Tenho
manifesta dificuldade em entender as reservas de uns e as criticas de
outros relativamente ao sorteio do fisco. Posso, até, entender a
ignorância evidenciada nas ruas por parte da população. A
iliteracia financeira é transversal a todas as faixas sociais e
etárias, pelo que não surpreendem as parvoíces que se vão ouvindo
a este respeito.
Percebo,
igualmente, a relutância dos comerciantes. É que isto de pagar
impostos é uma coisa muito chata. Nomeadamente para quem se
habituou, ao longo de toda a vida, a passar à
margem desse sacrifício. Colocados
perante esta nova realidade não
escondem – às vezes fazem até questão de exibir - o desagrado e
o incomodo sempre que lhes é solicitada a emissão de uma factura.
Por
mim, estou como o outro. Habituem-se.
Acredito
que o tempo perdido a tratar dessas burocracias fosse mais útil se
aplicado noutras coisas. Como, alguns, gostam de referir. Argumento
que, curiosamente, não aplicam quando são eles a comprar. É
frequente – pelo menos por cá, que nos conhecemos todos uns aos
outros – encontrar um ou outro renitente à emissão de factura, na
caça às promoções das superfícies comerciais. Com o carrinho
cheio de compras, por norma. Para ele, enquanto particular, e para a
sua actividade comercial, provavelmente. Fazendo, chegado à caixa,
todos os outros clientes “perder o tempo que podiam estar a fazer
algo de útil” porque o senhor não abdica da facturazinha – una
e indivisível - das compras para casa e para o boteco. Com número
de contribuinte, evidentemente.


