A
intenção governativa, veiculada pelo secretario de estado do
desenvolvimento regional, de limitar o acesso ao próximo pacote de
apoios comunitários às autarquias endividadas, parece do mais
elementar bom senso. Faz, até, confusão como é que ainda ninguém
se tinha lembrado disso. Provocará, de certeza, muita brotoeja entre
os autarcas caloteiros, esbanjadores de recursos públicos por
vocação e amados pelos eleitores por isso mesmo. Será precisa muita coragem para concretizar a medida, porque o lobi autárquico
vai-lhes cair em cima. Mas há que tê-la. Se outros, antes, já a
tivessem tido talvez não tivéssemos chegado a este triste estado. E
se ainda não for desta o mais provável é um dia destes irem-nos aos bolsos outra vez para pagar mais uma porrada de “investimentos”
inúteis, despropositados e que pouco mais servem do que para encher
o ego de alguns à custa do esvaziamento das carteiras de todos.
sábado, 22 de março de 2014
sexta-feira, 21 de março de 2014
É o medo que guarda a vinha...e não falta quem queira que tenhamos medo!
Num artigo publicado aqui há atrasado no jornal Expresso era abordada a postura dos portugueses perante o sorteio de automóveis pelo fisco e se isso os motivava ou não a pedir factura com número de contribuinte. Haverá, segundo o articulista, dois tipos de consumidores. Os “NIFomaníacos” e os “NIFóbicos”. Ainda segundo o autor do artigo os primeiros são os que pedem factura de tudo o que compram e os segundos aqueles que se recusam a pedir factura por medo de ver a vida exposta aos olhos do fisco.
Desconheço se o objectivo do articulista era ou não divertir os seus leitores. Por mim achei-lhe piada. Depreciar a atitude cívica de quem pede factura só merece mesmo uma risada. De escárnio, no caso. Ou de dó perante tanta alarvidade. Propagandear argumentos ridículos acerca do pretenso “Big Brother” em que potencialmente se transformará este processo é, também, motivo mais que suficiente para umas quantas sonoras gargalhadas. Ainda que mais contidas, porque desde pequeno que me ensinaram a não rir dos pobres de espírito ou dos que sofrem de algum retardo.
Que ao cidadão comum surjam dúvidas e receios acerca deste assunto pode, até, ser tolerável. Agora que um jornalista – alguém com um nível de conhecimentos, supostamente, acima da média – não contribua para as desmistificar é que já me parece risível. Podia, ao menos, ter esclarecido que sim, o fisco fica a saber onde um incauto cidadão jantou. Mas se pagar com cartão o banco também. Ou, se pagar em dinheiro, em que ATM fez o levantamento. Tal como o Belmiro e os seus parceiros sabem o que comemos, o que bebemos, o que vestimos e, para os que usam preservativos, a frequência com que se enrolam com a patroa. É que, como se lamentava em certa ocasião uma cigana, eles com os computadores sabem tudo da nossa vida. Mesmo sem factura.
quarta-feira, 19 de março de 2014
O drama... o horror... a tragédia... o roubo... o IMI!
Um antigo primeiro-ministro, conhecido pela manifesta incompetência com que governou o país, disse em determinada altura que a Sisa era o imposto mais estúpido do mundo. Era capaz de, nessa apreciação, ter acertado. Hoje a Sisa já não existe. Ou melhor, mudou de nome. Chama-se IMT e é, basicamente, a mesma coisa.
No campo dos impostos sobre o património temos também o IMI. O imposto mais injusto que se conhece. O roubo transformado em algo legal. Tudo o que se quiser no domínio da injustiça e do saque aos nossos bolsos. Agravado, mais uma vez, este ano. No meu caso em cerca de sessenta por cento. A nota de liquidação já disponível no portal da Autoridade Tributária e quem se quiser aborrecer à conta de uma surpresa desagradável pode dar uma espreitadela para confirmar a dimensão da roubalheira.
O pior é que o produto do saque tem vai ter um fim triste. Esturrado ao desbarato, como quase todos os outros impostos. O que significa, mais tarde ou mais cedo, a invenção de um novo tributo. Mais estúpido, mais injusto e, provavelmente, mais parvo.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Afinal o tamanho importa?
