domingo, 29 de março de 2020

Fiador escaldado de caloteiro arrependido tem medo...

As declarações de António Costa relativamente ao ministro das finanças holandês geraram um consenso pouco habitual entre os portugueses. É natural que assim seja. Qualquer líder de meia-tigela sabe que, para unir as “tropas”, nada melhor do que arranjar um inimigo externo. Mesmo que imaginário. Exemplos desses há por aí aos pontapés.


Mas sim, o homem tem razão relativamente à parte do repugnante. Não lembra a ninguém perguntar a quem está a morrer, onde é que andou a gastar o dinheiro de que agora precisa para se curar. Mesmo que, reconhecidamente, o moribundo tivesse sido um gastador inveterado.


Tem também razão quanto à mutualização da divida a que holandeses, alemães e outros se opõem. Hoje, mesmo sem percebermos muito bem porquê e não estarmos a ver as consequências futuras disso, quase todos achamos uma boa ideia. Convinha, digo eu, era tentar compreender quem está contra. Façamos um pequeno exercício. Todos temos um ou mais amigos com, digamos, hábitos de consumo extravagantes e, consequência disso, manifesta dificuldade em pagar as contas. Estaríamos nós dispostos a contrair um empréstimo conjuntamente com eles? Pois...os holandeses também não.

sábado, 28 de março de 2020

#vamostodosficarmenosjavardos

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Quem não tem cão caça com gato e, por estes dias, quem tem medo do vírus e as açambarcou em bom tempo, usa luvas. Quem tem medo, mas já não foi a tempo de açambarcar, desenrasca-se como pode. Não precisam é de ser javardos. Muito menos de deixá-las à porta dos outros. Da minha, no caso.


Podem ter o cuidado que quiserem. É uma cena muito valorizável que só lhes fica bem. Mas assim, com esta atitude, podem estar a contribuir para propagar a doença. Nomeadamente a um canito ou bichano mais curioso. Depois venham para cá com correntes e rezas...

sexta-feira, 27 de março de 2020

Os papagaios voltaram...

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Os especialistas da especialidade já andam por aí - por aqui e por todo o lado – a prever uma crise de proporções épicas. Nalguns casos os mesmos, curiosamente, que foram incapazes de desconfiar da aproximação da crise passada são agora de uma enorme perspicácia na visualização da crise futura. De proporções apocalípticas, reforço eu, se bem interpreto as suas sábias palavras.


Até pode ser que tenham razão. Mas, pelo sim pelo não, apetece-me desde já e para principio de conversa, mandá-los à merda. É que algumas dessas alimárias não se coíbem de - ainda sem saber se há crise nem, muito menos, saber a sua dimensão - mandar bitaites quanto à maneira da resolver. E, surpresa, a solução que preconizam é cortar vencimentos e despedir funcionários públicos. Isto, acrescentam, para que o Estado possa apoiar as empresas, injectar dinheiro na economia e essas cenas.


Será, certamente, o que mandam os livros por onde aprenderam. Embora, assim de repente, me pareça que essa solução iria tirar dinheiro à economia e acabaria por estourar definitivamente com o que resta dos serviços públicos. Não sei porquê mas desconfio que, outra vez, à boleia da crise e dos apoios governamentais que todos os dias – e bem - são anunciados, muito oportunista irá encher as algibeiras. A começar, se calhar, pelos papagaios, de todos os quadrantes, que não se cansam de arranjar ideias para a governação do país. Mesmo que, muitos deles, nem as próprias vidas saibam governar.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Passear em tempo de guerra é coisa de estúpidos...

Desde que a geringonça tomou conta dos destinos do país que considero ser o ministro dos negócios estrangeiros o gajo com mais juízo dentro daquela pandilha. Embora, dado todos os antecedentes conhecidos a nível político, isso não constitua nada de particularmente tranquilizador. Antes pelo contrário.


