segunda-feira, 2 de março de 2015

Eu pagava, tu pagavas, ele pagou agora...



A doutrina divide-se. Para uns terá sido um lapso. Para outros um esquecimento. Por mim prefiro somar. A essas duas desculpas apetece-me juntar mais duas. Manivérsia e vigarice. Isto a multiplicar por cinco. Que terão sido os anos que o senhor se esqueceu de subtrair a devida contribuição para a segurança social aos seus rendimentos. Tudo isto alegadamente, claro.

Eu pagava, tu pagavas, ele pagou agora...

A doutrina divide-se. Para uns terá sido um lapso. Para outros um esquecimento. Por mim prefiro somar. A essas duas desculpas apetece-me juntar mais duas. Manivérsia e vigarice. Isto a multiplicar por cinco. Que terão sido os anos que o senhor se esqueceu de subtrair a devida contribuição para a segurança social aos seus rendimentos. Tudo isto alegadamente, claro.

Mistérios na agricultura da crise


Há coisas estranhas a crescer no meu quintal. Estas, que as imagens documentam, nomeadamente. Assim, ao primeiro olhar, quase sou tentado a pensar que se tratam de cabelos. Alguém que, por exemplo, após remover as pilosidades excessivas as tivesse depositado no espaço reservado à minha lavoura. Que, esclareça-se, de momento está em pousio. Mas não. Analisado mais de perto aquilo não são resquícios de depilações. Minhas ou alheias. Fica o mistério. Ou a ignorância quanto ao que efectivamente é esta coisa.




Mistérios na agricultura da crise

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Há coisas estranhas a crescer no meu quintal. Estas, que as imagens documentam, nomeadamente. Assim, ao primeiro olhar, quase sou tentado a pensar que se tratam de cabelos. Alguém que, por exemplo, após remover as pilosidades excessivas as tivesse depositado no espaço reservado à minha lavoura. Que, esclareça-se, de momento está em pousio. Mas não. Analisado mais de perto aquilo não são resquícios de depilações. Minhas ou alheias. Fica o mistério. Ou a ignorância quanto ao que efectivamente é esta coisa.

domingo, 1 de março de 2015

Tradições

Nos jornais locais leio sempre com especial atenção as diversas colunas de opinião. São, por norma, textos interessantes com os quais nem sempre me identifico mas que gosto de ler pela clarividência e desassombro com que os autores transmitem as suas ideias.


Um destes colunistas, no último número do Brados do Alentejo, relativamente ao bairro das Quintinhas em Estremoz, manifestava a sua mágoa por os cidadãos que ali habitam levarem uma vida de ócio, subsidiada pelo Estado e de nem sequer aproveitarem a água em abundância, que tal como a electricidade lhes é fornecida gratuitamente pela autarquia, para cultivarem o terreno circundante à sua "habitação".


É, de facto, lamentável que recursos de toda ordem, energéticos, financeiros e humanos, estejam ali a ser desbaratados. No entanto o povo cigano tem uma relação inconciliável com o trabalho. A aversão ao trabalho faz mesmo parte da sua cultura, das suas tradições. E as tradições devem, a todo o custo, ser preservadas. Coisa em que o país investe anualmente muitos e muitos milhões de euros. Basta lembrar a tradição de proteger o lince da Serra da Malcata...


Por mais bucólica que se afigure a imagem de uma família cigana a plantar couves ou a sachar batatas, a perda da sua identidade cultural teria consequências bem piores. Para além de toda a criação artística que a figura do cigano preguiçoso inspira, intelectuais de esquerda e assistentes sociais perderiam a sua principal referência...


 


Publicado originalmente aqui.

Para deitar cedo e tarde erguer boa companhia se há-de ter.

