quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Alarvidades

Se há coisa que me indigna – e o que não falta são cenas que me indignam – é a indignaçãozinha selectiva. Ou seja a ofensa que suscitam certas situações e a indiferença que outras provocam. Por mais semelhantes que sejam entre si. Como, por exemplo, as declarações de dois banqueiros que, nos últimos dias, resolveram dizer coisas. Um, o que mencionou o elevado padrão de consumo dos portugueses, foi duramente criticado por tudo e todos. O outro, que lamentou os juros pagos pelo Estado nos certificados de aforro, não mereceu a mais leve critica.


Este comportamento é suficientemente revelador da ignorância generalizada de que padecem os comentadores das redes sociais e dos portugueses em geral. Criticam e indignam-se com declarações que mais não são do que a constatação de um facto – o padrão de consumo – e não se chateiam com uma opinião – a supostamente elevada taxa de remuneração dos certificados de aforro – que tresanda a alarvidade. Das duas uma, ou são parvos ou não sabem fazer contas. Vou de dupla.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Pirados

IMG_20230206_201145


Muita gente se indigna por o Estado entregar o cumprimento das suas funções, seja no âmbito da saúde ou outras, aos privados. Não vou estar para aqui a perorar acerca do mérito ou demérito dessa opção. São opções legitimas dos sucessivos governos devidamente estribadas na legislação que ao longo dos anos tem sido produzida. O que até agora, pelo menos que se saiba, nunca terá sido equacionado é a privatização da justiça e da segurança pública. Mas isso, parece, vai mudar. E logo por um governo socialista e de esquerda, pasme-se. Sem que isso constitua motivo para escândalo, estará a ser dada formação a um grupo de activistas, agrupados numa associação de alegada defesa dos animais, para que estes verifiquem as ocorrências e a aplicação da lei no âmbito do bem-estar animal.


Não vou, obviamente, fazer juízo de valor acerca da idoneidade de cada uma dessas criaturas. Mas parece mais do que evidente que daqui podem decorrer situações de elevada perigosidade. Apesar de os membros da associação em causa usarem uma fatiota que facilmente se confunde com as forças policiais, ninguém reconhecerá autoridade a um grupo de indivíduos que insista em entrar quintal dentro para verificar se o canito está ou não acorrentado. Por mim, se quiserem ir ver o alojamento da Senhora Dona Gata estão à vontade. Basta-lhes arranjar um mandato judicial, que isto à vontade não é à vontadinha.

domingo, 5 de fevereiro de 2023

PANados

rec1086


De todas as reações à converseta do CEO do Santander acerca do hábito de jantar fora que os portugueses insistem em manter, foi a da líder do PAN a que mais me divertiu. Nem é pelo argumento utilizado – que envolve o lamento pelos milhões que os contribuintes injectaram na banca, apesar daquele banco nunca ter recorrido a eles – mas por achar que refeiçoar fora devia ser uma actividade ainda mais praticada. Por acaso também acho. Mas isso sou eu, que não me importo que matem muitos animais. Não deverá ser necessário nenhum estudo muito aturado para, assim por alto, concluir que provavelmente mais de noventa por cento do que se come nos restaurante envolve a morte de um bicho qualquer. Que, defende a líder do PAN, até deviam ser muito muitos mais não fossem esses patifes dos banqueiros. Estou, obviamente, de acordo com a ideia da senhora. Em toda a linha. Mas, lá está, não mando nada no PAN nem viabilizei não sei quantos orçamentos...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

Jantar fora? Isso é coisa de CEO!!!

Dos teus dirás mas não ouvirás, já garantia a minha sábia avó. Deve ser mais ou menos isso que a alegada classe média sentiu ao saber das declarações do CEO de um banco acerca dos hábitos gastronómicos dos portugueses. Nomeadamente aquele que envolve o costume de jantar fora às sextas-feiras. Vai daí desataram a insultar o homem. Esquecem-se, no entanto, que passam a vida a fazer o mesmo tipo de critica ao pessoal do RSI que toma o pequeno almoço na pastelaria e entretém o tempo no café a emborcar cerveja.


Pouco me importam os hábitos de uns e outros. É lá com eles. E com elas, não vá uma qualquer comissão censória das muitas que por aí existem acusar-me de pouca inclusividade no âmbito da escrita. Mas, dizia, cada um sabe de si. Desde que não me aborreçam com lamurias, reivindicações de ainda mais apoios sociais aos mais vulneráveis ou de intervenções manhosas do Estado para mitigar os efeitos da inflação e da suposta especulação imobiliária, dispenso qualquer informação acerca do lugares que escolhem para refeiçoar. Tanto se me dá. A única coisa que me chateia é ser eu a pagar as contas. Todas. Desde os comes e bebes às imparidades.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Crise?! Qual crise?

