quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Chega de Joacines e "Deus" nos livre de Venturas

Numa leitura ligeira – tão ligeira quanto o assunto merece – das diversas redes sociais, é fácil concluir que o tema Joacine vs Ventura constitui o assunto do momento. No Twitter e nos blogues a contenda estará, parece-me, mais ou menos empatada. Aparentemente os internautas dividem-se no apoio a um e a outro e comungam, quase todos, nas ofensas aos adversários.


Já no Facebook o Ventura vence por maioria absoluta. Mesmo com a política de bloqueio daquela coisa, que permite a quem é de esquerda escrever as barbaridades que lhe dão na real gana e persegue, segundo a melhor tradição da censura, quem manifesta opiniões fora do actual espectro do politicamente correcto e do marxismo cultural vigente.


Enquanto isso, na rua – a rede social que de facto importa – André Ventura ganha de goleada à criatura de quem o Livre se quer ver livre. Uma sondagem acerca do caso era capaz de dar um resultado parecido com o das eleições no FC do Porto. Quase idêntico, quiçá, ao da eleição de qualquer secretário-geral do PCP, tal é a popularidade das declarações do gajo do Chega.


Não sei se alguém já imaginou um hipotético cenário – esperemos que nunca passe disso – de um parlamento com maioria absoluta de Joacines. Ou de Venturas. Será que mesmo aqueles que se mostram encantados com estas criaturas gostavam de viver num país assim?. Se sim o melhor é marcarem já consulta. No privado, de preferência, que no SNS pode ser demasiado tarde.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

O racismo é um negócio

Racismo é aquilo que a esquerda quiser. Tal como a xenofobia, a homofobia e mais uns quantos conceitos patéticos que, na ausência de alguma coisa útil para fazer, ocorreram a uns quantos palermas. Palermas é, claro, uma maneira de dizer. Que, vendo bem, os gajos são espertos na quinta casa. Se não veja-se, à conta dessas parvoíces, o dinheiro que os contribuintes gastam alegadamente a combate-las. Só em comissões, observatórios, direcções-gerais, secretarias de estado, grupos de trabalho, institutos, subsídios às mais variadas instituições e tudo o que anda associado as estas temáticas presumo que seja uma conta calada.


Devem ser uns milhares de criaturas a viver da discriminação. Daí que lhes interesse que exista muita. Só assim há lugares para distribuir por gente que nada sabe fazer na vida para além de viver do dinheiro dos contribuintes. Eles estão-se nas tintas para as dificuldades dos negros, dos ciganos ou de quem for. O que lhes interessa é o rendimento que aquilo a que chamam discriminação lhes dá. E, mesmo não sabendo quando, desconfio que é muito. Seguramente muitíssimo mais do que o racismo contra o qual estão sempre a berrar, os idiotas.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Criminosos com punhos de renda

De repente palavras como “alegado” ou “alegadamente”, usadas sempre que jornalistas e comentadores diversos se referiam a eventuais crimes e a potenciais criminosos, quase desapareceram do vocabulário jornalístico e televisivo. Afinal os meliantes são mesmo uns patifes e o hacker é mesmo hacker. Falta-lhe, ainda, é ser herói nacional. Mas está quase. Gente a tratar disso é coisa que não falta. Já se sabia que alguns crimes compensam e agora ficámos a saber que alguns, para além de quase legítimos, até são muito valorizáveis.


Por mim nunca tive grande apreço por criminosos, meliantes ou patifes de qualquer espécie. Detesto também, em igual medida também, os justiceiros. Aquela cena das milícias populares para combater os delinquentes, por exemplo, nunca lhe achei piada. E, usando o mesmo principio de guerra ao crime, se todos começarmos a invadir os computadores alheios para descobrir os podres uns dos outros, à caça de eventuais praticas criminosas, também vamos ser heróis? Será muito diferente de andar com uma moca atrás de ladrões? Ou o uso de um teclado legitima o crime? Se calhar, sim. Afinal gente fina é outra coisa.

domingo, 26 de janeiro de 2020

Para baixar o IRS seriam capazes de fazer o mesmo?