Ganhar
a vida a tirar a roupa – a própria, não a de outrem – é uma
actividade tão nobre como outra qualquer. Desde que existam parvos e
parvas em número suficiente dispostos a pagar para ver alguém
despojar-se dos trapos que tem em cima, não me parece que se trate
de algo condenável. E digo parvos porque não encontro nada mais
simpático para chamar a alguém de vinte, quarenta ou sessenta anos
que pague para ver outra pessoa a despir-se. Mesmo que a coisa
envolva contornos de alguma excentricidade. Como um anão, por
exemplo. Embora, talvez, isso da excentricidade no caso não se
aplique muito e evolua antes para alguma espécie de demência.
domingo, 16 de março de 2014
"O privado funciona muito melhor que o público". Sim, se tivermos um mandarete...
Por razões que não vêm ao caso, os últimos dias foram ocupados a tratar de questões burocráticas. O calvário burocrático envolveu deslocações a repartições públicas, bancos, correios e, lojas que tratam de assuntos de empresas que já não têm delegação cá na terra. Tudo locais que evito como a mourama o toucinho.
A minha experiência a lidar, do lado de cá, com a burocracia não é grande. Mas, surpresa das surpresas, nos diversos organismos públicos onde me desloquei encontrei gente simpática, atenciosa e um serviço desburocratizado. De excelência, diria. O pior – e, confesso, mais surpreendente – foi o contacto com os privados a que tive de recorrer. Filas intermináveis, quase terceiro mundistas, um número de “colaboradores” manifestamente insuficiente para tanta procura e – suprema surpresa - uma burocracia que já não se usa. Nem na administração pública. Uma lástima, em suma. Mas que recomendo vivamente a todos os que andam por aí a pregar a tal reforma do Estado.
quinta-feira, 13 de março de 2014
Pagar e morrer é a última coisa que se faz na vida. Não necessariamente por esta ordem...
É
um lugar comum dizer-se que uma imagem vale mais do que mil palavras.
Mas este é um dos casos em que tal expressão se aplica na
plenitude. Até porque não tenho tempo para escrever mais nada.
Preciso de ali renegociar uma divida. Aproveitando a onda, vou tentar
convencer um credor a quem devo cem euros a aceitar oitenta e damos o
caso por encerrado. Entretanto, como continuo à rasca e já que vou
falar com ele, peço-lhe mais cinquenta e, quando calhar, pago-lhe.
Ou renegoceio, sei lá.
quarta-feira, 12 de março de 2014
Ganhem juízo, pá!
Diz a imprensa de hoje que Sócrates irá participar na campanha para as eleições europeias. Este facto, a revelar-se verdadeiro, constituirá uma excelente noticia para Passos Coelho e deixará, por outro lado, António José Seguro à beira de um ataque de nervos. E também de perder o lugar seja qual for o resultado eleitoral. Que, presumo, será o objectivo do ex-primeiro ministro e de toda a ala socrática.
Verdade que o individuo que mais contribuiu para rebentar com as contas públicas e que iniciou o saque aos bolsos dos portugueses, continua a desfrutar de enorme popularidade entre os ignorantes, alguns carreiristas do partido e todos os que vivem do esbanjamento desenfreado a que chamam investimento público. Admito, por por isso, que o partido socialista ganhe alguma coisa com a presença do homem na campanha. O que não ganha, de certeza absoluta, é credibilidade.
Existe também a hipótese da reaparição da criatura provocar em muita gente a vontade de o voltar a castigar eleitoralmente. Pela minha parte - e acredito que muitos pensem da mesma maneira – desde que tomei conhecimento da noticia já decidi que, afinal, não me vou abster.
terça-feira, 11 de março de 2014
Isto é um país de ricos. Ou de parvos, não sei ao certo.