O país está repleto de especialistas nas mais variadas especialidades. Em todas, diria. Até mesmo em cozinha afegã, desconfio. Dá dó ver tanta inteligência desaproveitada, cheias de certezas acerca de tudo e mais um par de botas. Sim, que especialistas em calçado também há por aí aos pontapés.


No caso da habitação são, os especialistas, mais que muitos. A maioria com soluções que, simpaticamente, podemos catalogar entre o milagroso e o mirabolante. É inegável que, para quem procura arrendar ou comprar casa, existe uma situação problemática no sector. Mas só para esses. Que, convenhamos, não serão nem de perto a maioria dos portugueses. Para os restantes não há problema nenhum. Pelo contrário. Todos os indicadores revelam que há muitíssima gente – para além do Estado e das autarquias que serão, talvez, os maiores beneficiários – a ganhar bastante dinheiro com o imobiliário. Por outro lado, os dados oficiais dizem-nos que setenta e cinco por cento das famílias possuem casa própria e, desses, apenas uma terço as está a pagar ao banco. Significa isso que, no actual cenário, o valor do seu património está a crescer consideravelmente. E desenganem-se os que acreditam no estouro de uma qualquer bolha. Os preços podem cair, mas não voltarão ao que foram aqui há meia dúzia de anos. Nem, sequer, parecidos.

domingo, 29 de janeiro de 2023

Agricultura da crise


IMG_20230128_172942


IMG_20230128_173026



Enquanto apreciador da liberdade e da democracia, tabelar os preços de tudo o que não seja monopólio não se me afigura boa ideia. Nem mesmo quando estamos, como agora, a ser vitimas da mais desenfreada especulação. E esqueçam lá essa retórica demagógica das “grandes empresas”, do “grande capital” e de mais umas quantas patetices vindas, na maior parte das ocasiões, de génios auto-proclamados que pouco mais sabem da vida do que resulta da leitura do que a outros apeteceu escrever.


Nada justifica, entre outros exemplos que podia citar, o aumento do preço dos bens que os mercadores da nossa praça praticam sábado após sábado. Não pretendo, obviamente, que o governo fixe o preço da alface, da batata ou do grelo. O que me aborrece são as justificações de quem vende e as “soluções” de quem compra. Prefiro que me digam como o outro, “enquanto pagarem a gente vai subindo”. Ora nem mais.


Por mim, que por enquanto tenho essa possibilidade, prefiro a agricultura da crise a qualquer outra forma de protesto. Até porque, neste caso, os custos de produção não crescem de uma semana para a outra. As cenouras ou as alfaces não padeceram de nenhuma espiral inflacionista desde a sua sementeira, nem tal se espera que aconteça com os alhos ou as cebolas acabadinhas de plantar.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

E uma cena em grande, não se arranja?! Daquelas que é preciso fugir para Vigo, ou isso...

Presto pouca atenção a estas coisas da corrupção noticiada. A esmagadora maioria são “peanuts”, como dizia o outro. E, posso estar enganado, apenas servem para distrair o pagode e entreter as autoridades a quem compete investigar este ramo da actividade humana.


O “Expresso” de hoje é um exemplo. Vá lá saber-se porquê nunca mais ligou aquilo dos “Panamá papers”. Apesar de, na altura em que lançou a bisca, ter prometido revelar todo o escândalo. Promessas. Ou arrependimentos, sei lá. Em vez disso presenteia-nos com mais uma suspeita de corrupção desportiva a envolver o Benfica. Mesmo sabendo que enquanto o mundo girar em torno do Sol haverá sempre uma agremiação - alegadamente desportiva e cujo nome não será escrito neste blogue por respeito à decência  - a suscitar questões de natureza ética e criminal em relação ao maior clube português, não vou aqui fazer a defesa do Glorioso. Até porque “não ponho as mãos no fogo” por ninguém. Era o que mais me faltava.