O que leva alguém a levantar-se às seis da manhã para passear o canito na relva em redor do Rossio? O animal estar com uma valente dor de barriga é uma forte hipótese. Insónia do dono ou má companhia na cama são outras causas bastante prováveis. Aproveitar a escuridão e a ausência de olhares reprovadores que este tipo de comportamento provoca, é igualmente uma hipótese a não descartar. Seja como for não deixa de ser curioso encontrar a hora tão matutina, enfrentando estoicamente o frio da madrugada, tanta gente (uma meia dúzia de pessoas pr'aí) a passear o seu fiel amigo. O que constitui uma irrefutável prova de amor ao próximo. Mesmo que este tenha quatro patas e uma vontade madrugadora de cagar. Como dos meus escritos é frequentemente feita uma leitura que nem sempre corresponde ao que pretendo transmitir, fica desde já o esclarecimento que os/as transeuntes apenas passeavam o cão… e a uma distância bastante razoável uns dos outros.


 


Originalmente publicado aqui.

A pato "dado"...Ou a estória de um dado pato.

Desde a abertura do Modelo em Estremoz, dentro do espírito concorrencial que move estas coisas, que o Pingo Doce "oferece" um produto, previamente anunciado, a quem efectuar compras superiores a determinado montante, normalmente 25 ou 30 euros. Uma iniciativa simpática e que já distribuiu pelos clientes bacalhau, polvo ou bolo rei. Hoje, a promoção do dia era pato congelado. Dentro da arca frigorífico acomodavam-se patos de vários tamanhos, a maioria tipo Gastão ou Peninha, o meu herói preferido e ao qual obviamente me estava a afiambrar. Mas, como tenho tanta sorte para estas coisas como o Donald, acabei por trazer um do tipo Zézinho. O que é muito bem feito, diga-se, para não me armar em Patacôncio e desatar a encher o carrinho só para trazer a ave. Que nem sequer é Maria. Como sempre, quem tem razão é o Patinhas que protege as suas moedas destas bruxarias.


 


Publicado originalmente aqui.

Austeridade e falta de memória (II)

Falar ou escrever sobre assuntos de que nada percebemos, por norma, dá asneira. E o que não falta é gente por aí a mandar bitaites acerca de coisas de que não percebe a ponta de um corno, como se diz por cá. Muitos, até, com responsabilidades na vida pública e que, por isso mesmo, deviam ter algum recato quando se pronunciam sobre temas que não dominam.
Veja-se o caso da divida portuguesa. Que, os números confirmam, está agora muito maior do que quando a troika chegou. Ora, se isto é verdade, não é a história toda. Convinha que se dissesse – entre outras coisas que podem justificar esse aumento - que o perímetro da divida foi substancialmente alargado. Ao contrário do que acontecia antes, o valor apurado passou a integrar a divida das empresas públicas e das empresas municipais. Para onde, recorde-se, anteriores governos tinham empurrado muita da despesa pública.
Mas, convinha também que alguns dos novos experts soubessem disso, a coisa ficou ainda pior. Actualmente integram igualmente o conceito de divida todas as participações do Estado. Ou seja. Basta uma autarquia deter uma participação, por exemplo numa cooperativa, para a divida dessa instituição passar a conta para o volume da divida pública.
Percebo que filósofos, médicos, juristas, jornalistas e o povo em geral gostem de discutir estas coisas. Podiam era fazê-lo depois de se informarem. Digo eu que uma vez dissertei sobre cozinha tchetchena e, naturalmente, saíram uns quantos disparates.



Austeridade e falta de memória (II)