Talvez por não ser rico, ao contrário da generalidade dos que se andam para aí a queixar da crise, insisto em pedir factura das despesas que faço. Nomeadamente quando adquiro
bens ou serviços em que posso deduzir no IRS quinze por cento do IVA
suportado. Daí que seja frequente deparar-me com situações mais ou
menos estranhas. Ou, apenas, relativamente esquisitas. Este será,
eventualmente, mais um caso. No estabelecimento em questão a
impressora das facturas serve apenas de enfeite. Não funciona. Por
avaria ou outra coisa qualquer. Mas nem precisava de lá estar.
Ninguém, mas mesmo ninguém, pede factura. Talvez por isso me tenha
sido emitida - sem qualquer reservas, diga-se - esta coisa. Vamos ver
se, como espero, vale cinco cêntimos de beneficio fiscal.
segunda-feira, 10 de março de 2014
Jornalismo de sarjeta
Num tempo só relativamente distante a comunicação social indignava-se por algumas funcionárias de um grande hospital terem, alegadamente, aproveitado a sua condição de trabalhadoras da instituição para, não menos alegadamente, tratar de melhorar a aparências das mamocas à pala.
Mais recentemente foi amplamente noticiado que umas quantas funcionárias públicas mais hirsutas andariam a fazer a depilação à conta da ADSE. Uma fraude, bramaram. Uma vergonha, mesmo, isso de tirar pêlos à conta dos contribuintes. Apesar de – o que, obviamente, não desculpabiliza este comportamento - o sistema de saúde seja pago pelos seus beneficiários e não pelos contribuintes em geral.
Soube um dia destes, igualmente pela comunicação social, que uma freguesia do Porto fornece gratuitamente – ou paga, não sei ao certo – serviço de cabeleireiro às eleitoras idosas da sua área de circunscrição. Não vou, porque não me apetece, fazer grandes considerandos acerca desta forma de esturrar dinheiro. Ou de angariar votos com o dinheiro de todos nós. Prefiro salientar que esta medida não foi apresentada em tom indignado, nem pretendeu promover a indignação dos restantes portugueses que não desfrutam deste serviço. Pelo contrário. Foi apresentada como uma medida boa. Fofinha, quase. Coisas do jornalismo merdoso que vamos tendo.
sábado, 8 de março de 2014
Apontar é sempre feio
Tal
como em muitas outras localidades, também por cá, amanhã vai
voltar a ser dia de desfile carnavalesco. A chuva não permitiu a
saída dos alegados foliões no domingo
anterior e, vai daí, o pessoal volta a desfilar uma semana depois.
Mesmo fora de época. Sopas depois de almoço, como sabiamente diria
a minha avó.
Percebo
muito pouco destes carnavais. É, diria, daquelas coisas que se
tivesse de elaborar uma lista de
interesses – assim tipo
top dez - era capaz de figurar em centésimo vigésimo nono. Deve
ser por isso que não achei grande piada ao último desfile.
Nomeadamente a este grupo de caçadores. Pensava eu que ainda se
ensinava às criancinhas que, seja em que circunstância for, uma
arma, mesmo de brincar, nunca se aponta a ninguém. Pelos vistos já
não é assim. Por mim,
seja ou não Carnaval,
continuo a levar a mal.
quarta-feira, 5 de março de 2014
Emigrante ajuda a identificar gorduras do estado
Segundo
Fernando Tordo, um dos mais mediáticos emigrantes portugueses, as
autarquias são o grande empregador dos artistas em Portugal. Nada
que o país não suspeitasse. Ou pelo menos parte dele. O
governo é que ainda não deve ter dado por nada. Acabar com essa
pouca-vergonha – muita, no caso – devia constituir uma prioridade
governativa. Mas não. Reduzir vencimentos e aumentar impostos é
muito mais fácil. Com a vantagem de não ter de aturar autarcas
ciosos da autonomia do poder local. Ou lá o que é que chamam a isso
de esturrar dinheiro à tripa-forra.
terça-feira, 4 de março de 2014
Pontualidade?! Hummm...
A
pontualidade nunca foi uma característica de que os portugueses se
pudessem orgulhar. Mas isso está a mudar. Pode até dizer-se que
estamos a investir no sentido de proceder a uma mudança nesse
comportamento. Há que chegar a tempo - ao trabalho, nomeadamente –
e partir a horas. Usando as mais modernas e actualizadas tecnologias.