A historieta que o dito jornal puxa para a capa revela, antes do mais, uma tremenda falta de imaginação. É que seria muito mais fácil acreditar que o Benfica teria subornado o Rui Patrício para dar aquele frango, num jogo contra o Marítimo na última jornada do campeonato, que permitiu ao Benfica ir à Liga dos Campeões. Ou ter pago ao Brian Ruiz para falhar, a meio metro da baliza deserta, aquele golo que deu a vitória em Alvalade e no campeonato ao Glorioso SLB. Agora pagar ao Edgar Costa para “jogar mal”...sinceramente não estou a ver a utilidade de gastar dinheiro numa coisa dessas. Isso, afinal, é o que ele faz sempre. Nem precisa de ser subornado.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Especialistas especialmente especulativos

Segundo o estudo de uma empresa especialista na especialidade de fazer estudos, os portugueses estão entre os europeus que mais acreditam que o aumento dos preços dos bens alimentares se deve, essencialmente, às alterações climáticas. Apesar de ter poucos estudos e de não ser especialista em especialidade nenhuma, permito-me duvidar destes estudiosos. Não acredito que os portugueses sejam tão crédulos quanto o dito estudo revela. Nem tão parvos. Quando muito são pouco entendidos na especialidade, o que os torna demasiado crentes nas opiniões dos especialistas especializados na especialidade. Nesta e noutras.


Haverá, certamente, razões muito atendíveis e da mais variada ordem para o aumento dos preços daquilo que ingerimos. Uma delas pode, até, ser a mudança do clima. Não será, seguramente, a principal. Por mim, reitero o que já escrevi noutras ocasiões, a culpa é da especulação. Podia sempre voltar a citar o gajo das alfaces ou a senhora dos ovos. Será, reconheço, apenas uma especulaçãozinha a praticada por estes mercadores, mas por uns tiram-se outros e se os pequenos fazem isso imagine-se os grandes. É que isto só quem não percebe mesmo nada do assunto é que pode acreditar na existência de motivos razoáveis para os aumentos estratosféricos, de uma semana para a outra, dos bens produzidos numa horta e vendidos directamente do produtor ao consumidor a meia dúzia de quilómetros de distância. Será, admito, o mercado a funcionar. Mas essa já é outra história.

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Não vistam os bichos, porra!

Só me apetece dar chapadões aquelas pessoinhas que insistem em vestir os cães e os gatos. Não percebem, os imbecis, que estão a mal-tratar os bichos. A natureza encarregou-se de dar defesas aos animais e, acreditem ou não os urbano deprimidos, eles sabem usá-las muitíssimo bem para se protegerem.


Hoje, pelas oito menos um quarto, fui dar comida à senhora dona gata. Estavam zero graus. Apesar disso o cão dos vizinhos, um rafeiro alentejano de grande porte, dormia todo refastelado na relva. Ao relento. Isto apesar da cama no alpendre e da casota nas imediações. Quando o chamei olhou para mim com um olhar que me pareceu repleto de indignação por o ter acordado a horas tão impróprias e continuou nos braços de Morfeu enquanto conseguiu resistir às informações que o olfacto lhe transmitia. Sem se importar com o frio. Mas isso é porque se trata de um cão à séria e os donos não são como esses parvos que querem fazer de um bicho uma pessoa em miniatura.


Entretanto, por causa da senhora dona gata, levantei-me alta madrugada. Coisa de que me arrependi mal cheguei à presença da bichana. Então não é me desloquei alguns quilómetros, com a consciência pesada por não lhe dar comida desde sábado, chego lá e ela tem um pardal, que deve ter caçado, ali mesmo à disposição e não o come?! Caiu vários pontos na minha consideração, a bicha. Se me faz outra passo a deixar-lhe lá cinco euros por semana e ela que se desenrasque...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

VelhasFake

Anda para aí uma polémica qualquer por causa de um actor que não é não sei o quê representar uma personagem que é não sei quantos. Julgava eu, na minha imensa ignorância, que a isso se chamava representação. Noutros tempos, claro. Agora exige-se que o papel de um mariconço seja representado por um actor mariconço. Se este principio fizer escola o César Mourão que se cuide. Um destes dias vai ter os seus espetáculos invadidos por hordas de velhas a exigir que as suas personagens sejam representadas por velhas à séria. Por  mim acho bem que o façam. Desde que não se dispam, como a outra coisa que invadiu o palco do S.Luiz. Basta berrarem “VelhasFake” com muita veemência e convicção.

domingo, 22 de janeiro de 2023

PCC - Problemáticos Criadores de Causas

Desconfio que há gente que, na falta de outra ocupação relevante, dedica todo o seu tempo a inventar novas causas fraturantes. Nomeadamente daquelas que envolvem minorias, que são as que mais incomodam as alminhas desventuradas desesperadas por notoriedade. Deparei-me hoje, numa rede social, com o lamento de uma dessas “gaja das causas” por quase não existirem professores negros em escolas com população escolar maioritariamente negra. Um desses alunos pode até passar doze anos numa escola pública sem nunca ter visto um professor negro, conclui quase em pranto a criatura. Imagine-se o drama, o horror, a tragédia e todos os traumas que isso constituirá para o fedelho. Por mim não consigo imaginar, mas devem ser próximos de zero.


