domingo, 30 de janeiro de 2022

Compete à familia a educação dos seus...

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Este vistoso e imponente cagalhão pode ser apreciado em todo o seu esplendor numa rua cá da cidade. A obra de arte terá sido produzida por um membro de uma família local - ou das que nos visitam, quem sabe - e está ali, à vista de todos e à mercê de um transeunte mais distraído.


Com elevada dose de probabilidade será um dos muitos animais de estimação que não estão registados e que não pagam a respetiva licença à junta da freguesia onde o seu agregado familiar tem residência. Os “pais”, provavelmente, serão daqueles que se lamentam da falta de limpeza das ruas, do pouco empenho dos funcionários que tratam de limpar o que os outros sujam e, quiçá, lamentarão igualmente que ande por aí malta - muitas vezes gente que apenas quer trabalhar e que o estado não se aproprie de parte significativa do resultado da sua labuta - a eximir-se ao pagamento de impostos.


Por mim - quem me segue sabe isso - sou contra a apropriação pelo Estado da riqueza produzida pelo esforço do trabalho. Em contrapartida, defendo uma mão fiscal pesada sobre o luxo, o supérfluo ou o fútil. Se, segundo alguns dados disponíveis, existem em Portugal seis milhões e setecentos mil animais de estimação, é só fazer a conta... mas claro que ninguém faz. O IRS sustenta tudo e quem diz o contrário é facho.

sábado, 29 de janeiro de 2022

Não sei se ficará "composto"...

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A ideia é boa. Tenho um compostor doméstico no quintal e sei, por experiência própria, que a compostagem das cascas e restos dos vegetais reduz significativamente os resíduos sólidos que despejamos no lixo comum. O que se traduz por menos matéria entregue à entidade gestora dos resíduos e, por consequência, uma menor despesa para a autarquia que, num futuro próximo, fará refletir isso no bolso dos munícipes. Quanto ao composto obtido será, certamente, aplicado nos espaços verdes da zona. O que, também por aí, contribuirá para a melhoria do ambiente e da qualidade de vida dos que aqui residem.


Isto num mundo perfeito, claro. Neste, quase ninguém ali irá deitar nada. Uns porque não cozinham, logo não têm sobras e outros porque não estão para se ralar com estas cenas. Por outro lado, não auguro uma vida longa ao equipamento. Muito me surpreenderá se não acabar vitima da vadiagem que se ocupa a partir tudo o que não mexe ou daquela malta que leva o dia a cirandar pelos caixotes do lixo da cidade. Se tiver metal, então, nem terá tempo para compostar a casca de uma banana.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Festejos á vista...

Posso estar aqui na segunda-feira a engolir cada uma das minhas palavras mas, caso tudo corra dentro do expectável, domingo à noite todos os partidos concorrentes às eleições cantarão vitória. Um privilégio que até há poucos anos era exclusivo do Partido Comunista que, recorde-se, encontrava sempre um motivo suficientemente bom para reivindicar uma estrondosa vitória eleitoral.


A maioria deles, acredito, terão razões para isso. O PS porque, com ou sem maioria, será sempre vencedor. O PSD, se as sondagens não falharem escandalosamente, terá igualmente motivos para se regozijar. O ponto de partida foi tão baixo que qualquer resultado que se aproxime dos trinta por cento será uma vitória. Entre o Chega e BE, independentemente dos deputados que um perder e o outro ganhar, o que ficar em terceiro lugar considerar-se-á um vencedor. Com razão, dado que arrebata o titulo de maior entre os pequeninos. A IL terá sempre razão para festejos. Dobrar ou mesmo triplicar o número de deputados é motivo suficiente. O CDS e o Livre, só pelo facto de continuarem a existir, poderão também fazer a festa. O PCP, esse, ganhará sempre. Tanto pode ser por a direita não ganhar, por a extrema-direita não ficar em terceiro, o PS não ter maioria absoluta, o que mais calhar ou o que lhes ocorra na altura. Se, já desta vez ou num futuro próximo, tiverem apenas um deputado vitoriar-se-ão por isso mesmo.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

O triunfo dos porcos...brevemente, num país perto de si.

Ouvir gente como Pedro Nuno Santos causa-me calafrios. Não tanto por mim, que as consequências trágicas das ideias que tem para o país já pouco mal me farão, mas pelos mais jovens e pelos mais pobres que inevitavelmente irão penar com as maluqueiras deste cavalheiro. Os milhões que estamos a pagar pelos desvarios deste senhor, relativamente à TAP e às PPPs da saúde, serão peanuts comparados com o custo do que se avizinha se este estropício chegar a capo dos socialistas.


