sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Eles têm sete vidas, lembram-se?!


Gosto de gatos. Talvez mais, até, do que de cães. Excepto, claro, dos que cagam no meu quintal. Mas mesmo esses ainda os vou tolerando. Não os mato, nem nada. 
Aprecio a personalidade forte destes pequenos felinos, o espírito de independência e a sua capacidade para sobreviverem sem os donos. Talvez por isso não me pareça bem que se alimentem os animais vadios, como farão os moradores da zona onde a foto foi obtida. Os gatos, desde que na plenitude das suas capacidades físicas, não morrem à fome. Alimentá-los assim, além de ilegal e de constituir um perigo para a saúde pública, é matar o seu instinto de sobrevivência.  

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Deve ser uma espécie de cúmulo do egoísmo...

Diz que sete em cada dez famílias europeias não têm filhos. Talvez seja verdade. As pessoas não estão para ter chatices a aturar gaiatos. Pelo contrário, os europeus preferem ser catraios a vida inteira. Uns pirralhos mimados, foi nisso que se tornaram as novas gerações. É muito melhor ter cães, viajar pelo mundo fora ou ter toda a mais recente tralha tecnológica. São opções de vida que vamos pagar caro. Principalmente quem as toma. Se calhar ainda não perceberam que ao não terem filhos não terão quem lhes pague as reformas. Por mim não me importo muito porque, em princípio, terei quem ma pague. Eles.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Possidónios do caraças!


Ao que escreve o JN de hoje, Menezes diz que só tem um quintal no Douro. Ora isto é uma coisa que me apoquenta. A ser verdadeira esta afirmação – e nada me leva a duvidar do ex-autarca de Gaia ou do jornal em questão – é deveras preocupante que alguém, depois de tantos anos a dar o seu melhor em prol das populações do concelho que governou, nada mais tenha de seu do que um quintal. Ainda que no Douro. Nem uma quinta, ao menos. Uma fazenda, vá. Nada, nadinha mesmo para além do quintal. Pobrezito. E ainda há populistas da treta a vociferar contra os rendimentos dos políticos… Um país de possidónios é o que é!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Os novos salteadores

Obviamente que não será por pagar vinte euros em taxas que uma família inglesa, alemã ou angolana deixará de vir passar um fim-de-semana prolongado a Lisboa. Nem essa é, quanto a mim, a questão principal. Chular os turistas, portugueses na sua maioria, não vai ser exclusivo do “Messias” Costa.  Já outros autarcas o fazem com uma imensidão de taxas e taxinhas – impostos, porque não são outra coisa - sobre dormidas e actividades turísticas diversas.
O que está errado é o princípio legislativo que permite este esbulho cujo limite parece ser apenas a prodigiosa imaginação de gastadores compulsivos que, por não saberem fazer mais nada na vida, necessitam da política para se governarem. Começam por taxar quem chega de avião a uma cidade mas, um destes dias, vão fazê-lo a quem chega de barco, comboio ou autocarro. Taxam as dormidas em hotéis mas, num futuro não muito distante, estenderão a cobrança a refeições em restaurantes, cafés e pastelarias. Ameaçam colocar portagens à entradas das cidades mas, mais cedo do que tarde, iremos voltar a pagar uma taxazinha pelo facto de possuirmos uma bicicleta… Não acreditam? Eu também não acreditava que um dia ia pagar imposto sobre os sacos de plástico.

Não sejas uma bosta, vota no Costa!


Gosto das propostas do Costa. A sério. Nomeadamente daquela de acabar com a sobretaxa de IRS. Se bem que a outra de repor os salários e pensões, nos valores anteriores à crise, seja igualmente bastante prazenteira. Falta só aquela de acabar com o horário das quarenta horas. Mas, pronto, o homem não se pode lembrar de tudo ao mesmo tempo e, embora não constando da lista, vai de certeza dar outra vez as trinta e cinco horas à malta. Ah, “ganda” Costa! O candidato de quem o povo gosta. Ainda que não me pareça menos verdade que com o Costa no poder os portugueses vão-se f****. 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Remate kruzado


O Glorioso, para a generalidade dos adeptos rivais e de grande parte dos comentadores desportivos, é sistematicamente beneficiado pelas arbitragens. Na douta opinião daquela rapaziada, toda e qualquer vitória do maior clube do mundo nunca se deve ao facto de ser melhor do que o adversário. Nem de - por vezes também acontece – ser bafejado pela sorte. Ou, vá, a maior parte dos adversários serem fraquinhos. Nada disso. As vitórias do Benfica são sempre, no dizer desse pessoal, obtidas à custa dos favores dos árbitros. Estaria, a haver justiça, para aí na quarta divisão distrital…

sábado, 8 de novembro de 2014

Somos todos muito tolerantes...desde que concordem com as nossas ideias!

