Ainda me lembro do tempo em que a comunicação social, os engraçadinhos de serviço e, de uma forma geral, o país urbano troçavam das velhinhas de verruga e bigode a condizer que juravam devoção eterna à então presidenta Fátima Felgueiras, suspeita de diversos crimes de corrupção. A chacota foi geral e a simpatia que a senhora recolhia nas ruas da localidade atribuída à fraca instrução daquelas pobres alminhas.
Em Oeiras não se coloca a questão da literacia dos eleitores que elegeram Isaltino Morais. Nem, tão pouco, se pode relacionar a massiva votação que obteve com questões de ignorância. Quem votou na criatura fê-lo com plena consciência do acto que estava a praticar e cabal conhecimento dos actos praticados por aquele que estava a eleger.
Não vejo, por isso, grande diferença entre as velhotas analfabetas de Felgueiras, os doutores de Oeiras e os estarolas que se fartaram de gozar com as primeiras mas que agora não abrem o bico para zombar dos segundos. A não ser que seria uma enorme falta de educação chamar burras às anciãs da capital do calçado.