domingo, 9 de agosto de 2020

Não é um país. É um esgoto a céu aberto.

Sócrates, Berardo, Salgado e Rui Pinto terão, alegadamente, praticado actos alegadamente pouco conformes com a lei. O que leva, então, os portugueses a olhar para cada um destes figurões de maneira diferente? Mistérios. Daqueles que dão razão aos que acham que este país vale um escarro. Ou um peido. Nem isso, talvez.


O antigo primeiro-ministro é, para muitos, um patifório da pior espécie. Para os sectores mais à direita, nomeadamente. Para os restantes o sentimento varia entre a esperança que a acusação seja uma enorme mentira e a certeza de que a genialidade do homem continuará imaculada.


Salgado e Berardo, para a generalidade das criaturas, não passam de uns escroques. Excepto, no caso do segundo, em Estremoz. Aqui a abertura de um museu concedeu-lhe o estatuto de divindade. Acerca da qual os autóctones não devem blasfemar, não vá a sempre atenta guarda pretoriana recordar-lhes que não interessam as alegadas manigâncias desde que se faça alguma coisa. Conceito muito apreciado por cá, diga-se.


O pirata informático, esse, é para a tugalhada o décimo terceiro Deus do Olimpo. Será até, a fazer fé nos cartilheiros e avençados do regime, contratado pelo Estado para fazer investigação, com direito a casa, cadastro limpo e, se calhar, mais umas quantas mordomias. O argumento que o ladrão de dados informáticos proporcionou a descoberta de muitos outros crimes é coisa de tolinhos. Se admitirmos que um crime legitima outro, estamos a abrir uma porta que nos conduzirá por caminhos muito sinuosos.


Perante isto aguardo com ansiedade a nomeação de Ricardo Salgado para conselheiro do Banco de Portugal, de Joe Berardo para a administração da Caixa Geral de Depósitos e de José Sócrates para o Conselho Superior da Magistratura. Experiência não lhes falta.

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

"Vamos pilar"

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Sai um gajo trabalho em passo acelerado para ir comer qualquer coisa, que a fome é negra - não sei se ainda posso atribuir uma cor à fome, mas agora já está e não me apetece apagar – e depara-se com isto. E por isto entenda-se, para os menos atentos ou pouco perspicazes, a mensagem que esta senhora tem estampada nas costas da t-shirt.


Não sei se por causa da larica mas, admito, não percebi à primeira. Nem, a bem-dizer, à segunda. Comecei por admitir que o tempo e sucessivas lavagens tivessem apagado uma virgula a seguir ao “vamos” e um ponto de exclamação depois de “pilar”. Mas não. Vendo melhor constato que nunca lá estiveram. Hesitei depois entre a mensagem significar uma proposta manhosa ou a revelação da actividade que vão praticar. Já perto de casa, que o trajecto é curto e tenho passada larga, conclui que não seria nem uma nem outra coisa. Aquilo foi engano. Vestiu a camisola do neto. Ou da neta, que não quero ferir a susceptibilidade das maluquinhas das causas. Nem dos maluquinhos, tão-pouco.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Em vez de "estudos" vão mas é às "aulas"...

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Isto há malucos para tudo e, já dizia a minha sábia avó, cada maluco com sua maluqueira. A diferença para o tempo dela é que, nessa época, ninguém ligava aos malucos e não havia problema nenhum em lhes chamar o que realmente são. Uns malucos. Hoje não. Têm palco em todo o lado e quem ousar questionar a sanidade mental dessa gente ainda é olhado de soslaio, se tiver sorte, ou enxovalhado na praça pública, que é o que acontece quase sempre.