Os portugueses, diz-se, são o povo mais simpático do mundo a menos que tenham um volante nas mãos. Ou, acrescento eu, tenham as unhas em cima de um teclado. Em ambos os casos desaparecem todos os sinais de simpatia, some-se a tolerância perante o erro ou a opinião alheia e transfiguram-se em verdadeiras bestas.
É assim, por exemplo, nos blogues. Gente aparentemente normal, de espírito aberto, tolerante, respeitadora da diversidade de opiniões, adepta da multiculturalidade e, em suma, intelectualmente muito avançada, é incapaz de aceitar uma critica ou uma opinião divergente da sua. Não que isso me surpreenda. Ou, ainda menos, me incomode. Pelo contrário. Na maior parte das ocasiões, para não dizer sempre, até me diverte.
Como, por exemplo, no caso do blogueiro – jovem, presumo – que me chamou uns quantos nomes por eu o ter contrariado quando, num post alusivo ao 25 de Abril por ele publicado, garantia que por alturas da Abrilada os miúdos do campo, na sua maioria, iam à escola descalços. Ou, também a propósito da mesma temática, uma senhora que se ofendeu por eu achar, num comentário que fiz a um texto do seu blogue, que em 1974 o facto de as portuguesas não se poderem ausentar do país sem a autorização dos maridos não era, para a generalidade das mulheres, aquilo que mais as preocupava. Vejam lá que me atrevi a sugerir que a guerra colonial era bem capaz de estar uns furos acima na escala das preocupações... Parvoíce minha, estava-se mesmo a ver.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Legalizar o roubo

Diz que uns quantos municípios se preparam para licenciar a actividade de arrumador. Daqueles que alegam zelar pela preservação da integridade das viaturas que estacionam na sua zona de acção caso os automobilistas acedam a dar-lhes a moedinha da praxe. Ou, se não contribuírem, arriscam ver pintura do carrinho devidamente assinalada.
Sabe-se que, regra geral, os cofres municipais estão depauperados. Por norma não resistem à indómita vontade de esturrar dinheiro que afecta quase todos os que enveredam pela carreira de autarca. Tudo, nestes tempos difíceis, para valer para sacar mais algum ao incauto cidadão. Até, pelo vistos, cobrar uns euros pelo licenciamento do roubo.
Espero que, à semelhança do que se faz relativamente a outros assuntos, alguém elabore e divulgue uma lista das localidades onde esta vigarice conta com o beneplácito autárquico. Serão, sem dúvida, terras a evitar.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

E que tal uma licenciatura em canalização? Ou um mestrado em marcenaria, quiçá...

Desconheço se Portugal tem ou não licenciados a mais, como garante a gaja que manda nisto tudo. Só sei que se por acaso necessitar dos serviços de um advogado devo ter pelo menos uma dúzia deles aqui na cidade. O mesmo se aplica a médicos das mais variadas especialidades, arquitectos ou especialistas vários nas mais diversas áreas do conhecimento cientifico. Isto numa cidade que terá, quando muito, oito mil habitantes. Já se por algum infortúnio a canalização, a instalação eléctrica ou a mobília cá de casa sofrerem um dano mais grave, pode ser que, com sorte, consiga encontrar um profissional com a agenda disponível para, num prazo razoável e por especial favor, resolver o meu problema.
Mas isto, reitero, não quer dizer que existam licenciados a mais. Provavelmente haverá é electricistas, canalizadores ou carpinteiros a menos...