Apesar de lhe desejar – relativamente à actividade política, como é óbvio - todo o mal deste mundo e do outro, admiro a frontalidade da criatura. Dizer de forma clara e sem rodeios ao que vem, não é para todos. Ainda ontem, perante o entusiasmo geral da plateia, aquele destacado socialista não teve qualquer problema em condenar a meritocracia. Ou seja, não pretende praticar políticas que reconheçam o mérito. Não é que me admire. Há muito que a prática do compadrio é conhecida entre as suas hostes. Basta olhar para o governo a que pertence. Não me admira, mas quando vejo milhares de apaniguados a aplaudir a ideia, não consigo deixar de me inquietar. E, reitero, nem é por mim.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Guardem as galinhas, que vem aí a "diraita"...

“Porque temos salários baixos?” É a pergunta, a soar a falsete, de uma revista que se publica semanalmente. Dá, entre outros exemplos, o de um jovem que auferirá setecentos e quinze euros mensais. Pouco, muito pouco efectivamente. Não sei se a questão colocada na capa da citada publicação será a mais correcta. Para mim seria mais adequado questionar porque motivo estamos a pagar - e pior, de forma tão desigual - impostos tão altos. Atente-se no caso do desgraçado atrás referido. Do magro pecúlio que o patrão lhe paga o Estado, para o IRS, apropria-se de 12,87€, deixando-o com um vencimento de 702,13 ao qual ainda vai descontar a TSU. O que significa que leva para casa menos do que o colega a quem o patrão paga os 705,00€ do SMN. Mas este “jove” nem é dos piores exemplos. Até tem sorte em não ganhar mais dez ou quinze euros. E, coitado, se fôr casado para o fisco já será um pequeno burguês.


Infelizmente nada disto importa na campanha. Quem, de uma ou outra forma, levanta o problema é apoucado pela esquerda, enrolado em explicações manhosas pelo centrão e ignorado pela generalidade da comunicação social. O importante, para eles e estranhamente para uma imensa parcela do eleitorado, é a “diraita”, a “extrema-diraita” e outros fantasmas. Eles que vão mas é bardamerda. A “diraito”, que é para não se perderem no caminho.

domingo, 23 de janeiro de 2022

Inquietações eleitorais

Mais de uma hora na bicha para exercer o meu direito de voto foi tempo bastante para me ocorrerem umas quantas inquietações. Quase todas, diga-se, relacionadas com o acto eleitoral em curso. Uma delas tem a ver com o dia de reflexão. Se é uma cena assim tão importante – uma vaca sagrada, pelos vistos – ontem e hoje não devia ser permitido fazer campanha. Nem, tão pouco, falar-se de eleições e assuntos relacionados nos meios de comunicação social ou nas redes sociais. Pouca será, portanto, a legitimidade dos que nos próximos dias vinte nove e trinta reclamarem de eventual propaganda eleitoral.


Outra inquietação tem a ver com o próprio sistema eleitoral. Quem o arquitetou entendeu – vá lá perceber-se a ideia – transformar uma eleição nacional em vinte pequenas eleições regionais. O que, como é óbvio, limita a escolha dos eleitores residentes nos círculos menos populosos. No distrito de Évora – em Portalegre ainda é pior – se não quiser que o meu voto seja absolutamente inútil, apenas tenho três opções. Qualquer outra escolha para além do PS, PSD ou PCP constituirá um voto que não serve de nada. A existência de um único circulo nacional seria a solução para que todos os votos fossem iguais e contribuiria, também, para uma maior diversidade na representação parlamentar. Mas isso, por mais que proclamem o seu eterno amor à democracia, pouco interessa aos dois maiores partidos.

sábado, 22 de janeiro de 2022

Desamparem a loja, pá!

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Os portugueses caminham rapidamente para a extinção. Somos cada vez menos e os que sobram são cada vez mais velhos. Um destes dias, a continuar assim, seremos um deserto. Há, contudo, duas ocasiões em que acho que ainda não temos desertificação suficiente. Uma, ao nível local, é quando nos sábados de manhã tento beberricar o meu cafézinho matinal e todos os cafés, pastelarias e similares estão a abarrotar de gente. A outra, à escala nacional, é quando vejo indivíduos destes a mandarem bacoradas como a que o JN chamou à capa um dia desta semana. Ele que vá. Faz cá tanta falta como a fome. E não volte, de preferência.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Não é iliteracia, é burrice mesmo.