Falar ou escrever sobre assuntos de que nada percebemos, por norma, dá asneira. E o que não falta é gente por aí a mandar bitaites acerca de coisas de que não percebe a ponta de um corno, como se diz por cá. Muitos, até, com responsabilidades na vida pública e que, por isso mesmo, deviam ter algum recato quando se pronunciam sobre temas que não dominam.
Veja-se o caso da divida portuguesa. Que, os números confirmam, está agora muito maior do que quando a troika chegou. Ora, se isto é verdade, não é a história toda. Convinha que se dissesse – entre outras coisas que podem justificar esse aumento - que o perímetro da divida foi substancialmente alargado. Ao contrário do que acontecia antes, o valor apurado passou a integrar a divida das empresas públicas e das empresas municipais. Para onde, recorde-se, anteriores governos tinham empurrado muita da despesa pública.
Mas, convinha também que alguns dos novos experts soubessem disso, a coisa ficou ainda pior. Actualmente integram igualmente o conceito de divida todas as participações do Estado. Ou seja. Basta uma autarquia deter uma participação, por exemplo numa cooperativa, para a divida dessa instituição passar a conta para o volume da divida pública.
Percebo que filósofos, médicos, juristas, jornalistas e o povo em geral gostem de discutir estas coisas. Podiam era fazê-lo depois de se informarem. Digo eu que uma vez dissertei sobre cozinha tchetchena e, naturalmente, saíram uns quantos disparates.



sábado, 28 de fevereiro de 2015

Austeridade e falta de memória

Convém recordar aos mais esquecidos que a austeridade não começou com o Parvus Coelho. Talvez tenha é atingido a esmagadora maioria dos actuais indignados durante o seu governo. Foi no governo do Partido Socialista – de que António Costa era o número dois – que foram tomadas algumas medidas profundamente injustas. Lembro, só a titulo de exemplo, o corte no abono de família a quem ganhava o fantástico ordenado de setecentos euros. Medida que não suscitou nenhum pedido de inconstitucionalidade, ao contrário que sucedeu quando os atingidos pelos cortes foram aqueles que detinham rendimentos bem superiores. Mas percebe-se. Isto há que atender aos que conseguem fazer mais barulho.
Por mim sou e sempre foi contra este tipo de politica. Está escrito nas páginas deste blogue. E também de outros. Onde, por causa desta posição aqueles que agora se indignam com as medidas austeritárias e que antes as defendiam com a mesma arrogância com que agora as criticam, já me chamaram de tudo. Menos pai, acho eu.  

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Colinho e palmadas no rabiosque

Na comunicação social escrita, falada e televisionada reina um estranho consenso em redor de dois assuntos. O governo e o Benfica. Relativamente ao primeiro não há comentador – ou são raríssimos – que não desanque em todos os ministros e em cada medida que o governo toma ou deixa de tomar. Isto enquanto, na falta de opositores de jeito cá dentro, vai endeusando o Syriza, o Tsirpas e o Varoufakis. Gente de reconhecida competência, prestes a passar a certidão de óbito ao país que lhes confiou o poder. Mas isso é lá com eles. São gregos, entendam-se.
Também o Benfica, para os jornaleiros e comentadeiros de serviço, constituiu uma espécie de saco de pancada. Principalmente desde que perceberam que o lagartedo, como é hábito, não vai a lado nenhum e o clube do putedo, apesar dos charters de espanhóis e dos contentores de euros despejados no estádio do Ladrão, está a ter dificuldades inesperadas para ganhar alguma coisa.
Quanto ao Benfica tenho a certeza que a canzoada a quem é dado tempo de antena na comunicação social não convence ninguém. Já quanto ao governo não sei. Mas ou muito me engano ou ainda é capaz de provocar efeitos contrários ao pretendido. É que isto às vezes tanto se bate no ceguinho que a malta fica com pena...





quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Pois que não posso crer!

Diz que a Câmara Municipal de Alandroal terá recebido a visita de uma equipa da Policia Judiciária. A diligência dever-se-á, segundo as palavras da presidenta da autarquia publicadas em diversos órgãos de informação da região, a investigações que visarão esclarecer matérias que terão a ver “essencialmente com a realização de obras por parte da câmara, com funcionários, com recursos humanos da câmara e com recursos materiais, máquinas e viaturas da câmara ao serviço de particulares, neste caso na realização de obras que segundo está denunciado, seriam obras realizadas em propriedades privadas e é isso que se está a tentar apurar”.
Lamentável perda de tempo e esbanjamento de recursos públicos é o que me apraz escrever sobre o assunto. Refiro-me, como é óbvio, à investigação. Toda a gente sabe que este tipo de procedimentos não é praticado pelos autarcas. Nunca acontece. Ou quase nunca. Bom, vá, pode acontecer de forma muito ocasional numa ou noutra câmara lá do norte… Mas nunca, como sabemos, por estas planícies.



terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Foi bonita a festa, pá...