A lógica que perspicazes autarcas não percebem


Segundo o INE a cidade de Borba é a segunda mais envelhecida do país. Daí que, em reacção a estes números, o presidente da câmara da vizinha localidade tenha manifestado a sua convicção que a construção de lares de idosos é muito mais necessária do que a construção de escolas. Pode ser uma verdade de La Palisse. Uma tirada, quase, à capitão Obvious. Será isso tudo e mais um par de botas. Mas revela que este autarca sabe em que terra vive. Ao contrário da maioria dos seus pares, que continuam a insistir em construir escolas onde apenas existem velhos.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Os xuxus da crise


Mais agricultura. Mas esta nem é bem da crise. Embora também pudesse ser. Neste caso o agricultor, como facilmente se depreende pela excelência da colheita, não sou eu. Nem a horta onde cresceram foi o meu quintal. O hortelão é o meu pai que na sua imensa sabedoria nestas artes consegue produzir estas maravilhas. E muitas mais que ainda lá estão por colher. A maioria com quatrocentas a seiscentas gramas. No supermercado custam cerca de dois euros o quilo. É, como dizia o outro, fazer a conta...

terça-feira, 4 de novembro de 2014

As batatas da crise


Pouca coisa vai medrando cá pelo quintal. Decididamente a crise também se abateu sobre a agricultura da crise. Apesar de todos os cuidados que foram dispensados ao incipiente projecto de horta, os resultados insistem em não aparecer. Agora foram as batatas. Tubérculos com este aspecto deplorável e pouco digno de um tubérculo. Estou frito. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

E consequências?! Não há...Estamos em Portugal!!!!!




Foi a investir que chegámos a isto...

Investimento público. Parece ser esta a única solução que o fulano que todos acham vai ser o próximo primeiro ministro tem para apresentar. E que, estranhamente, merece o aplauso de uma imensa faixa de pessoas que, pasme-se, acreditam piamente que aquilo que nos atirou para a crise é o que nos pode tirar dela. Sim, porque hoje só um tolo – e lamentavelmente ainda por aí há muitos, como demonstram as ultimas sondagens – não percebem que foi o investimento público que rebentou com isto tudo.
O país não precisa que o Estado esturre o dinheiro que não tem. Não precisamos de mais estradas, pontes, centros culturais, nem de outras merdas que não servem para nada a não ser elevar os egos e as contas bancárias de quem as promove. Nada disto traz emprego. A não ser a ucranianos e africanos, como muito bem disse Manuela Ferreira Leite. Criatura que, recorde-se, é hoje muito citada quando se comentam decisões governativas.
Do que necessitamos com urgência é de quem saiba gerir o que existe. Que não invente. Que esqueça essa coisa do investimento público, que tenha coragem de meter o investimento privado na linha e, sobretudo, que não queira fazer do país um “tubo de ensaio” para ideias parvas. Mas isso, se calhar, é pedir demasiado. O esclarecido eleitorado português jamais elegeria alguém que apresentasse um programa assim. O pessoal quer é investimento. Depois queixem-se...

domingo, 2 de novembro de 2014

Mas só eu é que tenho de pagar impostos?


Há gente que se indigna por tudo e mais alguma coisa. Parece a história do velho, do rapaz e do burro. Nunca estão satisfeitos. Pela Internet anda meio mundo enfurecido pela fiscalização da Administração tributária realizada a quem vendia flores à porta de um ou outro cemitério. Onde está o mal?! Por mim apenas no facto destas acções, nos cemitérios ou noutro lado qualquer, constituírem a excepção e não a regra... 

sábado, 1 de novembro de 2014

Dia das bruxas?! Isso, ao certo, é o quê?


Ontem à noite andaram uns quantos gaiatos a fazer barulho aqui pela rua. Na altura estranhei. Assim, aparentemente, não me parecia haver motivo para festejar. Ainda pensei que fosse por causa da vitória do Benfica. Ou de outra coisa com um grau de importância quase parecido. Afinal não. Diz que era o dia das bruxas. Nem sei como me fui esquecer desta ancestral tradição portuguesa...

