
Imagem retirada daqui
Todos os dias aprendo qualquer coisa. Até nisto dos insultos. A história não é nova, mas é seguramente verdadeira. Ou não tivesse ela sido relembrada pela senhora doutora Mortágua. Uma delas, qual, interessa pouco. Fui, à conta disso, rever o vídeo em que uma senhora doutora deputada negra, eleita pelo PS, se queixa – na SIC Noticias, que nestas matérias não há televisão mais credível – de ter sido alvo de um insulto racista por parte de um senhor doutor deputado do Chega. Ter-se-ão cruzado num corredor e o cavalheiro tê-la-á cumprimentado com um “boa noite” quando, atente-se no topete, ainda o sol não estava no seu ocaso. Não se faz. Uma vergonha. Uma ofensa capaz de deixar qualquer um – ou uma - traumatizadinho de todo.
Inquieta-me o dramatismo da situação. Passo pelo mesmo quase todos os dias. Quando, à hora de almoço, saio do emprego nunca sei como hei-de cumprimentar quem vou encontrando pelo caminho. Na maior parte das ocasiões começo a dizer “bom dia” e quinze minutos depois, quando estou a chegar a casa, dou por mim a desejar “boa tarde”. Espero que ninguém se tenha sentido ofendido. Mas, se sentiu, a culpa não é minha. É dos deputados. Nomeadamente daqueles que ficam ofendidos por os cumprimentos não coincidirem com a hora legal em vigor. Há que regulamentar a saudação. É urgente fazê-lo. Se o Estado se mete nas nossas casas, nos nossos automóveis, nos nossos comportamentos, na nossa comida e, principalmente, nas nossas carteiras por maioria de razão devia regulamentar a maneira de nos cumprimentarmos uns aos outros. Assim uma espécie de lei de bases da urbanidade. Não vá alguém ficar ofendido por ser cumprimentado, em Maio às 19.05 horas, com um sonoro “boa noite”.