De acordo com um estudo do Banco Central Europeu, em matéria financeira, os portugueses são os mais iletrados da Europa. Não era preciso o BCE perder o seu precioso tempo a estudar o nosso conhecimento das cenas relacionadas com o dinheiro. Somos uns verdadeiros asnos relativamente a esses assuntos e isso é mais do que notório. As evidências são mais que muitas. As consequências desse analfabetismo também. Nomeadamente no nosso bolso.


Veja-se, por exemplo, o IRS. Que é, não me canso de o escrever, dos impostos que mais me incomoda. Aquilo é um verdadeiro roubo, algo que devia revoltar todos os que dele são vitimas e envergonhar qualquer ministro das finanças. Mas não. Ao invés disso ainda há alarves que, parvamente, conseguem justificar o saque fiscal de que são, também eles, vitimas.


Dizia hoje alguém que, na nossa sociedade, ter dinheiro é algo mal visto. Constitui em termos sociais, acrescentava, uma espécie de afronta a que não tem. Infelizmente assim é. Para além de burros, somos invejosos. A rejeição generalizada da “taxa plana” de IRS é disso um bom exemplo. Preferimos continuar a pagar muito, só para que quem ganha mais do que nós não passe a pagar menos do que paga agora. É a inversão de um conhecido dito popular. Com o bem dos outros posso eu mal...mesmo que o bem seja igualmente para mim.

domingo, 16 de janeiro de 2022

Agricultura da crise

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Agricultura da crise. Outra vez. A bem-dizer é já um clássico aqui no Kruzes. São, digamos, as sementeiras de inverno. Nabos, nabiças, espinafres e alhos, entre outras. Faltam, no rol, as ervilhas. Ainda não nasceram. Mas, garante o vendedor, é coisa para se fazer em sete semanas. Pois. Deve ser, deve. Há também, como não podia deixar de ser, a erva. Mas dessa não reza a foto, não vá surgir por ali um bando de voluntários para ajudar na “apanha” da dita...

sábado, 15 de janeiro de 2022

A fogueira ou o caldeirão...

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Que vale quase tudo para conseguir ou manter o poder já toda a gente sabe. Veja-se, por exemplo, o que tem feito António Costa. E não ter cedido às exigências dos extremistas radicais do BE e do PCP não lhe serve de grande atenuante. Para ele até vieram mesmo a calhar, diga-se, de tão ávido que está por obter uma maioria absoluta. Que, se calhar, face às alternativas existentes - vitória do PSD sem maioria de direita ou do PS com maioria relativa - ainda constituirá o menor dos males. Numa hipótese acabaremos com Pedro Nuno Santos - incompreensível como um individuo destes pode chegar a líder do partido fundado por Mário Soares - em primeiro ministro, coligado com comunas de várias origens e na outra com António Costa coligado com o PAN. Venha o diabo e escolha a ditadura em que vamos viver.


Convém, por isso, saber o que pretende o PAN para o país. Da leitura do seu programa ficamos a saber que é um partido animalista, não especista, feminista e progressista. Seja lá o que for que qualquer um destes conceitos queira dizer. Pretende proibir a caça, a pesca, o abate de animais e propõe-se combater uma nova forma de discriminação que, presumo, aqueles “apanhados do clima” acabaram de inventar. O “idadadismo”. Nunca tinha ouvido falar, mas deve ser uma coisa lixada de padecer.


É com esta gente que o partido que lutou pela liberdade e que contribuiu decisivamente para o fim da loucura revolucionária que assolou o país em 1975, pretende governar Portugal. Os socialistas, ainda vivos, que no “Verão quente” estiveram na Fonte Luminosa devem estar corados de vergonha. Os outros estarão às voltas na tumba. E nós estamos lixados. Com F grande.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Como é que estão as odds para o debate de hoje?

Isto dos debates televisivos entre candidatos está como o futebol. Na bola, meia-dúzia de fulanos passam horas, antes e depois, a debitar alarvidades acerca de um jogo que, durante os noventa minutos regulamentares, apenas raramente tem alguma semelhança com aquele que acabámos de televisionar. Na política estamos na mesma. Aquilo que os excelsos jornalistas, politólogos e afins comentam não é, na maior parte dos casos, o mesmo debate a que qualquer cidadão na posse das suas capacidades auditivas acabou de assistir.