Numa sessão pública de uma assembleia municipal um grupo de cidadãos que assistia aos trabalhos forçou – de forma pacifica, diga-se - um determinado número de eleitos a repensar a sua posição, após a primeira votação não ter produzido os resultados que os ditos cidadãos desejavam. Em causa estava autorizar uma das mais endividadas câmaras do país a contrair um empréstimo com o intuito de recuperar o centro histórico em ruínas de uma aldeia praticamente deserta.


Não questiono – nem me interessam - a bondade do investimento, as contas da autarquia em causa, a legitimidade dos cidadãos fazerem ouvir a sua voz nem, sequer, o direito a cada um mudar de opinião e alterar o sentido de voto. Há, apenas, duas coisinhas de nada que me apoquentam. A primeira é que continuamos a apreciar a ideia de esturrar à tripa forra o dinheiro que não temos. A segunda, é que quando se trata de baixar impostos ninguém é capaz de fazer o mesmo. Não sei qual delas a pior.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

IRS - Infectados, roubados e sovados

Depois dos duques não sei do quê na outra semana, esta andou sempre à volta da Isabel dos Santos e de um vírus manhoso. Houve, também, aquela cena de pancadaria na Amadora. Racismo, berram uns quantos. Os do costume, no caso. Em relação à pancadaria, bem entendido, que o vírus ataca toda a gente e a empresária angolana – ou russa, sei lá - é rica demais para essas coisas. Tudo temas que pouco me importam. Nem, acho eu, merecem o destaque que lhes tem sido dado. Mas, por aquilo que me apercebo, entusiasmam quase todos.


Acabei a semana a olhar para a declaração de rendimentos auferidos e de retenções de irs, referentes ao ano findo, que a minha entidade patronal hoje me entregou. Tal como, suponho, deve ter acontecido ou irá acontecer por estes dias à generalidade de quem trabalha por conta de outrem. Ocorreram-me, enquanto olhava para a prova do crime, uns quantos pensamentos envolvendo vigaristas, gente a precisar de tratamento urgente e malucos diversos. A todos, confesso, me apeteceu partir os cornos. Mas não posso. Entre governantes, apoiantes fervorosos e pessoal que não se importa de ser roubado são mais que muitos.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Pobreza socialista

Aumentar o salário mínimo nacional pode ser uma medida muito simpática. Agradável, vá. Nomeadamente para quem o recebe. Para os restantes trabalhadores, que ganham igualmente uma miséria e veem a sua remuneração cada vez mais perto do SMN, não tem piada nenhuma. Constitui um factor de desagrado, desmotivação e, mais do que tudo isso, a degradação do seu vencimento e das suas qualificações.


Este crescimento dos salários mais baixos, a par da estagnação de todos os restantes níveis salariais, é particularmente escandaloso na função pública. A uniformização a que se está proceder faz com que, por exemplo, um assistente operacional acabadinho de chegar aufira, em termos liquidos, praticamente o mesmo do que um assistente administrativo com vinte anos de trabalho. Quando, como decorre das funções de cada um, o nível de especialização e de responsabilidade que são exigidos a um e a outro nada tenham de comparável. Convém recordar que antes destes malucos tomarem conta do poder, a diferença entre ambos rondaria valores na ordem dos trinta a quarenta por cento.


Com esta política, há cada vez mais gente a ganhar o SMN. Duvido que isso constitua um factor de progresso, de coesão social ou de seja lá o que for. Do que tenho a certeza é que este igualitarismo salarial não trará, a médio prazo, nada de bom. Para ninguém.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Se isto é refrescante prefiro o aquecimento global...

