quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Vá, expliquem-lhes lá isso de não pagar a divida...

Nos últimos dias muitos têm sido os capitalistas nojentos – disfarçados de cidadão comum e reformado na maioria dos casos – que se dirigem aos balcões dos correios para comprar divida do Estado. Tratantes e patifes, também conhecidos por mercados. Gananciosos da pior espécie, diria. Uns malandros especuladores que sacam os recursos do país e com os quais urge correr.
Teria tido piada ouvir a opinião dos defensores do não pagamento da divida, da sua renegociação ou, até mesmo, dos mais moderados que defendem somente que não se paguem os juros. A sério. Gostava de os ouvir explicar aos velhotes que ali aplicaram as poupanças de uma vida de trabalho e, de uma maneira geral, a todos os que viram no produto financeiro em causa uma forma de rentabilizar as suas economias, as vantagens de não verem o seu dinheiro de volta. Era capaz de ser hilariante.    

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Mas isso sou eu que não acredito em bruxas...tenho é tendência, perante alguns fenómenos mais inexplicáveis, a acreditar em bruxedos!

Vai por aí uma estranha indignação por causa das reportagens do jornalista da RTP que fez a cobertura das eleições gregas. Os Charlies de pacotilha, a esquerdalha em geral e os muitos amiguinhos que, de repente, os gregos granjearam por cá, ficaram ofendidos com o conteúdo do trabalho jornalístico que foi emitido. Não gostaram, pelos vistos, de saber que os gregos elaboram os mais sofisticados estratagemas para escapar aos impostos, fazem falcatruas para receber subsídios e que subornam ou aceitam subornos sempre que precisam ou podem. Noticias que os nossos sensíveis ouvidos, habituados à linguagem politicamente corrente dominante, não estavam preparados para ouvir.
Dizer que os políticos são todos corruptos e com práticas manhosas é coisa mais ou menos valorizável ou que, pelo menos, se tolera. Nomeadamente se os políticos forem de direita, já que os de esquerda, por um qualquer toque divino, estão todos envoltos num manto de pureza que os mantém afastados dessas tentações. Já sugerir que o povo que os elege e, no fundo, de onde eles saem é igualmente dado às mesmas práticas constituiu uma espécie de blasfémia difícil de engolir.
Não sei se tudo o que foi reportado pelo jornalista de serviço corresponde ou não à verdade. Não me custa nada admitir que sim. Até porque, salvaguardando algumas diferenças, as coisas por cá talvez não sejam assim tão diferentes.  Quiçá sejam apenas um pouco menos “democráticas”. Ou, porventura, mais discretas. 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Unidos pelo pote

Tinha artilhado um post onde apelava ao esclarecimento dos motivos que levam tanta gente a exultar com a vitória de uma coligação de extrema-esquerda, confessa admiradora de assassinos vários e ditadores sanguinários diversos, enquanto meia dúzia de votos em partidos da extrema-direita motivam reacções aparentadas com a histeria.
Tempo perdido, vejo agora. É que, afinal, os extremistas de direita e esquerda coligaram-se. Deve ser o cheiro do poder a unir as suas convicções. Aguardo com expectativa os tempos que se seguem. Mas, ainda que os meus dotes adivinhatórios não sejam nada de especial, já estou a imaginar as - até agora - mais improváveis coligações a governar por essa Europa fora. E, também, por cá. Um governo liderado por Paulo Portas e Catarina Martins afigura-se-me como algo perfeitamente normal...

domingo, 25 de janeiro de 2015

Crise?! Sabem lá eles o que é isso!

Pouco me importa como cada um gasta o que tem ou o que não tem. Tanto me faz que o esturre em pastéis de nata ou, simplesmente, limpe o cú às notas. Agora o que me desagrada é a lamuria, o queixume e a pieguice. O constante lamento da crise, da austeridade, da carga fiscal e do camandro. Isto, naturalmente, quando vindo de pessoas cujo comportamento evidencia tudo menos viverem dificuldades de ordem financeira.
É o caso das larguíssimas centenas de milhares de pais – e de avós, provavelmente, que nestas coisas gostam sempre de dar uma ajudinha - que despenderam algumas centenas de euros para proporcionar às suas crias a ida a um espectáculo musical por estes dias realizado em Lisboa. Folgo que tenham disponibilidade para o fazer. Ainda bem. É lá com eles e, reitero, nada tenho a ver com isso. Mas, porra, calem-se com isso de estarem a ser roubados, que não aguentam mais austeridade e que não têm nada de vos ir ao ordenado ou às reformas para pagar a crise. Calem-se não vá, como dizia a minha avó, Deus castigá-los. Seja ele – o Deus – qual for.