Às maluqueiras de hoje, não sei se para dar credibilidade ou apenas por ser moda, chamam-lhes “estudos”. Um desses estudiosos – um conceituado maluco que em tempos vendeu colchões – anuncia que “os humanos não foram programados para dormir acompanhados”. Justifica a ideia com um conjunto de lugares-comuns que, para quem vive sozinho ou mal acompanhado, até podem servir de consolo. Mas apenas isso. Deixemo-nos de merdas. Só pensa assim quem nunca dormiu com o cu na pilheira.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

(F)actualidades

O que se passa em Espanha tem sempre importância para Portugal. Por todas as razões que se conhecem e, certamente, por mais umas quantas que se desconhecem. Mas, acho eu que não sou especialista na especialidade de política internacional, este caso do ex-rei Juan Carlos não tem para o nosso país qualquer relevância. Ou, pelo menos, aquela que por cá lhe estão a atribuir. Nem mesmo que lá para o meio daquilo existe alguma ligação manhosa aos mafiosos do nosso regime. Até porque, a haver, é quando o caso deixa de ter importância.


Cá para mim - que, reitero, não percebo nada dessas cenasquem tramou o monarca espanhol foi o elefante. E as gajas, vá. Tivesse ele ficado em casa a comer tofu e a ir ao cú a um paneleiro qualquer e ainda hoje era o maior da península ibérica e arredores.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

"Experiência", dizem eles...

Não há assim tanto tempo quanto isso, alguém da chamada província que se deslocasse à capital corria o sério risco de ser enganado, burlado ou, se tivesse sorte, apenas vitima de uma partida qualquer. Enquanto miúdo ouvi incontáveis histórias que relatavam essas ocorrências. Na época, a malta das grandes cidades considerava-se num patamar acima – ou mais, se calhar - do desenvolvimento humano. Eles eram os espertalhões e nós, os provincianos, uns atrasados quaisquer. E isto não constituia exclusivo de Portugal. Era coisa universal.


Hoje assiste-se ao inverso. Confesso que às vezes até me dão pena e questiono-me como é que alguém consegue tirar partido da idiotice de outro, assim, de uma forma tão descarada. Já nem digo vender um penico, apanhado no lixo, por vinte euros. Ou pêssegos espanhóis como se fossem genuinamente alentejanos. Isso, reconheço, é para meninos. Gozo, partida, burla ou o que se queira é alugar um palheiro, por mil euros a semana, para os turistas pernoitarem. E, ao que parece, está a ser um sucesso.


Não tenho, naturalmente, informação acerca da origem da clientela desta, chamemos-lhe assim, unidade agro-turistica extremamente inovadora. Mas não acredito que alguém que não resida habitualmente numa metrópole, fosse idiota ao ponto de pagar um balúrdio para dormir naquelas condições. Só um parvo o faria. E há muitos a fazê-lo, pelos vistos. Deve ser pela experiência. Que é o que chamam agora àquelas partidas manhosas, em que o pessoal paga para fazer uma coisa que alguém minimamente inteligente não faria nem que lhe pagassem.

domingo, 2 de agosto de 2020

"A gaja das causas"


Hoje algo que só não é absolutamente novo porque já aconteceu numa outra ocasião. Quando muito em duas, vá. Ainda assim é uma cena inusitada por estas paragens. Uma musiquinha. Não sei quem é o artista – mas vou tratar de saber, para o parabenizar – que eu destas coisas das artes não conheço ninguém. Mais depressa sou capaz de dizer o nome do guarda-redes suplente da equipa B do Glorioso do que o nome de um qualquer cantante da moda.


Dura cerca de três minutos e meio e vale por cada segundo. O homem sabe o que canta. E, principalmente, o que diz. Eu não diria melhor. É ver e ouvir antes que os censores do regime o apaguem.

sábado, 1 de agosto de 2020

E a transparência no ambito do racismo, pá?!

A comunicação social e algumas organizações que vivem à custa do financiamento público têm-se esforçado por nos fazer acreditar que Portugal é um país racista, os portugueses são racistas e que anda para aí uma discriminação do piorio. Percebo a ideia. E os motivos, ainda mais. A vida custa a todos, está difícil e, para as empresas donas dos jornais, uma causa como o racismo revela-se capaz de angariar mais clientes, por consequência de fazer subir as vendas e minimizar os prejuízos que o financiamento do Estado não tapa. O mesmo para as associações que vivem do subsidiozinho do governo. Os empregos para sociólogos e afins não estão fáceis de arranjar e, à conta destas balelas, sempre vão mantendo um ordenadito que mais ninguém lhes pagava.


