiosamente, tornam-se liberais ferrenhos quando o assunto é criminalidade. Nesse campo, o lema parece ser “menos Estado, mais bandidos”. Se calhar, é porque têm algum investimento sentimental — ou talvez financeiro — no setor.
terça-feira, 28 de outubro de 2025
É mais o cabaré da coxa...

Uns cartazes do Chega — ou do Ventura, não sei ao certo, mas vá, é praticamente a mesma entidade — a proclamar que “isto não é o Bangladesh”, estão a deixar algumas almas à beira de um ataque de nervos. Ao ponto, pasme-se, de já haver quem apresente queixas por xenofobia, discurso de ódio e sabe-se lá mais o quê. Esquisito, este frenesim. É melhor decidirem-se. Acusam o homem — e o partido — de mentir constantemente e quando por uma vez dizem a verdade, queixam-se também. Deve ser gente que faltou às aulas de Geografia, certamente.
Claro que, em alternativa, o cartaz podia ter dito “isto não é a Suíça”. Geraria indignação na mesma, mas pelo menos levaria os eleitores a pensar: “Pois não… mas é pena.” O que, convenhamos, seria uma jogada de marketing bem mais inteligente. Assim, o comum dos mortais limita-se ao “pois não”. O que é, manifestamente, pena. Mas isso sou eu a divagar, que onde uns veem xenofobia e racismo eu vejo apenas um erro de publicidade mal direcionada.
Calculo que, com tanta lamúria sobre a alegada bandalheira em que o país vive, não tardará a surgir outro cartaz com os dizeres “isto não é o da Joana”. Se assim for, vai ser o bom e o bonito. Desde a choramingas do Livre, passando pelos zelosos da Comissão Nacional de Proteção de Dados até às feministas militantes e aos papagaios que debitam como verdades absolutas o que ouviram na televisão, todos descobrirão crimes de vária ordem na expressão tão tipica do linguajar português. Afinal, isto não é nenhum dos outros países do mundo. É Portugal. Uma espécie de "cabaré da coxa".
segunda-feira, 27 de outubro de 2025
Ri-te deles Argentina...
Pouco se tem falado e escrito na comunicação social portuguesa acerca da Argentina nos últimos anos. O que quererá dizer que aquilo por lá deve estar a correr bem. As poucas noticias que vão aparecendo é sobre velhinhos com reformas cortadas e vulneráveis diversos que, com o fim dos inúmeros subsídios que lhes permitiam viver sem trabalhar, tiveram de procurar outra vida. O que, nomeadamente a estes últimos, tem provocado um sofrimento atroz. Compreendo-os. Trabalhar, a mim, também me aborrece. Apesar disso o partido do Presidente Milei, ganhou as eleições legislativas de 26 de Outubro e reforçou a sua posição no Parlamento lá do sitio. Quem diria que as previsões e, sobretudo, a opinião da malta do jornalismo activista não tinha nenhuma correspondência com a vontade popular. Uma chatice, isso de lá como cá o povo não lhes ligar nenhuma.
sábado, 25 de outubro de 2025
Agricultura da crise

Isto aqui pela agricultura da crise está do piorio. Vai uma crise que só visto. Os citrinos foram atacados por diversas pragas e estão todos, de todas as árvores, a cair de podres. Nem uma peça para amostra deverá sobrar. O pior é que a situação, ao que sei, é generalizada. O mais provável é a fruta nacional que chegar ao mercado estar carregadinha de produtos químicos e a um preço bastante simpático na perspetiva de quem vende.
Tudo o resto, cá no quintal - desde as couves às alfaces, da salsa aos coentros e das nabiças à hortelã - está infestado de lagartas. Muitas iguais às da foto, que é possível localizar, e de outras tantas completamente verdes. Tão verdes, mas tão verdes que são praticamente indetectáveis por quase não se distinguirem das plantas. Do que sobra tratam as lesmas, caracóis e passarada de várias marcas.
Salva-se, por enquanto, a abóbora. A única que até agora dá mostras de querer resistir. Todas as outras - já foram umas quantas - faleceram muito antes de atingir um tamanho sequer comparável a esta.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025
Justiça poetica
Sócrates, o José, queixou-se da conta exorbitante que o fisco lhe apresentou para pagar de IRS. Quarenta e tal mil euros, segundo se lamentou e que qualificou como um roubo perpetrado pelo Estado. O homem sabe do que fala. Até porque ele foi dos que contribuiu para o aumento desmesurado desse saque. Por um lado apetece-me parabeniza-lo pela autocrítica, quiçá pelo arrependimento implicitamente revelado, mas não o faço. Pelo contrário, até vou abrir uma excepção e congratular-me pela violência fiscal que se abateu sobre a criatura. Bem-feito. Ter sido vitima do próprio veneno deve ter doído.