Desconfio sempre das “lufadas de ar fresco”. Nomeadamente quando elas são anunciadas de forma entusiástica e apresentadas como potenciadoras de gerar uma espécie de admirável mundo novo. Dá, invariavelmente, mau resultado. Em termos políticos a coisa foi experimentada nas autarquias, com a eleição de dezenas de movimentos independentes para os governos locais. Era, dizia-se, a abertura do poder a gente descomprometida dos partidos, dos interesses instituídos e, só faltou dizer, a chegada do puros aos centros de decisão. O resultado é conhecido. As diferenças é que não.


O mesmo acontece com os novos partidos que chegaram, em Outubro, ao parlamento. Veja-se o caso da senhora deputada do Livre. Mal educada, com um discurso agressivo, segregacionista e, como se viu por estes dias, agarrada ao lugar. Ao tacho. Aquilo é como dizia a minha avó. Se queres ver um pobre soberbo dá-lhe a chave de um palheiro. A intervenção dela no congresso do partido é disso um bom exemplo. Faz, quase, lembrar os discursos do Hitler. Se não no conteúdo – não percebo nada de alemão – pelo menos na forma. Nada de surpreendente. As lufadas de ar fresco normalmente dão em borrasca.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Ventura populista

O patriarca da comunidade cigana de Borba pronunciou-se publicamente, em entrevista a um órgão de comunicação social, acerca dos acontecimentos que envolveram alguns membros daquela comunidade e os bombeiros locais. Entre justificações para o ocorrido e outros lamentos relativamente à forma como a dita comunidade é tratada – ou destratada, na sua opinião – pela restante população e diversas entidades publicas, o cavalheiro refere a certa altura que “vêm os pretos, os chineses, os coreanos, seja lá quem for, dão-lhes todas as condições”.


Só não digo que se tratam de afirmações populistas porque, tal como eu, o homem nem saberá o que é essa cena do populismo. Mas cheira-me aqui a um discurso xenófobo. Daquele próprio de gajos como o André Ventura e que é necessário erradicar da nossa sociedade por constituírem um perigo para a democracia. Vai daí, o facto do dito patriarca e autor destas declarações ser de apelido Ventura pode não ser mera coincidência...

domingo, 12 de janeiro de 2020

"Deixem-se de ser hipócritas!"

Dos muitos textos que já se escreveram e publicaram acerca da trágica morte do jovem cabo-verdiano em Bragança, retive este excerto de um deles. Publicado, se calhar apenas por acaso, por alguém que se afirma ideologicamente de esquerda. “Mas alguém tem alguma dúvida de que se fossem 15 jovens negros a espancar um jovem branco e, como consequência, este morresse, com culpa ou não daqueles, nesse mesmo dia ou no seguinte esse assunto encheria os jornais e telejornais?! Já lá vão mais de dez dias! Deixem-se de ser hipócritas”.


Não posso estar mais de acordo. Mas, a fazer fé nos inúmeros relatos do que alegadamente se terá passado, nunca a coisa podia encher telejornais. Não seria politicamente correcto. Daí a censura, a desinformação e a manipulação da opinião pública. Estes acontecimentos apenas constituem motivo para largas horas de debates, reportagens, declarações de ministros ou abraços presidenciais quando os agressores não integram qualquer espécie de minoria. Étnica, sexual ou outra. Pois, como toda a gente sabe, apenas ao homem branco, heterossexual e que não faça parte de nenhum grupo minoritário com opções esquisitas assiste essa coisa do racismo. Fazendo minhas as palavras do esquerdista, deixem-se de ser hipócritas!

sábado, 11 de janeiro de 2020

Que saudades de uma grandolada...

Insisto. O banco público – a tal vaca sagrada que não pode ser privatizada – sacar cinco euros e quinze cêntimos por mês da conta de um cliente é um roubo. Uma vergonha, como diria o outro. E mais vergonha é o silêncio ensurdecedor que vem das bancadas parlamentares do BE e do PCP. Vergonhoso é igualmente a ausência de qualquer espécie de reacção por parte da sociedade. As saudades que eu já tenho de ouvir o velho Jerónimo, as esganiçadas malucas e a camaradagem em geral a malhar na banca, nos banqueiros e a manifestar a mais veemente preocupação pelos roubos que a toda a hora eram praticados por aquele maléfico governo de direita. Agora estão todos mais calados que uns ratos. Nem um protestozinho ou uma grandolada ou, ao menos, uns dichotes parvos a sugerir a nacionalização da banca. Ah, espera, a Caixa Geral de Depósitos é do Estado. Está ao serviço do povo, portanto. Ainda bem que não deixámos o Passos Coelhos privatizá-la. Ufa, do que nós nos livrámos...

