Ao contrário do que não raras vezes somos levados a acreditar, a vida de deputado não deve ser fácil. Nem estou a pensar nas inúmeras secas que, coitados, têm de aturar aos seus pares mais palradores. Ou, tão pouco, da sua incapacidade de tocar em supostos interesses instalados sem que, como muito bem lembrava um cavalheiro que já terá exercido a função de representante do povo, alguém venha tornar públicos aspectos da vida privada de quem se atrever a afrontá-los.
Estou, quando reconheço a dificuldade do cargo, a lembrar-me das coisas que ninguém – ainda que deputado – devia ter de aturar. Como esta petição, por exemplo, que pretende instituir o “Dia nacional dos sonhos”, esta outra que pretende restringir a realização de obras entre as as dez e as dezassete horas ou, ainda, esta que pretende tornar impenhoráveis os bens de família.
Não sei, assim a bem escrever, por que raio dizemos dos nossos representantes o que Maomé não se atreveu a dizer do toucinho. Afinal eles representam na perfeição um povo sonhador, apreciador do sossego e exímio em encontrar razões para se escapar ao pagamento das dividas que contraiu.