O CDS, esse micro-partido que pode comprar ou alugar um Smart para transportar confortavelmente o grupo parlamentar, esta semana desiludiu-me profundamente. Diz que apresentou um projecto de lei visando impedir que nos edifícios públicos sejam hasteadas outras bandeiras para além das institucionais. Acho mal. Muito mal. Então querem lá ver que a bandeira do Benfica não vai poder ser hasteada na Assembleia da República quando o glorioso ganhar a Champions?
quarta-feira, 22 de outubro de 2025
Reivindicar a intimidade...
Aquela snob armada ao pingarelho, que debitava alarvidades em catadupa na televisão paga com os nossos impostos, foi finalmente despedida da estação pública. Já não era sem tempo. Anda agora dedicada ao “activismo”. Diz que vai organizar uma manifestação para o próximo fim de semana — onde, ao que parece, ela e os três gatos pingados que aparecerem irão reivindicar coisas.
A primeira reivindicação, pelo menos numa das “convocatórias” (no meu tempo de manifestante chamava-se assim), é “uma casa para todos com espaço para ter intimidade e construir memórias”. Muito bonito. Sendo apenas uma casa, é difícil que caibam lá todos… mas presumo que, ainda que apertados e com a intimidade um bocadinho comprometida, memórias — disso não faltariam. Daquelas verdadeiramente, digamos, memoráveis.
Isto, claro, sou eu a divagar — que é, passe a gabarolice, uma das coisas que faço melhor. O que ela, na verdade, quer dizer é que cada português — ou vá, uma família, ou o que calhar — deve ter direito a uma casa onde possa dar uma queca descansado, sem a vizinha do lado dar por isso. Providenciada — a casa, entenda-se — pelo Estado, naturalmente.
Mas a dita manifestação não se fica por aqui. É muito mais “abrangente”. Também se insurge contra o milhão e meio de portugueses que ousaram votar num determinado partido e, veja-se a coincidência, contra a lei anti-burka. Ou seja, uns quantos — poucos, previsivelmente — milhares vão manifestar-se contra um problema (a burka) que segundo eles não existe, enquanto gritam que milhão e meio de pessoas estão erradas. Faz todo o sentido.
Como vou estar por perto, sou gajo para dar lá um saltinho. Já sinto saudades de me manifestar.
terça-feira, 21 de outubro de 2025
Marradas de carneiro mal morto
Depois de jurar a pés juntos que se ia abster na votação do Orçamento do Estado para o ano que vem — qual monge em jejum de decisões — o Carneiro do PS afinal decidiu que já não gosta assim tanto do documento do Governo. Mudou de ideias, o homem. Deve ter olhado para as verbas e pensado: “eh pá, esturrar o dinheiro também é uma arte — e eu quero o meu quadro pendurado noutro museu”.
Nada contra. Até porque o plano dele é esturrar o dinheiro de forma mais caridosa distribuindo o bodo pelos reformados com pensões mais baixas, e ainda por cima de forma permanente. É bonito. É justo. É quase poético. Assim de repente, lembro-me de alguns ex-colegas que se reformaram aos trinta e seis anos de serviço — quando ainda se podia ir para casa enquanto o corpo aguentava o dominó — e que ficaram com a pensão mínima. Uns quinhentos e poucos euros. Uma tragédia, se não fosse o apartamento no Algarve e o T2 em Lisboa arrendado a estudantes. Mas pronto, esses merecem este mimo do Carneiro socialista, tal como merecem os outros — os que nunca descontaram um cêntimo, ou descontaram só o que não passava por baixo da mesa. Tadinhos. Há que cuidar deles, não vão um dia destes votar nos fascistas.