O mesmo se passa no Alentejo. Escolas há onde o número de crianças ciganas é superior às restantes e, tanto quanto sei, não existe um único professor daquela etnia. Há, obviamente, que pôr fim a isto. Nomeadamente obrigando negros e ciganos a seguirem a carreira de professores. Ou, porque o processo formativo demora uns anos, esquecer a parte do professor e escolher para lecionar em função da cor da pele ou da origem étnica. Até parece que já estou a ver, num futuro próximo, um qualquer vereador da educação cá da terra sábado de manhã no mercado das velharias: “Bom dia senhor Anacleto. Noto que é cigano. A partir de hoje deixa o seu negócio e vai passar a dar aulas. Começa segunda-feira na escola do Caldeiro”.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

No poupar é que está o prejuízo...


A malta dos bancos não é especialmente reconhecida pela sua generosidade. É mais de se coçar para dentro, como dizia a minha sábia avó. Nem sequer chega aquele nível dos que dão um chouriço a quem lhes dê um porco. Darão, quando muito, as unhas do bacorito. Mal comparado é o que fazem com as poupanças dos portugueses. Apesar dos sucessivos apelos para que aumentem as taxas de juro a que estão remunerar os depósitos, o resultado é o que se vê.


Claro que, se existisse um banco público, o Estado podia intervir no mercado dando indicações a esse banco para subir as taxas. E quem diz os juros diz, também, reduzir ou eliminar as comissões absurdas que são cobradas aos clientes. Se esse banco público fosse, por exemplo, o maior do sector e seguisse essas práticas, os restantes não teriam outro remédio senão fazer a mesma coisa. Mas não. Por culpa das políticas de direita, dos ultra-liberais, do Passos, do capitalismo em geral ou do que mais calhar o Estado não é dono de nenhum banco. Para chatices já lhe chega a companhia de aviação que comprou um ano destes para os meninos do PS brincarem aos aviões.

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

O minimo, por mais que cresça, será sempre minimo...

15027805_bHZMK


 


Apesar dos inusitados aumentos dos últimos anos o salário mínimo em Portugal continua longe do que se paga noutros países. É o que temos. E, se calhar, o que merecemos. Já não se suporta o constante lamento em relação ao seu valor. Há anos que não pára de subir muitíssimo mais do que as remunerações médias e, ainda assim, é sempre a mesma lengalenga a todo o instante. O SMN até pode subir para cinco mil euros. Será sempre mínimo e valerá sempre o mesmo enquanto o seu crescimento resultar apenas de um decreto do governo. Ou alguém, em seu perfeito juízo ou fora dele, acha que o tipo da pastelaria da esquina continuará a vender os bolos ao mesmo preço se o ordenado dos empregados aumentar? E quem diz os bolos diz tudo o resto. Daí que a berraria era capaz de ser melhor direccionada para outras reivindicações...


Todos, bem ou mal pagos, queremos ter um ordenado melhor. Veja-se o caso dos craques – ou mesmo dos pernas de pau – da bola que, apesar de principescamente remunerados, fazem birra quando os obrigam a cumprir os contratos que livremente assinaram e que já de si lhes garantem uma vida faustosa. No caso do SMN só o Estado é que fica a ganhar com o seu aumento, como facilmente constatará quem o recebe. Basta fazer as contas. Ou ir às compras.

domingo, 15 de janeiro de 2023

Impostos, professores e outros impostores

Captura de ecrã de 2023-01-15 17-08-32.png


Ainda os professores. Acredito que terão, reitero, motivos de sobra para reclamar, mas no que diz respeito à questão da exigência de atingirem o topo da carreira a razão não lhes assiste. Em nenhuma organização ou categoria profissional todos chegam ao topo. Não seria, sequer, justo para aqueles que são efectivamente bons.


Já no que diz respeito aos vencimentos, têm toda a legitimidade para se considerarem mal-pagos. A tabela pela qual são remunerados é pública e as pensões – representarão cerca de oitenta por cento do vencimento -  que lhes são atribuídas também. As conclusões e as comparações ficam, naturalmente, ao critério de cada um.