Não serei o único a ter esta opinião e o tempo, esse grande conselheiro, tem dado razão a quem assim pensa. Nisto do vírus chinês o homem voltou a estar à altura. Notável e muito bem esgalhada aquela resposta de que o MNE não é uma agência de viagens. Por mais que ande por aí meio mundo a criticar o homem, a razão está toda do lado dele. É que isto não lembra ao mais estúpido sair do país, para destinos mais ou menos exóticos, num tempo em que o actual cenário era já mais do que previsível. Quem é que os mandou ir de férias para o cú de Judas? Agora tirem proveito da estadia, façam muitas fotos para o Instagram e, sobretudo, não aborreçam.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Kruzes em Kasa...*

Por cá foi dia de teletrabalho. O primeiro. O que não deixa de ser irónico. Começar a teletrabalhar quando devia estar reformado…


Cuidado com as cantorias às varandas. Parece, segundo defendem alguns especialistas da especialidade, que constitui uma infracção qualquer. Viola os direitos de autor, ou lá o que é. Com a dramática perda de rendimento dos cantantes, pouco me espantará se essa idiotice fizer escola…


O Papa Xico pronunciou-se hoje acerca de despedimentos, empresas, desemprego, miséria e não sei mais o quê. Fez bem, o homem. Só faltou apresentar soluções. Ou, pelo menos, anunciar uma ajudazinha qualquer além da divina...


* Não é erro ortográfico. Já estou é como a outra, "cada um escreve como quer"!!!

domingo, 22 de março de 2020

"Fujem", "fujem"!!!

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Parece que nos últimos dias terão sido mais que muitos os que se fixaram no Alentejo para escapar ao vírus chinês. Os “montes” dos ricaços – ou falidos, que nisto como noutras coisas a doutrina diverge – desertos durante quase todo o ano estarão agora habitados e, segundo alguns relatos, nos supermercados da região o sotaque alentejano já não é predominante.


Uma atitude sensata, admito. Cautelas e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Não vou, portanto, alinhar naquela treta – muito partilhada nas redes sociais – que os desaconselha vivamente a viajar para cá e, ainda que não declaradamente, lhes sugere que zarpem mas é daqui para fora. Nada disso. Por mim são muito bem-vindos.


Tenho, no entanto, uma má noticia. Ainda que o tal Covid-19 tenha por aqui uma taxa de incidência menor que noutras zonas, se olharmos para as estatísticas o Alentejo é a região do país onde se verificam mais óbitos. Por cada cem mil habitantes, no mês de Janeiro, quinaram 146,73. Verdade que isso dos rácios vale o que vale...mas nunca fiando.

sábado, 21 de março de 2020

O velho, o cigano e o papel

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Esta foto foi obtida ontem numa superfície comercial cá da terra. Como se constata, papel higiénico é coisa que não falta. Podemos fazer merda à vontadinha que não será por falta desse artigo de primeira necessidade que ficamos com o rabo cagado.


Por falar em merda, vontadinha e necessidades. Ontem, cá no burgo, a generalidade da população soube manter-se no recato das respectivas residências. Excepto, obviamente, os que tivemos de trabalhar. As ruas da cidade estavam desertas. Ou quase. Ciganos e velhos continuavam a andar por aí como se nada fosse. Os primeiros parece que acreditam estar imunes ao vírus. Um deles, um destes dias, garantia que não os afectava e justificava-se por em Espanha, entre os inúmeros mortos, não se contar nenhum cigano. Quanto aos segundos desconfiam que algo invisível lhes possa fazer dano. Vá lá alguém convence-los que se aquilo os apanha o mais certo é terem guia de marcha. Se, uns e outros, continuarem a cirandar por aí vamos todos ver esclarecidas essas certezas...

quinta-feira, 19 de março de 2020

Pancadaria ou babyboom?