Podia ser cínico e escrever que tenho alguma curiosidade acerca do argumentário que vão utilizar, de ora em diante, os socialistas, bloquistas, António Costa e a restante multidão de admiradores do Syriza. Mas não. Não tenho mesmo curiosidade nenhuma. De certeza que não serão capazes de me surpreender. Nem, o mais provável, de tirar as devidas ilações da situação grega. Que por mais que se esforcem por dourar a pílula é, assim mal comparado, uma espécie de vacina para as promessas que alguns vendedores de amanhãs radiosos têm andado por aí a distribuir.
De repente muita gente acreditou que mesmo sem dinheiro continuaria a haver palhaços. Quando muito haverá ilusionistas. E muitos a deixarem-se iludir.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Se bem me lembro a culpa era do lucro dos bancos...

Sou do tempo em que os lucros escandalosos dos bancos eram asperamente criticados. Causa apontada pela generalidade da populaça que se gosta de pronunciar sobre estas coisas da economia, da finança e do estado do país em geral, como um dos grandes males que então nos afectavam.
Estranho que meia dúzia de anos depois, várias falências pelo meio e um sistema bancário periclitante – quase à beira do colapso, segundo alguns – estejamos ainda pior do que na altura dos alegados lucros. Curioso, curioso é que ainda não dei por ninguém se retratar. Ou, pelo menos, admitir que estava ligeiramente enganado. 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Socialistas syrizados


Há, já dizia o outro fulano, muita falta de memória na politica e nos políticos. Mas não só. Nos portugueses, em geral, também. De repente parece que todos esquecemos o que aconteceu antes de 2011. Olhamos para o presente como se não existisse passado e o mundo tivesse começado nessa altura. Daí que não reconheçamos nos criminosos – em termos políticos, bem entendido - que nos trouxeram até este triste estado, nenhuma responsabilidade. Pelo contrário. Somos idiotas, mas tão idiotas, que nos preparamos para os eleger. Logo a eles, um bando de hipócritas que em lugar de se solidarizarem com o partido irmão que levou uma valente coça eleitoral na Grécia, não se coíbem de manifestar o seu contentamento pela derrota dos seus congéneres socialistas. Estou mesmo a ver que caso – se os portugueses perdessem o pingo de vergonha que, presumo, ainda lhes resta – o Bloco de Esquerda ganhasse as eleições, o povo socialista saía para a rua a festejar...

sábado, 21 de fevereiro de 2015

A taxinha dos sacos de plástico (V)


Afinal não se aplica em todo o lado. Hoje, no mercado cá do sitio, os sacos de plástico continuavam a ser de borla. Porreiro, pá. 

Exportar está dificil...


Está a revelar-se uma tarefa muito difícil exportar o Kruzes Kanhoto do blogspot para o Sapo. Deve ser mau jeito. Coisa que, obviamente, importa. Ao contrário do tamanho, ao que dizem. No caso a coisa coloca-se ao contrário. É que a quantidade de matéria a importar é tão grande que ao Sapo apenas chegam os links dos posts...Do resto, népia. E isso importa. Ainda que apenas a mim.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Afinal essa coisa do amor à pátria é só para exibir à janela...