Um bocadinho caras, também. Principalmente para um Município que até precisou de se socorrer do PAEL por, alegadamente, não ser lá muito pontual a pagar as contas.
domingo, 2 de março de 2014
Cuidado com a carteira, vem aí o IRS!
Este será, provavelmente, o melhor simulador para a declaração de IRS pago em 2013 a entregar em 2014. Trata-se de uma folha de cálculo muito bem elaborada e actualizada de acordo com o enorme aumento de impostos.
Pena que não funcione na sua plenitude em software livre. No LibreOffice, por exemplo, nem todas as suas funcionalidades estão disponíveis. O que não impede, mesmo assim, que o calc – a alternativa gratuita e legal ao excel – lhe diga quanto é que tem a pagar. Reitero, a pagar, porque isso de alguns receberem um reembolso trata-se apenas da devolução do que já tinham pago em excesso. Ninguém, mas mesmo ninguém, recebe IRS.
sábado, 1 de março de 2014
Cortem-se os ordenados que a festa não pode parar!
Isto, dito assim por um idiota qualquer, era coisa para motivar, à esquerda, uma onda de indignação contra o autor da tirada. Tratando-se de um insuspeito comunista a declaração vai, junto dos correlegionários, merecer a maior compreensão e servir para, mais à direita, os defensores destas politicas nos garantirem que este é o caminho. “Se até os comunistas dizem” será, de certeza, algo que hoje se irá ler por aí. Por mim, seja quem for a manifestar esta ideia, estou contra. E, acredito, não estou sozinho. Mesmo entre os comunistas – provavelmente a começar pelo meu amigo Luís – não faltará quem rejeite esta teoria.
Mantenho o que escrevo desde tempos imemoriais. Não precisamos de espremer quem trabalha. O que, indiscutivelmente, é necessário é rigor na gestão e na distribuição dos dinheiros públicos. Coisa que não houve antes nem há agora. Nem haverá num futuro próximo. A julgar pelas movimentações a que vamos assistindo, logo que a troika passe a Badajoz os clientes do pote tratarão de recuperar o tempo perdido.
Um município – até mais, mas para exemplo chega um - da região é o retrato fiel do que se tem passado no país e da relação inconciliável que mantemos com o rigor. Esturrou dinheiro muito para lá das capacidades que tinha para o pagar. Quem o dirigiu terá – alegadamente, convém sublinhar - praticado actos, amplamente difundidos pela comunicação social, que arrasaram as finanças da autarquia mas, ainda assim, a festa continuou. O rigor foi sempre um conceito desconhecido por aquelas bandas. Mas um dia destes todas contas terão de ser pagas. Por nós. Consta que os actuais dirigentes até já esperam ansiosamente que um fundo de apoio aos municípios endividados, a constituir com uma parte do IMI que vamos pagar lá para Abril, lhes pague as dividas. Bonito! Que se cortem os ordenados porque a festa não pode parar!
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Olha...Este blogue fez anos!
Nem dei por isso – é o que dá não ligar nenhuma a essa coisa das datas – mas este blogue fez sete anos na semana passada. Isto na versão blogspot, porque desde Maio de 2005 que o Kruzes, antes alojado no Sapo, anda por aqui a postar opiniões irrelevantes nem sempre – quase nunca, vá – devidamente fundamentadas.
Não faço analises do que foram os anos que passaram. Nunca os fiz noutras ocasiões em que, por acaso, me lembrei da data de nascimento do KK e também não é agora que as vou fazer. Ficam apenas duas notas. A primeira para salientar que, ao contrário do que alegadamente terá acontecido com outros, nunca ninguém exerceu qualquer tipo de pressão em função das muitas criticas que ao longo deste tempo por aqui fui deixando. A outra para lamentar que apenas pessoas de fracos recursos intelectuais – daquelas que nem dão para armar o chito - tenham procurado entrar em polémica comigo. Excepto num caso, reconheço. Mas a esse, o que lhe sobra em intelecto, falta no resto.