Putas jihadistas

Tenho o maior respeito pelo sofrimento dos pais das moçoilas jihadistas. Compreendo que movam este mundo e o outro para as trazerem de volta. Posso, até, concordar que o seu regresso seja permitido pelas autoridades nacionais. Mas, apesar desta pouco vulgar abertura de espírito, será absolutamente intolerável que o seu eventual retorno ao país não tenha consequências. Para elas, evidentemente. A sua viagem terá de ter como destino a prisão e, de preferência, mantidas longe da restante população prisional. Coisa que se afigura muito pouco provável atendendo à justiça que por cá se pratica.
Ao que se sabe estas jovens foram para aquele fim do mundo – para lá de onde Judas perdeu as botas – de livre vontade. Porque lhes apeteceu. Agora que a coisa, para elas, terá perdido a graça quererão voltar. Os pormenores desta súbita mudança ainda não são publicamente conhecidos – talvez sejam revelados na próxima entrevista do ministro dos negócios estrangeiros ou Marques Mendes os divulgue na SIC – mas seria de todo o interesse que fossem divulgados. Até para desmotivar outras de seguir o mesmo caminho. 

Coisas aparentemente não relacionadas. E sublinho aparentemente.


Não tenho por hábito dissertar sobre assuntos desta natureza, mas o drama que um casal português está a viver no Dubai recorda-me duas coisas. Que o serviço nacional de saúde não é tão mau como insistem em pintá-lo e que, num passado assim não tão distante, um governo socialista pagou a trasladação para Portugal de uns quantos empresários que, em viagem privada, tinham ido ao Brasil dar, portanto, uma volta. Ou mais, que de ir tão longe para dar só uma é manifestamente pouco. 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Artigos de última necessidade


No mercado das velharias vende-se de tudo. E, provavelmente, de tudo se compra. Ainda que os produtos expostos sejam, na maior parte dos casos, de duvidosa utilidade e quase certa inutilidade. Os compradores, esses, são mais muitos. Pelo menos a julgar pela afluência de público que todas as manhãs de Sábado acorre ao local. Nomeadamente espanhóis e lisboetas em grande número que, por apenas cinco euros, se podem tornar orgulhosos proprietários de uma raqueta de ténis em segunda mão ou de um penico em segundo cú. 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

A culpa é do mosquito...

Diz que não é com vinagre que se apanham moscas. Mas isso devia ter sido noutro tempo. A garrafa da fotografia contem uma mistura de vinagre e açúcar – muito açúcar, no caso – e constitui um irresistível chamariz para moscas, mosquitos e uma panóplia de insectos esvoaçantes de raça indefinida. Tantos que a mistela tem de ser substituída com regularidade.
A ideia, no caso, é proteger as laranjeiras da mosca da fruta. Ou lá o que chamam a uma espécie de abelha – uma abelhosca, vá - que pica o fruto e o faz apodrecer. Um insecticida natural, barato e que resulta. Só espero que não apareça por aí a GNR ou os gajos do ambiente a acusarem-me de dizimar mosquitos em vias de extinção...

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Ui...tão sensíveis que nós somos...

Somos muito sensíveis nós, somos. Agora deu-nos, pelo menos a uns quantos entre os quais se incluem jornalistas e um rol de comentadores nas redes sociais, para ficarmos indignados com as declarações que uma alegada actriz brasileira terá proferido acerca do resultado das eleições presidenciais.
A senhora em questão escreveu que O Brasil foi explorado tantos anos por Portugal e agora continuará sendo pelo PT! Não é à toa que a sigla de Portugal é PT! #EuVoteiAecio45”. Gravíssimo. Do pior, mesmo. Coisa para deixar os portugueses possessos. À beira de um ataque de nervos, até. A destilar ódio contra a criatura e tudo o que é brasuca.
Cambada de burros. Sem ofensa para os asnos que, coitados, não têm culpa nenhuma. A senhora não pode – na opinião dos tugas ofendidos - expressar a sua opinião sobre Portugal e os portugueses, mas nós, portuguesinhos sensíveis, podemos achincalhar outros portugueses – nomeadamente contando piadolas jocosas de alentejanos - e dizer deles o que maomé não diz do toucinho... Coerente, parece-me.