Andava eu para aqui a dizer a quem me queria ouvir – poucos, na verdade, se dão a esse trabalho – que estas cenas da quarentena, da obrigação de ficar em casa ou, até, do teletrabalho iam dar origem a um babyboom quando, afinal, o que os especialistas da especialidade temem é um aumento da violência doméstica. Eles lá sabem. Mas, se assim fôr, então os tugas são mesmo burros. Sem ofensa para os asnos. Desperdiçar o tempo a brigar, quando o podiam aproveitar para actividades muito mais interessantes, é mesmo coisa de parvo. Lá para Janeiro ficaremos a saber...

terça-feira, 17 de março de 2020

Ó valha-me eu!

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Seja lá quem fôr a quem ocorreu a ideia deste wc, já teve, de certeza absoluta, ideias muito melhores. Mesmo o improvisado resguardo para as partes pudibundas não se afigura capaz de garantir uma cagada tranquila a ninguém. Nem, sequer, à mais infeliz vitima de uma inopinada trovoada intestinal.

domingo, 15 de março de 2020

E se fizessem quarentena das redes sociais?

Não me vou pôr para aqui com piadolas mais ou menos fáceis acerca do tal Covid-19. Era o que faltava. O caso não está para graças. Tanto não está que já nem consigo achar graça aqueles loucos que continuam a insistir que a origem do dito vírus é culpa dos comunistas, dos americanos ou de uma tia afastada do Trump. Noutros tempos os fenómenos, nomeadamente para os que não se conhecia uma explicação lógica, eram culpa dos deuses que, por esse meio, enviavam uma espécie de aviso, punição ou outra cena que na altura desse jeito. Hoje, para alguns imbecis das redes sociais, a explicação desta pandemia é mais ou menos a mesma. Com as devidas adaptações. Tratem-se, pá!

sábado, 14 de março de 2020

Autarquias amigas do contribuinte...ou não!

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As autarquias são, na sua maioria, especialistas em expurgar-nos das contas bancárias os fundos que podíamos usar para melhorar a nossa qualidade de vida. Vendem-nos água a saber a detergente pelo preço de uísque escocês, cobram o IMI a pardieiros como se de palacetes se tratasse e abotoam-se com o IRS de quem ganha ordenados miseráveis com o fantástico argumento de que se pagam é porque são ricos. Um fartote.


Mas depois há aquelas onde o esbulho assume contornos parecidos com a vigarice. Em alguns concelhos parece que o IMI é tanto maior quando menor for o estado de conservação dos imóveis. Baseiam-se naquela teoria mirabolante que um imposto mais elevado obrigará os proprietários, esses patifes, a conservar o seu prédio. Mesmo sem entenderem que se o dinheiro vai para a Câmara já não chega para o gajo das tintas.


O inverso, lamentavelmente, não acontece. A possibilidade do munícipe pagar menos IMI quando a autarquia não conserva aquilo a que está obrigada, é coisa que aos divinos autarcas não ocorreu. Vá lá saber-se porquê. Ou, então, se calhar até sabemos.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Metam os estereótipos num sitio que eu cá sei...

Nunca achei piada a anedotas de alentejanos e desde sempre fiz questão de o demonstrar. Falta de sentindo de humor, dizem. Ou de inteligência, garantem outros, porque segundo afiançam o homem inteligente é aquele que é capaz de rir de si próprio. Ou, parece-me licito concluir, das piadolas que lhe dirigem. Admito ser portador de todos esses defeitos. E mais uns quantos, até. Mas não me revejo nos estereótipos atribuídos em função da zona do país onde me orgulho de ter nascido.


Curioso é agora ver os que levavam a vida a postar nos seus espaços na Internet – blogues, Facebook e afins – graçolas sobre alentejanos e que em alguns casos se “ouriçaram” com as minhas reacções negativas às suas publicações, todos indignados com os dichotes que se vão lendo e ouvindo acerca de pretos, ciganos, brasileiros, paneleiros ou seja o que for. Até – vejam lá – já nem acham que quem não se ri das piadas de que é alvo é pouco inteligente. O burro de hoje, garantem, é o tipo que conta a anedota. Sempre tive a certeza disso, suas bestas.

quinta-feira, 5 de março de 2020

Secou-se-lhes a saliva...

