Sou, seguramente, das pessoas menos indicadas para dissertar acerca dos eventos culturais que se vão realizando cá pela terrinha. Até porque é sobejamente reconhecida a minha vontade de puxar da calculadora sempre que ouço falar em cultura. Não é, hoje, o caso.
Assisti ontem, na sede da Junta de Freguesia de que sou freguês, a um espectáculo dos “Bonecos de Santo Aleixo”. Para quem não sabe do que se trata é só pesquisar no Google, ou noutro motor de busca qualquer, que está lá tudo. Não farei a crítica à representação. Disso percebo pouco e para além de dizer que gostei e que achei divertido não terei muito a acrescentar. De assinalar a linguagem utilizada pelos actores que dão voz aos bonecos e às personagens. Popular, politicamente incorrecta quanto baste e, se calhar, só possível de utilizar naquilo a que chamam a província. Veja-se o caso do acto “Castigo de Caim”, em que Deus castiga o irmão e assassino de Abel transformando-o em negro. Calculo que para um molusco intelectualóide da capital tal facto constitua algo capaz de pôr os cabelos em pé, se os tiver, e de provocar a publicação de inúmeras postas indignadas nos blogues da esquerda caviar que não poupariam acusações de racismo.
É apenas um pormenor, mas que não podia deixar de saudar. Principalmente quando se assinala mais uma passagem do vinte cinco do A e numa altura em que a liberdade de expressão, então devolvida ao povo, se encontra seriamente ameaçada pela ditadura do politicamente correcto quase sempre promovido por aqueles que mais se arvoram em defensores dessa mesma liberdade.