Não me parece que tenha grande relevância quem ganha ou perde um determinado frente a frente. Até porque nem estou a ver que métrica pode ser usada para definir a vitória ou derrota de qualquer um dos intervenientes. Nenhum deles está ali para convencer o opositor nem, muito provavelmente, nenhum telespectador minimamente informado mudará o seu sentido de voto face à prestação dos candidatos. Aquilo não passa de wrestling, ou lá o que é aquela coisa onde umas criaturas fingem brigar. De um debate entre Catarina Martins e André Ventura, por exemplo, estamos à espera do quê? Que critério é que se pode usar para declarar um vencedor? Quando muito, estes e os outros, demonstram as suas ideias e vincam as diferenças que os separam. O resto é entretenimento.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Tele...o que se queira!

Em matéria de inovação tecnológica Portugal está na linha da frente. E nisto, por muito que custe aos liberais mais empedernidos, o Estado dá cartas. Está, digamos, anos-luz à frente dos privados.


Veja-se, para não irmos mais longe, a questão do teletrabalho. Enquanto no sector privado ainda existem inúmeras resistências à sua introdução, na administração pública já se consegue colocar toda a gente, seja qual for a profissão, a trabalhar a partir de casa. Ou do café, se preferirem. Desde pedreiros a canalizadores, jardineiros a varredores, senhoras da limpeza a motoristas, tudo teletrabalha. É a tecnologia. Seja ela – a tecnologia - qual for que permite esse milagre. Deve ser ultra-secreta, por enquanto.


Mas nisto, como sempre, os velhos do Restelo não podiam deixar de se fazer ouvir. Argumentam, veja-se o topete, que a malta quer é teledescanso. Fazem-me lembrar aquele meu tio-avô que, ao ouvir falar pela primeira vez em bebés-proveta, exclamou indignado: “Pode lá ser! Onde já se viu fazer filhos sem f**der!”. O futuro encarregou-se de o desmentir.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Todos igualmente pobres

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Desde que chegou ao poder as preocupações da esquerda em matéria de ordenados têm-se resumido ao salário mínimo nacional. É uma opção. A tradicional para aquelas bandas do espectro político. Quem ganha o SMN fica contente com o aumento, apesar de continuar igualmente pobre. Condição que, por força da estagnação salarial que ocorre daí para cima, se vai alargando todos os anos a mais trabalhadores. Ao fim de algum tempo o objectivo de atingir a igualdade na pobreza estará alcançado.


Apenas um idiota ou um esquerdista – passe o pleonasmo – não percebe que o salário mínimo será sempre sinónimo de miséria franciscana. Por mais que a pretendam engravatar. A economia adapta-se a estes aumentos e o poder de compra continuará igual. E isto nem sou eu dizer, até porque destas matérias percebo tanto como um barbeiro. Basta-me ter presente o que aconteceu no pós 25A quando o SMN foi criado e fixado em três contos e trezentos. Apesar de então o vencimento de milhões de trabalhadores ter triplicado, veja-se o resultado disso. Mas, ao contrário de qualquer animal, a esquerda tropeça sempre na mesma pedra. E gabam-se disso.

domingo, 9 de janeiro de 2022

A liberdade está a ir-se embora daqui...

Mudam-se os tempos mudam-se as vontades, já escrevia o outro. Com os tempos e com as vontades mudam-se também os insultos, acrescento eu que de poeta nada tenho. É o que dá não ter herdado a queda para a rima de um avô que, parece, tinha um certo jeito para versejar.


Vem isto a propósito de ultimamente as expressões “liberal”, “neoliberal” ou “ultraliberal” serem frequentemente usadas com o objectivo de tentar insultar - ou manifestar desprezo, sei lá - a quem se aborrece com o nível de esbulho a que chegou a nossa fiscalidade. Pensava eu, na minha imensa ignorância, que ser liberal, fosse qual fosse o grau, se tratava de uma coisa boa. Mau, acreditava, era se fosse fascista, comunista ou defensor de outra ideologia igualmente criminosa.


Também estava convencido que o roubo, independentemente de quem o pratica, é sempre um acto hediondo. Mas, não. Segundo a maioria dos meus compatriotas, se fôr o Estado a roubar, trata-se de uma coisa virtuosa. Daí que bovinamente engulam as pantominices que são sendo ditas e escritas acerca da chamada “taxa plana” de irs e, pior, as repitam evidenciando uma ignorância que dá náuseas. Podem gostar de ser roubados, chulados ou o que quiserem. É também perfeitamente legitimo defender a progressividade do imposto e alegar a perda, no curto prazo, de um valor significativo de receita que adviria da aplicação da dita taxa. O argumentário em uso, baseado apenas na iliteracia e na inveja, é que é absolutamente asqueroso.

sábado, 8 de janeiro de 2022

Que tradição mai'linda...