Admito que, dadas as circunstâncias – nomeadamente as das ultimas semanas, tenho andado menos atento ao fenómeno desportivo. Deve ser por isso, ou por outra coisa qualquer que se me esteja a escapar, que me parece não existir por aí um grande entusiasmo com a operação “fora de jogo”. Aquela que anda a investigar uns quantos clubes e agentes ligados ao futebol. Pelo menos o nível de burburinho não tem comparação com aquele que ocorria quando, noutras ocasiões, as buscas se centravam unicamente ali na zona do Colombo.


Ocorreu-me, a este propósito, visitar meia-dúzia de perfis no Facebook e no Twitter de gente que com uma frequência doentia postava opiniões, frases feitas e idiotices diversas acerca de negócios manhosos do Benfica, enquanto simultaneamente se desfazia em elogios e se babava com as denuncias do pirata informático engaiolado. Devem ter levado sumiço, a maioria. Outros baixaram o tom para o nível pianinho. Vá lá saber-se porquê. Embora eu calcule que seja por causa da teoria que defenderam durante muito tempo segundo a qual o melhor ainda estava para vir. Vão ver está mesmo…

terça-feira, 3 de março de 2020

A virose que virou isto tudo

Uma loucura, isto do Covid-19. Está a deixar os portugueses à beira de uma ataque de nervos, o maroto. Com razão ou sem ela, não sei ao certo. O certo é que desinfetantes e máscaras foi um ar que se lhes deu. Varreram-se de supermercados, farmácias e, pasme-se, ao que consta até as do hospital de Elvas terão levado sumiço. Embora, a fazer fé nos especialistas da especialidade, esses artefactos não façam bem nenhum nesta luta contra o chato do coronavírus em causa.


Cá por mim não comprei nada dessas coisas. E, esgotadas que estão, agora também já não posso comprar. A sorte é que ainda para ali devo ter uma bagaceira. Deve ser boa para isso da desinfeção. Com a inegável vantagem de desinfetar por dentro e por fora. Para substituir a máscara podia usar uns garrafões, como fazem os chineses. Mas não. Optei por deixar crescer os pêlos do nariz. Com sorte deve chegar.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Activismo fofinho

Uns quantos activistas – um conceito muito em moda, que serve para tudo o que a intelectualidade bem pensante entende como valorizável – amarraram-se com correntes junto à Assembleia da República. Neste caso o seu activismo é pelos direitos dos animais. Defendem, entre outras coisas, que os animais não devem ser aprisionados. Vai daí acorrentaram-se. Bem esgalhado.


Tenho particular apreço por protestos em que a malta se barrica, acorrenta ou, simplesmente, se fecha em sítios. É porreiro. Não incomoda ninguém, não prejudica a vida aos demais e, sobretudo, diverte o pagode. Podiam era ter escolhido outro ponto ou objecto de amarração. A um deputado, por exemplo. Melhor. Uns acorrentavam-se à Isabel Moreira e outros ao Ferro Rodrigues. Teria sido uma diversão. Para todos.

domingo, 1 de março de 2020

Tempos modernos

Cavalos e cães com aumento superior a policias”. Não sei onde está o escândalo, o espanto nem, sequer, o motivo para a indignação que a noticia pretende suscitar. É perfeitamente normal que assim seja.


Já no meu tempo de tropa, há mais ou menos uns duzentos anos, me diziam que “maçarico” - o recruta, para quem não sabe – estava cem pontos abaixo de policia. Que, por sua vez, estava outros cem abaixo de cão e este, garantiam, estaria mais uns cem abaixo de gente. Do cavalo não reza a história. Não tenho, por isso, termo de comparação. Mas, se calhar, estará ao nível das outras bestas que mandam nisto tudo.