Convinha era que fossem mais explícitos nessa coisa do racismo. Como está é uma confusão que apenas os racismo-dependentes percebem. Se um negro for morto por um branco dizem-nos que é um crime com motivações racistas mas, como foi o caso um destes dias, se o assassino for um cigano já não é racismo. Menos ainda se, como diz que de vez em quando também acontece, for um negro a matar um branco. Aí, tenho esperança de um dia os ouvir dizer que foi um acto de justiça. Mas, para a malta perceber, convinha que esclarecessem. De caminho podiam também divulgar os montantes que a panóplia de associações ligadas a estas causas recebem do Estado e, se não for pedir demais, quanto recebem das associações os seus principais activistas. Só para percebermos melhor as motivações.

quinta-feira, 30 de julho de 2020

A indignação dos indignados

Acho alguma piada aos indignados do Facebook. São muitos, indignam-se com inusitada frequência e todos os dias encontram motivo para mais uma indignação. Mas o que me faz rir mesmo com vontade, são os que se indignam com a indignação dos indignados do Facebook. Ou seja, aquele pessoal que ao ler um comentário indignado fica tão indignado que não resiste a expressar, normalmente de forma veemente, a sua indignação com a indignação do indignado.


Confuso? Nada como um exemplo simples. Alguém publica uma foto de um Ferrari verde alface estacionado em frente à câmara municipal. Uma qualquer do Norte, que há lá muitas câmaras e muitos Ferraris. Vem o indignado de serviço, insurge-se contra a cor da viatura e, irónico, alega que até condiz o com edifício. Afirmação que, naturalmente, faz saltar a tampa ao indignado com a indignação do primeiro indignado. Num ápice, responde-lhe que o presidente da câmara é para lá de santo e, quanto à cor do carro, não tem nada que estar para ali a mandar bitaites. Até porque, acrescenta, não consta que seja doutorado em colorimetria. Terminando, em muitas circunstâncias e evidenciando um notório enfado, com aquela expressão parva que ninguém sabe ao certo o que significa, “por amor da santa”.


É também por estas coisas que me insurjo contra a monitorização do chamado discurso de ódio nas redes sociais. Quando os pides da Internet estiverem no pleno exercício dos seus poderes tudo isto deixará de ser possível. Que vai ser de nós sem os indignados e os indignados com a indignação dos indignados? Ou arranjam novas maneiras de puxar lustro ou perdemos este divertimento.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Sardinha empalada

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Espanha está, em quase tudo, um passo à nossa frente. Até na maluqueira. Há quem diga que já não cabe lá nem mais um maluco. Os maluquinhos dos animais, por exemplo, ainda são mais doidos do outro lado da fronteira. Enquanto por cá o folclore em torno da bicharada não vai além de cães, gatos e - por causa das touradas – bois, ali ao lado é muito pior.


Por lá, a mais recente preocupação do Partido Animalista – irmão gémeo do PAN – é a sardinha. Nomeadamente o “tratamento vexatório” a que é submetida na confeção das “espetadas” daquele peixe. Coisa de espanhóis, está bem de ver. Alegam aqueles doidos que o desgraçado do “animal indefeso” se farta de penar ao ser “penetrado por uma vara de ferro e colocado ainda vivo na brasa”. Prática que, obviamente, a dita agremiação política quer ver erradicada. Há, garantem, outras maneiras menos dolorosas para o bicho de o incluir na alimentação humana.