sábado, 25 de outubro de 2014

E se, antes de abrir a boca, usassem a cabeça? Ou a cabecita, vá

Os portugueses gostam muito de dizer coisas. Parvoíces, na maior parte das ocasiões. Os comentários que li e ouvi acerca da tributação fiscal do prémio do euro milhões que ontem saiu em Portugal enquadram-se perfeitamente nesse âmbito. E, também, no da estupidez.
Aos prémios de jogo superiores a cinco mil euros, como se sabe, é aplicada uma taxa de 20% a titulo de imposto de selo. No caso em questão serão trinta e oito milhões de euros que vão direitinhos para o tesouro nacional. Coisa que deixa indignada muito boa gentinha.
Já o facto de qualquer cidadão ver o rendimento das suas poupanças – incomparavelmente menos, na maior parte dos casos – tributado a uma taxa de IRS de 28% parece não chocar a generalidade da populaça. Nem, ainda menos, que essas poupanças se esfumem na falência de um banco em que investiram porque todos diziam que era um investimento seguro.
Nada disto me surpreende. É tudo perfeitamente normal. Não se pode esperar muito de um povo que se prepara para recolocar no poder quem rebentou com isto tudo. 

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Praxes?! E se fossem praxar a santa senhora que os pariu?

Acaba de passar na televisão uma reportagem em que um grupo de miúdos é humilhado publicamente por meia dúzia de outros. Chamam-lhe praxe ou lá o que é.
Tenho notória dificuldade em entender estas coisas. Mas isso devo ser eu que não aceito que ninguém me esfregue na cara a sua superioridade. Como, no caso, fazia aos berros uma javardola nojenta alegada aluna mais velha.
Admiro, eu que até nem costumo ferver em pouca água, a capacidade de encaixe que os chamados caloiros possuem perante o chorrilho de ofensas – físicas e psicológicas - que lhes são dirigidos. Por muito menos ter-lhes-ia dado um murro nos cornos. 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Perante isto ainda é possível duvidar que não há dinheiro?!

Há números que podem ter as mais diversas interpretações. Outros nem por isso. São o que são e pronto. Mas todos – os números – deviam ser do conhecimento geral. Especialmente aqueles que importam por condicionarem a nossa vida. E os números do orçamento do Estado estão entre os que ninguém devia desconhecer. Pena que poucos tenham paciência para os ler e que muitos, com responsabilidade na matéria, façam de conta que não os conhecem.
Veja-se o mapa acima. É o resumo das despesas do Estado para o próximo ano. Mais de cento e quarenta mil milhões de euros, ao todo. Dos quais noventa e dois mil e quatrocentos milhões são destinados ao serviço da divida. Que é como quem diz os juros e amortizações de empréstimos a pagar no próximo ano. Significa isto que sessenta e seis por cento da despesa do país é para pagar a quem nos financia. Se acrescentarmos as despesas pessoal e a segurança social... É fazer a conta. Como dizia um dos maiores esturradores de dinheiro que este país já conheceu.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Uma questão inquietante: Como é que em termos fiscais se beneficia quem não paga impostos?

Ao que parece a taxa do IRC vai, mais uma vez, ser reduzida. Coisa que desagrada a muita gente. Nomeadamente ao PCP e ao BE que já manifestaram o seu mais profundo repúdio pela intenção do governo. Aliás, repúdio à séria tem de ter profundidade e nisso de repudiar profundamente a malta da esquerda é exemplar.
Não estranho a opinião do PCP. Nem a do Bloco. Também eu não estou particularmente entusiasmado com a ideia. O que me aflige é o argumento utilizado pelas ditas agremiações. Ao que dizem apenas beneficia as grandes empresas. O que muito me surpreende. Cuidava eu, mas ninguém me manda ser parvo, que o IRC era um imposto que incidia sobre todas as empresas. Grandes, médias ou pequenas. Que pagariam mais ou menos consoante os lucros obtidos ou a capacidade para engendrar esquemas, manhosos ou não, que permitissem pagar o menos possível.
Se calhar não será bem assim. Comunistas e bloquistas saberão, de certeza, do que estão a falar. Realmente quem não paga impostos não beneficia nada se as taxas baixarem...

