domingo, 31 de março de 2024

Tropa? Talvez...

Começa a colocar-se, cada vez mais insistentemente, a hipótese de num futuro mais ou menos próximo haver a necessidade de discutir a reintrodução do serviço militar obrigatório. Não sei se concordo. Estive na tropa e detestei cada dia que lá passei. Já tinha emprego, deixei de receber ordenado durante dezasseis meses e, por causa disso, perdi dinheiro que me fazia falta e que ninguém me pagou. Daí a minha hesitação relativamente a este tema.


Os tempos são outros. No inicio dos anos oitenta a mobilização maciça de jovens para o SMO apenas servia para manter uma máquina militar repleta de resquícios da guerra colonial. A ameaça soviética de então não passava de uma idiotice a que ninguém ligava importância nenhuma. Ao contrário de hoje, em que a possibilidade de acordar com russos ou islâmicos aos tiros por aí é muito mais do que provável. Para os receber com flores e bandeirinhas há muita gente pronta, mas é precisa muita mais que saiba o mínimo para nos defender desses e dos patifórios vindos do leste, do oriente ou do outro lado do Mediterrâneo.


Se um dia voltar a existir SMO, a recruta vai ser uma coisa engraçada. Se vai. Quem por lá passou sabe no que estou a pensar. Com as “Amélias” que se vê por aí, aquilo vai ser uma coisa, digamos, digna de assistir, vá...

sábado, 30 de março de 2024

DuKontra, como nome do meio

Desde que me comecei a interessar por política – há uns trezentos anos atrás – que mantenho a minha posição sempre que muda o governo. Resume-se àquela celebre tirada de “há governo? Sou contra”. Não sou o único. Mas, a mim, basta-me ser contra na generalidade. Muitos outros, que por aí leio e ouço, são contra o governo que aí vem porque há poucas mulheres, porque deviam ser outras e não aquelas, porque os ministros indigitados deviam ser outros e não aqueles, porque são demasiado velhos, porque os ministérios deviam ter outro nome, porque os portugueses escolheram a AD e deviam ter escolhido o PS, porque a esquerda é que devia governar sempre, porque a direita não devia governar nunca, porque, porque, porque…


Obviamente que este estado de espírito negativo em relação ao novo governo nada tem a ver com o estar contra por natureza. Será, na esmagadora maioria dos casos, a falta de cultura democrática a vir ao de cima. Enchem a boca de “valores de Abril”, de “luta contra o fascismo”, de defesa da democracia e de mais umas quantas alarvidades, mas quando, em liberdade e eleições livres, o povo decide de maneira diversa daquela que são as suas opções políticas, não procedem de acordo com os tais valores que tanto apregoam. Como se tivessem de ser sempre os mesmos a governar. Foi, entre outras coisas, para acabar com isso que fizeram o 25 de Abril. E, para evitar um regime como o que estes “contras” sonham, o 25 de Novembro.

quarta-feira, 27 de março de 2024

Fisális da crise

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Segundo os especialistas da especialidade, nomeadamente os sites especializados, a “fisális é nativa das regiões temperadas, quentes e subtropicais de todo o mundo”. Não obstante estar notoriamente fora do seu habitat natural - coitado, por esta altura do ano, quase não apanha sol - o exemplar único que habita no meu quintal está a produzir frutos em número bastante aceitável. Isto apesar das condições climatéricas adversas, para além da localização desfavorável, a que a desgraçada da planta tem estado sujeita.


Parece, também, que o fruto possui inúmeras qualidades medicinais. Garantem os especialistas que é especialmente boa para purificar o sangue, fortalecer o sistema imunológico, aliviar dores de garganta, ajudar a diminuir as taxas de colesterol e aliviar as hemorroidas. Talvez sim. O que posso afiançar é que dele não direi que compensa o bem que sabe para o mal que faz. Nem o contrário. Come-se, é o meu veredicto.

segunda-feira, 25 de março de 2024

Cofres cheios é péssimo, excedente é óptimo...