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Preciso, logo deve ser grátis

Tampões e pensos higiénicos grátis. Será esta temática – não me devo enganar muito – o novo tema fraturante que os grupelhos que ditam a agenda mediática tratarão de levar à cena mal acabe esta coisa do vírus chinês. Por mim não é que ache mal. Nem bem. Antes pelo contrário. Ou, como costumo dizer nestas circunstâncias, estou inteiramente de acordo e simultaneamente de opinião contrária. É que esse argumento do “ah e tal nasci mulher não tenho culpa de precisar destes artigos” tem muito que se lhe diga. Também, por exemplo, ninguém escolhe estar doente – embora, reconheça-se, alguns se esforcem muito pouco por o evitar – e o tratamento, seja de que maleita for, não é à borla para toda a gente.


Depois este conceito do “gratuito” - pago pelo Estado, entenda-se – é algo que me deixa cheio de urticária. Como é que esta gente não entende que nada é gratuito?! Alguém o produz, alguém o paga. Parece fácil de entender. E se distribuir pensos e tampões às mulheres que deles necessitem até pode constituir uma causa simpática, desconfio que a maioria delas era capaz de ficar mais contente se lhes baixassem o IRS.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Interior?! Onde fica isso?

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Para quem, como eu, anda sempre a reclamar que o governo não faz nada pelo interior do país, aí está mais uma medida destinada a contrariar esses velhos do Restelo que, tal como o je, se fartam de rabujar contra a inércia governativa relativamente a dois terços do território. Descontos nas auto-estradas do interior. Ora tomem, embrulhem e vão buscar. Que é só para saberem quem se preocupa com vocês, seus maldicentes. Mas nada de alarvidades, que isto é só para alguns. E nem sempre, que é para não se habituarem mal. É só de vez em quando e para os que usam essas vias mais amiúde.


Fiquei, contudo, a saber que tenho andado estes anos a reclamar em vão. Que tenho eu a ver com isso do interior? Afinal nem moro lá. Nem, que eu saiba, no litoral. Que isto o Alqueva ainda é longe como o camandro. Confesso que me sinto meio perdido. Numa crise de identidade geográfica, quase. Não sei se mais alguém reparou mas, apesar desta coisa das portagens com desconto se destinar às auto-estradas do interior, a A6 não consta da lista. Logo, para o governo, toda a zona entre a Marateca e a fronteira do Caia não faz parte do interior. Faz, se mal pergunto, parte do quê? Só para ver se me oriento, que eu até prefiro a N4. Manias.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Os insondáveis designios da agenda mediática

Vi três policias em cima de uma menina no chão e corri para a abraçar”. Que comovente. Uma lágrima marota insiste em cair-me pelo canto do olho. Quanta bondade vai naquele coraçãozinho. E, já agora, no coração dos jornalistas que se dão ao trabalho de tentar dar credibilidade a gente desta. Ficam sempre assim quando lhes cheira a violência policial. Nem sei como não conseguem perceber o quanto estão a ser ridículos. Só faltou, perante o cenário de três chuis em cima de uma gaja deitada no chão, garantir que se tratava de um caso de violação em grupo por parte da policia.


Já o acidente na segunda circular, onde morreram três indivíduos que se passeavam a trezentos quilómetros à hora numa bomba de oitenta mil euros, a discrição dos jornaleiros tem sido mais que muita. Nem uma entrevista com os vizinhos das vitimas, a garantir que todos eles se tratavam de uma joias de meninos, nem outros pormenores que, nestas circunstâncias, costumam dar para larguíssimos minutos de telejornal. Nada. Nadinha. Népia. Não será, reconheço, assunto que mereça grande relevância. Mas, atendendo às consequências que podia ter tido dado o local da ocorrência, não deixa de ser estranhíssimo o silêncio mediático. Nomeadamente se compararmos com o chavascal que fazem sempre que alguém ligeiramente mais moreno se acha no direito de resistir à policia. Deve ser tudo uma questão de “agenda”...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Criminosos fofinhos

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Presumo que estes piratas informáticos, que fizeram manchete num jornal diário um destes dias, também sejam tipos muito sérios e cujas capacidades a Policia Judiciária, o Ministério Público, o governo e todas as autoridades em geral deviam tratar de aproveitar. Afinal a actividade a que se dedicam é a mesma do amiguinho – ou lá o que é – da Ana Gomes. Ou do Herman José, ainda não percebi bem.