Aos outros, os que vão passando regularmente por este espaço e em especial os que me honram com os seus comentários – concordando ou discordando daquilo que escrevo – prometo continuar a aborrecer.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Arte urbana. Um "Miró", quase.
Abstenho-me
de especular acerca dos malabarismos que terão sido necessários
para fazer com que o canito arreasse o calhau em cima do pilarete.
Prefiro, antes, realçar a imaginação do artista javardola.
Artista, reitero, porque pôr o cão a cagar em locais improváveis
pode constituir uma nova tendência de arte urbana e, quiçá,
revelar-se como um factor de atracção turística. Fica a sugestão.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
O fim das promoções
Há
quem tenha o topete de catalogar este governo de neo-liberal, liberal
ou, até mesmo, como ultra-liberal. Não estou a ver porquê. E a lei
anti-promoções, de que hoje se fala, está aí para o demonstrar.
De facto não lembra a ninguém, muito menos devia lembrar a gente
que alega defender a economia de mercado, que se condicionem desta
forma os negócios entre particulares. Com a agravante, no caso, de
prejudicar os consumidores no imediato e os produtores nacionais, que
alegadamente se pretende proteger e que terão estado na origem da
legislação, num prazo não muito distante.
Quem
esteja atento e aguarde que os produtos - aqueles que habitualmente
consome, naturalmente - estejam em promoção numa das muitas
superfícies comerciais pode poupar mensalmente algumas dezenas de
euros. Pelo menos até agora. O que, presumo, não agrade a quem nos
governa. De facto eles têm-se esforçado tanto por nos limitar o
poder de compra, reduzir o consumo, deixar-nos com menos dinheiro na
algibeira e, depois, o pagode troca-lhes as voltas, poupa uns trocos
e minimiza as medidas que deram tanto trabalho a engendrar?!
Estava-se mesmo a ver que tinha de sair uma leizinha qualquer a
acabar com o regabofe.
Como
habitual cliente das promoções espero que também esta lei não
seja para cumprir. Ou que lhe dêem a volta, como habilmente os
portugueses fazem em quase todas as circunstâncias.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Não sejam piegas!
Não compreendo a indignação causada pelas declarações de vários fulanos ligados ao PSD sustentando que, apesar de os portugueses viverem hoje pior do que viviam antes da vinda da troika, o país está melhor do que estava. Obviamente que está melhor. E podia estar ainda muito melhor. Bastava para isso que os velhos não insistissem em não falecer, que os doentes fossem menos mariquinhas e deixassem de acorrer aos hospitais e que os funcionários públicos se suicidassem. Também ajudava um bocadinho se os jovens e os desempregados que ainda por cá estão, saíssem da sua zona de conforto e se fizessem à life. Para a Alemanha, para a China ou para outro sitio qualquer onde não aborreçam. Mas não. Toda esta cambada insiste em não colaborar com o esforço patriótico do governo. Com um povo destes é, convenhamos, difícil fazer melhor.
Já a outra parte, a de que os portugueses estão pior, não sei se concorde. Talvez não. Se estão não se nota muito. O popó – refiro-me, naturalmente, aos pequenos percursos - ainda não foi trocado pela bicicleta ou pela deslocação a pé, os hábitos de consumo não aparentam uma mudança significativa e os gastos, públicos e privados, em itens não essenciais continuam a iguais ao que eram antes. Até mesmo a poupança – veja-se o caso das facturas e a sua dedução em IRS – é desprezada. Isto para não falar dos concertos, das festarolas ou dos carnavais que continuam como se nada fosse. E, se calhar, ainda bem. Mas depois não sejam piegas...
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Coisas que me fazem espécie
Faz-me confusão – espécie, como diria a minha avó – a maneira como os portugueses devoram toda a qualidade de palha que lhe põem na gamela. Que é como quem diz, não questionam as parvoíces que são veiculadas pela comunicação social ou por aqueles que têm interesse em levar as pessoas a acreditar em determinadas narrativas.