Os restantes, os que trabalham e descontam tudo, podem continuar a pagar e a sorrir. Quando chegar a vez deles, logo se vê. Talvez ainda consigam uma pensão que dê para pagar a luz e um pastel de nata ao fim de semana. Mas que não se queixem, que o Carneiro está a marrar com toda a força por um país mais justo. Desde que a conta venha em nome dos mesmos.
segunda-feira, 20 de outubro de 2025
O cu e a feira de Borba
A chamada “lei da burka” está a suscitar reacções inusitadas. Mesmo pessoas que se assumem como uma espécie de vanguarda da sociedade, uma linha avançada contra o obscurantismo, criaturas que se acham dotadas de mentes intelectualmente superiores, feministas militantes em particular e defensores dos direitos das mulheres em geral estão todos contra esta lei. O argumentário usado gira em torno de dois pontos. Um deles a comparação ridícula com trajes e vestimentas que por cá se usavam há cinquenta anos atrás ou, ainda mais ridículo, com gorros, cachecóis ou véus de noivas. Ou, mais aceitável, criticando a intromissão do Estado na forma como as mulheres se devem vestir quando saem à rua. Quanto ao primeiro argumento, parafraseando os próprios autores, se não percebem a diferença, o problema não está na fatiota, mas sim neles. Nomeadamente ao nível da cabecinha, coitados. Quanto ao segundo, o do Estado não ter nada de se meter na maneira de vestir das mulheres, estarei completamente de acordo quando se revoltarem, com igual indignação, contra aquela lei que proíbe as mulheres de andar na rua - ou, vá, pelo menos na praia - com as mamas ao léu.
domingo, 19 de outubro de 2025
Greves públicas, trabalhos privados
Um sindicato qualquer – da função pública, quem mais – já anunciou a realização de uma greve – à sexta-feira, claro – contra, entre outras coisas, o orçamento de estado para 2026. Aguardo, com pouca ansiedade, a presença dos sindicalistas de serviço para me explicarem qual o ponto em concreto – ou pontos, igualmente em concreto - que suscitam a sua discordância, ao ponto – lá está, aqui é que bate o ponto – de se sentirem na obrigação de convocar uma greve. Que é, ao que se dizia nos tempos em que eu ia a reuniões promovidas pelo sindicato, a última arma dos trabalhadores. Desde então já passaram quarenta e tal anos e de há muitos a esta parte parece-me que é mais a primeira arma do Partido Comunista.
Apesar da pouca sensatez desta greve – que, obviamente, não passa de uma prova de vida do PCP – ainda não chegámos, por cá, à maluqueira que assola outros países. Em Itália e Espanha, por exemplo, fizeram um dia de greve geral em solidariedade com a Palestina. Chamar-lhes malucos é capaz de ser pouco. Aquilo é mais uma alucinação colectiva. Algumas noticias dão conta de uma adesão, no país vizinho, de 40% entre os professores e pouco mais de 5% na saúde. Normal. São conhecidas as maleitas de que padecem os primeiros – lá como cá - e os segundos, se calhar, aproveitaram a greve pública para ganhar uns cobres no privado.
sexta-feira, 17 de outubro de 2025
Um "Yukk" atrás de cada burka

Por que raio há-de alguém, em seu perfeito juízo ou até mesmo fora dele, querer andar de cara tapada na rua? Fazê-lo não me parece uma opção muito inteligente. A não ser que se trate de uma criatura para lá de feia e que para preservar a paz e a tranquilidade pública se veja na necessidade de ocultar o rosto. Uma cena assim como a daquele cão - o Yukk - personagem de uns desenhos animados dos finais dos anos setenta, que era tão feio, mas tão feio, que apenas podia sair à rua com a cabeça enfiada dentro de uma casota. O canito era uma espécie de ajudante do super-herói seu dono e caçava os bandidos com o simples movimento de levantar a casota exibindo o focinho. Os patifes, coitados, desmaiavam de imediato perante a visão de tamanha fealdade. Episódios houve em que até os prédios desabavam.
Obviamente ninguém de bom senso deseja que uma coisa destas um dia se torne realidade. Mas isto, como o mundo está, nunca se sabe. Previdente, como sempre, a esquerda votou contra aquela ideia manhosa de não permitir caras tapadas no espaço público. Muito bem, camaradas. É esse o espírito. Nunca se sabe que camafeu se esconde atrás de uma burka.
quinta-feira, 16 de outubro de 2025
Autárquicas – Os derrotados

Derrotados houve muitos nas autárquicas de Domingo. Poucos o assumem, mas nem é preciso. Todos os partidos fazem questão de garantir que os adversários perderam. E os números, vitimas da mais atroz tortura, estão lá para confirmar o que calhar a ser a vontade de quem os usa. Vejamos a extensa lista de perdedores. O PS sofreu uma pesada derrota. Ou várias. A pior foi em Loures. O PSD também perdeu. Precisou de muletas para ganhar um número significativo de autarquias e noutras, por exemplo em Setúbal, ficámos sem saber se ganhou ou não. Se sim, se calhar melhor seria ter perdido. O Chega, alarvemente, anunciou que pretendia vencer em trinta municípios. Ganhou em três. É o que dá ter mais olhos que barriga. Mesmo assim, veremos se daqui por um ano ainda alguma se mantém em seu poder ou se os respectivos autarcas já foram pregar para outra freguesia. A IL e o Livre não contam para este campeonato. São mais uma espécie de empatas. O BE nem isso. Aquilo é pior do que a peçonha. Onde aparecem é derrota garantida.
quarta-feira, 15 de outubro de 2025
Autárquicas - Os vencedores.