Terão desviado, segundo a noticia, umas massas das contas bancárias de uns quantos incautos cidadãos. Desconheço, obviamente, se os assaltados farão parte da imensa legião de gente estúpida que considera o tal Rui Pinto um herói. Se sim, é muito bem feito. Se não, sugiro que arrefinfem um valente par de murros nos cornos do primeiro que apanhem a defender o larápio. A essa gente só se perdem as que não lhes esfacelem as trombas.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Remate kruzado

Muito se tem discutido acerca da alegada impunidade que se vive no futebol. Nomeadamente dentro dos estádios onde, garantem alguns, se podem praticar as mais diversas selvajarias sem que daí resultem consequências para ninguém.


Diz-se – e escreve-se – que aquilo da bola é um mundo à parte. Hesito quanto a isso. O clube de futebol do Porto, por exemplo, foi hoje castigado com um jogo à porta fechada. Parece que um adepto da agremiação terá atingido um policia com uma cadeira durante um jogo. Nada indica que alguém com responsabilidade no clube da fruta tenha dado ordens ao energúmeno para atingir o agente da autoridade. Mas, ainda assim, é a instituição a arcar com as consequências do acto praticado pelo idiota do adepto.


Ora, ainda não foi assim há tanto tempo que no Continente de Estremoz, durante uma altercação, um cigano atingiu um policia com um objecto idêntico. Uma cadeira. Cena tele-visionada pelo país inteiro, recorde-se. No entanto o dito estabelecimento comercial, ao contrário do fcp, não foi punido com um dia sem clientes. Nem, ao que se saiba, com outra punição qualquer.


Não sei, portanto, quem goza de mais impunidade. Se os clubes de futebol ou as superfícies comerciais, os adeptos ou os clientes desordeiros. Já, presumo, a diferença entre cadeiras não deve ser grande e o lombo dos policias atingidos também não será muito diferente.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

E a multazinha? Ou está tudo a coçar os tomates?

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Ainda sou do tempo em que na cidade os cães eram uma raridade. Excepto nas vivendas com logradouro, ninguém que morasse em meio urbano, tinha animais. Tirando, vá lá um gato ou um passarito. Viver com eles dentro de casa era uma javardice, toda a gente achava. Era e continua a ser. Aos amiguinhos da bicharada é que pouco importa. Mas que queiram viver com e como os bichos é lá com eles. Não têm é o direito de conspurcar o espaço público ou, pior, o espaço privado de cada qual. Impunemente, como se sabe e com a complacência das autoridades incompetentes. Que multas a esta gentinha não há quem passe.


Tenho visto por estes dias gente a partilhar daquelas frases feitas jurando “morrer a defender os animais”. Não desejo mal a ninguém. Mas, confesso, gostava que alguns tivessem a sorte de concretizar esse desejo. Nomeadamente aqueles que permitem aos seus animais que caguem à porta dos outros.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

O racismo é por ser azul?

Não. Je ne suis cá Marega coisa nenhuma. E não é por causa disso do racismo mais do que evidente dos grunhos que insultaram o jogador da equipa do Porto. Não gosto é de indignações selectivas. Quem se indigna selectivamente é um filho da puta tão grande como os racistas que ontem fizeram aquela figura abjecta nas bancadas do estádio D. Afonso Henriques.


Pelo mesmo passaram outros jogadores. Desde Nelson Semedo a Renato Saches. Ou, convém ter memória, um jogador negro do Young Boys em setembro do ano passado no estádio do Dragão. Alegou, na altura, o clube da agora vitima para escapar à punição da UEFA, que estariam a gritar pelo símio que lidera a claque. Ou, indo ligeiramente mais atrás, aqueles que emitiam grunhidos (Hulk, Hulk. Hulk...) como os de ontem mas argumentavam estar a gritar pelo Hulk, então jogador da agremiação. Poder-se-á argumentar que nenhum abandonou o relvado. Pois não. Se calhar foram mais profissionais. Olha se todos os trabalhadores virassem costas ao local de trabalho quando são vitimas de um acto discriminatório ou de outra selvajaria qualquer...