Um daqueles estudos de utilidade e resultados duvidosos acerca de coisas parvas diz-nos que os portugueses, na sua esmagadora maioria, não estariam interessados em pegar em armas e defender o país em caso de conflito armado. Parece que, ainda segundo o mesmo estudo, apenas vinte e oito por cento estariam dispostos a dar o coiro ao manifesto pela pátria.
Mesmo conhecendo a nacional admiração pelo pacifismo tenho muita dificuldade em acreditar nestes resultados. Os portugueses amam o seu país como poucos. Veja-se a parafrenália de bandeiras, bandeirinhas e bandeirolas que penduraram nas janelas e nos lugares mais improváveis como forma de expressar o seu patriotismo por altura do euro 2004. Quem assim age seguramente também depressa pega numa arma para expulsar um qualquer invasor que se atreva a tentar conquistar esta terra. Digo eu, que sempre achei isso das bandeiras uma manifestação hipócrito-parola do mais básico mau gosto.
Nesta alegada pouca vontade de defender o seu país os portugueses não estão sozinhos. Quase todos os europeus pensam da mesma maneira. Ao contrário do que acontece com as populações do norte de África ou do médio oriente. O que explica muita coisa. E nenhuma boa, convenhamos.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

E a sátira, pá?



Carnaval sem sátira nem gajas nuas pode, até, ser uma coisa muito bonita. Bem feita, bem organizada e tudo o mais que queiram. Para mim é como um jogo de futebol em que não entre o Benfica. Pode ser muito bem jogado mas não tem interesse nenhum. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A taxinha dos sacos de plástico (IV)

Não há quem, de tão embevecidos que andam com a taxinha, se preocupe com os gajos - e as gajas, que eu não sou de discriminar ninguém - que trabalham nas fábricas que fazem sacos plásticos e que em breve irão engrossar as estatísticas do desemprego.  Esses não contam. São, digamos, assim uma espécie de danos colaterais. Aqueles que temos de sacrificar em nome de um futuro glorioso e mais verde.
Glorioso e verde são coisas que não combinam. Misturá-las na mesma frase só pode ser do adiantado da hora. 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

A taxinha dos sacos de plástico (III)

De todos os argumentos em defesa deste imposto aquele que mais gosto é que “no estrangeiro os sacos do lixo também se pagam”. Não sei de que “estrangeiro” estarão a falar. Nem isso me interessa. Até porque no estrangeiro fazem-se as coisas mais estranhas e não é por isso que nós, quero acreditar, as vamos importar para o nosso dia-a-dia. Como, por exemplo, prender os Madoff's desta vida...

A taxinha dos sacos de plástico (II)


Dez cêntimos cada saquinho. Barato. Vinte escudos, mais coisa menos coisa. O que m'atormenta nem é o preço. Até porque não tenciono comprar nenhum. Mas, esclareço desde já, que não é para não pagar impostos ou por ser forreta. Nada disso. Trata-se apenas de uma questão de solidariedade. Não quero arranjar chatices ao Lelo das t-shirt's nem ao ti Manel das alfaces. Como é que eles depois se arranjavam para cumprir as obrigações fiscais decorrentes da utilização dos sacos de plástico no seu negócio?! 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

A taxinha dos sacos de plástico

Uma estranha unanimidade percorre a sociedade portuguesa relativamente à implementação da taxinha sobre os sacos de plástico. Nem, estou em crer, o Parvus Coelho esperaria tanto consenso. Deve ser dessa coisa politicamente correcta de salvar o planeta e os peixes que se engasgam com os ditos sacos que, dizem, poluem os oceanos. E, presumo, também atrapalham a circulação dos submarinos.
Embora não pelas mesmas razões que tenho lido e ouvido, mas sim, admito que é uma boa medida. Logo por ser uma taxa – imposto, é capaz de ser mais apropriado – que só paga quem quiser. Depois porque constitui, ainda que poucos tenham referido este aspecto, mais uma arma de combate à evasão fiscal.
Desconfio é que em relação ao ambiente, pelo menos àquele que nos está mais próximo, os contras sejam maiores que os prós. Não estou a ver a maioria das pessoas a comprar sacos para o lixo. Ou muito me engano ou vai começar a ser tudo deitado ao molho nos contentores. Com as consequências para a saúde pública que não são difíceis de antecipar.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Vejo-me grego para entender esta gente...