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Gang canino

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Não será bem aquela cena dos “sete cães a um osso”. São menos, no caso. Uns cinco, pr’aí. E não andam em busca de ossos, que isto os canitos agora estão muito finos. Já não comem restos nem outras porcarias. Calculo que deve ser uma espécie de gang canino. Os “Salsinha dog’s”, ou assim. Mas todos vadios, certamente. Que não estou a ver a vizinhança a deixar andar assim, ao deus dará, os seus patudinhos m'ai lindos. Até porque, parece-me, não é coisa lá muito legal.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Vamos lá diversificar a adjectivação pejorativa

A palavra “escumalha” está a ser usada com demasiada facilidade e inusitada frequência. Acho mal. Quase me apetece sugerir que seja limitado o seu emprego a uma ou duas vezes por dia e por pessoa. Assim mais ou menos como o outro beiçolas pretendia com o uso do vocábulo “vergonha” por um certo deputado.


Presumo que a escolha de palavras como “escumalha”, seja para definir um adepto que se porta mal num estádio ou um energúmeno que anda por aí a assassinar pessoas, constituirá mais um sinal dos tempos que vivemos. Chamar-lhes animais – ou mesmo umas bestas, vá - era coisa para, de certeza, ser mais mal-visto e muito menos tolerável. Que isto, também no âmbito da adjectivação pejorativa, é bom não mal-tratar a bicharada.


Talvez seja altura de recuperar uma velha “ofensa”, muito em voga aqui há umas dezenas de anos, que era chamar “judeus” aos que se dedicavam à pratica de patifarias. Do jeito que as coisas estão era capaz de ser politicamente correcto...

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Perplexidades

Diz que sua excelência o senhor Presidente da Republica está perplexo com a perplexidade gerada pelo aumento de vencimentos dos magistrados. Tem razão, o homem. Não há, de facto, motivo para espanto. Já estamos habituados. As elites tratam de si. Cuidam uns dos outros. Ou, como diria a minha avó, uma mão lava a outra.


O que também não me causa perplexidade nenhuma é a noticia de que os portugueses esturraram mais dinheiro do que nunca nas compras de Natal. Fizeram muitíssimo bem. Isto há que dinamizar a economia. E depois ninguém sabe o dia de amanhã. Portanto o melhor é gastar tudo o que se pode - e o que não pode, até - não vá, um dia destes, um Passos Coelho qualquer voltar a desgraçar a vida às pessoas.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Irmandade dos estudiosos descalços

Isto de estudos há-os para todos os gostos, de todas as espécies e a propósito de tudo. E de nada, também. Hoje, em lugar de ir à missa, li as principais conclusões de dois desses alegados trabalhos científicos.


Um deles conclui que, nessa coisa do on-line, os portugueses não querem saber para nada do chamado discurso de ódio. Estão sim, pasmam os estudiosos, preocupados com o roubo de identidade e de dados bancários. Isto apesar da intensa campanha de uma certa intelectualidade que anda há anos a tentar convencer-nos que somos uns racistas do piorio. O que apenas evidencia, se tal fosse necessário, a diferença entre opinião pública e publicada.


Noutro, publicado numa revista de âmbito médico-cientifico, garante-se que andar descalço é optimo para a saúde. Aquilo é só vantagens. Ao nível do lombo, então, é do melhor. O pé habitua-se, ganha calos e ao fim de algum tempo nem se nota a diferença. Para dar mais crédito à coisa dão o exemplo do Quénia. Diz que os quenianos – muito deles - andam descalços, correm que se fartam e são gajos que vendem saúde. Pode ser que sim. Mas, por mim, prefiro as dores nas costas. Cá me vou aguentando.

sábado, 4 de janeiro de 2020

A malta do BE terá conta bancária?