Estranho, por isso, que apenas agora as virgens ofendidas tenham vindo a terreiro quando oportunidade para isso foi coisa que não lhes tem faltado. Lá saberão o que os move. Por mim estou como o outro atleta azul e branco - que por acaso também é negro - terá dito, num momento de irritação, ao seu treinador. A cada indignado selectivo recomendo que vá tomar em seu cú.

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Deve ser para isto que querem o tal 1% para a cultura...

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Deve ser arte, isto. Refiro-me à peça a levar à cena por um grupo de teatro - pago com o dinheiro dos contribuintes, provavelmente - e que dá por este sugestivo nome. Será, certamente, cultura da melhor. Do mais valorizável que há. Já se, em lugar de fachos, à Catarina desse para limpar o sebo a comunas, nem quero imaginar o cagaçal que para aí estaria instalado. Desde grandoladas, manifs e horas de debate acerca da melhor maneira de travar a extrema-direita. Como a ideia é exterminar fascistas está tudo bem…


Há, contudo, uma dúvida que me atormenta. Será que matar ciganos, pretos ou homossexuais fascistas é igualmente belo? Ou, pior, um cão fascista? Sim, que também os há. Tive um – o Botas, belo canito – que detestava um vizinho comuna. Ele lá sabia.


 

sábado, 15 de fevereiro de 2020

De mortes percebem eles...

Admiro a imaginação da malta de esquerda. A que está no poder e a outra. A que abana o chocalho a tudo o que a primeira diz, faz ou, simplesmente, sonha. Aquilo, a bem dizer, não sei se é apenas capacidade imaginativa. Às vezes desconfio que é demência. Nomeadamente quando em causa estão os temas fraturantes que só eles são capazes de colocar na agenda.


Agora é aquela coisa da eutanásia, ou lá o que é. Ainda há pouco, na televisão, uma tipa esganzelada guinchava entusiasticamente acerca do assunto. Uma tal de Isabel Moreira, acho eu. A magricela mal encarada até pode ter razão. Ou não. Que isso é tema que pouco me importa. O que me deixa basbaque é o entusiasmo que a morte lhe causa. Até dá a impressão que está mesmo mortinha por experimentar.


Quem parece não pretender entrar no ramo são os privados. Dizem eles agora. Nada que uma PPP ou um regime convencionado não resolva. Até porque, com tanta gente a defender a morte medicamente assistida, o SNS não daria conta do recado. A lista de espera seria enorme. Às tantas o pagode ainda morria à espera de ser eutanasiado.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Salário minimo nacional para todos, já!

É extraordinário como os portugueses aceitam pacificamente as canalhices da actual escumalha que nos governa. Ou, igualmente espantoso, como não partem os cornos à vasta corte de filhos da puta – também conhecidos como opinion makers – que os sustentam na comunicação social e noutros antros manhosos.


Veja-se, por exemplo, a chamada política de rendimentos. Nomeadamente da função pública. Há pouco mais de meia dúzia de anos um assistente operacional ganhava 450 euros e um assistente técnico 683,13. Uma diferença de mais de 233 euros. Hoje os primeiros ganham 635,07 e os segundos continuam a receber o mesmo. A distância entre uns e euros reduziu-se para 48,06 euros. Liquida ainda será bastante menor.


Trata-se de algo absolutamente inaceitável. Uma injustiça sem limites. Que merece, no entanto, o aplauso generalizado da esquerdalha. Percebe-se. Essa gente precisa de pobres. Que todos sejam pobres, de preferência. E, sobretudo, não entende aquela coisa do mérito, do trabalho qualificado e da valorização profissional. Nem a esquerda nem as pessoas de bem, pelos vistos.

domingo, 9 de fevereiro de 2020

Remate kruzado

Não percebo nada de bola. É por isso que me sinto tão à vontade para dissertar acerca do jogo de ontem. Aquele que envolveu uns quantos arruaceiros, dentro e fora do campo, mais uma quantidade de gente empenhada em manter a competitividade do campeonato. Aquilo teve de tudo. Antes, durante e depois do jogo. Menos futebol. Disso é que não vi nada. Apenas pancadaria e cenas parvas antes da partida, profissionais a praticar a arte errada durante a contenda e, depois, uns quantos patetas a comentar algo completamente diferente daquilo que a realização televisiva me mostrou.