De repente todos são muito solidários com os gregos. Ai de governante ou de qualquer um que ouse exprimir opinião contrária. Nomeadamente atrevendo-se a sugerir que aquela malta já teve perdões de divida suficientes, paga juros a taxas comparáveis às nossas e que era capaz de não ser má ideia alterar aquilo de apenas um grego em cada quatro ser pagante de impostos.
Não é que me importe com isso da solidariedade. Cada um solidariza-se com o que muito bem entende. Há, no entanto, uma coisa que me inquieta. Vi hoje - a propósito da noticia que o governo admite o regresso às trinta e cinco horas de trabalho para os trabalhadores das autarquias - que a generalidade dos tugas não são nada solidários com os referidos trabalhadores e criticam veementemente essa hipótese. Não poupam nos insultos nem nos impropérios que lhes dirigem. Assim sendo, a pergunta impõe-se. Será que nesta solidariedade com a Grécia estão incluídos os funcionários públicos gregos? Vejam lá, não se me desgracem, olhem que eles têm privilégios - como vocês gostam de dizer – que por cá nem a CGTP se atreve a reivindicar. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Aquela coisa da mulher de César é capaz de fazer algum sentido...

A capacidade gastadora dos autarcas nacionais é sobejamente reconhecida. Não faltam livros, artigos em jornais e trabalhos televisivos a enaltecer as suas manifestas qualidades nesta matéria. Já no que diz respeito à generosidade que evidenciam no perdão das dividas dos seus eleitores, o reconhecimento tarda em surgir. Um injustiça a que, quanto antes, urge pôr fim.
Segundo os dados da DGAL, públicos e disponíveis na Internet para quem os quiser consultar,  a divida de clientes no conjunto das trezentas e oito autarquias ascendia a mil cento e trinta e cinco milhões de euros. Coisa que, obviamente, pouco incomodará os autarcas. Importunar os eleitores com cobranças coercivas é demasiado aborrecido e, já se sabe, eleitor chateado é gajo para votar na oposição.
Presumo que o montante da divida atrás mencionado será, maioritariamente, constituído por facturas de água por pagar. Como se sabe este é um problema recorrente em muitos municípios. Nomeadamente lá para o norte. A infinita bondade de quem vai perdoando os caloteiros apenas serve para promover a injustiça e desigualdade entre os cidadãos e empresas que pagam e os que não pagam. Ou será que alguém acha razoável que uma empresa não pague a factura da água mas deduza o IVA da mesma? Ou que um individuo que não paga as facturas as veja  contribuir para as suas deduções no IRS? A mim parece-me que não.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

E o cuzinho lavado com água das malvas, talvez...

Ainda relativamente ao post de ontem – uma espécie de continuação, portanto – acho muito bem que a IGAI trate de investigar a actuação dos agentes da PSP que, alegadamente, não terão recebido da melhor forma os cidadãos – jovens, ainda para mais – que ordeira e pacatamente invadiram uma esquadra da policia. Nem, ao que parece, tiveram a atenção de lhes oferecer um café, um chá, uns biscoitos ou, sequer, uma água. Não se faz. É, há que dizê-lo com toda a frontalidade, uma maneira rude e intolerável de receber quem invade um posto policial. Demonstra claramente que a nossa policia ainda tem muito que aprender no âmbito das invasões e que os seus profissionais necessitam de muita formação no campo da etiqueta. Se fosse eu pedia o livro de reclamações...

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Finórios e outros patifes.