Vejam-se dois exemplos recentes. Os Tordos, primeiro. O Tordo mais velho levantou voo em direcção a paragens mais quentes e prósperas, fez questão que toda a gente soubesse e tentou fazer disso um caso politico. O mais novo tratou de escrever uma carta de despedida e, talvez ultrapassado pelas circunstâncias, quando deu por ele havia uma legião de parolos a partilhar a dita missiva. Gente que, motivada pelos alegados factos que não se deram ao trabalho de confirmar se eram ou não verdadeiros, desatou a vomitar disparates.
O segundo tem a ver com a capa de ontem do Correio da Manhã. Escreve o tablóide, em letras garrafais, que serão cinquenta e seis os reformados que auferem mais de dezasseis mil euros de pensão por mês. Levando-nos querer que isso constituiria um grande problema para a segurança social. Logo abaixo, em letras muitíssimo mais pequenas, escreve que dois milhões de pensionistas receberão a pensão mínima. Trezentos e sessenta e quatro euros cada um. Logo, como seria de esperar, os ânimos se exaltaram. Há que acabar com as pensões milionárias e aumentar as mínimas, proclamava-se enquanto se ia partilhando a indignação.
Em ambos os casos, os jornalistas e os indignados, esqueceram-se de fazer contas. Daquelas fáceis. De multiplicar. De merceeiro, vá. Se o fizerem vão ver, no tema das reformas, de que lado é que está o problema. Ou, quanto ao cantante, que a historieta está muito mal contada. É muito mais fácil engolir a palha toda, mandar umas bacoradas e voltar à vidinha como se nada fosse. O tuga no seu melhor, portanto, para quem pensar e fazer contas são coisas que ultrapassam o limite do aborrecimento.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Este inverno vai sair-nos caro...
Todos se queixam dos altos preços da electricidade. As culpas de tamanha carestia são distribuídas por uns quantos, desde o Mexia aos chineses, passando por outros capitalistas igualmente nojentos. Por mim hesito quanto ao leque de culpados. Atente-se na imagem acima. Os valores retratados foram recebidos, durante o ano de 2012, por um pequeno município do norte do país. Ventoso e simultaneamente solarengo, presumo. Façam-se umas contas de multiplicar – tendo em conta a pequenez do exemplo – e talvez se perceba melhor a razão porque a conta da luz nos custa os olhos da cara. Mas não digam nada. Que não convém saber-se que andamos todos a pagar o vento que sopra.
Entretanto os autarcas dos municipios destinatários de verbas desta grandeza podem ir esturrando milhões enquanto proclamam aos seus eleitores – como faz o da terrinha em questão - que “a troika não manda aqui!”. E a malta, em êxtase, aplaude a genialidade do homem.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
A ver se eu percebo. Pedir factura é coisa de bufo, a menos que quem a peça seja comerciante, é isso?! Se for assim corram já para o hospital mais próximo porque está tudo doido...
Tenho
manifesta dificuldade em entender as reservas de uns e as criticas de
outros relativamente ao sorteio do fisco. Posso, até, entender a
ignorância evidenciada nas ruas por parte da população. A
iliteracia financeira é transversal a todas as faixas sociais e
etárias, pelo que não surpreendem as parvoíces que se vão ouvindo
a este respeito.
Percebo,
igualmente, a relutância dos comerciantes. É que isto de pagar
impostos é uma coisa muito chata. Nomeadamente para quem se
habituou, ao longo de toda a vida, a passar à
margem desse sacrifício. Colocados
perante esta nova realidade não
escondem – às vezes fazem até questão de exibir - o desagrado e
o incomodo sempre que lhes é solicitada a emissão de uma factura.
Por
mim, estou como o outro. Habituem-se.
Acredito
que o tempo perdido a tratar dessas burocracias fosse mais útil se
aplicado noutras coisas. Como, alguns, gostam de referir. Argumento
que, curiosamente, não aplicam quando são eles a comprar. É
frequente – pelo menos por cá, que nos conhecemos todos uns aos
outros – encontrar um ou outro renitente à emissão de factura, na
caça às promoções das superfícies comerciais. Com o carrinho
cheio de compras, por norma. Para ele, enquanto particular, e para a
sua actividade comercial, provavelmente. Fazendo, chegado à caixa,
todos os outros clientes “perder o tempo que podiam estar a fazer
algo de útil” porque o senhor não abdica da facturazinha – una
e indivisível - das compras para casa e para o boteco. Com número
de contribuinte, evidentemente.