sábado, 24 de janeiro de 2015

O turismo como desígnio nacional

Somos um país vocacionado para o turismo. Temos sol, praia, gastronomia e paisagens fantásticas. Há, também, outros segmentos que mais recentemente começámos a explorar como o turismo religioso, o enoturismo ou o surf. O futuro será seguramente melhor se todos estes campos, e outros que entretanto surgirem, forem explorados com inteligência e imaginação de forma a trazer até nós charters de turistas. Endinheirados, de preferência.
Não menos importante será apostar no mercado interno. Aqui a inteligência e a imaginação terão de ser ainda muito maiores. Haverá, até, de recorrer à esperteza. Que, como se sabe, tem pouco a ver com as qualidades antes enunciadas. Mas, reitero, a tudo se deve recorrer para reforçar a aposta turística e dinamizar a economia.
Nesta vertente Câmaras e Freguesias já fazem o que podem – e às vezes o que não podem, mas isso é outra história – levando os seus munícipes ao “Preço certo”, a Fátima e, de uma maneira geral, a passear por esse país fora. É, por assim dizer, o turismo eleitoral.
Com a prisão de Sócrates abriu-se uma nova janela de oportunidades para o sector turístico. O turismo prisional. Depois de muitos já o terem feito de forma individual, vai amanhã realizar-se a primeira excursão organizada à cadeia onde se encontra engaiolado o antigo primeiro ministro. Para já serão mais de cem os excursionistas que rumarão a Évora. Mas isto é só o principio. Trata-se de um segmento que poderá crescer a um ritmo de fazer inveja a qualquer país emergente. Potenciais novas atracções, alegadamente, não faltam.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Eh pá, tratem-se...

O Fuçasbook é um “lugar” estranho. Assim tipo uma parede de casa de banho pública onde cada um escreve as parvoíces que quer. Sobejam, entre outras coisas igualmente parvas, as sugestões de partilha das causas mais ou menos idiotas. Uma delas é a sugestão da criação de hospitais veterinários públicos. Isto é, pagos com o dinheiro dos portugueses que pagam impostos. O mesmo dinheiro que, recordem-se as recentes noticias sobre o assunto, não existe para tratar convenientemente as pessoas.
Percebo que os donos do cães – ou de outros bicharocos – prezem o bem-estar dos seus animais nem me surpreende que muitos tenham dificuldade em suportar os custos associados ao tratamento das suas maleitas. Não devem é sugerir que sejamos todos a pagar. Tratem, por exemplo, de fazer um seguro de saúde para a bicharada lá de casa. Ou, caso não encontrem seguradora disposta a fazê-lo, peçam ao veterinário para passar a receita em nome de outro membro do agregado familiar. Abate no IRS e, com sorte, ainda ganham um carro das finanças.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Somos todos Syriza...

A expectativa da vitória do Syriza nas eleições gregas está a deixar muita gente entusiasmada. Até a mim essa quase certeza me deixa à beira da euforia. Não tanto como Marine Le Pen ou Mário Soares, é verdade, mas o meu nível de entusiasmo não deve andar longe dos evidenciados por essas duas figuras que, afinal, terão mais em comum do que aquilo que suspeitávamos. Pensávamos que, ambos, teriam um qualquer problema na área do raciocínio lógico e da coerência de ideias. Mas não. A coisa é, pelos vistos, muito pior. 
Para mim a vitória dos esquerdistas radicais gregos agrada-me por ir provar uma de duas coisas. Ou corre tudo mal e ficamos, de uma vez, vacinados contra as teses da esquerda ou, pelo contrário, o programa resulta e temos ali um exemplo a seguir. Cá e por toda a Europa.
Só uma coisa me apoquenta. Diz que os gajos do tal Syriza não querem pagar a divida e, ao que parece, o Estado português está entre os credores. Mais mil milhões de euros que poderão nunca mais voltar. Assim como um ou dois bancos nacionais o serão também e de uma quantia igualmente simpática. Ora se eles não pagarem desconfio que, por cá, alguém vai ter de calafetar o rombo que o calote provocará nas nossas contas. E, assim de repente e sem vir a propósito, ocorre-me que esse valor corresponde, aproximadamente, à despesa com o subsidio de natal da função pública... 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Costa, por que não te calas?!