Os números foram as principais vitimas das recentes eleições autárquicas. Coitados, foram torturados até à exaustão. De tal maneira que dizem o que todos querem que eles digam. Não há partido que não garanta que os números demonstram a sua vitória e, simultaneamente, evidenciam a derrota dos adversários. E é, mais ou menos, verdade. Se não vejamos. O PS ganhou porque foi o partido que, sozinho, teve mais votos e mais mandatos. O PSD ganhou porque obteve, sozinho ou em coligação, o maior número de presidência de Câmaras e, ao que alegam, as mais importantes. O Chega canta vitória porque antes não tinha nenhuma presidência e agora tem três, faltou pouco para ganhar mais meia-dúzia e aumentou em não sei quantos o número de mandatos. O PCP teve uma estrondosa vitória porque duplicou o número de votos face às legislativas de Maio. A IL multiplicou por três a quantidade de eleitos nos diversos órgãos autárquicos e tem agora um total de 275 eleitos. O Livre, não sei ao certo porquê, também consta que ganhou qualquer coisa. Se eles dizem não os vou contrariar. Não é coisa que se faça a pessoas com aquelas características. Aos do BE, justiça lhes seja feita não ouvi dizer que ganharam seja o que fosse. Era, também, o que mais faltava. Aquilo é uma espécie de barcaça a afundar. Não admira. Tem metido muita água ultimamente. Desconfio, até, que nem com ajuda humanitária lá vai.
segunda-feira, 13 de outubro de 2025
Eles estão a gozar connosco, não estão?

Noutros tempos cada aldeia tinha o seu maluquinho. Hoje os maluquinhos migraram para as cidades e tomaram conta do poder. Estão por todo o lado, mandam em tudo e ai de quem ousar discordar das suas ideias. Há, entre os maluquinhos que mandam nisto tudo, diversas variantes de maluquice. Uma delas é a climática. Primeiro convenceram-nos que teríamos de mudar para carros menos poluentes. Passámos a usar automóveis híbridos ou elétricos e dessa maneira reduzimos substancialmente o consumo de combustíveis fósseis. Situação que, obviamente, é muito desagradável para os maluquinhos dos impostos. Daí que a solução seja criar novos impostos que substituam os impostos que deixámos de pagar por termos seguido as ideias dos maluquinhos. Daqueles impostos que, dizem os maluquinhos, servem para proteger o ambiente. Assim nós não ousamos questionar as ideias dos maluquinhos para não passarmos por fascistas e gente sem preocupações com o futuro do planeta, da humanidade em geral e da Gretta em particular. Iremos, mais dia menos dia, pagar imposto por causa das partículas originadas pelo desgaste dos pneus e pelo uso dos travões dos automóveis. Dizem os maluquinhos que os pneus e as travagens mandam partículas até mais não para a atmosfera. E eu acredito, que não quero cá ser facho, ou lá o que chamam agora a quem não gosta de maluquinhos.
Suponho que a seguir virá um imposto sobre as pantufas, os xanatos e o calçado geral. Desgastam-se muito e, por isso, também devem mandar partículas com fartura. O que me espanta é que ainda não se tenham lembrado de criar um imposto sobre a flatulência. Isso também liberta partículas. Como não há cú que não largue traque, a felicidade dos maluquinhos dos impostos estaria garantida. Já os maluquinhos do clima pensariam na obrigação de cada um usar um filtro de partículas. Cuja utilização estaria, naturalmente, sujeita a imposto.
domingo, 12 de outubro de 2025
Gajas das causas e outros malucos
Ver alguém, no ocidente, defender seja o que for que se relacione com a ideologia islâmica – sim, é uma ideologia – é algo que está muito para além da minha compreensão. Pior ainda quando são mulheres a fazê-lo. E há muitas. Por mim, apesar de me causar repulsa, nojo e em menor escala alguma pena por quem evidencia um estado de saúde mental tão degradado pouco me importo que se entusiasmem com aquela doutrina. Não aceito é que a pretendem impor aos demais ou que façam daquilo em que acreditam verdades oficiais. Pratiquem o que quiserem dentro dos respectivos quintais. No espaço público manda a maioria e a maioria, por enquanto, ainda é gente decente.