Diz que há para aí um excedente, seja lá isso o que for. É, pelo menos, o que todos – de repente toda a gente passou a perceber destes assuntos - andam a garantir vai para uma semana. A mim, que destas coisas de números pouco mais sei do que um barbeiro, a existência do tal excedente deixa-me dividido. Por um lado parece-me uma cena catita. Por outro não consigo deixar de pensar que, em contas públicas, excedente ou folga significam impostos em excesso. Se há dinheiro a mais e não precisam dele para melhorar o SNS ou, vá, pagar a divida, então que o devolvam a quem o tiraram. Usá-lo em favor de grupos reivindicativos mais ou menos rufias, como parece unânime entre a classe política, constitui uma afronta para a generalidade dos que não têm capacidade colectiva de amedrontar o poder.


Já foi há muito tempo e a memória das pessoas é demasiado curta, mas eu ainda sou do tempo em que uma ministra das finanças, na hora de deixar o cargo, se vangloriava de deixar os cofres cheios. Na altura, os mesmos que hoje se entusiasmam com o tal excedente, caíram em cima da coitada e chamaram-lhe tudo menos mãe. Lá está, isto de lavar a cabeça a burros não é para todos...

domingo, 24 de março de 2024

Estado Ladrão...ou coisa pior!

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Está a começar a época dos impostos. Dentro de dias inicia-se a entrega da declaração de IRS, mais semana menos semana aparece a cartinha do IMI e, no meu caso, o pagamento do IUC. Quanto ao primeiro, a manutenção das taxas escandalosas que incidem sobre o rendimento apenas tem sido possível por os governos isentarem sistematicamente mais de metade da população. Caso contrário, estou em crer, já teria havido um qualquer levantamento popular. Só para que se perceba a dimensão do roubo e a injustiça fiscal deste imposto, tenho como exemplo uma declaração que irei submeter este ano na qual o sujeito passivo tem despesas para dedução à colecta superiores ao rendimento colectável e, ainda assim, vai ter de pagar ao fisco umas centenas de euros em cima do que lhe foi retido mensalmente ao longo do ano. E não, não comprou nenhum Porche. Trataram-se todas de despesas essenciais à vida, mas das quais o Estado apenas aceita deduzir um valor meramente simbólico. Deve ser isto a que chamam Estado social, ou lá o que é.


Os outros – o IMI e o IUC – constituem receita dos municípios. O que incide sobre os imóveis é um dos impostos mais estúpidos do mundo e o que tributa os veículos automóveis, com a carga fiscal que incide sobre os combustíveis, não passa de uma redundância. Mas, lá está, é necessário dar dinheiro às autarquias para que estas o utilizem em prol das pessoinhas. Se não fosse assim como é que a malta se divertia?

sexta-feira, 22 de março de 2024

Pássaros do sul

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Este casal de andorinhas – uma andorinha e um andorinho, calculo, que os animais sabem que não é com mariquices que garantem a continuidade da espécie – devem ter estudado a melhor localização para a construção do seu ninho e concluíram que o lugar ideal é precisamente a casa que estou a preparar para colocar no mercado de arrendamento a um preço exorbitante e altamente especulativo. Lamento amigues – ó para mim a escrever em inclusivês - mas aqui não dá. Terão de procurar outro espaço. Não ando a esfalfar-se a trabalhar para virem vocês cagar isto tudo. Vão para outra parede qualquer. O que não falta por aí são casas abandonadas onde ninguém vos aborrece. Aqui é melhor não. E não me olhem assim que não penso dar-lhes. Descanso, como a outra.