Se bem que a mudança de governo – dada, há muito, como certa - pouco vá alterar a vida dos portugueses, começo a duvidar que venha realmente a acontecer. O PS não dispara nas intenções de voto, o distanciamento da direcção em relação Sócrates se foi o mais sensato também foi o pior para a mobilização dos socialistas e, por último, de cada vez que António Costa fala a coisa não parece melhorar.
Agora deu-lhe para repescar o tema da regionalização. Que, recorde-se, foi rejeitado em refendo já lá vão uns anitos. É, poucos são os que não vêem, a pior altura para relançar o tema. Para além das escassas vantagens que tal processo traria parece-me que ainda menos seriam os que estariam na disposição de a pagar. Sim, por que regionalizar iria sair-nos muito, mas mesmo muito caro. E, ao contrário do que afirmam os seus defensores, as poupanças existiriam somente no domínio da fantasia.
Regionalizar significa criar mais um enorme número de lugares políticos, de assessoria e de administração. Será um alagar do campo de acção de interesses que todos, uns mais que outros, conhecemos ou, pelo menos, suspeitamos. Daí que, acredito, seja uma medida que desagrada à imensa maioria dos eleitores. Mais um tiro no pé, portanto. 

domingo, 18 de janeiro de 2015

Recuso-me a debater a liberdade...

Assim de repente não me ocorre motivo nenhum para aceitar sequer como racional que uns quantos sujeitos, daqueles que moram três dias para lá do sol posto, queiram decidir acerca do que posso, ou não, fazer ou dizer no meu país. Seria mais ou menos a mesma coisa que concordar que um habitante do resort do outro lado da cidade teria legitimidade para decidir o que devo ou não plantar no meu quintal.
O pior é que já conseguiram pôr as sociedade ocidentais a debater os limites da liberdade de expressão. Um conceito, ironicamente, desconhecido para a maioria deles. E nós, cobardes, aceitamos. Tal como aceitámos, em nome de um multi-culturalismo bacoco e de uma tolerância pedante, que as gajas deles se passeiem mascaradas pelas nossas cidades como se fosse Carnaval o ano inteiro. Pior ainda. Para não ferir a susceptibilidade de gente tão sensível retirámos os crucifixos das escolas, a carne de porco das cantinas, os três porquinhos das histórias infantis e os presépios de espaços públicos.
Um destes dias aceitaremos também a tal lei da blasfémia. Fazer piadas sobre amigos imaginários de outras pessoas passará, então, a constituir um crime. Outras cedências se seguirão. Acabar com os cães, os paneleiros e a mini-saia serão, seguramente, as seguintes.



sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O balde do lixo devia ser equipamento de série...


Alguma explicação cientifica deve haver para justificar a relação entre furgões brancos e lixo. Especialmente quando se juntam vários veículos com essas características. Deve ser uma espécie de tentação que leva os transeuntes que circulam nas imediações a jogar o lixo num local onde se encontre estacionada uma destas viaturas. Ou então é para irritar os passageiros e tripulantes das ditas. Pessoas que, presumo, serão particularmente apreciadas pelos seus modos civilizados, irrepreensível asseio e pela maneira cuidada como preservam a limpeza do espaço público.  

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Deus até pode ser grande mas a liberdade é muito maior!

Essa coisa de ser Charlie tem muito que se lhe diga. Ou se é ou não é. Ser às terças, quintas e sábados e não ser às segundas, quartas e sextas parece-me, assim de uma forma respeitosa, um bocado estúpido. Uma espécie de Charlies intermitentes que se está a reproduzir-se de forma preocupante. E cobarde, também.
Argumentam uns quantos que o pasquim em causa é provocador e que isso vai para lá da liberdade de expressão. Não estou a ver porquê. Quem não gosta e se sinta ofendido explane as suas razões, faça uma caricatura a provocar os caricaturistas e meta os gajos em tribunal. Se preferir, ofenda os tipos, a mãe deles e toda a família até à décima geração. Ou - igualmente boa ideia -  ignore olimpicamente a provocação.
Compreendo que a mourama não nutra especial simpatia por aqueles que gozam com a sua religião. Eu também não aprecio anedotas de alentejanos e não é por isso que ando por aí a matar as bestas que as contam. Nem a explodir-me por perto desses piadistas sem graça. Pelo contrário, defendo que têm todo o direito a continuar a ser parvos. Até porque, mesmo que limpasse o sebo aos que têm sempre uma piadola alarve sobre alentejanos na ponta da língua, a recompensa celeste seria incomparavelmente inferior à que aguarda os seguidores do profeta. Quando muito teria lá as mães deles à espera...

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

É politica, dizem...