Ao contrário da maioria dos portugueses a sardinha não me entusiasma. Se não tiver alternativa, sou gajo para comer uma ou outra. Poucas, que aquilo é um peixe pouco compatível com o meu paladar. Já quanto ao sofrimento do bicho, confesso, é-me indiferente. O mesmo não acontece relativamente aos maluquinhos da bicharada. A esses apetece-me dar-lhes o mesmo tratamento que é dado à sardinha.

domingo, 26 de julho de 2020

Um dilúvio onde nem todos se vão molhar...

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Parece que vem aí um verdadeiro dilúvio de dinheiro. Serão euros aos milhões, segundo consta. Haverá, contudo, ali pelo meio do acordo que permitirá a vinda dessa pipa de massa, um ou outro grãozinho de areia. Nomeadamente uma cena qualquer que dará aos gajos que mandam para cá o guito, o direito a fazer uma espécie de controlo à maneira como o graveto vai ser esturrado. Que, ou me engano muito, não será substancialmente diferente das anteriores. Até porque quem o vai esturrar são, em grande parte, os mesmos. Ou, noutros casos, os seus aprendizes. Mas ambos, tenho quase a certeza, dotados de esperteza suficiente para enrolar os nossos benfeitores quanto à bondade dos seus desvarios.


Para mim, que na arte de esbanjar o dinheiro dos contribuintes já vi de tudo, não tenho grandes expectativas. Nem, sequer, na imaginação dos esbanjadores de serviço para inventar maneiras ainda mais absurdas de gastar o pilim. Será, na certa, mais do mesmo. Mais valia distribuir a massa equitativamente por cada português com os impostos em dia. Provavelmente dávamos-lhe um uso melhor e, em vez de apenas uns quantos, “amanhávamo-nos” todos. Cinquenta e oito mil milhões ainda davam uma fatia jeitosa a cada um. É fazer a conta...

sábado, 25 de julho de 2020

Galináceos e outros cretinos

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É, basicamente, isto. Nos tempos esquisitos que vivemos cada um é o que lhe dê na realíssima gana e identifica-se com o que, a cada momento, lhe apetecer. Se um marmanjo qualquer jurar pelas alminhas dos que já lá estão que é uma galinha, ai de quem lhe diga que não passa de um marmanjo armado em parvo. Se ele quiser ser uma galinha teremos de aceitar a sua condição de galináceo. Caso contrário seremos acusados de discriminar a criatura por não aceitarmos o seu direito à livre determinação da sua orientação, portanto, de coiso.


Há opiniões e há factos. As primeiras cada um tem a que quiser. Os segundos são o que são. Ou, como dizia o outro, um cretino é um cretino e um vintém é um vintém. E, acrescento eu, um cretino nem isso vale.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

A oportunidade da graçola

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Gosto de fazer graçolas. Muitas não passam de tentativas falhadas e não têm graça nenhuma. Não admira. Não sou especialista da especialidade. Nem no âmbito da piadola, nem de outra coisa qualquer.


Quem é especialista numa quantidade de especialidades é um tal Berardo. Entre as especialidades em que é especialista incluem-se os empréstimos bancários e as graçolas. Em ambas, muito melhor do que eu. Não admira. Terá, dizem, muita prática. A graçola de ontem foi magnifica. Garantiu, para quem o quis ouvir, que a Caixa Geral de Depósitos lhe deve umas massas. Não sei se é ou não verdade. Mas, se calhar foi da maneira como ele disse, ainda não consegui parar de rir. Porra pá, que inveja. Aquilo é que é uma graçola mesmo à séria. Só um homem sério consegue fazer uma piada assim. Caso se risse perdia a graça toda.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

A história a repetir-se...

No meu tempo de estudante,  “Moral e Religião” era uma disciplina obrigatória do currículo escolar. Toda a gente sabe porquê, daí que não valha a pena estar para aqui a dissertar acerca das razões para essa obrigatoriedade. Tal como antes a população estudantil tinha sido obrigada a participar naquela cena da Mocidade Portuguesa.


Felizmente uns anos depois do 25 de Abril essa imposição teve um fim. “Moral e Religião” era apenas para quem queria. Dizia-se, e bem, que isso são opções de cada um, nas quais o Estado não tem nada que se imiscuir.