A pequena líder do Bloco de Esquerda fala que se farta. Acerca de tudo e mais um par de botas. Quase todos os dias ameaça levar uma proposta ao parlamento para proibir seja o que for, revogar o que calhar ou permitir o que apeteça aos tontinhos que lhe dão o voto. Daí que ande a estranhar o silêncio da garota relativamente ao aumento escandaloso das comissões bancárias que a generalidade da banca nacional se prepara para efectuar. Nomeadamente em relação à Caixa Geral de Depósitos que, dizem, é o banco dos portugueses. Pelo menos de alguns, como se tem visto. Mas não. Nem um pio. Vá lá saber-se porquê.


Mas não é apenas ela. Por mais que me esforce não encontro indignaçãozinha por este saque à descarada em lado nenhum. Devo ser só eu que acho um abuso – coisa de ladrões da pior espécie, mesmo – surripiar todos os meses cinco euros e vinte cêntimos da minha conta. Ou então já todos mudaram para esses bancos virtuais da Internet e ninguém me avisou.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Agricultura da crise

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Daqui não sairá um molho de brócolos. Nem de longe. São apenas meia-dúzia de exemplares. Que isto o quintal é pequeno, a vontade de cavar não é por aí além e o meu apreço por esta espécie vegetal também não é grande coisa. Mas, contra todas as expectativas, estão surpreendentemente catitas. Os brócolos. Da crise.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

O Estado que tudo sabe...não sabe os prédios que tem!

Tem, nos últimos dias, sido noticiado que o Estado desconhece a dimensão do seu património imobiliário. Não vou escrever que é uma vergonha. Mas lá que é, isso é. Mais ainda quando conhece, às vezes melhor do que os próprios, o património de cada contribuinte, o dinheiro que temos ou onde o gastamos. Pior. Tem cada vez mais a pretensão de gerir os imóveis dos proprietários privados ou, no mínimo, de lhes dizer como o devem fazer.


É por estas e por outras que dizer que o Estado não é pessoa de bem, mais não será do que repetir uma verdade de “La Palisse”. Será, quando muito, uma pessoa de bens. Mesmo que não saiba quantos. E que, notoriamente, está muito mais interssado nos bens dos outros do que nos seus. Uma espécie de padre Nabiça. Aquele que tudo o que vê, cobiça.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

A gestão pública tem superávite de qualidade...

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Para o ministro Santos Silva um dos principais problemas da economia nacional estará no défice de qualidade da gestão das empresas portuguesas. Para o governante e, diga-se, uma imensa legião de apaniguados que têm andado por estes dias ocupados em corroborar as declarações deste senhor. Que, lembre-se, para além dos governos de Costa, fez igualmente parte dos executivos chefiados pelo Sócrates. O que, só por si, é revelador dos dotes de gestor do cavalheiro.


Não tenho opinião formada acerca da gestão das empresas que operam por cá. Mas, parece-me, não deve ser assim tão má. Se fosse não conseguiam os contratos mirabolantes que fazem com o todo o sector público. Nomeadamente o Estado – onde o ministro Silva terá, presumo, uma palavra a dizer nisso da gestão - e as autarquias. Convenhamos que vender a quantidade de ferro que a imagem mostra por mais de trezentos mil euros, não é para qualquer um...

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

E se a omissão também for xenofobia?

Se há coisa que aprecio no jornalismo e nos jornalistas é a objetividade. A opinião deles, seja qual for o assunto, dispenso-a. Não me importa para nada. Agora o relato que fazem de uma ocorrência, a clareza com que expõem um tema do momento ou a independência com que tratam determinada matéria constitui, pelo menos do meu ponto de vista, algo de essencial do ponto vista do desempenho do seu trabalho.