terça-feira, 19 de março de 2024

Senhorios fofinhos

Afinal, ao contrário do que andava para aí a propagandear o pessoal da direita, Mariana Mortágua não é “senhoria de um T1 pelo qual cobra 650 euros ao inquilino”. Mas se fosse, não tinha mal nenhum. Mau seria se, na qualidade de dirigente partidária ou outra qualquer, pretendesse dar lições de moral acerca de rendas exorbitantes ou isso. Nada disto se verifica. Ao que se refere a comunicação social, a criatura é proprietária de um T1 – na zona de Arroios, em Lisboa – que arrendou por aquele valor entre 2019 e 2021. Já lá vão três anos, mais coisa menos coisa. Altura em que, recorde-se o SMN era de 635 euros. Este montante, mesmo para a época, terá sido considerado pelo Bloco de Esquerda, em reacção a esta notícia, como muito longe de poder ser considerado especulativo. Trata-se mesmo de um absurdo classificar uma renda daquelas como especulativa, segundo a fonte bloquista instada a pronunciar-se sobre o assunto. Também acho. Por uma vez concordo com aquele pagode. Chame-se o senhorio acusado de especulação, por cobrar mais do que um SMN por um T1, Mortágua ou outro apelido menos finório. Mas isso sou eu…

segunda-feira, 18 de março de 2024

Organizem-se...

Corrida às viagens para férias bate recorde” e “mil milhões gastos em compras de telemóveis” são duas notícias que hoje compõem a primeira página dos jornais. Constituem, também, dois indicadores importantes acerca da qualidade de vida dos portugueses. Ou das prioridades. Obviamente que cada qual gasta o dinheiro naquilo que muito bem lhe apetece. Não tenho nada a ver com isso e, desde que não me aborreçam, interessa-me muito pouco. Mas se há coisa que me aborrece são as queixinhas. Nomeadamente o queixume generalizado acerca das condições de vida, dos ordenados, das rendas de casa, dos preços e do que mais calhar que, alegadamente, levam couro e cabelo. É pá, priorizem como lhes dê na realíssima gana, não queiram é que sejam os produtores e distribuidores dos bens que consomem, os senhorios ou o Estado a suportar as vossas manias. Se não vos sobra guito depois de pagar as viagens ou o telélé, azarinho. Não se pode ter tudo. Vão passear, mas é.

domingo, 17 de março de 2024

O karma, se existir, é lixado...

Os especialistas da especialidade têm andado entretidos a analisar e, principalmente, a tentar encontrar explicações para os resultados eleitorais não terem correspondido aos seus desejos. Eles, os sábios, que veem a luz e conhecem o caminho da verdade ficaram estupefactos por o país real não lhes ligar nenhuma. Coitados, deve ser triste andar durante tantos anos a educar o povo, a explicar o que é melhor para todos nós – sim, eles é que sabem o que é bom para nós – e vai daí a malta caga-lhes no colo. Não se faz. Há, no mínimo, que mudar de povo. E isso, diga-se, é um processo que está em marcha.


Outros especialistas, ainda mais especializados na especialidade, andam agora a investigar quem é que votou em quem. Embora isso seja um trabalho fácil relativamente a alguns partidos – o PCP, por exemplo, são tão poucos que não deve dar muito trabalho saber o nome, o NIF e o número de telemóvel de cada um desses desgraçados – de um modo geral não me parece que, em termos de grandes grupos sociais, se consiga chegar a conclusões minimamente credíveis. Concluir que as mulheres votaram à esquerda e que os mais velhos não votaram no Chega, só para realçar dois dos dados mais mencionados, parece-me coisa de especialista pouco especializado ou, então, especialmente equivocado.