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Cada terra tem as suas tradições. Por este país fora há muitas e belas tradições que os autóctones se empenham em preservar. Desde deitar fogo a um gato, tourear bois até à morte a pôr pirralhos de seis anos a fumar, há de tudo um pouco. Cada uma muito genuína e ancestral, garantirão as gentes desses locais.


Por cá também temos essa coisa das tradições. Mas ao contrário dos gajos que chamuscam felinos, matam touros ou enfiam cigarros na boca dos gaiatos, que reservam um único dia do ano para essas parvoíces, nós gostamos tanto das nossas tradições que as praticamos todos os dias. Não vão cair em desuso ou o zelo dos serviços de limpeza da autarquia leve a melhor.


Numa zona da cidade existe a antiquíssima tradição de atirar o lixo do alto da muralha em direcção ao terreno circundante. É um costume respeitável – deve remontar aos tempos das invasões castelhanas ou francesas - que as sucessivas gerações de moradores se têm esmerado em transmitir aos seus descendentes. É, como se pode apreciar, uma coisa linda. Lamentavelmente a autarquia limita-se a ciclicamente retirar os despojos do local. O que é, há que dizê-lo com toda a frontalidade, manifestamente pouco. Esta tradição encerra em si todo um potencial que merecia outro aproveitamento. Explorar aquilo do ponto de vista turístico, nomeadamente. Criar, por exemplo, um concurso para premiar o atirador que conseguisse lançar o lixo a uma distância maior. Ou, quiçá, para quem lançasse o objecto mais pesado ou mais original. Em colaboração com os habitantes podia até criar uma actividade em que os turistas lançavam, também eles, o lixo por ali abaixo. Era uma experiência, como agora se diz. Fica a dica.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

E sair de casa para me abster, posso?

Afinal, quase dois anos depois, estamos prestes a concluir que proibir as pessoas de sair de casa é inconstitucional. Desde que essa proibição, como é evidente, envolva coisas importantes. Daquelas que todos temos de fazer. Como, por exemplo, passear o cão ou votar. Já para banalidades como trabalhar ou comprar comida é óbvio que a proibição se mantém. Devidamente respaldada pela lei fundamental, como é bom de ver. Ou seja, nesta terra de malucos qualquer badameco decide, quando muito bem lhe apetece, acerca de direitos que podem ou não ser violados.


Arrenego todas as teorias dos negacionistas desta pandemia mas, começo a achar, que não são os únicos doidos varridos. É que isto, do lado dos especialistas na especialidade e dos políticos, não falta gente empenhada em lhes dar motivos para acharem que têm razão. Depois, num próximo confinamento geral e obrigatório, venham para cá convencer o pagode que não podemos sair para comprar cerveja, visitar a sogra ou – loucura das loucuras – ir trabalhar.

domingo, 2 de janeiro de 2022

Pobres?! Nah...só ligeiramente menos ricos do que os outros!

Há gente que fica muito incomodada quando se lhes faz ver que, apesar de toda a propaganda, caminhamos a cada ano e em passo acelerado para os últimos lugares do ranking da riqueza ao nível da União Europeia. Acredito que um dos motivos do desagrado será por lhes ser cada vez mais difícil culpar o “malvado governo da direita”, com as suas políticas de direita, pelo definhar do país. É que isto, parecendo que não, já lá vão seis anos de políticas de esquerda, daquelas que privilegiam os interesses nacionais, nomeadamente os dos trabalhadores e do povo. O resultado está à vista.


Numa tentativa patética de justificar a ultrapassagem das economias dos países de leste há quem já me tenha garantido que lá, por causa das “políticas neoliberais” que os gajos adoptaram, os trabalhadores vivem numa miséria franciscana. Sem direitos e a ganhar pouco. É tudo uma questão de médias, garantem. É capaz disso, é. Por mim, que dessas coisas da economia sei tanto como um barbeiro e ligeiramente menos que um taxista, para perceber o nível de pobreza a que esquerda nos condenou prefiro olhar para a origem dos imigrantes que chegam aqui à região. Antes vinham europeus de leste. Agora vêm nepaleses, paquistaneses e indianos. Como não sou de fazer perguntas parvas nem vou questionar porquê...