O pior é que, uns anos depois, malucos de várias causas e indigentes mentais dependentes dos subsídios estatais às associações que as promovem, chegaram aos corredores do poder. Para essa escumalha é preciso doutrinar. Nem que seja à força. Coisa muito comum em regimes ditatoriais, diga-se. E o nosso há muito que para lá caminha.


Quanto aos que resistem...bom, desses nem a comunicação social quer saber. Outros valores - quinze milhões deles - se levantam. Alunos brilhantes obrigados a recuar dois anos, apenas porque os pais não abdicam do direito a educar os filhos de acordo com os seus valores, é algo que pouco importa noticiar. Ainda se fosse um cão chamuscado...

terça-feira, 21 de julho de 2020

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Não sei como se chama este móvel. Equipamento, utensílio ou lá o que se queira chamar-lhe. Não duvido da utilidade que já teve noutros tempos. Num tempo em que a maioria das habitações não dispunha de casa de banho nem, muito menos, água canalizada ou rede de saneamento. Uma cena destas, então, devia ser coisa de gente fina. E hoje, provavelmente, também. Mesmo que lhe seja dada outra finalidade qualquer. Muito menos nobre, quase de certeza. Mas isso será com o comprador, que lhe dará o destino que muito bem entender. Estava à venda, no sábado passado na feira das velharias de Estremoz, pelo simpático preço de trezentos euros. Uma pechincha.


 

segunda-feira, 20 de julho de 2020

A osga

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Desconheço se, para os activistas das causas da bicharada, a vida de uma osga também “vale tanto como a de um ser humano”. Se sim sintam-se à vontade para fazer uma aureola por cima da cabeça do bicho e desatar a partilhar no Facebook. Ou, se preferirem, criem uma petição a exigir o fim do seu extermínio.


Diria que, ao contrário de muitos animalistas que por aí pululam sem servirem para nada, a osga é um bicharoco de extrema utilidade. Daí que deixe algumas delas fazerem a sua vidinha de osga pelos muros do meu quintal. Mas, como é óbvio, tudo o que é demais não presta. É, por isso, é essencial fazer algum controlo da população. E esta, a julgar pelo aspecto, teve uma vida longa e feliz.


 

domingo, 19 de julho de 2020

"Tenham noção..."

Fim de semana de incêndios. Fruta da época e coisa que já nem surpreende, infelizmente. Num, a norte, terão morrido carbonizados umas dezenas de cães e gatos. Indignação generalizada, como seria de esperar. Justificada, também. Como os inevitáveis exageros tão característicos dos alegados amiguinhos do animais a soltarem as bojardas do costume. “A vida de um animal vale tanto como a de um ser humano” ou “a vida de um animal vale mais do que o direito de propriedade”, são algumas das alarvidades que as Tv’s e as redes sociais vão exibindo. Pois. É tudo muito bonito mas sempre gostava de ver quantos, na sua casa, partiriam uma telha – só uma, já nem digo o telhado – para salvar um pardal que lá tivesse ficado preso. Cá para mim faziam como eu e mais depressa torciam o pescoço ao pássaro…


Em França são as igrejas que estão a revelar uma inquietante tendência para entrarem em combustão. Já são umas quantas. Nada que provoque indignação, ira ou que suscite interrogações quanto a este fenómeno, chamemos-lhe assim se formos parvos ou acto de guerra se estivermos minimamente atentos. E a guerra não é contra os padres ou a igreja enquanto instituição. É contra nós. Contra o nosso modo de vida. Mas nada disso parece importar. Depois queixem-se.

Se a música é a mesma porque há-de o "balho" ser diferente?!