Isto não vai lá com pedagogia, falinhas mansas ou avisos a que ninguém liga. É preciso actuar. E autuar, também. Ninguém tem de aturar a javardice dos outros nem custear a limpeza da merda privada.
Pode não ser uma coisa simpática para os donos dos cães. Uma chatice, até, isso de recolher os dejectos que os seus animais de estimação vão largando. Será igualmente aborrecido para as entidades com competência para aplicar as coimas. Multar um eleitor e com isso perder uns quantos votos é um risco que poucos autarcas querem correr. Preferem, por isso, colocar uns avisos e limpar daí os pés. Devem pensar que os outros, os que não têm cão, não votam. Mal sabem eles que não são apenas os donos dos canitos o alvo das “bocas” dos que, vá lá saber-se porquê, não apreciam cenas destas...

sábado, 10 de janeiro de 2015

A extrema esquerda é muito mais melhor boa que a extrema direita. Porquê? Por que sim, ora essa!

Para a opinião publicada – coisa muito diferente da opinião pública, como demonstram os sucessivos resultados eleitorais – amplamente dominada pela esquerdalha e tolhida pelo medo de ser politicamente incorrecta, apesar dos dezassete assassínios perpetrados pelos terroristas islâmicos, o grande perigo continua a ser a extrema direita. Nomeadamente a hipótese da madame Le Pen ficar a beneficiar da conjuntura e ganhar as próximas eleições. Um problema, garantem.
Já a possibilidade da extrema esquerda chegar ao poder na Grécia não suscita o mesmo tipo de apreensão. Pelo contrário. É, pasme-se, motivo de antecipado júbilo. Critérios. Como se os extremistas de um lado fossem melhores do que os do outro e os ditadores não fossem todos detestáveis. Como se Estaline fosse mais humanista do que Hitler ou Pol Pot mais adorável do que Pinochet.
A mania de uma certa superioridade intelectual que os fazedores de opinião – paineleiros diversos e meretrizes ocasionais - papagueiam por aí e uns quantos idiotas úteis replicam na Internet é profundamente nojenta. A sorte é que o povo não lhes liga nenhuma. Está ocupado a ver a Casa dos Segredos ou a partilhar receitas de culinária no fuçasbook. E ainda bem.  

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Uma animação aquele resort...

Fiquei hoje a saber, pelo jornal local, que a noite da passagem de ano foi especialmente animada ali para os lados do resort. Diz que os habitantes – a quem a crise pouco parece afectar – se despediram do ano velho e receberam o novo com a dignidade que ambos merecem. Diversão à grande, festa rija e música a preceito até às tantas.
Isto segundo os macambúzios moradores das redondezas que, vá lá saber-se porquê, não demonstram grande apreço pelas comemorações da vizinhança. Já segundo a PSP a coisa terá terminado muito antes. Às três manhã. Ainda a noite era uma criança e o ano novo mal abrira os olhos, portanto. Até porque mal foram avisados pela policia puseram de imediato fim aos festejos e o silêncio reinou de então em diante.
Ainda segundo o “Brados”, na sequência da algazarra, terá sido aplicada uma coima de quatrocentos euros a cada uma das duas famílias envolvidas. Coitados. Não é pelo valor, obviamente. Que isso para aquele pagode não é nada. É pelo trabalho. E pelo tempo. De todos os envolvidos na elaboração dos autos e demais documentos relacionados com o caso. Para os autuados é como dizia uma popular figura estremocense de há trinta anos atrás: “Uma barrigada de rir, para quem não tem vergonha”. O jornal que indague daqui por seis meses – um ano, vá – se a dita coima foi paga. Fica o desafio. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Mais um acto multiculturalista...

Surpreende-me a surpresa que por aí vai relativamente ao crime cometido pelos porcos islâmicos em Paris. Era mais do que previsível. Assim como é absolutamente normal que muitas outras situações do tipo surjam um pouco por toda a Europa. É, apenas, uma questão de tempo.
Não tenho os muçulmanos – de uma maneira geral - em grande conta. Não gosto deles, da sua filosofia de vida e a presença de algum deles incomoda-me. É, parece-me, um direito que me assiste. Mas, garanto, gosto muito menos de todos os que manifestam compreensão por aquela malta. Esses, de verdade, detesto-os ainda mais. Pena que no lugar dos doze inocentes que tombaram em Paris não estejam todos os que esta semana se manifestaram na Alemanha contra a manifestação anti-islâmica das segundas feiras e todos os que acham aqueles animais bem vindos ao mundo civilizado. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Por mim, com os fundos comunitários, construia um centro de acolhimento a visitantes de outros planetas. Nem sei como é que nenhum autarca ainda se lembrou disso...