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Pobretes mas na moda e tecnologicamente bem equipados

Esta historieta de agora termos mais pobres do que em 1974 está muito mal contada. Principalmente quando aqueles que insistem em contá-la ou ainda não eram nascidos nessa altura ou já se esqueceram do que era a vida no Portugal de então. São duas realidades distintas. Incomparáveis. A pobreza de hoje, que é muita, nada tem a ver com a pobreza de há quarenta anos.
Calças “Lois” ou sapatilhas “Sanjo” não estavam, em 1974, ao alcance de todos. Hoje os jovens que estatisticamente são considerados pobres vestem roupa e calçam ténis de marca e possuem todo o tipo de tecnologia topo de gama. Como aquela mocinha que, um destes dias, reparando no meu telemóvel Samsung E 2230 de 24,90 euros, me confidenciou ter sido um igual o seu primeiro telefone portátil. Mas isso foi há muito tempo. Agora, mostrou-me toda satisfeita, tem um aparelho todo catita que custa seiscentos euros. Daqueles que só falta fazer tostas. Oferta do namorado que, tal como ela, recebe o RSI e vai trabalhando naqueles programas ocupacionais para entreter o tempo. 

domingo, 19 de outubro de 2014

Mas o que anda esta gente a fumar?!

Não sei o que a malta do governo anda a fumar nas reuniões do conselho de ministros, mas, seja o que for, deve ser do melhor. Só assim se compreendem as afirmações do ministro Maduro ao garantir, num tom aparentemente sério e sem sequer deixar escapar um sorriso maroto que sugerisse tratar-se de uma ironia, que se o Estado fosse tão bem gerido com as autarquias as contas do país estariam equilibradas. Por estas palavras ou por outras que queriam dizer a mesma coisa.
Se assim é questiono-me por que raio terá o governo tido necessidade de criar o FAM. Aquela aberração que vai fazer com que o dinheiro dos contribuintes de Estremoz, ou de outras câmaras em boa situação financeira, seja “desviado” para pagar as dividas, por exemplo, do vizinho concelho do Alandroal. Ou de outro qualquer que tenha sido governado por pessoas a quem essa coisa do rigor na gestão do dinheiro público pouco importava.
Concedo que as contas na administração local não são, de uma maneira geral, nada parecidas com as que existiam há três ou quatro anos. Mas estarão longe de ser as que se apregoam. Por trás dos números divulgados estará muita engenharia – sem ofensa para os engenheiros, nomeadamente aqueles que não se formaram ao domingo – financeira e, quiçá, contabilidade criativa. Isto alegadamente, claro.

sábado, 18 de outubro de 2014

E agora, vamos continuar a não pedir factura?!

Há muitos anos que defendo a dedução em sede de IRS do Iva suportado pelos contribuintes. É, assim, com agrado que vejo finalmente essa possibilidade consagrada na legislação portuguesa. Isto se, como é expectável, a anunciada intenção do governo for aprovada.
Trata-se, antes de mais, de uma maneira eficaz de combater a evasão fiscal por constituir um estimulo para que o consumidor peça factura de tudo quanto adquire. De ora em diante a lamuria do “não a vale a pena”, ou das piadas patetas por causa do sorteio do carro – também ele, o sorteio, patético – ainda farão menos sentido do que antes. Pelo menos para aqueles, entre os quais me incluo, que não gostam de ser vitimas do actual saque fiscal.
Não têm faltado, desde que a medida foi conhecida, ataques ao pressupostos que serão necessários ver cumpridos para que exista devolução do IRS. Com toda a razão a maior parte deles. Dos ataques. De facto, com os montantes previstos no OE2015 para a cobrança de impostos, só quase por milagre obteremos por esta via algum retorno. Mas, ainda assim, aplaudo a iniciativa. Ou não tivesse andado tantos anos a reclamar por ela!

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Fundamentalistas verdes

Essa coisa da fiscalidade verde até pode ser muito bonita. Em particular isso de pagar uma taxa – imposto, parece-me ser a designação correcta – sobre os sacos de plástico. A malta tem andado a abusar da natureza e, vai daí, nada como penalizar esse comportamento desviante de ir ao supermercado e enfiar as compras dentro de um saco que, alegam os sábios, leva umas centenas de anos a decompor-se. Dizem eles, embora ainda ninguém tenha vivido o suficiente para saber se corresponde à verdade.
Estaremos, portanto, perante uma boa ideia que, garante o governo, vai render uns largos milhões ao fisco. Ou não. Se calhar o que vão ganhar nem vai compensar os prejuízos que a medida pode acarretar. É que, o mais provável, é o saco de plástico tornar-se num bem demasiado caro para determinadas utilizações. Nomeadamente forrar o balde do lixo. O que pode – esperemos que não – levar aos velhos tempos em se despejava tudo ao molho para o contentor. Com as consequências que se podem imaginar..