Uma das conclusões, especialmente irónica e de duvidosa credibilidade, é a que conclui ter existido uma transferência directa de votos do PS para o Chega. Não acredito, mas a ser verdade seria uma ironia do mais fino recorte. É o Karma, ou lá o que quiserem chamar à maneira absolutamente badalhoca como o PS se tentou aproveitar do partido de André Ventura.

sexta-feira, 15 de março de 2024

Partido Chihuahua Português

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De dez de Março para cá o país mudou. Muito. E, pelos vistos, para pior. A saúde ficou uma desgraça, a habitação uma tragédia e o ensino uma verdadeira tormenta. Relativamente aos primeiros sectores já saíram uns estudos a dar conta disso mesmo e, no que respeita ao ensino, reapareceu o Mário Nogueira a garantir que ele, o sindicado dele e os professores em geral se iam opor ao governo. Que é para isso que serve um sindicato, acha o cavalheiro. Isto, assim do nada, ficou tão mal, mas tão mal, que o PCP – um dos dois partidos cujos deputados podem ir todos juntos de táxi para o Parlamento – já anunciou que vai apresentar uma moção de rejeição ao governo que ainda não existe. Nem, por enquanto, se sabe ao certo quem formará. Isso, no entanto, não impede os representantes de duzentos mil portugueses de acharem que o governo que se vier a formar não vai ter legitimidade nenhuma. Se fosse apenas aquilo do “Há governo? Sou contra!” até eu acharia piada. Mas não é. É o ódio à democracia e à liberdade que não se envergonham de demonstrar enquanto agitam cravos vermelhos e exaltam o vinte cinco de abril.

quinta-feira, 14 de março de 2024

Todos os votos são legitimos.

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Desde as eleições que vejo este dichote publicado e replicado vezes sem conta. Também eu sou gajo para, de quando em vez, fazer uma alegorias com recurso a fábulas. Geralmente parvas, admito com facilidade. Daí que reconheça à distância as idiotices dos outros. E esta, caros papagaios que andam a publicar isto por tudo o que é rede social, é especialmente parva. Recordo que nas fábulas são os animais que falam, não os objectos inanimados. O que torna manifestamente impossível a um inseticida apresentar-se a eleições e muito menos ser votado. Não faz sentido. Se querem fazer com que os outros se sintam mal com as escolhas, procurem outro candidato do agrado da formiga. Um insetívoro qualquer era capaz de dar um exemplo menos parvo. Digo eu, que até votei na vassoura.

segunda-feira, 11 de março de 2024

O (res)caldo eleitoral

Uns mais do que outros, mas todos terão motivos para festejar o resultado eleitoral. É, no fundo, a velha tese do PCP a fazer escola. O que, logo por aí, constituirá um bom motivo para os comunistas, apesar de serem o novo partido do táxi, cantarem vitória.


O Partido Socialista pode igualmente dar-se por satisfeito por perder por poucos. Os mais optimistas da equipa podem mesmo alegar que se os golos fora ainda contassem aquele resultado até dava para passar a eliminatória.


Iniciativa Liberal, Bloco de Esquerda e PAN também tiveram motivos para festejos. Cumpriram os objectivos mínimos e, mesmo que à rasca, conseguiram a manutenção. Ainda não é desta que descem de divisão.


O Chega e o Livre foram as sensações do campeonato eleitoral. Multiplicar por quatro o número de deputados é razão mais do que suficiente para ir ao Marquês. Fazem-me lembrar o Sporting. É melhor aproveitarem agora porque se calhar outra igual só daqui por dezoito anos.


Finalmente a Aliança Democrática. Ganhou por poucochinho. Isto, claro, se o adversário não marcar no prolongamento. E não, as semelhanças com o Benfica não se ficam por aqui. Está mais que visto que isto de ir buscar craques em fim de carreira nem sempre contribui para um bom desempenho da equipa e que deixar os adversários chegar primeiro à bola raramente leva à vitória. A menos que, como foi o caso, a equipa contrária faça auto-golos até dizer chega.

domingo, 10 de março de 2024

Necessidades...

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Admito que esta cena da habitação não está fácil. Seja na parte de quem procura, seja na parte da oferta. Ainda que as razões de queixa não sejam coincidentes. Embora, em muitas circunstâncias, exista uma relação directa entre elas. Que isto, a bem-dizer, o mundo é só um.