Causa-me uma certa estranheza que os professores se refiram com insistência aos seus vencimentos líquidos. São, como muitos outros portugueses, vitimas da delinquência fiscal do Estado. Apesar disso nunca lhes ouvi uma palavra a exigir a redução do IRS. Pelo contrário, até conheço alguns que nem têm especial apreço pela ideia.


Catarina Martins, a pequena líder do conglomerado de minúsculos grupelhos esquerdalhos, marcou presença na manifestação de professores onde disse coisas. As mesmas que não foram resolvidas nos cinco anos em que fez parte da maioria que governou o país. Deve ter sido coincidência.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Ricos grevistas

Captura de ecrã de 2023-01-13 19-24-08.png


Tenho o maior respeito por todos os que lutam por um futuro melhor. Principalmente ao nível das remunerações. Como é agora o caso da classe docente. Fazem os professores muito bem em reclamar aumentos, progressões na carreiras ou seja lá o que fôr que lhes acrescente uns euros ao final do mês. Para chatice já lhes chega aquela cena de andarem anos a fio com a casa às costas.


O que não acho nada bem – a ser verdade, obviamente -  é andarem a financiar grevistas, de outras categorias profissionais, que não têm nada a ver com aquelas lutas. Não é que não possam. Podem isso e muito mais. Pelo menos a julgar pelos valores com que se aposentam. Mas fica-lhes mal comprar a solidariedade de quem ganha pouco mais do que o salário mínimo. Não estão a dar um grande exemplo aos seus alunos, convenhamos.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Bicheza vegetariana

images.jpeg


A tentativa de tornar um cão vegetariano – ou obrigar um canito a tornar-se essa coisa – suscita normalmente um riso trocista em quem é confrontado com a ideia. Acompanhado, entre os mais cáusticos, por um lamento pelo pouco investimento do Serviço Nacional de Saúde na área das maleitas mentais. Quase tão parvo como tratar o bicho por você.


Por mim acho muitíssimo bem que tentem fazer com que a canzoada se torne vegetariana. Para segurança de toda a gente. Nomeadamente dos que não têm bicharada dessa. Assim, se calhar, não andavam por aí a ferrar incautos cidadãos que apenas querem distância dessa bicheza. Cães e donos.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Há muita falta de memória...

Uma vergonha, como diria o outro, aquilo que se passa no Brasil. É a imitação quase perfeita do que fizeram os apoiantes de Trump e o consumar de algo parecido ao que foi tentado, nos anos da Troika, por diversas ocasiões em frente à Assembleia da República. Sim, que aqueles indivíduos que, à época, tentaram subir a escadaria do Palácio de S. Bento não evidenciavam especial cordialidade para com os deputados, pelo que não teriam seguramente a intenção de apenas os cumprimentar. Tentativas que, desconfio, há muito se varreram da memória dos que, então, se indignaram com a actuação da policia portuguesa e que hoje se revoltam com os acontecimentos do outro lado do Atlântico. Para já não falar do cerco ao parlamento, em Novembro de 1975, que teve o patrocinio dos mesmos - ou dos herdeiros -  que agora rasgam as vestes de indignação...

sábado, 7 de janeiro de 2023

Não sabem excel, mas fazem-nos a folha na mesma...

s-l500.jpg


De acordo com um dos intervenientes num programa de paleio que passa num canal televisivo, apenas dois ministros do actual governo sabem usar o excel. Desconheço se a informação é inteiramente verdadeira mas, a ser, não me surpreende. Nem igualmente me surpreendeu a reacção, ao nível da risota, que esta revelação suscitou entre os demais participantes no dito programa. Como se esse desconhecimento fosse a coisa mais natural deste mundo. Algo irrelevante, até, mesmo quando em causa são as pessoas que nos governam e que têm de tomar decisões baseadas em números, análises, estatísticas, tendências e outras informações que aquele software proporciona. Provavelmente noventa por cento dos portugueses reagirá da mesma forma. Considerará essa ignorância acerca de uma ferramenta informática essencial na gestão seja do que fôr, quanto mais de um país, como perfeitamente normal. Também não espanta, mas explica muita coisa.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Carcereiros de animais

IMG_20221231_162147.jpg


 


Os amiguinhos dos animais estão a organizar uma manifestação onde, ao que garantem, para além de exaltarem o seu alegado amor pela bicharada pretendem evitar que o Tribunal Constitucional opte por declarar definitivamente a inconstitucionalidade da lei que criminaliza os maus tratos aos animais.