Por falar em decência – e, também, na falta dela – continuo a aguardar que as feministas e todos os que enchem a boca com os direitos da mulher, a discriminação contra as mesmas e toda a restante retórica da moda se congratulem pela atribuição do Nobel da Paz a Maria Corina Machado. Se calhar é esperar demasiado destes mentecaptos. Mais depressa se congratulariam se tivesse sido atribuído ao líder terrorista que organizou o 7-10.
Diz que aquilo do genocídio já acabou. Esquisito, isso. É que continuam a chegar noticias de palestinianos exterminados sumaria e publicamente em Gaza. Como desta vez os genocidas são outros palestinianos, não deve ter importância nenhuma. Também quanto a este caso continuo a aguardar que os “frifri palestina” se congratulem pelo acordo de paz alcançado. Para eles constitui um aborrecimento, mas podiam disfarçar e fingir que estavam contentes. Nunca quiseram a paz, isso não lhe interessava nada, pelo que se o acordo se concretizar ficam sem motivo para continuar a guinchar, a partir coisas e a ofender quem não segue a manada. Arranjarão outros, rapidamente. O ódio cego que têm à nossa civilização e a vontade que manifestam da destruir – para substituir por outra onde eles serão as primeiras vitimas – depressa encontrará outro pretexto para continuarem a ser aquilo que são. Uns idiotas.
PS: A sério que houve alguém que justificou a necessidade de ir votar por causa do PRR?! Eh pá, internem o homem!
sexta-feira, 10 de outubro de 2025
Rata noitibó

Esta ratazana passeava-se alegremente, ainda há escassos minutos, aqui pelas imediações. Cruzámo-nos durante a minha caminhada nocturna. Agora deu-me para isso. Para caminhar antes de ir para a caminha. Pelos vistos a ela também, à ratazana. Há quem não aprecie a sua presença. Por mim é como o outro, desde que não me incomode também não as aborreço. Têm tanto direito a viver neste planeta como a demais bicharada. E, diga-se, vivem bem. Morfes não lhes faltam, pois as maluquinhas dos gatos distribuem comida em proporções industriais por todo o lado. Aquilo dá para tudo o que tenha quatro patas assentes no chão. Ou mesmo menos. Só surpreende que, apesar da profusão de ração para gatos espalhada pela cidade, a população desta bicheza não seja muito superior. Por enquanto.
quinta-feira, 9 de outubro de 2025
Quando a falta de empatia estraga a narrativa
Detesto algumas palavras que se banalizaram no vocabulário político nos últimos anos. “Narrativa” e “empatia” são duas delas. Ambas, curiosamente, popularizadas por dois antigos líderes do Partido Socialista. Deve ser por isso que lhes tenho aversão. Mas, seja como for, admito que nas últimas duas semanas tem havido muito disso. De empatia na narrativa. Ou narrativa com muita empatia. Que é o mesmo, mas dito ao contrário.
Quem não esteve para empatias foi aquela alegada cigana que interpelou o André Ventura numa terriola qualquer. “Não gosto de ti, meu maluco” podia ser o resumo da interpelação, não fosse ter-se seguido a revelação – bombástica, dada a imprevisibilidade da declaração – do estado civil da senhora. Ou deverei dizer menina? Bom, não interessa. O que interessa é que aos cinquenta e dois anos mal conservados, garante que é solteira. E é aqui que a narrativa tropeça. Tanto quanto se sabe todos os ciganos que “casam” entre si são, para efeitos legais, solteiros.
Independentemente da situação matrimonial da criatura, o encontro espontâneo e meramente fortuito entre a cidadã e político até parecia estar a cumprir os objectivos. Fossem eles os que fossem. Mas nisto cada um vai para seu lado e a alegada cigana, virando-se para as câmaras de televisão que captavam avidamente a cena, remata: “Aqui ninguém gosta dele. Votamos todos no PSD”. Bolas, pá. Porra, cum camandro. Logo agora que aquilo estava a correr tão bem é que o raio da mulher foi estragar a narrativa. Que falta de empatia, pá.
terça-feira, 7 de outubro de 2025
Investimento piramidal
Parece que a Alemanha quer aumentar a idade da reforma para os setenta e três anos. Por curiosidade – mera coincidência, diria – é um dos países que mais imigrantes e refugiados recebeu nos últimos dez anos. Aquela malta que, supostamente, vem salvar a Segurança Social e, segundo o discurso da moda, pagar as nossas reformas. Para os alemães, pelos vistos, não serviram de nada. A menos que os especialistas especialmente especializados na endrominação do povo venha agora garantir que sem eles a idade da reforma teria de passar para os cem anos.
