Sou um inculto.
Revelação que, diga-se, não constitui novidade para ninguém.
Muito menos para mim. Mas, fiquei a saber desde esta semana, não sou
o único por estas paragens. A julgar por aquilo que tenho lido na
Internet os habitantes de Estremoz, todos sem excepção, padecem de
uma profunda falta de cultura. Isto porque, pasme-se, nem um só residente desta terra foi assistir a um espectáculo
espectacularmente espectacular que estava agendado para o fim-de-semana passado.
Sim, é verdade. Nem um
estremocense se dignou a fazer companhia ao único actor que ia subir
ao palco do teatro cá do sítio. E isso, compreensivelmente,
indignou o pessoal envolvido na peça – que se propôs vir
apresenta-la por sua conta e risco – e, incompreensivelmente, uns
quantos fulanos que, nas redes sociais, desataram a encontrar
culpados pela total ausência de público. Tudo tem servido para
justificar o fracasso. Nomeadamente a ofensa reles a funcionários do
Município, a atribuição da culpa pela situação ao presidente da
câmara e um argumentário de nível abaixo de idiota quanto à
pretensa falta de divulgação do evento. Nada que surpreenda muito.
Porque, como se sabe, para o pessoal da cultura – esses seres
iluminados e de inteligência superior – a culpa é sempre dos
outros e nunca deles.
Em momento algum aquela
malta equaciona a hipótese de o espectáculo não ser assim tão bom
ou admita que nesta terra não exista público para aquele tipo de
trabalho. Nem - pelo menos isso - reconheça que temos o direito de,
enquanto consumidores seja de cultura ou de outra coisa qualquer,
comprar apenas o que nos apetece. Por melhor que seja o produto que
nos estão a tentar vender. O que, se calhar, nem era o caso.