Apesar de perigosa esta gente tem, obviamente, todo o direito a manifestar-se. O problema é que muitas destas criaturas são radicais, evidenciam um comportamento doentio em relação aos bichos e, quase sempre, manifestam desprezo pela vida humana quando em causa está aquilo que acreditam ser a defesa dos interesses dos animais. Que é como quem diz, cães e gatos. E o mais estranho disto é que, na sua imensa maioria, são as mulheres que demonstram um preocupante nível de exagero na militância a favor desta causa.


Os juízes do TC alguma razão terão para duvidar da constitucionalidade da lei. Eles é que estudaram e, acredito, saberão muito mais do assunto do que as malucas e porcazinhas que, por exemplo, percorrem as cidades a espalhar comida de cão e de gato por onde calha. Com as consequências que daí resultam e que só aquelas doidas varridas não reconhecem.


Se calhar convinha, digo eu, que antes fosse definido o conceito de “maus-tratos” e que tipo de bichos e em que circunstância se podem ou não maltratar. É que, parece-me óbvio, ter um cão ou um gato encarcerado uma vida inteira dentro de um apartamento constitui uma forma de maus tratos. Isto para não falar de um pássaro, qual prisioneiro condenado a prisão perpétua, fechado numa gaiola para deleite de um qualquer amiguinho dos animais. Ou deverei dizer carcereiros?

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

Pecador ou pagador de promessas?

IMG_20221231_161844.jpg


O boneco da foto faz parte de um presépio que todos os anos é exposto numa localidade vizinha. Por não ser especialista na especialidade que envolve assuntos natalícios desconheço em absoluto que personagem bíblica – ou de outra natureza – se pretende representar. A mim, logo assim ao primeiro olhar, lembrou-me alguém. Não sei exactamente quem, mas a figura afigura-se-me (!!!) vagamente familiar. É que, verdade verdadinha, parece-me mesmo que conheço o figurante. Ou figurão, sei lá.

domingo, 1 de janeiro de 2023

Vulnerabilidades de ocasião

IMG_20221229_164117.jpg


 


Cuidava eu, na minha imensa ignorância, que nos bairros sociais moravam os mais pobres. Ou, como se diz agora, os mais vulneráveis. Logo, parece-me licito concluir, aqueles que terão de ser mais protegidos pelas autoridades. Todas. Inclusive a policia e não apenas por aquelas que distribuem dinheiro. Mas, se calhar, estou enganado. Aparentemente o pessoal que lá mora não nutre especial simpatia pela bófia. O que é estranho. A menos que essa coisa da vulnerabilidade seja apenas quando dá jeito.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

A TAP e as lágrimas de crocodilo

Quando o tema é marginalidade, assaltos ou patifarias diversas praticados contra pessoas e bens, há sempre alguém – provavelmente convencido que está num patamar mais elevado da evolução humana – a manifestar-se muitíssimo mais preocupado com os crimes de “colarinho branco”. Aqueles que roubam aos milhões, que fogem ao fisco e que põem o dinheiro nos “offshores”. Entre outras coisas que agora não me ocorrem, mas que essa malta gosta de enumerar. Registo, contudo, que vindo este tipo de discurso de apego aos milhões das pessoas de esquerda serão, afinal, estas que mais amam o “capital”.


Obviamente que cada sabe de si e escolhe preocupar-se com aquilo que mais preza. Por mim, confesso a minha cobardia, tenho muito mais medo de levar uma facada do que ficar sem a carteira. Mais euro menos euro a vida há-de continuar. Já se levar um tiro ou uma naifada as hipóteses de falecer aumentam significativamente. 


Por outro lado, reconheço, pouco ou nada posso fazer contra os meliantes de rua, chamemos-lhes assim. Já quanto aos outros, ainda que pouco, posso fazer alguma coisa. Nomeadamente não votar naqueles partidos que pretendem estender os tentáculos do Estado a toda a economia. Quanto mais Estado mais corrupção, mais crime engravatado e, ainda que legais, mais manigâncias de toda a ordem. Vidé o caso da senhora dos “quinhentinhos”. Se o BE, o PCP e o PS não tivessem nacionalizado aquilo não andávamos agora a chorar os milhões aos milhares que migraram dos cofres públicos directamente para a TAP. Podem agora chorar as lágrimas de crocodilo que quiserem, mas a culpa é exclusivamente da Geringonça. E de quem a apoiou, como diria o outro.

terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Habituem-se

Foi a recomendação do primeiro-ministro aos portugueses a propósito da sua governação. Não era preciso dar-se ao incomodo. Já estamos habituados. Ou não tivesse, nos últimos vinte sete anos, o Partido Socialista governado o país durante vinte anos. Daí que é sem expectativa de qualquer espécie que aguardamos o próximo escândalo, tramóia, indecência ou seja o que for que um qualquer membro do governo ou do aparelho partidário tenha feito e que havemos de saber nos próximos dias. Não é uma questão de ter ou não feito. É de quando vamos saber que fez.