 


Dizia, ainda não há assim tanto tempo, aquele ministro comunista - o Pedro Nuno Santos – referindo-se à TAP, que “agora a música é outra” e, acrescentava cheio de convicção, “se é o povo português que paga, é bom que seja o povo português a mandar”. Não é, deixando de lado o teor manifestamente demagógico destas declarações, que ache mal ser o povo a mandar. Se bem que poucas dúvidas me parecem existir quanto a isso do povo nada mandar. Basta ver a Caixa Geral de Depósitos e todas as outras empresas que já foram públicas e que agora são privadas.


Aquelas declarações ministeriais tiveram, contudo, o condão de levar ao êxtase os combatentes esquerdistas das redes sociais. E, verdade se diga, até alguma gente com juízo simpatizou com aquela converseta de tasca. O mesmo pagode que, por estes dias, anda indignado por aqueles países conhecidos como frugais, nomeadamente a Holanda, não estarem na disposição de mandar para cá dinheiro, assim, sem mais aquela. Querem os holandeses, imagine-se o desplante, saber onde é que os portugueses gastam o guito. Devem estar a ouvir a mesma música…

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Praga de lambe-cus

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Os lambe-cus do regime têm hoje como missão insultar um tal Ricciardi. Parece que o homem não gosta das manas Mortágua – ou de uma delas, não sei ao certo – e terá manifestado publicamente a sua vontade de as ver desaparecer. Uma vontade legitima, diga-se. Desde que, obviamente, fale no sentido metafórico da coisa. Um desejo tão legitimo como o das senhoras deputadas – ou só de uma, já não me lembro - verem o Presidente da República de um país estrangeiro ir fazer companhia ao Salazar.


Cada um lambe os cús que muito bem entender. Não gosto mesmo nada de quem o faz, mas isso são coisas minhas. Eles lá terão os seus motivos. Há quem o faça – não no caso presente, que é apenas parvoíce, mas alargando o espectro das lambidelas - por um emprego, por um pequeno ou grande favor, por gratidão ou apenas para que o chefe lhe passe a mão pelo lombo. Reconheço, reitero, toda a legitimidade a quem se dedica a essa actividade. Até por não constituir nenhum crime. Já respeito, não lhes tenho nenhum. Só desprezo. Muito.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Mais vale cair em graça...

Diz que um tal Orban, que reina lá para Hungria por escolha dos eleitores daquele país, é uma espécie de ditador. E um perigoso populista, também. Daqueles a quem urge colocar um açaimo, mandar para o inferno ou proibir que se candidatem às eleições não vá o povo votar num fascista. Sim, porque, ao que diz a esquerda e a moralidade vigente – passe a repetição – o homem é facho. Parece até que resolveu instituir por aquelas bandas uma comissão qualquer para monitorizar sites, jornais e meios de comunicação correlativos que publiquem cenas com conteúdos que escapem às orientações morais do partido no poder, o patife. Coisa que, recorde-se, muito desagradou às instituições europeias que, por causa disso, até querem impor umas sanções à Hungria.


Diz que um tal Costa, que reina cá pelo rectângulo por escolha dos eleitores deste país, é um excelente primeiro-ministro. Melhor mesmo só o Vasco Gonçalves. Homem de dialogo e democrata convicto, como o companheiro Vasco, também. Parece até que pretende instituir por estas bandas um comité – chefiado, se calhar, por uma Rita Rato qualquer desta vida - para monitorizar sites, jornais e meios de comunicação correlativos que publiquem cenas com conteúdos que escapem às orientações morais dos partidos no poder. Coisa que, recorde-se, muito agrada às instituições europeias. Ou não lhe chamasse ele discurso de ódio, o esperto.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Deve-lhes ter saído o diploma na "farinha amparo"...

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(Imagem obtida via Twitter)


Não conheço uma linha do código deontológico que rege a actividade jornalística. Mas desconfio que é capaz de, lá para o meio, incluir qualquer coisa relacionada com rigor, isenção, independência e outras cenas que envolvam a não manipulação da noticia, a distorção de factos ou levar os consumidores da informação a simpatizar com a causa do agrado do comunicador.