Por motivos que apenas não percebe quem não quer, as rendas estão actualmente em valores, do ponto de vista de quem paga, para lá de exorbitantes. Até mesmo nos lugares mais improváveis como, por exemplo, nas terras mais desertificadas do interior do país. Também nestas regiões, quase desprovidas de gente, a oferta ainda consegue ser inferior à procura. Com a agravante de grande parte da população, de uma ou de outra forma, viver daquilo que a família da reportagem da CMTV tanto almeja. Um teto.

sexta-feira, 8 de março de 2024

Ai cruzes, credo, que medo que eu tenho da "diraita"...

Como dizia o saudoso Jorge Coelho, há muita falta de memória na política e nos políticos. Mas não apenas. Essa amnésia estende-se hoje à generalidade da população. E quando a esse desmemoriamento colectivo juntamos a ignorância, a má-fé e muita filha da putice temos o caldinho perfeito.


Portugal é um país, ao que se diz, de reformas baixas. Miseráveis, consideram muitos. Mas não. De há tempos a esta parte não se consegue encontrar nenhum reformado que não tenha sido vítima dos cortes nas reformas perpetrados pelo Passos Coelho, esse malfeitor. Assim sendo todos eles auferiam em 2013 mais de mil euros de pensão. O que, convenhamos, olhando para os vencimentos que actualmente se pagam, até nem seria mau. Mas isto das duas uma. Ou estamos perante um bando de mentirosos ou uma cáfila de filhos da puta igualmente pantomineiros. Do que tenho a certeza é que os últimos governos socialistas cortaram na minha reforma. A que já devia estar a receber, mas a que só terei direito daqui a dois ou três anos. Ou mais, que para o futuro podem fazer as patifarias que quiserem. Intocáveis apenas os actuais pensionistas. Mesmo que se tenham reformado aos cinquenta anos, com a pensão igual ao último ordenado correspondente ao lugar para o qual foram promovidos dois meses antes da reforma e esta seja equivalente a vários salários mínimos. Como, se calhar, será o caso daquele estupor da velha feia e gorda que tem a mania de falar com sotaque alentejano. Mas não é esta gente que está mal, bem entendido. O que está mal é sacrificar uma geração para proteger outra.

quarta-feira, 6 de março de 2024

Perninhas a tremer e rabinho entre as ditas

Ao contrário do que aconteceu quando os juros desataram a subir, os bancos já estão a antecipar uma provável queda do preço do dinheiro. Nomeadamente nas taxas pelas quais remuneram os depósitos a prazo. São muito apressados, eles. Mas, a bem dizer, nem terão grandes motivos para continuar a pagar juros ao nível dos actuais valores. Convém não esquecer que o governo do Partido Socialista fez o favor à banca de reduzir a taxa de juro dos certificados de aforro e, com isso, evitou que os bancos tivessem a necessidade de pagar taxas mais atractivas para captar as poupanças dos portugueses. Um favor que nos sai caro. Onde perdem todos – depositantes, Estado e contribuintes em geral – e só a banca fica a ganhar. É que isto de se gabar da capacidade para pôr as perninhas dos banqueiros a tremer é muito bonito, deixa o rebanho entusiasmado, mas qualquer alarve é capaz de dizer. Fazer frente aos donos disto tudo é que não é para qualquer um. E, nesta como noutras matérias igualmente relevantes, todos sabemos quem é quem.