Uma vergonha. Das autênticas. É o que de mais simpático me ocorre para qualificar a actuação da policia que impediu um grupo de jovens – quando se trata de alegados delinquentes, são sempre jovens – de visitar um amigo detido na esquadra. Não se faz. Trata-se de uma desumanidade inqualificável. Para o detido e para os amigos. Separados, pelos menos, há meia-hora. Uma eternidade, reconheça-se.
A situação ainda é mais criticável quando a mesma regra não é aplicável a outros detidos e outros visitantes. Certo que entrar posto policial dentro a mandar vir com os agentes não será uma conduta especialmente bem educada. É coisa, digo eu, para aborrecer a autoridade e despoletar alguma reacção mais musculada, chamemos-lhe assim. Já visitar o presumível meliante e à saída ofender tudo e todos parece uma atitude muito mais elegante. Merecedora de aplausos, até. Coisas de gente fina. Ou finória, digamos. 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Descubra as diferenças




A politica é feita essencialmente de frases feitas e desprovidas de qualquer conteúdo que servem apenas para iludir uns quantos parolos. É assim em todos os partidos. Estes chavões, por exemplo, querem dizer exactamente o quê? E, já agora, porquê patriótica e não nacionalista? Ou o contrário. É que ambas as palavras significam o mesmo... Ou será por o nacionalismo ser vulgarmente conotado com a direita, ainda que sendo a mesma coisa que o patriotismo? Só coisas que me atormentam... 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Os críticos da austeridade de hoje são os seus apoiantes de ontem...

Ando desde tempos imemoriais a manifestar o meu desagrado com a austeridade. Ainda muitos dos que hoje a criticam eram seus indefectíveis adeptos.  Por essa altura, governava o agora preso 44 do Estabelecimento Prisional de Évora, não faltava quem defendesse as medidas austeras que os sucessivos PEC´s iam impondo. Eram, também, em grande número os que rebatiam os meus argumentos, que garantiam ser esse o único caminho a seguir e que -  os mais simpáticos - me achavam completamente burro por não perceber uma coisa tão evidente. Tratava-se, para os mais esquecidos, de aumentar impostos, reduzir vencimentos, encerrar serviços públicos e retirar, entre outras coisas, o abono de família a quem ganhava setecentos euros. Tudo uma barbaridade agora mas, na época,  um conjunto de intenções virtuosas.
Simultaneamente fui sempre manifestando a disponibilidade de dar a mão à palmatória se, por acaso, essas opções acabassem por resultar.  Lamentavelmente parece que nunca o chegarei a fazer. Continua por provar o seu bom resultado como, presumo, concordarão os que então me criticavam.
O que sempre defendi é algo muito diferente. Chama-se rigor. Trata-se, apenas, de usar da parcimónia na gestão do dinheiro dos contribuintes. Conceito que nada tem a ver com austeridade mas que é todos os dias ostensivamente ignorado por centenas ou milhares de decisores  políticos. A imagem que acompanha o post é só um pequeníssimo exemplo disso. Uma atrocidade financeira  entre as muitas  que nos vão empobrecendo. Mas é disto que o povo gosta...

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Prefiro ser solidário com as vitimas. É daquelas coisas inexplicáveis que não lembram a ninguém.

Tenho pouca paciência para essa coisa do politicamente correcto. Daí que aceite com dificuldade a lengalenga do costume quando se fala – ou escreve, o que dá no mesmo – acerca dos marginais. Não há cá justificações. São delinquentes porque querem. Optaram por isso. Assumam, depois, as consequências. Sejam elas quais forem. Nomeadamente o alegado estigma que dizem carregar.
São feios, porcos e maus. Umas bestas, mesmo. E o pior é que são cada vez mais. Multiplicam-se que nem ratos de esgoto – no fundo não são muito diferentes – fazendo disso modo de vida o que a breve prazo irá provocar, nomeadamente em localidades de reduzida e envelhecida população, conflitos cuja dimensão não é difícil prever. Mas, claro, ninguém faz nada. O que está na ordem do dia são os apoios sociais. Isso é que é bonito e fica bem. Depois, quando num dia não muito distante vos forem para as trombas, admirem-se.
Com os “solidariozinhos” - não sei se a palavra existe mas pareceu-me razoavelmente ofensiva – estou apenas de acordo num ponto. Não são, de facto, todos maus. Conheço uns quantos bastante bons. Estão no cemitério.