Todos temos direito à nossa opinião. Os jornalistas, obviamente, também. Mas, se a quiserem expressar, que o façam através de um artigo assinado por eles ou num espaço reservado para o efeito num órgão de comunicação social. Procedimentos como os que a imagem acima retratam é que não são admissíveis. Não terá sido, muito provavelmente, obra da mesma pessoa. Mas isso, para o caso, não importa nada. Quem manda na redacção tem mais do que obrigação de alertar para badalhoquices destas. Independentemente da bondade das causas, só um badalhoco do mais fino recorte pode achar que borrar um slogan escrito no chão que todos pisam é mais grave do que sujar uma estátua. E é nisso – em badalhocos – que “eles” nos estão a transformar. O pior é que estamos a ir na conversa…


P.S – Recordo que, de acordo com o dicionário de língua portuguesa, vandalizar significa, destruir ou danificar de forma brutal ou gratuita” e o significado de pintar é cobrir com tinta, colorir. Para razoável entendedor...

terça-feira, 14 de julho de 2020

Empatas...

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Há malta quem nem “coisa” nem sai de cima. E depois há a minha vizinhança. Não recicla nem deixa reciclar.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Deixai arder...

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Uma semana foi o tempo que decorreu entre estas duas imagens. A diferença não é muita, diga-se. Ambas retratam uma realidade deplorável. O facto de ter ardido, no caso, não melhora nem piora o estado de abandono a que esta zona da cidade está votada. É que nem o facto de um dos últimos presidentes – durante vinte, dos últimos vinte seis anos – morar nas cercanias, serviu de alguma coisa. Nunca deve ter reparado, se calhar.

domingo, 12 de julho de 2020

E em bejecas, dá para pagar quantas?

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A imprensa dá-nos hoje conta que as fraudes com subsídios europeus davam para pagar duas vezes a TAP. É capaz disso. Se o dizem é porque fizeram as contas. Mas, digo eu, quem diz a TAP diz pagar outra coisa qualquer. E, sem grande esforço, todos nos lembramos de várias que já pagámos, andamos a pagar, ou vamos pagar um dia destes. Tal como, pelo menos alguns de nós, também não esquecemos que entre essas fraudes e esses apoios existe muito em comum. Alegadamente, como é óbvio. Só não sei - mas, como dizia o outro, é fazer a conta - quantos apoios á comunicação social daria para pagar. Ou, como noutros tempos, Cristianos Romaldos.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Profundamente parvos

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Desde que Cavaco Silva – o melhor primeiro ministro que este país conheceu nos últimos cem anos – passou um fim de semana no “Pulo do Lobo” que, a propósito de tudo e principalmente de nada, a rapaziada dos jornais e comunicação social em geral não resiste a usar sempre que pode, a expressão “Alentejo profundo”. Mesmo que pouco ou nada – tirando a parte do Alentejo - tenha a ver com a realidade do local. Coisas da ignorância normalmente associada a quem a usa.


Neste caso o sitio em questão ficará, em linha recta, a uns quinze quilómetros da minha casa. Fico, assim, a saber que moro no Alentejo profundo. Nem vale a pena estar para aqui a dissertar quanto a isso da profundidade. Limito-me apenas a ser tão parvo como os que, sem conhecerem a realidade local, repetem que nem papagaios aquela idiotice só porque sim. Profundas serão as partes pudibundas das respectivas mãezinhas. Que, coitadas, se calhar nem têm culpa das parvoíces ditas/escritas pelas bestas que pariram.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Arte urbana...

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Que os chafarizes estejam completamente secos não constitui motivo para grande admiração. O tempo em que a água corria em todos eles já lá vai e, a menos que venha para aí um cataclismo qualquer, dificilmente voltará. Do que não havia necessidade era de servirem para deposito do lixo. Uma finalidade pouco digna, reconheça-se. Mas, afinal, ao nível – baixo – dos que lhe dão esse fim. Triste, no caso.

domingo, 5 de julho de 2020

Nacionalizações

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Acordei, uma destas manhãs, com o rádio a noticiar a nacionalização de duas empresas. Ainda estremunhado olhei para o despertador e a minha primeira reacção foi: “porra, vou chegar atrasado à escola!”. Só sosseguei quando olhei para o outro lado e vi a minha Maria. Afinal não estava em Março de 1975. Nessa altura ainda dormia sozinho.

sábado, 4 de julho de 2020

A sombra que vem do céu...