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Mais um esquema manhoso!
“Bom
dia mor, puz o nosso vídeo aqui (link..) saca e dame um toque para
tirar dai. Vai ao face quando poderes. bj”
Hoje
pela manhã recebi esta sugestiva mensagem no meu telemóvel. Assim
de imediato pensei tratar-se de um engano. Todos os indícios
apontavam nesse sentido. Primeiro porque as actividades que
desenvolvi na véspera não envolveram nada relacionado com vídeos.
Segundo, mesmo que tivessem envolvido e já não me lembrasse, o meu
“mor” estava mesmo ali ao lado. Terceiro, o meu “mor” escreve
correctamente e não dá pontapés deste calibre na gramática.
Mas
não. Não era nenhum lamentável equivoco. O sms era mesmo para mim.
Como bom tuga não resisti a ir bisbilhotar o link. Trata-se de um
esquema que faz o download de um ficheiro rar que traz lá dentro um
executável que, calculo, instalará um vírus ou outro malware
qualquer no computador do pacóvio que cair na esparrela. Que até
podia ser eu. Podia, se não usasse Linux. Assim gosto sempre de
abrir estas coisas para depois mandar um mail aos espertinhos a
desfazer-me em elogios à maezinha deles.
Fica,
portanto, o alerta para os mais desprevenidos. Eles andam aí. São
inteligentes, simultaneamente espertos - o que os torna pessoas
perigosas - e querem saber coisas acerca de nós. Se por e-email esta
é uma prática corrente e todos os dias a caixa de correio é
invadida por mensagens deste género foi, para mim, uma novidade o
recurso a sms por parte de quem se dedica a este tipo de crime.
Atenção, pois!
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Poluidor
O
negócio dos frangos assados já deve ter conhecido melhores dias.
Ou, então, é o cavalheiro que se faz transportar por este chasso
fumegante que não revela grande queda para a arte de bem assar
gallus domesticus. Será, provavelmente, uma dessas a
justificação para que o senhor se desloque nesta velha carcaça
poluidora que, digo eu olhando para a fumarada de que a imagem mal dá
conta, só por um milagre daqueles antigos merecerá a aprovação
de qualquer centro de inspecções. Isso e o facto de, felizmente, a
raspadinha que deixei esquecida no tasco da esquina e que este
individuo poderá ter “achado”, não estar premiada.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
E a segurança dos bichos, pá?!
Há
quem não se consiga separar dos seus animais de estimação e que os leva consigo para todo o lado. Deve ser o caso deste ciclista.
Ainda que o seu amor pelos companheiros de quatro patas não o leve a
ter para com eles o cuidado que tem relativamente à sua segurança.
Atendendo ao modo precário como os transporta - em notório
equilíbrio instável - bem que podia ter-lhes, também, arranjado um
capacete. É que, ao contrário dos gatos, os cachorros não caiem de
pé nem têm sete vidas.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Mezinhas
Diz
que é bom para a tosse. Deve ser, deve. Tão bom, mas tão bom, que ela gosta
tanto que não se vai embora…
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
E você, não se esqueceu da licença do seu cão?
Cães,
merda de cão e donos javardolas são coisas que abundam por aí. Em
demasia, até. E, como já escrevi em inúmeras ocasiões, deviam
constituir uma apreciável fonte de financiamento das autarquias
locais. Nomeadamente das freguesias. Principalmente daquelas em que
os seus presidentes passam a vida a lamentar a ausência de recursos
e a chatear o respectivo presidente da câmara para lhes ir dando uns
trocos.
Não
será, admito, uma tarefa fácil. Mas há que começar por algum
lado. Avisar os proprietários mais esquecidos que devem tratar da
licença do seu amiguinho de quatro patas pode ser um bom principio.
Como estes de memória aparentemente mais fraca...