Relativamente à bronca da semana – a que envolve esta senhora da TAP, não vá haver por aí outra que eu não saiba – há que, a bem da verdade, ser justo com a criatura. Ela não se “abotoou” com meio milhão de euros. Cerca de metade, pelo menos, regressam aos cofres do estado. Não é que isso dê mais ou menos seriedade – ou retire, não interessa – à coisa. É só para reforçar a ideia, que não me canso de repetir, de que o maior vigarista que por aí anda é o Estado. Mas, também a isso, já nos habituámos.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Ninguém quer ser rico...

A julgar pelas reacções, a noticia da multiplicação por cinco do número de ricos não agradou aos portugueses. Nada de surpreendente. Já no tempo do PREC assim era. Os revolucionários de então – lamentavelmente muitos deles ainda por aí andam - em vez de ambicionar acabar com os pobres pretendiam era exterminar os ricos. Opções de vida que, antes e agora, têm muito a ver com a ignorância e, principalmente, a inveja.


Um dos argumentos mais vezes repetido, entre os que se sentiam indignados com este aumento do número de ricaços, é o crescimento semelhante da quantidade de pobres. Desconheço o indicador utilizador pelo fisco para determinar a partir de que rendimento alguém é considerado rico mas, desconfio, que será um valor relativamente baixo. Pelo menos a julgar por aquilo que é a tabela de IRS. Se calhar, digo eu, devia ser para aí que os portugueses deviam apontar a sua indignação. É que se um escravo é alguém a quem confiscam cem por cento da remuneração, então a partir de que percentagem de confisco do ordenado é que somos cidadãos livres? Mas isso, obviamente, não interessa nada. O tuga quer lá saber do seu recibo de vencimento. Chateia-se é se o tipo do lado ganha mais do que ele.

sábado, 24 de dezembro de 2022

Agricultura da crise

IMG_20221223_124459.jpg


 


Não é que me esteja a queixar da chuva. Até porque, como se diz por estas bandas, cá em baixo é que ela se bebe. Contudo as condições atmosféricas não têm sido propicias ao desenvolvimento de actividades agrícolas. Apesar disso a colheita da véspera de Natal tem todo este bom aspecto. E, além do mais, também ajuda a combater a inflação promovida por aqueles especuladores para quem qualquer pretexto é bom para aumentarem o preço dos seus produtos. Como, recordo, o gajo das alfaces. Por esta altura já as deve vender a euro e meio. Ou mais, que aquilo não é malta para se engasgar com pouco...

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Lâmpada russa?!

IMG_20221220_185242.jpg


 


Esta mania de verificar a origem dos produtos é antiga. Neste caso nem precisava de comprar uma lâmpada. Calhou a olhar para aquilo e, vai daí, vi de onde veio. Ainda bem que não me fazia falta. Acho que, na ausência de alternativa decente, teria preferido ficar às escuras.


Surpreende-me que o “Continente” continue a vender produtos com origem na Rússia. Pareceu-me ter visto e ouvido noticias acerca de uma invasão, merecedora de repulsa por parte de toda a gente civilizada, que levou à imposição de sanções aquele país. Será que, à semelhança do petróleo e do gás, as lâmpadas também foram excluídas desse boicote?

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

Ceguetas reivindicativos

Tenho o maior respeito por quem reivindica melhores condições de vida. Seja a nível salarial, das condições de trabalho ou por melhores serviços públicos. Não consigo é ter respeito nenhum é por aqueles que apenas reivindicam conforme as circunstâncias. Que é como quem diz, a cor política que está no poder. Vejam-se, por exemplo, os professores. Ou as incontáveis comissões de utentes que, assim do nada, desataram a exigir maior eficiência ao SNS. Isto para não falar dos sindicatos que – só agora, mas mais vale tarde do que nunca – se queixam da aproximação do salário mínimo ao salário médio.


