Não costumo dar palco aos anónimos que, por motivos que a psiquiatria explicará melhor do que eu, para aqui vêm marrar comigo. Ando há muitos anos nisto e, como é natural, não faltarão os que não apreciam aquilo que escrevo. Têm sempre a opção de não ler ou, lendo, manifestar de forma cordata uma opinião diferente. É o que fazem as pessoas normais.
Há, depois, as outras. Como aquela anónima que hoje, cerca das quinze e quarenta, me telefonou para o meu local de trabalho. “Se voltas a dizer mal dos animais estás fodido”, garantia uma mulher, com voz de bagaço e um timbre notoriamente labrego, enquanto desligava antes que a pudesse inquirir acerca da envolvência de tão estranha promessa. Apesar de, sabendo quem sou e onde trabalho, não necessitar de recorrer a este método para me oferecer os seus préstimos.
Não falta quem garanta que se trata de uma lunática cá da terra. Não creio. Será, apenas, mais uma idiota que por aí vai vegetando. Tão idiota que não sabe que isso do anonimato, seja ao telefone ou num computador, é apenas relativo. Mas, seja quem for, não possui capacidade intelectual para interpretar um texto. Por aqui não se diz mal dos bichos. Coitados, eles nem sabem ler. Diz-se, isso sim, de gentinha como ela. E continuará a dizer. Porque quero, porque me apetece e porque posso.