Ontem foi agredido um cidadão – um turista, no caso – em Évora. No dizer de quem noticiou a ocorrência a agressão terá sido cometida por um “grupo de pessoas”. Ora porra. Tanta objectividade até aborrece. Para ficar a saber o que realmente aconteceu, nomeadamente quem foram os agressores, foi necessário recorrer às redes sociais. As tais que, no dizer de gente de elevado intelecto, estão a destruir a democracia. Estranho conceito de democracia, o desta malta. Se calhar o azarado turista ficou muito mais ferido do que teria ficado a democracia se o jornalista tivesse tido o profissionalismo de informar que os alegados agressores serão ciganos. Ou, pelo menos, uns moinantes.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

O pássaro manco

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A literatura policial não está no top das minhas preferências literárias. Tenho, no entanto, um especial apreço pela imaginação dos autores, nomeadamente no que diz respeito à escolha dos títulos. É mais ou menos como os nomes fantásticos que os gajos da PJ escolhem para as operações policiais.


O caso do canário coxo”, por exemplo. Só uma mente dotada de uma prodigiosa imaginação engendrará uma história que envolva um pássaro manco. Que, diga-se, deve ser coisa rara. E de pouca importância, também. Até porque uma ave, em principio, usa outro meio de locomoção em que o facto de coxear não tem grande relevância. Excepto, calculo, neste livro onde a perna marota do bicho certamente se revelará determinante para o desvendar do mistério.


Já uma operação da policia judiciária denominada “canário coxo”, dependendo das circunstâncias e do alvo a investigar, pode fazer todo o sentido. Por exemplo – se para tal houvesse motivo, obviamente - numa investigação a um ex-presidente de uma câmara vizinha...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Em nome da estabilidade emocional, do bónus e da falta de vergonha...

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Manter o dinheiro longe do sistema bancário constitui, nos tempos que vivemos, um sinal de inteligência. Não que debaixo do colchão, enterrado no quintal ou no fundo falso do balde dos papéis da casa de banho esteja mais seguro. Nada disso. Eu, se fosse um perigoso meliante – ou apenas relativamente ameaçador - seria dos primeiros locais onde ia procurar. Gente com mais estabilidade emocional tem, ao que se ouve nas noticias, outras alternativas.


Não sei em que categoria devo colocar os gajos dos bancos. Se entre os perigosos ou entre os ameaçadores. Deixar o pecúlio à mercê de quem se propõe retirar ao dito mais de cinco euros todos os meses parece-me um perigo. E, também, uma séria ameaça às minhas parcas economias. Do que tenho a certeza é que não as vou deixar entregues a quem, pelos vistos, levou a conversa da esganiçada demasiado à letra e perdeu a vergonha de ir buscar dinheiro a quem o tem. Ainda que pouco.


A Caixa Geral de Depósitos anunciou um significativo aumento, para o próximo ano, das comissões bancárias. Uma conta à ordem vai ficar pela hora da morte. Por mim é um ponto final numa relação com cerca de quarenta anos. Por enquanto – se calhar não por muito tempo – ainda vivemos numa economia de mercado e, adaptando um dito da minha avó aos dias de hoje, quem menos me rouba mais meu amigo é.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Não sejam piegas, pá!

Diz que o ministro do Ambiente terá sugerido que as aldeias afectadas pelas cheias devem começar a pensar em mudar de sitio. Assim mais ou menos aquela coisa de sair da sua zona de conforto que, afinal, se trata de uma zona de risco. Ideia que, presumo, estará a ser acolhida entusiasticamente pelos aldeões que viram os seus terrenos e as suas casas alagadas.


O palerma deve ter aprendido com o Passos Coelho. Mas, ao contrário do outro, quase aposto que esta tese terá o melhor acolhimento. Esta gentinha tem boa imprensa. São como aqueles pirralhos mimados que todas as diabruras que fazem constituem uma gracinha para os avós babados. Neste caso decerto não faltarão vozes a aplaudir a clarividência do senhor ministro.

domingo, 22 de dezembro de 2019

Mais um comendador...