Entretanto os marroquinos que deram à costa no Algarve vão poder continuar por cá e contribuir activamente para o bem estar da segurança social. Enquanto isso, a segurança social já está a contribuir, também activamente, para o bem estar deles. É um investimento, dirão alguns. A mim, que desconfio de contas feitas por activistas, parece-me mais um esquema de pirâmide.
segunda-feira, 6 de outubro de 2025
Fri-fri palestaine
Não assinei a petição para que Israel não devolvesse a Mortágua. Fazê-lo era, obviamente, apenas alinhar na parte piadista da coisa pois o seu efeito seria nulo. Mas não. Mesmo assim não subscrevi a ideia de deixar lá a criatura. Os israelitas, apesar de tudo não merecem. A bem dizer ninguém merece. Malucos, já dizia a minha avó, cada um que ature os seus. Eles aturam os deles, nós aturamos os nossos. Parece-me justo.
Por falar em malucos. “Os fri-fri palestaine” estiveram particularmente activos no fim de semana. Invadiram uma estação de comboios e impediram a circulação dos mesmos. Prejudicaram com os seus actos tresloucados quem nada tinha a ver com os protestos, sem que tenham contribuído para resolver seja o que for. Embora isso pouco lhes importe. Aquela gentalha nem interessa que o conflito acabe. Se acabar é mais uma causa que perdem e menos um motivo que têm para exibir a sua estupidez. Neste ataque a esta infraestrutura publica – um crime público que nem necessita de denúncia para a justiça intervir – a policia limitou-se a assistir. Não é para isso que lhes pagamos, é para manter a ordem e isso foi coisa que não fizeram. Ou não lhes deixaram fazer. Dá igual.
Salta à vista, nestes movimentos “fri-fri palestaine”, que as pessoas envolvidas nestes protestos – para além de um aspecto físico deplorável, mau gosto na indumentária e acentuada indigência mental - são praticamente todas brancas. Quase não existem, pelo menos em Portugal, cidadãos de origem africana envolvidos nestes protestos. Porque será?
quinta-feira, 2 de outubro de 2025
Prometer é preciso...

A minha paciência para ler programas eleitorais é muito escassa. Nem mesmo cá os da terra me suscitam especial atenção. Aquilo é, basicamente, tudo igual. Verdade que não há grande margem para inventar – já está quase tudo inventado - nem os eleitores destas paragens nutrem uma simpatia por aí além pelas ideias mais arrojadas. Coisas quase banais, como um teleférico até ao castelo ou algo verdadeiramente inovador a nível mundial, como um centro de acolhimento a investidores de outros planetas, não há quem se atreva a propor. O eleitor local gosta mais de ter os pés bem assentes na terra. É mais pelo alcatrão, portanto.
O melhorzinho que vi, no âmbito no âmbito dos comes e bebes, foi a criação do “Festival do tremoço”. Uma belíssima ideia, diga-se. Pena não terem aproveitado para incluir, já no âmbito desportivo, um torneio que envolva cuspir as cascas dos tremoços. Era uma espécie de dois em um. Que podia, até, ter várias variantes. Desde a distância a que a casca fosse cuspida até à pontaria evidenciada pelo acerto num alvo predeterminado. Ainda na temática das festividades, confesso que tive esperança de ver incluída num qualquer programa eleitoral a realização de um “Festival da Cannabis”, já que na região existem empresas que se dedicam ao cultivo da planta. Bolos, licores e o que mais a imaginação providenciasse trariam de certeza muita gente à cidade. Mas não. Nem isso. É o que dá o Bloco de Esquerda não ter candidato.
É por tudo isso que ao invés da leitura dos programas, prefiro ver os nomes e as fotos de todos os que integram as listas de candidatos aos diferentes órgãos. Especialmente os que estão para lá dos lugares elegíveis. Para ficar a conhecer desde já os novos colegas.