Somos um povo de viciados em obras públicas. Por nós o país seria um estaleiro gigantesco, as nossas terras estariam permanentemente viradas do avesso e a maior parte de nós julga a competência dos autarcas pelo betão que espalharam no seu concelho. Mesmo que, como acontece na maioria das situações, a dita obra não sirva para outra coisa senão acrescentar encargos ao erário público e - dizem – rechear algumas contas bancárias. Ou malas de viagem.
A euforia eleva-se a patamares ainda mais elevados se em causa estiverem fundos comunitários. Não interessa para quê, o importante é sacar. Nem mesmo importa que o concelho esteja financeiramente nas lonas, sem dinheiro para fazer face, sequer, às despesas próprias do seu funcionamento. Há dinheiro, logo vamos gastar. Não temos? Não faz mal, a esmola que nos deram para sobreviver vamos, afinal, usá-la para coisas iguais aquelas que nos levaram à miséria. Nem que seja fazer buracos e voltar a tapá-los.
Deve ser mais ou menos isso que pensa o maluco que fez o comentário que acima reproduzo num blogue de uma terra onde autarcas desvairados fizeram dividas que todos nós, portugueses, seremos chamados a pagar. A criatura até sugere à actual sra presidenta lá do sitio – ao que consta de boas contas e à rasca com a calamidade deixada pelo antecessores – que use o dinheiro do FAM (uma espécie de FMI para os municípios) para as obras, sejam elas quais forem, que exige que a sua Câmara candidate a fundos comunitários. Mais ou menos a mesma coisa que o governo agarrar no dinheiro da troika e avançar com o TVG, o aeroporto da capital, a terceira autoestrada Lisboa-Porto, mais uma ponte sobre o Tejo e outras obras igualmente necessárias... 

domingo, 4 de janeiro de 2015

Recluso endividado

Gostei da entrevista daquele recluso da prisão de Évora. Pareceu-me honesto. Foi, até agora, o único português que confessou perante o país que viveu acima das suas possibilidades. Como se sabe, este argumento é veementemente negado pela generalidade da esquerda portuguesa e em particular pelo partido socialista. Todos terão, de ora em diante, de conviver com esta verdade.
O preso em questão reconheceu que fez um modo de vida que os seus rendimentos, só por si, não podiam suportar. Um rasgo de honestidade que importa realçar pois a generalidade dos seus compatriotas não admitem ter feito mais ou menos a mesma coisa. Isto apesar de terem pedido crédito a tudo e a todos manter um estilo de vida pouco compatível com o rendimento disponível.
O enclausurado alega em sua defesa que terá pedido dinheiro emprestado para viajar, estudar e viver no estrangeiro. Embora este não pareça ser um procedimento muito recomendável do ponto de vista da prudência financeira, não constituirá nenhum crime. Nem será um caso de policia ou que suscite a atenção da justiça. Parece-me, antes, uma situação em que a DECO pode ajudar dada a larga experiência dessa associação no apoio aos portugueses sobre-endividados.
Acredito por isso que, mais dia menos dia, o recluso deixe de o ser. Para pena já chega ser prisioneiro das próprias dividas. 

sábado, 3 de janeiro de 2015

Quando tiver insónia vou passar a contar corruptos...

Pessoas que falam da corrupção e trabalham e descontam para Portugal que nem carneirinhos. Foi, com esta pesquisa, que um leitor chegou até ao Kruzes.
O conteúdo pesquisado suscita-me sobejos motivos de inquietação. Para além de me permitir fazer diversos juízos de valores sobre a criatura que pretendia obter mais informação sobre pessoas que falam acerca da corrupção e que, apesar disso, continuam a trabalhar que nem uns carneiros pequeninos.
Posso, entre outras coisas, concluir que se trata de um corrupto. De alguém que não trabalha, muito menos desconta e que se está nas tintas para o país. Um espertalhão, ao contrário dos outros – os tais carneirinhos – que trabalham para Portugal e para os gajos que, como ele, vivem da corrupção.
São, também, mentalidades destas que nos trouxeram até aqui. Gente que tem como bom fugir do trabalho e dos impostos como Maomé do toucinho e que estão sempre prontos a argumentar com BPN's e outros que tais para justificar o seu comportamento delinquente. Não percebem, coitados, que isso representa oito ou dez mil milhões uma vez e que a economia paralela, que tanto defendem, rouba-nos vinte e cinco mil milhões TODOS OS ANOS. Parece-me que é capaz de haver aqui uma pequenina diferença...