Um exagero esta histeria à volta do Jesus. O Jorge. O homem pode ser - como muitos outros -  um bom treinador de futebol, mas o tempo de antena que lhe dedicam é manifestamente exagerado. Menos mal que choveu e que a equipa do gajo não ganhou. Caso contrário teríamos assunto para vinte minutos de telejornal. Tenho é pena dos alemães. Aquilo lá para a Alemanha deve ser uma festa por o Klopp ter ganho o mundial de clubes. Diretos, reportagens, comentadores, histórias de vida, os amigos de infância, condecorações, a Merkel a dizer coisas...Nem quero imaginar.

sábado, 21 de dezembro de 2019

Deve ser isto a politica de esquerda

Ainda sou do tempo em que os aumentos dos vencimentos dos funcionários públicos e das pensões era calculado em função do número de cafés, carcaças, copos de aguardente ou o que fosse que pagavam por dia. Não havia cão nem gato que não se dedicasse a esse exercício estatístico, chamemos-lhe assim.


Hoje ninguém perde tempo com essas ninharias. O que é uma pena. Até porque as contas são muito mais fáceis de fazer. O crescimento dos salários e reformas dará para consumir sensivelmente a mesma quantidade de cafés, carcaças e afins. Só que agora já não é por dia. É por mês.


Coisa que, presumo, incomodará muito pouca gente. Ou nenhuma. Nomeadamente sindicalistas e apoiantes da geringonça. Como aqueles dirigentes sindicais que, pouco antes das últimas eleições legislativas, estiveram no meu local de trabalho a instigar ao voto “nos partidos de esquerda”. Porque, argumentavam, “não podemos voltar para trás” nem “perder o que já conseguimos”. Pois. Só se fôr em matéria de vida saudável. Diz que cafés, carcaças e aguardente são do piorio para a saúde. Por falar em saúde...

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Os “interesses”

Consta da proposta de orçamento do Estado para 2020 que “os prédios classificados como monumentos nacionais de interesse público ou de interesse municipal voltam a pagar Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI)”. Sinto-me dividido quanto a isto. Por um lado considero este imposto um dos mais estúpidos do mundo. Não faz sentido tributar algo que não consome recursos à sociedade e que serve para cumprir um dos mais elementares direitos de cada qual. O direito à habitação. Ou, mesmo não sendo um edifício a isso destinado, não descortino pingo de racionalidade em tributar paredes. Excepto, claro, naquela parte de sacar dinheiro onde julgam que ele existe. Mas, por outro lado, diverte-me esta ideia. Anda, por este país fora, tanto edifício a ser declarado de interesse público, municipal e coiso e agora fazem isto?! Não devem estar a ver bem a cena...Quase aposto que uns quantos “interesses” e outros tantos “interessados” tratarão de manter a normalidade fiscal. Chamemos-lhe assim.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Inconstitucional? Depende...

Ando há não sei quantos anos – uns trezentos, no mínimo – a reclamar benefícios fiscais, nomeadamente no IRS, para quem reside e trabalha no interior do país. Que não, não pode ser. Seria inconstitucional, por violar o principio da igualdade ou outro principio qualquer que ocorra a quem manda nestas cenas. Esta, ou outra parecida, é a justificação que mais frequentemente leio ou ouço em reação a esta ideia.


Coisa que, pelos vistos, não se verifica no caso dos jovens. No próximo ano os que saírem de casa dos pais vão ter uma bonificação de vinte por cento no IRS. Mesmo que se mudem para o prédio ao lado. Ou seja. Dois jovens que até podem ser vizinhos, trabalhar na mesma empresa e ganhar o mesmo ordenado, pagarão IRS diferentes. É tudo constitucional. Não deixar uma vastidão de território desertificar, através de incentivos fiscais a sério como é o imposto sobre o trabalho, é que contraria a constituição.