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
A Stephanie também passou por aqui
A Stephanie, essa tempestade que os portugueses fizeram questão de receber condignamente, fez uns quantos estragos. Menos, felizmente, do que se temia. Mas, ainda assim, avultados.
Quando invadiu o meu quintal já não era mais do que uma borrasca. Daí que os estragos tenham sido limitados. Um vaso tombado e uma cadeira da esplanada de pernas para o ar foram as consequências da invasão. Pouco nefastas, portanto.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Totó, não te esqueceste de ninguém?
Totó Inseguro, que é como quem diz o pouco carismático líder do PS, prometeu, mal se apanhe no poleiro, acabar com os cortes nas reformas voltando estas ao valor que tinham anteriormente.
Ontem, o mesmo senhor, garantiu que logo que seja eleito o seu governo tratará de reabrir todos os tribunais que o actual governo vier a encerrar.
Há uns tempos tinha igualmente prometido, assim que o ponham ao comando dos destinos do país, revogar a lei que extinguiu umas quantas freguesias e repor o quadro vigente antes da pseudo-reforma administrativa de 2013.
Do que não me lembro – mas, admito, pode ter-me escapado – é deste coninhas com aspirações a primeiro ministro ter sequer colocado a hipótese de, quando o seu partido tornar à gamela do poder, eliminar os cortes nos vencimentos dos funcionários públicos voltando a pagar-lhes o ordenado por inteiro.
São opções. E cada um toma as que entende. Mas é bom que estas coisas não vão caindo no esquecimento. Até porque no próximo ano todos temos que fazer opções eleitorais. Funcionários públicos incluídos...
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Deixem a porra do sinal em paz!
O
sinal que este poste sustenta será, provavelmente, o mais odiado da
cidade. O desgraçado já foi mandado a baixo pelo menos três vezes.
E a próxima, a julgar pelo aspecto do cimento que o prende ao chão,
não deve tardar. Trata-se de um “stop” pelo qual algum vizinho –
sim, isto é aqui para os meus lados – mais apressado não nutre
especial simpatia. Compreendo o aborrecimento de ter que parar
durante uns segundos. É chato. Se fossem os outros a fazê-lo,
tivessem ou não pressa, seria muito melhor. Mas caro leitor – a
julgar pelo comentário deixado no post que escrevi da outra ocasião
em que o sinal foi derrubado, o autor da proeza deve dar uma olhadela
pelo Kruzes de vez em quando – indigne-se antes com a profusão de
“sentidos proibidos” que espalharam nesta zona da cidade. É que
graças aos burros que decidiram que
devíamos andar às voltinhas pelo bairro, já devemos, cada um dos
moradores, ter percorrido, nestes seis ou sete anos, uns largos
milhares de quilómetros. Para ir ter ao mesmo sitio.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Custa assim tanto arranjar um ditador? Daqueles sanguinários, de preferência.
Este país é impossível de governar. Não vale a pena. Ou se arranja depressa um ditador que ponha ordem nisto ou o melhor é nomear uma comissão liquidatária. Como se não fossem suficientes os acórdãos do Tribunal Constitucional e as suas divagações, as providências cautelares a propósito de tudo e nada, lançadas apenas para adiar qualquer decisão, temos agora a procuradora geral a declarar a sua mais firme intenção de contrariar a politica governativa. A senhora acha que lhe compete decidir quanto aos destinos dos quadros do tal Miró.
Curiosamente, ou talvez não, nunca nenhum destes seres iluminados pela inteligência e banhados pelo bom gosto em matéria cultural, teve a preocupação de questionar a legalidade das decisões ruinosas dos governos de Guterres e Sócrates. Ou, pelo menos, declarar a inconstitucionalidade e opor-se firmemente à nacionalização do BPN.
Tanto quanto se sabe, os portugueses votaram livremente e escolheram, por sua expressa vontade, um parlamento de onde saiu um governo maioritário. Não votaram em juízes. A estes cabem, num país de gente normal, outras funções que não as de governar. E ainda bem. Porque se governassem, a julgar pelas decisões judiciais que se vão conhecendo, estaríamos a viver uma tragédia de proporções ainda mais épicas.
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