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Penalizar fiscalmento o trabalho e a poupança é coisa de parvos. Acho eu.

A quase totalidade dos especialistas em assuntos fiscais advoga a tributação dos contribuintes em função do rendimento. O bom senso e a sensibilidade social também. Estou-me nas tintas para os três. Não sou especialista em coisa nenhuma, o conceito de bom senso é muito relativo e quanto à sensibilidade social, isso, tem dias.
Isto para dizer que não gosto da taxação que incide sobre os rendimentos do trabalho, das pensões e do capital. Trata-se de um roubo à descarada a um grupo restrito de pessoas, constitui um desincentivo à poupança e deixa nas margens do sistema uma imensidão de gente a rir-se dos parvos que pagam por todos. A tributação devia ser feita, preferencialmente, sobre o consumo. Quem mais ganha mais consome, por norma adquire produtos mais caros, pelo que não estou a ver onde residiria a alegada injustiça social – um papão que muitos gostam de agitar - que tal sistema criaria.
Daí que, num sistema fiscal como o que prefiro, não me chocasse essa coisa da fiscalidade verde. Taxar sacos plásticos - nesse contexto, reitero - até seria uma medida razoável. Só os paga quem quer. E, no actual estado de coisas, eu não quero. Significa isso que, quando o stock acabar, o balde do lixo volta a ser forrado com o jornal. A “Dica da semana”, de preferência. O ambiente agradece. Ou não.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Bom 2015!


É costume, quando se está prestes a entrar em qualquer coisa nova, desejar que o putativo penetrante o faça com o pé direito. Ora, quando estamos quase a chegar a um novo ano, é algo parecido que desejo a todos os leitores e visitantes ocasionais do Kruzes. Que entrem com a mão direita em 2015 e lhe dêem muito uso para aquilo que mais lhes aprouver. 

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Presumir, cada um presume o que quer e eu presumo o contrário do que vocês presumem. E, por mais que presumam outra coisa, a minha presunção é tão boa como a vossa.

Para quem, do ponto de vista das emoções, se está absolutamente nas tintas para a politica partidária, chega a ser enternecedora a forma como algumas almas – muitas até, reconheço – defendem o cidadão José Sousa. Dá mesmo a ideia que existe entre elas uma espécie de competição para definir quem é mais amigo do homem, quem acredita mais que o senhor é quase santo e que as leis que são aplicadas a milhares de cidadãos não se lhes devem aplicar. Devia, na opinião dessa maralha, estar fora da alçada da lei e, em suma, gozar de total impunidade.
Há, também, os que levam a vida a comparar com outros processos. Ou com outros figurões da politica e da finança. Como se os alegados crimes de uns atenuassem os de outros. Faz-me lembrar os tempos da escola primária em que, para tentar salvar o coiro, quando dava erros no ditado argumentava em casa que o Sicrano e o Beltrano tinham dado muitos mais.
Isto para além dos auto proclamados ilustres que vão visitando o senhor Sousa. Não se coíbem de, quase à descarada, dar a entender que essa coisa de cumprir a lei é, sim senhor, muito bonita mas digam lá aos senhores juízes que tenham tino porque isso não é para aplicar a toda a gente.
Acreditar na inocência da criatura parece ser mais uma questão de fé do que outra coisa qualquer. A mim, por mais respeito que tenha por algumas opiniões e por aquilo que, eventualmente, a justiça venha ou não a apurar, é mais fácil acreditar que os pastorinhos viram uma senhora a pairar sobre uma azinheira do que na presumível inocência do sujeito. 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A faixa já durou mais do que certos casamentos...


Calculo que o evento anunciado nesta faixa publicitária tenha sido um êxito. Pelo menos publicidade ao certame foi coisa que não faltou. O que, imagino, deve ter custado uma pipa de massa só em taxas. E, quase de certeza, muito mais em coimas aplicadas pelas autarquias por o reclame ao acontecimento, mais de um mês depois, ainda não ter sido removido. Sim, isto paga-se – também era o que mais faltava não se pagar – muito caro. Até porque, como se sabe, o espaço e o dinheiro público são dos contribuintes.  

domingo, 28 de dezembro de 2014

Um gato às direitas. Um bom bichano, portanto.