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Alentejo não tem sombra


Senão a que vem do céu


Chega-te aqui Maria


Para a sombra do meu chapéu”


Nesta rua, que deve ter para aí uns duzentos metros, não existe uma única árvore no espaço público. É uma mania que, desde há muito, existe por estas paragens. Quem tem poderes de decisão sobre esta matéria deve achar que assim é que é bonito, agradável para passear e sem obstáculos que nos impeçam de visualizar as deslumbrantes paisagens alentejanas. A logística que envolveria o arvoredo, desde a plantação até à manutenção, constituiria, presumo, um problema de monta que justificará esta desolação paisagística. Nomeadamente ao nível da mão-de-obra que seria necessária e que, desconfio, não existirá em quantidade suficiente.


Mas nem tudo é mau. Não temos árvores, mas temos placa toponímica. O que é bom. Nomeadamente para os carteiros. Pena é que dê pouca sombra.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Nada de pintar a manta...

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As noites vão fresquinhas. Tanto que uma mantinha ao serão dá um certo jeito. Tudo culpa do maldito - espero que isto não seja considerado discurso de ódio - acentuado arrrefecimento nocturno, como lhe chamam os meteorologistas.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Vem aí a policia da verdade suprema e da virtude...

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Diz que o governo vai monitorizar aquilo a que chama “discurso de ódio” nas plataformas online. Parece até que já estará em vias de dar início à contratação pública de um projecto que vai espiar, acompanhar e identificar sites. Coisa para adjudicar a uma empresa formada para o efeito por especialistas da especialidade provavelmente ligados à causa. Talvez também ao partido, sabe-se lá. Ou, por outras palavras e em linguagem clara, vai reintroduzir a censura. Mas, agora, da boa. Daquela valorizável.


Nada de novo, isto, nem que me surpreenda muito. Não esperava diferente de um país que guinou bruscamente à esquerda e, isso sim, é que me deixa para lá de perplexo. Nomeadamente quando são conhecidas consequências das políticas promovidas por gente desse calibre noutras partes do mundo. E também por cá, diga-se.


Presumo que, entretanto, será determinado o que podemos ou não escrever nas redes sociais. O que poderá suscitar questões deveras inquietantes. Como, por exemplo, se o discurso de ódio pelo discurso de ódio conta como discurso de ódio. Ou, mais importante ainda, quem é que vai escolher o que é, ou não, discurso de ódio. Camaradagem abichadana, frustrados diversos, urbano deprimidos e gente tão burra que apenas conseguiu entrar em sociologia serão, quase de certeza, os comissários da polícia do ódio.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Gatunagem sofisticada

O “surto” de burlas com o sistema de pagamento MBWay deixa-me boquiaberto. Por todos os motivos. Desde a simplicidade do esquema à facilidade com que as vitimas caem na esparrela. Para não falar dos burlões e dos burlados. Os últimos, os enganados, serão pessoas com algum nível de literacia. Já os alegados burlões serão, ao que parece, gente praticamente analfabeta. Daquela a quem os choninhas do regime classificam como socialmente desfavorecida e para a qual faltam políticas de integração.


O esquema manhoso envolverá compras on-line, telemóveis, multibanco e, se calhar, outras modernices. Longe vai o tempo em que a trapaça pouco mais envolvia do que burros e outros muares. Hoje já não basta apenas um olho. É a evolução dos tempos, do crime e dos criminosos. Até porque o criminoso, neste caso, está longe da vista. Mas, desgraçadamente, demasiado perto da conta bancária.