Como não sou constitucionalista não sei se assim é ou deixa de ser. Nem me interessa. O que sei é que um país que despreza três quartos do seu território e quem neles vive, nunca valerá grande coisa.

domingo, 15 de dezembro de 2019

Alfaces da crise

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Mesmo sem o “substracto” que resultará – espero - do processo de compostagem, as alfaces evidenciam este bom aspecto. Hoje foi dia de colher a primeira. Outras se seguirão. Isto se conseguir descobrir a tempo um método natural e eficaz de exterminar as lagartas e restantes espécies invasoras. As maganas comem como se não houvesse amanhã e são exímias na arte da camuflagem.

sábado, 14 de dezembro de 2019

Ó miúdo! Olha que nesta casa pia apenas quem eu quero!

Seja pela figura grotesca ou por qualquer outro motivo, Ferro Rodrigues é das figuras mais detestadas – e mais detestáveis - da política portuguesa. A sua escolha para presidente da assembleia da república é uma daquelas opções difíceis de perceber e mais parece uma provocaçãozinha que uns quantos socialistas sentiram necessidade de fazer.


O homem é um incapaz. Um inapto para o lugar. O caso do deputado Ventura é só mais um. O fulano, da maneira como se dirige aos seus pares – é isso que são os restantes parlamentares - quase dá a ideia de pensar que está falar para miúdos. Ou que tem a pretensão de achar que naquela casa pia apenas quem ele quer.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Uma ideia luminosa

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Toda a gente, numa ou noutra ocasião, já teve uma ideia parva. Acontece o mesmo com as organizações. Sejam elas empresas, governos ou gangues de criminosos. Relativamente a ideias parvas que ocorreram aos governos, tenho poucas dúvidas que, no âmbito das ideias desconchavadas, as da geringonça pulverizam todos os recordes. Quer em quantidade quer em qualidade.


Quando tinha para mim que aquela ideia do Passos Coelho de baixar a TSU dos patrões - que até os putativos beneficiários acharam parva - iria estar durante muitos anos no topo da idiotices governativas, eis que a António Costa ocorre a ideia de criar um regime de IVA progressivo no consumo de electricidade. Para estimular o uso mais racional da energia e combater as alterações climáticas, diz o homem. Com alguma razão quanto a este fundamento, diga-se. Com a luz a este preço não serão muitos a alterar o clima da respectiva habitação de frio para quente no Inverno, nem o contrário no Verão.


Mas esta ideia, para além de parva, é perigosa. Abre precedentes para o mesmo principio se aplicar a outros produtos ou serviços e, dada a nossa tendência para a trafulhice, pode potenciar esquemas da mais variada ordem. Ocorre-me, assim de repente, que o IVA é o imposto onde se verificam mais fraudes, que muito do consumo de energia é medido de forma estimada ou através de contagem fornecida pelo consumidor e que, por não terem condições para aceder a outras alternativas, possam ser os mais pobres a pagar a taxa mais alta. O que até nem admira. As ideias parvas têm, por norma, resultados parvos.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

"Refugiados" do nosso contentamento

Andam por aí umas alminhas todas radiantes com a chegada às costas algarvias de meia dúzia de marroquinos, alegadamente refugiados. Nem conseguem – ou não querem – disfarçar a satisfação que lhes enche a alma. Percebo-os. O desembarque desta gente e o seu acolhimento pelas autoridades lusas não constitui apenas um gesto humanitário. Até porque não consta que em Marrocos haja guerra, fome ou outra qualquer espécie de cataclismo. Isso do cataclismo estará reservado para a principal indústria nacional – o turismo – se mais “turistas” destes se lhes seguirem. Como, de resto, já acontece noutros destinos turísticos assolados por esta traficância.


Receber este grupo, mais do que a humanidade do gesto, significa abrir as portas a outros. E, principalmente, a um imenso negócio que está associado a estas movimentações. Os que irradiam felicidade com esta chegada bem o sabem. Também por cá há muita gente com vontade de se atirar aos milhões de euros, provenientes dos nossos impostos, que estes desgraçados fazem movimentar.