Não é que eu seja de acusar ninguém sem as devidas evidências apontarem para a culpabilidade do alegado praticante do acto. Muito menos tratando-se de um gato. Mas, no caso, tudo me leva a desconfiar que é este o bichano que fez do meu quintal o local de eleição para aliviar a tripa. Habita na vizinhança e, a julgar pelas aparências, trata-se de um gato à antiga. É visto com frequência nos telhados e não faz amizades contra-natura com ratos ou com a diversa passarada que por aqui abunda, como já vai acontecendo com alguns maricas da sua espécie. Pelo contrário. Persegue-os e caça os que pode. Um gato como deve ser, portanto.
Só isso me leva a tolerar as pegadas que deixa no pavimento do quintal, as escavações que faz nos canteiros ou a merda que larga na relva e que, pacientemente, trato de recolher. Embora, confesso, de seguida a deposite num local onde, quero acreditar, possa causar algum incomodo aos donos. 

sábado, 27 de dezembro de 2014

Serviço público vs serviço ao público...

A privatização da TAP tem motivado um frenesim difícil de entender para um leigo como eu nestas coisas. É que, assim de repente, não estou a ver motivos para preocupações de maior. Nem no caso da transportadora aérea nem nas restantes privatizações que desde há trinta anos os sucessivos governos têm vindo, e bem, a fazer.
Sou do tempo em que o Estado não era dono de bancos, seguradoras, empresas de transporte, imobiliárias ou estaleiros navais. E, por mais estranho que isso possa parecer a quem não viveu nesse tempo ou já se esqueceu como era, o país funcionava. Melhor até, em muitas circunstâncias, do que funciona hoje. Convém, também, não esquecer que o Estado não criou nenhuma empresa dos sectores acima referidos. Tratou-se, isso sim, num período de absoluta loucura colectiva de as roubar aos legítimos donos.
Compreendo que algumas elites hoje se sintam preocupadas com o desmantelar do sector empresarial do Estado. A empregabilidade dos desempregados da politica é capaz de, no futuro, ser substancialmente afectada. Já no que respeita ao cidadão comum não estou a ver motivo para preocupação. A não ser, num cenário pós-privatização, já não termos quem em nome da defesa dos nossos interesses não nos preste o serviço que antecipadamente pagámos. Coisa que, obviamente, nos é cara. E muito.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Maus tratos psicológicos




Esta mania de vestir os animais, nomeadamente os cães, é das mais parvas que conheço. Argumentam que, coitadinhos, também têm frio. Presumo, digo eu, que tenham defesas naturais para isso ou não teriam sobrevivido ao longo dos últimos cem mil anos. Não é que, dada a proliferação destas fatiotas, me espante muito de cada vez que vejo estas figuras ridículas. Até porque depois de um dia destes ver, em plena baixa lisboeta, uma gaja toda regalada a fazer um bruto “linguado” com um cão, já pouca coisa me pode surpreender. 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Trinta e cinco azarados... e muitos mais otários!

Afinal, contrariando as previsões mais pessimistas, os automóveis do fisco foram mesmo entregues. Todos. E não consta que nenhum dos trinta e cinco contemplados tenha, ao contrário do que por aí se profetizava, visto a sua vida arruinada pelos encargos exorbitantes que, segundo os muitos especialistas na matéria, teria de enfrentar só por ter o azar de lhe sair o carrinho.
Já quanto aos números divulgados pela Autoridade Tributária, seja das facturas emitidas com NIF ou da cobrança de IVA, considero-os um verdadeiro fracasso. A esmagadora maioria dos contribuintes continuam a não exigir factura das suas despesas. Nem, sequer, daquelas que lhes permitem pagar menos IRS. Por outro lado, são mais que muitos os comerciantes que continuam a manter uma relação pouco estreita com a honestidade. Daí achar que os valores agora anunciados deveriam ser, em muito, superiores aos alcançados e dos quais alarvemente a AT tanto se ufana.
Tenho alguma expectativa acerca do comportamento de todos os que blasfemam contra isto de pedir factura. É que com as novas regras do IRS, só quem gostar muito, mas mesmo muito, de pagar impostos é que vai dispensar a facturazinha. Ou então quem for parvo. 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

As luzes na ribalta...