O futebol é uma guerra. A norte sabe-se disso. E pratica-se com todo o empenho. Desde os bonecos na auto-estrada, às bolas de golfe nos estádios e a qualquer cena esquisita que faz certos praticantes da modalidade ver a canela do adversário – inimigo, para eles – estender-se até ao pescoço. Esta postura, ou lá o que é, às vezes resulta. O pior é a ressaca. Belenenses e Famalicão que o digam. Quanto ao FCP logo se vê para a semana.


Depois há os árbitros e aquela malta que pugna pela cena da competitividade. O SLB ontem, obviamente, não podia ganhar aquele jogo. A agremiação cuja claque apoia a equipa com impropérios aos adversários – coisa que deve ser única no mundo e que só revela a pequenez da instituição – jamais podia ficar a dez pontos do primeiro lugar. Estava-se mesmo a ver o que ia sair dali. Até eu adivinhei. Foram, à pala disso, os €€€€ mais fáceis de sempre de ganhar no Placard...

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Brincar aos comunistas

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Desconheço a origem desta magnifica peça. Um brinquedo deveras educativo como, diga-se, devem ser todos os que se destinam a ser ofertados a criancinhas de tenra idade. Que é para aprenderem desde pequeninas a admirar o querido líder, o grande timoneiro, ou outra palermice qualquer que o camarada ditador sanguinário lá do sitio se tenha lembrado de chamar a si próprio. E, claro, a não quererem nada com esses malandros imperialistas e capitalistas nojentos que inventaram a sociedade de consumo.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

E o burro sou eu?!

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Sempre ouvi dizer – embora não esteja absolutamente convencido quanto a isso – que vozes de burro não chegam ao céu. Daí a total ausência de surpresa por ideias parvas, como limitar o transito em certos locais da cidade onde resido, não causarem especial simpatia. Nem entre as divindades nem, parece-me que ainda menos, entre as restantes alimárias. Devo estar errado, portanto. Mas depois, olhando para o resultado de algumas obras, salta à vista que, afinal, aquilo não foi feito para suportar a constante passagem de automóveis. Como, por exemplo, o local onde tirei esta foto. Apenas por ali deviam passar pessoas, reitero. E cães, vá.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

O orçamento da bicharada

Ao contrário de outros anos, não tenho ligado nenhuma ao orçamento do Estado que, por estes dias, anda a ser discutido e aprovado no Parlamento. Não terei perdido grande coisa, ao que se diz. Um circo em torno da descida do IVA – que serviu para esconder, à custa do ruído que provocou, mais um enorme aumento de impostos – e pouco mais.


Quem está muito contente são os amigalhaços dos animais. Com aquilo do iva das touradas, nomeadamente. Agora que os bilhetes são à taxa máxima o touro sofre muito menos. Já quase não sente as bandarilhas no lombo, aposto.


Quanto à restante bicharada, não sei que benefícios lhes reserva este OE. Mas, pouco me espanta, se passar a considerar os animais de companhia como parte integrante do agregado familiar para efeitos do IRS, se o SNS comparticipar o preço dos medicamentos para os bichos e, espero que alguém tenha pensado disso, alargar o âmbito das baixas médicas a quem necessita cuidar do seu bichinho quando este fica enfermo.


Há, também, mais uma quantidade de impostos novos e aumento noutros. Como aquele sobre a carne. Que é, justificam, para a malta comer menos. É desta que vou engordar um porco no quintal. Sempre estou para ver quem é o alarve que se vai atrever a vir cobrar este tributo ridiculo.