terça-feira, 5 de março de 2024

Redistribuição da riqueza

A acção de campanha do PS realizada em Guimarães não terá, ao que consta, decorrido da melhor maneira. Para além da manifesta falta de pontaria demonstrada por apoiantes e detractor – nem o guarda chuva atingiu o provocador nem o vaso arremessado por este acertou em nenhum socialista – parece que a caravana terá sido alvo da acção de carteiristas. Não me revejo em muitas graçolas, mais ou menos jocosas, acerca da ocorrência. Trata-se de um crime e com isso não pode haver contemplações. Mas para os integrantes da arruada não deve constituir problema,  visto que não temos por cá problemas de insegurança. Daí que terem sido espoliados das suas carteiras não representará um mal maior. Ninguém entre as vitimas, estou em crer, terá apresentado queixa ou ficado demasiado aborrecido por lhe terem surripiado uns trocos. Terá sido, quando muito, encarado como um acto de redistribuição de riqueza. Coisa que o pessoal do PS muito aprecia. O irónico é que, desta vez, foi o dinheiro deles que se evaporou. Mas foi por uma boa causa. A dos desvalidos. Ou vulneráveis, vá.

segunda-feira, 4 de março de 2024

Os avistadores do canito perdido

Vejo com inusitada frequência publicações e inúmeras partilhas dessas mesmas publicações, onde se dá conta de avistamentos de cães que, segundo os autores dessas mensagens, estarão perdidos. Ou os canitos andam completamente desorientados ou as pessoas estão cada vez mais parvas. Alinho pela segunda hipótese. Até porque para a sustentar – ainda que isso não seja preciso, de tão evidente que ela é – aparece quase sempre alguém a esclarecer que “não senhor, o cachorro não está nada perdido. Pertence a beltrano ou a sicrano e anda apenas a dar a sua voltinha habitual”. É uma loucura, isto. Não podem ver um bicho sozinho, estas malucas, que está logo perdido. Sim, malucas que isto passa-se maioritariamente com mulheres e a maior parte delas com idade para ter juízo.


Noutros tempos, quando muito, os cães estavam abandonados e, mais tarde ou mais cedo, encontravam alguém que cuidava deles. Durante a minha infância e juventude adoptei alguns nestas circunstâncias. Se estivessem perdidos facilmente encontrariam o caminho para casa se essa fosse a sua vontade. Como, de resto, acontece com toda a espécie de bicharada. Todos conhecemos casos de animais que percorreram dezenas, até mesmo centenas, de quilómetros para se juntarem aos donos. Sem necessidade de GPS.

domingo, 3 de março de 2024

A bolha dos pitosgas

Os paineleiros e comentadores que nas televisões tentam desesperadamente influenciar o sentido de voto dos portugueses e, modo geral, as redacções dos órgãos de comunicação social vivem numa espécie de bolha que os isola do sentimento das pessoas que vivem no país real. Aquilo deve ser gente que apenas fala uns com os outros e que vive num circuito fechado onde todos pensam da mesma maneira. Daí que achem que o mundo é como eles o veem ou como eles querem que seja. Mas não é. Aquele pagode ainda não deve ter percebido que ninguém lhes liga e que a realidade é, quase sempre, muito diferente daquilo que eles projectam ou, pior, comentam ou analisam horas a fio. Fazem lembrar o ministro da Informação do Iraque ao tempo da invasão americana, os trastes.


Veja-se, por exemplo, o caso do Chega. Andam há anos a malhar naquela agremiação. Todas as conversas daquela malta, quando o assunto é política, vão lá parar. Sempre a alertar para os perigos que decorrem do seu crescimento e consequentes malefícios que isso traria para a sociedade em geral. O resultado é o que já se viu e o que, tudo indica, se vai voltar a ver daqui por uma semana. Se calhar, digo eu, fazia-lhes bem sair à rua e perceber que há mais vida para além das redacções, dos estúdios das Tv’s e do Twitter.


Este mesmo comportamento está agora a ser replicado em relação à AD. Não creio que tenham sucesso. Mesmo uma mais que provável vitória do PS não se ficará a dever ao inusitado apoio que a comunicação social presta aos socialistas. Ela será, simplesmente, natural. Estranho seria se assim não fosse. Até eu, se olhasse apenas para o meu umbigo, teria todas as razões para votar naquele partido. Mas não. Os meus problemas de visão são apenas a ver ao perto. Ao longe, felizmente, vejo muitíssimo bem.