Foi preciso a geringonça acabar para toda esta malta, de repente, desatar a protestar e a reivindicar coisas. Durante os quatro ou cinco anos anteriores estiveram, certamente, a hibernar como o Nogueira aquele alegado professor. Provavelmente recuperaram agora da cegueira ideológica que não lhes permitiu ver o estado a que isto chegou. Ou então – o mais provável – seguem como cordeirinhos o guião das reivindicações que alguém ou alguma organização lhes fornece. E nestes casos, reitero, não merecem respeito nenhum. Só desprezo.

domingo, 18 de dezembro de 2022

Vistos gold

Segundo a primeira página de um pasquim os dez mil vistos gold já concedidos apenas terão gerados vinte postos de trabalho. Não sei como chegaram a este número, mas, quase de certeza, de tão poucos que são até deve ter dado para identificar cada trabalhador que conseguiu emprego graças a este programa de atracção de capital.


Claro que estes números suscitaram as mais acaloradas reações dos muitos entendidos que, nas redes sociais ou nas discussões entre amigos, dissertam acerca destas matérias. Uma vergonha, não serviu para nada e há que acabar com este favorecimento aos capitalistas que para cá trazem o seu dinheiro são as reacções da generalidade dos tugas. Gente entendida, reitero, em matéria financeira como a nossa história recente se tem encarregado de demonstrar.


Por mim, como sempre, prefiro os números. De preferências aqueles que, por mais voltas que se lhes dê não se deixam manipular. Os do IMT, no caso. Aquele imposto que o Estado nos saca quando compramos uma casa. Escolho este indicador porque o imobiliário é – parece consensual – o principal sector onde esse dinheiro tem sido investido. Em 2013 a receita deste imposto foi de 382 milhões de euros enquanto no ano passado ultrapassou os 1 286 milhões. Todo este dinheiro - o que entrou nos cofres das autarquias e mais o resultante das vendas - deve ter criado algum emprego e gerado alguma riqueza. Digo eu, que gosto muito de dizer coisas.


Podia, ainda, ironizar acerca da evolução tecnológica que permitiu a reconstrução de inúmeros imóveis nas principais cidades sem recurso a mão de obra. Ou mesmo nas mais pequenas. Mas como nos últimos dois anos tive, em diversas ocasiões, de recorrer a especialistas especializados em construção civil durante largos meses fica-me difícil ironizar acerca do assunto. Se alguém souber um método de recuperar habitações sem intervenção humana que me avise.

sábado, 17 de dezembro de 2022

Água é vida

IMG_20221209_152636.jpg


IMG_20221209_144343.jpg


Só quem nasceu ou vive há muito no Alentejo entende a satisfação que dá ver os regatos a correr. Nasci e cresci entre estes dois ribeiros. Quando era gaiato – já lá vão quase trezentos anos – corriam, com maior ou menor caudal, entre Novembro e Abril. Agora isso apenas acontece  esporadicamente. Quando chove durante alguns dias seguidos e com uma intensidade acima da média. Ou seja, muito raramente. Passam-se anos consecutivos sem que por ali escorra uma pinga de água. E esta, mesmo assim, vai ser de pouca dura.


Os especialistas especializados na especialidade terão, de certeza, uma explicação que não deixará de envolver as alterações climáticas, a pressão urbanística ou outra qualquer acção maléfica praticada pelo homem*. Neste caso em concreto, como por aqui não existe pressão urbanística nem tenho conhecimento de patifarias que envolvam a destruição destas linhas de água, a culpa só pode ser da irritabilidade do clima. Embora em matéria de irritação a  minha não seja menor quando penso que toda esta água vai acabar no mar.


*Não sei se sou só eu que reparo que quando estão em causa acções pouco abonatórias para a humanidade não se pratica aquela coisa da linguagem inclusiva...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Dar o peixe...

Captura de ecrã de 2022-12-15 13-03-29.png


Ainda me lembro do tempo em que a esquerda citava com frequência as tiradas filosóficas proferidas pelos seus ideólogos. Recordo, por exemplo, aquela que garantia ser muito melhor fornecer uma cana de pesca a um pobre do que dar-lhe um peixe. Princípio que, desconfio, a dita esquerda já terá atirado às urtigas. O que não surpreende, dada a flexibilidade em matéria de princípios que afecta qualquer um quando está em causa a actividade piscatória ao eleitor.


Vem isto a propósito da distribuição massiva de “pescado” que o governo anda a fazer desde Setembro. Outra vez aos mais “vulneráveis”. Que é um conceito muito em voga entre a classe política, desde os comunas aos facholas. O arrastão fiscal permite-lhe isso e muito mais. E a vontade de se manter no poder, também. Nem que para tanto tenha até de roubar as sandálias aos “pescadores”. Já faltou mais.