Contas enviesadas
Tenho manifesta dificuldade em acompanhar as conclusões de diversos estudos que, ciclicamente, vão sendo divulgados acerca das cenas mais variadas. Deve ser problema meu, admito, mas aquilo que uns estudiosos concluem contradiz o que, noutros estudos, concluíram outros especialistas que também estudam coisas.
De um desses trabalhos conclui-se que sem imigrantes seria necessário aumentar a carga fiscal em oito por cento. Se os estudiosos assim concluíram, obviamente, não sou eu que os vou desmentir. Eles é que estudaram. O que me inquieta é que outros estudos garantem que a imensa maioria dos imigrantes apenas ganha o SMN e muitos, ao que afirmam outros especialistas, nem isso. Logo não pagam IRS. Não falta também quem, após aturados estudos, tenha concluído que esse pagode gasta uma parte significativa do salário a pagar a renda dos locais onde vivem amontoados e outra a saldar a divida às máfias que os trouxeram para cá. Por outro lado a bandidagem não entregará nenhum imposto relativo aos valores extorquidos e os senhorios, ao que se conclui doutros estudos, nem sequer passam recibo das instalações que os acomodam. Se calhar são aqueles imigrantes que nós cá não queremos, os patifes que vem para cá comprar as casas que nos fazem falta para habitar ou aqueles com as profissões a quem dão logo direito a autorização que residência, que andam a ser explorados pelo fisco. Uma boa maneira de os integrar, diga-se.
terça-feira, 30 de setembro de 2025
Uma maçada, essa coisa dos votos...

De acordo com a capa da edição impressa do jornal Público, essa grande referência do activismo jornalístico, as próximas eleições autárquicas serão as “mais difíceis da história da democracia”. Não sendo assinante da versão on-line do referido pasquim e a minha natureza pouco dada a gastar dinheiro em inutilidades, fico sem saber quais são os motivos que fundamentam o dramatismo da noticia.
Para a dificuldade inerente a este acto eleitoral, assim de repente, só me ocorre a eventualidade dos quadrados onde os eleitores colocam a cruz correspondente à sua opção de voto sejam significativamente mais pequenos. O que, concordo, constituiria um problema para criaturas como eu que já evidenciam uma manifesta dificuldade em lobrigar a curta distância.
Eleições em democracia nunca são um problema. Os resultados que delas saírem, também não. Sejam eles quais forem. Até porque não correremos o risco de suceder, ao contrário do que acontece noutras partes do mundo muito apreciadas pelo Público, de os vencedores se recusarem a abandonar o poder no final dos respectivos mandatos. Os eleitos que saírem vencedores desta eleição não agradarão a todos. Inclusivé, eventualmente, a mim. É a vida. Quem é como quem diz a democracia, ou lá o que se chama aquele regime onde os habitantes de um país escolhem livremente quem os governa.
domingo, 28 de setembro de 2025
Habitação é investimento. Sempre foi e sempre será.

Tenho a ousadia de pensar que percebo alguma coisa do tema “habitação”. Assumo também que tenho a pretensão de ter algum conhecimento – ainda que vago, admito – acerca de impostos. Nomeadamente daqueles que tenho de pagar. Manias, mas isto cada um tem as suas e pouco há a fazer. Também não me custa nada admitir que muitos outros sabem bastante mais do que eu acerca destes dois assuntos. Tenho, até, humildade suficiente para reconhecer o meu incipiente conhecimento relativamente a estas temáticas – e respectivas solucionáticas – quando comparado com muitos criadores de conteúdos digitais, frequentadores de cafés e tudólogos que tudo sabem destes e de outros problemas.
Ao contrário dos inúmeros especialistas especialmente especializados na especialidade, consigo vislumbrar algumas virtudes nas medidas para a habitação. Quer do actual, quer do anterior governo. Até, no caso das mais recentes, consegui perceber que o conceito de “até 2300€” inclui as rendas de 400, 800, 1000 ou 1500€. Mais, cheguei mesmo à conclusão – e, espantosamente, sem a ajuda de ninguém – que este é o limite proposto para aplicação da taxa de 10% de IRS. O que tenho mais dificuldade em perceber – e isso, confesso a minha burrice, nem com ajuda lá chego – é o que tem o salário mínimo a ver com isto. Mas, diga-se em abono da minha incapacidade para compreender o argumento, quem o usa também não o sabe relacionar de forma lógica.
