Quatro anos já decorreram desde a chegada da troika. Da analise da sucessão de acontecimentos, de então até ao presente, apenas uma interpretação muito rebuscada permitirá concluir pelo sucesso da intervenção externa.
Como sempre acontece nestas ocasiões em que se assinala uma data qualquer, a comunicação social desata a fazer balanços. E a ouvir populares, também. Que, como é hábito, dizem coisas. Importantes, quase sempre, embora mais não sejam que a repetição do que ouviram antes na televisão. Uma das mais repetidas foi a convicção que os reformados foram os mais penalizados pela austeridade. Não estou, assim de repente, a perceber porquê. Só se for por, finalmente e após tantos anos de discriminação, o IRS que incide sobre as pensões, apesar de ainda inferior, já estar quase ao nível do que suporta quem trabalha. Coisa que, parece-me, é da mais elementar justiça social.
Outros, inquiridos sobre o que tinha mudado nas respectivas vidas, lamentavam-se pelas viagens que deixaram de fazer e pelas refeições fora que já não fazem. Preocupações capazes de levar qualquer um ao desespero, convenhamos. Tadinhos. Se foi por aí que foram atingidos mais valia estarem calados. Assim quase parece que estão a gozar, tal como muitos reformados queixosos, com aqueles que realmente são vitimas disto tudo. E esses, digam as estatísticas o que disserem, não são poucos.