Tenho alguma dificuldade em perceber a fixação que algumas pessoas têm pelas iluminações de Natal. Ou, principalmente, pela sua falta. As mesmas, se calhar, que acham uma piroseira os pais natais pendurados de paredes, portas ou chaminés, quando comprados pelos donos das casas, mas que acham lindo se for constituído por um conjunto de lâmpadas coloridas e encavalitado no topo de um poste a expensas de uma autarquia qualquer.
Admito que luzinhas espalhadas pelas ruas possam constituir um regalo para a vista. Mas só isso. Em cidades como a que vivo – ou nas outras aqui à volta – em que o comércio tradicional está para lá de moribundo, não são as iluminações natalícias que contribuem para o aumento do volume de vendas. Nem, sequer, para atrair visitantes. Ao que consta os portugueses preferem outros destinos e um eventual roteiro turístico que envolvesse uma volta ao Rossio a olhar para lâmpadas acesas estaria, inevitavelmente, condenado ao fracasso.
Ainda assim acho curioso que sejam alegados defensores do rigor, da austeridade e da teoria de que vivemos acima das nossas possibilidades os principais defensores do esbanjamento de recursos públicos em ornamentações de natal. Como se, assim de repente, o dinheiro que antes não havia agora já brotasse das pedras. O mesmo graveto que, recorde-se, continua a não haver para, por exemplo, reduzir a carga fiscal. Prioridades. Nas quais, como salta à vista, as boas contas não entram. Aliás, isso das contas é coisa que aos apreciadores de luzinhas interessa muito pouco...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Alguém que interne esta gente...e depressa!

Anda por aí muita gente a salivar por causa da pipa de massa que, via fundos comunitários, vai entrar no país durante os próximos anos. Percebe-se porquê. É preciso garantir aconchegos de vária ordem, difíceis de concretizar sem o dinheiro vindo de Bruxelas.
O que tenho mais dificuldade em perceber é o entusiasmo da populaça. Nomeadamente quando vejo munícipes de concelhos híper endividados, daqueles a precisar de socorro do Estado central para acudir às necessidades de funcionamento mais básicas, a exigirem aos seus autarcas que candidatem obras a este novo quadro de financiamento. Não entende esta gente que o seu município não tem dinheiro, só tem dívidas e fornecedores desesperados por as receber. Nem percebe, o que ainda é mais estanho, que foi, na maior parte dos casos, a pretensa ajuda comunitária que arruinou os seus concelhos e que nos obriga agora, a todos, a pagar as consequências.
Não coloco, como é óbvio, em causa a importância dos fundos comunitários para o desenvolvimento do país. Desde que, não menos óbvio, não constituam encargos incomportáveis no futuro, não contribuam para criar divida e sejam aplicados em investimentos realmente úteis. Nem, já agora, que sirvam para coisas de que ultimamente muito se tem ouvido falar. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O peidorreiro esteve bem...

A subserviência é das características do ser humano que mais me aborrece. Nomeadamente aquela que acontece em contexto laboral. Daí que as palavras pouco simpáticas de Pinto da Costa, à entrada da prisão de Évora, não me causem espanto nem motivem qualquer sentimento de solidariedade para com os jornalistas atingidos pela boçalidade do velho peidolas. A comunicação social, no seu conjunto, merece este tratamento.
Ao longo das últimas décadas o chefe do clube do Porto tem sido tratado reverentemente, como poucos, em Portugal. Todos se curvam, desde políticos a jornalistas, perante a criatura. A forma agressiva como outras figuras públicas são confrontadas pela comunicação social não é usada perante este fulano e, mesmo noutro tipo de trabalhos jornalísticos que não a entrevista, as menções ao gajo são sempre cerimoniosas. Daí que não surpreenda esta reacção. Já a minha avó – essa sábia senhora que muito me ensinou – garantia que quanto mais nos agachássemos mais nos aparecia o cú. Foi o caso. E muito bem feito, acrescento eu.
Ainda assim, mesmo perante a baixeza das declarações do fulano, não houve ninguém que tivesse tido a coragem – ou o descaramento, vá – de lhe perguntar qual o nível de afinidades entre ele e o prisioneiro 44. Ou, por exemplo, se tinham negócios em comum. Nem, já que a coisa estava a azedar, se devia algum favor ao ex-governante. Critérios.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Muito se "contracepta" em Lisboa...

Nem me vou alongar muito a dissertar sobre o que leva um país falido, sem gente e à beira de pedir um resgate financeiro porque nem dinheiro tinha para pagar vencimentos e reformas, a esturrar quase quatro milhões de euros em contraceptivos. Só pode ser falta de juízo. Ou de vergonha. O mesmo juízo e a mesma vergonha que faltam a quem agora se pavoneia por aí como salvador da pátria e aos que se preparam para os recolocar no poder.
Igualmente fantástico o pormenor de um fornecimento deste valor ser feito por ajuste directo. Haverá, quase de certeza, uma boa razão para ter sido este o procedimento escolhido pela ARS de Lisboa e Vale do Tejo. Seja ela, a razão, qual for. Até porque, como sabemos, há certas coisas que não podem aguardar determinadas burocracias. E a que se relaciona com o produto em questão será uma delas...