O problema da habitação não tem apenas uma causa. Quem não anda cá a “comer gelados com a testa”, identifica mais uma neste titulo do “Jornal de Noticias” de hoje.
sábado, 27 de setembro de 2025
"Subsidiacão" ou a irracionalidade do esbanjamento

Já garantia um bacoco qualquer, lá no parlamento, que de “utiliza com demasiada frequência a palavra vergonha”. Receio, ainda assim, que não esteja a ser usada o número suficiente de ocasiões face à vergonhosa realidade do país. Nomeadamente à pouca parcimónia que os governos – seja qual for – fazem dos dinheiros públicos. Ao contrário do que muitos possam pensar o Estado não produz dinheiro. A miríade de subsídios, apoios, compensações ou o que queiram chamar à generosidade dos políticos que circunstancialmente governam, apenas tem duas origens. Uma, é a nossa algibeira e, a outra, a contração de divida. O que vai dar ao mesmo da primeira, porque somos nós que a pagamos. Daí que fique sempre fora de mim quando ouço ou leio que o governo vai dar isto, subsidiar aquilo ou financiar uma badalhoquice qualquer. Vai nada. Quem apoia, subsidia e financia somos nós. Apoiamos, financiamos e subsidiamos quando compramos batatas, abastecemos o carro ou recebemos o ordenado. Mais me aborrece ainda quando são anunciadas reduções de impostos, geralmente na ordem dos cagagésimos, e se levanta um coro de indignação por, alegam, o Estado ficar sem dinheiro para o SNS ou educação. Que são, invariavelmente, as mais funções mais citadas para atirar à cara quando o saque fiscal é aliviado em meio pentelho. Nunca lhes ocorre nenhuma outra das muitíssimas liberalidades do Estado.
Por falar em maluquices. Hoje apareceu-me mais esta. Subsidiar a alimentação de cães. Tenham juízo. Ou noção, como dizia o outro. Depois não se queixem da fuga ao fisco. Fazer de tudo para escapulir a contribuir para estas patetices é quase uma obrigação para qualquer contribuinte ajuizado.
quinta-feira, 25 de setembro de 2025
Malucos das xenofobias
São uns pândegos estes jornalistas/activistas. Descobrem cada coisa que isto só visto. Parece, até, que andam ao despique uns com os outros para ver quem inventa a alarvidade mais esquisita. E, tenho de confessar, alguns merecem a minha admiração pela capacidade inventiva que evidenciam na criação de novos preconceitos. Agora inventaram que sentimos – nós, os portugueses – xenofobia culinária pela comida africana. Não sei ao certo o porquê, nem isso me interessa muito, desta conclusão. Não gosto de vários pratos tipicamente espanhóis e não tenciono, pelo menos enquanto tiver dinheiro para pagar a luz e o gás, comer sushi. O que fará de mim, do ponto de vista destes malucos e aplicando o mesmo principio, um xenófobo do piorio no âmbito gastronómico.
Aguardo, sem nenhuma ansiedade e manifesta indiferença, que estes – ou outros, tanto faz – jornaleiros/activistas/avençados/malucos declarem que o governo padece de xenofobia imobiliária. A intenção do executivo direitolas, hoje anunciada, de aumentar o IMT a pagar por estrangeiros não residentes que comprem imóveis em Portugal é claramente xenófoba, por discriminar cidadãos em função do território onde nasceram. Vou buscar uma cadeira para ficar mais confortável, que a espera vai ser longa. E se ficar com fome até pode vir uma moqueca. Peixe não puxa carroça, mas a fome é negra.
terça-feira, 23 de setembro de 2025
Uma espécie de cartão de boas vindas...

Podem fazer as campanhas que quiserem. Comprar dispensadores de sacos às dúzias e espalha-los por todos os cantos – e mais alguns pelos recantos – da cidade. Disponibilizar sacos de plástico – ou de papel, que é mais ecológico e não aborrece as Gretas desta vida – às paletes e oferecê-los aos munícipes. Não vale a pena. Os tutores - é assim que se diz na novilíngua – estão-se cagando, também eles, para tudo. O canito arreia o calhau onde lhe apetecer e ninguém tem nada a ver com isso. O que, reconheço, faz sentido. Se ninguém quer saber se a taxa de licenciamento do bicho foi paga na respectiva junta de freguesia e as demais obrigações estão devidamente cumpridas, também ninguém tem nada a ver com o sitio onde caga. Mesmo que seja à porta dos outros, no local onde – um dia – alguém terá de repor o pavimento e no meio da rua que conduz a uma das mais prestigiadas unidades hoteleiras da cidade. Sim, o que se vê na foto é mesmo merda de cão que o merdas do dono não recolheu.